Hanna Fisio

domingo, 7 de junho de 2015

SERENITY

PARTE 10 - ENJAULADO
Por Jair Nepomuceno

Quando tudo parece perdido, as vezes temos que recorrer a artifícios do passado, moral ou não, a maioria dos seres humanos não se deixam serem acuados.

A prisão preventiva de Daryl pegou não só ele de surpresa, em Serenity não se falava em outra coisa, até o velório e cremação do corpo de Poll ficaram em segundo plano, a certeza da maioria que o psicólogo poderia estar envolvido no assassinato ganhou mais força após a sua prisão.
No caminho para a delegacia o silêncio foi o tom utilizado por todos na viatura, Daryl manteve a postura, ouvia os policiais conversarem mas se obrigou a calar-se, já havia pensado em uma solução, se iria dar certo era realmente uma incógnita.
Foi apresentado para a cela em que iria permanecer, sabe Deus quanto tempo, pelo menos não estava dividindo o cubículo com outro detento, havia uma cama e uma parede que separava a cela do vaso sanitário, fora isso, não havia mais nada lá, só um criado mudo com uma gaveta. Não demorou até Malcon ir falar com ele, o delegado estava com um sorriso irônico.
- Daryl, Daryl! - Disse o homem da lei. - Você bem que poderia ter facilitado as coisas. Eu te avisei não foi?
- Não tenho porra nenhuma para falar contigo! Já estou aqui nessa pocilga mesmo. Só falo com você ou com o papa só depois que falar com o meu advogado. Conheço meus direitos. E essa minha prisão, supostamente foi arbitrária!
- Sua revolta não atenua a sua situação, Daryl Fox! Estou aqui para uma conversa informal, não oficial. Isso poderá te ajudar!
- Não converso de forma informal contigo. Não sou obrigado, então se me der licença, quero ficar sozinho!
O Delegado balança a cabeça negativamente.
- O teu advogado já está aqui! Serenity lhe enviou.
Malcon deixa o local, em seguida entra um baixinho segurando uma maleta, usava óculos, muito bem trajado, puxou uma cadeira e sentou-se de frente ao encarcerado, mas do lado de fora das grades.
- Bom dia Senhor Daryl! - Cumprimenta o educado homem. - Meu nome é Stuart Ryes, sou o seu advogado!
O psicólogo olha para aquela figura de cima a baixo, segura as grades e pergunta:
- Quem te mandou?
- O Diretor Antony!
- Certo!
- Agora me diga. - Falou o Advogado. - O que houve la?
- La?
- Sim. Em Serenity!
- Um assassinato? - Ironizou Daryl.
- Disto eu sei. Quero saber da sua participação! Eu estou aqui no intuito de te ajudar, então não me esconda nada!
- Eu não tenho nenhuma participação na morte de Poll!
- O que ele poderia ter feito que te levasse a querer machuca-lo?
Daryl baixa a cabeça, passa a mão sobre o próprio rosto com força, estava notoriamente irritado.
- Escuta aqui seu arremedo de advogado! Levanta essa tua bunda da cadeira e vá procurar Antony. Diga a ele, que é melhor ele vir aqui falar comigo porque senão, o passarinho vai cantar. E se o passarinho cantar, coisas ruins poderão acontecer a ele!
- Eu não estou entendendo!
- Já percebi que você não entende porra nenhuma mesmo! Vaza daqui e chama o Antony, só isso que eu quero de você! - Daryl vira as costas e se deita na cama ignorando Stuart completamente, o pobre homem ficou desconcertado, sem nada dizer foi embora.
Quarenta minutos depois um policial entra no corredor das celas, bate com o cassetete na grade e chama por Daryl, que estava deitado virado para a parede.
- Levante-se! - Disse o policial. - Você tem visita!
Daryl se vira para as grades e ver a figura amiga de Vinne, se levanta lentamente e vai até ele.
- Cara, como você está?
- Armaram para mim, Vinne! Não há provas que possam encaminhar um pedido de prisão preventiva!
- Todos ficaram surpresos lá em Serenity!
- Aposto que ninguém lá ficou realmente triste com a minha prisão!
- Não mesmo! Você esperava o contrário?
- Não espero nada de ninguém. Veio aqui para trazer algum recado do Doutor Antony?
- Não. Eu falei com Brenda, disse a ela que precisava vir aqui te visitar para saber se você estava precisando de alguma coisa. As chaves do teu carro está com Michael. Eu trouxe aqui essa sacola com creme dental, escova, toalha, lençol, sabonete, shampoo e pente, achei que talvez fosse precisar.
Daryl sorrir e agradece.
- Faz tempo que ninguém me trata desta forma, cara!
- Por que será? - Sorriu Vinne.
- São falsos! Tome cuidado com aquele povo de Serenity!
- Daryl. - Diz Morgan. - O que está acontecendo la? Me diga.
- Não entendo ao que se refere. Quer mesmo falar do assassinato?
- Não me tome como um idiota! - Se irrita Vinne. - Não estou falando sobre isso e você sabe muito bem a que me refiro. Eu preciso saber o que existe lá para que eu possa me preparar, me defender.
- Quer um conselho? Vá embora de lá, hoje mesmo!
Vinne segura as grades, encosta a cabeça em uma das barras, olha Para Daryl e diz:
- Eu não posso ir embora!
- Por que não?
- Você tem os seus segredos e eu tenho os meus! - Respondeu sem pestanejar o novato.
- Você te algo a resolver lá em Serenity? Cara que tipo de coisa se pode querer resolver la?
- Daryl! - Insiste Vinne. - O que existe lá?
- O que você quer saber, carinha?
- O que eu vi lá no sexto andar e o que Roland é afinal? E por favor não me diga que não entende o que eu estou falando! Você sabe de muita coisa, talvez por esse motivo você veio parar aqui na cadeia. Já parou para pensar nisso? Será que pessoas de lá não estão querendo te silenciar?
- Deixa eu te perguntar uma coisa, Vinne. Você acredita que eu seja inocente?
- Até que me provem o contrário, sim!
- Então acredite que eu não sei tanto assim, mas sei o suficiente para te mandar ir embora. Quanto menos você souber, melhor será para você!
- Isso não ajuda! - Vinne balança a cabeça negativamente.
- Tome cuidado com todos de lá! Os funcionários estão lá a mais tempo que eu, sabem muito e de alguma forma, por alguma razão, continuam trabalhando lá, mesmo sabendo que coisas estranhas acontecem dentro daquele hospital. Isso significa algo para você?
- Não sei!
- Então tente entender. As coisas lá, a começar pelo gestor...
Daryl é interrompido com a chegada do mesmo policial que havia entrado com Vinne, não estava sozinho, junto a ele veio Doutor Antony.
- O que você está fazendo aqui, Vinne?
- Estava saindo do plantão e vim trazer aqui objetos para higiene pessoal. Achei que Daryl pudesse precisar. - O novato percebeu que o presidiário havia interrompido o que iria falar, entendeu que o momento era de recuar, abandonar por enquanto a busca de respostas.
- Entendi! - Disse Antony.
- Bom. - Retoma Vinne a fala. - Vocês devem ter coisas a resolver, eu vou nessa. Até amanha!
O novato sai da delegacia na certeza de que iria descobrir muita coisa sobre Serenity, Daryl sabia muito, no fundo estava preocupado com o que poderia acontecer a ele, a prisão talvez fosse apenas o começo, as desavenças e os inimigos que Daryl acumulou no hospital poderiam trazer prejuízos.


CONTINUA...




Nenhum comentário:

Postar um comentário