Hanna Fisio

domingo, 26 de julho de 2015

SERENITY

PARTE 22 - DE VOLTA AO JARDIM
Por Jair Nepomuceno

Surpresas ou imprevistos são necessários para uma avaliação a respeito de muitas certezas, para lapidar conceitos, ou simplesmente para nos testar como seres humanos.

Vinne preparou-se para voltar ao trabalho, mas hoje, sentia-se diferente, sentia-se ameaçado, as paredes de Serenity possuíam "ouvidos" todo dia algo novo o surpreendia, pensou por um momento em desistir de tudo e ir embora, mas entre uma lágrima e outra, decidiu seguir a diante.
Ao passar pelo saguão em direção ao jardim deparou-se com Antony, que sem demora foi logo interpelando o novato.
- Como Daryl estar?
- De certa forma bem tranquilo, me pediu pra dizer que depois de amanha ele virá para Serenity e encontrará com o senhor aqui.
- Certo!
- Ainda acho que ele deveria ter aberto um boletim de ocorrência, mas ele não quis.
- As coisas por aqui se resolvem de outra forma, garoto!
- Não pra mim! - Vinne mantem a postura. - Se fosse comigo processaria aquele brutamontes e exigiriam do hospital alguma punição a ele, de referência a demissão!
- Já conversamos sobre isso! Não tente ser um revolucionário aqui dentro, isso não é bom. Se está insatisfeito com isso ou com outra coisa, vá embora. Se quiser eu posso te demitir agora mesmo. Tenho muitos currículos em minha gaveta, alguns até com mais experiência que você, mais qualificado. A razão de eu ter te escolhido foi motivado por consideração ao seu tio.
Vinne fica sem palavras, não esperava aquela reação do Diretor, recuou mais uma vez.
- O senhor não entendeu a minha posição!
- Estou começando a entender! - Respondeu Antony com uma pequena dose de ironia, isso deixou o psicólogo preocupado.
- Doutor Antony, estou falando aqui de direitos. Se alguém me agride eu busco meus direitos! Isso não tem nada a ver com não gostar do hospital, apenas dando opinião a respeito do que aconteceu.
- Tudo bem, garoto! Vá trabalhar!
Vinne pegou sua prancheta e seguiu para o jardim, passou as costas da mão sobre a própria testa para limpar o suor causado pelo nervosismo, sua missão aos poucos estava sendo ameaçada, pelo menos era isso que ele estava sentindo, tentou agir de forma mais natural possível, mas em Serenity agir de forma natural é um exercício difícil e complicado, porque assim que entrou no jardim se deparou com a figura de Roland Connor.
- Oi psicólogo! - Cumprimentou o Esquizofrênico, Vinne congelou por alguns segundos.
- O que você faz aqui?
- Estou tomando meu banho de sol! - Respondeu Roland sorrindo.
- Quem te soltou da clausura? Quem? - Gritou VInne.
- O que está acontecendo aqui? - Era Rogger chegando rapidamente.
Vinne se vira para o recém-chegado e ainda bastante nervoso indaga:
- Quem libertou Roland? Ele não tem condição de se socializar com os demais!
- Não é você quem decide! - Disse Rogger com altivez.
- Por que você tem tanto medo de mim, garotinho? - Roland se aproxima de Vinne que por sua vez tenta mantê-lo afastado.
- Fique longe de mim! Eu sei muito bem o que você é capaz de fazer!
A discussão acaba chamando a atenção de outras pessoas, inclusive de Antony que vem rapidamente entender o que se passava.
- O que está havendo aqui?
- Doutor. - Disse Vinne ofegante, continuou. - Roland Connor não tem condições de ressocialização nesse momento. Acredite em mim, ele é um risco para os outros internos, para os funcionários e até a ele próprio!
- Ele foi avaliado por dois psiquiatras, pelo que eu entendo, quem não tem condições de diagnostica-lo é você! Além de inexperiente, não conhece Roland e a sua recuperação. Chegou agora e já está me causando problemas!
- Ele é dissimulado! Por Deus, acredite em mim!
- Acho melhor você calar a porra da boca e fazer o teu trabalho. Não vou admitir questionamentos de um novato sem experiência a respeito da análise de dois excelentes psiquiatras.
Vinne se sente derrotado, balança a cabeça de forma positiva e com atitude submissa, pede desculpas ao Diretor, vai em seguida até onde Serenna estava, procurou  absorver aquilo tudo, ou ao menos tentar,  a preocupação o estava dominando, outra vez pensou em desistir, sem Daryl lá para apoia-lo a sua vida poderia se tornar mais difícil dentro de Serenity.
- Você está pálido! - A interna passou a  mão sobre o rosto do psicólogo de forma carinhosa.
- Não é nada! - Respondeu o rapaz.
- Roland pode ver coisas, sentir coisas e não é tão monstruoso assim, mas de uma coisa você tem razão, ele é um risco a todos.
VInne vira-se para Serenna e toca-lhe a mão.
- O que você sabe sobre ele?
- O suficiente pra me manter alerta! Leonard me contou!
- Contou o que?
- Pergunte a ele!
- Como?
- Não como, mas quando!
- Não entendi!
- Quando você perder o medo, será o momento de obter respostas!
- Criando caso novamente seu idiota? - Michael chega subitamente e indaga Vinne que naquele momento se encontrava sentado ao lado da fonte junto com Serenna.
- Por favor, agora não! - Respondeu ele.
- Estou de olho em você!
Vinne se levanta e com uma coragem surgida sem saber de onde, ele confronta Sales.
- Foda-se! - O dedo em riste quase toca o nariz do outro psicólogo que se surpreende. - Tem um problema comigo? A gente resolve! Eu não irei mais baixar a minha cabeça para filho da puta nenhum! Quer ir para o pessoal, tudo bem, vamos lá. Não irei arregar nem pra um escroto como você nem pra nenhum outro desgraçado desse lugar! Portanto, se não quer resolver a parada agora, saia de perto de mim!
- Você quer mesmo me confrontar, Vinne?
- Você não é porra nenhuma pra mim! Eu juro que não vou me submeter a mais ninguém, custe o que custar!
- Entendi! - Michael aponta o dedo como força de ameaça e sai dali, enquanto Vinne ainda ofegava por ter tomado aquela atitude, sua indignação, sua recém-adquirida coragem para confrontar foi temporariamente congelada quando olhou para o segundo andar e viu o espírito de Leonard, com o rosto deformado olhando diretamente ara ele. Não, ele não estava preparado para tentar conversar com Leonard, o calafrio em seu corpo lhe dava plena certeza de que não.


CONTINUA...

domingo, 19 de julho de 2015

SERENITY

PARTE 21 - AMEAÇAS
Por Jair Nepomuceno

A vida é cheia de surpresas, amigos outrora, podem se tornarem desafetos, antigos inimigos podem por sua vez, se transformarem em aliados, a unica dúvida que fica é a razão.

Depois da agressão sofrida, o psicólogo enfim chega em sua casa, estava no banco do carona, Vinne que dirigia o seu Dodge Viper, o vermelho que tingia a sua roupa era o resquício da violência a que havia sido submetido. O veículo para, antes de descerem Vinne revela o que havia descoberto.
- Era Rogger a pessoa que conversava com o Doutor Antony!
- Do que você está falando? - Indagou Daryl.
- Você não se lembra? Eu havia te dito que o Diretor conversava com outra pessoa a respeito de Leonora e que a outra pessoa se mostrava perigosa.
- Sim, me lembrei!
- Reconheci pela voz!
- Ele é um psicótico, frio, não tem qualquer remorso! Escute o que eu vou te dizer, você não pode deixar que percebam que você sabe o que houve em Green Lake, principalmente o Rogger. Caso ele desconfie, você correrá perigo de morte.
- Entendi.
- Tem certeza que vai permanecer em Serenity?
- Não posso recuar.
- Ok. Outra coisa, volte a Serenity com o meu carro, amanha, se puder, venha e me pegue aqui em casa.
- Você precisa descansar!
- Prefiro ir até Serenity, não quero aquele lixo do Antony pisando aqui em minha casa.
- E quanto a Kelvin Obbie?
- Aquele desgraçado não perde por esperar! O que é dele, está muto bem guardado!
Vinne muda o semblante, estava preocupado com que seu amigo poderia fazer, a vingança poderia ser trágica em todos os sentidos, tentou ainda convencê-lo a procurar meios legais.
- O que você pretende fazer, Daryl? Eu ainda acho que um boletim de ocorrência e um processo por agressão seria o melhor caminho.
- Não se preocupe com isso! - Disse o outro sem pestanejar. - Essa bronca é minha, o que quer que eu vá fazer não tem nada a ver com você ou com outros. Procure ficar alheio a essa situação, senão pode sobrar para você também!
- Sobrar pra mim?
- Sim! Você não sabe com quem está lhe dando, eu sei. Lá em Serenity, todos os funcionários, eu disse todos, com raríssimas exceções, tem lealdade com o Antony e, quem sabe, "rabo preso".
- Tudo bem, vou me manter distante desse episódio, mas você sabe que pode contar comigo.
- Amanha eu vou dar o ultimo plantão em Serenity, será o ultimo, e irei bem preparado.
- Amanha seu rosto estará ainda mais inchado. Tem certeza disso?
Daryl pondera, fica alguns segundos pensando e resolve recuar.
- Tem razão. Diga aquele estrume falante que depois de amanha eu irei trabalhar. E que poderemos ter a reunião que ele me convocou.
- Vou dizer! - Falou Vinne, em seguida, se despede do outro psicólogo. - Ficarei com o seu carro até depois de amanha.
vinte minutos depois, o novato estaciona o carro próximo a entrada do hospital, mal desliga o carro e é surpreendido por Sally Donavan, a enfermeira.
- Oi, garoto!
- Hã... Oi Sally!
- Como está o teu amigo?
- Do jeito que você viu quando saiu daqui!
- Que grosseiro! - A enfermeira sorrir de forma irônica.
- Me desculpe Sally! - Vinne tenta amenizar. - Eu não falei por mal.
- Vou te dar um conselho, novato! Fique longe do Daryl, aquele cara não presta! Ninguém aqui gosta dele, todos estão achando muito bom ele ir embora. O que Kelvin fez foi merecido, na verdade eu achei foi pouco.
- Na boa, Sally, não vou ficar aqui discutindo com você a respeito disso. Não to nem ai para que os outros pensam a respeito dele ou de qualquer outro. Venho de um lugar que levamos a sério a máxima de que todos são inocentes até que prove o contrário. E não estou me referindo especificamente ao caso do Poll, me refiro a tudo na vida.
Sally sorrir mais uma vez, e vai acompanhando a passos curtos e lentos o novato até o saguão.
- Temos aqui um bom samaritano!
- Bom samaritano? Não minha querida, só tento ser coerente. Um pouquinho de coerência não faz mal a ninguém, muito pelo contrário!
- Você tem razão! - Se rende a enfermeira, continua. - Mas vamos combinar que coerência não é bem algo que o Daryl conheça bem, pelo menos não faz uso dela.
- Certo, mas você queria me dizer algo? - Vinne estava notoriamente incomodado com aquela mulher.
- Não, nada em especial, na verdade eu que ria só conversar com você um pouco para te conhecer melhor, afinal você vai ficar aqui conosco nê?
- Entendo.
- Você está gostando de Serenity?
- Não tive tempo ainda para avaliar, tanta coisa aconteceu não foi?
- Sim! E você viu algo estranho aqui?
Nesse momento Vinne se lembrou dos conselhos de Daryl, desta forma preferiu não falar nada sobre as "aparições", não julgou coerente.
- Estranho como?
- Estranho! - Insistiu a enfermeira. - Coisa que você nunca presenciou!
- Continuo não entendendo, Sally! Estamos em um hospital psiquiátrico, com certeza coisas estranhas são até normais. Existem vários internos aqui.
- Você nunca viu por exemplo um menino correndo pelos corredores?
- Um menino? Temos um menino aqui?
- Muitas pessoas já afirmaram terem visto uma criança correndo por esse hospital, Poll Austin por exemplo, dizia que conversava com esse espírito!
- Você acredita nisso? - Sorriu Vinne.
- Já vi que é um cético!
- Não sou cético, só sou crescido demais para acreditar em histórias de fantasmas!
- Idade não tem nada a ver com isso, garoto! - Sally fechou o semblante, tocou o ombro e lhe desejou uma boa-vinda, em seguida seguiu o seu caminho.
Vinne se aproximou da recepção, ia pedir para guardar as chaves do carro de Daryl, mas teve que esperar a sua vez, Melissa estava recebendo uma encomenda, era um tipo de espada longa, muito bonita e trabalhada.
- Que espada linda! - Comentou Brenda enquanto a outra recepcionista assinava os papeis para o entregador.
- É uma claymore! - Disse Melissa. - Um espada longa que impedia que o guerreiro usasse escudo, porque tinha que segura-la com as duas mãos. Geralmente essa espada escocesa era feito da altura do guerreiros que iria empunha-la, muito utilizada entre os séculos quinze e dezesseis. Essa aqui é bem pequena, tem um metro e trinta. Comprei de um colecionador lá de Virgínia. 
- Nossa! você sabe tudo! - Sorriu Brenda. - Não sabia que gostava de armas medievais!
- Não é para mim, é para o meu marido! Ele que coleciona, eu acabei aprendendo um pouco sobre armas antigas! Ele vai enlouquecer quando ver esta!
- Essa gigante escocesa é na verdade uma variante da montante! - Disse Vinne de supetão.
- Você também coleciona armas? - Indagou Mellisa.
- Não. Meu avô que colecionava. Aprendi muito com ele, principalmente sobre espadas!
- O que me diz desta? - Sorriu Mellisa enquanto agradecia e se despedia do entregador.
- A calymore é um nome que vem do gaélico e quer dizer "espadão". Foi uma arma muito utilizada na guerra da escócia pela independência e também ficou famosa por ter sido utilizada pelo primeiro rei da Irlanda, Brian Boru, que expulsou os vinkings! O cabo dela, como pode notar era em forma de triângulo, geralmente as espadas possuíam cabo em forma de cruz. Essa é realmente um belo exemplar!
Melissa e Brenda ficaram impressionadas pela "aula" de Vinne, o rapaz entregou a chave do carro de Daryl a Melissa e foi para o alojamento, hoje tria que entrevistar dois internos.
Quando estava diante do seu armário uma pessoa se aproximou, era Michael Sales.
- Ei! - Disse Michael.
- Oi amigo!
- Amigo porra nenhuma! - Falou o outro para a surpresa de Vinne.
- Aconteceu alguma coisa?
- Aconteceu! Você é uma lástima!
- O que é isso, Sales? - Ainda surpreso Vinne tenta entender. - O que foi que aconteceu?
- Só vou te dar esse aviso, não darei outro! Fique longe de problemas, a curiosidade matou o gato! Você é muito curioso!
- Não estou entendendo!
- Entenda isso! O que quer que tenha ouvido aqui, esqueça! Sei que você fica andando feito um rato pelas sombras como uma maldita fofoqueira! Não me faça perder a cabeça, eu garanto que você não vai gostar do que eu irei me transformar! - Michael bate a ponta do dedo indicador sobre o peito de Vinne com força, três vezes e continua. - Não quero ter que vir aqui falar com você sobre isso novamente, pois não serei tão indulgente!
Sales da uma ultima olhada para Vinne e vai embora, o segundo fica ali sem ação, tentando entender a razão da ameaça.


CONTINUA...


quarta-feira, 15 de julho de 2015

SERENITY

PARTE 20 - CONFRONTOS
Por Jair Nepomuceno

A ira se torna o elemento principal da decadência humana, a quem diga, que ela destrói, mas também tem o poder de construir, mesmo de forma tortuosa.

Rogger era o braço direito de Antony desde o primeiro dia em que o Doutor assumiu a gestão do Hospital psiquiátrico de Saint Sofhie, se tornando desde então uma espécie de capataz, um homem truculento e imprevisível. As pessoas que trabalhavam em Serenity acabaram se acostumando com o seu jeito de ser, na verdade não havia uma só pessoa que confiasse em Rogger sem duvidar, ele era misterioso e não fazia questão de ser carismático, mas existia uma diferença entre ele e Daryl, enquanto o primeiro não falava abertamente aquilo que pensava, o segundo era expansivo e dotado de uma sinceridade que lhe rendia muitos desafetos.
- As meninas já terminaram de namorar? - Perguntou Rogger de forma irônica. - Antony deseja vê-lo agora, Daryl.
- Fale pro Doutor Antony que estou de folga, não tenho nada a falar com ele, se ele quiser que me aguarde amanha.
- Ele quer falar com você agora!
- Pois vai ficar querendo! - Respondeu prontamente Daryl.
Rogger coça o próprio pescoço e respira fundo e diz:
- Eu acho melhor você ir agora!
Daryl abre a Porta do carro e sai de forma decidida a confrontar aquele homem, enquanto Vinne se mantinha dentro do carro inerte.
- Me obrigue!
- Olha só quem está de volta, o assassino desgraçado! - Era Kelvin Obbie, o enfermeiro ex-pugilista, um dos desafetos de Daryl.
- Não acredito! - Disse o psicólogo. - O que é isso aqui no estacionamento? Uma reunião de imbecis?
- Como um filho da puta assassino conseguiu alvará de soltura? - Insistiu o enfermeiro já se aproximando de Daryl, nesse momento Vinne sai do carro e fica ao lado do outro psicólogo.
- Vá se ferrar! Não vou ficar aqui dando ouvidos a um cretino! - Daryl mal teve tempo de terminar a frase e é atingido primeiro com um direto no queixo e enquanto ia desabando desacordado pela violência do soco desferido por Kelvin, o ex-pugilista ainda o atinge com um cruzado de direita causando uma fratura no nariz do pobre psicólogo.
Aquela agressão causou surpresa em quem a viu, ninguém esperava que um dia os dois iriam a "vias de fato", principalmente porque as trocas de acusações entre os dois já haviam se tornado uma constante no hospital e isso antes mesmo da morte de Poll Austin. Vinne foi o primeiro a se manifestar contra a agressão sofrida por seu amigo que estava ao chão desacordado.
- Canalha! - Gritou. - Você o agrediu sem dar chances de defesa a ele! Canalha!
- Eu espero que esse lixo se levante e eu enfrento vocês dois, seu merda! - Esbravejou o enfermeiro, continuou. - Seu marica! Acabo com vocês dois com uma mão amarrada nas costas! 
- Você é um covarde! - VInne grita com Kelvin enquanto tentava reanimar o amigo sem obter êxito.
- Eu sou o quê? - O ex-pugilista parte agora pra cima de VInne, mas desta vez foi contido por Rogger e por Michael que vinha chegando correndo, tamanha balburdia no estacionamento fez com que várias pessoas saíssem do hospital e fossem para o estacionamento, inclusive o Doutor Antony.
- Seu maldito covarde! - Insistiu Vinne. - O agrediu de surpresa! É um lutador profissional, isso o torna mais covarde e lixo do que nunca!
Kelvin Obbie se desvencilha de Rogger e parte pra cima do pobre VInne, mas esse, não fica parado esperando ser agredido da mesma forma que o amigo, rapidamente segura uma pedra de paralelepípedo solta e ameaça joga-la no transtornado enfermeiro, mas antes que algo pior acontecesse, o Diretor chega e tenta acalmar os ânimos, pelo menos novas agressões ele consegue evitar.
- Parem com isso já! - Gritou o gestor do hospital. - Que porra vocês acham que estão fazendo?
- Ele agrediu Daryl de forma gratuita! - Esbravejou VInne. - O senhor tem que manda-lo embora agora. Demita esse verme por justa causa!
Uma intensa discussão envolvendo várias pessoas começou a acontecer, todos davam opinião enquanto Antony gritava para cessar as discussões e Daryl continuava desmaiado.
- Calem a boca agora! Façam silêncio todos! - Desta vez o Diretor consegue o seu intuito, todos param de falar e ele pôde então controlar a situação. - A primeira coisa que precisamos fazer é saber como Daryl estar! 
- Ele está voltando! - Disse Mellisa ajoelhada ao lado do psicólogo. - Está com um sangramento!
Assim que Daryl retomou a consciência percebeu que havia uma fratura em seu nariz, ainda sentado ao chão, pôde notar a presença e várias pessoas que o olhavam, não foi capaz que se lembrar de como aconteceu, de como foi parar ali ao chão com o nariz quebrado.
- Levantem-no! - Ordenou Antony. - Levem-no para a enfermaria agora!
Vinne e Michael salas erguem o psicólogo do chão e o conduzem a enfermaria, lá, Mellisa da os primeiros atendimentos, em poucos minutos a roxidão toma conta de sua face, o inchaço era protuberante.  
- Foi O Kelvin, aquele troglodita dos infernos que me pegou de jeito não foi?
VInne balança a cabeça de forma positiva, o Diretor pede que Melissa e Michael os deixem a sós.
- O senhor tem que demitir aquele agressor agora mesmo! - Insistiu Vinne com a ideia.
- Não me diga o que tenho ou não que fazer!
- Eu só estou dizendo o que  é certo! Eu estava lá! Kelvin o agrediu de forma gratuita! Agressão é motivo pra demissão por justa causa!
- Ele não estava dentro do hospital, portanto não posso tomar nenhuma medida administrativa contra o enfermeiro!
- O senhor só pode está brincando! - Se irritou VInne.
- Não sou homem  que gosta de brincadeira, rapaz! Eles estavam na rua. A unica coisa que se pode fazer contra ele seria o Daryl prestar queixa na policia e acusa-lo de agressão e lesão corporal! Você pode até testemunhar!
- Com certeza ele vai fazer o boletim de ocorrência! Mas o estacionamento pertence ao hospital, portanto, estavam dentro do estabelecimento.
- Nem o Diretor irá demiti-lo e eu também não irei a porra de delegacia nenhuma! - Disse Daryl.
- Como é que é? - Indagou admirado VInne.
- Tu é surdo? Eu não irei denunciar o Kelvin a polícia e nem vou entrar com recurso junto a Serenity para tentar uma suporta punição aquele desgraçado!
Antony sorrir enquanto VInne fica surpreso e nada resignado.
- Eu não entendo! Por que não quer punição contra aquele maldito? Eu irei com você, serei testemunha!
- Não preciso da sua ajuda, porra! Aceita a merda da minha decisão, respeite isso!
Vinne se cala, Antony então toca o ombro do agredido e diz:
- Eu queria muito falar com você em particular sobre outro assunto, mas devido as circunstâncias, acho melhor falarmos outro dia. Vá para casa e descanse, volte para cá em três dias se puder, caso não possa, eu poderei ir até a sua casa.
- Vou fazer isso! - DIsse Daryl. - Vou para casa agora!
- Acho melhor VInne conduzir o seu carro, seu rosto está deformado! tome o anti-inflamatório que Melissa receitou e não esqueça os analgésicos!
Daryl sai do hospital com a roupa suja de sangue, não havia sinal de Kelvin, apenas os curiosos permaneceram no saguão principal, VInne o conduziu ate o carro e de lá tomou o caminho para a residência do agredido, durante o caminho, Daryl resolve falar.
- Não posso ir até a delegacia, aquele Malcon me odeia. Não se preocupe, isso não ficará assim! A batata de Kelvin já está assando!
- O que você pretende fazer?
- Digamos que ele recebera algo cem vezes mais...

CONTINUA...

quinta-feira, 9 de julho de 2015

SERENITY

PARTE 19 - O MISTÉRIO DE GREEN LAKE
Por Jair Nepomuceno

A segurança de certos segredos podem levar uma pessoa a cometer atos que muitas vezes chega a surpreender até a si.

Dentro de um Dodge Viper GTS azul dois psicólogos conversavam a respeito de algo sinistro, cisas obscuras e que poderiam marcar para sempre a vida e o coração de um homem, mas aquele que relatava o acontecido não estava mais disposto a carregar consigo o silêncio do episódio.
- Eu estava procurando emprego, conheci o Antony por intermédio de um primo. Bebemos no Hunter's Bar até de madrugada. Entre uma tequila e outra, ele me fez a proposta.
- Qual proposta? - Indagou Vinne.
- Me ofereceu um emprego em Serenity, já que eu estava no fim do ultimo semestre de psicologia. Só que depois ele me disse que precisava de uma ajuda extra. Essa ajuda era pra acompanha-lo a uma festinha particular. Eu não entendi muito bem, mas gostando de mulher como eu gosto, achei que fosse algo do tipo, entende?
- E o que era?
Daryl respira fundo.
- Eu topei. Ele disse, " vamos agora". E saímos do Hunter's por volta das quatro da manhã. lá no estacionamento uma outra pessoa nos esperava, era alguém perigoso!
- O tal que você disse que está aqui próximo de nós?
- Ele mesmo!
- Quem é ele?
- Não é o momento de você saber! Não ainda.
- Certo. Continue. - Falou Vinne interessado na história.
- Fomos direto para Green Lake, ele tem uma casa de veraneio lá. Quando chegamos, havia uma mulher que o esperava, seu nome era Leonora. Essa tal Leonora, tinha umas paradas que a tornava especial.
- Que parada?
- Ela dizia que podia conversar com os mortos, que podia livrar qualquer pessoa de coisas do tipo. Que também podia livrar uma pessoa do mal. Fazer uma limpeza espiritual!
- Uma limpeza? Como assim?
- Se tu calar a porra da boca e não me interromper mais com perguntas, eu termino a merda da história!
- Ok. Desculpe! - Disse Vinne espalmando as mãos na direção do outro.
- Até ai, estava tudo bem. Só que ele veio até mim, e pediu sigilo total. Me mandou ajudar o outro cara a pegar o "pacote" no porta-malas. Quando abrimos a porra do porta-malas lá estava Sabrinna!
- Quem é Sabrinna? - Vinne tapa a própria boca e diz em seguida: - Ops, mil perdão, eu perguntei novamente. É força do hábito!
Daryl balançou a cabeça negativamente, mas não deu bronca, continuou o relato.
- Ela era a amante do Antony! Ela cometeu dois erros! Uma foi provar que tinha o dom de descobrir o passado da pessoa, e ela sabia muito do passado dele, inclusive o que ele havia aprontado em Cincinnati, Ohio. Ele já havia matado uma prostituta, mas a policia não encontrou pistas para chegar até ele, o caso acabou arquivado ano passado. Ninguém sabia desse crime, ele nunca havia comentado sobre ele com ninguém,  então ela realmente possuía o dom.
- E qual foi o outro erro dessa Sabrinna?
- Foi  encosta-lo na parede fazendo exigências! Ela ameaçava contar para a mulher de Antony a respeito do caso que ele mantinha com ela. Foi mais além, chegou a ameaçar contar a policia tudo que sabia sobre o caso em Cicinnati e outras sujeiras de autoria dele. Então ele arquitetou o crime, contratou  Leonora, o que veio a seguir foi um circo de horrores! Eles a torturaram, e fizeram algumas incisões em seu corpo. A colocaram amarrada dentro de um círculo contendo um pentagrama e então arrancaram-lhe os olhos e a língua, tudo isso ela viva!
- Meu Deus!
- Antes de arrancarem os seus olhos, ela me olhou nos olhos, foi como um pedido de socorro, mas eu não a ajudei! Me acovardei! Não participei de nada, mas a minha omissão, a minha covardia a fez morrer, desde então vivo com essa culpa!
Vinne estava surpreso, assustado, vários segundos em silêncio até resolver se manifestar.
- Qual foi o teu papel prático nessa história?
- Ajudar a amarra-la. Mas eu juro, até então achei que fizesse parte de algo na festa! Achei que em seguida outras meninas apareceriam e a festa iria esquentar.
- O que fizeram com o corpo?
- Enterraram em uma vala rasa perto da margem da lagoa, mas em um lugar que as pessoas não costumavam ir.
- E como a polícia chegou ate esse corpo?
- Um cão perdigueiro que encontrou enquanto seu dono passava por ali em busca de caça fácil. Isso dois dias depois do assassinato!
- Eles quem enterraram?
- Sim! Eu disse que não iria ajudar. Na hora, o outro cara quis me apagar ali, mas para a minha sorte eu tinha levado minha brasileirinha, minha taurus 9mm, isso freou o ímpeto daquele psicopata!
- O que é isso?
- Uma arma, seu burro! - Daryl gritou e sem seguida continuou. - Mas eu vacilei. Era pra eu ter apagado aquele maldito, não só ele, eu devia ter matado os três!
- Por que você não foi à polícia e denunciou?
- Porra, Vinne, tu é um idiota! Como eu poderia denunciar os três sem ser preso por cumplicidade?
- Mas você não fez nada!
- Tu acha que os três não iriam me incriminar para eu ir junto? Deixa de ser demente!
- E o que aconteceu a seguir?
- Eles mataram a menina, a tal Leonora cujo o intuito era passar o poder de Sabrinna para o Antony, não conseguiu fazer isso e houve então o pacto.
- Qual pacto?
- Foi tirado uma foto com os quatro tendo o corpo inerte de Sabrinna ao fundo, aparecendo como troféu na maldita foto! Desta forma, se um dos quatro abrisse o bico, todos iriam para a cadeia!
- E cadê essa foto?
- Cada um recebeu uma! A minha está em segurança. Desde então, todos temos guardado para a própria proteção.
- Cara, essa tal de Leonora é uma maluca! Devia estar presa!
- Ela foi morta ontem!
Vinne se espanta.
- Quem a matou?
- Um dos três. O mais selvagem. Isso foi queima de arquivo!
- Mas ela não tinha a foto?
- Sei lá, cara! Eu estava preso! No mínimo ela deve ter revelado que havia perdido a foto!
- Essa foto ao que tudo indica, não tem o poder de intimidar o assassino!
- Eu serei o próximo! 
- Esse cara pode ter matado Poll Austim!
- Poderia, mas não foi ele!
- Como sabe que não foi?
- Ele não estava no hospital na noite do assassinato!
- O que você vai fazer agora?
- Vou me defender! Custe o que custar! E eles sabem que comigo a parada é mais complicada!
- Daryl! - Alguém chega gritando o seu nome enquanto batia na orta do carro, exatamente do lado em que o outro psicólogo estava,  nesse momento Vinne se arrepia, aquela voz era do homem que estava conversando com Antony no dia em que ele se escondeu na banheira, isso quer dizer, que esse cara deve ser o outro que estava em Green Lake. - O Doutor Antony pediu para você retornar ao escritório!
Vinne se vira lentamente e ver a cara grosseira do homem, era Rogger.


CONTINUA...







domingo, 5 de julho de 2015

SERENITY

PARTE 18 - GREEN LAKE
Por Jair Nepomuceno

Feridas do passado podem confundir o ser e o viver no presente, livrar-se dessa marca profunda muitas vezes se torna algo impossível, cabe então, viver cada dia, ser cada dia.

Em Serenity as coisas aconteciam freneticamente, todo amanhecer parecia um convite para as surpresas, os olhares das pessoas dentro do hospital demonstravam inquietações, desconfianças e de certa forma insegurança.
Vinne mesmo recém-chegado já havia percebido que a normalidade era um luxo ao qual não estava disponível de se encontrar em Serenity, no caso dele, as coisas se tornavam a cada dia mais macabro, as respostas que buscava poderiam trazer sequelas profundas em sua vida.
- Desculpem entrar assim sem aviso. - Disse o novato.
- Tudo bem, eu já estava de saída! - Respondeu Daryl.
-  Continuaremos com a nossa conversa em breve. - Falou Antony olhando nos olhos de Daryl, continuou em seguida. - Vou tomar as providências, conversar com o nosso problemático amigo.
- Só conversar não adianta, Diretor. O que eu trouxe a você é coisa séria. Faça ago de concreto!
- Ok. parou a conversa por aqui! - Antony fala deixando claro que não queria conversar mais sobre aquele assunto na frente de Vinne. - Se me dão licença agora, tenho que voltar ao trabalho.
Vinne e o outro psicólogo saem da sala do gestor de Serenity, o novato demonstrava felicidade por ver o outro livre das grades, os dois caminharam juntos até o saguão, de lá seguiram para o estacionamento. 
MIchael entregou as chaves do carro para o psicólogo que agora estava livre outra vez, ele agradeceu e apertou-lhe  a mão, Vinne o seguiu até o carro, entraram e Daryl nada sutil, depois de ficarem reservados foi logo dizendo:
- Fala cara! Diz logo o que quer me contar!
- Como sabe que tenho algo a te contar? - Perguntou Vinne.
- Cara, fala de uma vez!
- Você conhece Melissa?
- A outra recepcionista? Sim, por quê?
- Porque a vi no porão conversando com outra pessoa por telefone e achei o papo um tanto estranho!
- Que tipo de papo?
- Ela dizia que alguém estava desconfiando, que se descobrissem ela e a outra pessoa entrariam em uma fria!
- Descobrisse o que?
- Eu sei lá! Quando cheguei ela já estava conversando, depois tropecei em uma lata, fiz barulho e ela veio pra cima de mim segurando um pequeno machado. Na hora pensei que ela iria me matar!
- E depois?
Vinne evitou falar sobre as "assombrações" que havia presenciado, decidiu falar só sobre Melissa.
- Eu desconversei, disse que tinha ouvido barulho e que teria descido lá, mas que havia acabado de chegar. Acho que ela engoliu a desculpa.
- E ela disse o que estaria fazendo la?
- Me deu uma desculpa esfarrapada que tinha ouvido um barulho e que viu ratos, ou algo do tipo!
- Melissa nunca foi suspeita de nada para mim! Eu a acho completamente inexpressiva, uma pobre coitada que já até apanhou do marido. Uma inútil! 
- Ela pode ser a assassina!
- Aquela pomba lesa? Duvido muito! Pode ser que ela saiba quem matou, talvez a outra pessoa que estivesse conversando com ela seja até o assassino, mas achar que aquela mula manca possa ter matado alguém é ridículo.
Vinne coça o queixo, volta o seu olhar para Daryl.
- Mudando de assunto, o que existe entre você e o Diretor?
- Porra cara! Tu é insistente!
- Você é uma boa pessoa, Daryl, eu sei disso! Já convivi com muita gente ruim e você não se enquadra no perfil de nenhum desajustado que eu tenha conhecido.
Daryl respira fundo, balança a cabeça negativamente, volta o seu olhar para o outro psicólogo e em voz pausada e tristonha diz:
- Não sou tão bom quanto você pensa, já fiz coisas feias!
- Malcon me contou que você já respondeu a destruição de patrimônio público, destruição a propriedade particular, ficou preso por quatro meses. Também responde a porte ilegal de arma.
Daryl sorrir, faz uma careta e em seguida fala a Vinne ainda balançando a cabeça.
- Malcon parece ter algo pessoal contra mim. Eu tenho porte de arma, o que ocorreu foi que estava com o porte vencido. A destruição de patrimônio público foi na verdade um poste que eu derrubei ao colidir o meu carro. Quanto a destruição de patrimônio privado a que ele se referiu foi eu ter quebrado o carro usando uma marreta. O dono do veículo era o meu ex-sócio que havia me roubado e a empresa havia quebrado. Fui condenado ha quatro meses de prisão transformado em serviços comunitários.
- Então por que você diz que não é uma boa pessoa?
- Porque fiz parte indiretamente de algo terrível que aconteceu dois anos atrás!
- O quê?
- Melhor que você não saiba!
- Confie em mim!
Daryl esfrega os seus negros cabelos, parece que o outro psicólogo era alguém que lhe transmitia segurança, lealdade.
- Já ouviu falar do caso de Green Lake?
- Green Lake é um lugar muito bonito!
- Estou me referindo a um crime ocorrido lá cerca de dois anos atrás.
- Não me lembro de ter lido nada a respeito.
- Uma mulher foi morta lá com requintes de crueldade!
Vinne se espantou.
- Você tem relação a esse assassinato ocorrido em Green Lake?
- Escute aqui cara. O que eu irei te contar é coisa muito séria. Saber desse episódio pode te trazer risco de morte. Pessoas envolvidas nesse crime estão aqui bem próximos de mim e de você. Preciso confiar em alguém, preciso contar isso a alguém.
Vinne aperta o ombro de Daryl e diz:
- Eu juro que pode confiar em mim!
- Antony está diretamente ligado a esse assassinato, ele, usou de coisas macabras junto com uma outra mulher e a jovem morta foi oferecida tipo como sacrifício...


CONTINUA...

quinta-feira, 2 de julho de 2015

SERENITY

PARTE 17 - FREEDOM
Por Jair Nepomuceno

Encontrar razões para seguir adiante se torna muitas vezes, algo como andar na corda bamba, nem tudo é ponta de iceberg.

No distrito policial um certo Delegado interino rasgava papeis e dava socos sobre a mesa, estava visivelmente chateado, irado talvez fosse a melhor definição, esbravejava pela sala e toda essa raiva e revolta estava sendo alimentada por causa de um habeas corpus.
- Não é possível! - O grito estava mais alto, a sua frente um advogado que representava Serenity. - Como que um Juiz da a um assassino a liberdade para que ele tenha uma chance de fugir?
- Não vim até aqui para discutir com o senhor os motivos que o Meritíssimo Juiz desta Comarca possa ter tido para liberar esse habeas corpus. Só vim aqui para lhe entregar o documento e exigir que liberte o meu cliente agora mesmo!
- Isso tem dedo do Antony, não tem?
- Malcon, se tem ou não, isso pouco me importa, só quero que liberte Daryl Fox imediatamente!
- Você é um cretino, Luca. - Esbravejou o Delegado apontando o dedo ao Advogado, que por sua vez, continuava sereno. - Você só não, Antony é um cretino ainda maior! Diga isso a ele!
- Não vou dizer nada! Não tenho nada a ver com seus problemas com ele!
Malcon pega o documento abruptamente das mãos de Luca, em seguida sai da sala gritando pelos corredores, pouco tempo depois, Daryl estava recebendo os seus pertences e se dirigindo para à porta da frente do distrito, para a liberdade.
O psicólogo estava entrando em um táxi quando alguém subitamente chega até ele ainda demonstrando muita irritação.
- Não pense você que vai se safar dessa tão facilmente seu bosta! - Disse o delegado quase encostando a sua testa na testa de Daryl. - Você venceu aqui uma luta, mas a guerra eu certamente vou rir por ultimo!
- Qual guerra?  - Indagou o psicólogo. - Não existe guerra alguma, a unica coisa que existe aqui é o seu ego ferido por não ter conseguido me manter preso usando de meios legais. A justiça foi feita, a sua guerrinha particular nada me importa!
- Não te importa? Fico triste em ouvir isso e certamente será um pouco desconfortável para você, já que pretendo seguir cada passo seu. Vamos ver se vai continuar com esse discurso!  
Daryl sorrir e entra de vez no táxi, ao entrar disse o nome do local que seria o seu destino, o carro amarelo desce a avenida acompanhado pelo olhar meticuloso de Malcon.
Durante o percurso até Serenity o psicólogo coloca a bateria no seu aparelho celular, viu que havia mensagem de voz, ficou curioso e no caminho ouviu cada uma das que havia na caixa de mensagem, a viagem durou menos de quinze minutos, ao descer do carro já na porta do hospital foi recepcionado por Michael.
- Bem vindo de volta! - Apertou a mão do ex-detento.
Daryl estava ansioso, não conversou com ninguém, apressou-se em ir até a sala do diretor sem escalas, vários funcionários o olhavam e cochichavam uns com os outros, mas ele ignorou completamente os olhares e não fez força para ouvir nenhum comentário por parte daquela gente, tudo que desejava naquele momento era conversar com Antony.
A porta da sala do Diretor estava encostada, o psicólogo a empurrou sem cerimônia, o Doutor Antony estava assinando uns papeis que Brenda aguardava.
- OLha só quem retornou! - Cumprimentou o gestor do hospital.
- Vai demorar ai com essa mocoronga? - Esbravejou Daryl se referindo a Brenda que na mesma hora apressou-se em sair da sala, mas não sem antes responder o insulto do recém-chegado.
- Mocoronga se eu fosse a vadia da tua mãe!
- Por favor, por favor! - Gritou Antony. - Não vão discutir aqui na minha sala! Brenda, depois termino de assinar o restante!
A recepcionista obedece e sai imediatamente, a vontade dela era furar os olhos de Daryl com a caneta que segurava, mas em vez disso, preferiu sair e começar a fofocar com os demais que a esta altura estavam ansiosos em saber alguma coisa a respeito do retorno do desafeto da maioria.
- Antony...
- Obrigado Diretor! - Diz o gestor interrompendo de forma irônica o que Daryl iria falar, continuou. - Valeu por ter me tirado daquele buraco, como foi o seu dia? Fico te devendo essa!
- Se eu não tivesse te encostado na parede, eu não estaria aqui agora! Por tanto não ha necessidade de tentar vender essa imagem de amigo.
- Eu jamais seria amigo de um excremento feito você! Não fiz isso por você realmente, por mim você poderia apodrecer lá naquele buraco! Mas vou te dizer uma coisa. Não vou ceder a outra chantagem, se acha que pode voltar a me chantagear usando o caso de Green Lake experimente e verás!
- Vai fazer o que?
- Experimente e descubra!
- Entendi. Se eu te peitar você vai fazer comigo o que fez com Leonora?
- Leonora? - O Diretor demonstrou surpresa. - O que tem ela?
- Ela foi morta por você seu estrume!
- Seu imundo! - Se levantou da sua confortável poltrona e foi encarar de perto o psicólogo. - Leonora a essas horas já deve ter cruzado a fronteira.
- A fronteira da vida? - Ironizou Daryl.
- O que você está querendo dizer?
- Não se faça de desentendido seu cretino!
- Não estou entendendo, falo sério!
- Fala sério é? - Daryl tira o celular do bolso e coloca em viva voz, a mensagem dizia, " Daryl, sou eu, Leonora. Eu não posso me demorar. Eles vão te pegar, fui ameaçada por eles, me mandaram ir para o México, mas vou tomar outro rumo, te aconselho a fazer o mesmo. Eles vão te matar, um homem me seguiu atá a estação, consegui despistá-lo. Não confie principalmente no Antony. Ele vai fazer "queima de arquivo", se cuida! "
O Diretor estava atônito, daryl percebeu que ele falava a verdade, realmente não sabia de nada.
- Quando essa mensagem chegou? - Indagou o Diretor.
- Foi ontem de manhã!
- Mas isso não prova muita coisa! - Disse Antony.
- Não prova o quê?
- Que ela possa estar morta!
- Leu os jornais de hoje?
Doutor Antony pega o jornal do estado e vai ate a pagina policial, lá havia uma matéria contando que uma hora antes do fechamento daquela edição, um corpo degolado de uma mulher identificada como Leonora Donher havia sido encontrada poucos metros fora da estrada. O corpo só foi identificado porque a menos de vinte metros do corpo havia uma passagem com o nome dela e uma fatura de cartão de crédito parcialmente queimado. O assassino queimou todos os outros documentos, provavelmente com o intuito de deixa-la sem identificação.
Antony se espanta, olha para Daryl ainda assustado e diz:
- Ele a matou! Ele desobedeceu uma ordem minha!
- Ele é um maldito maníaco! - Disse o psicólogo. - Viu com quem você foi nos envolver?
- Vou conversar com ele!
- Esse desgraçado vai tentar é matar nós dois! Só restaram você e eu, além dele que sabe sobre Green Lake.
- Ele vai se foder antes, se for esse o plano dele!
Parece que as circunstâncias estava forçando uma aliança improvável, mas que isso, talvez Leonora não fosse a unica vítima do assassino, novas dúvidas pairaram no ar, alguns segundos depois e o silêncio foi quebrado por Vinne que bateu a porta antes de abri-la cuidadosamente e pedir licença para entrar.


CONTINUA...