Hanna Fisio

quarta-feira, 3 de junho de 2015

SERENITY

PARTE 9 - INICIANDO OS TRABALHOS
Por Jair Nepomuceno

A entrega pessoal ou profissional podem trazer surpresas, mais que isso, podem trazer algo que se perdeu, ou algo que não estava perdido, mas que não imaginava-se que existisse...

O primeiro dia de Vinne oficialmente como psicólogo de Serenity havia chegado, andava junto com Michael Sales, tirou algumas dúvidas com o companheiro, seguiram até um dos consultórios que se localizava no térreo, os enfermeiros já haviam separados dois internos para a consulta, Serenna e Ronald. 
Vinne entra no consultório de número um, Michael foi para o número três, haviam cinco consultórios no total, dois para os psicólogos e três para os psiquiatras, a porta do número um se abre, Serenna entra segurando uma rosa branca, junto a ela estava Margareth a enfermeira negra e gorda, face quase sempre fechada, simpatia não era definitivamente a sua principal característica.
- Sente-se aqui, querida! - Disse Vinne puxando a cadeira para que a interna sentasse.
- Quer que eu fique também? - Indagou a enfermeira.
- Não acho necessário, mas você ficará próximo caso eu precise de algo? - Perguntou Vinne.
- Estarei do lado de fora! - Respondeu prontamente 
Morgan então se vira para a senhora sorridente.
- Serenna, como vai você?
- Muito bem, querido!
- Que ótimo! O que a senhora tem feito?
- Nada diferente!
- E existe algo que a senhora gostaria de fazer?
- Eu acho triste quando as pessoas se machucam! 
Vinne se inclina para trás na confortável poltrona.
- E quem se machucou?
- Aquele moço né? Foi triste!
- Qual moço?
- Aquele que morava aqui!
- A senhora se refere a Poll Austin?
- Ele era bombeiro!
- Bombeiro?
- Sim! Ele ficou doente da cabeça quando a esposa ele foi chamada por Deus!
- A senhor era amiga dele?
- Não. Ele nunca conversou comigo! Acho que era um moço tímido.
- E como a senhora sabe essas coisas sobre ele?
- Leonard me contou!
- Entendo. - Disse Vinne meio descrente, afinal ali na sua frente estava uma esquizofrênica. - E o que mais ele te contou a respeito de Poll Austin?
- Ele não quer que eu te fale! É segredo. A sua mãe não te ensinou a respeitar segredos?
- Mas a senhora pode me contar. Eu não conto Para ele! 
- Mas ele vai saber que eu te contei, e isso o deixa chateado!
- Não, não vai! Eu não contarei a ele que a senhora me disse o segredo!
- Mas ele está atrás do senhor! - Serenna aponta o dedo para o canto do consultório, perto de um tipo de arquivo que continha um pequeno jarro de flores vazio sobre ele, Vinne olha rapidamente para trás e nada ver.
- Não o vejo!
- Mas ele te vê! 
Nesse momento o vaso despenca de cima do armário, o susto foi tanto que Vinne se levantou de sobressalto da poltrona enquanto Serenna sorria ainda segurando a sua rosa branca, o barulho fez com que Margareth abrisse a porta rapidamente.
- O que houve? - Indagou a enfermeira.
Vinne estava com o coração a mil, ofegante, mas preferiu guardar para si aquela estranha experiência.
- Eu esbarrei no armário e o vaso caiu! Você poderia leva-la de volta ao jardim e chamar alguém para limpar esses cacos de vidro? - Margareth balança a cabeça positivamente, em seguida chama Serenna e a leva para o jardim, o psicólogo mantém a porta aberta, por alguns segundos ficou ali parado olhando para o local em que a esquizofrênica apontara, se perdeu em pensamentos até que "Rolha" entra no consultório segurando uma vassoura e uma pequena pá. Vinne então se senta e liga o computador que estava sobre a sua mesa, busca o arquivo virtual de Serenity, encontra o nome de Poll, ao ler sobre o falecido, descobre que ele havia sido realmente um soldado do corpo de bombeiros, viu também que Serenna falou a  verdade quando mencionou o fato da esposa dele já ter falecido há doze anos, isso o perturbou um pouco.
Morgan vai até Michael cujo a consulta dele também já havia acabado, queria tirar algumas dúvidas.
- Sales. - Disse Vinne usando o segundo nome do outro psicólogo. - Poll Austin era uma pessoa reservada?
 - Ele não era muito social! - Respondeu Michael. - às vezes até que ele se socializava, mas era coisa rara!
- Ele conversava com Serenna?
- Que eu me lembre, não! Por quê?
- Por nada!
- O único interno com quem Poll conversava era Roland Connor!
- Roland Connor, aquele que está isolado?
- Ele mesmo!
- Que estranho!
- Você está em um hospital psiquiátrico, Vinne, coisas estranhas acabam se tornando algo normal por aqui!
Vinne concorda com um aceno de cabeça, sai andando com Michael até o refeitório, dentro desse refeitório havia também uma pequena cantina, sentaram-se lá, pediram café amargo e um bolinho de baunilha.
- Michael, quanto tempo você trabalha aqui?
- Dois anos!
- Você se recorda do Daryl no inicio dele aqui?
- Sim, claro!
- Ele sempre foi um porra louca?
Michael da um gole no café, respira fundo e responde:
- Não mesmo! Era mais contido!
- Serio?
- Sim!
- E aconteceu algo com ele nesse período que pudesse justificar essa mudança tão profunda de personalidade?
- Cara, o papo está bom, mas me lembrei que tenho que ir entrevistar Dennis Sandler, o Diretor quer saber se podemos libera-lo do isolamento. Mais tarde a gente se fala, certo? - Michael da um tapinha sobre o ombro de Morgan e sai rapidamente do ambiente. 
Vinne percebeu é lógico, que o seu companheiro de profissão se esquivou da conversa, quis insistir, mas acabou desistindo, deixou Michael a vontade. Depois da pequena pausa, Vinne resolveu andar pelo jardim, conversar com outros enfermeiros, passou o resto da tarde fazendo isso, até a noite chegar. Tomou banho e foi para a cama, antes de se deitar na confortável cama, tomou um calmante, acabou apagando quase que imediatamente, ele estava precisando mesmo daquele descanso, e não necessariamente para o corpo, a sua mente havia sido bombardeada nas ultimas horas por coisas que não conseguia compreender, a noite de sono com certeza lhe faria muito bem.
Era quase oito da manha quando Daryl retornou para o hospital, parou o seu Dodge Viper GTS 1996 no estacionamento de Serenity, mas ao descer do seu veículo foi surpreendido por dois policias que lhe deram voz de prisão.
- "O senhor tem o direito de permanecer calado, tudo que disser poderá e será usado contra o senhor no tribunal".
- O que foi que eu fiz? - Se surpreende Daryl!
- Não se preocupe, pelo menos não ainda. - Subitamente o Delegado Malcon se aproxima falando alto. - Trata-se de uma prisão preventiva.


CONTINUA...


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