Hanna Fisio

terça-feira, 28 de março de 2017

ENTRE O DESTINO E O AMOR
PARTE 2 - VASO QUEBRADO

   Juntar os cacos é tarefa difícil, juntar os cacos é tarefa árdua em diversas ocasiões, quando se quebra aquilo que se cuida, soma também um sentimento de impotência, e era justamente como Evans se sentia ao despertar de um coma, que o fez perder não somente três anos e quatro meses da vida, mas coisas quase tão valiosas quanto.
- Ela noivou quase dois anos depois do acidente. - Continuou a falar Adrianny. - Ela passou por coisas ruins, irmão.
   Evans chorava copiosamente, aquilo era um pesadelo, fechou os olhos em vários momentos na esperança infantil que quando abrisse, tudo não passasse de um sonho.
- Escute amigo. - Desta vez Fredie quem falou. - Nesse momento o mais importante é o seu retorno, é nisso que devemos focar. Você precisa ficar totalmente recuperado e voltar a vida normal.
- Ela não se lembra de mim?
- Não só de você. - Respondeu Adrianny. - Ela não se lembra de nada que aconteceu em sua vida depois dos 13 anos, e antes que você pergunte, infelizmente é irreversível. Os pais dela tentaram de tudo, foram inclusive para a Europa na esperança de um tratamento que prometia ser de vanguarda para esse caso, mas tudo que conseguiram ter, foi a certeza de que o caso dela não há  reversão, eu sinto muito!
- Ela nunca me visitou? O senhor e a Senhora Moore nunca veio me ver?
- O senhor George veio junto com aquele insuportável do Greg, a senhora Elizabeth foi te ver somente na noite e no dia seguinte após o acidente quando você ainda estava no Hospital Einstein lá em nossa cidade. Desde que veio para Pittsburgh somente essa vez que recebeu visita da parte de lá. - Relatou Adrianny.
- Não estou entendendo!
- Ele disse que a filha dele iria tocar a vida e que a cidade iria esquecer do acidente. Proibiu de falarem sobre o caso, ela teve aulas particulares desde então, tudo isso para evitar comentários. Segundo ele disse, o médico britânico que cuidou dela em Londres orientou a não tocarem no assunto, já que isso só a iria deixar confusa, já que ela não se lembra de nada.
- Então ela nunca soube nada ao meu respeito?
   Adrianny balança a cabeça de forma negativa, enquanto Fredie lhe tocava o ombro.
- Eu sempre achei o pai da Kate um escroto! - Disse o amigo que tentava lhe conformar.- E aquele irmão dela não é diferente. É o tipo de sujeito asqueroso em alto grau! Um babaca!
   Adrianny repreende o amigo.
- Fredie, isso não vai ajudar em nada! Evite esses comentários, por favor!
- Eu só falei a verdade!
- Alguém precisa avisar a nossa mãe que eu acordei! - Nesse momento, embora ainda limpasse as lágrimas que insistiam em escorrer por sua face branca, Evans parecia que estava assimilando bem aquele prato indigesto da realidade que agora teria que conviver.
- Eu farei isso, não se preocupe. - Disse Adrianny.
- Quanto tempo ainda ficarei aqui?
- Precisamos realizar alguns procedimentos, mas pela forma que você voltou do coma, as perspectivas são as melhores possíveis. - Respondeu o Doutor Herris.
- E essas perspectivas giram em torno de quanto tempo?
- Entre dois e três dias!
- Muita gente ficará feliz com o seu retorno, meu parceiro! - Eu não vejo a hora de retornar para Bonnick.
- Você se mudou para cá? Fez isso por minha causa?
- Eu não me mudei para cá. Eu estava vindo duas semanas por mês para dar uma força a sua irmã.
- E o seu estúdio?
- Caleno toma conta na minha ausência.
- Caleno, aquelo louco?
   Fredie sorriu e disse:
- Ele parou com as drogas, ano retrasado teve uma overdose e ficou internado, quando viu que iria pro buraco resolveu assumir a caretice. Está limpo desde então.
- E Michelly?
- Ela entende. Pelo menos estamos brigando menos agora.
   Entre risos e abraços, o médico anuncia que os visitantes precisam sair, visita agora só no dia seguinte, depois das despedidas e quando a porta do quarto se fecha, Evans retorna ao sofrimento solitário, tentava entender porque o destino estava brincando com ele daquela forma, sempre foi uma pessoa reta e o seu amor por Catherine era real, aliás, não deixou de ser, a angústia por não saber o que seria dali em diante dilacerava o seu coração.
   O dia seguinte foi de mais emoção, Linda Dowson a sua mãe foi visita-lo, queria ter ido no mesmo dia, mudou-se para Pittsburgh para tomar conta do filho, mas o seu coração permanecia em Bonnick, sentia saudade de sua casa, do seu jardim, das amigas, do clima e da vista para as pequenas montanhas que não se cansava de contemplar, quando ficava sentada na varanda tomando o seu chá, geralmente com as amigas, em especial com Brigitte sua prima.
  A notícia do retorno de Evans não demoraria a chegar em sua cidade, e naquele dia no fim da tarde, o telefone toca na casa dos Moore, A senhora Elizabeth não demora em atender, no momento, o esposo e os filhos estavam presentes na sala, era um dia de Sábado, e a dona da casa quase deixa o aparelho cair de suas mãos. o marido percebe o semblante de surpresa e pergunta:
- O que houve?
   A Mulher ainda demonstrado um misto de surpresa e apreensão diz com a voz branda:
- Notícias de Pittsburgh!
  No primeiro momento George imaginou que era algo a respeito de Evans e o natural foi pensar que ele havia falecido, mas a resposta da esposa o fez gelar.
- O rapaz acordou do coma!
   Todos se olham, os segundos silenciosos foram quebrados por kate.
- Que rapaz? Quem acordou do coma, mamãe?
- Um amigo meu que você não conhece! - Respondeu rapidamente o pai. - Alguém que eu imaginava que já estava morto! E talvez fosse o melhor que estivesse...


CONTINUA...








   
   

domingo, 26 de março de 2017

ENTRE O DESTINO E O AMOR

                                 PRÓLOGO
                                   
     O dia era 15 de Dezembro de 2015, chuviscava um pouco naquele fim de tarde, um frio comum naquela época do ano anunciava que o inverno chegaria em poucos dias, Evans e Catherine estavam animados e ansiosos, afinal, faltava menos de 20 dias para o casamento tão esperado. Kate, como era chamada por familiares e amigos, havia escolhido a data 03 de Janeiro para se casar, ela afirmava que havia sonhado com esse dia, por essa razão acreditava que iniciar um novo ano, com uma nova vida foi o que havia entendido do sonho, Evans concordou com a data, apesar de ser em um inverno.
    O casal e Mônica, uma das melhores amigas de Kate, que seria uma das madrinhas saíam do Buffer New Dreams, acertavam os últimos detalhes da decoração, sorridentes entraram no carro de Evans e tomaram o caminho para o restaurante temático Blue pine tree no intuito de relaxarem e conversarem a respeito da cerimônia.
   Evans sempre foi um rapaz de boa índole era gerente de produção em uma fábrica de calçados em Durance, uma pequena cidade situada a trinta quilômetros de Bonnick, no estado de New Jersey, cidade aliás, onde o casal já residia e continuariam a residir após o casório.
   A familia de Kate possuia uma grande floricultura, a maior da região, possuía também um pequeno aras não muito lucrativo, os planos futuros incluía mudança para a capital Trenton, mas isso, só depois que Kate terminasse a faculdade e se tornasse uma veterinária, a fábrica em que Evans trabalhava possuía uma distribuidora por lá e outra em Pittsburgh.
  Passavam das seis da tarde quando em uma curva aberta o seu Chevrolet Silverado 2011 colidiu contra um caminhão Ford que vinha na contra-mão, Evans tentou evitar o choque, mas a manobra não surtiu muito efeito e o seu veículo tocado na traseira acabou capotando três vezes, Evans e Monica foram arremessados para fora do carro, enquanto Catherine ficou presa entre as ferragens.
   Cerca de oito minutos se passaram após o acidente até que chegasse um socorrista e levasse Catherine para o hospital, era a unica vitima que se mexia, o motorista do caminhão havia desmaiado porque ao chocar-se contra o carro de Evans acabou perdendo o controle e colidiu contra uma cerca do lado oposto da curva, ele mesmo chamou o corpo de bombeiros, permaneceu no local até a chegada dos paramédicos.
   Foi uma noite intensa, o que aconteceu a seguir ilustrava bem o fatídico, Mõnica acabou falecendo antes mesmo de ser colocada na ambulância, sua morte foi imediata, seu corpo acabou chocando-se contra uma arvore, traumatismo craniano e perda de  massa cefálica, uma cena assustadora, já Evans teve politraumatismo, fraturas espalhadas pelo corpo, traumatismo craniano, entrou em coma.
   Kate ficou em coma por pouco mais de três dias, mudou-se temporariamente para Washington com a os pais para continuar o tratamento, seu acidente deixou sequelas profundas, três meses depois retornou para a sua casa em Bonnick, Evans não teve a mesma sorte, entrou em coma e esse é o seu estado atual, passaram-se três anos e quatro meses, nesse período inteiro esteve internado em um hospital na cidade de Pittsburgh, a empresa estava bancando todo o tratamento desde então.
  O destino estava sendo duro com o casal e com suas respectivas famílias, a vida continuou para todos, a diferença era a rotina, enquanto Kate voltara a sua vida proxima do normal inclusive trabalhando na floricultura da familia, Adrianny, irmã de Evans e o seu melhor amigo, Fredie revezavam os dias no hospital para ficar com Evans, a senhora Brenda, mãe do acidentado mudou-se para Pittisburgh e estava com ele praticamente todos os dias.
  Três anos e pouco mais  de quatro meses se passaram desde o acidente, e em uma manha de quinta-feira Evans sai da "hibernação"...





CAPÍTULO 1
DE VOLTA À ESFERA

     Um cheiro peculiar entrou em sua narina, Evans despertou desnorteado e embora aos poucos, ia tomando consciência não entendeu no primeiro momento onde estava, a primeira coisa que viu foi uma enfermeira de estatura média, correndo do quarto e voltando poucos segundos depois acompanhada por duas pessoas que ele conhecia bem, sua irmã Adrianny e seu amigo Fredie.
   Anny abraçou-lhe chorando, ele não teve tempo de perguntar coisa alguma, seu amigo sorriu e disse um "- Bem vindo de volta, parceiro!" - Nada poderia ser mais confuso para Evans que naquele momento estava completamente  surpreso, afinal, não se lembrava como havia ido parar ali, mas não demorou para entender que algo muito ruim havia acontecido e nesse momento compreendeu de vez onde estava, só restava saber como sucedeu.
   Evans enfim falou:
- O que houve?
- Você não se lembra do acidente? - Indagou Fredie enquanto Adrianny permanecia abraçada a ele.
- Não, A ultima coisa que me lembro foi saindo do buffer. - Evans tem derrepente um surto de preocupação e desesperado busca notícia da noiva. - Onde está kate? Pelo amor de Deus! Onde ela está?
- Calma! - Disse Adrianny. - Ela está bem! Fique tranquilo.
   Evans suspira aliviado, mesmo assim insiste na pergunta.
- Onde ela está?
- Em casa. - Diz Adrianny. - Você precisa descansar, não se preocupe com nada agora.
- Preciso falar com ela!
- Amigo, como disse a sua irmã, você precisa descansar, amanhã a gente se preocupa com outros detalhes.
   Nesse momento o Médico entra no quarto, sorrindente o cumprimenta.
- Que visão maravilhosa, meu rapaz! Que surpresa boa!
- Eu to sentindo o corpo dolorido!
- Isso porque você ficou um bom tempo deitado, amanha avaliaremos você, dependendo do que descobrirmos autorizarei que saia do quarto. Estou vendo que está mexendo normalmente as pernas, braços, cabeça, a lucidez é um ótimo sinal.
- Não me recordo do acidente! Isso é normal?
- Qual a ultima coisa de que se lembra? - Perguntou o Médico.
- Eu estava no buffer, fui resolver os últimos detalhes do casório, me casarei em alguns dias!
   O Doutor Herrris olhou para a irmã e o amigo do paciente, o que viria depois seria sem dúvida alguma um duro golpe, tão duro quanto foi o acidente.
- Não se preocupe com casamento agora, você precisa se recuperar plenamente, ai depois veremos. 
- Como assim? - Sorriu Evans. - Eu me caso em alguns dias, preciso está bem em uma semana ou duas!
   Adrianny começa a chorar, seu irmão percebe e o semblante muda, a precocupação volta a sua cabeça, pensou na hora que algo terrível poderia ter acontecido com a sua noiva.
- Não haverá casamento nos próximos dias, meu amigo! Sinto muito!
   Evans tenta se levantar da cama, mas foi contido por uma enfermeira e pelo médico.
- Onde está Kate? Por deus me diga!
- Ela está bem, eu juro! - Disse Fredie.
- Quanto tempo estou aqui?
   O médico respira fundo e dispara:
- Você estava em coma há exatos 3 anos e quatro meses! Pelo que eu soube, a sua noiva chegou a entrar em coma, mas saiu desse estado em 3 dias. Nesse momento ela vive bem e inclusive já voltou a trabalhar.
   Evans sentiu uma tristeza profunda como nunca havia sentido antes, voltou a indagar os presentes.
- Como está Mônica? Eu me lembro que ela estava conosco, aliás, como foi o acidente?
- Você colidiu de frente com um caminhão. - Disse Adrianny. - Logo depois que saiu do Buffer, a mônica e você foram arremessados para fora do seu carro. Ela morreu na hora. Kate ficou presa nas ferragens, entrou em coma e retornou em três dias.
   Evans Chorou muito pela morte da amiga, sua irmã o abraçou novamente, ele pediu para alguém avisar a Kate que ele estava bem e que precisava conversar com ela, mas a resposta o fez gelar.
- Kate não sabe que você está aqui. - Disse Fredie. - Na verdade ela não se lembra de você! Perdeu a memória recente definitivamente, só conseguia se lembrar da sua vida até os 13 anos de idade! Você a conheceu aos 17 anos. Isso significa que para ela, você nunca existiu!
- O que? - Gritou Evans. - Isso não pode estar acontecendo comigo! Meu Deus digam que é brincadeira!
- Ela está noiva com outra pessoa, meu irmão! - Disse Adrianny chorando. - Eu sinto muito!


CONTINUA...