Hanna Fisio

quinta-feira, 27 de julho de 2017

ENTRE O DESTINO E O AMOR
PARTE 12 - UM PASSADO PRESENTE

    Já se passavam das seis da tarde quando kate chegou ao restaurante onde seu noivo a aguardava, depois de um breve beijo e um abraço tenro, os dois se sentam à mesa, a jovem estava ainda com um semblante triste, Philip era o seu porto seguro, naquele momento mais ainda.
- Eu nem consigo olhar nos olhos deles, amor! - disse Catherine.
- Nem posso imaginar o quanto deve está sendo difícil para você! - Disse o rapaz.
- Sabe o que mais me aborrece nessa história? 
- o que?
- O fato de toda mentira me tirar o direito de andar com as minhas próprias pernas. O sentimento que tenho é que não foi o destino que me tirou parte da vida que estava em minha memória, foram eles!
- Você está certa sobre algumas coisas, mas a respeito de outras eu te sinto meio perdida, mas isso é perfeitamente normal dentro do que você passou.
- Você tem razão. Eu estou confusa, triste e sem chão!
- Na minha opinião há uma maneira que talvez possa te ajudar a compreender tudo o que se passa ai dentro de você.
    kate da mais um gole na água com gás, seus olhos estavam marejados, ela volta o olhar para Philip e pergunta.
- Como seria isso?
- Encarando de frente o motivo de tudo.
- Não estou entendendo.
- Eu acho que você deveria se encontrar com o Evans Dowson!
    A fala do jovem pegou a moça de surpresa, ela arregalou os olhos, aquilo já havia passado muito levemente por sua cabeça, mas o respeito que ela nutria por seu noivo não a fez mencionar essa possibilidade, ficou realmente muito surpresa por partir dele a sugestão de ir até Evans e colocar tudo a pratos limpos.
- Você acha?
- Sim, eu acho.
- Isso não te deixa incomodado?
- Deixa, e muito, mas aqui não estamos tratando do meu desconforto, estamos tentando encontrar um refúgio para a sua dor! Não aguento te ver sofrer, nosso casamento está chegando, não gostaria que levássemos na bagagem assuntos não resolvidos, principalmente se tratando de algo tão relevante para você.
    Kate ficou pensativa por alguns instantes, talvez seu noivo estivesse certo, o fardo que carregava era pesado, quem sabe esse encontro pudesse ajuda-la no alívio de tal fardo?
- Eu nem sei onde ele mora, ou mesmo se irá me receber!
- Eu sei onde ele mora, e não vejo razão para que ele não queira conversar com você.
- Será?
    Philip sorriu, apoiou os dois braços sobre à mesa e descansou seu queixo nos entre laços de seus dedos.
- Vejo que você está tentando encontrar empecilhos para não ir a esse encontro. Eu entendo, e não precisa ir se não quiser.
- Não é isso, só estou na dúvida.
- Então aconselho a decidir rapidamente, porque pelo que eu soube, a qualquer momento ele estará indo embora para outra cidade.
- Ele vai embora?
- Sim. Talvez você seja a razão dessa decisão dele.
- Eu não quero me sentir motivo para nada que ele possa fazer!
- As coisas não são simples assim, querida!
    Ela respira fundo, coça a cabeça e decidida resolve seguir em frente.
- Você irá comigo?
- Eu te levo lá!
- Certo. Quero ir amanha na parte da manhã!
- Passo na floricultura as 09:00!
    A noite foi intensa para Catherine Moore, não conseguiu dormir, imersa nos pensamentos e naquilo que faria aconselhada por seu noivo a fez ter insônia, na verdade era um misto de nervosismo com ansiedade, quando se deu conta já estava amanhecendo, tentou dormir pela " milésima vez" em vão.
    Sua mãe bateu à porta do seu quarto para acordá-la, a jovem disse que não iria trabalhar pela manhã, preferiu não detalhar, apenas disse que tinha um compromisso com Philip, em seguida tomou um banho demorado.
    Quando saiu do quarto, com exceção de Rita, a empregada doméstica, não havia mais ninguém em casa, já se passavam das nove, seu coração disparou quando reconheceu o barulho do carro de seu noivo, ela apanhou a bolsa e foi até ele.
- Bom dia! - Cumprimentou o rapaz dando-lhe um beijo.
- Bom dia!
- Está preparada?
- Como se prepara para algo assim? - Philip sorriu. - Será que ele estará em casa?
- Sim, estará!
- Como você sabe?
- Eu conversei ontem a noite com a irmã dele, ela confirmou que ele estaria, mas não se preocupe, ela não contou nada a ele, também deu um jeito de sair com a mãe para que vocês pudessem conversar mais sossegado.
    Kate fez uma expressão de interessada e perguntou:
- Você ficou amiguinho da irmã dele?
- Para com isso! - Sorriu mais uma vez o rapaz. - Ciúmes é algo que não combina com você! Eu precisava ter certeza que ele estaria em casa para não darmos viagem perdida, amor.
- Eu sei disso! Só estou brincando.
    O percurso até o bairro Pathfinder foi um silêncio total, cerca de quinze minutos depois chegaram ao destino, Philip quebra a quietude.
- Chegamos! 
    Kate fica por alguns segundos olhando a casa de fachada azul, buscou na mente alguma lembrança do local, mas nada veio, para ela, era a primeira vez que via aquela casa.
- Nunca, nunca estive aqui! - Disse a moça.
- Amor, você já esteve incontáveis vezes, pense como uma visita a uma amigo. chegamos até aqui, não há razão para não darmos o próximo passo.
    Catherine concorda, decidida abre a aporta do carro e desce, antes de se aventurar, olha para trás para esperar Philip, mas ele não havia descido do veículo, estava lá, com as mãos sobre o volante.
- Você não vem?
- Não, querida! Não me cabe dentro dessa conversa!
    Ela se assusta.
- Por favor, venha comigo! Você não pode me deixar sozinha agora!
- Entenda, não faz sentido a minha participação! Isso é algo que só diz respeito a vocês dois. Esse passo você terá que dar sozinha. - Ela concorda ainda de cabisbaixo, olha para ele e espera a próxima fala. - Assim que você terminar, me telefone, venho te pegar.
    Philip manda uma beijo para a nervosa jovem, em seguida parte com o seu carro, agora ela teria que seguir sem o noivo, corajosamente toca a campainha, precisou apertar três vezes até que Evans atendesse a porta e ao vê-la ali à sua frente fica atônito, ele não esperava de forma alguma aquela visita, por alguns segundos ficou sem palavras até que ela quebra o silêncio.
- Evans Dowson?
- Kate! - Foi tudo que ele conseguiu dizer.
- Poderíamos conversar? - Diz Catherine ainda confusa, nervosa e ao mesmo tempo curiosa, tentava demonstrar uma tranquilidade e um equilíbrio que naquele momento não existia dentro dela, na verdade estava tão ou mais sôfrega que ele. 
- Sim, claro! Por favor, entre!
    Ela agradece e entra de braços cruzados, não estava com medo, por alguma razão, sentiu-se segura, lembrou-se dele quando o rapaz esteve na floricultura e depois foi açoitado por Greg. 
- Olha, eu... eu. - Ela sorrir e gagueja de nervoso. - Desculpe, não sei bem o que dizer, tentei ensaiar algo, mas não foi possível!
- Tudo bem! Eu também não sei nem o que dizer, não esperava que você viesse aqui, portanto não me preparei para esse momento!
- Então estamos empatados não é? - Sorriu a linda moça tentando quebrar o gelo e o nervosismo do momento.
- Você aceita alguma coisa?  Uma água ou um suco, talvez?
- Eu aceito uma água!
- Certo, por favor, fique à vontade! Volto em um minuto!
    Ela concorda com um acenar de cabeça, quando ele se dirige até a cozinha fica observando a sua volta, vai até a mesinha de centro e ver dois porta-retratos um contendo a foto de Evans, Linda Dowson e a irmã Adrianne, a outra estava sem foto, segurou por instinto o porta-retrato vazio, até ser interrompida por ele.
- Havia uma foto nossa ai!
    Ela se assusta.
- Desculpe, não queria mexer em nada!
- Não precisa se desculpar! Por favor, sinta-se em casa!
    Kate apanha o copo com água da bandeja de prata e da uma gole, vira-se para ele e pergunta:
- Você ainda tem essa foto?
- Sim! Para dizer a verdade, não fui eu quem tirou-a dai do porta-retrato.
- Entendo. Posso vê-la?
- Claro! Me aguarde um pouquinho, irei busca-la!
    Catherine se senta no sofá ainda segurando o copo suado, seu coração estava estranho, não sabia ao certo o que estava sentindo, mas o nervosismo inicial estava passando, isso a confortou um pouco, ansiosa aguardou Evans descer as escadas para enfim, conversarem a respeito de tudo, ou para exorcizar demônios...


CONTINUA...





    







quarta-feira, 5 de julho de 2017

ENTRE O DESTINO E O AMOR
PARTE 11 - RIVAL NO AMOR


    Philip sempre foi uma pessoa ligada a certos valores, herdou muito da falecida mãe, talvez por isso, buscava aquilo que julgava correto, sua vida tem sido assim, no fundo imaginava que a melhor forma de honrar a sua memória seria perpetuar o que ela o havia ensinado. Buscava ali na casa do ex-noivo de kate algo próximo do que julgava correto fazer.
- Então você o noivo de Catherine?
- Sim!
    Evans estava notoriamente desconcertado com aquela visita, na verdade ambos estavam, nada o havia preparado para aquele momento.
- Posso saber o motivo da visita?
    Philip esboçou um sorriso.
- Eu ensaiei várias vezes o que seria dito, mas agora que estou aqui me foge qualquer pensamento para iniciar essa conversa!
- Imagino que exista uma razão para que tenha vindo aqui.
- Sim, eu precisava muito vir falar com você.
- Bem, você está aqui!
- Eu nem sei por onde começar!
- Não precisa estar aqui! 
- Preciso sim!
- Aconteceu algo?
- Olha, eu nem imagino como tudo deve está sendo difícil para você, sinto muito por tudo.
- Sente muito?
- Eu acho que nem sempre as coisas saem como planejamos, não é mesmo? Esse diálogo, por exemplo, poderia nunca ter acontecido, mas o destino gosta de brincar com a vida.
- Se você não se importa, eu tenho um compromisso daqui a pouco, não estou querendo ser rude, mas sinceramente não vejo motivo para continuarmos com essa conversa.
    Philip respira fundo.
- Eu só queria que soubesse o quanto é embaraçoso para mim, e estou aqui para te dizer que se precisar de alguma coisa, eu irei te ajudar.
- Por quê?
- Porque me sinto envolvido nessa história!
- Você não devia se sentir assim, nada do que aconteceu tem a ver com você! Pelo que eu soube, a kate te conheceu pouco mais de um ano após o acidente, então não vejo o mínimo motivo para que se sinta envolvido nessa história!
- A família dela mentiu para ela em relação ao acidente, mentiu sobre você, mentiram para mim também. Sim, eu estou envolvido indiretamente.
- Sei. - Disse Evans em tom irônico.
- Você pode não acreditar, mas eu sinto muito por você! Estou aqui para oferecer ajuda, dizer que pode contar comigo.
- Entendi! Você é o ser humano perfeito não é? Vem até aqui tentando manter um esteriótipo de pessoa boa, de um ser humano raro!
    Philip balança a cabeça negativamente.
- Por favor, Evans, peço que não vá por essa vertente! Não faço cena, não interpreto personagem. Ninguém sabe que eu vim aqui, e  nem precisa saber. Estou aqui por questão de princípios, fui educado desta forma, creio muito na condição que leva o ser humano a tocar a sua vida sem culpa, mas para isso, ele precisa ser um homem de atitudes. Não culpo você de pensar isso ao meu respeito, não me conhece, mas ao menos tente usar a razão, a resposta estará ai dentro de você.
    Evans aumenta o tom da voz.
- Então porque diabos vem até aqui? Não percebe o quanto isso é complicado para mim? Não existe razão para esse diálogo. Você está com a pessoa que eu amo, e não amo pouco! Não quero ser injusto com você, já ouvi muitas coisas boas ao seu respeito, eu não quis acreditar, sabe porque? Porque eu queria encontrar defeitos para te odiar, mas acho que estou espiritualizado demais para regredir como ser humano. O destino está sendo tão cruel comigo, que nem odiar alguém me permite fazer. Esse sou eu, uma pessoa que ainda está tentando digerir tudo que aconteceu, me sinto fora do tempo, desde que acordei me faço uma pergunta incansavelmente que tem sido meu carma. Por que eu não morri? Por que estou jogado no campo de um sofrimento que não parece ter fim? O que eu fiz de tão errado para merecer tão grande castigo? Sim, essa tem sido minha rotina, mas acredite, você não está contido dentro desse meu mundo.
    Philip respirou fundo mais uma vez, decidiu em tentar dialogar, no fundo sentiu pena daquele rapaz tão fragilizado e tão açoitado pela vida.
- O destino é algo incompreensível, não pede licença para entrar e nem se desculpa depois do estrago que costuma fazer, de uma coisa eu sei, não existem culpados em momentos como esse que você tem vivido. Eu não vim até aqui para abrir ainda mais a sua ferida, por mais que você não consiga compreender, eu me sinto envolvido indiretamente nesse história.
    Evans vira de costas para o visitante e diz.
- Eu acredito em você! Me parece uma pessoa com boas intenções, sei que fará de Catherine uma mulher feliz, ela merece isso, tem um coração lindo. por mais que me doa dizer, desejo que sejam felizes, dito isso, não creio que aja mais nada a ser dito.
    Philip entendeu que era hora de partir, antes porém retirou um cartão do bolso e colocou sobre a mesa de centro.
- Estou deixando aqui o meu cartão, se precisar de qualquer coisa, por favor não exite em me contatar.
    antes que o visitante vire a maçaneta da porta da sala, ainda de costas Evans lhe faz uma indagação:
- Você acredita que uma pessoa possa fracassar sem ter tido a chance de ter tentado? É normal alguém se sentir um derrotado sem sentir a queda de uma batalha?
- Eu acho que isso depende de cada um, mesmo para uma pessoa frágil por natureza não haverá uma derrota permanente, as atitudes são os alicerces para que possa se levantar mais forte. Não acredito que exista derrota sem luta, pode existir por falta dela, mas em se tratando de acidentes, a única coisa que se perde é chance de não poder ter lutado. Sobreviver ainda é o principal triunfo de um ser humano.
    Evans enxuga as lágrimas que insistem em escorrer por sua face, de costas para o visitante diz.
- Vá embora, e por favor, nunca mais volte aqui!
    Philip sai em silêncio fechando à porta às suas costas,  com pensamentos conclusivos a respeito de Evans, segue seu caminho, decide não ir a empresa aquele dia, prefere aguardar o fim do dia longe do trabalho, horário que se encontraria com Catherine.

CONTINUA...






domingo, 28 de maio de 2017

ENTRE O DESTINO E O AMOR
PARTE 10 - VERDADE FORÇADA

    Depois de toda pressão que Philip fez na família de Kate, tanto os pais quanto o irmão decidiram conversar com a moça naquele mesmo dia, não quiseram passar uma noite inteira em tormenta psicológica, se havia algo que não poderiam escapar, então melhor que encarasse o problema de frente.
    Catherine chegou em casa por volta das sete da noite, seus pais e o seu irmão a aguardavam, ela sorriu.
- Família reunida. - Brincou. - Fazia tempo heim?
Elizabeth engoliu a seco, chegou até ela e a abraçou, a filha percebeu que havia acontecido algo, a mãe beija-lhe a testa.
- Estávamos esperando por você, meu anjo!
- Aconteceu alguma coisa? - Indagou assustada a jovem de olhos verdes brilhantes.
- Não se preocupe, queremos apenas conversar com você! - Respondeu a mãe.
- Vocês estão me assustando!
- Calma! - Disse George. - Sem muito drama. Beth já disse que não é nada demais.
- Se não é nada demais, qual o motivo desse mistério?
- Que mistério, menina? - Esbravejou Greg. - Se você se acalmar e esperar um segundo a gente começa a falar!
    Elizabeth olha com reprovação para o filho, em seguida vira-se para a filha e começa a falar.
- Queremos revelar algo para você que na verdade, já deveríamos ter feito ha muito tempo.
- Revelar o que mãe?
- Sente-se querida. - A menina sentou-se no confortável sofá de mãos dadas a Elizabeth. - Queremos falar sobre o acidente que você sofreu há pouco mais de três anos.
- O que há para contar? - Perguntou a jovem. - Eu sofri um acidente de carro junto com o meu pai e perdi a memória.
- Essa não é a história real. - Disse George. - Mas antes de qualquer coisa, quero que saiba que fizemos o que fizemos para proteger você!
- O que vocês fizeram?
- O acidente aconteceu, filha. - Disse Elizabeth já com lágrimas nos olhos. - Mas não do jeito que você sabe!
Catherine se levanta abruptamente do sofá largando as mãos de sua mãe.
- O que vocês fizeram? - Repetiu a pergunta.
    Os minutos seguintes foram de explicações, revelações e entre uma fala e outra um pedido de desculpas, de compreensão e até de vitimismo, alegações sobre o motivo, meias verdades a respeito de uma suposta indicação médica para que fizessem da forma como fizeram, ela escutou tudo sem nada dizer, as lágrimas que escorriam pelo seu rosto branco revelava toda a sua decepção e tristeza, até que por fim ela tomou a fala.
- Vocês fazem ideia da covardia que impuseram sobre mim e sobre o rapaz que foi meu noivo?
- Filha, nós fizemos isso levando em consideração tudo á sua volta.
- Não mãe! - Gritou a jovem. - Vocês fizeram o que fizeram baseado apenas no que seria mais confortável para vocês! Eu não pude escolher, vocês me tiraram esse direito!
- Decidir o que? - Gritou Greg. - O cara estava em coma profundo e a família desiludida pelos médicos. Você está sendo mal agradecida! O que fizemos foi pensando em seu bem estar.
- Mesmo que a intenção fosse essa, a covardia dessa atitude é gigantesca! Vocês simplesmente jogaram o rapaz na vala, mentiram para mim, quem pensam que são para decidiram o que é melhor ou pior para mim?
- Você acordou com mentalidade de treze anos! - Disse George.
- Mas eu não tenho treze anos, nem quando acordei! - Me deixem em paz!
    Kate abre a porta e sai, Greg tentou segura-la, mas Elizabeth o impediu e viu sua filha sumir na esquina tendo como luminosidade apenas uma lâmpada pálida do poste que se localizava ente duas ruas, a reação de Catherine fez a mãe cair em prantos e o pai empurrar Greg e sair correndo atrás dela, mas retornou em minutos, não conseguiu encontrá-la.
    Sete minutos depois de sua saída ela telefona para o noivo, estava sentada em um banco de praça quando ele chegou, Philip já imaginava o que havia ocorrido, a pegou ainda em prantos e a levou para à sua casa.
- Amor,  Eles mentiram para mim! - Desabafa a jovem em choro profundo, o noivo pega um copo com água açucarada e leva até ela, pede que tenha calma.
   Philip a abraçou e deu a ela um tempo para que se recuperasse, o seu telefone tocou insistentemente, viu que era a sogra que telefonava, decidiu em não atender naquele momento, esperou até que Kate estivesse melhor e pronta para conversar.
- O que aconteceu, meu anjo?
    Kate estava ainda chorando, mas bem melhor comparando a forma como ele a encontrou.
- Eu sofri um acidente de carro e perdi a memória!
- Sim, eu sei.
- Mas a história não foi contada de verdade. Eu já fui noiva e sofri o tal acidente quando saía do buffer que seria comemorado a festa do casamento, o rapaz que casaria comigo entrou em coma e acordou ha alguns dias!
- Sinto muito que isso tenha ocorrido.
    Kate olha em seus olhos e pergunta:
- Você também sabia da verdade?
    Philip respirou fundo.
- Descobri ontem.
- Você iria me contar?
- Com certeza. 
- Quando?
- Amanhã.
- Por que amanhã?
- Porque foi o prazo que eu dei à sua família.
- Então foi você que os convenceu a me contar toda a verdade? Eu devia ter imaginado!
- Não deve ter sido uma tarefa muito fácil para eles.
- Eu nunca mais quero voltar para casa! - Voltou a chorar.
- Escute, querida. - Ele a beijou novamente na testa. - Não acho que você deva tomar uma atitude tão drástica. Eles são seus pais.  Erraram feio, isso é verdade, mas eu aprendi que muita gente erra ao tentar fazer o melhor. Não estou aqui defendendo a atitude deles, muito pelo contrário, não há o que defender, mas é um erro que você tem a obrigação de pesar e comparar com todo o resto.
- Como assim?
- Eles vacilaram com você, foi um erro grotesco, mas tente se lembrar de todas as outras vezes, e não devem ter sido poucas, que eles te fizeram feliz e te deram tudo que poderiam dar.
    Kate chora e abaixa a cabeça encostando sobre o peito do noivo, ela estava realmente muito sentida, Philip naquele momento era o oásis no deserto em que se encontrava, suas palavras sempre tão equilibradas a confortava, ela levantou o olhar e beijou-lhe rapidamente.
- O que eu faço, amor?
- Tente se recompor, vamos sair agora para jantarmos, depois eu te levarei para casa.
- Eu não sei se posso encara-los.
- Você não precisa conversar com ninguém hoje, não é o momento certo para fazer isso. Acredito que eles respeitarão a sua privacidade.
- O que mais me irritou foi a forma como se colocaram como vítima, como se o que fizeram tornou a vida deles mais sofrida que a minha condição atual de ter descoberto toda a mentira. A impressão que eu tive era que tentaram me fazer de vilã e eles de bonzinhos.
- Eu te entendo perfeitamente, mas você sabe que não tem como fugir de uma segunda conversa a respeito disso com eles.
- Eu posso usar o banheiro?
- Claro, querida! E preciso te dizer que irei telefonar para a sua mãe e avisar que você está comigo e irá para casa mais tarde. Ela está desesperada, já me telefonou dezesseis vezes, não é correto deixa-la nesse desespero. - Kate concorda com um acenar de cabeça e ele então telefona para a aflita Beth.
    Durante o jantar a menina fala sobre o ex-noivo que nem conhecia, tudo isso parecia um tanto louco, inusitado para ela.
- Você acha que o rapaz sofreu muito com tudo isso?
- Com certeza sim. - Respondeu Philip.
- Se para mim está sendo difícil, imagina para esse rapaz.
- O nome dele é Evans Dowson!
- Você o conhece?
- Não, mas conheci a sua irmã.
- Foi ela quem te revelou toda a farsa?
- Foi sim, mas eu gostaria que isso ficasse entre nós.
- Tudo bem, mas por quê?
- Vamos deixar para falarmos sobre isso outro dia, meu anjo, pode ser?
    Kate concorda, os dois conversam ainda sobre o assunto por algum tempo, depois o rapaz muda o assunto para o do casamento que estava próximo, ficaram no Bahamas por duas horas, após o jantar foram direto para a casa da jovem, ao parar o veículo, apenas Beth estava na porta da frente esperando.
    Catherine beija seu noivo e passa sem falar nada com a mãe, essa por sua vez grita para que Philip espere um pouco, e desce as escadas da varanda apressadamente até chegar na janela do carro do rapaz.
- Obrigado por traze-la de volta!
- Não há de que, senhora Moore.
- Eu só queria que soubesse que eu estou sofrendo muito,  muito mesmo com tudo isso. Não sou inocente de nada, mas fui omissa por me deixar levar pro uma pressão dentro de casa. Sei que não posso culpar outra pessoa para tentar safar minha consciência, porque eu aceitei me omitir. Tudo que eu quero nesse momento é ter o respeito de minha filha de volta. De agora em diante estarei ao lado dela, apoiarei a decisão que ela tomar.
- Isso significa muito para Kate, mas acho que a senhora deve provar isso com atitudes, eu sei que o fará.
- Sim, eu prometo que sim. E sei o quão idôneo você é, imagino o que deve estar pensando ao meu respeito, e não tiro a sua razão.
- Eu acredito no seu coração e no amor que a senhora nutre por Kate, eu sinto muito ter participado dessa história da forma como foi, e sinto mais ainda ter dito tudo o que eu disse, mas não posso pedir desculpas a senhora pelo que falei, isso soaria falso, e eu não sei ser assim. O máximo que posso dizer a senhora agora é que realmente sinto muito.
- Eu te entendo.
- Aconselho que vocês a deixe sozinha com os seus pensamentos hoje, foi muito intenso o que aconteceu. Se é que posso sugerir algo.
- Faremos isso. Boa noite!
- Boa noite, senhora Moore!
    O dia seguinte amanhece, Kate acorda mais tarde, quando desceu para o café de manhã, apenas Diaz, a empregada doméstica estava em casa, ela decidiu não ir  a floricultura, se deu um dia de folga, decidiu caminhar pelo parque, desejava passar um tempo sozinha.
    Na casa de Evans a rotina era a mesma, Adriany estava de saída para o trabalho, mas ao abrir a porta da frente coincidiu  com uma pessoa que tocava a campainha, ela ficou surpresa a ver quem era, a pessoa pediu para falar com o seu irmão, a moça se apressa em avisa-lo.
- Evans? - Diz enquanto batia á  porta de seu quarto, ele já havia acordado.
- Pode entrar!
- Você tem visita!
- Visita? Essa hora da manhã? 
- Sim!
- Quem é?
- Venha ver com seus próprios olhos, eu já estou atrasada para o trabalho!
    Quando Evans desceu a escada e se deparou com aquela figura bem trajada, Adriany saiu para o trabalho, desejou bom dia a visita e partiu.
- Bom dia, Evans! Meu nome é Philip Menson, sou o noivo de Catherine Moore!


CONTINUA...




    

domingo, 7 de maio de 2017

ENTRE O DESTINO E O AMOR
PARTE 9 - CARTAS SOBRE À MESA

    Quando uma pessoa é regida pela lei da ética, dificilmente deixa passar detalhes que não correspondem aquilo que considera como correto, e esse conceito de que a moral, a verdade e o respeito devem prevalecer na  vida, era justamente o que regia Philip W. Menson.
   Sophia Menson foi uma mãe que cultuava como poucos o uso da decência e da verdade, era um exemplo perfeito, o apego de Philip a ela e toda a admiração que ele nutria o   fez crescer sempre tentando ser o mais íntegro possível, no fundo não queira ferir a memória da mãe, que faleceu em um trágico acidente de carro quando ele tinha dezesseis anos, foi duro seguir a sua vida sem a presença física dela, decidiu perpetuar seus ensinamentos até para manter sempre acesa a memória da pessoa que mais amou.
   Robert Menson era o pai que apesar de uma ausência causada quase sempre pelo excessivo trabalho, também influenciou Philip a se tornar quem era, não com o mesmo afinco de Sophia, nem com o mesmo carinho e dedicação, longe disso, as coisas da família era secundário para ele, deixando nas mãos da esposa as tarefas de orientar, educar e acompanhar a jornada não só escolar, mas também social dos filhos  Philip e Pietra. Quando Sophia faleceu, Robert se viu obrigado a dar continuidade ao que a esposa havia feito até ali, sabia da dor que Philip e Pietra estavam sentindo, foram dias ruins, mas a sua aproximação aos filhos deu a eles a força para seguir em frente.
    Philip se tornou Diretor da W. Menson e assumiu o comando da fábrica em Bonnick, já Pietra permaneceu ao lado do pai em Pittsburgh, não quis seguir os passos do irmão, preferiu a faculdade de medicina e a clinica como o nome da mãe, onde atuará já teria data para ser concretizada, mas ainda restam dois anos para que Pietra se forme Médica, até lá, vai se dedicando exclusivamente aos estudos. 
    No dia seguinte após o encontro com Adrianny, Philip resolveu colocar tudo a pratos limpos, pediu que o seu primo Michael Jason que trabalhava na fábrica não se ausentasse porque queria conversar com ele, em seguida pediu a Greg que fosse buscar a senhora Moore e encontrasse com ele no aras da família, não entrou em detalhes o cunhado obedeceu rapidamente.
    Antes de Philip chegar George, Greg e Elizabeth já estavam conversando no Aras, ficaram intrigados com essa reunião, mas imaginaram que se tratasse de alguma surpresa que o noivo queria fazer para Kate, por essa razão preferiu se encontrar sem a presença dela.
    Já se havia se passado um pouco das dez horas quando Philip chegou, estacionou o seu carro e elegantemente se dirigiu até o escritório do local onde o sogro, a sogra e o cunhado o aguardavam.
- Bom dia a todos! - Cumprimentou.
- Aconteceu alguma coisa, filho? - Indagou George.
- Peço desculpas por me fazerem esperar, mas precisei averiguar umas coisas antes.
- Tudo bem! - Disse Elizabeth. - Mas está acontecendo alguma coisa?
- Sim! - Respondeu rapidamente o rapaz. - Vim até aqui por duas questões.
    George estava sentado e se levantou, o silêncio é quebrado com a sua pergunta.
- Questões? Quais seriam?
- Eu gostaria de saber porque mentiram para mim em relação a Evans Dowson!
    A pergunta pegou os três de surpresa, George tentou entender aonde o rapaz queria chegar.
- Mentimos? Do que você está falando? Nós falamos sobre Evans Dowson sim!
- Vocês me falaram meias verdades! Disseram que ele e kate haviam terminado o noivado antes do tal acidente! sabiam que ele havia voltado do coma e estava aqui na cidade! Por que não me contaram toda a verdade?
    Desta vez Elizabeth tomou a fala, quis minimizar aquilo que Philip aparentemente julgava importante.
- Evans sofreu o acidente e ficou em coma, da forma que você está falando até parece que a gente teve culpa! O passado de Kate não é relevante para você agora, a vida dela depois de conhecer você é o que importa, ou não é?
- Por favor, senhora Moore, não mude o contexto das coisas! A coisa não é tão simples assim! O passado de kate é relevante para mim, se eu sentir que isso me afeta, e nesse momento está me afetando muito porque vocês mentiram para mim! A primeira questão é saber por que não me contaram que ele entrou em coma ainda noivo com ela, e que os dois sofreram o acidente quando saiam do Buffer, foram lá para acertar os últimos detalhes da festa!
- Quem te falou isso? - George indagou.
- Quem me falou não vem ao caso!
- Então alguém te diz que eles não haviam rompido o relacionamento e você acredita, pior ainda, vem aqui tomar satisfações conosco.
- Pelo amor de Deus, senhor George! - Esbraveja Philip. - Não me tome como um idiota! Antes de vir aqui eu fui até o Buffer New Dreams e tudo foi confirmado. Evans e Catherine foram lá para acertar os últimos detalhes, escolheram o bolo, a cor dourado e branco para a ornamentação e o tipo de comida que seria servido aos quatrocentos e cinquenta convidados! 
    Os fatos que Philip trazia fez com que Elizabeth ficasse envergonhada, ela tentou contornar.
- Você está certo! Eles não haviam terminado. Peço desculpas por não termos falado nada a você sobre isso, mas sinceramente, nem os médicos que estavam cuidando de Evans nutriam esperanças que ele retornasse do coma, e se retornasse talvez tivesse sequelas irreparáveis, como aconteceu com Kate.
- Isso não justifica! Me desculpe, mas isso nao justifica!
- Por que é tão importante para você? - Desta vez foi Greg quem indagou. - Cara, você está feliz ao lado dela, e ela muito feliz ao teu lado, porque remoer essa questão?
- Talvez você não dê valor ao conceito da verdade, ou das coisas que são certas a se fazer. - Respondeu Philip ao Greg. - Mas a questão envolve confiança, se eu estava entrando na vida da sua irmã, o minimo que eu esperava era que todas as coisas fossem colocadas às claras, mas vejo aqui que existe coisa muito pior!
- Pelo amor de Deus! Isso é exagero seu, rapaz! - Esbravejou George.
- Eu entendo que isso possa ser para vocês algo insignificante, tudo bem, eu não sou filho de vocês, a Kate é importante. Eu penso que ela seja muito importante, ou não é?
- Do que você está falando? - Elizabeth se irrita. - É claro que ela é importantíssima para nós, eu a amo muito!
- É mesmo? - Ironizou Philip. - Então preciso levantar a segunda questão.
- Que segunda questão? - Perguntou Elizabeth.
- Por que vocês ocultaram a verdade sobre Evans para a kate? A senhora compactuou com isso?
- Onde você está querendo chegar? - Gritou George.
- Na minha opinião, vocês agiram covardemente com a Catherine! Estou decepcionado! mais ainda porque como a senhora Elizabeth disse aqui, a filha de vocês é importantíssima. Não me parece que seja.
- Você está passando dos limites, rapaz! - George se irrita mais uma vez.
- Quem passou dos limites foram vocês em relação a kate. Deviam se envergonhar por não ter dado a ela a chance de saber sobre Evans Dowson! Quando ocultaram o noivo dela, vocês tiraram dela o direito da escolha que pudesse ser ou não o melhor par a sua vida!
- Ele estava em coma! - Gritou George. - Talvez nunca retornasse! Acha mesmo que eu iria fazer essa judiação com Kate? Se ela decidisse conhecer Evans, talvez estivesse até hoje lá no hospital, cuidando de um moribundo que poderia nunca acordar do coma. Acha que não pensamos no melhor para ela? Você é louco!
- Vocês não tinham o direito de tomar a decisão por ela, é isso que estou tentando dizer.  Se ela decidisse ficar ao lado dele, certo ou não, a decisão teria sido dela, não de vocês. O que fizeram foi golpe baixo!
- Ela acordou com memória de treze anos! - Disse Greg. - Uma menina de treze anos sabe o que é melhor para a sua vida?
- Você acabou de falar uma estupidez, Greg. - Philip mantém a opinião. - Todos nós sabemos que ela não tem mentalidade de adolescente, e eu sei disso, porque quando a conheci ela praticamente havia acabado de voltar do coma, sei lá, seis meses depois. Ela nunca teve mentalidade de adolescente, e ainda que tivesse, Evans fazia parte da vida dela, portanto, ela tinha o direito de saber sobre ele, sim!
- Escute por favor! - Elizabeth chora. - Eu até entendo essa sua opinião, entendo muito. Mas você tem que concordar que não podíamos falar para ela sobre Evans quando ela retornou do acidente. Eu concordei porque achei melhor esperar um pouco, para ver como ela reagiria ao tratamento. Sei que você quer o melhor, mas eu como mãe tenho que pensar também no bem estar da minha filha!
- Tudo bem, senhora Moore. Mas já se passaram pouco mais de três anos e ela continua na sombra do conhecimento, vocês tiraram dela o passado, independente das decisões que kate tomasse, o que conta aqui é o correto a se fazer. Confesso que me decepciona muito saber da sua conivência, até porque, a mãe é a pessoa com mais sensibilidade em relação aos filhos! A senhora não se sensibilizou com a kate, sinto muito te dizer isso.
- Você pensa que é quem? - Gritou George. - Acha que pode nos ensinar como cuidar da nossa filha?
- Senhor George, não tente se vitimizar, o senhor está completamente errado, aliás, todos vocês!
- O Evans é um lunático! Sempre foi! Não seria o cara ideal para ficar com a minha irmã!
- Greg, por favor, não vomite asneiras! Você com certeza não concordaria com o possível casamento de Kate com o Evans, provou isso espancando o rapaz recém saído de um coma de forma covarde e ultrajante! 
    Todos ficaram sem palavras, George tentou ainda contra argumentar.
- Você tem a sua opinião, o que passou passou! Se acha que erramos, respeito a porra da sua opinião, mas agora temos que pensar no melhor para Catherine.
- Isso mesmo! - Ironizou Philip. - Exatamente, concordo com o senhor e é por concordar com o senhor, que eu darei a vocês o prazo de até amanhã de manhã para contar a kate sobre o Evans e o seu passado. Se não contarem, eu contarei!
    Philip sai do escritório deixando os três atônitos,  e antes de entrar em seu carro ainda pode ouvir o grito de Greg.
- Você quer que ela saiba do Vagabundo do Evans! Quer que ela vá atrás dele para virar um corno?
    O rapaz se vira novamente, desta vez com raiva, olha nos olhos de Greg com George e Lizabeth como testemunhas.
- Escute aqui seu cretino! Eu sei da sua fama de intimidador aqui na cidade, adora fazer seus teatros e acuar as pessoas. Pois bem, aqui está um homem que jamais se intimidaria por causa de um imbecil metido a valentão! Nunca mais ouse falar coisa do tipo para mim e não estou falando como seu patrão, não estou aqui como patrão, estou como homem! - Antes de abandonar o lugar, Philip se vira para os pais de Catherine e reafirma. - Espero muito não ser eu a contar para ela sobre o passado oculto... Bem, o recado está dado.
    Philip se vira novamente e entra em seu carro, a poeira sob os pneus anunciava que a arrancada havia sido recheada de raiva e decepção, agora um novo capítulo dessa fantástica história seria contado...



CONTINUA...








sábado, 29 de abril de 2017

ENTRE O DESTINO E O AMOR
PARTE 8 - VERDADES OCULTAS

    Se existia uma coisa que Philip não escondia de ninguém era a sua farta curiosidade, seu desejo de saber, de entender o que se passa ao seu redor era notório, quem sabe por essa razão tenha se tornado um excelente gestor.
    O empresário e Anny estavam no restaurante bar do hotel, o Philip gentilmente pediu ao garçom dois capuccinos, assim que receberam o pedido, o jovem a olhou nos olhos e a sua curiosidade lhe induziu a pergunta.
- Então... Eu só peço que você não se demore muito, preciso ir à empresa, haverá um evento de extrema importância que ocorrerá em três dias, preciso correr.
- Não tomarei muito os eu tempo, eu prometo. - Disse Adrianny.
- Certo. No que posso ajuda-la, senhorita?
- Eu tenho escutado, e não é de hoje, muito sobre como você é! Tenho ouvido falar na sua boa índole como patrão, como gestor e como pessoa, por essa razão criei coragem de vir aqui falar com você.
    Philip estava confuso, todos aqueles elogios com certeza era um preparatório para o que viria depois, imaginou que ela fosse pedir ajuda para tratar o irmão, ou quem sabe pedir um emprego, mas não quis em momento algum se precipitar.
- Agradeço muito os elogios, mas não faço ideia onde a senhorita esteja querendo chegar, portanto, gostaria que fosse objetiva.
- Você sabe tudo que aconteceu? - Perguntou Anny.
- Tudo que aconteceu em relação ao quê?
- Ao acidente que vitimou não só Catherine, mas o meu irmão e a melhor amiga dela!
- Sim. A família dela me contou, mas eu soube até antes, porque o meu primo, Jason já havia me contado a respeito desse acidente.
- Então você sabe de tudo e mesmo assim acha normal?
    Philip da uma gole no capuccino quente, coloca a caneca sobre a mesa lentamente e pergunta:
- Não estou entendendo essa sua pergunta! Acidentes ocorrem todos os dias, normal dentro de algo corriqueiro, nunca falei a respeito disto com ninguém, nem mesmo com Kate, mas infelizmente um acidente como o que aconteceu é muito normal sim, além do mais, parece que o motorista causador foi preso e condenado.
- Não estou me referindo ao acidente.
- Não? Então ao que se refere?
- Você sabia que ela era noiva do meu irmão e que iriam se casar?
- Onde você está querendo chegar com essa conversa, moça? Se tem algo relevante a me dizer, então em diga, caso contrário, deixe-me ir, tenho muito o que fazer! - Disse Philip irritado já se levantando da mesa.
- Por favor, só me responda se você sabia da existência do meu irmão na vida da sua noiva!
- Por que acha isso relevante?
- Porque é uma questão de ética!
- Você ficou louca? Ética não tem nada a ver nessa história! Ele sofreu um acidente e entrou em coma profundo, a Kate seguiu a sua vida! O que você está tentando provar aqui?
- Estou tentando alertar você sobre algo a reaspeito da familia dela, mas vejo que não estamos em sintonia, de qualquer forma, agradeço a sua atenção. - Anny se levanta da mesa a exemplo do rapaz, pega a sua bolsa e a coloca no ombro, quando estava decidida a ir, a tal curiosidade de Philip a conteve.
- Espere um pouco! 
- Esperar para que? Você me chamou de louca!
- Você que veio até mim, senhorita! Me interpelou, se julga que a ética de que falou é importante, então tente se explicar. Você me deve isso.
- Evans e Kate se casariam em breve, você soube disso?
- O que eu soube foi que a Kate estava noiva com outra pessoa, que haviam marcado data do casamento, mas dias antes do acidente, Catherine resolveu terminar tudo, não sentia amor suficiente para casar com ele. A familia Moore me contou que na noite do acidente, eles estavam saindo de um Buffer, foram lá cancelar a reserva e receber o dinheiro de volta. Kate estava decidida a seguir em frente, terminar a faculdade. Quando ela acordou sem memória, o pai dela a levou aos melhores neurologistas, a alguns especialistas, e todos foram unânimes em orientar que todos deveriam ocultar dela que um dia foi noiva, pois isso só iria complicar ainda mais o quadro atual. Por essa razão, a kate não sabe quem é o seu irmão e nem que ele está em coma. Depois da orientação, ela passou a ter aulas particulares em casa para evitar que algum amigo da escola perguntasse algo a respeito do noivado ou do seu irmão.
    Anny começou a chorar, Philip ofereceu a ela um lenço e pediu que a jovem ficasse tranquila, mas ele nem imaginava o que viria depois.
- É tudo mentira!
- O que é mentira?
- Catherine e o meu irmão nunca terminaram o noivado, se amavam,  na noite do acidente eles saiam do Buffer New Dreams, foram lá para ajustar os últimos preparativos para o casório, estavam felizes e ansiosos. Eu sei disso porque também estava lá, mas sai uma hora antes porque tinha prova final na faculdade, por pouco não me tornei mais uma vítima. Lá em casa tem ainda os convites da festa, o banner que seria utilizado e até algumas fotos que passariam no telão. Não precisa acreditar em mim, basta que você vá ao Buffer e investigue, inclusive, os donos ainda são os mesmos.
   Philip estava atônito ouvindo tudo que ela dizia, ele de fato não sabia que o termino do noivado havia sido uma mentira desnecessária por parte da família de sua noiva.
- Então não houve fim do relacionamento antes do acidente?
- Não, não houve. 
- Seu irmão está em coma e ela nunca soube disso porque foi blindada pela familia, é isso mesmo?
- O que te disseram a espeito do meu irmão?
- Algo do tipo... Sei lá, penso ter ouvido o senhor George dizer que ele se encontrava em estado vegetativo, e que o traumatismo dele foi tão grave, que se ele retornasse do coma, viveria não só desmemoriado como também demente. Sinceramente não me aprofundei nesse assunto, não haveria razão para que eu o fizesse.
- O meu irmão não está em coma e não há nenhuma sequela!
    Philip gelou, ficou por alguns segundos sem palavras, sentou-se novamente e Anny fez o mesmo, em seguida voltou a fala, mesmo que ainda extremamente surpreso.
- Ele acordou do coma? Quando?
- Ha alguns dias! 
- A familia da Kate soube que ele retornou do coma?
- Não só soube, como o Senhor George e aquele desgraçado do Gregory foram lá em casa intimida-lo. 
- Ele está aqui em Bonnick?
- Sim!
- Eles foram a sua casa intimidar o seu irmão recém saído de um coma?
- Foram! O proibiram de ir até onde Kate estava sob ameaças. Ficou sabendo de algum rapaz que foi espancado covardemente pelo Greg em frente a Floricultura?
- Não credito! - Philip se levantou com os olhos arregalados. - A Kate me contou que o Greg havia espancado alguém, que a senhora Elizabeth interviu para que o Greg não o espancasse mais!
- Agora você imagina. Tente se colocar no lugar do meu irmão! Ele acordou de um coma de pouco mais de três anos, para ele, era como se o acidente tivesse acontecido na noite anterior. Ao acordar descobrir que a pessoa que ama, que iria se casar, estava sem memória e ainda por cima noiva com outra pessoa! Você consegue imaginar o tamanho da sua dor?
- Deve ter sido terrível!
- Foi sim!
    Philip coça o queixo, olha para Anny e continua.
- Ele esteve com Kate na floricultura, mas em nenhum momento se apresentou como noivo, não falou nada a respeito! Se tivesse falado eu saberia, porque no mesmo dia estive com ela!
- Para você ver o quão nobre ele é!
- Concordo!
- Eu precisava te contar isso!
- O que  você espera que eu faça?
- Não sei, não vim aqui para sugerir nada. Só sei que a verdade tem que prevalecer, me calei todo esse tempo porque sinceramente eu não nutria esperança que Evans acordasse do coma, mas depois da agressão que ele e eu sofremos, ele fisicamente e eu moralmente, decidi vir aqui te contar, isso para você ter uma ideia do tipo de  gente que você fará parte da família. Outra coisa, o seu primo também sabia de toda a história, inclusive estava junto com Greg quando o acidente aconteceu, eles chegaram no local antes mesmo dos paramédicos e levaram kate ao hospital deixando o meu irmão à própria sorte.
    Philip ajudou-a a se levantar da cadeira de forma gentil, segurou as suas mãos e a agradeceu, disse que precisava pensar, raciocinar a respeito de tudo que havia acabado de descobrir, perguntou a Anny se estava precisando de alguma coisa, na negativa da bonita moça, deu-lhe um cartão de visitas e despediu-se, entrou em seu carro e saiu de lá, as próximas horas seriam de fato perturbadoras para ele.

CONTINUA...



segunda-feira, 24 de abril de 2017

ENTRE O DESTINO E O AMOR
PARTE 7 - EM BUSCA DA CAUSA


    Quando o coração despedaça o normal é tentar encontrar a razão, buscar o erro do percurso, identificar a raiz do problema, e isso era exatamente o que Evans estava tentando fazer, mas nem ele sabia se isto seria realmente o certo a cumprir, mas o seu coração chorava e a dor não era simplesmente as circunstância do momento. 
    O homem abriu a porta e no silêncio do visitante, teve ele, a atitude de dialogar.
- Quem é você e o que quer aqui?
- Sou assistente social! - Mentiu Evans.
- Onde está Josefine?
- Eu fui designado pela tribunal para vir entrevistar você!
- Sei. - Disse o homem barrigudo desconfiado. - E porque a Josefine não veio? Não é ela que me acompanha desde a condicional?
- Só sei que fui designado pelo tribunal, Josefine não tem só você para acompanhar.
- Faz um bom tempo que não recebo visita de ninguém do programa de assistência social!
- Agora está recebendo! - Evans ajeitou os óculos sem grau que usava, além disso ainda havia uma barba postiça. - Podemos conversar?
    O homem abriu a porta de vez, mesmo que a contragosto, permitiu que o visitante entrasse e o seguisse até os fundos da casa desarrumada.
- Não preste atenção na bagunça, ando indisposto ultimamente!
- Não se preocupe com isso! - respondeu Evans enquanto observava uma casa mal cheirosa, pilha de pratos por lavar sobre a mesa da sala, muita sujeira acumulada, o próprio Tony não cheirava bem.
- Podemos conversar aqui nos fundos nessa varanda. - Falou o homem. - É mais fresco!
    Na varanda havia uma mesa surrada de madeira, três bancos também do mesmo material, o quintal não era muito diferente do resto da casa, vários entulhos espalhados pelo jardim, parecia até que se tratava de um ferro velho, havia um pouco de muita coisa, todas sucateadas.
- O senhor está morando sozinho?
- Que tipo de pergunta é essa, moço? - O homem se irrita. - Quanto tempo que estou nessa situação e você vem me perguntar isso?
- Eu não tive acesso aos relatórios de Josefine!
    Tony sorriu, pegou uma garrafa de vodca que estava pela metade que se encontrava debaixo da mesa, deu uma golada e após fazer cara feia, virou-se para Evans e disse.
- Você não teve acesso aos relatórios de Josefine porque não é assistente social! Percebi logo na primeira frase. Sou meio idiota, mas nem tanto. Então, a menos que queira que eu te chute o teu traseiro daqui é melhor me dizer logo quem você é de fato.
    Evans foi pego de surpresa, não queria que Simon soubesse quem ele era, afinal estava ali com um objetivo, não queria sair de lá com as mãos abanando, foi rápido em inventar uma desculpa que o tirasse do foco.
- Ok. Você está certo! Não sou assistente social, sou um jornalista que escreve para uma revista de tema policial. Já entrevistei várias pessoas. Já era para eu ter vindo falar com você ha muito tempo, mas devido as viagens não houve oportunidade.
- Logo vi que era um abutre. Pensei que eu tivesse me livrado de gente de sua laia, porque foi duro ter que encarar vocês ha três anos. Odeio gente como você, rapaz!
- Não vim aqui para te julgar nem fazer sensacionalismo!
- Não é sensacionalismo? Então me diga o que é!
- Eu posso mudar o nome real se isso ameniza a situação!
    Tony Simon não havia digerido a fala do visitante, mas ficou curioso.
- Mudar o meu nome? - Sorriu e deu outro gole na vodca. - To achando que você  nem jornalista é, cara! Mas vamos ver onde esse jogo vai dar. O que você quer realmente saber?
    Evans mais uma vez foi surpreendido, tentou manter a postura.
- O que me interessa de verdade é saber das circunstancias que te levaram a causar o acidente daquela noite!
- Por quê?
- Porque eu vi que muita gente sofreu com aquilo. Uma pessoa morreu, e me sinto na obrigação de uma promessa feita a um amigo, que um dia viria aqui para falar com você a respeito do evento.
- Você é parente da moça que morreu?
- Sou amigo da família dela!
- A família dela foi embora de Bonnick, assim que o juiz me condenou! Por que remoer isso agora?
- Porque só agora tive coragem de vir aqui!
- Não sei se quero falar com você a respeito do que aconteceu! Eu paguei pelo meu erro, não tive direito de me arrepender de algo, até isso foi tirado de mim! Mas eu não culpo ninguém por meu sofrimento, acredito que tudo que acontece em nossas vidas se resume a escolhas e atitudes!
- Você havia bebido naquela noite! A punição foi então na sua opinião justa?
- Você acha que foi?
- Não. Não acho! - Tony ficou boquiaberto, mas logo deu outro gole na vodca e em silêncio esperou para escutar o completo do que o rapaz começara a dizer. - Sabe porque eu não acho? Porque você não matou uma pessoa, o crime não se resume a isso. Você destruiu a vida de outras duas, uma dessas talvez a morte fosse até melhor. Você sabe do pós acidente, o que aconteceu na vida dessas pessoas que sobreviveram? Tem noção do tamanho do estrago que a sua irresponsabilidade causou?
    Tony se levanta rapidamente de forma ameaçadora, Evans esperou a agressão em seguida, mas para a sua surpresa, o anfitrião arremessou a garrafa contra  o muro, depois bateu na mesa de madeira com os dois punhos fechados, o impacto foi tão forte que por um momento parecia que a mesa se partiria em duas. Simon baixou a cabeça por algusn segundos, quando levantou e ficou ereto, Evans pôde notar seus olhos marejados.
- Você tem razão em tudo, garoto! Aquela noite foi a pior da minha vida, fui abandonado por minha esposa, ela sumiu no mundo levando consigo a coisa que eu mais amava, a minha filha! De lá para cá nunca mais soube notícias das duas, não sei se estão vivas ou mortas! Tive que responder pelo acidente, tudo aconteceu tão inesperadamente que não houve tempo para buscar noticias dela. Quando cheguei em casa, ela não estava mais. Eu sabia que era o fim, bebi muito aquele dia. Ai recebi uma ligação dizendo que Judith estava na estação juntamente com Mariah, eu fiquei cego, peguei o caminhão e fui o mais rápido que podia, quando cheguei na curva perdi o controle e avancei a outra faixa, o carro com sua amiga vinha na minha direção, tentei desviar, mas a velocidade e o álcool não me deram o reflexo suficiente. - Tony deixa algumas lágrimas escorrerem por sua face. - Naquele dia eu morri por dentro, o velho Tony Simon não existe desde então, o que restou dele foi essa figura patética e fracassada que você está vendo agora! Sou tão fracassado que nem suicídio eu consegui cometer, por três vezes tentei e por três vezes falhei! Duas por desistência, pura covardia que segurou o meu dedo no gatilho da minha Tauros, a terceira vez por não tomar remédio suficiente para que uma overdose me matasse. - O homem fez uma pausa, depois continuou. - Você me perguntou se eu tinha a noção do que a minha irresponsabilidade havia causado! Sim, eu tenho, tive que conviver com essa culpa por três anos! Até hoje não consegui exorcizar meus demônios! Eu só queria voltar aquele dia, fazer tudo diferente, poder abraçar e beijar a minha pequena Mariah, mas a minha maior vontade seria pedir perdão para a família da sua amiga, para a família da menina que sobreviveu e perdeu a memória e para o rapaz que até hoje está em coma, e talvez nunca retorne. Sim, eu faria  isso de coração, sem esperar o perdão por parte deles, eu entenderia o desprezo que eles me dessem, porque  até o desprezo deles é melhor que sobreviver da forma que tenho vivido.
    Evans se levanta, retira os óculos e a barba postiça, em seguida toca o ombro de Tony, uma lágrima escorre pelo seu rosto.
- Eu te perdoo! 
    Simon olha nos olhos de Evans e o reconhece, a unica coisa que conseguiu dizer antes de cair em choro profundo foi:
- Oh meu Deus!
    Evans o abraça, aquilo era a redenção para aquele homem torturado por um passado e sem perspectiva para o futuro, pelo menos não até aquele momento.
- Eu estou vivo e bem! Vim aqui para confrontar você e acabei descobrindo que só hoje, consegui retornar do coma completamente! Você é um bom sujeito, Tony! Desejo que você possa descobri um meio de reencontrar a sua filhinha.
    Evans se levanta deixando Tony chorando cabisbaixo, mas aquele choro era de alívio, enquanto chorava copiosamente Simon murmurava baixinho. - Obrigado, Deus! Obrigado! - O visitante vai embora, mas sem antes deixar sobre a mesa trezentos dólares e um bilhete com o numero de seu telefone, no bilhete havia escrito também " Obrigado por me dar um choque de humanismo, no fim, a busca da causa acabou sendo uma busca interna, Deus te abençoe".
   Equanto Evans e Tony Simon exorcizavam seus demônios internos, uma pessoa aguardava ansiosamente do lado de fora do hotel Gold Place, a saída de Philip Menson, ele estava ali se despedindo de dois fornecedores, quando se dirigiu até o seu veículo acompanhando por um segurança do Hotel, a pessoa se aproximou.
- Philip! - Disse.
- Pois não! - Respondeu prontamente o rapaz enquanto abria a porta do carro.
- Você teria um minuto?
    Ele imaginou que fosse algum funcionário, com educação falou.
- Sinto muito! Estou um pouco apressado! Por favor, marque um horário com a minha secretária, basta telefonar.
- Meu nome é Adrianny Dowson, sou irmã de Evans Dowson, o ex-noivo de Catherine!


CONTINUA...

    




sábado, 15 de abril de 2017

ENTRE O DESTINO E O AMOR
PARTE 6 - SEGUIR EM FRENTE

    Depois de um episódio traumático é natural que as idéias mudem, é compreensível que surjam novos planos e opiniões, para Evans, a sua vida estava lhe tornando mutante, a pior dor nem sempre é vem de forma física, mesmo após agressões como foi submetido pelo irmão de sua ex-noiva.
    Ele estrava sentado na varanda quando Adrianny e Fredie chegaram, no primeiro momento percebeu que a sua irmã demonstrava  muita irritação, os olhos vermelhos anunciavam que pouco antes ela havia chorado, o amigo sentou aos eu lado e Anny entrou direto, foi buscar algo para beberem.
- Aconteceu alguma coisa? - Indagou Evans.
- Ela topou com o estrume falante!
- Quem?
- Quem mais, cara?
    Evans respirou fundo, seu lado esquerdo do rosto apresentava um hematoma causado pelo soco desferido pelo agressor.
- Ela topou, ou foi atrás dele?
- Cara, ai é com ela. Vocês deveriam conversar, se eu não chego na hora era capaz daquele covarde tê-la agredido. Eu a impedi de ir pra cima dele com um pedaço de pau!
   O outro coloca as duas mãos na cabeça, e na sua mente vem uma frase " - Meu Deus!" A valente menina retorna com uma jarra de suco de limão com dois copos, se senta junto com os dois.
- Por que você fez isso, Anny?
- Não quero falar sobre isso, o que está feito, está feito!
- Aquele cara é perigoso! - Disse Evan.
- Eu sei. - Falou imediatamente a irmã enquanto enchia o copo com suco e entregava a Fredie. - E é por saber disso que eu sinceramente acho que aquela família não te merece!
- Eu a perdi!
- Ela que perdeu você! - Enfatizou Anny.
- Quando fiquei cara a cara com ela percebi que a havia perdido para sempre!
- Como assim, amigo? - Perguntou fredie.
- Eu vi os olhos dela, aquela paixão, aquela luz, o brilho mudou! - Evans se emociona. - Ela não sente  rigorosamente mais nada por mim!
- Ela nãos ente porque nãos e lembra!
- Não, Anny! Você não entende. Quando eu a conheci o olhar dela foi diferente e a gente nunca havia se visto antes.
    Adrianny toca os eu rosto e tenta contornar.
- Mas é diferente. Na época que você a conheceu era outra circunstância, ela não estava comprometida com outra pessoa. - Anny o abraça, Fredie toma a fala.
- Cara, eu acho que a vida te deu outra oportunidade, por mais doloroso que possa parecer é uma outra oportunidade. Veja só o exemplo que você teria como cunhado e sogro, duas desgraças ambulantes. E nem adianta dizer que iria se casar com kate e não com eles, essa parada de dizer isso seria tentar tapar o sol com peneira, minha mãe sempre me disse que quem casa, casa com a família toda. Meu irmãozinho, o download vem completo!
- Fredie tem razão! Quem sabe tenha sido essa o propósito do acidente, te dar uma nova perspectiva de vida, de constituir uma família!
    Evans levanta a cabeça do colo da irmã e olhando nos olhos dela pergunta:
- Você acredita mesmo nisso? - Ela acena que sim e ele continua. - Para Deus me mostrar isso precisou causar um acidente e envolver quatro pessoas, inclusive tirando a vida de uma delas? para com isso! Não acredito em destino traçado se esse não for por você mesmo! O que aconteceu foi um acidente, o que veio depois foram consequências dele, qualquer outra coisa que possa parecer estranha ou resposta para algo será pura coincidência!
- E o que você pretende fazer? - Indagou Fredie.
- Eu pensei muito e acho que preciso ainda colocar as ideias no lugar, não decidi nada  a respeito do que fazer, não posso simplesmente jogar uma história no lixo.
- Eu respeito isso, mas só te peço que você fique longe da Kate. - Disse o amigo.
- Não sei se será possível, eu amo demais aquela mulher!
- Use a razão, por favor use a sua inteligência, meu irmão! - Disse Anny. - Eu sinceramente odeio aquela família, vou dormir. Boa noite para vocês!
   Adrianny vai par ao seu quarto, toma um banho demorado e enquanto isso martela dentro da cabeça uma decisão, não estava disposta a ficar calada, a fica sem ação, afinal, as agressões verbais de Greg precisava de uma resposta. Ao menina de olhos castanhos já havia decidido o que fazer, talvez não no dia seguinte, mas o troco viria muito, muito breve.
    O dia amanheceu, quando Evans acordou já estava sozinho em casa, pesquisou na internet sobre o acidente, Fredie estava de viagem para Treton, iria passar dois dias por lá, na noite anterior chegou a  convidar o amigo para ir junto, seria uma forma de fugir um pouco daquele clima, mas Evans recusou o convite. Quando alguém bateu á porta imaginou que fosse ele, já que Fredie havia dito que passaria pela manha em sua casa antes de pegar a estrada, a sua surpresa ao recepcionar o visitante foi imensa, já que não o seu amigo e sim Elizabeth Moore.
- Bom dia! - Disse a elegante senhora. - Posso entrar?
    Evans ainda estava surpreso, mas retornou do estado de " paralisia".
- Me desculpe senhora Moore, claro sim! Por favor, entre!
- Obrigada!
- A senhora desculpe o mal jeito, acabei de acordar! Aceita alguma coisa? Um café, ou algo assim?
- Não se preocupe com nada, estou bem!
- Por favor, fique à vontade!
    Elizabeth estava notoriamente desconcertada, mesmo assim tentou relaxar, sentou-se em uma poltrona de frente ao sofá em que ele estava se acomodando.
- Como você está?
- Se a senhora está referindo-se ao ocorrido de ontem, estou com o corpo bem dolorido!
- Meu Deus! - Ela chorou, Evans tocou-lhe a mão.
- Por favor, senhora Elizabeth, não fique assim! Sou grato pelo que a senhora fez!
- Ele agiu como um animal! Juro que nunca imaginei que um dia iria ter o desprazer de assistir uma uma cena de barbarie vinda do Greg! Eu sei que ele é uma pessoa complicada, de personalidade complicada, mas ainda assim não esperava por uma atitude tão irracional! A gente nunca espera!
- A senhora não tem culpa!
- Tenho. De certa forma, eu tenho! Eu também o criei! Então se ele falha como ser humano, eu falho como mãe!
- Não pense isso! A kate é um exemplo de quão bem educada ela foi! A forma de alguém se tornar uma pessoa como o Greg não quer dizer que seja falha na criação, muitas vezes as pessoas mudam por vários fatores. Má companhia, por exemplo.
- George sempre foi na contramão em relação ao filho, seu jeito machista pode ter interferido sim, no modo como Gregory leva a vida louca hoje.
- Então se existe um culpado, com todo respeito, é o seu marido!
- Mas eu me omiti! Vi as coisas acontecendo e me calei, faltou pulso! A culpa é minha também!
    Evans se levanta do sofá, caminha um pouco para a esquerda de onde ela estava e diz:
- Se há alguma culpa por parte da senhora, eu a perdoo!
    Elizabeth se levanta e o abraça, em seguida continua o diálogo.
- Mas eu não vim aqui só para falar sobre o ocorrido de ontem!
- Eu imaginei que não!
- Além de saber como você estava, o intuito também tem a ver com a minha filha!
- Kate viu tudo, não foi?
- Sim! E logicamente que reprovou. Meu rapaz. - Elizabeth segura as duas mãos de Evans. - Eu sempre gostei muito de você! Eu sempre soube dentro do meu coração que Catherine seria feliz ao seu lado! Sinceramente eu queria muito que as coisas tivesse sido de outra forma, sinto muitíssimo por toda dor que vocês passaram e a que você está passando agora. 
- Eu acredito na senhora!
- Então em respeito a essa crença que tem em mim e em nome do amor que eu sei que sente por Kate, te peço para que você não a procure mais!
    Evans larga as mãos de Elizabeth, seu olhos marejam e entre um sorriso molhado por lágrimas que escorrem por seu rosto branco ele diz:
- A senhora está me pedindo para que eu esqueça o amor da minha vida! Que eu posso simplesmente sair por aquela porta e seguir a vida como se nada tivesse acontecido.
- Não! Não estou pedindo que você esqueça o seu passado, ou algo do tipo. Mas entenda que ela está prestes a se casar! Ela gosta do Philip, ele é um bom rapaz, assim como você!
    Evans balança a cabeça negativamente com mãos na cintura, depois vira-se para Elizabeth.
- Por que vocês não contaram a ela sobre mim? Por quê?
    Elizabeth respirou fundo, seu olhar ficou tristonho, nesse momento alguém toca a campainha, era Fredie, mas nem precisou que Evans abrisse a porta, ele mesmo abriu a porta e entrou, ao perceber a visita, pede desculpas e diz que irá aguardar do lado de fora, mas Elizabeth intervém.
- Não precisa, Fredie! Eu já estava de saída! - A mãe de Catherine aproveita o momento e sai depressa, mas não sem antes se despedir dos dois.
- Bem na hora, heim Fredie!
- O que ela queria?
- Veio conversar sobre algumas coisas!
- Nossa! Que mulher gata! Olhe para a mãe e saberá como a filha ficará na velhice!
- Você é um doente, Fredie! - Fala Evans sorrindo. 
- Ela é linda! Eu acho!
    Os dois interrompem os elogios a Elizabeth Moore e falam sobre a viagem.
- Está indo agora para Treton?
- Esperando a Michelle! Ela resolveu ir junto, vou pega-la em um hora!
    Evans toca o seu ombro, estava pensativo, o amigo percebeu mas nada mencionou a respeito, preferiu aguardar e esperar o próximo ato.
- Fredie, o cara que causou o acidente, o que aconteceu a ele?
- Ele foi condenado há dez anos de prisão, mas como ele permaneceu no local do acidente, chamou a emergência e assumiu o erro por ter bebido, a corte acabou reduzindo pela metade a condenação. Ele ficou preso por dois anos e depois foi concedido o beneficio de trabalho comunitário. O cara era réu primário, cumpriu tudo que foi exigido.
- E onde ele está hoje?
- Em casa, eu acho. Ouvi dizer que ele trabalha pitando muros e coisas do tipo, quem o conheceu antes, disse que ele está acabado. Ninguém o tem visto andando por ai.
- Sei.
- Por quê?
- Só curiosidade.
- Não está pensando besteira né?
- Claro que não! E qual o nome dele?
- Tony Simon! Esse Tony, vem de Antony, eu acho.
- Ele tira uma vida e acaba com outras duas e a justiça o perdoa.
- Ele não foi perdoado, Evans, ele cumpriu segundo o que a justiça entendeu que era a sentença certa, o cara não teve vida boa.
- Acho que você tem razão!
- Não quer mesmo viajar comigo? Há duas vagas no carro, só irão Michelle e Caleno comigo.
- Não, obrigado! Um cara baixo astral tem mais é que ficar em casa. Além do mais preciso completar a fisioterapia.
- Se precisar de algo me telefona, cabeçudo!
- Pode deixar!
   Fredie se despede pouco depois e vai embora, Evans tem outros planos, o táxi chega e ele vai ao destino, precisava ir á empresa, precisava assinar uns papeis, mas no meio do caminho faz uma parada, estava disposto a confrontar o seu passado, ainda magoado por ter quem sabe, perdido o seu grande amor, a vida que levaria dali em diante dependeria em parte de algumas coisas, entre elas o que julgava está fazendo.
    Bateu à porta, repetiu algumas vezes até que alguém o atendesse, era um homem de aproximadamente cinquenta anos, barba por fazer, barriga avantajada.
- Pois não?
- Por favor. - Disse Evans. - Gostaria de saber se Tony Simon está!
- Sou eu!



CONTINUA...