Hanna Fisio

domingo, 28 de junho de 2015

SERENITY

PARTE 16 - LEONARD
Por Jair Nepomuceno

O frio da alma se reflete quando o amor está esquecido dentro do peito, essa frieza pode nos tornar um criatura cruel, pode nos tornar meros arautos do mal.

Por onde começar? Essa era  a pergunta que Vinne fazia para si, a cada momento novas informações surgiam e na mesma velocidade que apareciam causava-lhe mais dúvidas, e atiçava a sua curiosidade. Saber que o menino supostamente havia sido assassinato antes de ter o corpo queimado o deixou confuso, precisava saber o que havia acontecido naquele quinze de Agosto, há pouco mais de três anos.
O novato tomou coragem e decidiu ir conversar  com Roland, aquele homem o assustava, mas a sua tentativa de tornar-se impávido o fez seguir adiante, no caminho ouviu um sussurro que vinha de uma escada que dava acesso ao porão, ele parou e respirou fundo, a avidez o fez descer aqueles degraus, ele escorava as costas na parede marrom para não fazer tanto barulho, a luz era fraca, bem pálida. Vinne chegou ao fim da escada e ouviu uma voz feminina que parecia conversar com outra pessoa, se concentrou para escutar sobre o que falava, principalmente porque o porão não era o lugar mais adequado para aquela situação.
- Não, não posso hoje! - A mulher falava com nervosismo. - Ele já está desconfiando! Se ele descobrir a gente vai entrar em uma fria. Você então, será penalizado do pior jeito, e eu não quero embarcar nesse trem. Não, eu não disse nada e nem vou dizer...
Nesse momento Vinne toca a ponta do pé em uma lata vazia de tinta e o barulho faz a mulher correr em sua direção, era Melissa, ela segurava um pequeno machado, o psicólogo espalma as duas mãos para frente e diz:
- Calma, calma, sou eu!
- O que você está fazendo aqui? - Grita a recepcionista que também era técnica em enfermagem.
- Eu ouvi um barulho e desci!
- Quanto tempo você está ai? - Ela segura o machado com as duas mãos, Vinne se desespera, estava acuado, ainda de mãos para cima espalmadas para frente tenta despistar a irritada mulher.
- Eu acabei de chegar! tropecei na lata, vinha descendo rápido as escadas, você não me ouviu descendo, eu até perguntei quem estava aqui?
- Não, não ouvi!
- Pois é, mas eu perguntei! Me desculpe por assusta-la!
Melissa baixa o machado para o alivio do assustado jovem, e tenta também justificar o que fazia ali em baixo, embora ele não tivesse perguntado.
- Eu ouvi um barulho alto quando ia passando, deixei a  recepção por um segundo para ir ao banheiro. Acabei descendo aqui, mas acho se tratava de ratos. Ratos enormes!
- Eu imagino que deva realmente ter ratos aqui nesse porão. - Disse Vinne. - Esse hospital é enorme e rato é uma praga, adora hospitais não é?
A mulher parecia não ter engolido totalmente a história do rapaz, mas descansou o machado em uma parede e subiu as escadas, antes disse que iria chamar a dedetizadora, o psicólogo respirou aliviado, olhou e a viu sumir na virada do segundo jogo de escadas, ele desabou, sentou-se ao chão para recuperar o fôlego.
Um minuto depois desse inusitado encontro, Vinne se levanta e decide olhar um pouco o que havia naquele porão, enquanto aventurava-se naquele local ficou lembrando das palavras de Melissa, "Ele já está desconfiado! Se ele descobrir a gente vai entrar numa fria", que fria? Indagou a si mesmo o novato.
Vinne estava olhando dentro de uma armário de aço quando ouviu um choro de criança, virou rapidamente, seus cabelos ouriçaram.
- Tem alguém ai? - Não obteve resposta, continuou. - Tem alguém ai?
O choro parou e o silêncio que veio a seguir foi perturbador, o psicólogo começou a  andar de costas rumo as escadas, parecia que a sua coragem o havia abandonado naquele instante, mas o pior ainda estava por vir, detrás de uma velha máquina industrial do tipo que lavava grande quantidade de roupas ele viu Leonard se arrastando, o menino estava andado de quatro apoios, mas de barriga para cima, sua cabeça estava ligeiramente contorcida para frente, trajava apenas uma cueca azul os olhos brancos e sem vida acompanhava aquela cena aterrorizante. Vinne da um grito e corre o mais rápido que pode para as escadas, tropeça no segundo degrau e cai, olha para trás e no teto consegue ver uma outra criatura, um vulto preto rastejando pelo teto, um calafrio ainda maior o acometeu e o pobre psicólogo usou de toda a sua força para correr o mais célere que podia, o alivio só voltou quando finalmente chegou ao saguão principal, sentou-se ao chão, estava ofegante e tremia, Brenda se aproximou dele.
- O que houve, Vinne? Você está bem?
O novato olha para a recepcionista e nada diz, engole a seco e tenta se levantar.
- O que aconteceu? - Desta vez foi Michael que chegou perguntando.
- Eu não sei! - Disse Brenda. - Ele está pálido!
Michael se abaixa e segura a cabeça de VInne olha em seus olhos.
- O que houve, cara?
- Nada!
- Como nada? - Indagou Brenda. - Você está sem nenhuma gota de sangue no rosto! Viu um fantasma, foi?
- Eu só estou precisando me recuperar. Acho que a minha pressão baixou! - Respondeu Vinne tentando ser discreto.
- Quer ir a enfermaria? - Perguntou Michael.
- Não! Eu tenho remédio em meu armário!
- Você quem sabe. - Falou o outro psicólogo.
Vinne foi até o bebedouro e tomou um gole de água enquanto era observado por Michael e Brenda, ele virou-se para os dois e disse:
- Eu já estou melhorando! Obrigado pela preocupação! Isso já me ocorreu antes!
- Se precisar de algo me fale. - Gritou Brenda.
O  novato então seguiu para o quarto andar, tomou o elevador e foi ao encontro de Roland, mesmo ainda estando abalado com o que havia acabado de presenciar, mas a sua investigação não podia parar, não agora, estava sentindo que os mistérios de Serenity haviam começado a ficarem claros.
O psicólogo parou de frente a cela de Roland Connor, o interno estava de costas, mesmo assim, para a surpresa de Vinne ele falou:
- Então retornou para falar comigo hein novato?
- Alguém me mandou conversar com você!
Roland se vira para olhar o psicólogo, levanta-se lentamente e assim que chega próximo as grades diz:
- Está assustado!
- Pelo amor de Deus, Roland. O que existe nesse hospital?
- Deus não tem nada  a ver com isso, garoto!
- Quem matou Leonard?
- Leonard foi morto, não pelo incêndio, mas por alguém que ainda está aqui!
- Quem?
- Ele não me disse! Mas disse que a pessoa já começou a te observar! Tome cuidado seu filho da mãe!
- Eu o vi. O tenho visto quase que constantemente! O que ele quer de mim?
- Leonard era uma criança de nove anos, cheio de vida. Mas não tinha o amor que merecia por parte daqueles à sua volta. Ele vinha para cá acompanhado da mãe, ela não tinha com quem deixar o menino, então ele vinha sempre aqui. Ele é uma criança carente de afeto!
- Ele "era". Leonard está morto!
- Ele tem assuntos inacabados aqui!
- O que ele quer comigo?
- Seu vinculo com o passado de Serenity é a razão de você se preocupar, mas acredite,  Leonard é a menor de suas preocupações, carinha.
- Como assim?
- Existe outro que não gosta de você! E ele teve ligação direta com o teu vinculo do passado! Mas o outro ele não pode atingir, mas você ele pode tentar!
- Isso não faz sentido!
- Faz se você souber o que houve entre ele o teu vínculo!
- Isso você não vai me dizer não é?
- Posso dizer. Mas vai depender de duas coisas!
- Cite-as!
- Primeiro de você me tirar daqui!  E a segunda de Leonard. Ele tem planos e eu não irei atrapalhar os planos dele!
- Eu não posso tirar você do isolamento!
- Pode sim, através de uma avaliação!
- Por que eu faria isso?
- Porque sinto falta do jardim, e de sentir o sangue novamente em minha boca!
VInne arrepia-se, chega a afastar-se um pouco mais da grade.
- Sangue? Você está falando sério?
- O sangue é revigorante. - O interno sorrir, um sorriso tão macabro que o psicólogo sentiu medo.
- Você merece ficar exatamente onde está agora!
- Isso me entristece! - Sorriu mais uma vez Roland. - Não precisa ficar com medo. Não sou assassino e sei me comportar.
- Não tenho mais nada a falar com você! - Vinne se vira e sai, mas ainda pôde escutar Roland Connor gritando:
- Você será vitimado, ou por causa do seu vínculo com passado, ou pelo assassino! Ambos já te perceberam seu idiota! Eu posso protegê-lo! Volte aqui seu estrume filho da puta!
O psicólogo ignora os gritou do interno e desce para o saguão, estava determinado a ir adiante, mas não havia ninguém a quem pudesse confiar, com a exceção de um outro psicólogo que estava preso.


CONTINUA...


terça-feira, 23 de junho de 2015

SERENITY

PARTE 15 - DE VOLTA AO JARDIM
Por Jair Nepomuceno

Quando não se tem respostas de forma convencional, algumas vezes se faz necessário buscar novas alternativas, a vida é cheia de surpresa, de vez em quando é bom se deixar envolver por ela.

Ao entrar no saguão do hospital, o novato psicólogo é recebido pelo diretor, tentou disfarçar sua tensão, até sorriu para Antony já esperando a sua abordagem.
- Me disseram que você foi ao Distrito!
- Sim senhor!
- Por que? Eu não te disse que era só amanha que você deveria ir até lá?
- Sim eu sabia disso, mas fiquei ansioso e curioso, por essa razão resolvi ir logo hoje.
- Certo. - O Diretor parecia desconfiado. - E sobre o que Malcon queria falar com você?
- Sobre o assassinato!
- O que ele perguntou a você?
- Se eu havia visto algo aqui em Serenity que eu julgasse relevante.
- E você viu?
Vinne sabia que aquele era o momento de recuar, ele sabia que a melhor estratégia era tentar passar a Antony que não sabia de nada e demonstrar total ignorância a respeito de qualquer coisa sobre Serenity era com certeza o melhor a se fazer, pelo menos por enquanto.
- Não. Eu disse a ele que a unica coisa estranha aqui que eu vi aqui depois que cheguei, foi a surpresa da prisão de Daryl.
O diretor sorriu.
- Você acha que Daryl é inocente?
- Não sei, mas aparentemente da a impressão que sim.
- Vou tira-lo de lá! Até amanha conseguirei, um Juiz amigo meu está cuidando de tudo.
Vinne se surpreende.
- Sério? 
- Sim.
- Então o senhor não acredita que ele tenha matado Poll!
- Até que me provem o contrário, não acredito não!
- Entendo. - Vinne toca-lhe o braço e continua. - Se o senhor precisar de algo não deixe de me chamar, vou ao jardim, preciso ver como os internos estão. Se me da licença, preciso ir.
- É claro! - Respondeu Antony sem pestanejar.
O novato atravessa o saguão cumprimenta com um acenar de cabeça algumas pessoas que andavam de um lado para o outro, sorriu para Melissa que ainda estava no lugar de Brenda, sem seguida apressou-se rumo ao jardim.
O dia estava lindo, poucas nuvens e um clima de vinte e cinco graus, procurou Serenna e a encontrou como sempre, sentada no banco de madeira pintado de verde próximo a fonte, foi até onde ela estava, sentou-se ao seu lado, sorriu e tocou-lhe o rosto.
- Oi!
- Oi moço bonito! - Respondeu a interna.
- Tudo bem com você?
- Comigo sim! - Sorriu a mulher.
- Serenna. - Disse calmamente o psicólogo. - Tem uma criança lá no sexto andar não tem?
- Leonard!
- O nome dele é Leonard?
- Sim!
- Quem é ele?
- Um anjinho que às vezes fica brabo!
Vinne se interessa mais ainda, segura a mão esquerda da esquizofrênica. 
-  Por que ele fica brabo?
- Por muitas coisas!
- Coisas de que tipo? - Insistiu o Psicólogo.
- Ele não quer você perambulando pelo sexto andar!
- Serenna, quem é ele?
- Eu já te disse!
- Ele está aqui faz tempo?
- Ele está zangado hoje. Existe uma pessoa que ele não pode deter como queria!
- O que essa pessoa anda fazendo para que ele esteja tão brabo?
- Ele não quer que eu diga nada a você!
- Por que?
- Por que não! Vá embora daqui!
- Serenna eu...
- Vá embora! - Grita a mulher de forma raivosa, o psicólogo assustou-se, o alarde da interna chamou a atenção de alguns enfermeiros que estavam no Jardim, Vinne decidiu se afastar para não chamar atenção.
Levantou-se e pensou em ganhar tempo, virou-se e viu que Matt Trauser estava terminando de pintar o quadro que ele havia visto outro dia quando Daryl o apresentou, para a surpresa de Vinne assim que olha o quadro, vê a Fonte em detalhes impressionantes, cada rachadura, cada musgo, cada lodo exatamente como a fonte era, mas não foi isso que o surpreendeu e sim a figura de um garoto com os braços cruzados e rosto demonstrando raiva do lado direito do chafariz.
Vinne se aproximou da pintura e olhou de perto o desenho da criança, percebeu que ele tinha parte do rostinho queimado, nesse momento sentiu um calafrio percorrer-lhe o corpo, aquele era sem dúvida o menino que havia visto no sexto andar.
- Leonad! - A voz rouca de Matt Trauser anunciava o nome da personagem com rosto colérico. - Ele quer a bruxa!
Vinne se afasta assustado, vai andando de costas até topar em Serenna.
- Leonard se queimou!
O novato se vira rapidamente para a mulher, estava visivelmente assustado, mas ainda teve força para perguntar:
- Ele se queimou no incêndio?
- Ela o queimou! Ela é ruim!
- Ela? Ela quem? - Indagou Vinne.
- Pergunte ao homem que está no isolamento!
- Roland Connor?
- Leonard está olhando para você!
- Onde ele está?
Serenna aponta para o segundo andar e quando Vinne se vira, lá estava ele, o menino de rosto queimado, olhos mortos, sem brilho, o psicólogo mais uma vez sente um calafrio, a esquizofrênica toca-lhe o ombro, ele se distrai por dois segundos e quando volta o olhar para o menino, Leonard não estava mais na varanda.
- Ele foi uma das vitimas que morreu no incêndio! - Disse convicto o novato em voz alta para si. - Mas por que não foi salvo? Por que uma criança foi deixada para trás enquanto os adultos iam sendo retirados do fogo? Isso não faz sentido!
- Ele não morreu diretamente pelo fogo, ele foi assassinado como Poll! - Disse Serenna.


CONTINUA...



domingo, 21 de junho de 2015

SERENITY

PARTE 14 - DE VOLTA AO INTERROGATÓRIO
Por Jair Nepomuceno

O passado tem o poder de transformar o presente de alguém, mas muitas vezes, esse mesmo passado não deixa feridas cicatrizarem.

Uma mulher desce apressadamente do trem na estação de Glendale, estava aparentemente nervosa, usou um telefone público  tentou telefonar para alguém, infelizmente para ela, a pessoa não poderia atender, pois estava detido em uma cela fria. 
A mulher segue então para a rodoviária local, pega um táxi, estava disposta a seguir seu caminho, não havia tempo a perder, mas entre um cigarro e o nervosismo que a acompanhava, uma navalha corta a sua jugular...
Em Saint Sofhie mais precisamente no Distrito policial, Vinne buscava respostas do detento a quem já havia considerado um amigo inesperado.
- O que você quer de mim, novato? - Indagou Daryl.
- Só quero saber quem é Leonora!
- Onde você escutou esse nome? - Gritou o outro.
- Em Serenity!
- Ouça aqui. Nunca, nunca fale esse nome dentro daquele hospital!
- Por que não?
- Onde você ouviu esse nome? - Insiste Daryl.
- Eu ouvi o Diretor e outra pessoa falando a respeito dessa mulher.
- O que eles falaram?
- A outra pessoa disse ao Doutor Antony que essa tal Leonora estava atravessando a fronteira para o México.
- Ela não chegará em seu destino, tenho certeza disso!
- Quem é essa Leonora?
- Uma pessoa do passado do Diretor. Ela corre perigo e se você for esperto, vai esquecer essa história que ouviu, senão, também correrá risco de morte!
Vinne não se dar por satisfeito.
- Cara, eu preciso saber o que está havendo em Serenity. Por favor me ajude!
- Por que você está tão interessado em Serenity? Quem diabos é você?
- Tenho algo a resolver lá.
- Vá se foder! Não quer me contar seus segredos e quer que eu conte os meus? Vá embora seu babaca! Não vai conseguir nada de mim!
Vinne abaixa a cabeça e encosta a testa nas grades.
- Eu acho que não é o momento de eu contar o que eu quero lá em Serenity. Mas juro que você saberá! Eu acho que será melhor para você não saber disso agora, por favor confie em mim!
Daryl balança a cabeça negativamente, respira profundamente e diz:
- Você é uma porra louca, cara! Posso até te contar o que sei sobre Leonora, mas não será agora. Preciso pensar um pouco a cerca disso, e você vai respeitar essa minha decisão!
- Tudo bem, vou te dar esse tempo, sinto que é importante para mim saber sobre isso, mas irei respeitar o seu tempo. Mas você não vai escapar de me responder sobre outra coisa.
- Sobre o que?
- O que é aquilo lá em Serenity?
- Seja mais específico.
- Quem é aquela criança que eu tenho visto, que estava lá no sexto andar?
- Então você a viu?
- Sim! E não me diga que não sabe nada a respeito disso!
- Sei muito pouco!
- O que você sabe?
- Algumas pessoas já afirmaram terem visto essa criança, eu pessoalmente nunca vi. Dizem que ela é uma das vítimas do incêndio que acometeu Serenity!
- E se tratava de crianças lá também?
- Ela não era paciente, era filho de uma funcionária do hospital!
- De quem?
- Não faço ideia! Esse assunto é proibido lá. Desconfio que essa criança era filho de Leonora. Ela trabalhou um curto período em Serenity, mas não tenho certeza. Quando cheguei no hospital ela já não trabalhava mais lá.
- Então você está me dizendo que o Hospital é assombrado?
- Eu só sei que muita coisa estranha acontece lá. E essa criança não é tudo, existem coisas mais obscuras trancafiadas naquelas paredes!
- O que?
- Converse com Serenna!
- Por que com ela?
- Faça isso porra! E não me encha mais o saco!
- Olha só quem está aqui! - Uma voz conhecida de alguém que chega subitamente. 
- Malcon! - Cumprimenta Vinne. - Tudo bem com o senhor?
- Comigo tudo. Mas Preciso saber o motivo de você ter vindo visitar constantemente nosso prisioneiro!
- Ele é meu amigo! - Disse Vinne.
- Eu precisava falar com você, garoto! - Falou Malcon.
- Eu recebi a intimação. Resolvi antecipar a minha vinda se isso não for um problema!
- Não é problema algum! - O investigador sorrir ironicamente. - Já conversaram tudo que queriam?
- Sim! - Respondeu Daryl.
- Então nesse caso, Por favor me acompanhe! 
Vinne acena com as mãos para o amigo detento como forma de despedida e um olhar que parecia dizer " Eu volto para continuarmos o nosso papo."
Entraram na sala do Investigador, Malcon pede para que o psicólogo se sente, antes de começar a conversar, o delegado interino pede ao outro policial que telefone para outro Distrito e então fecha a porta.
- Esperei o seu telefonema e nada. 
- O senhor me disse que eu deveria te telefonar caso eu visse algo estranho em Serenity!
- E não viu nada estranho que achasse relevante?
- A unica coisa estranha que vi acontecer foi essa prisão preventiva de Daryl.
- Sua ironia é tão ridícula quanto você próprio! - Esbravejou o homem da lei, continuou. - A preventiva não é estranho, isso é algo mais comum que você possa imaginar!
- De onde eu venho, uma prisão igual a esta imposta ao Daryl nós chamamos de arbitrária!
- E eu chamo você e seus conterrâneos de idiotas ignorantes! O processo pedia essa intervenção, noventa porcento das pessoas interrogadas falaram a mesma história e apontaram seu amigo como o suspeito numero um do assassinato! Ele é o suspeito número um e o que mais teria motivos para matar Poll Austin.
- Só achei infundado dentro da minha leiguice, porque não havia provas contundentes a não ser a opinião das pessoas que não o viram praticar o ato, apenas se basearam em um incidente, e de forma irresponsável deram o veredicto a respeito dele. Daryl é anti-social, fala demais,  é arrogante e mal-educado, é imaturo na hora de debater as suas ideias, mas isso não faz dele um assassino, um inconsequente, talvez.
- É mesmo? - Ironizou o Delegado. - Deixe-me te contar algo. Esse seu amigo inconsequente, conforme você mesmo o rotulou, já respondeu a agressão e destruir patrimônio público. Foi preso por quatro meses depois de ter amassado o carro de um desafeto dele usando uma pequena marreta, com o detalhe de que a pessoa ainda estava dentro do veículo, foi detido por policiais que passavam na hora em que ele praticava essa destruição de propriedade privada. O perfil dele do passado junto com seu comportamento atual me fez pedir a preventiva dele.
Vinne ficou surpreso com aquela revelação do delegado, seu silêncio foi de certa forma uma derrota em sua defesa, mas ainda assim, tentou argumentar.
- O senhor me falou de comportamentos dele no passado, isso faz tempo não faz?
- Não queira diminuir a minha inteligência seu bosta! - Esbravejou o Delegado. - Não venha aqui tentar me dizer como proceder. Não é relevante a sua opinião a respeito dessa prisão preventiva, seria, se você tivesse algo concreto a me contar que levasse a uma investigação específica em cima de outra pessoa. Mas olhando para essa tua cara de bunda, já percebi que você não tem nada a acrescentar, ou tem?
Vinne quase que revelava a sua desconfiança sobre o diretor de Serenity, quase contou ao rabugento policial tudo o que tinha ouvido e o que o próprio Daryl lhe tinha aconselhado e falado nos últimos dias, mas repensou imediatamente, não achou inteligente e nem tampouco estratégico.
- Não, não tenho!
- Então volte para cuidar dos malucos daquele hospital e me procure quando tiver algo relevante e que não me faça perder o meu tempo. Está dispensado!
Vinne se despede de Malcon, pede licença e sai do Distrito, mais uma vez um turbilhão de pensamentos invadiram sua mente como um liquidificador, Serenity tinha a resposta e era lá que ele deveria buscar o que procurava...


CONTINUA...

segunda-feira, 15 de junho de 2015

SERENITY

PARTE 13 - NOVAS DÚVIDAS
Por Jair Nepomuceno

Se a vida te der a oportunidade para desbravar novos horizontes, tenha ao menos cuidado de não dilacerar o próprio coração, pois nem toda aventura é benéfica e muitas vezes também não é  necessária.

Vinne ouviu o trinco da porta do banheiro girando, nesse momento suou frio e sentiu desde que chegara a Serenity que aquele instante poderia lhe custar muito caro. Doutor Antony entra no banheiro e antes que pudesse puxar a cortina de plástico azul e branca que ocultava o curioso psicólogo dentro da banheira alguém entra gritando no recinto, atitude que acaba livrando Vinne do flagrante.
- Doutor Antony! Doutor  Antony! - Era o Padre Pablo Cassilas.
- Estou aqui Padre! - Gritou de volta o Diretor.
Cassilas vai até onde ele está e começa a tagarelar.
- Um absurdo! Gostaria de registrar aqui a minha total insatisfação! Não se renega o que é Santo! Deus na pessoa de Jesus tem o templo como sua casa! 
- Eu não estou entendendo nada, Padre! - Disse Antony. - O que houve?
- O que houve? Venha cá que eu te mostro o que houve! - Pablo segura na mão do Diretor e o arrasta para fora de sua sala, atitude aliás, que deu o alívio para VInne, agora ele poderia com cautela, sair dali.
- Padre! - Grita o Diretor tendo ainda fortemente agarrado em seu pulso as mãos fortes de Pablo Cassilas, o sacerdote nascido no México mas naturalizado americano.
- Espere, você verá! - Insistiu o pároco.
- Me diga o que houve! - Gritou com veemência o médico.
- Há mofo por toda a capela. Ninguém limpa, parece que está abandonada há anos! Nem parece a casa de Deus! É assim que vocês tratam por aqui a vivenda do Senhor?
- Pelo amor de Deus, Padre! Pensei que a capela estivesse pegando fogo! Todo esse alarde por causa de uma sujeira que se pode resolver rapidamente?
- Não é só pela sujeira seu Herético! É pela falta de compromisso com o templo de Deus! Se não vão cuidar da forma correta, me fale agora. Eu terei o máximo prazer em contar ao Bispo a respeito do descaso para com a casa do Senhor!
Doutor Antony ficou furioso a vontade que teve foi xingar aquele estrangeiro, mas se conteve, a situação de Serenity e todo o problema que a instituição estava passando já era demais, uma crise religiosa nesse momento só iria piorar ainda mais a situação.
- Peço desculpas, Padre! Prometo que isso não irá mais se repetir! A capela é de suma importância! - Antony chamou Brenda que ia passando apressadamente rumo ao crematório, e a mandou providenciar imediatamente a limpeza da capela.
Enquanto o Diretor adulava o sacerdote, Vinne aproveitava para fugir da sala em que estava, deu um intervalo no alojamento e só depois transitou pelo saguão e, foi justamente quando atravessava o saguão que ouviu Antony lhe chamar.
- Vinne!
O rapaz ficou um tanto nervoso, mas se aproximou do Diretor.
- Pois não, senhor!
- Recebemos uma intimação para que você compareça amanha pela manhã na delegacia.
- Eu?
- Sim. Você!
- Mas por que?
- Isso você terá que perguntar para o Malcon!
- Estranho!
- Quem não deve não teme, rapaz!
- Levando em consideração que eu cheguei em Serenity depois do assassinato do Poll e  que também nunca antes havia estado aqui em Saint Sofhie, não preciso temer coisa alguma!
- Certo. - Disse o Diretor. - Então qual a razão de tanto nervosismo?
- Eu não estou nervoso, estou surpreso!
O Diretor sorrir, em seguida coloca as duas mãos no bolso do jaleco branco e pergunta:
- Você esteve em minha sala?
Vinne ficou nervoso, mas tentou atuar.
- Na sua sala? Quando?
- Agora a pouco!
- Não, por quê?
- Por nada. - O Diretor parecia desconfiado. - Só estou perguntando, já que algum curioso entrou lá e revirou as minhas coisas!
- Nossa! - Fingiu estar surpreso. - Isso acontece aqui?
- Não acontecia até você chegar!
- O que?
O Diretor sorrir, toca-lhe o ombro e diz:
- Estou brincando! 
- Que bom, tomei um susto! - Vinne esboçou um sorriso meio que sem graça.
- Para onde ia tão apressadamente, garoto?
- Vou dar uma volta pela cidade, procurar uma casa para alugar, não posso, nem quero viver aqui dentro do hospital!
- Conheço uma família que está indo embora para Detroit e está alugando a casa já toda mobiliada.
- Sério?
- Sim! Ela fica a cinco quadras daqui! Tem três quartos, um com suíte. Lugar privilegiado, na Avenida Benjamin Harrison, esquina com o Museu.
- Benjamin Harrison, o vigésimo terceiro Presidente! - Disse Vinne sem pestanejar.
- Sim. Nascido em North Bend, Ohio! 
- Faleceu devido à complicações decorrentes de uma forte gripe em Março de mil novecentos e um, em Indianápolis! - Completou Vinne, o que causou uma gargalhada de ambos.
- Gosta de história, meu rapaz?
- Sim. Principalmente da história americana e latina.
- Certo. Então vá até a casa, o numero se não me engano é 701, ela é azul. Se gostar dela me avise que eu te coloco frente a frente com os donos. Eles inclusive já desocuparam a casa, estão morando provisoriamente na casa de parente.
- Ok. eu te agradeço, vou agora mesmo dar uma olhada nela. - Diz Vinne, continua- Bom. Estou indo, mas retorno para o plantão no fim do dia!
- Não vai participar do velório?
- Não. Acho melhor não. Eu não o conhecia. Acredito que essa cerimonia seja para quem esteve próximo a ele.
O Diretor concorda e o jovem psicólogo sai de Serenity ainda atordoado com o que havia acontecido, passa de frente a tal casa, mas não para, segue seu caminho em direção a outro lugar, um local que ele poderia quem sabe, obter novas respostas.
Daryl se levanta, havia visita para ele, o curioso Vinne chega atá a grade sorrir.
- O que faz aqui de novo, cara? - Indagou o preso. - Você está vindo demais aqui, acredite em mim, não é nem um pouco inteligente de sua parte!
Vinne sem perder tempo, como um leão atacando sua presa vai logo indagando.
- Quem é Leonora?


CONTINUA...





sexta-feira, 12 de junho de 2015

SERENITY

PARTE 12 - A BUSCA
Por Jair Nepomuceno

Algumas respostas podem nos conceber mais dúvidas, a certeza esperando o óbvio é frustrante quando o óbvio esperado não existe, o que resta então é o vazio...

Vinne entrou em Serenity ainda pensativo, mas não menos determinado, por essa razão tentou desenterrar fatos marcantes, coisas que lhe desse uma diretriz, que pudesse apontar um rumo, ele estava disposto a ajudar Daryl, mas não só isso, algo mais ocupava a sua atenção.
Viu Brenda sozinha na recepção, foi até ela.
- Oi Brenda! - Saudou o novato.
- Oi! - Respondeu a recepcionista.
- Coisa louca né?
- E como!
- Essa prisão de Daryl é muito estranha!
- Estranha por quê? - Brenda se irrita. - Ele é um maldito! Aposto que foi ele quem matou Poll!
- Por que acha isso? Não vai me dizer que foi por causa da discussão que ele teve há um mês atrás!
- Você não conhece aquele traste! Ele é ruim! Com certeza foi ele quem matou Poll!
- Você tem certeza? - Vinne balança a cabeça negativamente, continua. - De onde eu venho se valoriza muito a frase " Todo mundo é inocente até que se prove o contrário"!
- Você veio aqui defender Daryl? - Disse a recepcionista ainda mais irritada.
- Não, claro que não! - Respondeu o psicólogo, ele estava tentando ser político, não queria irrita-la, tinha um plano e talvez fosse precisar de Brenda e mais funcionários do hospital para chegar a seus propósitos, aos reais propósitos de sua ida para Serenity.
- Ainda bem!
Vinne muda o foco antes de retornar a ele.
- Faz muito tempo que trabalha aqui, Brenda?
- Dois anos e meio!
- Certo! O diretor está passando por um momento muito complicado aqui em Serenity não é? A pessoa tem que ser fria e ter muito controle, porque senão o sujeito enlouquece!
- É sim! - O sorriso de Brenda retorna.
- E ele deve trabalhar aqui ha muito tempo não é?
- Praticamente desde quado fundou, assim dizem!
- Ele veio de onde?
- De Minnessota!
Vinne coça o queixo depois se escora usando os cotovelos sobre o balcão, continua a seguir seu diálogo com a gordinha simpática.
- Ouvi dizer que houve um incêndio aqui há três anos!
Brenda parou de sorrir.
- Sim, mas isso é algo que não gostamos de comentar! É triste!
- Imagino que sim, mas por favor me responda, só por curiosidade, aquele busto lá fora foi do cara que tentou salvar as pessoas, não é?
- Tentou não, ele salvou e morreu fazendo isso! Pobre Larry!
- Esse era o nome dele?
- Sim! Larry Chamberlain. Era um doce! Uma pessoa amiga, gentil e corajoso!
- Que pena! Ele morreu por intoxicação devido a fumaça?
- Ele morreu por causa disso. Despencou da escadaria do quinto andar, havia uma grande hematoma em sua cabeça, provavelmente oriundo da queda.
Vinne se espanta!
- Então ele não morreu por vítima de intoxicação?
- Sim. O que a gente sabe é que ele desmaiou e caiu da escada. O legista apontou como causa da morte a inalação de fumaça tóxica. Foi encontrado em seu pulmão grande quantidade de monóxido de carbono e cianeto. A queda não o matou, a inalação da fumaça que fez isso.
- Entendi. - Vinne se preparava para fazer outra pergunta quando foi interrompido por Rogger.
- Brenda, o crematório de Poll já vai começar, o Diretor quer que todos os que o conheciam estejam lá nesse  momento! Ingrid irá te substituir aqui na recepção, ela já está descendo!
- Já estou indo! - Brenda vai calçando seu sapato apressadamente. - Onde está o Doutor Antony?
- Na delegacia. Mandou que começassem sem ele. - Rogger vai falando e andando junto com Brenda.
Vinne encontra naquele momento a oportunidade de bisbilhotar o escritório de Antony, então rapidamente vai até lá, sabia que o Diretor não chegaria ali tão rápido.
Assim que entrou no escritório, foi direto para as pastas que se encontravam em um arquivo, abriu várias, encontrou uma que o interessou, retirou alguns papeis de dentro, dobrou e colocou em seu bolso. Abriu em seguida as gavetas da mesa de Antony, viu ali objetos diversos, finalmente encontrou uma coisa que julgou importante, a agenda do diretor, folheou-a por alguns segundos, achou uma foto, nessa imagem viu uma pessoa que se pareceu com Daryl, virou a foto para a luz da janela para ver melhor, mas nesse momento ouviu passos fortes e a maçaneta da porta girar.
Doutor Antony entra em sua sala junto com outra pessoa, nesse momento, Vinne se escondeu na banheira do banheiro do escritório, ficou deitado dentro dela com as cortinas puxadas. Antony havia mandado construir aquele banheiro com requinte, como passava muito tempo ali, decidiu levar alguns objetos pessoais e roupas para  seu escritório.
- E agora, o que iremos fazer? - O homem perguntou ao Diretor, nesse momento Vinne estava imóvel dentro da banheira rezando para que ele não fosse até lá, mas dava para escutar tudo o que falavam.
- Leonora não pode aparecer!
- Leonora não é problema! - Disse o outro, Vinne tetou identificar aquela voz, ela não era estranha, mas não associou a ninguém de primeira, mas a curiosidade o fez prestar atenção em cada palavra que diziam. - Nesse momento ela deve está quase na fronteira.
- Nossa, que alívio! - Disse Antony.
- E o nosso amigo?
- Ele está onde devia, o problema é que não é bom sob pressão! Isso está me preocupando!
- Deixa comigo! Se você conseguir o que ele quer, eu darei o corretivo nele depois!
- Não sei se isso seria coerente!
- Porra nenhuma, Antony! O meu está na reta! Passo até por cima de você se for preciso!
- Perder o controle agora só vai piorar as coisas!
O homem da passadas pelo escritório, ele pisava firme, o barulho do taco era notório, parecia que iria se partir.
- A gente precisa confiar desconfiando desses putos, de todos eles, Antony. O novato por exemplo, andou fazendo perguntas ao seu respeito e a respeito de Larry!
- Que tipo de perguntas?
- Eu não sei ao certo! Ouvi a gorda comentando isso com aquele idiota do Michael!
- Depois falo com ele!
- E a sua problemática? Ela estava meio louca hoje sabia?
- Porra! Não acredito!
- Eu te disse! Ela vai acabar fodendo você!
- Vou falar com ela!
- Já não basta o que ela fez? Cara, vamos dar logo um fim nessa maluca!
- Não mexa com ela! Eu já te falei isso um trilhão de vezes seu filho da puta!
- Ok, ok. Não está mais aqui quem falou!
- Escute. Pegue esse envelope e leve até o prefeito! Faça isso agora! Tenho que ir lá para o crematório e fazer de conta que me preocupo com aquele monte de bosta que morreu!
O outro gargalha e sai da sala, Vinne por sua vez continua deitado, imóvel na banheira fria, antes de ouvir o Diretor sair do seu escritório, pode testemunhar uma ligação rápida que ele fez no momento que percebia que a sua gaveta estava aberta.
- Alô! Sou eu! Onde você está? - A outra pessoa parece ter respondido a indagação de Antony. - Tome a porra do remédio e fique ai onde está! Finja que está triste e abalada! Presta atenção! Eu amo você! Faça isso agora, tome o remédio agora! ... Não! ele não pode te fazer mal, ele está morto! Há muto tempo que se foi! Já te disse isso! Tome a porra do remédio agora! Em dez minutos encontro com você!
O Diretor desliga o telefone celular e fica olhando a sua gaveta. " Alguém mexeu aqui!", pensou ele, vai ate o arquivo, olha algumas pastas, vira o rosto para a porta do banheiro e vai até lá, gira  maçaneta e abre o umbral,  pobre Vinne...

CONTINUA...


segunda-feira, 8 de junho de 2015

SERENITY

PARTE 11 - FANTASMAS DO PASSADO
Por Jair Nepomuceno

Como feridas mal cicatrizadas um passado tortuoso pode abrir novamente, e junto com ele causar novas feridas...

Vinne estava agora determinado a seguir em frente, novas revelações iriam surgir, de um jeito ou de outro as coisas viriam à tona e como um urso faminto, estava de boca aberta esperando o salmão saltar poe entre as suas mandíbulas. Encorajado depois de ouvir ou que ouviu do amigo enjaulado, nada nem ninguém o faria mudar os seus planos, investigar agora seria fundamental para encontrar as respostas que o fez ir trabalhar em Serenity.
Enquanto Vinne voltava para o Hospital, Daryl conversava com o Doutor Antony, conversa  que poderia abri as tais feridas.
- O que você quer de mim, Daryl?
- Você sabe muito bem. Soube me colocar aqui, acho muito bom que também tenha a habilidade de me tirar desse buraco!
O Diretor faz cara de surpresa.
- Quem te disse que eu tive alguma coisa a ver com a sua prisão?
- Faça seu teatro para as suas negas, comigo não cola. Te conheço muito bem e sei o quão baixo você estaria disposto a ir para realizar seus propósitos!
- Seu imbecil! - Se irrita o Diretor. - Eu já te falei, não tive nada a ver com isso. Você é tão estúpido que eu te enviei um advogado e o que fez? O escorraçou daqui!
- Você enviou uma desgraça ambulante para me defender! Aquela lástima não conseguiria defender nem o leite dos próprios filhos! Da pena de olhar para ele!
- Olha só! Muito exigente para um lixo que está atrás das grades e é o principal suspeito de um assassinato!
Daryl que até aquele momento estava sentado na beirada da cama, se levanta rapidamente e vai até as grades, as segura com força, em seu pensamento desejou que as barras frias de aço fossem por um segundo o pescoço de Antony.
- Você vai me tirar daqui! Vou te dar até amanha para conseguir um "habeas corpus" senão vou te colocar em maus lençóis. Vou abrir o bico e vou cantar pro delegado.
O Diretor sorrir.
- Seu idiota! Eu nem estava no hospital na noite que Poll foi assassinado. Tenho provas irrefutáveis quanto a minha inocência! Eu fui a um evento de psiquiatria junto com minha esposa no Z'delle. O evento terminou por volta das três horas da madrugada e eu fiquei até o fim. várias pessoas me viram lá, inclusive o prefeito de Saint Sofhie!
Daryl encosta a testa na grade e diz:
- E quem disse que eu estou em referindo ao assassinato de Poll Austim? - Antony arregala os olhos e o presidiário continua a fala.- Estou me referindo ao caso de Green Lake!
O Diretor perde a linha, segura Daryl pelo colarinho da camisa azul que vestia.
- Seu desgraçado, nunca ouse falar sobre aquilo, nunca!
O detento consegue se desvencilhar o colarinho da mão rígida de Antony, não obstante segue a sua fala:
- Você achou mesmo que poderia foder comigo e que não teria troco à altura? Se achou isso é mais idiota que eu pensei!  
- Você vai tocar em uma ferida perigosa. Agora me responda seu lixo! - O Diretor estava com muita raiva. - Também irá contar a eles sobre a sua participação naquele episódio?
- Minha participação foi ínfima! Você me enganou e me colocou por tabela. Você me usou! Minha participação é praticamente zero!
Desta vez Antony que sorrir, mesmo ainda demonstrando muita ira.
- Zero? Garanto que farei de tudo para aumentar esse percentual! Juro que o farei. Se você me denunciar vou te colocar como meu parceiro naquele episódio, o cara que fez tudo.
- Qual Juiz acreditaria nisso sem provas?
- Qualquer Juiz que tivesse como delator um réu confesso!
- Presta muita atenção no que vou te dizer! - Daryl respira fundo. - Você acha mesmo que se eu for condenado pelo assassinato do Poll eu me importaria de pegar mais dez, quinze anos de cadeia? Se acha isso não me conhece nem um pouco. Porque eu posso até pegar um gancho maior pelo acúmulo do caso de Green Lake, mas juro por Deus que te levo junto comigo!
- Você não tem culhões para fazer isso!
- Não? Espia só! - Daryl bate com um caneco de alumínio nas grades e começa a gritar chamando o guarda. - Guarda! Guarda! Preciso falar com o Delegado Malcon agora mesmo! - Antony se desespera, consegue tomar o caneco da mão do psicólogo.
- Pare com isso! Vamos conversar!
Daryl olha nos olhos de Antony.
- Agora você quer conversar né? 
- O que está havendo aqui? - O Guarda chega ofegante.
- Nada policial! - Intervém o Diretor. - Ele só ficou nervoso com algumas verdades que eu disse a ele. Está tudo sob controle!
O policial balança a cabeça positivamente e sai do local deixando os dois sozinhos novamente.
- Você tem até amanha para me tirar daqui! - Insiste Daryl.
- Essas coisas não se resolvem da noite para o dia! - Antony fala enquanto ajusta a gravata. - Não é assim que funciona!
- Sem essa! Você é uma pessoa muito influente aqui nessa porra de cidade!
- Mas nem tanto seu cretino!
- Pense na sua esposa e filhas, e na sociedade hipócrita de Saint Sofhie! O que eu sei, posso te colocar atrás das grades! O caso Green Lake poderá ser reaberto caso uma testemunha seja réu confesso.
- Preciso de no minimo três dias!
- Você tem dois!
- Três! Ou vai ter que chamar o Delegado agora e defecar pela boca como você tem feito todos os dias da sua miserável vida! - Se impôs o Diretor.
- Tudo bem! - Diz Daryl já mais calmo. - Te dou três dias e nem um minuto a mais! E outra coisa, não pense em fazer besteira, tenho a foto do acontecido junto com um dossiê que está com uma pessoa de minha inteira confiança. Eu sabendo de sua índole, me precavi. Sabe como é né? A gente nunca sabe o dia de amanha!
O Diretor já estava decidido a sair do local, mas retorna depois de ouvir as palavras irônicas de Daryl, chega bem próximo dele e diz:
- Só vou te falar uma coisinha. Desta vez vou me submeter a sua chantagem, mas a próxima vez que você mencionar o caso de Green Lake eu te mato! O pacto foi nunca mais tocarmos no assunto! Os três concordaram com o pacto! Você está quebrando esse acordo de confiança!
- Não enxergo da mesma forma, já que você está tentando me foder a vida! Estou usando Green Lake como defesa! 
- Eu já disse que não tive nada  a ver com essa tua prisão!
- Cara, na boa, eu acho um tanto difícil de acreditar nisso! Você pode até está falando a verdade, mas pelo sim, pelo não, prefiro me defender!
- Isso só prova que você matou Poll Austin! - Disse Antony sem pestanejar.
- Você sabe que não fui eu! Está falando merda! O assassino ainda está lá em Serenity e você o está protegendo. Só não sei o motivo dessa proteção e nem quem é o desgraçado, mas com toda certeza tem seu dedo sujo nessa história também!
- Deve ser por isso que eu esteja aqui fora e você enjaulado, seu psicótico filho da puta!
- O nosso papo acabou, Diretor!
- Ai que você se engana, seu excremento, a nossa conversinha ainda nem começou!
- Isso é uma ameaça?
- Sou um homem conceituado nessa maldita cidade! Não será um bosta como você que irá manchar minha honra!
- Sua honra? - Daryl da uma gargalhada irônica. - Que honra? Será que se algum dia os seus comandados, fans, família, sociedade, o caralho a quatro descobrirem o que você aprontou há quatro anos em Green Lake ainda o admirariam? Duvido muito!
- Desgraçado! Você não perde por esperar. Quando eu contar ao outro sobre essa conversa, ele vai querer arrancar as suas tripas como fez com aquele cordeiro!
- E porque ele faria isso? Não o mencionei. Só falei ao teu respeito! Aliás, nem mencionei ele e nem a "Lobinha faminta".E outra coisinha não menos importante. Eu não tenho um pingo de medo dele, nem de você e nem de qualquer filho da puta!
O Diretor ensaia um sorriso irônico, mas conteve no meio, somente balançou a cabeça negativamente.
- Até outra hora!
- Três dias, Antony! Não se esqueça!
O Diretor sai da delegacia extremamente irritado, algo que julgava morto e enterrado, algo que estava perdido em um passado comprometedor, estava voltando a assombrá-lo, e ter alguém como Daryl em seu encalço era algo que o deixava ainda mais nervoso, pois o psicólogo era uma verdadeira incógnita. Parou do lado da porta de seu carro, um Mercedes vermelho metálico, com teto conversível, apanhou o seu telefone celular e telefonou para alguém.
- Alô! Sou eu, Antony! Presta muita atenção! mande Leonora fica onde está! - A voz do outro lado lhe faz uma indagação e ele continua a conversa. - Sim! As coisas mudaram um pouco! Nosso passarinho precisa ter o bico arrancado!...


CONTINUA...



domingo, 7 de junho de 2015

SERENITY

PARTE 10 - ENJAULADO
Por Jair Nepomuceno

Quando tudo parece perdido, as vezes temos que recorrer a artifícios do passado, moral ou não, a maioria dos seres humanos não se deixam serem acuados.

A prisão preventiva de Daryl pegou não só ele de surpresa, em Serenity não se falava em outra coisa, até o velório e cremação do corpo de Poll ficaram em segundo plano, a certeza da maioria que o psicólogo poderia estar envolvido no assassinato ganhou mais força após a sua prisão.
No caminho para a delegacia o silêncio foi o tom utilizado por todos na viatura, Daryl manteve a postura, ouvia os policiais conversarem mas se obrigou a calar-se, já havia pensado em uma solução, se iria dar certo era realmente uma incógnita.
Foi apresentado para a cela em que iria permanecer, sabe Deus quanto tempo, pelo menos não estava dividindo o cubículo com outro detento, havia uma cama e uma parede que separava a cela do vaso sanitário, fora isso, não havia mais nada lá, só um criado mudo com uma gaveta. Não demorou até Malcon ir falar com ele, o delegado estava com um sorriso irônico.
- Daryl, Daryl! - Disse o homem da lei. - Você bem que poderia ter facilitado as coisas. Eu te avisei não foi?
- Não tenho porra nenhuma para falar contigo! Já estou aqui nessa pocilga mesmo. Só falo com você ou com o papa só depois que falar com o meu advogado. Conheço meus direitos. E essa minha prisão, supostamente foi arbitrária!
- Sua revolta não atenua a sua situação, Daryl Fox! Estou aqui para uma conversa informal, não oficial. Isso poderá te ajudar!
- Não converso de forma informal contigo. Não sou obrigado, então se me der licença, quero ficar sozinho!
O Delegado balança a cabeça negativamente.
- O teu advogado já está aqui! Serenity lhe enviou.
Malcon deixa o local, em seguida entra um baixinho segurando uma maleta, usava óculos, muito bem trajado, puxou uma cadeira e sentou-se de frente ao encarcerado, mas do lado de fora das grades.
- Bom dia Senhor Daryl! - Cumprimenta o educado homem. - Meu nome é Stuart Ryes, sou o seu advogado!
O psicólogo olha para aquela figura de cima a baixo, segura as grades e pergunta:
- Quem te mandou?
- O Diretor Antony!
- Certo!
- Agora me diga. - Falou o Advogado. - O que houve la?
- La?
- Sim. Em Serenity!
- Um assassinato? - Ironizou Daryl.
- Disto eu sei. Quero saber da sua participação! Eu estou aqui no intuito de te ajudar, então não me esconda nada!
- Eu não tenho nenhuma participação na morte de Poll!
- O que ele poderia ter feito que te levasse a querer machuca-lo?
Daryl baixa a cabeça, passa a mão sobre o próprio rosto com força, estava notoriamente irritado.
- Escuta aqui seu arremedo de advogado! Levanta essa tua bunda da cadeira e vá procurar Antony. Diga a ele, que é melhor ele vir aqui falar comigo porque senão, o passarinho vai cantar. E se o passarinho cantar, coisas ruins poderão acontecer a ele!
- Eu não estou entendendo!
- Já percebi que você não entende porra nenhuma mesmo! Vaza daqui e chama o Antony, só isso que eu quero de você! - Daryl vira as costas e se deita na cama ignorando Stuart completamente, o pobre homem ficou desconcertado, sem nada dizer foi embora.
Quarenta minutos depois um policial entra no corredor das celas, bate com o cassetete na grade e chama por Daryl, que estava deitado virado para a parede.
- Levante-se! - Disse o policial. - Você tem visita!
Daryl se vira para as grades e ver a figura amiga de Vinne, se levanta lentamente e vai até ele.
- Cara, como você está?
- Armaram para mim, Vinne! Não há provas que possam encaminhar um pedido de prisão preventiva!
- Todos ficaram surpresos lá em Serenity!
- Aposto que ninguém lá ficou realmente triste com a minha prisão!
- Não mesmo! Você esperava o contrário?
- Não espero nada de ninguém. Veio aqui para trazer algum recado do Doutor Antony?
- Não. Eu falei com Brenda, disse a ela que precisava vir aqui te visitar para saber se você estava precisando de alguma coisa. As chaves do teu carro está com Michael. Eu trouxe aqui essa sacola com creme dental, escova, toalha, lençol, sabonete, shampoo e pente, achei que talvez fosse precisar.
Daryl sorrir e agradece.
- Faz tempo que ninguém me trata desta forma, cara!
- Por que será? - Sorriu Vinne.
- São falsos! Tome cuidado com aquele povo de Serenity!
- Daryl. - Diz Morgan. - O que está acontecendo la? Me diga.
- Não entendo ao que se refere. Quer mesmo falar do assassinato?
- Não me tome como um idiota! - Se irrita Vinne. - Não estou falando sobre isso e você sabe muito bem a que me refiro. Eu preciso saber o que existe lá para que eu possa me preparar, me defender.
- Quer um conselho? Vá embora de lá, hoje mesmo!
Vinne segura as grades, encosta a cabeça em uma das barras, olha Para Daryl e diz:
- Eu não posso ir embora!
- Por que não?
- Você tem os seus segredos e eu tenho os meus! - Respondeu sem pestanejar o novato.
- Você te algo a resolver lá em Serenity? Cara que tipo de coisa se pode querer resolver la?
- Daryl! - Insiste Vinne. - O que existe lá?
- O que você quer saber, carinha?
- O que eu vi lá no sexto andar e o que Roland é afinal? E por favor não me diga que não entende o que eu estou falando! Você sabe de muita coisa, talvez por esse motivo você veio parar aqui na cadeia. Já parou para pensar nisso? Será que pessoas de lá não estão querendo te silenciar?
- Deixa eu te perguntar uma coisa, Vinne. Você acredita que eu seja inocente?
- Até que me provem o contrário, sim!
- Então acredite que eu não sei tanto assim, mas sei o suficiente para te mandar ir embora. Quanto menos você souber, melhor será para você!
- Isso não ajuda! - Vinne balança a cabeça negativamente.
- Tome cuidado com todos de lá! Os funcionários estão lá a mais tempo que eu, sabem muito e de alguma forma, por alguma razão, continuam trabalhando lá, mesmo sabendo que coisas estranhas acontecem dentro daquele hospital. Isso significa algo para você?
- Não sei!
- Então tente entender. As coisas lá, a começar pelo gestor...
Daryl é interrompido com a chegada do mesmo policial que havia entrado com Vinne, não estava sozinho, junto a ele veio Doutor Antony.
- O que você está fazendo aqui, Vinne?
- Estava saindo do plantão e vim trazer aqui objetos para higiene pessoal. Achei que Daryl pudesse precisar. - O novato percebeu que o presidiário havia interrompido o que iria falar, entendeu que o momento era de recuar, abandonar por enquanto a busca de respostas.
- Entendi! - Disse Antony.
- Bom. - Retoma Vinne a fala. - Vocês devem ter coisas a resolver, eu vou nessa. Até amanha!
O novato sai da delegacia na certeza de que iria descobrir muita coisa sobre Serenity, Daryl sabia muito, no fundo estava preocupado com o que poderia acontecer a ele, a prisão talvez fosse apenas o começo, as desavenças e os inimigos que Daryl acumulou no hospital poderiam trazer prejuízos.


CONTINUA...




quarta-feira, 3 de junho de 2015

SERENITY

PARTE 9 - INICIANDO OS TRABALHOS
Por Jair Nepomuceno

A entrega pessoal ou profissional podem trazer surpresas, mais que isso, podem trazer algo que se perdeu, ou algo que não estava perdido, mas que não imaginava-se que existisse...

O primeiro dia de Vinne oficialmente como psicólogo de Serenity havia chegado, andava junto com Michael Sales, tirou algumas dúvidas com o companheiro, seguiram até um dos consultórios que se localizava no térreo, os enfermeiros já haviam separados dois internos para a consulta, Serenna e Ronald. 
Vinne entra no consultório de número um, Michael foi para o número três, haviam cinco consultórios no total, dois para os psicólogos e três para os psiquiatras, a porta do número um se abre, Serenna entra segurando uma rosa branca, junto a ela estava Margareth a enfermeira negra e gorda, face quase sempre fechada, simpatia não era definitivamente a sua principal característica.
- Sente-se aqui, querida! - Disse Vinne puxando a cadeira para que a interna sentasse.
- Quer que eu fique também? - Indagou a enfermeira.
- Não acho necessário, mas você ficará próximo caso eu precise de algo? - Perguntou Vinne.
- Estarei do lado de fora! - Respondeu prontamente 
Morgan então se vira para a senhora sorridente.
- Serenna, como vai você?
- Muito bem, querido!
- Que ótimo! O que a senhora tem feito?
- Nada diferente!
- E existe algo que a senhora gostaria de fazer?
- Eu acho triste quando as pessoas se machucam! 
Vinne se inclina para trás na confortável poltrona.
- E quem se machucou?
- Aquele moço né? Foi triste!
- Qual moço?
- Aquele que morava aqui!
- A senhora se refere a Poll Austin?
- Ele era bombeiro!
- Bombeiro?
- Sim! Ele ficou doente da cabeça quando a esposa ele foi chamada por Deus!
- A senhor era amiga dele?
- Não. Ele nunca conversou comigo! Acho que era um moço tímido.
- E como a senhora sabe essas coisas sobre ele?
- Leonard me contou!
- Entendo. - Disse Vinne meio descrente, afinal ali na sua frente estava uma esquizofrênica. - E o que mais ele te contou a respeito de Poll Austin?
- Ele não quer que eu te fale! É segredo. A sua mãe não te ensinou a respeitar segredos?
- Mas a senhora pode me contar. Eu não conto Para ele! 
- Mas ele vai saber que eu te contei, e isso o deixa chateado!
- Não, não vai! Eu não contarei a ele que a senhora me disse o segredo!
- Mas ele está atrás do senhor! - Serenna aponta o dedo para o canto do consultório, perto de um tipo de arquivo que continha um pequeno jarro de flores vazio sobre ele, Vinne olha rapidamente para trás e nada ver.
- Não o vejo!
- Mas ele te vê! 
Nesse momento o vaso despenca de cima do armário, o susto foi tanto que Vinne se levantou de sobressalto da poltrona enquanto Serenna sorria ainda segurando a sua rosa branca, o barulho fez com que Margareth abrisse a porta rapidamente.
- O que houve? - Indagou a enfermeira.
Vinne estava com o coração a mil, ofegante, mas preferiu guardar para si aquela estranha experiência.
- Eu esbarrei no armário e o vaso caiu! Você poderia leva-la de volta ao jardim e chamar alguém para limpar esses cacos de vidro? - Margareth balança a cabeça positivamente, em seguida chama Serenna e a leva para o jardim, o psicólogo mantém a porta aberta, por alguns segundos ficou ali parado olhando para o local em que a esquizofrênica apontara, se perdeu em pensamentos até que "Rolha" entra no consultório segurando uma vassoura e uma pequena pá. Vinne então se senta e liga o computador que estava sobre a sua mesa, busca o arquivo virtual de Serenity, encontra o nome de Poll, ao ler sobre o falecido, descobre que ele havia sido realmente um soldado do corpo de bombeiros, viu também que Serenna falou a  verdade quando mencionou o fato da esposa dele já ter falecido há doze anos, isso o perturbou um pouco.
Morgan vai até Michael cujo a consulta dele também já havia acabado, queria tirar algumas dúvidas.
- Sales. - Disse Vinne usando o segundo nome do outro psicólogo. - Poll Austin era uma pessoa reservada?
 - Ele não era muito social! - Respondeu Michael. - às vezes até que ele se socializava, mas era coisa rara!
- Ele conversava com Serenna?
- Que eu me lembre, não! Por quê?
- Por nada!
- O único interno com quem Poll conversava era Roland Connor!
- Roland Connor, aquele que está isolado?
- Ele mesmo!
- Que estranho!
- Você está em um hospital psiquiátrico, Vinne, coisas estranhas acabam se tornando algo normal por aqui!
Vinne concorda com um aceno de cabeça, sai andando com Michael até o refeitório, dentro desse refeitório havia também uma pequena cantina, sentaram-se lá, pediram café amargo e um bolinho de baunilha.
- Michael, quanto tempo você trabalha aqui?
- Dois anos!
- Você se recorda do Daryl no inicio dele aqui?
- Sim, claro!
- Ele sempre foi um porra louca?
Michael da um gole no café, respira fundo e responde:
- Não mesmo! Era mais contido!
- Serio?
- Sim!
- E aconteceu algo com ele nesse período que pudesse justificar essa mudança tão profunda de personalidade?
- Cara, o papo está bom, mas me lembrei que tenho que ir entrevistar Dennis Sandler, o Diretor quer saber se podemos libera-lo do isolamento. Mais tarde a gente se fala, certo? - Michael da um tapinha sobre o ombro de Morgan e sai rapidamente do ambiente. 
Vinne percebeu é lógico, que o seu companheiro de profissão se esquivou da conversa, quis insistir, mas acabou desistindo, deixou Michael a vontade. Depois da pequena pausa, Vinne resolveu andar pelo jardim, conversar com outros enfermeiros, passou o resto da tarde fazendo isso, até a noite chegar. Tomou banho e foi para a cama, antes de se deitar na confortável cama, tomou um calmante, acabou apagando quase que imediatamente, ele estava precisando mesmo daquele descanso, e não necessariamente para o corpo, a sua mente havia sido bombardeada nas ultimas horas por coisas que não conseguia compreender, a noite de sono com certeza lhe faria muito bem.
Era quase oito da manha quando Daryl retornou para o hospital, parou o seu Dodge Viper GTS 1996 no estacionamento de Serenity, mas ao descer do seu veículo foi surpreendido por dois policias que lhe deram voz de prisão.
- "O senhor tem o direito de permanecer calado, tudo que disser poderá e será usado contra o senhor no tribunal".
- O que foi que eu fiz? - Se surpreende Daryl!
- Não se preocupe, pelo menos não ainda. - Subitamente o Delegado Malcon se aproxima falando alto. - Trata-se de uma prisão preventiva.


CONTINUA...