Hanna Fisio

sábado, 19 de dezembro de 2015

SERENITY

PARTE 40 - CILADA 
Por Jair Nepomuceno

Quão vil pode se tornar o coração do ser humano? Até que ponto ele pode chegar para realizar seus planos escusos? A vida muitas vezes nos concede reviravoltas, talvez seja para deixar claro que ninguém é de fato infalível. 

Malcon saiu apressadamente do Distrito policial sem nada dizer, estava naquele momento seguindo os seus instintos, aliás, muitas vezes esses instintos o levaram ao topo da excelência, então não era de se estranhar que ele confiasse tanto no seu faro intuitivo, mesmo que em poucas vezes não o tivesse levado a lugar algum.
Enquanto Malcon se dirigia para uma certa loja de antiquário, Daryl se aproximava da casa de veraneio que pertencia ao Doutor Antony, mais precisamente às margens de Green Lake, um lugar lindo, bucólico, o lago não era muito extenso, mas a sua beleza provinha de suas belas águas cristalinas  de coloração esmeralda, daí veio o seu nome, o lago praticamente seca uma certa época do ano ficando com vinte porcento de sua capacidade, mas logo depois do degelo das duas montanhas que fica muito próximas da depressão e são chamadas de "cabeça de Green Lake" o Lago volta a sua capacidade máxima, mas mesmo na época da seca, o local não deixa de ser bonito e atrai muitos visitantes.
Aquele dia porém, o lago estava deserto era baixa estação, o hotel localizado na margem oposta, fechava as suas portas por dois meses, nesse período os visitantes se hospedavam dentro da cidade de Saint Sofhie, era período frio e o lago estava agora com trinta porcento de sua real capacidade.
Daryl chegou já no finzinho de tarde, o sol estava quase se pondo, viu o carro de Antony estacionado na entrada da casa, parou o seu ao lado, desceu calmamente e foi resolver logo aquela situação. Assim que bateu à porta, o Diretor de Serenity abriu quase que imediatamente, pediu que ele entrasse e se dirigiram para a pequena oficina onde a lancha e os dois jet skis ficavam, assim que chegou a oficina foi recebido com uma coronhada na cabeça, ele balançou e caiu ao chão, rapidamente o agressor, revistou seu corpo e tirou-lhe a arma que ele carregava consigo.
Daryl sentiu o líquido vermelho escorrer por sobre o seu rosto, virou lentamente e viu Rogger sorrindo enquanto apontava-lhe a sua arma.
- Aqui estamos para um ajuste de contas, seu trouxa! - Disse o segurança. - Amarre-o junto ao reboque da lancha, Antony! - Ordenou ele.
O Gestor de Serenity obedeceu sem pestanejar, pegou uma corda de nylon azul e o amarrou com violência ao engate, depois verificou se estava bem preso, três nós cegos ele deu e o pobre Daryl ficou sentado ao chão com as mãos às costas, juntas e presas ao reboque da lancha.
- Então esse era o plano de vocês, de me matar e achar que as coisas ficarão por isso mesmo?
- Eu queria que você visse a tua cara agora, seu merda! - Gritou Rogger. - Você achou mesmo que eu iria embora daqui e  deixaria você na boa? Não, você não merece viver!
- Na verdade você se tornou um risco muito grande! - Desta vez foi Antony quem falou.
- Que justiça poética, vai morrer em Green Lake, aqui onde tudo começou, aqui onde você se tornou uma ameaça para mim e para Antony!
Daryl balança a cabeça negativamente, a coragem era uma de suas peculiaridades, estava ali vendo a sua morte de perto, mas não quis declinar do que era.
- O que está esperando seu bosta! Não está esperado que eu implore por minha vida não é? Porque eu não te daria esse gostinho nem aqui e nem no inferno!
Rogger se aproxima e desfere um soco violento no rosto do psicólogo enquanto Antony se mantinha em silêncio só observando, em seguida diz:
- Vou ser bem direto com você! Quero os quinze mil dólares agora mesmo!
- Certo. Ai depois você mete uma bala em minha cabeça não é?
- Se quiser fazer do jeito mais difícil, por mim tudo bem! Mas se eu fosse você eu facilitava as coisas!
- Vá se foder! - Esbravejou Daryl.
Rogger pega um punhal que carregava consigo, uma arma cujo o cabo era feito de osso, vai até o psicólogo e corta a metade da sua orelha, o grito de Daryl demonstrou muita dor.
- Isso foi só o aviso! - Disse o segurança. - Deixei a outra metade para cortar depois, vou perguntar novamente, se não me responder, desta vez eu vou vazar um de seus olhos. Quero ver você ter colhões para suportar isso!
- Pelo amor e Deus, Daryl! - Subitamente Antony entra na conversa. - Diga logo onde está a porra do dinheiro! Se disser, a sua morte será rápida e indolor!
- Eu sabia que você era um estrume, Antony. - Disse com voz tremula o acuado rapaz. - Mas não sabia que era tão lixo assim!
Rogger coloca a ponta da faca a um centímetro do olho esquerdo de Daryl e pergunta:
- Onde está a porra do dinheiro?
- No carro! - Respondeu o psicólogo, afinal, ele sabia que o segurança faria o que estava ameaçando.
Outro soco no rosto é desferido, desta vez deixa um corte no supercílio.
- Onde exatamente está?
Daryl sabia que ele retornaria do carro para executa-lo assim que pegasse o dinheiro, mas tinha também a certeza de  que aquele psicopata não o mataria rápido como Antony havia prometido, mas a dor o estava vencendo.
- Está embaixo do banco do passageiro!
- Certo. - Disse o agressor, continuou. - Se eu for até lá e não tiver o dinheiro debaixo do banco, voltarei e irei de castrar a sangue frio, você está me entendendo? - Como não ouve resposta por parte do psicólogo, o segurança desfere um chute em sua cabeça, quase que Daryl desmaiava, outro corte na cabeça, mais sangue banhava a sua face. - Irei lá agora, enquanto isso, você vigia esse porco imundo! - Ordenou para Antony.
Assim que Rogger deixa a oficina, Daryl volta a fala.
- Você acha que ele vai parar?
- Não acho nada!
- Pensa aqui comigo, Antony! Quem mais sabe a respeito do caso Green Lake?
- Você era o ultimo!
- Errado! Você será o ultimo! O Rogger vai te apagar logo em seguida! Ele fará isso com certeza!
Antony demonstra preocupação e isso foi o intuito de Daryl.
- Ele não faria isso comigo! Você está tentando me confundir!
- Não faria? Eu digo mais! Eu digo que ele vai retornar, me matar e te matar em seguida! A unica coisa que e o deteve até agora era o fato de eu estar vivo, porque de certa forma, você estaria protegido. Ele fez a sua cabeça para me liquidar, desta forma, não haveria mais ninguém que pudesse detê-lo caso ele fosse te matar. Ele é um psicopata, e você sempre soube disso!
- Agora é tarde para você!
- Sim, e será também para você, disso eu não tenho a minima dúvida!
- Já temos um plano para o teu sumiço e iremos usar justamente a extorsão que você fez para nos tirar dinheiro e depois iremos dizer que você foi para a Argentina!
 Mas existe uma falha nesse plano, aliás, existem duas! A primeira é que para eu fazer uma extorsão eu teria que ter um motivo, qual seria esse emotivo? O segundo e não menos importante se chama Malcon, depois da conversa que ele teve comigo lá em casa, nunca que ele iria engolir essa balela de vocês!
- O que você falou para ele?
- Pague para ver!
Nesse momento Rogger entra na oficina, segurava um envelope amarelo, dentro dele os quinze mil dólares.
- Aqui está! - Disse sorrindo. - Vamos então dar continuidade!
- Espera! - Interrompe Antony para a surpresa do segurança. - Vamos repensar sobe a morte dele!
- Repensar o que? - Rogger se mostra irritado.
- Ele tem um dossier! 
- Isso é blefe!
- E se não for?
- Foda-se! Daqui ele não sai vivo!
- Eu não quero que o mate!
- Como é que é? - Rogger se aproxima de Antony ameaçadoramente. - Ta brincando comigo?
- To receoso quanto a esse tal de dossier que ele tem!
- Estou me lixando! Ele vai morrer e é agora!
- Não faça isso! - Gritou Antony desesperadamente, mas o segurança não iria ceder, estava obcecado em matar Daryl, tanto que puxando seu punhal, desferiu dois golpes na barriga de Antony que caiu ao chão agonizando.
- Agora é a sua vez! - Disse o psicopata indo em direção ao psicólogo, mas entre a ação e o pensamento um extintor o atinge nas costas violentamente, o psicótico cai ao chão por cima de uma caixa de ferramentas e uma das armas sai de sua mão, ao se virar deparou-se com alguém que gritou:
- Seu desgraçado insano! - Era Vinne, nossa! o alívio que Daryl sentiu nesse momento certamente seria indescritível.
- Ele tem outra arma, corra! - Gritou Daryl pata o amigo.
Vinne retorna ao corredor e por um triz não é acertado com dois disparos do segurança que a essa altura, também sangrava no rosto devido a queda por cima das ferramentas, ele então corre para matar Vinne, mas ao virar as costas para a oficina, sente dois projéteis atravessar-lhe o corpo, um na altura do ombro e outro na barriga, ele cai e se levanta com dificuldade, antes de tentar fugir olha para trás e ver que Antony segurava a arma que havia caído de sua mão.
O segurança atravessa a porta da saída desarmado, quando recebeu os tiros acabou por perder a pistola, ia cambaleando ate o carro, uma pedra acerta-lhe a cabeça e ele cai novamente, foi Vinne quem arremessou, ele se vira com a barriga para cima, pressionando o ferimento sobre a barriga, mas então Vinne ver o Doutor Antony se aproximar todo ensanguentado, parou de frente a Rogger aponta-lhe a arma e diz:
- Você é um maluco desgraçado! 
- Eu não iria te matar! - A voz trêmula de Rogger sai com esforço!
- Iria! - Antony dispara duas vezes uma sobre o peito e outra na cabeça do segurança, depois cai de joelhos.
Vinne se aproxima e tira  arma da mão de Antony.
- Vou telefonar para os paramédicos! - O Diretor acena positivamente e se deita na grama fria, enquanto telefona para pedir ajuda, o psicólogo vai até onde o amigo está e o liberta das amarras. - Você está ferido! Melhor não se movimentar!
- Obrigado! - Disse Daryl com lágrimas nos olhos! - Onde estão os dois?
- Rogger foi morto por Antony. O Diretor está muito ferido, já chamei os paramédicos, estão a caminho, venha, se apoie em mim!
Vinte e cinco minutos se passaram até que a duas ambulâncias chegassem, trataram primeiro de Antony, depois de Daryl, já era noite quando a polícia e o IML chegaram ao local, apenas Vinne se manteve no lugar para dar explicações, Antony e  Daryl seguiram para o hospital, não demorou muito para que Malcon soubesse do acontecido e fosse para Green Lake.
A noite foi tensa e por volta das vinte e três horas, Vinne foi visitar o Diretor e o amigo, mas não foi sozinho, Malcon estava com ele, a essa altura já tinha colhido o depoimento do psicólogo salvador.
Daryl estava em observação já no quarto da enfermaria, já Antony estava sendo submetido a vários exames e cuidados, por sorte a lâmina da arma de Rogger não causou tanto dano, nada que alguns pontos, curativos e medicamentos não resolvessem.
Malcon e Vinne tiveram autorização para visitar Daryl na enfermaria, assim que entrou no quarto, o policial começou a sua fala:
- Green Lake é um lugar intrigante mesmo não é? Tudo acontece naquele lugar! Mas e então, como você está?
- Estou me recuperando, a orelha foi colocada de volta e estou sob efeito de sedativos e anti-inflamatórios!
- Vinne me contou que Rogger armou uma cilada para você e para Antony! Os induziram a ir lá e então tentou mata-los! Sorte que seu amigo ouviu o Diretor dizendo que iria para Green Lake, ele achou estranho e o seguiu!
- Tem certeza que quer falar sobre isso agora? - Reclamou Daryl.
- Na verdade não! Aqui e agora não é o momento para tratarmos do acontecido, vim mais para saber como você e Antony estavam passando, mas sabe como é, a mania de investigar acaba me tornando inconveniente. 
- Entendo!
- Vou deixa-los agora! - Continuou o Delegado. - Mas a gente tem muito o que falar sobre isso! Estimo melhoras!  Malcon toca devagar na mão de Daryl e antes de sair, dar um tapinha nas costas de Vinne.


CONTINUA...






segunda-feira, 14 de dezembro de 2015

SERENITY

PARTE 39 - OS SEGREDOS DA CLAYMORE
Por Jair Nepomuceno

Até onde vai uma lealdade ao amor ou ao desejo? Até onde a razão poderia ser nublada por inconsequências causadas por aquilo que muito se quer? O ferrão da vespa poderá atingir em cadeia e trazer castigos rígidos.

Malcon era o tipo de investigador incansável e devotado a velocidade das ações, no seu caso, as coisas ganhavam velocidade devido ao relacionamento que ele mantinha com pessoas em diversas áreas, era um homem respeitado e influente, por essa razão as portas normalmente se abriam com uma certa facilidade e rapidez. Isso foi posto à prova quando no dia seguinte no inicio da tarde ele recebeu em tempo recorde a perícia que fora feito na espada, assim que viu o resultado ficou surpreso, mas nada o faria retardar seu modo perseverante de realizar suas investigações, e isso talvez tenha feito com que ele fosse o homem da lei mais condecorado de Saint Sofhie, sem perder tempo correu para Serenity.
No hospital psiquiátrico anunciou a prisão preventiva de Michael Sales, foi um espanto geral, o psicólogo ficou surpreso, mas preferiu ficar em silêncio, apenas acompanhou um policial até a viatura sob os olhares de várias pessoas, apenas Antony chegou até Malcon para tentar entender.
- O que está havendo?
- Justamente o que você está vendo! - Disse o investigador.
- Será que uma vez na vida você poderia deixar de ser um cretino e dar atenção as pessoas? - Insistiu o Diretor de Serenity.
- Já ouviu falar em prisão preventiva? - Ironizou o policial.
- Sei o que é uma prisão preventiva, mas por que Sales está indo preso?
- Isso não é da sua conta, pelo menos não ainda! - Malcon da as costas ao Psiquiatra gestor do hospital e em seguida entra na mesma viatura que estava Michael Sales, saindo imediatamente dali.
Assim que chegaram no primeiro distrito, o investigador recebeu de outro policial uma intimação para outra pessoa que trabalhava em Serenity, sem perder tempo ele manda que alguém vá buscar a quem deveria vir ao distrito depor.
Michael Sales estava nervoso, com um olhar assustado, se manteve em silêncio o tempo todo aguardando que o policial iniciasse as explicações a cerca de sua prisão e isso não demorou a acontecer, pois Malcon sentou-se em sua confortável cadeira colocou um chiclete sabor hortelã na boca e disparou:
- De todas as pessoas que trabalham lá em Serenity, você seria a última que eu iria desconfiar ser o assassino, estou realmente surpreso e de certa forma decepcionado! Tenho que "tirar o chapéu" para você, Michael, eu fui enganado até agora!
- Eu não matei ninguém, eu juro! 
- Isso é algo bem difícil de se acreditar já que as suas impressões digitais estavam na espada, que segundo a perícia, foi a arma usada para matar Kelvin Obbie. Havia sangue dele na arma e as suas digitais em toda a espada. Você tentou limpar a lâmina, mas a pericia forense conseguiu identificar através de luminol e os resquícios do sangue que você não conseguiu limpar através da serologia, mas não vou ficar aqui falando a respeito de procedimentos técnicos com você. A unica coisa que eu quero saber é o que te motivou a assassinar aquelas pessoas.
- O senhor está cometendo um erro, eu não sou assassino, eu nunca matei ninguém!
- Seu cretino! as suas digitais foram encontradas na arma, vai negar isso também?
- Eu peguei na arma, mas não para assassinar alguém!
- Jura? - Ironizou o delegado interino. - Você pegou a arma para palitar os dentes?
- Eu não matei! Quando eu cheguei no local do crime Kelvin já estava morto, não havia mais ninguém la, então eu apanhei a espada e a escondi no sexto andar até que as coisas esfriassem, depois eu iria pensar em algo!
Malcon da um soco sobre a mesa.
- Seu maldito! Eu tenho cara de idiota? Quem você acha que iria acreditar nessa tua história tão imbecil? Vou garantir quarenta anos por cada morte, pode apostar! Isso se não pegar perpétua!
- Eu estou falando a verdade! Por favor, acredite em mim! Eu sei que parece loucura, mas foi isso que eu fiz!
Malcon coça o queixo, relaxa sobre a cadeira e diz:
- Vamos supor que você seja um retardado mental e tenha feito essa estupidez que está dizendo. Por qual razão você esconderia uma arma de crime se não havia sido você a comete-lo?
- Eu tinha um motivo para fazer isso!
- Ocultar provas de crime faz de você um bandido! O único motivo que eu poderia ver para que tivesse feito isso era para limpar a sua própria cena do crime.
- Não matei!
- Você está mais que fodido, Michael! Acredite em mim! Não quer cooperar comigo? Tudo bem! Vou garantir a perpétua para você, seu psicopata desgraçado!
- Eu fiz para proteger Mellissa! - Gritou o psicólogo.
- Como é que é?
- Isso que o senhor ouviu!
Malcon se levanta, passa a mão no cabelo, cruza os braços ainda de costas para Sales, se vira vai até perto do assustado homem e pergunta:
- Você está querendo dizer que Mellissa é a serial Killer de Serenity?
- Eu pensei que fosse! Mas não foi ela também!
- Então você colocou o próprio rabo na reta para salvar a pele de um assassino?
- Sim, mas não foi ela! Meu erro foi ter me precipitado!
- Por que você faria isso por ela?
Sales baixa  a cabeça e responde com olhos marejados:
- Porque a amo! Faria qualquer coisa para protegê-la, até bagunçar a minha própria vida!
- Deixa eu ver se eu entendi! - Disse Malcon. - Vocês são amantes?
O psicólogo responde acenando positivamente com a cabeça, o Delegado sorrir e fala baixinho.
- Isso explica muita coisa!
A porta se abre e um policial coloca meio corpo dentro da sala interrompendo o interrogatório.
- Ela está aqui!
- A faça entrar! - Responde Malcon.
Assim que Sales levanta a cabeça ver Mellissa entrar e isso o deixa desconcertado.
- Boa tarde! - Cumprimenta a bonita mulher.
- Sente-se por favor, Mellissa. - Disse o delegado.
- O que está acontecendo? - Indagou a  jovem.
- Você foi intimada a depor porque as suas impressões digitais estavam na arma que matou Kelvin Obbie, mas havia apenas duas digitais sua. Segundo o que Vinne me falou em depoimento outro dia essa espada lhe pertencia, então não seria um absurdo ter alguma impressão digital sua nela, além de que, segundo você mesma, a espada havia sido roubada de seu armário! Confirma tudo isso?
- Sim senhor! - Respondeu a moça.
- Michael Sales confessou que escondeu a arma para protegê-la, isso sugere que a senhora poderia ser cúmplice no assassinato de Kelvin, porque a unica razão que eu imaginaria que o faria ocultar prova de crime seria no caso de proteger a cúmplice.
- Pelo amor de Deus, não! Eu jamais mataria uma mosca!
- Eu disse a ele, Mel! - Falou Sales inesperadamente, mas foi duramente repreendido por Malcon.
- Cala a porra da boca! Só abra essa latrina quando eu disser que pode!
Mellissa chora e implora:
- Por favor senhor Malcon, tenha paciência! Nós não somos assassinos!
- O que vocês são? - Se mantem firme o policial.
- O que ele falou ao senhor?
- Mellissa, eu quero que você me responda o que eu perguntar, te aconselho a cooperar, porque não vai me querer ver nervoso!
A mulher chora copiosamente, naquele momento ela entendeu o que Sales poderia ter dito ao delegado, confessar seu pecado poderia de certa forma atenuar aquela situação.
- Somos amantes!
- Então deixa eu ver se eu entendi. - Diz Malcon, continua. - O Michael chegou até o jardim e viu o corpo de Obbie morto e a espada do lado, imediatamente ele associou a espada a dona dela e imaginou que você, Mellissa, teria matado Kelvin. Pegou então a espada e a escondeu no sexto andar.
- Foi isso mesmo! - Respondeu o psicólogo.
- O senhor não vai contar ao meu marido não é senhor Malcon? - A mulher continua chorando.
- Isso é outra questão. Se precisar de depoimento dele nos autos eu o deixarei a par de tudo, mas caso não necessite, então isso não é da minha conta. To me lixando para o seu adultério, embora eu te ache uma louca, porque o teu marido é um demente, é o tipo de sujeito que se descobrir algo assim, não haverá polícia que o fará recuar.
- Eu sei! - Mellissa limpa as lágrimas com as costas da mão branca como a neve. - Mas isso aconteceu meio que sem querer, eu estava fragilizada então...
- Eu acho que você não me entendeu. - Disse Malcon interrompendo a mulher. - Eu não tenho o minimo interesse em saber como começou o teu romance com Sales, a unica relevância que isso pode ter é que serve de certa forma como atenuante e coloca seu namoradinho como principal suspeito e nesse momento, ele terá que responder a justiça pelo crime de ocultação de provas. De um jeito ou de outro, ele terá que ir a julgamento.
- Como o senhor descobriu a espada lá no sexto andar?  - Indagou Michael.
- Isso e´outra informação irrelevante para você!
- Descobriu isso conversando com o menino no porão? - Perguntou o psicólogo.
- Como é que é?
- O senhor foi até o porão e teve acesso as fotos que o menino costuma mostrar e ele apontou o sexto andar, ai o senhor foi lá junto com o Vinne. Ou o senhor viu alguma arte envolvendo a claymore nos quadros de Matt?
- Talvez Matt tenha pitando algo ou aquele velho antiquário que era apaixonado por uma enfermeira antiga de Serenity tenha falado algo a respeito do sexto andar. -  Desta vez foi Mellissa que começou a falar. -  Se eu fosse o senhor não falava muito com aquele velho, ele é maluco, não diz coisa com coisa. O doutor Antony o proibiu de ir la em Serenity, mas ele era teimoso e ia mesmo assim, só deixou de ir depois que sofreu o acidente que lhe fez perder a memória, agora virou um antiquário sem memória, mas com o dom de saber tudo sobre as relíquias que vende.
Malcon olha por alguns segundos em silêncio para os dois sem nada dizer, foi absorvendo aquelas informações, de repente grita para um policial, ele pede para que ele leve Mellissa de volta a Serenity e que Sales seja encaminhado para uma sela dentro do próprio distrito, em seguida sai correndo sem nada dizer, isso so poderia significar uma coisa, o lobo estava a caça...


CONTINUA...


terça-feira, 8 de dezembro de 2015

SERENITY

PARTE 38  - LIGAÇÃO PERIGOSA
Por Jair Nepomuceno

Para onde ir quando seus segredos perigosos vem à tona? Para onde seguir quando o caminho construído sob desejos e traições te levam a um beco sem saída? A colheita é pesada quando se planta o que é indevido.

O dia seguinte trouxe consigo muitas especulações a respeito da espada levada por Malcon e o que aconteceria a seguir, as pessoas cochichavam e apontavam para possíveis suspeitos, havia desta forma um clima muito pesado no Hospital. 
Vinne chegou cedo a Serenity, estava sentado a mesa do refeitório comendo um misto quente quando Daryl chegou com a sua bandeja contendo pão, mel, leite e cereais, sentou-se ao seu lado.
-Bom dia Daryl!
- Bom dia, Vinne!
- Ontem foi um dia muito estranho!
- Estranho por quê?
- Por tudo que aconteceu. - Disse Vinne. - O Malcon encontrou uma espada que supostamente pode ter sido usada no assassinato de Kelvin!
Daryl mastigava um pedaço de pão, depois que o engoliu com ajuda do leite virou-se para o outro psicólogo e perguntou:
- Como ele chegou até essa espada?
- Ele estava a procura dela.
- Vou repetir a pergunta. - Daryl estranhamente se mostrou irritado. - Como ele chegou até a espada?
- Como assim?
- Vinne, você se faz de idiota ou é mesmo um idiota?
- Cara, ele teve a informação passada a ele que a espada se encontrava no sexto andar. Fomos lá verifica e realmente ela estava!
- Quem deu a informação?
- Roland!
- Roland Connor?
- O Próprio!
- Isso é loucura!
Vinne coça o queixo balança a cabeça negativamente e diz ao seu amigo:
- Estou realmente preocupado com outra coisa!
- Com o que?
- Eu vi o diretor e o estrume do Rogger conversando no estacionamento, mencionaram algo a respeito de Green Lake e também falaram em cem mil dólares!
Daryl foi pego de surpresa ele sabia ou pelo menos imaginava a que isso poderia se referir, mas preferiu ficar na defensiva.
- E isso te preocupa por qual razão?
- Parece loucura, mas algo me diz que eles querem armar pra cima de alguém, pode até ser que seja pra cima de você!
- De mim? - O psicólogo sorriu. - Eles não seriam tão idiotas de aprontarem pra cima de mim, e não fariam porque o retorno seria em dose cavalar! 
- Eu acho que todo cuidado com esses dois é pouco!
- Esqueça isso!
- Esquecer como? Como alguém pode esquecer alguma coisa aqui em Serenity?
Daryl respira fundo, seu semblante muda e quando isso acontecia não dava para prever qual seria o seu próximo passo, afinal, se tem uma coisa que Daryl conseguia ser era terrivelmente imprevisível.
- Vou te dar um conselho, não se envolva nessa porra, isso não tem nada a ver com você!
- Eu só quero ajudar!
- Cala a porra da boca! Me escuta! Esqueça o que você viu ou ouviu a respeito de Green Lake, esqueça qualquer coisa que tenha relação com Antony e o psicopata do Rogger! Fique fora disso!
Vinne nada responde apenas acompanha seu amigo se levantar com a  bandeja de alumínio com restos do que comia e o ver sair do refeitória em passadas firmes, o novato não ficou satisfeito com o que ouvira e decidiu continuar sua observação mesmo indo contra o conselho do outro psicólogo.
Uma hora depois dessa conversa no refeitório, Daryl vai até o escritório de Antony, Brenda que o havia avisado que o diretor o estava chamando para uma breve reunião, ao entrar na bonita sala deparou-se não só com o Gestor de Serenity, mas com Rogger também.
- O que foi agora? - Indagou Daryl.
- Devido aos últimos acontecimentos a gente tem que acelerar o processo de enviar Rogger para outro continente!
- Me chamou aqui para dizer isso? Até onde eu sei isso é mais que prioridade!
- Ok. - Entrou na conversa o segurança. - Então me traga logo a sua parte do dinheiro!
- Amanha eu trarei!
- Mas aqui não! - Desta vez foi Antony quem falou. - Vamos nos encontrar em outro lugar amanha!
- Ha necessidade disso? É só sermos discretos!
- A discrição aqui em Serenity é algo praticamente impossível! Não! Aqui eu não aceito! - Enfatizou o Doutor Antony.
- Onde então? - Perguntou Daryl.
- Em Green Lake!
- Porra! Me atacar até Green Lake pra entregar a parada podendo entregar aqui mesmo ou em um lugar mais próximo! Não sei se irei não!
- Você queria tanta agilidade e é quem está complicando as coisas! - Disse Rogger.
- Cara, eu não estou complicando porra nenhuma, só acho que Green Lake é distante. Querem ir amanha de tarde pegar em minha casa?
- Nem fodendo que eu irei lá! - Esbravejou o segurança.
- Por que não?
- Ele tem razão, Daryl. Não podemos arriscar de alguém nos ver juntos! Lembre-se que no dia seguinte ele vai sumir de Saint Sofhie e depois que ele se for, nós dois poderemos ser alvos de Malcon.
- Ok. Que horas então em Green Lake?
- Amanha pela manha! - Respondeu Rogger.
- Não da! - Disse Daryl sem pestanejar, continuou. - Preciso pegar o dinheiro no banco e de manha tenho algo pessoal pra resolver, só estarei disponível no fim da tarde!
- E o que seria tão importante para você resolver de manha? - Indagou Rogger.
- Agora fodeu mesmo! - Respondeu irritado e com ironia o psicólogo. - Eu tenho que da satisfações de minha vida para você? Você anda lavando as minhas cuecas sem que eu saiba? Eu tenho te traçado toda noite quando estou dopado? Vá se ferrar!
Um inicio de discussão estava se instaurando, mas Antony conseguiu contornar.
- Tudo bem, tudo bem! Não fará diferença ser pela manhã ou no fim do dia, contanto que seja amanha!
Os três concordam e a reunião acaba, mais uma vez Antony e Rogger continuaram à portas fechadas, o psicólogo por sua vez saiu de lá irritado e apressadamente em direção ao jardim, não percebeu que alguém rapidamente tentou se esconder, alguém que ouvia a conversa do lado de fora da sala com os ouvidos colados à porta...

CONTINUA...








segunda-feira, 2 de novembro de 2015

SERENITY

PARTE 37  - ENTRE A CRUZ E A ESPADA
Por Jair Nepomuceno

Revelações forçadas quase sempre são aquelas que podem causar grande estrago, seria como libertar um touro raivoso em meio a multidão de pessoas.

Malcon não perdeu tempo, ele sabia que o achado era peça fundamental do quebra-cabeça, então pediu para que VInne permanecesse ali enquanto telefonava para o Distrito, estava tentando um mandado de busca, desta forma não haveria nada que pudesse impedi-lo de levar a espada.
- Andy. - Disse o Policial ao telefone. - Fale com Elizabeth e providencie um mandato pra ontem! Me traga o documento aqui em Serenity o quanto antes, estarei esperando.
Elizabeth era juiza da comarca que Saint Shophie fazia parte e ela era prima em primeiro grau do policial, por essa razão, muitas vezes ele se valia da ajuda da parente para conseguir velocidade em certos procedimentos.
- Vai dar certo conseguir o mandado? - Indagou Vinne.
- Sim! Agora tenho só que esperar, vou telefonar aqui para um amigo papiloscopista, ele vai analisar as impressões digitais.  Malcon se vira para o psicólogo e completa. - Na minha profissão devemos ser ágeis. Eu tenho meus recursos.
- Estou vendo!
- Já avisei aqui para o meu tio que é perito criminal através de mensagem,  ele e o papiloscopista irão me encontrar no Distrito em duas horas.
- Vai precisar de mim para algo mais?
- Você me acompanhará até o Distrito! 
- Por que?
- Por que essa espada pertence a Mellissa e você a reconheceu!
- Certo!
- Então fique próximo a espada, vou te pedir licença porque preciso falar aqui ao telefone de forma bem particular! - Malcon se afasta de VInne, o psicólogo fica ali olhando a espada minunciosamente, mas com todo o cuidado de não toca-la, estava compenetrado no que fazia quando ouviu alguém sussurrar o seu nome, o jovem olha apressadamente para ver quem era, pensou por um momento que fosse Malcon, mas estava enganado.
A voz sussurrante vinha de uma sala vizinha da onde estava, ele foi até lá com passadas lentas e curtas ao abrir a porta viu Leonard, um calafrio percorreu-lhe o corpo, desta vez ficou estático, a figura de rosto deformado olhou-o nos olhos e apontou para um canto escuro, foi quando Vinne pode ver uma outra criatura desforme com dentes serrilhados e olhos esbranquecidos, quis gritar mas inexplicavelmente não conseguiu, sentiu a falta de ar, deu dois passos para trás e então tropeçou na lata do lixo e veio ao chão.
O barulho chamou a atenção do policial que correu imediatamente ao seu encontro, ao chegar no local viu o psicólogo pálido e com um olhar distante e arregalado, Malcon gritou para que ele dissesse o que havia acontecido sem sucesso, quando virou acompanhando o olhar de Vinne pode ver também a criança fantasmagórica, mas ao contrário do psicólogo ele foi em direção da aparição, mas na metade do caminho um armário de aço cai sobre o seu corpo, o barulho tirou o psicólogo do "transe" ele então se apressa e com sacrifício levanta o armário de aço o suficiente para que o policial saísse debaixo.
O dois homens se levanta do chão, tirando uns arranhões e uma luxação nas costas e nos braços, nada de pior aconteceu ao Malcon, eles voltaram a atenção para a sala e não havia mais ninguém lá, nem Leonard e nem a outra aparição.
- O senhor está bem?
- Como diabos esse armário caiu sobre mim?
- Não sei!
- Você o viu?  Peguntou gritando o policial.
- Sim! - Respondeu Vinne. - E não foi a primeira vez!
- Essa é a segunda vez que o vejo também!
- E outro, foi a primeira?
- Que outro?
VInne fica assustado.
- Havia dois lá, o senhor não viu?
- Só vi a criança! Havia outro mesmo ou está brincando comigo?
- Não sou uma pessoa que gosta de fazer brincadeiras, delegado!
- O que será que isso significa?
- Ele apontou para o canto da sala e eu vi a criatura! Eu juro! Já o tinha visto antes no porão! Ele me assusta!
- Ok. - Disse Malcon. - Presta atenção! Não falaremos nada a respeito do que vimos aqui!
- Por que?
- Porque algo me diz que é isso que devemos fazer, pelo menos até o fim das investigações.
- Tudo bem!
- Vou pegar a espada, vamos esperar um de meus homens trazer o mandado, enquanto isso vamos permanecer aqui!
Vinne concorda, Malcon vai então até onde está a espada e a pega, depois senta-se em um dos degraus da escada que dava acesso do quinto para o sexto andar, o psicólogo faz o mesmo, e em seguida resolve relatar ao policial tudo que havia presenciado em Serenity nos últimos dias, deixou de participar ao investigador apenas o que envolvia Daryl.
Uma hora e meia se passaram até o telefone de Malcon chamar e ele receber a notícia que um de seus policiais já estava na recepção do hospital com o mandado em mãos, o delegado desce imediatamente levando consigo, é claro, o objeto encontrado.
Assim que chegou ao saguão principal chamou o Doutor Antony e lhe comunicou que estava levando a espada para o distrito policial, apresentou-lhe o mandado de busca e apreensão, convocou Vinne para ir depor apenas no dia seguinte, logicamente que a espada e tudo que foi conversado entre o delegado e o psicólogo caiu na curiosidade de todos que ai estavam, não é estranho entender que Antony era o mais interessado em saber o que havia ocorrido nas ultimas duas horas.
- E então, onde foi encontrado aquela espada e o que ele conversou com você - Indagou o Gestor de Serenity.
- Nós a encontramos no sexto andar! Ele não me adiantou nada, apenas disse que levaria a espada para ser analisada, ele acha que ela possa ter sido usada para matar Kevin!
- O que mais ele falou?
- Só isso! Mais alguma coisa, Doutor Antony? - Perguntou o psicólogo - Eu preciso voltar ao trabalho.
- Claro! - Respondeu secamente e prontamente o Diretor. - Está dispensado!
Daryl observou tudo a distância, não quis interpelar o seu amigo, o deixou a vontade para que partisse dele a iniciativa de conversarem a respeito do ocorrido, já Antony estava nitidamente nervoso e inquieto, fez um aceno com a mão chamando Rogger, os dois foram para o estacionamento e conversaram lá por algum tempo sob os olhares de VInne que discretamente se posicionou atrás de um cipreste, estava distante não pode ouvir o que falavam, mas conseguiu ler nos lábios dos dois homens as palavras Green Lake, cem mil e a frase " não perde por esperar".

CONTINUA...



terça-feira, 20 de outubro de 2015

SERENITY

PARTE 36 - MARCAS DE SANGUE
Por Jair Nepomuceno

O que é o sobrenatural senão algo que não entendemos e que de uma forma ou de outra nos causa medo, receios e admiração? O que é o natural senão algo que pensamos conhecer?

Quando Malcon deixou o escritório de Antony e tomou o caminho do jardim de Serenity, deixou para trás três pessoas apreensivas, um mais apreensivo que os outros dois, no fundo ele sabia que tinha plantado uma sementinha cruel, sabia tanto, que sem que os outros percebessem, ao se despedir esboçou um sorriso no canto de boca.
- Viu só? - Disse Daryl. - Eu avisei que ele não é um policial como os outros!
- Cala a boca! - Falou Rogger. - Ele é um policial, apenas um policial!
- Sendo especial ou não o fato é que aquele maldito está desconfiado, vocês ouviram! Ele mencionou Leonora e disse que vai conversar com você a respeito disso, Rogger! - Foi Antony quem falou.
- Eu posso dar um jeitinho nele rapidinho!
- Você é um lunático! - Disparou Daryl. - Tudo para você tem que ser resolvido matando, batendo, conheço gente do teu tipo, são pessoas idiotas que agem por impulso e na maioria das vezes acaba dando "murros em ponta de faca".
- O melhor a se fazer é a gente adiantar logo esse dinheiro! - Disse o Diretor de Serenity.
- Façam isso! - Disse Rogger.
- Mas eu não vou conseguir todo esse dinheiro até amanha! - Enfatizou Daryl.
- Por que não? - Indagou o segurança.
- Porque não costumo guardar quinze mil dólares debaixo do meu colchão!
- Eu tenho cinquenta disponível, os trinta e cinco restantes vou levar dois dias, porque terei que fazer uma manobra.- Disse Antony.
- Me tragam o dinheiro depois de amanha então!
- Irei providenciar a minha parte! - Falou Daryl, em seguida despediu-se. - Vou voltar ao trabalho.
O Psicólogo sai do escritório deixando os outros dois ainda conversando em portas fechadas, ele sabia que Rogger e Antony não eram confiáveis, mas no momento não havia muito a se fazer diferente disto.
Malcon chegou ao Jardim e começou a andar olhando minunciosamente cada canto buscando pistas, na verdade nem ele mesmo sabia o que procurava, mas o seu instinto lhe dizia que ali era o local onde deveria estar, as respostas com certeza sairiam de dentro dos muros do Hospital. 
- Bom dia, Delegado! - Cumprimentou Vinne.
- Bom dia, rapaz!
- E então, como andam as investigações?
- Vinne, a sua ajuda, quero dizer, a falta dela acabou dificultando um pouco o meu trabalho!
- O que eu fiz?
- Não o que você fez, porque você não fez porra nenhuma que eu pedi. Eu esperava uma cooperação mais efetiva de sua parte!
- Mas eu não vi nada que pudesse ser relevante!
- Claro que viu!
- Por que o senhor acha isso?
- Por que a sua presença aqui nesse hospital não é meramente para trabalhar! - Essa afirmação de Malcon pegou o psicólogo de surpresa. - Não pense que eu não fui a fundo na história pessoal de cada um que está e que esteve aqui nessa pocilga!
- O senhor está insinuando que eu tenho algum tipo de ligação com esses assassinatos?
- Eu não insinuo nada, os motivos que o fazem continuar aqui, por enquanto não é relevante para mim, não creio que possa ter ligação com as mortes, só por esse motivo não te investiguei mais minuciosamente.
- O senhor gosta de especular não é?
- Não, não faço especulações! Se eu entendesse que pudesse existir a mais ínfima chance de você está evolvido já teria te encostado na parede!
- Acredito!
- OLha só, o homem que vai prender aquele que comete coisas ruins! - Serenna fala sorrindo.
- E a senhora é a famosa quem? - Perguntou Malcon.
- Seu nome é Serenna. - Respondeu Vinne. - Ela é uma interna!
- Uma maluca?
- Não, ela sofre de esquizofrenia!
- Então!
- Ela não é louca! - Vinne insiste já irritado.
- Ta bom!
- O senhor é um bom homem! - Disse a interna tocando o ombro do policial.
- Obrigado, senhora! 
- Você deveria conversar com o isolado! Ele tem muito a te dizer!
- Conversar com quem? - Indagou Malcon.
- Acho que ela se refere a Roland Connor!
- Quem é esse?
- Venha, vou lhe apresentar! - Disse Vinne sem pestanejar.
O policial o segue ate o quarto andar, no caminho não fez perguntas ao psicólogo, preferiu manter a sua atenção a cada detalhe do percusso, como um bom investigador, de vez em quando parava e anotava algo em um tipo de caderneta, enfim, chegaram ao local de destino.
- Que lugar é esse?
- Aqui é onde ficam internos com doenças infecto-contagiosas! 
- E tem alguém com esse tipo de doença aqui agora? - Perguntou preocupado o Delegado.
- Não se preocupe, só ha três internos aqui no quarto andar e o motivo deles não é por causa de doenças contagiosas!
- E o que viemos fazer aqui?
Vinne responde ao policial já de frente a cela do interno.
- Viemos por causa dele!
- Espera ai, deixa eu ver se eu entendi. - Disse Malcon. - Você me trouxe aqui para conversar com esse maluco?
- Confia em mim. - Disse o psicólogo. - Será muito bom para as suas investigações!
- Você ficou louco?
- Não, policial, ele não ficou louco! - Roland fala de supetão já encostado nas pequenas grades. - Você é um incrédulo, mas deve acreditar naquilo que julgas, digamos, diferente.
- É mesmo? Eu devo acreditar em você?
- Sua ironia não te ajudará!
- Certo, me diga, por qual razão está preso ai?
- Isso é irrelevante, Delegado!
- Não irei ficar aqui conversando com um psicopata, não levo o menor jeito ara isso, Vinne!
- Que tal então eu te dar uma diretriz? E não farei isso por você, mas para atender a um pedido de Leonard!
Malcon já estava decidido a ir embora, mas ao ouvir o nome da criança ele retorna.
- O que Leonard tem a ver com isso?
- Ele precisa descansar!
- Ele está morto!
- Não faça da sua fé um nada, policial! Você o viu, ele me contou!
- Você conversou com Leonard, o menino morto no incêndio?
- Vá até o sexto andar, há algo lá que é uma peça importante desse quebra-cabeça!
Malcon olha rapidamente para Vinne, volta o olhar para Roland e pergunta:
- O que tem lá?
- Veja com os seus próprios olhos! 
- Eu irei com o senhor! - Disse o psicólogo.
Os dois homens partem para o sexto andar, assim que entraram naquele lugar, Malcon sentiu algo estranho, mas decidiu não compartilhar com Vinne, continuou andando pelo andar indicado, em um certo momento perguntou ao psicólogo:
- Que diabos estamos procurando aqui?
- Acho que isto aqui, Delegado! - Vinne aponta a claymore, sim, era a espada que provavelmente pertencia a Mellissa, ela esta lá encostada atrás de um armário surrado, com um pouco de poeira sobre o punho e na lâmina da ponta até um palmo acima, marcas de sangue.


CONTINUA...




terça-feira, 13 de outubro de 2015

SERENITY

PARTE 35 - INDÍCIOS
Por Jair Nepomuceno

Algumas vezes os atalhos acabam nos levando para lugares inesperados onde o destino inicial seria um outro lugar, assim é a vida e seus mistérios.

Malcon não estava surpreso com o que ouvira, na verdade ele já vinha com, podemos dizer "uma pulga atrás da orelha" em relação a possibilidade de alguma ligação entre os casos Green Lake e os assassinatos em Serenity. Antony passou a ser para ele um objeto de investigação, isso implicaria de um aprofundamento também em seus supostos aliados.
- E então Rogger. - Disse o policial. - Me conte porque Green Lake marcou tanto a sua vida em duas oportunidades, estou curioso para saber, já que adoro aquele lugar! também quero ter um marco envolvendo aquele fabuloso local!
- Er... Eu, lá é ... bom. Não sei!
A gagueira do segurança só serviu para alimentar ainda mais a vontade do investigador.
- O gato mordeu a sua língua, rapaz? - Insistiu Malcon sorrindo.
- Ele deve está se referindo a dois episódios, o primeiro quando caiu literalmente do cavalo e quase ficou paralítico e o segundo por ter conhecido a sua noiva lá. - Disse Antony.
- Não sabia que você era ventríloquo, Rogger! - Ironizou o policial.
- Ventríloquo? - Indagou o segurança.
- Sim. Por que eu pergunto as coisas para você e quem responde é o Doutor Antony!
- Não gostei da sua ironia, Malcon. Com quem pensa que está brincando? - Esbravejou o Gestor de Serenity.
- Pareço alguém que abandona o escritório para vir a um lugar escroto como esse com intuito de brincar? 
- Só estou estranhando esse seu comportamento! - Disse Antony.
- É mesmo? - O policial se aproxima do psiquiatra e o fita nos olhos a um palmo de distância. - Eu acho muito mais estranho o fato de eu ter conversado com Daryl a respeito de Green Lake e citado no referido assunto este hospital e minhas suspeitas. Ai eu chego aqui, nessa pocilga e vejo ele, você e o nosso mestre da segurança Rogger, falando justamente sobre Green Lake!
- É crime falar de Green Lake? - Indagou Daryl. - Que eu me lembre o senhor nem ao menos me pediu sigilo quanto a nossa conversa.
- Você disse crime? - O policial enfatiza. - Não acho nem um pouco coerente usar esse substantivo na atual conjuntura, no entanto, estou interessado no que você tem a acrescentar a esse seu pensamento. Então vamos lá, Daryl, me ilumine e a todos aqui presentes a respeito do crime que você acredita ser atribuído ao simples fato de falar sobre Green Lake.
- O que você está querendo provar com isso? - Perguntou Antony.
- Cala a porra da boca! - Esbravejou Malcon apontando o dedo para o Diretor de Serenity, continuou. - Limite-se a responder o que for referente a você! Não pense que o fato de eu está aqui nessa espelunca é suficiente para me intimidar, porque nem de longe o é!
- Você vem aqui em meu trabalho sem ser convidado, chega em pé de guerra, me manda calar a boca, tenta coagir os meus funcionários e acha que eu vou ficar inerte?
- Antony, coação é o que eu estou tentando extinguir desse lugar. Pare de falar merda! 
- Afinal de contas, o que você deseja? - Indagou o psiquiatra.
- Eu estava passando aqui em frente e de repente me deu uma vontade louca de entrar e dar uma olhada por ai, a razão de eu ter chegado sem avisar foi para pedir a sua autorização para dar uma checada em seu hospital.
- Minha autorização?
- Claro, afinal estou aqui extraoficialmente. Você não é obrigado a me permitir andar aqui dentro!
- Sei.
- Então, eu gostaria de saber se eu posso ou não perambular por ai!
- Se eu disser que não? E se eu pedir para que você retorne com um mandado, caso contrário, não será bem-vindo aqui, o que você diria?
- Eu não diria nada, apenas me perguntaria a razão de uma pessoa que se diz tão idônea e que não tem nada a temer, querer impedir que eu faça o meu trabalho, mais ainda, eu iria achar que você quer a qualquer custo esconder algo da justiça!
- Esse seu joguete é ridículo, Malcon! Não te conheço mais! Quem é você?
- Curioso você mencionar isso, já que as pessoas estão sujeitas a mudanças de comportamento e olhe só que coisa, eu não sou suspeito e nem estou sendo investigado por nada!
- Até onde eu sei, eu também não estou! - Disse Antony.
- Quem disse que você não está sendo investigado?
- Não me faça rir! Eu tenho álibi seu cretino! Você mesmo já afirmou que os dois crimes aqui tem ligação, que se trata de um serial killer, portanto, quando Poll foi assassinado eu estava participando de um evento de psiquiatria, e tenho várias testemunhas que me viram lá, inclusive o prefeito!
- Isso realmente se tornou muito relevante e até foi um álibi perfeito, mas deixou de ser tão relevante a partir do momento que eu descobri que as câmeras de segurança da entrada do hospital não estavam funcionando, antes mesmo da morte de Poll!
- O que isso implica?
- Não é óbvio?
- Não, não é!
- Não se sabe ao certo o horário que Austin foi morto, tudo que os peritos disseram foi que o assassinato ocorreu entre uma e quatro da manhã, e eu procurei saber que horas terminou o tal evento de psiquiatria e ele não passou das duas duas, portanto, não seria absurdo afirmar que nesse período de tempo você não tenha voltado ao hospital!
O Diretor sorrir ironicamente.
- Você gosta de teorias da conspiração? Isso foi a coisa mais estúpida que eu já ouvi! O álibi continua intacto, porque eu estava acompanhado com a minha esposa e fomos juntos para casa, dormimos juntos na mesma cama e ela pode testemunhar isso!
- Dormiram juntos na mesma cama! - Malcon ironiza. - Até que horas? Porque em depoimento, ela disse que chegou em casa exausta naquela noite e dormiu quase que imediatamente!
- Você veio aqui para me acusar? Eu tenho mais o que fazer! Se não se importa, gostaria que você fosse embora, preciso voltar ao trabalho!
Os outros dois permaneceram em silêncio durante esse embate entre o gestor e o policial, Malcon então retoma a fala.
- Tenho a sua autorização para andar por ai?
- Não sei se estou disposto a autorizar!
- Se eu fosse você eu tomaria uma dose de disposição agora mesmo para me autorizar, porque caso contrário, eu posso realmente atender a sua orientação e  pedir um mandado, mas para isso, eu nem precisaria sair do seu estacionamento, por telefone eu conseguiria o documento com a Juíza que julgará o caso, e só para deixar bem claro, ela é minha prima. Então peço que use o bom senso e não me faça usar desse expediente, porque se eu precisar, vou fazer desse hospital um acampamento do primeiro distrito, você não iria me querer no café da manhã todos os dias, posso garantir isso!
- Fique a vontade policial! - Disse Antony visivelmente raivoso. - Faça a sua investigação, não tenho nada a esconder, se precisar de alguma coisa, avise as recepcionistas! Agora me deixe trabalhar!
- Obrigado pela cooperação, Doutor! - Ironiza mais uma vez o policial, e sai da sala, mas antes de seguir pelos corredores de Serenity, ainda de costas ele manda um recado ao segurança. - E você Rogger, me aguarde, não pense que me esqueci de você! Vamos voltar a falar de Green Lake e de uma certa Leonora!


CONTINUA...


quarta-feira, 16 de setembro de 2015

SERENITY

PARTE 34 - ASSUNTOS INACABADOS
Por Jair Nepomuceno

O castelo de areia poderá se dissolver em contato com a maré que avança, assim também são os castelos que existem no intimo de cada um, e esse tipo de castelo não só se dissolve com o mar, mas pode respingar em outros vizinhos...

Doutor Antony chega no hospital para mais um dia de trabalho, não chega sozinho, Rogger para a sua Harley Davidson clássica logo ao lado, os dois caminham juntos, um bom dia rápido para Mellissa e seguem ainda juntos para o escritório do Gestor, notaram a porta aberta, a senhora Ruth, a faxineira estava saindo, ao entrarem na sala, Daryl já os esperava,sentado com as pernas cruzadas de frente para a porta.
- Bom dia senhores! - Cumprimenta o psicólogo.
- O que faz aqui? - Indagou Antony sem antes responder o cumprimento.
- Aproveitei que a faxineira com cara de ornitorrinco estava aqui limpando e entrei, disse a ela que o esperaria aqui mesmo! 
- Defeca logo pela boca, coisa aliás, que já é de seu costume. O que você quer? - Perguntou Rogger.
- Olha só! - Ironizou Daryl. - Eu invadi a tua sala ou a sala do Antony? Quem tem direito de me fazer tal pergunta é ele!
- Responda então a pergunta de Rogger, que também é minha!
- Vai deixar a porta aberta? Por mim tudo bem! - Disse o Psicólogo.
Rogger vai ate a porta e a encosta, em seguida volta e se senta de frente para Daryl enquanto o Diretor se acomodava em sua confortável poltrona do outro lado da mesa.
- O que foi desta vez? - Indagou Antony.
- Malcon foi até a minha casa ontem!
- E daí?
- E dai Diretor, que ele desenterrou a história de Green Lake e sabe porque ele fez isso? Porque encontraram a porra do corpo de Leonora. A polícia de lá, fez uma investigação, e ao que parece descobriu que ela esteve por aqui. Ta satisfeito agora? Esse idiota aqui. - Apontou o dedo para Rogger, continuou. - Fez o favor de matar aquela infeliz e trouxe Malcon para a história de Green Lake!
- Se apontar o dedo para mim novamente eu o quebrarei! - Esbravejou o segurança.
- Espere! - Gritou Antony. - Tenhamos calma! O que ele sabe sobre Green Lake? O caso já está arquivado! Por qual razão ele tocou nesse assunto?
- Cara. - Daryl esfrega as mãos no rosto demonstrando nervosismo. - Malcon é inteligente, ele sabe que Leonora trabalhou aqui em Serenity e que ela era envolvida com assuntos paranormais! No final ele me disse com todas as letras que voltaríamos a conversar a respeito de Green Lake. E eu só digo uma coisa, não quero a porra do Malcon em meu calcanhar!
- Deixa de ser estúpido! - Gritou Rogger. - Ele não pode provar nada contra nós! A unica testemunha que poderia nos ferrar está no mundo dos mortos agora!
- Cortesia sua não é? - Daryl se vira para Antony e diz. - Ele fez merda grande em matar Leonora. Pra que matar se a mulher estava indo pro México, por medo de vocês?
- Vá se foder seu babaca! - Esbravejou Rogger. - O meu estava na reta. Fiz o que deveria ter sido feito. A minha ação livrou o teu traseiro também!
- Quero ver todo esse teu ímpeto, quando Malcon vier cheirar o teu cangote, porque pode esperar, mais cedo ou mais tarde ele chegará a nós, basta ele querer se aprofundar nessa história!
- Eu dou um jeito nele também, assim como fiz com todos que entraram em meu caminho!
Daryl se levanta coloca as duas mãos na cabeça freneticamente, depois esbraveja apontando o dedo para o segurança enquanto Antony ficava inerte.
- Você ouviu o que ele disse? Esse demente vai foder com nós dois, escreve o que eu to dizendo! 
- Já te mandei não apontar a porra do dedo para mim! - Rogger se levanta gritando mais uma vez!
- To morrendo de medo de você, seu mentecapto dos infernos! Se vira com essa aberração, Antony, ele é cria tua!
- Me xingou de que? - Rogger saca de sua arma e aponta para Daryl, que na mesma velocidade faz o mesmo e os dois fazem mira.
- Sua arma tem seis tiros. - Dayl fala, continua.- você pode errar cinco, a minha tem quinze, eu posso errar quatorze! Quer tentar a sorte, garotão?
- Pelo amor de Deus! - Grita Antony, em seguida se posiciona entre os dois homens armados. - Vocês enlouqueceram de vez? Guardem a porra da arma agora!
Bem devagar os dois obedecem, o Diretor continua entre os dois e ver Daryl retornando a fala.
- Malcon não é um policial qualquer. Ele é inteligente! Ele vai chegar até nós! E podem ter certeza de que eu não irei sozinho! Não tenho medo de ameaças nem sua, nem de seus "apóstolos". Estou pronto para o que der e vier! Vocês nunca me viram louco, aconselho a não querer ver!
- Calma! - Fala pausadamente o gestor de Serenity. - Ele não tem provas, só chegará até nós se um da gente confessar a porra do crime, fora isso será no máximo mera especulação por parte dele!
- Não é assim que as coisas funcionam, você sabe disso! Investigador igual Malcon é do tipo que se aprofunda e se ele cascavilhar, ele vai encontrar rastros!
- Certo. E o que devemos fazer então? - Perguntou Antony.
- Manda Esse psicopata para longe, faça isso enquanto Malcon não associou o nome dele ao caso de Green Lake.
- Como é que é? - Rogger se exalta.
- Como assim?
- Porra Antony, da um dinheiro pro cara e despacha essa mala pra America do Sul!
- Nem fodendo vou sair daqui!
- Então encontre uma solução melhor! - Disse Daryl.
- Manda-lo para outro país tem que ser algo bem pensado!
- Pensado? Não há mais o que pensar! Ele vaza para uma pais da América do Sul, ou da Ásia, ou do inferno das pedras! Com isso, a gente joga a culpa pra cima dele, mas ai o cara vai ta em outro lugar, curtindo a porra da vida dele!
- Porra nenhuma! - Gritou Rogger. - Não irei assumir nada para dar boa vida a vocês dois! Façamos o seguinte, tu vaza pra outro continente!
- Eu? - Sorrir Daryl. - A obrigação é tua rapazola! Tudo que estou sugerindo é que você limpe a merda que fez! Não existe razão para eu ou Antony fugir do país. Se tu não tivesse matado Leonora, nada disso estaria acontecendo agora, aceite isso!
- Rogger. - Fala pausadamente o Diretor. - O que Daryl diz, faz sentido! Eu tenho um bom dinheiro guardado. No fim, você quem vai sair no lucro. Vai morar em outro lugar, com dinheiro no bolso!
O Segurança coça o queixo e pergunta:
- De quanto em dinheiro estamos falando?
- Algo em torno de cinquenta! - Respondeu Antony!
- Cinquenta mil? - Rogger gargalha. - Você está comendo merda? Eu jamais assumiria algo assim por essa migalha!
- Isso é tudo que eu tenho!
- Não é o suficiente! - Disse o segurança cruzando os braços!
- Quanto seria o justo para você? - Perguntou Daryl?
- Por que, seu escroto? - Rogger esbraveja. - Você tem dinheiro?
- Me diga quanto! - Mantem a postura o psicólogo.
- Trezentos e eu vazo amanha mesmo!
- Por trezentos até eu iria! - Gargalhou Daryl.
- O fato é que por cinquenta eu não irei!
- Tenho quinze mil! - Afirmou o psicólogo. - E isso é tudo que terá! Sessenta e cinco mil é uma boa grana!
- Cem mil é o meu menor preço!
- Feito! - Disse Antony sem pestanejar. 
- Não era só cinquenta que você tinha? - Ironizou Rogger. - Como vai conseguir  resto?
- Isso não é da sua conta! Amanha eu te entrego os oitenta e cinco mil e o Daryl complementa com os quinze!
- Então estamos combinado? - Indagou Daryl.
- Combinadíssimo! Eu acho que Green Lake foi um divisor de águas para mim! - Rogger fala isso enquanto abria a porta do escritório, mas para a sua surpresa alguém estava nesse exato momento do outro lado da porta chegando até o escritório.
- Um divisor de água, você disse? Não vejo a hora de saber o motivo desse tal divisor. - Malcon quem fala.


CONTINUA...

domingo, 13 de setembro de 2015

SERENITY

PARTE 33 - O LEÃO RUGE
Por Jair Nepomuceno

Quando um gato se sente acuado ele tem o instinto de atacar, esse ataque em forma de defesa pode abrir brechas para novos caminhos, novas saídas ou para a boca do inimigo que late.

O dia amanhece e Serenity abre as suas portas para mais uma jornada e trabalho, ainda de luto pela morte de Kelvin Obbie, um táxi para no estacionamento e dele desce um funcionário nada convencional, ele não parece nada contido, na verdade parecia uma soldado em busca de adversários.
Ja se passava das oito horas quando ele entrou pelo saguão, nem mesmo deu bom dia a Mellissa que estava na recepção, no lugar do cordial cumprimento veio uma pergunta.
- Antony já chegou?
- Bom dia pra você também, Daryl! - Disse ironicamente a recepcionista.
- Não tenho tempo para ser educado, apenas me diga se ele já chegou!
- Não, mas telefonou e já está a caminho, deve está quase chegando!
O psicólogo acena coma  cabeça de forma positiva e se dirige para o vestiário, quando estava lá vestido o seu jaleco ara iniciar seu dia de trabalho, Vinne se aproxima e o cumprimenta.
- Bom dia, meu amigo!
Daryl se vira e para a surpresa do outro psicólogo dispara.
- Presta atenção no que irei te dizer. Se você não me contar agora qual a porra do motivo de você não ter ido embora dessa merda de lugar, então é melhor se afastar de perto de mim!
- O que é isso? O que houve? - Indagou Vinne.
- Cara, o que houve é que já estou farto de seus segredos! Foda-se que é uma coisa pessoal, você sabe tudo ao meu respeito, eu acho que tenho direito de saber dos seus segredos!
- Eu não pedi pra você me contar a respeito de seus segredos! E eu não estou entendendo porque chegou hoje em pé-de-guerra!
- Tenho os meus motivos! Agora me fala, o que você tem a ver com Serenity? Você já conhecia esse hospital, mentiu para mim quando disse que nunca tinha vindo aqui antes!
- Isso é uma pergunta ou uma afirmação?
- Isso é uma coisa lógica! Você está envolto de um mistério que até então eu não me importava, mas depois do que aconteceu comigo ontem, eu começo a desconfiar de todo mundo!
- O que aconteceu com você ontem?
- Porra! Não mude de assunto! Vai me contar ou não?
- Cara, isso não tem nada a ver com você, acredite!
- Foda-se! Ou me fala agora sobre essa merda de segredo, ou tente se virar aqui nesse antro sem a minha ajuda, quero ver quanto tempo vai conseguir sobreviver! E não dirija mais uma palavra a minha pessoa!
- Joshua M. Lewis! - Disse Vinne.
- O que?
- Esse é o motivo de eu permanecer em Serenity!
- Mas esse é o nome do cara que salvou as pessoas no incêndio a pouco mais de três anos!
- Isso mesmo!
- O que tem ele?
- Era meu irmão! Esse "M" abreviado é de Morgan!
Daryl se senta no banco de madeira que ficava logo a frente de seu armário, estava surpreso.
- E o que isso significa? Não entendi ainda!
- Eu vim aqui para buscar respostas, e juro por Deus que não sairei enquanto não encontrá-las!
- Quais respostas?
- A real causa da morte dele!
- Porra cara, ele morreu de asfixia enquanto salvava vidas do incêndio! O laudo confirmou isso! O que você está querendo encontrar além disso?
- Ele tinha duas condecorações do corpo de bombeiros de Michigan! Foi instrutor lá por dois anos! Era um exímio Bombeiro! Morrer de asfixia para alguém como ele é surreal!
- Sim, pode ser improvável! Mas o ser humano comete erros! Ele não poderia  ter cometido um erro naquele dia?
- Porra, Daryl! Ele ensinava as pessoas a se protegerem em incêndios! Sabia tudo sobre sobreviver, e ele já  havia salvo pessoas de incêndios de grandes proporções, inclusive em um depósito químico lá em Michigan! Ele e mais dois bombeiros foram condecorados por bravura e heroísmo na ocasião!
- Certo, e por que ele estava trabalhando aqui em Serenity?
- Depois da morte do meu sobrinho! Ele meio que surtou, largou a carreira, demorou um tempo para se ressocializar, por convite do meu tio veio para cá para tentar exorcizar seus próprios demônios! 
- E como o filho dele morreu?
- Acidente de carro! A ex-mulher sobreviveu, estava embrigada ao volante, foi presa, hoje vive em Detroit casada com outro cara!
- Nossa! Isso foi trágico!
- A família sofreu muito junto com ele, coitado!
- E quanto ao laudo médico a respeito da causa da morte do seu irmão aqui em Saint Sofhie?
- O médico legista que fez o laudo era primo de Antony! E quer saber de outra coisa? O cara que deu o laudo do incêndio como causado após um curto-circuito...
- Era irmão do tal médico legista! - Daryl interrompe Vinne e completa a frase.
- Isso mesmo! Já sabia disso?
- Não até ontem!
- Como assim?
- Isso não importa! Mas me diga,  que pretende fazer?
- O que eu já te disse! Irei té o fim para descobrir toda a verdade envolvendo a morte do meu Irmão!
- Certo! O primeiro passo seria apertar o médico legista!
- Eu pensei nisso, mas ele se mudou para o Brasil! Não faço a menor ideia para qual cidade ele possa ter ido. E o Brasil é um país gigante! Seria como procurar agulha em palheiro!
- De onde conseguiu a informação da mudança dele para o Brasil talvez consiga também saber qual a localização dele lá.
- Não, a pessoa só sabe que ele foi para São Paulo! Hoje ele poderia estar em qualquer outro lugar, quem sabe em outra região ou até mesmo em outro país da América do Sul.
- E se chegar a descobrir a verdade, o que fará? Acha que vale a pena arriscar sua vida por algo que não o trará de volta?
- Eu o amava!
- Sem o médico legista para você apertá-lo, como acha que poderia chegar a essas respostas?
- Poderia chegar através de um certo Doutor Antony Seiks!


CONTINUA...


segunda-feira, 7 de setembro de 2015

SERENITY

PARTE 32 - ENTENDENDO SERENITY
Por Jair Nepomuceno

Quando algumas informações chegam outras podem surgir pela mesma vertente, cabe ao receptor entender e fazer bom uso daquilo que se tem, mas se deve ter cautela com aquilo que se adquire.

Malcon sempre fora um investigador do tipo persistente e como já vimos antes, as vezes o bom senso e a coerência não se fazem uso por ele, muito pelo contrário, por diversas vezes utilizou de métodos pouco ortodoxos, mas com o cuidado de não sair em definitivo da esfera da lei.
Ao perguntar a respeito da suposta criança que havia visto no terraço do hospital o policial fez Daryl mudar o semblante, ele que já havia se surpreendido com as outras colocações do Investigador não conseguiu esconder a sua surpresa a respeito daquela indagação, mesmo porque, Malcon já havia mudado a linha de raciocínio naquele papo informal, começou falando sobre Antony e depois mudou repentinamente o percurso da conversa, talvez fosse uma tática daquele homem, pensou Daryl, quem sabe fosse uma linha só dele de investigação.
- Criança, o senhor disse? - Indagou o psicólogo. - Não há crianças em Serenity!
- Não, não há! - Confirmou o Delegado. - Mas já tivemos uma que morreu lá em um incêndio que na minha opinião foi criminoso.
- Criminoso? Mas o laudo deu como causado por um curto circuito!
- Sim, mas conversei com muitos bombeiros a respeito de como o fogo se propagou e a maneira que ele supostamente havia começado, e não para a minha surpresa, eles afirmaram que para o incêndio tomar aquelas proporções deveria ter sido iniciado com algum tipo de combustível, como gasolina ou querosene, por exemplo.
- Mas isso é só suposição sua!
- Isso é investigação, rapaz, não confunda as coisas!
- Então por que não interroga o responsável pelo laudo?
- Você está querendo ensinar padre a rezar missa? Foi a primeira coisa que fui fazer, mas olhe só, o responsável por aquele laudo faleceu cerca de oito meses atrás!
- Sério?
- Seríssimo! Teve um ataque cardíaco fulminante! E advinha, ele era primo de uma figuraça ilustre aqui de Saint Sofhie!
- De qual figura ilustre?
- Pasme, mas ele era parente do seu Diretor e olhe só que coincidência, Antony já era o Gestor daquele hospital quando ocorreu o incêndio!
- O senhor ta insinuando que o Doutor Antony teve algo a ver com aquele incêndio?
- Não digo do incêndio, mas haveria interesse dele em encobrir a verdade!
- Que tipo de interesse seria?
- Porra cara, você não é nem um pouco inteligente! Pensa por um segundo e tente responder a merda dessa tua pergunta!
- Eu não tenho o dom de investigação, Malcon, como eu poderia supor algo assim?
O Delegado respira fundo, por alguns segundos da as costas a Daryl, se vira novamente para o psicólogo com as mãos na cintura e continua a sua fala.
- Serenity recebe pacientes não só desta região, vem gente de outras jurisdição porque aquele hospital é reconhecido nacionalmente e até internacionalmente por conta dos métodos que se aplica lá para tratar os malucos! Serenity não se mantém somente com a verba liberada pelo estado, se mantém com verbas particulares, muitos pacientes lá é a família quem paga o internato deles e não é barato. A notícia de que lá houve um incêndio criminoso que vitimou algumas pessoas e, entre essas pessoas se fez vítima uma criança, poderia fazer com que aquela porra de hospital perdesse a referência e isso iria refletir diretamente na instituição! Agora para e pensa! Você como gestor não iria tomar medidas, sejam elas quais forem para manter a fachada da instituição imaculada?
Daryl morde o próprio lábio, balança a cabeça negativamente e diz:
- Isso é muito louco! Só em pensar em algo assim me deixa com uma má sensação!
- Coisas estranhas ocorrem lá naquela pocilga, nem sei como aquilo continua aberto! E eu sei que você tem respostas, sei que vir aqui falar contigo seria algo inusitado mas necessário. Se você vai ser sincero nas respostas eu não posso garantir, o que posso dizer é que o fato de eu estar aqui conversando com você não significa que eu deixei de vê-lo como suspeito!
- Que respostas o senhor quer de mim?
- Quem é aquela criança? 
- O senhor me disse que uma criança faleceu no incêndio! Quer que eu afirme que é a mesma?
- Pesquisei a respeito da criança que morreu lá, tudo que descobri era que se tratava de um filho de funcionário! Agora, as pessoas com quem conversei, lá de dentro de Serenity, não souberam ou não quiseram me responder a essa pergunta!
- O senhor acredita em fantasmas?
- Eu acredito naquilo que meus olhos me mostram, rapaz! Eu sei que você sabe o que isso significa!
- Seu nome é Leonard! - Respondeu Daryl pausadamente. - Ele morreu queimado naquele incêndio, era supostamente filho de uma funcionária da época, ou de alguém que ainda trabalha lá, não da pra saber ao certo, porque isso é outro segredinho mantido a sete chaves por todos lá em Serenity.
- Você já o viu?
- Não, mas muita gente afirma que já o viu andando pelos corredores do hospital, que ele tem olhos esbranquiçados, rosto deformado como se tivesse acabado de ser queimado, ha quem diga inclusive, que da pra sentir o cheiro de carne queimada quando ele aparece!
- Morreram quatro pessoas, por que só o espírito de uma aparece?
- Não sei! Não sou espírita, não entendo porra nenhuma desses assuntos, mas já ouvi relatos que um outro fantasma não identificado aparece, não na mesma proporção do pequeno Leonard, é como uma figura negra, um espectro com silhueta confusa!
- Antony já comentou com você a respeito desses, digamos, fantasmas?
- Ele diz que é mentira! Que isso é apenas efeito causado por uso continuo de neurolépticos!
- Que porra é neurolépticos?
- Medicamento, Malcon,  também conhecido por antipsicóticos!
- Entendo.
- Ele diz não crer na existência de fenômenos paranormais! 
- E você?
- Isso é relevante, Delegado?
- Na verdade não tanto.
- Próxima pergunta!
- Mellissa recebeu uma espada na véspera do assassinato do seu desafeto.
- Não sabia!
- O que me diz dela?
- Ela é uma pobre coitada, uma criatura sem brio, sem personalidade, uma inútil do tipo que pena é a unica coisa que um ser humano normal poderia sentir pela simples existência patética dela no mundo.!
O Delegado arregala os olhos, tantos adjetivos usados contra uma pessoa, mas todos pejorativos, ele tentou entender a razão do psicólogo usar tais palavras tão depreciativas a fim de molda, segundo a sua visão, a personalidade de Mellissa.
- Por que acha tudo isso dela?
- Porque o marido dela, aquele covarde safado, bate nela! Já tentaram ajuda-la em relação a isso, mas ela parece que gosta de apanhar! Ela já discutiu e já fez Antony demitir uma pessoa por conta dessa realidade. Então, na minha modesta opinião é uma pessoa patética! Eu não movo um dedo para ajuda-la, por mim ela pode chegar em Serenity usando dentadura ou aleijada, vai receber ajuda de outros, de minha parte só encontrará o desprezo!
- Eu tive o desprazer de conhecer o sujeito!
- Essa espada pode ter sido comprada por ela para dar a ele! Parece que o escroto coleciona armas!
- Eu a interroguei e ela afirmou isso!
- E é verdade!
- Só que a suposta espada pode ter sido usada para matar Kelvin, olhe só, a arma sumiu do armário dela um dia antes do assassinato, até agora não apareceu!
- Ah tah! - Gargalhou Daryl. - O senhor acha mesmo que aquela infeliz teria coragem de matar um brutamontes como Kelvin, mesmo pelas costas? Eu sinceramente acho isso muito surreal! Improvável.
- O marido dela poderia fazê-lo facilmente não poderia?
- Sim, mas ele nem trabalha em Serenity, e outra coisa, o que o motivaria a matar Kelvin?
- Ciúmes, talvez!
- É serio que o senhor imagine essa possibilidade?
- Não posso descartar nada ainda. Aliás, não posso descartar nem a possibilidade do seu amigo Vinne ter alguma coisa a ver com esses assassinatos!
Daryl sorrir mais uma vez.
- O senhor só pode estar de brincadeira! Vinne nem estava aqui quando Poll foi morto, e segundo o senhor mesmo noticiou, os dois assassinatos tem ligações.
- Ele poderia ter vindo sem que ninguém soubesse um dia antes e feito o serviço!
- Sem ninguém tê-lo visto?
- As câmeras de segurança da entrada de Serenity e do Jardim não estão funcionando desde antes da morte de Poll. Qualquer um poderia entrar sem ser notado, feito a porra toda, depois saído sem ser incomodado. Por essa razão, Antony também é suspeito, não só ele e Vinne, mas todos que não estavam no hospital nas duas noites que ocorreram os assassinatos!
- O que motivaria Vinne a cometer esses crimes?
- É isso que quero descobrir, mas vou descobrir! - O Delegado se levanta decidido em ir embora. - Não vou mais tomar o seu tempo, já consegui algumas informações que queria, só posso agradecê-lo!
Daryl se levanta, aperta  a mão de Malcon para se despedir ainda pensando do que ele havia acabado de dizer, "já consegui algumas informações que queria", o que aquilo queria dizer? Perguntou pra si mesmo o agora preocupado psicólogo.
- Volte sempre que quiser!
- Voltarei! - Disse Malcon já saindo pelo portão, mas antes de partir, completa a fala. - E conversaremos um pouco mais a respeito de Green Lake e Leonora!


CONTINUA...