Hanna Fisio

domingo, 28 de maio de 2017

ENTRE O DESTINO E O AMOR
PARTE 10 - VERDADE FORÇADA

    Depois de toda pressão que Philip fez na família de Kate, tanto os pais quanto o irmão decidiram conversar com a moça naquele mesmo dia, não quiseram passar uma noite inteira em tormenta psicológica, se havia algo que não poderiam escapar, então melhor que encarasse o problema de frente.
    Catherine chegou em casa por volta das sete da noite, seus pais e o seu irmão a aguardavam, ela sorriu.
- Família reunida. - Brincou. - Fazia tempo heim?
Elizabeth engoliu a seco, chegou até ela e a abraçou, a filha percebeu que havia acontecido algo, a mãe beija-lhe a testa.
- Estávamos esperando por você, meu anjo!
- Aconteceu alguma coisa? - Indagou assustada a jovem de olhos verdes brilhantes.
- Não se preocupe, queremos apenas conversar com você! - Respondeu a mãe.
- Vocês estão me assustando!
- Calma! - Disse George. - Sem muito drama. Beth já disse que não é nada demais.
- Se não é nada demais, qual o motivo desse mistério?
- Que mistério, menina? - Esbravejou Greg. - Se você se acalmar e esperar um segundo a gente começa a falar!
    Elizabeth olha com reprovação para o filho, em seguida vira-se para a filha e começa a falar.
- Queremos revelar algo para você que na verdade, já deveríamos ter feito ha muito tempo.
- Revelar o que mãe?
- Sente-se querida. - A menina sentou-se no confortável sofá de mãos dadas a Elizabeth. - Queremos falar sobre o acidente que você sofreu há pouco mais de três anos.
- O que há para contar? - Perguntou a jovem. - Eu sofri um acidente de carro junto com o meu pai e perdi a memória.
- Essa não é a história real. - Disse George. - Mas antes de qualquer coisa, quero que saiba que fizemos o que fizemos para proteger você!
- O que vocês fizeram?
- O acidente aconteceu, filha. - Disse Elizabeth já com lágrimas nos olhos. - Mas não do jeito que você sabe!
Catherine se levanta abruptamente do sofá largando as mãos de sua mãe.
- O que vocês fizeram? - Repetiu a pergunta.
    Os minutos seguintes foram de explicações, revelações e entre uma fala e outra um pedido de desculpas, de compreensão e até de vitimismo, alegações sobre o motivo, meias verdades a respeito de uma suposta indicação médica para que fizessem da forma como fizeram, ela escutou tudo sem nada dizer, as lágrimas que escorriam pelo seu rosto branco revelava toda a sua decepção e tristeza, até que por fim ela tomou a fala.
- Vocês fazem ideia da covardia que impuseram sobre mim e sobre o rapaz que foi meu noivo?
- Filha, nós fizemos isso levando em consideração tudo á sua volta.
- Não mãe! - Gritou a jovem. - Vocês fizeram o que fizeram baseado apenas no que seria mais confortável para vocês! Eu não pude escolher, vocês me tiraram esse direito!
- Decidir o que? - Gritou Greg. - O cara estava em coma profundo e a família desiludida pelos médicos. Você está sendo mal agradecida! O que fizemos foi pensando em seu bem estar.
- Mesmo que a intenção fosse essa, a covardia dessa atitude é gigantesca! Vocês simplesmente jogaram o rapaz na vala, mentiram para mim, quem pensam que são para decidiram o que é melhor ou pior para mim?
- Você acordou com mentalidade de treze anos! - Disse George.
- Mas eu não tenho treze anos, nem quando acordei! - Me deixem em paz!
    Kate abre a porta e sai, Greg tentou segura-la, mas Elizabeth o impediu e viu sua filha sumir na esquina tendo como luminosidade apenas uma lâmpada pálida do poste que se localizava ente duas ruas, a reação de Catherine fez a mãe cair em prantos e o pai empurrar Greg e sair correndo atrás dela, mas retornou em minutos, não conseguiu encontrá-la.
    Sete minutos depois de sua saída ela telefona para o noivo, estava sentada em um banco de praça quando ele chegou, Philip já imaginava o que havia ocorrido, a pegou ainda em prantos e a levou para à sua casa.
- Amor,  Eles mentiram para mim! - Desabafa a jovem em choro profundo, o noivo pega um copo com água açucarada e leva até ela, pede que tenha calma.
   Philip a abraçou e deu a ela um tempo para que se recuperasse, o seu telefone tocou insistentemente, viu que era a sogra que telefonava, decidiu em não atender naquele momento, esperou até que Kate estivesse melhor e pronta para conversar.
- O que aconteceu, meu anjo?
    Kate estava ainda chorando, mas bem melhor comparando a forma como ele a encontrou.
- Eu sofri um acidente de carro e perdi a memória!
- Sim, eu sei.
- Mas a história não foi contada de verdade. Eu já fui noiva e sofri o tal acidente quando saía do buffer que seria comemorado a festa do casamento, o rapaz que casaria comigo entrou em coma e acordou ha alguns dias!
- Sinto muito que isso tenha ocorrido.
    Kate olha em seus olhos e pergunta:
- Você também sabia da verdade?
    Philip respirou fundo.
- Descobri ontem.
- Você iria me contar?
- Com certeza. 
- Quando?
- Amanhã.
- Por que amanhã?
- Porque foi o prazo que eu dei à sua família.
- Então foi você que os convenceu a me contar toda a verdade? Eu devia ter imaginado!
- Não deve ter sido uma tarefa muito fácil para eles.
- Eu nunca mais quero voltar para casa! - Voltou a chorar.
- Escute, querida. - Ele a beijou novamente na testa. - Não acho que você deva tomar uma atitude tão drástica. Eles são seus pais.  Erraram feio, isso é verdade, mas eu aprendi que muita gente erra ao tentar fazer o melhor. Não estou aqui defendendo a atitude deles, muito pelo contrário, não há o que defender, mas é um erro que você tem a obrigação de pesar e comparar com todo o resto.
- Como assim?
- Eles vacilaram com você, foi um erro grotesco, mas tente se lembrar de todas as outras vezes, e não devem ter sido poucas, que eles te fizeram feliz e te deram tudo que poderiam dar.
    Kate chora e abaixa a cabeça encostando sobre o peito do noivo, ela estava realmente muito sentida, Philip naquele momento era o oásis no deserto em que se encontrava, suas palavras sempre tão equilibradas a confortava, ela levantou o olhar e beijou-lhe rapidamente.
- O que eu faço, amor?
- Tente se recompor, vamos sair agora para jantarmos, depois eu te levarei para casa.
- Eu não sei se posso encara-los.
- Você não precisa conversar com ninguém hoje, não é o momento certo para fazer isso. Acredito que eles respeitarão a sua privacidade.
- O que mais me irritou foi a forma como se colocaram como vítima, como se o que fizeram tornou a vida deles mais sofrida que a minha condição atual de ter descoberto toda a mentira. A impressão que eu tive era que tentaram me fazer de vilã e eles de bonzinhos.
- Eu te entendo perfeitamente, mas você sabe que não tem como fugir de uma segunda conversa a respeito disso com eles.
- Eu posso usar o banheiro?
- Claro, querida! E preciso te dizer que irei telefonar para a sua mãe e avisar que você está comigo e irá para casa mais tarde. Ela está desesperada, já me telefonou dezesseis vezes, não é correto deixa-la nesse desespero. - Kate concorda com um acenar de cabeça e ele então telefona para a aflita Beth.
    Durante o jantar a menina fala sobre o ex-noivo que nem conhecia, tudo isso parecia um tanto louco, inusitado para ela.
- Você acha que o rapaz sofreu muito com tudo isso?
- Com certeza sim. - Respondeu Philip.
- Se para mim está sendo difícil, imagina para esse rapaz.
- O nome dele é Evans Dowson!
- Você o conhece?
- Não, mas conheci a sua irmã.
- Foi ela quem te revelou toda a farsa?
- Foi sim, mas eu gostaria que isso ficasse entre nós.
- Tudo bem, mas por quê?
- Vamos deixar para falarmos sobre isso outro dia, meu anjo, pode ser?
    Kate concorda, os dois conversam ainda sobre o assunto por algum tempo, depois o rapaz muda o assunto para o do casamento que estava próximo, ficaram no Bahamas por duas horas, após o jantar foram direto para a casa da jovem, ao parar o veículo, apenas Beth estava na porta da frente esperando.
    Catherine beija seu noivo e passa sem falar nada com a mãe, essa por sua vez grita para que Philip espere um pouco, e desce as escadas da varanda apressadamente até chegar na janela do carro do rapaz.
- Obrigado por traze-la de volta!
- Não há de que, senhora Moore.
- Eu só queria que soubesse que eu estou sofrendo muito,  muito mesmo com tudo isso. Não sou inocente de nada, mas fui omissa por me deixar levar pro uma pressão dentro de casa. Sei que não posso culpar outra pessoa para tentar safar minha consciência, porque eu aceitei me omitir. Tudo que eu quero nesse momento é ter o respeito de minha filha de volta. De agora em diante estarei ao lado dela, apoiarei a decisão que ela tomar.
- Isso significa muito para Kate, mas acho que a senhora deve provar isso com atitudes, eu sei que o fará.
- Sim, eu prometo que sim. E sei o quão idôneo você é, imagino o que deve estar pensando ao meu respeito, e não tiro a sua razão.
- Eu acredito no seu coração e no amor que a senhora nutre por Kate, eu sinto muito ter participado dessa história da forma como foi, e sinto mais ainda ter dito tudo o que eu disse, mas não posso pedir desculpas a senhora pelo que falei, isso soaria falso, e eu não sei ser assim. O máximo que posso dizer a senhora agora é que realmente sinto muito.
- Eu te entendo.
- Aconselho que vocês a deixe sozinha com os seus pensamentos hoje, foi muito intenso o que aconteceu. Se é que posso sugerir algo.
- Faremos isso. Boa noite!
- Boa noite, senhora Moore!
    O dia seguinte amanhece, Kate acorda mais tarde, quando desceu para o café de manhã, apenas Diaz, a empregada doméstica estava em casa, ela decidiu não ir  a floricultura, se deu um dia de folga, decidiu caminhar pelo parque, desejava passar um tempo sozinha.
    Na casa de Evans a rotina era a mesma, Adriany estava de saída para o trabalho, mas ao abrir a porta da frente coincidiu  com uma pessoa que tocava a campainha, ela ficou surpresa a ver quem era, a pessoa pediu para falar com o seu irmão, a moça se apressa em avisa-lo.
- Evans? - Diz enquanto batia á  porta de seu quarto, ele já havia acordado.
- Pode entrar!
- Você tem visita!
- Visita? Essa hora da manhã? 
- Sim!
- Quem é?
- Venha ver com seus próprios olhos, eu já estou atrasada para o trabalho!
    Quando Evans desceu a escada e se deparou com aquela figura bem trajada, Adriany saiu para o trabalho, desejou bom dia a visita e partiu.
- Bom dia, Evans! Meu nome é Philip Menson, sou o noivo de Catherine Moore!


CONTINUA...




    

domingo, 7 de maio de 2017

ENTRE O DESTINO E O AMOR
PARTE 9 - CARTAS SOBRE À MESA

    Quando uma pessoa é regida pela lei da ética, dificilmente deixa passar detalhes que não correspondem aquilo que considera como correto, e esse conceito de que a moral, a verdade e o respeito devem prevalecer na  vida, era justamente o que regia Philip W. Menson.
   Sophia Menson foi uma mãe que cultuava como poucos o uso da decência e da verdade, era um exemplo perfeito, o apego de Philip a ela e toda a admiração que ele nutria o   fez crescer sempre tentando ser o mais íntegro possível, no fundo não queira ferir a memória da mãe, que faleceu em um trágico acidente de carro quando ele tinha dezesseis anos, foi duro seguir a sua vida sem a presença física dela, decidiu perpetuar seus ensinamentos até para manter sempre acesa a memória da pessoa que mais amou.
   Robert Menson era o pai que apesar de uma ausência causada quase sempre pelo excessivo trabalho, também influenciou Philip a se tornar quem era, não com o mesmo afinco de Sophia, nem com o mesmo carinho e dedicação, longe disso, as coisas da família era secundário para ele, deixando nas mãos da esposa as tarefas de orientar, educar e acompanhar a jornada não só escolar, mas também social dos filhos  Philip e Pietra. Quando Sophia faleceu, Robert se viu obrigado a dar continuidade ao que a esposa havia feito até ali, sabia da dor que Philip e Pietra estavam sentindo, foram dias ruins, mas a sua aproximação aos filhos deu a eles a força para seguir em frente.
    Philip se tornou Diretor da W. Menson e assumiu o comando da fábrica em Bonnick, já Pietra permaneceu ao lado do pai em Pittsburgh, não quis seguir os passos do irmão, preferiu a faculdade de medicina e a clinica como o nome da mãe, onde atuará já teria data para ser concretizada, mas ainda restam dois anos para que Pietra se forme Médica, até lá, vai se dedicando exclusivamente aos estudos. 
    No dia seguinte após o encontro com Adrianny, Philip resolveu colocar tudo a pratos limpos, pediu que o seu primo Michael Jason que trabalhava na fábrica não se ausentasse porque queria conversar com ele, em seguida pediu a Greg que fosse buscar a senhora Moore e encontrasse com ele no aras da família, não entrou em detalhes o cunhado obedeceu rapidamente.
    Antes de Philip chegar George, Greg e Elizabeth já estavam conversando no Aras, ficaram intrigados com essa reunião, mas imaginaram que se tratasse de alguma surpresa que o noivo queria fazer para Kate, por essa razão preferiu se encontrar sem a presença dela.
    Já se havia se passado um pouco das dez horas quando Philip chegou, estacionou o seu carro e elegantemente se dirigiu até o escritório do local onde o sogro, a sogra e o cunhado o aguardavam.
- Bom dia a todos! - Cumprimentou.
- Aconteceu alguma coisa, filho? - Indagou George.
- Peço desculpas por me fazerem esperar, mas precisei averiguar umas coisas antes.
- Tudo bem! - Disse Elizabeth. - Mas está acontecendo alguma coisa?
- Sim! - Respondeu rapidamente o rapaz. - Vim até aqui por duas questões.
    George estava sentado e se levantou, o silêncio é quebrado com a sua pergunta.
- Questões? Quais seriam?
- Eu gostaria de saber porque mentiram para mim em relação a Evans Dowson!
    A pergunta pegou os três de surpresa, George tentou entender aonde o rapaz queria chegar.
- Mentimos? Do que você está falando? Nós falamos sobre Evans Dowson sim!
- Vocês me falaram meias verdades! Disseram que ele e kate haviam terminado o noivado antes do tal acidente! sabiam que ele havia voltado do coma e estava aqui na cidade! Por que não me contaram toda a verdade?
    Desta vez Elizabeth tomou a fala, quis minimizar aquilo que Philip aparentemente julgava importante.
- Evans sofreu o acidente e ficou em coma, da forma que você está falando até parece que a gente teve culpa! O passado de Kate não é relevante para você agora, a vida dela depois de conhecer você é o que importa, ou não é?
- Por favor, senhora Moore, não mude o contexto das coisas! A coisa não é tão simples assim! O passado de kate é relevante para mim, se eu sentir que isso me afeta, e nesse momento está me afetando muito porque vocês mentiram para mim! A primeira questão é saber por que não me contaram que ele entrou em coma ainda noivo com ela, e que os dois sofreram o acidente quando saiam do Buffer, foram lá para acertar os últimos detalhes da festa!
- Quem te falou isso? - George indagou.
- Quem me falou não vem ao caso!
- Então alguém te diz que eles não haviam rompido o relacionamento e você acredita, pior ainda, vem aqui tomar satisfações conosco.
- Pelo amor de Deus, senhor George! - Esbraveja Philip. - Não me tome como um idiota! Antes de vir aqui eu fui até o Buffer New Dreams e tudo foi confirmado. Evans e Catherine foram lá para acertar os últimos detalhes, escolheram o bolo, a cor dourado e branco para a ornamentação e o tipo de comida que seria servido aos quatrocentos e cinquenta convidados! 
    Os fatos que Philip trazia fez com que Elizabeth ficasse envergonhada, ela tentou contornar.
- Você está certo! Eles não haviam terminado. Peço desculpas por não termos falado nada a você sobre isso, mas sinceramente, nem os médicos que estavam cuidando de Evans nutriam esperanças que ele retornasse do coma, e se retornasse talvez tivesse sequelas irreparáveis, como aconteceu com Kate.
- Isso não justifica! Me desculpe, mas isso nao justifica!
- Por que é tão importante para você? - Desta vez foi Greg quem indagou. - Cara, você está feliz ao lado dela, e ela muito feliz ao teu lado, porque remoer essa questão?
- Talvez você não dê valor ao conceito da verdade, ou das coisas que são certas a se fazer. - Respondeu Philip ao Greg. - Mas a questão envolve confiança, se eu estava entrando na vida da sua irmã, o minimo que eu esperava era que todas as coisas fossem colocadas às claras, mas vejo aqui que existe coisa muito pior!
- Pelo amor de Deus! Isso é exagero seu, rapaz! - Esbravejou George.
- Eu entendo que isso possa ser para vocês algo insignificante, tudo bem, eu não sou filho de vocês, a Kate é importante. Eu penso que ela seja muito importante, ou não é?
- Do que você está falando? - Elizabeth se irrita. - É claro que ela é importantíssima para nós, eu a amo muito!
- É mesmo? - Ironizou Philip. - Então preciso levantar a segunda questão.
- Que segunda questão? - Perguntou Elizabeth.
- Por que vocês ocultaram a verdade sobre Evans para a kate? A senhora compactuou com isso?
- Onde você está querendo chegar? - Gritou George.
- Na minha opinião, vocês agiram covardemente com a Catherine! Estou decepcionado! mais ainda porque como a senhora Elizabeth disse aqui, a filha de vocês é importantíssima. Não me parece que seja.
- Você está passando dos limites, rapaz! - George se irrita mais uma vez.
- Quem passou dos limites foram vocês em relação a kate. Deviam se envergonhar por não ter dado a ela a chance de saber sobre Evans Dowson! Quando ocultaram o noivo dela, vocês tiraram dela o direito da escolha que pudesse ser ou não o melhor par a sua vida!
- Ele estava em coma! - Gritou George. - Talvez nunca retornasse! Acha mesmo que eu iria fazer essa judiação com Kate? Se ela decidisse conhecer Evans, talvez estivesse até hoje lá no hospital, cuidando de um moribundo que poderia nunca acordar do coma. Acha que não pensamos no melhor para ela? Você é louco!
- Vocês não tinham o direito de tomar a decisão por ela, é isso que estou tentando dizer.  Se ela decidisse ficar ao lado dele, certo ou não, a decisão teria sido dela, não de vocês. O que fizeram foi golpe baixo!
- Ela acordou com memória de treze anos! - Disse Greg. - Uma menina de treze anos sabe o que é melhor para a sua vida?
- Você acabou de falar uma estupidez, Greg. - Philip mantém a opinião. - Todos nós sabemos que ela não tem mentalidade de adolescente, e eu sei disso, porque quando a conheci ela praticamente havia acabado de voltar do coma, sei lá, seis meses depois. Ela nunca teve mentalidade de adolescente, e ainda que tivesse, Evans fazia parte da vida dela, portanto, ela tinha o direito de saber sobre ele, sim!
- Escute por favor! - Elizabeth chora. - Eu até entendo essa sua opinião, entendo muito. Mas você tem que concordar que não podíamos falar para ela sobre Evans quando ela retornou do acidente. Eu concordei porque achei melhor esperar um pouco, para ver como ela reagiria ao tratamento. Sei que você quer o melhor, mas eu como mãe tenho que pensar também no bem estar da minha filha!
- Tudo bem, senhora Moore. Mas já se passaram pouco mais de três anos e ela continua na sombra do conhecimento, vocês tiraram dela o passado, independente das decisões que kate tomasse, o que conta aqui é o correto a se fazer. Confesso que me decepciona muito saber da sua conivência, até porque, a mãe é a pessoa com mais sensibilidade em relação aos filhos! A senhora não se sensibilizou com a kate, sinto muito te dizer isso.
- Você pensa que é quem? - Gritou George. - Acha que pode nos ensinar como cuidar da nossa filha?
- Senhor George, não tente se vitimizar, o senhor está completamente errado, aliás, todos vocês!
- O Evans é um lunático! Sempre foi! Não seria o cara ideal para ficar com a minha irmã!
- Greg, por favor, não vomite asneiras! Você com certeza não concordaria com o possível casamento de Kate com o Evans, provou isso espancando o rapaz recém saído de um coma de forma covarde e ultrajante! 
    Todos ficaram sem palavras, George tentou ainda contra argumentar.
- Você tem a sua opinião, o que passou passou! Se acha que erramos, respeito a porra da sua opinião, mas agora temos que pensar no melhor para Catherine.
- Isso mesmo! - Ironizou Philip. - Exatamente, concordo com o senhor e é por concordar com o senhor, que eu darei a vocês o prazo de até amanhã de manhã para contar a kate sobre o Evans e o seu passado. Se não contarem, eu contarei!
    Philip sai do escritório deixando os três atônitos,  e antes de entrar em seu carro ainda pode ouvir o grito de Greg.
- Você quer que ela saiba do Vagabundo do Evans! Quer que ela vá atrás dele para virar um corno?
    O rapaz se vira novamente, desta vez com raiva, olha nos olhos de Greg com George e Lizabeth como testemunhas.
- Escute aqui seu cretino! Eu sei da sua fama de intimidador aqui na cidade, adora fazer seus teatros e acuar as pessoas. Pois bem, aqui está um homem que jamais se intimidaria por causa de um imbecil metido a valentão! Nunca mais ouse falar coisa do tipo para mim e não estou falando como seu patrão, não estou aqui como patrão, estou como homem! - Antes de abandonar o lugar, Philip se vira para os pais de Catherine e reafirma. - Espero muito não ser eu a contar para ela sobre o passado oculto... Bem, o recado está dado.
    Philip se vira novamente e entra em seu carro, a poeira sob os pneus anunciava que a arrancada havia sido recheada de raiva e decepção, agora um novo capítulo dessa fantástica história seria contado...



CONTINUA...