Hanna Fisio

sábado, 29 de abril de 2017

ENTRE O DESTINO E O AMOR
PARTE 8 - VERDADES OCULTAS

    Se existia uma coisa que Philip não escondia de ninguém era a sua farta curiosidade, seu desejo de saber, de entender o que se passa ao seu redor era notório, quem sabe por essa razão tenha se tornado um excelente gestor.
    O empresário e Anny estavam no restaurante bar do hotel, o Philip gentilmente pediu ao garçom dois capuccinos, assim que receberam o pedido, o jovem a olhou nos olhos e a sua curiosidade lhe induziu a pergunta.
- Então... Eu só peço que você não se demore muito, preciso ir à empresa, haverá um evento de extrema importância que ocorrerá em três dias, preciso correr.
- Não tomarei muito os eu tempo, eu prometo. - Disse Adrianny.
- Certo. No que posso ajuda-la, senhorita?
- Eu tenho escutado, e não é de hoje, muito sobre como você é! Tenho ouvido falar na sua boa índole como patrão, como gestor e como pessoa, por essa razão criei coragem de vir aqui falar com você.
    Philip estava confuso, todos aqueles elogios com certeza era um preparatório para o que viria depois, imaginou que ela fosse pedir ajuda para tratar o irmão, ou quem sabe pedir um emprego, mas não quis em momento algum se precipitar.
- Agradeço muito os elogios, mas não faço ideia onde a senhorita esteja querendo chegar, portanto, gostaria que fosse objetiva.
- Você sabe tudo que aconteceu? - Perguntou Anny.
- Tudo que aconteceu em relação ao quê?
- Ao acidente que vitimou não só Catherine, mas o meu irmão e a melhor amiga dela!
- Sim. A família dela me contou, mas eu soube até antes, porque o meu primo, Jason já havia me contado a respeito desse acidente.
- Então você sabe de tudo e mesmo assim acha normal?
    Philip da uma gole no capuccino quente, coloca a caneca sobre a mesa lentamente e pergunta:
- Não estou entendendo essa sua pergunta! Acidentes ocorrem todos os dias, normal dentro de algo corriqueiro, nunca falei a respeito disto com ninguém, nem mesmo com Kate, mas infelizmente um acidente como o que aconteceu é muito normal sim, além do mais, parece que o motorista causador foi preso e condenado.
- Não estou me referindo ao acidente.
- Não? Então ao que se refere?
- Você sabia que ela era noiva do meu irmão e que iriam se casar?
- Onde você está querendo chegar com essa conversa, moça? Se tem algo relevante a me dizer, então em diga, caso contrário, deixe-me ir, tenho muito o que fazer! - Disse Philip irritado já se levantando da mesa.
- Por favor, só me responda se você sabia da existência do meu irmão na vida da sua noiva!
- Por que acha isso relevante?
- Porque é uma questão de ética!
- Você ficou louca? Ética não tem nada a ver nessa história! Ele sofreu um acidente e entrou em coma profundo, a Kate seguiu a sua vida! O que você está tentando provar aqui?
- Estou tentando alertar você sobre algo a reaspeito da familia dela, mas vejo que não estamos em sintonia, de qualquer forma, agradeço a sua atenção. - Anny se levanta da mesa a exemplo do rapaz, pega a sua bolsa e a coloca no ombro, quando estava decidida a ir, a tal curiosidade de Philip a conteve.
- Espere um pouco! 
- Esperar para que? Você me chamou de louca!
- Você que veio até mim, senhorita! Me interpelou, se julga que a ética de que falou é importante, então tente se explicar. Você me deve isso.
- Evans e Kate se casariam em breve, você soube disso?
- O que eu soube foi que a Kate estava noiva com outra pessoa, que haviam marcado data do casamento, mas dias antes do acidente, Catherine resolveu terminar tudo, não sentia amor suficiente para casar com ele. A familia Moore me contou que na noite do acidente, eles estavam saindo de um Buffer, foram lá cancelar a reserva e receber o dinheiro de volta. Kate estava decidida a seguir em frente, terminar a faculdade. Quando ela acordou sem memória, o pai dela a levou aos melhores neurologistas, a alguns especialistas, e todos foram unânimes em orientar que todos deveriam ocultar dela que um dia foi noiva, pois isso só iria complicar ainda mais o quadro atual. Por essa razão, a kate não sabe quem é o seu irmão e nem que ele está em coma. Depois da orientação, ela passou a ter aulas particulares em casa para evitar que algum amigo da escola perguntasse algo a respeito do noivado ou do seu irmão.
    Anny começou a chorar, Philip ofereceu a ela um lenço e pediu que a jovem ficasse tranquila, mas ele nem imaginava o que viria depois.
- É tudo mentira!
- O que é mentira?
- Catherine e o meu irmão nunca terminaram o noivado, se amavam,  na noite do acidente eles saiam do Buffer New Dreams, foram lá para ajustar os últimos preparativos para o casório, estavam felizes e ansiosos. Eu sei disso porque também estava lá, mas sai uma hora antes porque tinha prova final na faculdade, por pouco não me tornei mais uma vítima. Lá em casa tem ainda os convites da festa, o banner que seria utilizado e até algumas fotos que passariam no telão. Não precisa acreditar em mim, basta que você vá ao Buffer e investigue, inclusive, os donos ainda são os mesmos.
   Philip estava atônito ouvindo tudo que ela dizia, ele de fato não sabia que o termino do noivado havia sido uma mentira desnecessária por parte da família de sua noiva.
- Então não houve fim do relacionamento antes do acidente?
- Não, não houve. 
- Seu irmão está em coma e ela nunca soube disso porque foi blindada pela familia, é isso mesmo?
- O que te disseram a espeito do meu irmão?
- Algo do tipo... Sei lá, penso ter ouvido o senhor George dizer que ele se encontrava em estado vegetativo, e que o traumatismo dele foi tão grave, que se ele retornasse do coma, viveria não só desmemoriado como também demente. Sinceramente não me aprofundei nesse assunto, não haveria razão para que eu o fizesse.
- O meu irmão não está em coma e não há nenhuma sequela!
    Philip gelou, ficou por alguns segundos sem palavras, sentou-se novamente e Anny fez o mesmo, em seguida voltou a fala, mesmo que ainda extremamente surpreso.
- Ele acordou do coma? Quando?
- Ha alguns dias! 
- A familia da Kate soube que ele retornou do coma?
- Não só soube, como o Senhor George e aquele desgraçado do Gregory foram lá em casa intimida-lo. 
- Ele está aqui em Bonnick?
- Sim!
- Eles foram a sua casa intimidar o seu irmão recém saído de um coma?
- Foram! O proibiram de ir até onde Kate estava sob ameaças. Ficou sabendo de algum rapaz que foi espancado covardemente pelo Greg em frente a Floricultura?
- Não credito! - Philip se levantou com os olhos arregalados. - A Kate me contou que o Greg havia espancado alguém, que a senhora Elizabeth interviu para que o Greg não o espancasse mais!
- Agora você imagina. Tente se colocar no lugar do meu irmão! Ele acordou de um coma de pouco mais de três anos, para ele, era como se o acidente tivesse acontecido na noite anterior. Ao acordar descobrir que a pessoa que ama, que iria se casar, estava sem memória e ainda por cima noiva com outra pessoa! Você consegue imaginar o tamanho da sua dor?
- Deve ter sido terrível!
- Foi sim!
    Philip coça o queixo, olha para Anny e continua.
- Ele esteve com Kate na floricultura, mas em nenhum momento se apresentou como noivo, não falou nada a respeito! Se tivesse falado eu saberia, porque no mesmo dia estive com ela!
- Para você ver o quão nobre ele é!
- Concordo!
- Eu precisava te contar isso!
- O que  você espera que eu faça?
- Não sei, não vim aqui para sugerir nada. Só sei que a verdade tem que prevalecer, me calei todo esse tempo porque sinceramente eu não nutria esperança que Evans acordasse do coma, mas depois da agressão que ele e eu sofremos, ele fisicamente e eu moralmente, decidi vir aqui te contar, isso para você ter uma ideia do tipo de  gente que você fará parte da família. Outra coisa, o seu primo também sabia de toda a história, inclusive estava junto com Greg quando o acidente aconteceu, eles chegaram no local antes mesmo dos paramédicos e levaram kate ao hospital deixando o meu irmão à própria sorte.
    Philip ajudou-a a se levantar da cadeira de forma gentil, segurou as suas mãos e a agradeceu, disse que precisava pensar, raciocinar a respeito de tudo que havia acabado de descobrir, perguntou a Anny se estava precisando de alguma coisa, na negativa da bonita moça, deu-lhe um cartão de visitas e despediu-se, entrou em seu carro e saiu de lá, as próximas horas seriam de fato perturbadoras para ele.

CONTINUA...



segunda-feira, 24 de abril de 2017

ENTRE O DESTINO E O AMOR
PARTE 7 - EM BUSCA DA CAUSA


    Quando o coração despedaça o normal é tentar encontrar a razão, buscar o erro do percurso, identificar a raiz do problema, e isso era exatamente o que Evans estava tentando fazer, mas nem ele sabia se isto seria realmente o certo a cumprir, mas o seu coração chorava e a dor não era simplesmente as circunstância do momento. 
    O homem abriu a porta e no silêncio do visitante, teve ele, a atitude de dialogar.
- Quem é você e o que quer aqui?
- Sou assistente social! - Mentiu Evans.
- Onde está Josefine?
- Eu fui designado pela tribunal para vir entrevistar você!
- Sei. - Disse o homem barrigudo desconfiado. - E porque a Josefine não veio? Não é ela que me acompanha desde a condicional?
- Só sei que fui designado pelo tribunal, Josefine não tem só você para acompanhar.
- Faz um bom tempo que não recebo visita de ninguém do programa de assistência social!
- Agora está recebendo! - Evans ajeitou os óculos sem grau que usava, além disso ainda havia uma barba postiça. - Podemos conversar?
    O homem abriu a porta de vez, mesmo que a contragosto, permitiu que o visitante entrasse e o seguisse até os fundos da casa desarrumada.
- Não preste atenção na bagunça, ando indisposto ultimamente!
- Não se preocupe com isso! - respondeu Evans enquanto observava uma casa mal cheirosa, pilha de pratos por lavar sobre a mesa da sala, muita sujeira acumulada, o próprio Tony não cheirava bem.
- Podemos conversar aqui nos fundos nessa varanda. - Falou o homem. - É mais fresco!
    Na varanda havia uma mesa surrada de madeira, três bancos também do mesmo material, o quintal não era muito diferente do resto da casa, vários entulhos espalhados pelo jardim, parecia até que se tratava de um ferro velho, havia um pouco de muita coisa, todas sucateadas.
- O senhor está morando sozinho?
- Que tipo de pergunta é essa, moço? - O homem se irrita. - Quanto tempo que estou nessa situação e você vem me perguntar isso?
- Eu não tive acesso aos relatórios de Josefine!
    Tony sorriu, pegou uma garrafa de vodca que estava pela metade que se encontrava debaixo da mesa, deu uma golada e após fazer cara feia, virou-se para Evans e disse.
- Você não teve acesso aos relatórios de Josefine porque não é assistente social! Percebi logo na primeira frase. Sou meio idiota, mas nem tanto. Então, a menos que queira que eu te chute o teu traseiro daqui é melhor me dizer logo quem você é de fato.
    Evans foi pego de surpresa, não queria que Simon soubesse quem ele era, afinal estava ali com um objetivo, não queria sair de lá com as mãos abanando, foi rápido em inventar uma desculpa que o tirasse do foco.
- Ok. Você está certo! Não sou assistente social, sou um jornalista que escreve para uma revista de tema policial. Já entrevistei várias pessoas. Já era para eu ter vindo falar com você ha muito tempo, mas devido as viagens não houve oportunidade.
- Logo vi que era um abutre. Pensei que eu tivesse me livrado de gente de sua laia, porque foi duro ter que encarar vocês ha três anos. Odeio gente como você, rapaz!
- Não vim aqui para te julgar nem fazer sensacionalismo!
- Não é sensacionalismo? Então me diga o que é!
- Eu posso mudar o nome real se isso ameniza a situação!
    Tony Simon não havia digerido a fala do visitante, mas ficou curioso.
- Mudar o meu nome? - Sorriu e deu outro gole na vodca. - To achando que você  nem jornalista é, cara! Mas vamos ver onde esse jogo vai dar. O que você quer realmente saber?
    Evans mais uma vez foi surpreendido, tentou manter a postura.
- O que me interessa de verdade é saber das circunstancias que te levaram a causar o acidente daquela noite!
- Por quê?
- Porque eu vi que muita gente sofreu com aquilo. Uma pessoa morreu, e me sinto na obrigação de uma promessa feita a um amigo, que um dia viria aqui para falar com você a respeito do evento.
- Você é parente da moça que morreu?
- Sou amigo da família dela!
- A família dela foi embora de Bonnick, assim que o juiz me condenou! Por que remoer isso agora?
- Porque só agora tive coragem de vir aqui!
- Não sei se quero falar com você a respeito do que aconteceu! Eu paguei pelo meu erro, não tive direito de me arrepender de algo, até isso foi tirado de mim! Mas eu não culpo ninguém por meu sofrimento, acredito que tudo que acontece em nossas vidas se resume a escolhas e atitudes!
- Você havia bebido naquela noite! A punição foi então na sua opinião justa?
- Você acha que foi?
- Não. Não acho! - Tony ficou boquiaberto, mas logo deu outro gole na vodca e em silêncio esperou para escutar o completo do que o rapaz começara a dizer. - Sabe porque eu não acho? Porque você não matou uma pessoa, o crime não se resume a isso. Você destruiu a vida de outras duas, uma dessas talvez a morte fosse até melhor. Você sabe do pós acidente, o que aconteceu na vida dessas pessoas que sobreviveram? Tem noção do tamanho do estrago que a sua irresponsabilidade causou?
    Tony se levanta rapidamente de forma ameaçadora, Evans esperou a agressão em seguida, mas para a sua surpresa, o anfitrião arremessou a garrafa contra  o muro, depois bateu na mesa de madeira com os dois punhos fechados, o impacto foi tão forte que por um momento parecia que a mesa se partiria em duas. Simon baixou a cabeça por algusn segundos, quando levantou e ficou ereto, Evans pôde notar seus olhos marejados.
- Você tem razão em tudo, garoto! Aquela noite foi a pior da minha vida, fui abandonado por minha esposa, ela sumiu no mundo levando consigo a coisa que eu mais amava, a minha filha! De lá para cá nunca mais soube notícias das duas, não sei se estão vivas ou mortas! Tive que responder pelo acidente, tudo aconteceu tão inesperadamente que não houve tempo para buscar noticias dela. Quando cheguei em casa, ela não estava mais. Eu sabia que era o fim, bebi muito aquele dia. Ai recebi uma ligação dizendo que Judith estava na estação juntamente com Mariah, eu fiquei cego, peguei o caminhão e fui o mais rápido que podia, quando cheguei na curva perdi o controle e avancei a outra faixa, o carro com sua amiga vinha na minha direção, tentei desviar, mas a velocidade e o álcool não me deram o reflexo suficiente. - Tony deixa algumas lágrimas escorrerem por sua face. - Naquele dia eu morri por dentro, o velho Tony Simon não existe desde então, o que restou dele foi essa figura patética e fracassada que você está vendo agora! Sou tão fracassado que nem suicídio eu consegui cometer, por três vezes tentei e por três vezes falhei! Duas por desistência, pura covardia que segurou o meu dedo no gatilho da minha Tauros, a terceira vez por não tomar remédio suficiente para que uma overdose me matasse. - O homem fez uma pausa, depois continuou. - Você me perguntou se eu tinha a noção do que a minha irresponsabilidade havia causado! Sim, eu tenho, tive que conviver com essa culpa por três anos! Até hoje não consegui exorcizar meus demônios! Eu só queria voltar aquele dia, fazer tudo diferente, poder abraçar e beijar a minha pequena Mariah, mas a minha maior vontade seria pedir perdão para a família da sua amiga, para a família da menina que sobreviveu e perdeu a memória e para o rapaz que até hoje está em coma, e talvez nunca retorne. Sim, eu faria  isso de coração, sem esperar o perdão por parte deles, eu entenderia o desprezo que eles me dessem, porque  até o desprezo deles é melhor que sobreviver da forma que tenho vivido.
    Evans se levanta, retira os óculos e a barba postiça, em seguida toca o ombro de Tony, uma lágrima escorre pelo seu rosto.
- Eu te perdoo! 
    Simon olha nos olhos de Evans e o reconhece, a unica coisa que conseguiu dizer antes de cair em choro profundo foi:
- Oh meu Deus!
    Evans o abraça, aquilo era a redenção para aquele homem torturado por um passado e sem perspectiva para o futuro, pelo menos não até aquele momento.
- Eu estou vivo e bem! Vim aqui para confrontar você e acabei descobrindo que só hoje, consegui retornar do coma completamente! Você é um bom sujeito, Tony! Desejo que você possa descobri um meio de reencontrar a sua filhinha.
    Evans se levanta deixando Tony chorando cabisbaixo, mas aquele choro era de alívio, enquanto chorava copiosamente Simon murmurava baixinho. - Obrigado, Deus! Obrigado! - O visitante vai embora, mas sem antes deixar sobre a mesa trezentos dólares e um bilhete com o numero de seu telefone, no bilhete havia escrito também " Obrigado por me dar um choque de humanismo, no fim, a busca da causa acabou sendo uma busca interna, Deus te abençoe".
   Equanto Evans e Tony Simon exorcizavam seus demônios internos, uma pessoa aguardava ansiosamente do lado de fora do hotel Gold Place, a saída de Philip Menson, ele estava ali se despedindo de dois fornecedores, quando se dirigiu até o seu veículo acompanhando por um segurança do Hotel, a pessoa se aproximou.
- Philip! - Disse.
- Pois não! - Respondeu prontamente o rapaz enquanto abria a porta do carro.
- Você teria um minuto?
    Ele imaginou que fosse algum funcionário, com educação falou.
- Sinto muito! Estou um pouco apressado! Por favor, marque um horário com a minha secretária, basta telefonar.
- Meu nome é Adrianny Dowson, sou irmã de Evans Dowson, o ex-noivo de Catherine!


CONTINUA...

    




sábado, 15 de abril de 2017

ENTRE O DESTINO E O AMOR
PARTE 6 - SEGUIR EM FRENTE

    Depois de um episódio traumático é natural que as idéias mudem, é compreensível que surjam novos planos e opiniões, para Evans, a sua vida estava lhe tornando mutante, a pior dor nem sempre é vem de forma física, mesmo após agressões como foi submetido pelo irmão de sua ex-noiva.
    Ele estrava sentado na varanda quando Adrianny e Fredie chegaram, no primeiro momento percebeu que a sua irmã demonstrava  muita irritação, os olhos vermelhos anunciavam que pouco antes ela havia chorado, o amigo sentou aos eu lado e Anny entrou direto, foi buscar algo para beberem.
- Aconteceu alguma coisa? - Indagou Evans.
- Ela topou com o estrume falante!
- Quem?
- Quem mais, cara?
    Evans respirou fundo, seu lado esquerdo do rosto apresentava um hematoma causado pelo soco desferido pelo agressor.
- Ela topou, ou foi atrás dele?
- Cara, ai é com ela. Vocês deveriam conversar, se eu não chego na hora era capaz daquele covarde tê-la agredido. Eu a impedi de ir pra cima dele com um pedaço de pau!
   O outro coloca as duas mãos na cabeça, e na sua mente vem uma frase " - Meu Deus!" A valente menina retorna com uma jarra de suco de limão com dois copos, se senta junto com os dois.
- Por que você fez isso, Anny?
- Não quero falar sobre isso, o que está feito, está feito!
- Aquele cara é perigoso! - Disse Evan.
- Eu sei. - Falou imediatamente a irmã enquanto enchia o copo com suco e entregava a Fredie. - E é por saber disso que eu sinceramente acho que aquela família não te merece!
- Eu a perdi!
- Ela que perdeu você! - Enfatizou Anny.
- Quando fiquei cara a cara com ela percebi que a havia perdido para sempre!
- Como assim, amigo? - Perguntou fredie.
- Eu vi os olhos dela, aquela paixão, aquela luz, o brilho mudou! - Evans se emociona. - Ela não sente  rigorosamente mais nada por mim!
- Ela nãos ente porque nãos e lembra!
- Não, Anny! Você não entende. Quando eu a conheci o olhar dela foi diferente e a gente nunca havia se visto antes.
    Adrianny toca os eu rosto e tenta contornar.
- Mas é diferente. Na época que você a conheceu era outra circunstância, ela não estava comprometida com outra pessoa. - Anny o abraça, Fredie toma a fala.
- Cara, eu acho que a vida te deu outra oportunidade, por mais doloroso que possa parecer é uma outra oportunidade. Veja só o exemplo que você teria como cunhado e sogro, duas desgraças ambulantes. E nem adianta dizer que iria se casar com kate e não com eles, essa parada de dizer isso seria tentar tapar o sol com peneira, minha mãe sempre me disse que quem casa, casa com a família toda. Meu irmãozinho, o download vem completo!
- Fredie tem razão! Quem sabe tenha sido essa o propósito do acidente, te dar uma nova perspectiva de vida, de constituir uma família!
    Evans levanta a cabeça do colo da irmã e olhando nos olhos dela pergunta:
- Você acredita mesmo nisso? - Ela acena que sim e ele continua. - Para Deus me mostrar isso precisou causar um acidente e envolver quatro pessoas, inclusive tirando a vida de uma delas? para com isso! Não acredito em destino traçado se esse não for por você mesmo! O que aconteceu foi um acidente, o que veio depois foram consequências dele, qualquer outra coisa que possa parecer estranha ou resposta para algo será pura coincidência!
- E o que você pretende fazer? - Indagou Fredie.
- Eu pensei muito e acho que preciso ainda colocar as ideias no lugar, não decidi nada  a respeito do que fazer, não posso simplesmente jogar uma história no lixo.
- Eu respeito isso, mas só te peço que você fique longe da Kate. - Disse o amigo.
- Não sei se será possível, eu amo demais aquela mulher!
- Use a razão, por favor use a sua inteligência, meu irmão! - Disse Anny. - Eu sinceramente odeio aquela família, vou dormir. Boa noite para vocês!
   Adrianny vai par ao seu quarto, toma um banho demorado e enquanto isso martela dentro da cabeça uma decisão, não estava disposta a ficar calada, a fica sem ação, afinal, as agressões verbais de Greg precisava de uma resposta. Ao menina de olhos castanhos já havia decidido o que fazer, talvez não no dia seguinte, mas o troco viria muito, muito breve.
    O dia amanheceu, quando Evans acordou já estava sozinho em casa, pesquisou na internet sobre o acidente, Fredie estava de viagem para Treton, iria passar dois dias por lá, na noite anterior chegou a  convidar o amigo para ir junto, seria uma forma de fugir um pouco daquele clima, mas Evans recusou o convite. Quando alguém bateu á porta imaginou que fosse ele, já que Fredie havia dito que passaria pela manha em sua casa antes de pegar a estrada, a sua surpresa ao recepcionar o visitante foi imensa, já que não o seu amigo e sim Elizabeth Moore.
- Bom dia! - Disse a elegante senhora. - Posso entrar?
    Evans ainda estava surpreso, mas retornou do estado de " paralisia".
- Me desculpe senhora Moore, claro sim! Por favor, entre!
- Obrigada!
- A senhora desculpe o mal jeito, acabei de acordar! Aceita alguma coisa? Um café, ou algo assim?
- Não se preocupe com nada, estou bem!
- Por favor, fique à vontade!
    Elizabeth estava notoriamente desconcertada, mesmo assim tentou relaxar, sentou-se em uma poltrona de frente ao sofá em que ele estava se acomodando.
- Como você está?
- Se a senhora está referindo-se ao ocorrido de ontem, estou com o corpo bem dolorido!
- Meu Deus! - Ela chorou, Evans tocou-lhe a mão.
- Por favor, senhora Elizabeth, não fique assim! Sou grato pelo que a senhora fez!
- Ele agiu como um animal! Juro que nunca imaginei que um dia iria ter o desprazer de assistir uma uma cena de barbarie vinda do Greg! Eu sei que ele é uma pessoa complicada, de personalidade complicada, mas ainda assim não esperava por uma atitude tão irracional! A gente nunca espera!
- A senhora não tem culpa!
- Tenho. De certa forma, eu tenho! Eu também o criei! Então se ele falha como ser humano, eu falho como mãe!
- Não pense isso! A kate é um exemplo de quão bem educada ela foi! A forma de alguém se tornar uma pessoa como o Greg não quer dizer que seja falha na criação, muitas vezes as pessoas mudam por vários fatores. Má companhia, por exemplo.
- George sempre foi na contramão em relação ao filho, seu jeito machista pode ter interferido sim, no modo como Gregory leva a vida louca hoje.
- Então se existe um culpado, com todo respeito, é o seu marido!
- Mas eu me omiti! Vi as coisas acontecendo e me calei, faltou pulso! A culpa é minha também!
    Evans se levanta do sofá, caminha um pouco para a esquerda de onde ela estava e diz:
- Se há alguma culpa por parte da senhora, eu a perdoo!
    Elizabeth se levanta e o abraça, em seguida continua o diálogo.
- Mas eu não vim aqui só para falar sobre o ocorrido de ontem!
- Eu imaginei que não!
- Além de saber como você estava, o intuito também tem a ver com a minha filha!
- Kate viu tudo, não foi?
- Sim! E logicamente que reprovou. Meu rapaz. - Elizabeth segura as duas mãos de Evans. - Eu sempre gostei muito de você! Eu sempre soube dentro do meu coração que Catherine seria feliz ao seu lado! Sinceramente eu queria muito que as coisas tivesse sido de outra forma, sinto muitíssimo por toda dor que vocês passaram e a que você está passando agora. 
- Eu acredito na senhora!
- Então em respeito a essa crença que tem em mim e em nome do amor que eu sei que sente por Kate, te peço para que você não a procure mais!
    Evans larga as mãos de Elizabeth, seu olhos marejam e entre um sorriso molhado por lágrimas que escorrem por seu rosto branco ele diz:
- A senhora está me pedindo para que eu esqueça o amor da minha vida! Que eu posso simplesmente sair por aquela porta e seguir a vida como se nada tivesse acontecido.
- Não! Não estou pedindo que você esqueça o seu passado, ou algo do tipo. Mas entenda que ela está prestes a se casar! Ela gosta do Philip, ele é um bom rapaz, assim como você!
    Evans balança a cabeça negativamente com mãos na cintura, depois vira-se para Elizabeth.
- Por que vocês não contaram a ela sobre mim? Por quê?
    Elizabeth respirou fundo, seu olhar ficou tristonho, nesse momento alguém toca a campainha, era Fredie, mas nem precisou que Evans abrisse a porta, ele mesmo abriu a porta e entrou, ao perceber a visita, pede desculpas e diz que irá aguardar do lado de fora, mas Elizabeth intervém.
- Não precisa, Fredie! Eu já estava de saída! - A mãe de Catherine aproveita o momento e sai depressa, mas não sem antes se despedir dos dois.
- Bem na hora, heim Fredie!
- O que ela queria?
- Veio conversar sobre algumas coisas!
- Nossa! Que mulher gata! Olhe para a mãe e saberá como a filha ficará na velhice!
- Você é um doente, Fredie! - Fala Evans sorrindo. 
- Ela é linda! Eu acho!
    Os dois interrompem os elogios a Elizabeth Moore e falam sobre a viagem.
- Está indo agora para Treton?
- Esperando a Michelle! Ela resolveu ir junto, vou pega-la em um hora!
    Evans toca o seu ombro, estava pensativo, o amigo percebeu mas nada mencionou a respeito, preferiu aguardar e esperar o próximo ato.
- Fredie, o cara que causou o acidente, o que aconteceu a ele?
- Ele foi condenado há dez anos de prisão, mas como ele permaneceu no local do acidente, chamou a emergência e assumiu o erro por ter bebido, a corte acabou reduzindo pela metade a condenação. Ele ficou preso por dois anos e depois foi concedido o beneficio de trabalho comunitário. O cara era réu primário, cumpriu tudo que foi exigido.
- E onde ele está hoje?
- Em casa, eu acho. Ouvi dizer que ele trabalha pitando muros e coisas do tipo, quem o conheceu antes, disse que ele está acabado. Ninguém o tem visto andando por ai.
- Sei.
- Por quê?
- Só curiosidade.
- Não está pensando besteira né?
- Claro que não! E qual o nome dele?
- Tony Simon! Esse Tony, vem de Antony, eu acho.
- Ele tira uma vida e acaba com outras duas e a justiça o perdoa.
- Ele não foi perdoado, Evans, ele cumpriu segundo o que a justiça entendeu que era a sentença certa, o cara não teve vida boa.
- Acho que você tem razão!
- Não quer mesmo viajar comigo? Há duas vagas no carro, só irão Michelle e Caleno comigo.
- Não, obrigado! Um cara baixo astral tem mais é que ficar em casa. Além do mais preciso completar a fisioterapia.
- Se precisar de algo me telefona, cabeçudo!
- Pode deixar!
   Fredie se despede pouco depois e vai embora, Evans tem outros planos, o táxi chega e ele vai ao destino, precisava ir á empresa, precisava assinar uns papeis, mas no meio do caminho faz uma parada, estava disposto a confrontar o seu passado, ainda magoado por ter quem sabe, perdido o seu grande amor, a vida que levaria dali em diante dependeria em parte de algumas coisas, entre elas o que julgava está fazendo.
    Bateu à porta, repetiu algumas vezes até que alguém o atendesse, era um homem de aproximadamente cinquenta anos, barba por fazer, barriga avantajada.
- Pois não?
- Por favor. - Disse Evans. - Gostaria de saber se Tony Simon está!
- Sou eu!



CONTINUA...
   








quarta-feira, 12 de abril de 2017

ENTRE O DESTINO E O AMOR
FARPAS - PARTE 5

    Elizabeth telefona para o marido e ele chegou em casa o mais rápido que pôde, encontrou-a ainda nervosa, sentada no sofá marrom da vasta sala de visitas, ele foi até ela, percebeu que a esposa estava preocupada e inquieta.
- Eu estava com o veterinário lá no aras cuidando de um cavalo doente. E esse cavalo doente irá correr em trinta dias, portanto, espero que seja algo muito importante que você não poderia adiantar por telefone!
- O Evans foi até a floricultura!
- Como é que é? - George encheu-se se raiva instantaneamente.
- Ele esteve lá!
    O nervoso homem segura a esposa pelos ombros e a levanta do sofá.
- Ele falou com a Kate?
- Sim, mas não mencionou nada a respeito do acidente ou qualquer coisa que você sabe qual é.
- Desgraçado! - George solta os ombros da mulher e nervoso fica andando de "lá para cá" na sala. - Ele vai se entender comigo!
- George! - Aumenta o tom da voz. - O Evans foi agredido de forma selvagem por nosso filho!
    O homem para de repente, chega perto da esposa e a olha nos olhos com uma expressão que unia surpresa e alívio ao mesmo tempo.
- Você está dizendo que o Greg bateu nele, literalmente?
- Sim!
- Bem feito!
- Como você pode dizer isso?
- Ele foi avisado! Eu fui pessoalmente na casa dele, você sabe. Eu o avisei para ficar longe de Catherine.
- Meu Deus! - A mulher enche os olhos com lágrimas que aos poucos escorriam por sua face. - Você compactua com essa atitude covarde!
- Covarde? - Grita o esposo. - Você está chamando o nosso filho de covarde porque ele estava defendendo os interesses da família? De que lado você está, heim?
- Ele estava magrinho! Não precisava da violência. Ele já estava indo embora quando Greg apareceu e o espancou! Meu Deus! - Beth agora chora copiosamente.
- Ei. - George a abraça. - pare com isso! Não aconteceu nada de mais grave.
- Por favor, me jura que não vai permitir que o Greg faça isso de novo! Evans sempre foi um bom menino!
- Eu irei conversar com o Greg, prometo.
- Quero que você o proíba de fazer aquilo de novo! 
- Acredito que não haverá necessidade de fazê-lo, o Evans já deve ter entendido o recado.
- E se ele for à polícia? - Beth enxuga as lágrimas com as costas da mão. - Ele saiu cambaleando, ele foi agredido!
- Não se preocupe com isso! O delegado que está na cidade é meu amigo particular. Ele está substituindo aquele pulha do Edgard enquanto ele estiver de férias!
    Elizabeth deixa o marido na sala e vai para o quarto, George sorrir sem que a esposa perceba, estava contente pela atitude do filho, ajeita a camisa e sai de casa.
    Oito horas se passaram após o ocorrido, Evans estava em casa sentindo a dor das pancadas, doía muito fisicamente, mas no fundo, a dor psicológica era ainda mais dilacerante,  enquanto isso, Kate se encontrava com Philip, o noivo, ele a aguardava no restaurante Bahamas para jantarem.
- Me perdoe, kate! - Disse o rapaz enquanto puxava a cadeira para que a linda jovem sentasse. - Me desculpe por não ter podido ir busca-la, mas precisei fazer uma reunião com dois fornecedores.
- Não tem problema! - Respondeu Ela. - Sandy me trouxe até aqui.
- Que cara é essa, meu anjo? - Indagou Philip.
- Aconteceu uma coisa bizarra hoje!
- Foi mesmo? O que?
- Greg espancou um rapaz! Se não fosse a minha mãe, só Deus sabe o que teria acontecido! Ela interveio e ele parou de bater no rapaz!
- Nossa! Que coisa terrível! Por que ele fez isso?
- Eu não sei bem! Perguntei a mamãe! Ela só disse que houve um desentendimento entre eles! Greg foi embora e até agora não falei com ele. Liguei para o seu celular, mas ele não atendeu!
- Eu acho que não há justificativa para que uma pessoa espanque a outra! - Disse Philip. - Mas é preciso saber o que motivou o seu irmão a cometer isso!
- Sabe o que é mais bizarro, amor? - Perguntou kate.
- O quê?
- O cara que ele espancou havia entrado na loja, eu o atendi. Não vi nada de errado com ele, até o achei bem educado! Só que o olhar dele parecia, sei lá, que estava me admirando como se eu fosse uma pessoa que ele conhecia!
    Philip coça o queixo, esboça um sorriso e diz:
- Ele deve ter se apaixonado por você à primeira vista! Quem não se apaixonaria? - Sorrindo dar um beijo na noiva.
- Para com isso! O negócio foi muito sério! Coitado do rapaz! Greg parecia um psicopata!
- O seu irmão sempre teve o estopim curto! Eu já disse a ele que é preciso trabalhar esse defeito. Pessoas com estopim curto costumam tomar atitudes levados pela emoção do momento, e pode acabar fazendo uma besteira muito grande!
- Eu concordo! Como hoje, por exemplo, Isso porque você não viu a forma como ele partiu pra cima do cara!
- Tudo bem! - Philip segura as mãos de Kate. - Amanha eu converso com ele lá na minha sala a respeito disto, vou aproveitar que  preciso renovar o patrocínio da equipe dele, vai vencer daqui há dois meses, não quero deixar pra ultima hora! Vamos esquecer essa história da agressão por hoje, tudo bem?
    Kate concorda com um balançar de cabeça, em seguida abre o cardápio para escolher o que  iria pedir, seu noivo faz o mesmo.
    Greg estava no bar que costumava frequentar, sentado no parapeito de madeira ainda se vangloriava com os dois amigos a repeito do que havia feito, nem viu Adrianny se aproximar que aos gritos foi anunciando a sua fúria.
- Seu desgraçado covarde! - Ela arremessa uma lata vazia de cerveja que atinge o ombro de Greg que revida com gritos:
- Está ficando maluca, sua vadia! - Um dos amigos segura o seu ombro, o outro apenas sorrir, era Mike, primo de Philip.
- Covarde! Você agrediu o meu irmão mesmo sabendo do estado de saúde dele! Está achando que isso vai ficar assim?
    Greg desce os degraus de madeira do bar e se aproxima um pouco mais de Adrianny, se os gritos da moça não tivesse chamado a atenção de tanta gente que estava no local, provavelmente ele a teria agredido também.
- O que você pretende fazer, heim? O seu irmão é um escroto e puxa-saco! Ele foi avisado para não se aproximar da floricultura! Foi lá e recebeu o que merecia!
- Eu queria ver essa valentia para enfrentar alguém do seu tamanho, seu merda! - Esbravejou Anny.
- Vai procurar um macho, sua vadia! Ninguém te quer, então se precisar de uma forcinha, meu pai tem um aras e lá tem uns cavalos! - O rapaz gargalha e isso a enfurece, quando Adrianny apanha um pedaço de pau para ir até Greg, uma mão a segura, era Fredie.
- para com isso, Anny! - Disse ele desesperado enquanto tirava a "arma" da mão da moça. - Não vale a pena!
- Ele espancou Evans!
- Eu sei, mas não vale a pena! vamos embora! - Fredie abraça a menina, olha para trás e quando ver o outro gargalhando, não resiste e diz. - a gente só se encosta em um monte de bosta se tiver distraído!
- O que foi que você disse? - Gritou Greg. - Seu musico de quinta categoria! Fodido!
- Posso ser um músico de quinta, mas pelo menos não vivo ás custas de um cunhado rico, eu trabalho! Você sabe o que significa trabalhar, seu ignorante de merda? procure no dicionário!
    Greg corre em direção de Fredie, mas uma voz forte o faz parar.
- Greg! - Gritou George. - Pare isso agora!
- Ele me ofendeu, pai!
- Ele é um pobre coitado! Um fracassado! - Disparou George.
- Fracassado mas nunca tive que responder processo por assédio!
    O pai de Kate se vira rapidamente em direção a Fredie que estava abraçado a Anny, e caminhavam lentamente para longe do lugar, mas George apontou o dedo a Greg fazendo menção que ele ficasse ali parado, em seguida se dirige  até o outro rapaz e pede para que ele espere, mas Fredie não obedece, continua caminhando, o homem então apressa os passos e o alcança.
- Presta muito atenção no que diz, garoto! Não me conhece! 
- O senhor está me ameaçando?
- Não faço ameaças! Mas quando vejo um idiota como você falando merda, a vontade que eu tenho é de quebrar todos os dentes!
- Vejo que violência é de berço na sua familia! - Desta vez foi Adrianny quem falou.
- Eu fui inocentado da acusação de assédio e processei a garota por danos morais, portanto, não fale o que você não sabe.
- Liza nunca respondeu a processo algum vindo do senhor! - Disse Fredie. - Ela foi embora da cidade porque se sentiu acuada.
- Ela foi embora depois de fazer um acordo, seu estúpido! Ela me procurou e implorou para que eu retirasse a queixa, em troca iria embora de Bonnick! Eu nem sei porque estou te dando satisfações!
- O que o senhor quer? O seu filho espancou o meu irmão, eu esperava que o senhor como pai, colocasse um cabresto naquele psicopata que chama de filho!
- O seu irmão sabia que não era para ir lá, foi e assumiu o risco! Deu no que deu! Mas eu irei conversar com o Greg, não aprovo o que ele fez! Mas peça para que Evans evite ir lá novamente.
- Quem demarcou o território? - Fredie toma a fala. - Foi o senhor? Como fez isso? Urinou nas proximidades como fazem os animais territorialistas? Só se for, porque quem tem poderes para delimitar isso é um juiz, e até onde eu saiba o senhor é apenas um tratador de cavalos!
    George segura o colarinho de Fredie, mas respira fundo, várias pessoas assistiam o desenrolar daquele imbróglio, não podia agredir o rapaz, não ali, sua reputação iria à lama, envés da agressão preferiu sorrir, mesmo que por dentro quisesse espancar o garoto.
- Da próxima vez que me desrespeitar, irei esquecer os protocolos de boa conduta e irei te quebrar à cara! - Disse George quase sussurrando. - Agora vá embora daqui que é o melhor que você pode fazer!
    Fredie segue o seu caminho levando consigo a irmã do seu amigo, se dirigem rapidamente para casa, com certeza Evans precisava deles, enquanto isso, Greg entra no carro do pai e a exemplo do casal, também vão embora rapidamente.
    Durante o percurso, pai e filho conversam a respeito da surra que Evans foi vitimado, George sorrir e cumprimenta o filho, revela que por muito pouco não arrebentou Fredie e a garota, isso deu a Greg ânimo para dizer que se o seu genitor assim quisesse, ele iria ainda naquela noite na casa do Rapaz e o espancaria, mas o pai não o encorajou, disse que não er ao momento certo.
    Assim que chegam em casa se deparam com Philip e Kate que estavam na varanda, o noivo na verdade, estava já de saída, mas ao ver o sogro e o cunhado chegando resolve espera-los para cumprimentá-los antes de ir embora.
- Boa noite, senhor George! Boa noite Greg!
- Boa noite, meu rapaz!
- Onde onde vocês estavam? - Perguntou kate.
- Fui buscar o seu irmão, precisava conversar com ele!
- Cara, o que foi aquilo? - Indagou a moça olhando para o seu irmão.
- Não quero falar sobre isso agora! - Disse Greg.
- Eu preciso ir. - Disse Philip, em seguida beija a testa da noiva que se despede e entra em casa.
- Não estou te expulsando! - Disse George sorrindo ao genro.
- Eu sei que não! - Respondeu Philip com uma certa simpatia. - Preciso ir porque amanha muito cedo preciso ir ao galpão, aquilo lá está uma bagunça!
- Se quiser eu vou no seu lugar! - Se habilita o cunhado.
- Tem certeza? Eu acho que não! Afinal soube que você teve um dia de muitas emoções!
- Não quero entrar nesse assunto agora, Philip.
- Não falei por mal!
- Você e as pessoas não me conhecem, mas adoram me julgar!
    Philip já estava entrando em seu Porsche AG Green light, mas diante desta afirmativa de seu cunhado volta e diz olhando nos olhos de Greg.
- Acho que você está me confundindo, Greg. Não te julguei, aliás, não costumo julgar as pessoas, fiz um comentário inocente, mas peço desculpas, pode mesmo ter sido fora de hora. 
- O que é isso? - George abraça o genro. - Não precisa se desculpar, heim, Greg?
- Claro que não! - Confirma o filho.
- Preciso sim! Eu não tenho o hábito de fazer brincadeira do tipo, mas já que aconteceu o negócio da agressão que você fez, e tal, vou aproveitar o oportuno para te dizer que dentro da W. Menson, preciso que você tenha controle sobre seus atos, entende?
- Acho que você está confundindo a minha vida pessoal com a profissional! - Disse Greg. - O que aconteceu hoje foi algo particular e eu preciso que respeite o fato de eu não querer falar a respeito.
    Philip balança a cabeça negativamente e reafirma.
- Eu acho que você não me entendeu. Quando eu disse que precisava que você tivesse controle dentro da empresa, não estou de forma alguma querendo saber nada sobre o ocorrido de hoje, isso é problema seu. Mas eu tive duas reclamações de funcionários nos últimos oito dias que relataram que você os interpelou de forma abrupta. Não aceito esse tipo de comportamento de quem quer que seja dentro da W. Menson. Meu pai sempre primou pelo respeito aos funcionários a quem ele sempre chamou de colaboradores, e esse ensinamento vem desde o fundador da empresa que era o meu avô.  Por tudo isso, peço que você tenha um pouco mais de polidez ao tratar os subordinados, afinal, você tem um cargo de gestor.
    Greg concorda com a  cabeça, por dentro estava enraivecido, queria esganar o seu cunhado, se conteve, em troca recebeu um aperto de mão de Philip, que desejou boa noite aos dois, entrou em seu carro e partiu, o pai abraçou o filho rebelde e em seguida entraram em casa.



CONTINUA...






    

quinta-feira, 6 de abril de 2017

ENTRE O DESTINO E O AMOR
PARTE 4 - ROSA E ESPINHO

    Dois dias pós a indigesta visita que Evans teve, cresceu dentro dele um turbilhão de sentimentos e indecisões, não havia nele um concesso interno sobre o que fazer, como agir e principalmente como lidar com a realidade perversa que o tinha acometido, talvez a sua irmã tivesse razão em aconselhar que ele esquecesse de Kate e fosse seguir a sua vida. Seguir um caminho diferente do programado não era tarefa fácil, nada para ele estava sendo fácil, a dor que sentia no coração não era física, antes fosse, desejava todos os dias que aquilo não passasse de um pesadelo, mas ao abrir os olhos o seu sofrimento anunciava que tudo era amargamente real.
    Fredie chegou em sua casa antes das dez da manhã, um amigo fiel a quem Evans podia confiar sem duvidar, a amizade dos dois começou muito cedo, confidenciavam suas coisas desde os 12 anos, estudaram juntos, Evans escolheu a faculdade de administração de empresas e Fredie Dale optou por se dedicar a música. Montou um pequeno estúdio, chegou a participar de duas bandas, uma de rock de garagem e outra voltada para o Folk, acabou desistindo de ter banda, tocava guitarra e piano, acabou se dedicando ao seu estúdio.
- Fala ai parceiro! - Cumprimentou Fredie. - Acho que estamos atrasados para a sua consulta com a psicóloga.
- Não irei hoje!
- Por quê?
- Cara. - Balançou a cabeça negativamente e com uma expressão tristonha. - Me diz como é o noivo da Kate.
- Como é que é?
- Me diz como ele é! Não fisicamente, quero dizer, como ele é em relação a pessoa.
- Não faz isso com você, mesmo meu brother!
- Se você não me disser, irei perguntar para outras pessoas.
- O que de fato você está querendo saber?
- Você o conhece?
- Pessoalmente não, mas já ouvi muitas coisas a respeito dele. Se lembra do Billy boca-de-lata?
- Sim.
- Ele trabalha na fabrica do cara. Me disse que como patrão é uma excelente pessoa.
- Ele tem uma fábrica?
- Sim. Uma fábrica de equipamento de prevenção e segurança para a construção civil. Fabrica capacete, luvas, máscara e o caralho a quatro! 
- Sei. Mas onde fica essa fábrica?
- Se lembra do antigo campo de golfe na estrada leste? Eles compraram aquele terreno e construíram a fábrica. É uma empresa de médio porte, emprega umas cinquenta pessoas. A matriz fica em Treton, essa é uma das duas filiais, ou unidades, se preferir.
- Qual o nome dele?
- Philip W. Menson. O pai dele é o presidente do grupo, fica na matriz e ele é diretor nessa daqui de Bonnick.
- Ele é rico!
- Sim. - Fredie baixa  a cabeça e respira fundo, em seguida continua. - Cara, eu não sei se isso vai te consolar, já que você tem grande amor pela Kate, mas o fato é que o sujeito é um cara decente, todos os funcionários gostam dele. O cara é conhecido por sua generosidade e a forma simples de tocar a vida. Dizem que é um gestor justo e generoso sem deixar de ser rígido nas decisões e tal. Além do Billy trabalham lá outras pessoas conhecidas da gente, direta e indiretamente.
    Evans se levanta da cama, escora as duas mãos na parede e diz:
- Isso tudo parece um aviso que eu devo seguir o conselho do pai da Kate.
- Ei cara, a Anny me contou o que aquele filho da puta te fez! Eu até acho que você deveria mesmo partir para outra, não porque ele veio aqui e meio que te ameaçou, mas acho que a família dela não te merece. Quer dizer, a senhora Moore até que parece ser boa gente, mas aquele Greg  e o Senhor George são dois merdas de gato!
- Ela trabalha na fábrica?
- Não. Ela trabalha na floricultura da família com a Dona Elizabeth.
    Evans concorda com a cabeça, muda o teor da conversa, faz perguntas a respeito de coisas sobre a cidade, procurou saber o que havia mudado e se amigos ainda moravam em Bonnick, esse papo se estendeu até a hora do almoço, ele e o amigo tiveram a companhia da senhora Linda e de Adrianny. 
    Assim que Fredie foi embora  e as outras duas voltaram para os seus afazeres, Evans decidiu ir até onde Kate estava, tomou um taxi e se dirigiu para a floricultura, assim que chegou em frente à porta viu pelo vidro Catherine ajeitando algumas prateleiras com ursos-de pelúcia, seu corpo gelou, não sabia o que iria dizer, não tinha a mínima ideia de como as coisas iriam se desenrolar quando estivesse cara-a-cara com o seu amor, respirou fundo, tomou coragem e entrou. 
   Foi andando devagar pela floricultura até ser abordado por ela.
- Boa tarde! Posso ajuda-lo em alguma coisa?
   Era ela, estava linda! Seus olhos verdes e o rabo de cavalo ostentando seus cabelos loiros desciam até o meio das costas, um sorriso tão bonito quanto ele lembrava, era ela.
- Eu... - Se engasgou um pouco. - Er... Boa tarde! eu estou interessado em um buquê!
- Você tem preferência por algum tipo específico de flores?
   Ele se lembrou que Kate adorava begonia azul, não perdeu tempo em dizer a sua preferência, ao mesmo tempo sentia algo muito estranho, era de se esperar que sim, já que a pessoa que ele amava, e que até onde se lembrava foi a sua noiva estava alí, bem à sua frente, com um sorriso bonito que harmonizava com o rosto branco de pele lisa.
- Pensei em begonia azul!
- Que coincidência! São as minhas favoritas!
    Quando Elizabeth retornou à floricultura e viu Evans conversando com Kate ela teve um choque, mas por ser uma pessoa equilibrada conseguiu voltar a si quase que imediatamente, se preocupou e muito sobre o que o rapaz estaria conversando com a sua filha, apressou-se em interromper o diálogo.
- Olá! Quem é o seu amigo, kate?
- Acabei de conhecer! Ele está interessado em comprar um buquê de begonias para a mãe dele! - Respondeu a menina ainda sorrindo, continuou. - Essa é a minha mãe, a proprietária da floricultura!
- Prazer em conhece-la, senhora!
    Elizabeth se esforçou para agir com naturalidade, mas naquele momento se sentiu aliviada por ter entendido, que ele não havia falado nada a respeito do acidente ou do casamento que o fatídico interrompeu.
- Filha. - Disse a senhora Moore. - Preciso que você telefone agora para o fornecedor das margaridas, temos algumas entregas a fazer e é urgente. Eu continuo o atendimento aqui com o rapaz.
    Kate concorda com a cabeça e sem nada desconfiar e deixa a mãe e o ex-noivo a sós, em seguida se dirige ao balcão para fazer o que a mãe havia lhe pedido.
- Meu Deus! O que você acha que está fazendo?
- Senhora Elizabeth, eu precisava vê-la!
- Eu entendo! Mas não é momento para isso! Por favor, vá embora!
- Eu a amo!
    Elizabeth sente as lágrimas banhar os seus olhos, olha disfarçadamente em direção a filha, retorna o olhar ainda emocionada para Evans.
- Escute. Eu nem imagino o que você deve está sofrendo, mas preciso que você saia daqui agora. Por favor! Eu irei conversar com você, eu prometo.
- Eu só queira vê-la!
- Eu sei. Eu juro que te entendo, mas agoira não é o momento propício.
- Tudo bem, não irei criar nem uma situação aqui com a senhora.
    Evans se despede e sai, andou cerca de trinta metros quando foi surpreendido por Greg que estava companhado com dois amigo, um inclusive era Jason, primo do atual noivo de Kate.
- O que você está fazendo aqui, seu merda? - Esbravejou o ex-cunhado. - O meu pai não foi claro contigo?
- Eu só vim vê-la, não falei nada demais!
- Escuta aqui seu porco filho de uma cadela! Você está proibido por mim de chegar duzentos metros próximo a minha irmã! Não quero te ver nunca mais desse lado da cidade!
- Quem você pensa que é para me determinar onde eu posso ou não andar?
    Greg sorrir e desfere um soco violento na face do rapaz já fragilizado fisicamente, seu corpo estremeceu e ele desabou, no chão ainda teve que ouvir insultos e sentir toda a ira de Greg que desferiu dois chutes, um atingiu o abdômen e o outro as costas, o grito de dor de Evans anunciava a dor que sentia, o espancamento só não continuou porque Elizabeth interveio.
- Pare com isso agora, Greg! Você perdeu o juízo?
- Mãe, ele...
- cala a boca e saia daqui agora!
    Para a sorte de Evans, o agressor obedeceu a mãe e em passos largos saiu do local, Kate que assistiu tudo de longe tentou correr até onde o rapaz estava caído, mas foi contida por Sally, a outra pessoa que trabalhava na floricultura, Elizabeth estava mais uma vez chocada, pediu para dois rapazes que iam passando para ajudar Evans a se levantar, ela chorou, o seu relacionamento com o ex-genro sempre foi muito bom, havia de fato uma relação de respeito entre eles.
    Evans se levanta com dificuldade, não olha para os lados, cabisbaixo vai embora ainda cambaleante sem dar atenção a Elizabeth, que aquela altura pedia para que ele esperasse um táxi que ela estava tentando chamar usando o seu telefone celular. Evans desaparece na esquina, Evans mergulha nos espinhos dolorosos do que havia se transformado a sua vida...


CONTINUA...






terça-feira, 4 de abril de 2017

ENTRE O DESTINO E O AMOR
PARTE 3 - DE VOLTA A QUEDA LIVRE


    Três dias se passaram desde que Evans retornou do coma e começou a reabilitação, visivelmente magro e ainda abatido não só por sua condição física, mas por todo o lado sentimental que provavelmente pesava muito sobre ele. Mesmo com todos os problemas que estava enfrentando resolveu ir fundo na recuperação, e tentar voltar ao que chamava de próximo do normal. No fundo queria ter uma chance de ir atrás do seu amor, não revelava a sua irmã, mãe e nem ao seu melhor amigo, ele sabia que não teria a conivência deles.
      Doutor Herris autorizou que Evans retornasse para Bonnick, mas prescreveu ainda algumas sessões de fisioterapia, acompanhamento psicológico e um medicamento, indicou também que ele fizesse natação, logo estaria em plena forma, a dedicação seria sua melhor arma.
         O rapaz não retornou a Bonnick imediatamente, ainda teve que esperar dois dias até que a sua família resolvesse o problema da mudança, chegar em sua cidade era o que ele mais desejava.
- Não vejo a hora de chegarmos em Bonnick! - Disse ele.
- Eu entrei em contato com a sua empresa, eles disseram que irão esperar o tempo que for necessário. - Falou Adrianny enquanto fechava a ultima mala. - Na verdade eles te deram mais vinte dias para melhor se recuperar antes de conversarem com você.
- Eu ainda estou empregado! Isso é um milagre!
- Isso é reflexo do seu empenho na empresa. Milagre não tem nada a ver com isso!
        A emoção tomou conta de Evans quando entrou em sua cidade, chorou muito, principalmente quando passou em frente do local que habitava a sua ultima lembrança, o Buffer New Dreams. Chegou em frente a sua casa, Além de Fredie, alguns amigos e familiares lhe aguardavam, foi uma recepção calorosa e emocionante, embora tenha se sentido feliz com a surpresa, pediu desculpas a todos por não ficar mais tempo juntos deles, despediu-se vinte minutos depois da chegada e foi para o seu quarto.
        Ainda havia muita coisa de sua vida com Kate, para ele o tempo não havia passado, ver aquelas fotos pregadas com tachinhas no quadro de cortiça e parte de coisas que seriam usados em seu casamento o maltratava, pior mesmo era pensar que ela agora estava noiva com outro, esmurrou a mesa, chorou copiosamente, aquela a quem amava estava sendo beijada por outro, e a ele restara apenas o doloroso caminho que o destino o reservara.
       Segurou uma foto poster de Kate sobre o peito, beijou-a algumas vezes, entre lágrimas e pensamentos acabou adormecendo.
       O dia seguinte foi para ele como um campo vazio, depois que tomou banho, desceu lentamente as escadas, era um dia de Sexta-Feira, sua mãe e irmã o aguardavam na copa, o café da manhã estava servido, variedades de frutas, queijo, leite, mel, torradas e ovos. ele não quis comer nada, permaneceu em silêncio enquanto tomava uma caneca com leite, se limitava a responder perguntas apenas acenando coma  cabeça, a sua mãe o beijou na testa e o abraçou cuidadosamente.
- Meu menino! Você é tão especial! Sei que Deus guarda algo grandioso para você! Ele sabe, conhece as pessoas boas por seus corações!
       Linda Dowson era o tipo de mãe protetora, ninguém poderia mensurar o seu sofrimento enquanto seu filho estava em coma, vê-lo em casa era uma dádiva de Deus, a viuvez não a fez sofrer tanto quanto ver Evans na situação que estava, o seu marido morreu de Câncer, era um fumante inveterado, quando descobriu a doença no pulmão já não havia muito o que fazer, talvez por isso, a espera pelo dia iminente  a preparou para encarar o pior.
      Adrianny acompanhou seu irmão até o hospital, ele foi fazer a fisioterapia e depois conversar com a Doutora Adrelice, a psicóloga indicada pelo Doutor Herris, voltaram para casa, Linda Dowson já havia saído para o seu trabalho voluntário, a mãe do rapaz se dedicava a cuidar de animais doentes e abandonados, ela havia estudado veterinária, mas nunca concluiu a faculdade, ir até o abrigo ajudar a cuidar dessas criaturas ajudava a acalentar o seu coração.
      Evans estava em seu quarto deitado quando a campainha tocou, Adrianny atendeu à porta, do quarto ele pôde ouvir a voz masculina, não identificou quem era, imaginou que fosse Fredie ou algum amigo, quando sua irmã entra em seu quarto anuncia:
- Você tem visitas! Acho melhor descer!
      Sem entender o motivo da expressão séria de Adrianny ele obedeceu rapidamente, antes mesmo de chegar ao fim da escada sentiu um calafrio percorrendo o seu corpo, era o seu ex-sogro e cunhado, apressou-se a descer e o cumprimentou.
- Senhor George! Greg!
- Como vai, rapaz? - Perguntou o pai de kate.
- Bem! - A sua voz tremeu. - Por favor, sentem-se!
- Não precisa! - Disse George. - Não iremos tomar muito o seu tempo. O que viemos conversar será breve.
       Evans se mantém então de pé, Adrianny fica ao seu lado.
- Em que posso ser útil?
- Irei direto ao assunto! - Disse o ex-sogro. - Você acordou do seu coma e eu fico feliz que tenha escapado. A essa altura acredito que já te contaram que Catherine está de casamento marcado com outra pessoa!
- Me falaram algo a respeito! - Respondeu Evans.
- Isso é ótimo! Então eu nem preciso insistir na tese de que você precisa cuidar da sua vida, buscar outra companheira. Catherine está comprometida e casará em menos de um mês.
       Evans sente um calor percorrer seu corpo, estava com raiva, e por mais que respeitasse George, mesmo sabendo que ele nunca foi cem porcento a favor do seu casamento com Kate, resolveu então confrontar.
- Ela sabe sobre mim? Será que ela pôde pensar a respeito da vida dela da forma como deveria ser?
- E como deveria ser, hã? - Indagou George.
- Eu preciso mesmo dizer?
- Não vim aqui filosofar sobre coisa alguma. Vim aqui como um pai que se preocupa com o bem estar de seus filhos. Portanto, não me importo nem um pouco como você acha que poderia ser ou não ser. Quero que respeite a atual situação em que Catherine vive. O rapaz com quem irá se casar é de boa índole, boa familia e ela o ama.
- Quer dizer que Evans não tem boa índole e nem boa familia? - Perguntou Adrianny, enquanto Greg permanecia em silêncio com uma expressão de sorriso sínico.
- Quem é você? - Indagou George. - O que te faz pensar que eu devo responder qualquer coisa a você?
- Sou a irmã dele!
- E daí?
- E daí que eu...
- Faça- me um favor! - DIsse George interpelando Adrianny. - Não se meta nisso! - Virou-se novamente para Evans e continuou. - Você me entendeu? Fique longe da Catherine. Não a procure. Ela nem sabe que você existe e o melhor é que continue desta forma. Não tenho mas nada a dizer, acho que o recado foi bem dado.
       George sai da casa de Evans levando consigo o filho sem nem mesmo se despedir, deixando para trás um rapaz completamente arrasado e derrotado.


CONTINUA...