SERENITY
PARTE 14 - DE VOLTA AO INTERROGATÓRIO
Por Jair Nepomuceno
O passado tem o poder de transformar o presente de alguém, mas muitas vezes, esse mesmo passado não deixa feridas cicatrizarem.
Uma mulher desce apressadamente do trem na estação de Glendale, estava aparentemente nervosa, usou um telefone público tentou telefonar para alguém, infelizmente para ela, a pessoa não poderia atender, pois estava detido em uma cela fria.
A mulher segue então para a rodoviária local, pega um táxi, estava disposta a seguir seu caminho, não havia tempo a perder, mas entre um cigarro e o nervosismo que a acompanhava, uma navalha corta a sua jugular...
Em Saint Sofhie mais precisamente no Distrito policial, Vinne buscava respostas do detento a quem já havia considerado um amigo inesperado.
- O que você quer de mim, novato? - Indagou Daryl.
- Só quero saber quem é Leonora!
- Onde você escutou esse nome? - Gritou o outro.
- Em Serenity!
- Ouça aqui. Nunca, nunca fale esse nome dentro daquele hospital!
- Por que não?
- Onde você ouviu esse nome? - Insiste Daryl.
- Eu ouvi o Diretor e outra pessoa falando a respeito dessa mulher.
- O que eles falaram?
- A outra pessoa disse ao Doutor Antony que essa tal Leonora estava atravessando a fronteira para o México.
- Ela não chegará em seu destino, tenho certeza disso!
- Quem é essa Leonora?
- Uma pessoa do passado do Diretor. Ela corre perigo e se você for esperto, vai esquecer essa história que ouviu, senão, também correrá risco de morte!
Vinne não se dar por satisfeito.
- Cara, eu preciso saber o que está havendo em Serenity. Por favor me ajude!
- Por que você está tão interessado em Serenity? Quem diabos é você?
- Tenho algo a resolver lá.
- Vá se foder! Não quer me contar seus segredos e quer que eu conte os meus? Vá embora seu babaca! Não vai conseguir nada de mim!
Vinne abaixa a cabeça e encosta a testa nas grades.
- Eu acho que não é o momento de eu contar o que eu quero lá em Serenity. Mas juro que você saberá! Eu acho que será melhor para você não saber disso agora, por favor confie em mim!
Daryl balança a cabeça negativamente, respira profundamente e diz:
- Você é uma porra louca, cara! Posso até te contar o que sei sobre Leonora, mas não será agora. Preciso pensar um pouco a cerca disso, e você vai respeitar essa minha decisão!
- Tudo bem, vou te dar esse tempo, sinto que é importante para mim saber sobre isso, mas irei respeitar o seu tempo. Mas você não vai escapar de me responder sobre outra coisa.
- Sobre o que?
- O que é aquilo lá em Serenity?
- Seja mais específico.
- Quem é aquela criança que eu tenho visto, que estava lá no sexto andar?
- Então você a viu?
- Sim! E não me diga que não sabe nada a respeito disso!
- Sei muito pouco!
- O que você sabe?
- Algumas pessoas já afirmaram terem visto essa criança, eu pessoalmente nunca vi. Dizem que ela é uma das vítimas do incêndio que acometeu Serenity!
- E se tratava de crianças lá também?
- Ela não era paciente, era filho de uma funcionária do hospital!
- De quem?
- Não faço ideia! Esse assunto é proibido lá. Desconfio que essa criança era filho de Leonora. Ela trabalhou um curto período em Serenity, mas não tenho certeza. Quando cheguei no hospital ela já não trabalhava mais lá.
- Então você está me dizendo que o Hospital é assombrado?
- Eu só sei que muita coisa estranha acontece lá. E essa criança não é tudo, existem coisas mais obscuras trancafiadas naquelas paredes!
- O que?
- Converse com Serenna!
- Por que com ela?
- Faça isso porra! E não me encha mais o saco!
- Olha só quem está aqui! - Uma voz conhecida de alguém que chega subitamente.
- Malcon! - Cumprimenta Vinne. - Tudo bem com o senhor?
- Comigo tudo. Mas Preciso saber o motivo de você ter vindo visitar constantemente nosso prisioneiro!
- Ele é meu amigo! - Disse Vinne.
- Eu precisava falar com você, garoto! - Falou Malcon.
- Eu recebi a intimação. Resolvi antecipar a minha vinda se isso não for um problema!
- Não é problema algum! - O investigador sorrir ironicamente. - Já conversaram tudo que queriam?
- Sim! - Respondeu Daryl.
- Então nesse caso, Por favor me acompanhe!
Vinne acena com as mãos para o amigo detento como forma de despedida e um olhar que parecia dizer " Eu volto para continuarmos o nosso papo."
Entraram na sala do Investigador, Malcon pede para que o psicólogo se sente, antes de começar a conversar, o delegado interino pede ao outro policial que telefone para outro Distrito e então fecha a porta.
- Esperei o seu telefonema e nada.
- O senhor me disse que eu deveria te telefonar caso eu visse algo estranho em Serenity!
- E não viu nada estranho que achasse relevante?
- A unica coisa estranha que vi acontecer foi essa prisão preventiva de Daryl.
- Sua ironia é tão ridícula quanto você próprio! - Esbravejou o homem da lei, continuou. - A preventiva não é estranho, isso é algo mais comum que você possa imaginar!
- De onde eu venho, uma prisão igual a esta imposta ao Daryl nós chamamos de arbitrária!
- E eu chamo você e seus conterrâneos de idiotas ignorantes! O processo pedia essa intervenção, noventa porcento das pessoas interrogadas falaram a mesma história e apontaram seu amigo como o suspeito numero um do assassinato! Ele é o suspeito número um e o que mais teria motivos para matar Poll Austin.
- Só achei infundado dentro da minha leiguice, porque não havia provas contundentes a não ser a opinião das pessoas que não o viram praticar o ato, apenas se basearam em um incidente, e de forma irresponsável deram o veredicto a respeito dele. Daryl é anti-social, fala demais, é arrogante e mal-educado, é imaturo na hora de debater as suas ideias, mas isso não faz dele um assassino, um inconsequente, talvez.
- É mesmo? - Ironizou o Delegado. - Deixe-me te contar algo. Esse seu amigo inconsequente, conforme você mesmo o rotulou, já respondeu a agressão e destruir patrimônio público. Foi preso por quatro meses depois de ter amassado o carro de um desafeto dele usando uma pequena marreta, com o detalhe de que a pessoa ainda estava dentro do veículo, foi detido por policiais que passavam na hora em que ele praticava essa destruição de propriedade privada. O perfil dele do passado junto com seu comportamento atual me fez pedir a preventiva dele.
Vinne ficou surpreso com aquela revelação do delegado, seu silêncio foi de certa forma uma derrota em sua defesa, mas ainda assim, tentou argumentar.
- O senhor me falou de comportamentos dele no passado, isso faz tempo não faz?
- Não queira diminuir a minha inteligência seu bosta! - Esbravejou o Delegado. - Não venha aqui tentar me dizer como proceder. Não é relevante a sua opinião a respeito dessa prisão preventiva, seria, se você tivesse algo concreto a me contar que levasse a uma investigação específica em cima de outra pessoa. Mas olhando para essa tua cara de bunda, já percebi que você não tem nada a acrescentar, ou tem?
Vinne quase que revelava a sua desconfiança sobre o diretor de Serenity, quase contou ao rabugento policial tudo o que tinha ouvido e o que o próprio Daryl lhe tinha aconselhado e falado nos últimos dias, mas repensou imediatamente, não achou inteligente e nem tampouco estratégico.
- Não, não tenho!
- Então volte para cuidar dos malucos daquele hospital e me procure quando tiver algo relevante e que não me faça perder o meu tempo. Está dispensado!
Vinne se despede de Malcon, pede licença e sai do Distrito, mais uma vez um turbilhão de pensamentos invadiram sua mente como um liquidificador, Serenity tinha a resposta e era lá que ele deveria buscar o que procurava...
CONTINUA...
Nenhum comentário:
Postar um comentário