Hanna Fisio

quinta-feira, 27 de julho de 2017

ENTRE O DESTINO E O AMOR
PARTE 12 - UM PASSADO PRESENTE

    Já se passavam das seis da tarde quando kate chegou ao restaurante onde seu noivo a aguardava, depois de um breve beijo e um abraço tenro, os dois se sentam à mesa, a jovem estava ainda com um semblante triste, Philip era o seu porto seguro, naquele momento mais ainda.
- Eu nem consigo olhar nos olhos deles, amor! - disse Catherine.
- Nem posso imaginar o quanto deve está sendo difícil para você! - Disse o rapaz.
- Sabe o que mais me aborrece nessa história? 
- o que?
- O fato de toda mentira me tirar o direito de andar com as minhas próprias pernas. O sentimento que tenho é que não foi o destino que me tirou parte da vida que estava em minha memória, foram eles!
- Você está certa sobre algumas coisas, mas a respeito de outras eu te sinto meio perdida, mas isso é perfeitamente normal dentro do que você passou.
- Você tem razão. Eu estou confusa, triste e sem chão!
- Na minha opinião há uma maneira que talvez possa te ajudar a compreender tudo o que se passa ai dentro de você.
    kate da mais um gole na água com gás, seus olhos estavam marejados, ela volta o olhar para Philip e pergunta.
- Como seria isso?
- Encarando de frente o motivo de tudo.
- Não estou entendendo.
- Eu acho que você deveria se encontrar com o Evans Dowson!
    A fala do jovem pegou a moça de surpresa, ela arregalou os olhos, aquilo já havia passado muito levemente por sua cabeça, mas o respeito que ela nutria por seu noivo não a fez mencionar essa possibilidade, ficou realmente muito surpresa por partir dele a sugestão de ir até Evans e colocar tudo a pratos limpos.
- Você acha?
- Sim, eu acho.
- Isso não te deixa incomodado?
- Deixa, e muito, mas aqui não estamos tratando do meu desconforto, estamos tentando encontrar um refúgio para a sua dor! Não aguento te ver sofrer, nosso casamento está chegando, não gostaria que levássemos na bagagem assuntos não resolvidos, principalmente se tratando de algo tão relevante para você.
    Kate ficou pensativa por alguns instantes, talvez seu noivo estivesse certo, o fardo que carregava era pesado, quem sabe esse encontro pudesse ajuda-la no alívio de tal fardo?
- Eu nem sei onde ele mora, ou mesmo se irá me receber!
- Eu sei onde ele mora, e não vejo razão para que ele não queira conversar com você.
- Será?
    Philip sorriu, apoiou os dois braços sobre à mesa e descansou seu queixo nos entre laços de seus dedos.
- Vejo que você está tentando encontrar empecilhos para não ir a esse encontro. Eu entendo, e não precisa ir se não quiser.
- Não é isso, só estou na dúvida.
- Então aconselho a decidir rapidamente, porque pelo que eu soube, a qualquer momento ele estará indo embora para outra cidade.
- Ele vai embora?
- Sim. Talvez você seja a razão dessa decisão dele.
- Eu não quero me sentir motivo para nada que ele possa fazer!
- As coisas não são simples assim, querida!
    Ela respira fundo, coça a cabeça e decidida resolve seguir em frente.
- Você irá comigo?
- Eu te levo lá!
- Certo. Quero ir amanha na parte da manhã!
- Passo na floricultura as 09:00!
    A noite foi intensa para Catherine Moore, não conseguiu dormir, imersa nos pensamentos e naquilo que faria aconselhada por seu noivo a fez ter insônia, na verdade era um misto de nervosismo com ansiedade, quando se deu conta já estava amanhecendo, tentou dormir pela " milésima vez" em vão.
    Sua mãe bateu à porta do seu quarto para acordá-la, a jovem disse que não iria trabalhar pela manhã, preferiu não detalhar, apenas disse que tinha um compromisso com Philip, em seguida tomou um banho demorado.
    Quando saiu do quarto, com exceção de Rita, a empregada doméstica, não havia mais ninguém em casa, já se passavam das nove, seu coração disparou quando reconheceu o barulho do carro de seu noivo, ela apanhou a bolsa e foi até ele.
- Bom dia! - Cumprimentou o rapaz dando-lhe um beijo.
- Bom dia!
- Está preparada?
- Como se prepara para algo assim? - Philip sorriu. - Será que ele estará em casa?
- Sim, estará!
- Como você sabe?
- Eu conversei ontem a noite com a irmã dele, ela confirmou que ele estaria, mas não se preocupe, ela não contou nada a ele, também deu um jeito de sair com a mãe para que vocês pudessem conversar mais sossegado.
    Kate fez uma expressão de interessada e perguntou:
- Você ficou amiguinho da irmã dele?
- Para com isso! - Sorriu mais uma vez o rapaz. - Ciúmes é algo que não combina com você! Eu precisava ter certeza que ele estaria em casa para não darmos viagem perdida, amor.
- Eu sei disso! Só estou brincando.
    O percurso até o bairro Pathfinder foi um silêncio total, cerca de quinze minutos depois chegaram ao destino, Philip quebra a quietude.
- Chegamos! 
    Kate fica por alguns segundos olhando a casa de fachada azul, buscou na mente alguma lembrança do local, mas nada veio, para ela, era a primeira vez que via aquela casa.
- Nunca, nunca estive aqui! - Disse a moça.
- Amor, você já esteve incontáveis vezes, pense como uma visita a uma amigo. chegamos até aqui, não há razão para não darmos o próximo passo.
    Catherine concorda, decidida abre a aporta do carro e desce, antes de se aventurar, olha para trás para esperar Philip, mas ele não havia descido do veículo, estava lá, com as mãos sobre o volante.
- Você não vem?
- Não, querida! Não me cabe dentro dessa conversa!
    Ela se assusta.
- Por favor, venha comigo! Você não pode me deixar sozinha agora!
- Entenda, não faz sentido a minha participação! Isso é algo que só diz respeito a vocês dois. Esse passo você terá que dar sozinha. - Ela concorda ainda de cabisbaixo, olha para ele e espera a próxima fala. - Assim que você terminar, me telefone, venho te pegar.
    Philip manda uma beijo para a nervosa jovem, em seguida parte com o seu carro, agora ela teria que seguir sem o noivo, corajosamente toca a campainha, precisou apertar três vezes até que Evans atendesse a porta e ao vê-la ali à sua frente fica atônito, ele não esperava de forma alguma aquela visita, por alguns segundos ficou sem palavras até que ela quebra o silêncio.
- Evans Dowson?
- Kate! - Foi tudo que ele conseguiu dizer.
- Poderíamos conversar? - Diz Catherine ainda confusa, nervosa e ao mesmo tempo curiosa, tentava demonstrar uma tranquilidade e um equilíbrio que naquele momento não existia dentro dela, na verdade estava tão ou mais sôfrega que ele. 
- Sim, claro! Por favor, entre!
    Ela agradece e entra de braços cruzados, não estava com medo, por alguma razão, sentiu-se segura, lembrou-se dele quando o rapaz esteve na floricultura e depois foi açoitado por Greg. 
- Olha, eu... eu. - Ela sorrir e gagueja de nervoso. - Desculpe, não sei bem o que dizer, tentei ensaiar algo, mas não foi possível!
- Tudo bem! Eu também não sei nem o que dizer, não esperava que você viesse aqui, portanto não me preparei para esse momento!
- Então estamos empatados não é? - Sorriu a linda moça tentando quebrar o gelo e o nervosismo do momento.
- Você aceita alguma coisa?  Uma água ou um suco, talvez?
- Eu aceito uma água!
- Certo, por favor, fique à vontade! Volto em um minuto!
    Ela concorda com um acenar de cabeça, quando ele se dirige até a cozinha fica observando a sua volta, vai até a mesinha de centro e ver dois porta-retratos um contendo a foto de Evans, Linda Dowson e a irmã Adrianne, a outra estava sem foto, segurou por instinto o porta-retrato vazio, até ser interrompida por ele.
- Havia uma foto nossa ai!
    Ela se assusta.
- Desculpe, não queria mexer em nada!
- Não precisa se desculpar! Por favor, sinta-se em casa!
    Kate apanha o copo com água da bandeja de prata e da uma gole, vira-se para ele e pergunta:
- Você ainda tem essa foto?
- Sim! Para dizer a verdade, não fui eu quem tirou-a dai do porta-retrato.
- Entendo. Posso vê-la?
- Claro! Me aguarde um pouquinho, irei busca-la!
    Catherine se senta no sofá ainda segurando o copo suado, seu coração estava estranho, não sabia ao certo o que estava sentindo, mas o nervosismo inicial estava passando, isso a confortou um pouco, ansiosa aguardou Evans descer as escadas para enfim, conversarem a respeito de tudo, ou para exorcizar demônios...


CONTINUA...





    







quarta-feira, 5 de julho de 2017

ENTRE O DESTINO E O AMOR
PARTE 11 - RIVAL NO AMOR


    Philip sempre foi uma pessoa ligada a certos valores, herdou muito da falecida mãe, talvez por isso, buscava aquilo que julgava correto, sua vida tem sido assim, no fundo imaginava que a melhor forma de honrar a sua memória seria perpetuar o que ela o havia ensinado. Buscava ali na casa do ex-noivo de kate algo próximo do que julgava correto fazer.
- Então você o noivo de Catherine?
- Sim!
    Evans estava notoriamente desconcertado com aquela visita, na verdade ambos estavam, nada o havia preparado para aquele momento.
- Posso saber o motivo da visita?
    Philip esboçou um sorriso.
- Eu ensaiei várias vezes o que seria dito, mas agora que estou aqui me foge qualquer pensamento para iniciar essa conversa!
- Imagino que exista uma razão para que tenha vindo aqui.
- Sim, eu precisava muito vir falar com você.
- Bem, você está aqui!
- Eu nem sei por onde começar!
- Não precisa estar aqui! 
- Preciso sim!
- Aconteceu algo?
- Olha, eu nem imagino como tudo deve está sendo difícil para você, sinto muito por tudo.
- Sente muito?
- Eu acho que nem sempre as coisas saem como planejamos, não é mesmo? Esse diálogo, por exemplo, poderia nunca ter acontecido, mas o destino gosta de brincar com a vida.
- Se você não se importa, eu tenho um compromisso daqui a pouco, não estou querendo ser rude, mas sinceramente não vejo motivo para continuarmos com essa conversa.
    Philip respira fundo.
- Eu só queria que soubesse o quanto é embaraçoso para mim, e estou aqui para te dizer que se precisar de alguma coisa, eu irei te ajudar.
- Por quê?
- Porque me sinto envolvido nessa história!
- Você não devia se sentir assim, nada do que aconteceu tem a ver com você! Pelo que eu soube, a kate te conheceu pouco mais de um ano após o acidente, então não vejo o mínimo motivo para que se sinta envolvido nessa história!
- A família dela mentiu para ela em relação ao acidente, mentiu sobre você, mentiram para mim também. Sim, eu estou envolvido indiretamente.
- Sei. - Disse Evans em tom irônico.
- Você pode não acreditar, mas eu sinto muito por você! Estou aqui para oferecer ajuda, dizer que pode contar comigo.
- Entendi! Você é o ser humano perfeito não é? Vem até aqui tentando manter um esteriótipo de pessoa boa, de um ser humano raro!
    Philip balança a cabeça negativamente.
- Por favor, Evans, peço que não vá por essa vertente! Não faço cena, não interpreto personagem. Ninguém sabe que eu vim aqui, e  nem precisa saber. Estou aqui por questão de princípios, fui educado desta forma, creio muito na condição que leva o ser humano a tocar a sua vida sem culpa, mas para isso, ele precisa ser um homem de atitudes. Não culpo você de pensar isso ao meu respeito, não me conhece, mas ao menos tente usar a razão, a resposta estará ai dentro de você.
    Evans aumenta o tom da voz.
- Então porque diabos vem até aqui? Não percebe o quanto isso é complicado para mim? Não existe razão para esse diálogo. Você está com a pessoa que eu amo, e não amo pouco! Não quero ser injusto com você, já ouvi muitas coisas boas ao seu respeito, eu não quis acreditar, sabe porque? Porque eu queria encontrar defeitos para te odiar, mas acho que estou espiritualizado demais para regredir como ser humano. O destino está sendo tão cruel comigo, que nem odiar alguém me permite fazer. Esse sou eu, uma pessoa que ainda está tentando digerir tudo que aconteceu, me sinto fora do tempo, desde que acordei me faço uma pergunta incansavelmente que tem sido meu carma. Por que eu não morri? Por que estou jogado no campo de um sofrimento que não parece ter fim? O que eu fiz de tão errado para merecer tão grande castigo? Sim, essa tem sido minha rotina, mas acredite, você não está contido dentro desse meu mundo.
    Philip respirou fundo mais uma vez, decidiu em tentar dialogar, no fundo sentiu pena daquele rapaz tão fragilizado e tão açoitado pela vida.
- O destino é algo incompreensível, não pede licença para entrar e nem se desculpa depois do estrago que costuma fazer, de uma coisa eu sei, não existem culpados em momentos como esse que você tem vivido. Eu não vim até aqui para abrir ainda mais a sua ferida, por mais que você não consiga compreender, eu me sinto envolvido indiretamente nesse história.
    Evans vira de costas para o visitante e diz.
- Eu acredito em você! Me parece uma pessoa com boas intenções, sei que fará de Catherine uma mulher feliz, ela merece isso, tem um coração lindo. por mais que me doa dizer, desejo que sejam felizes, dito isso, não creio que aja mais nada a ser dito.
    Philip entendeu que era hora de partir, antes porém retirou um cartão do bolso e colocou sobre a mesa de centro.
- Estou deixando aqui o meu cartão, se precisar de qualquer coisa, por favor não exite em me contatar.
    antes que o visitante vire a maçaneta da porta da sala, ainda de costas Evans lhe faz uma indagação:
- Você acredita que uma pessoa possa fracassar sem ter tido a chance de ter tentado? É normal alguém se sentir um derrotado sem sentir a queda de uma batalha?
- Eu acho que isso depende de cada um, mesmo para uma pessoa frágil por natureza não haverá uma derrota permanente, as atitudes são os alicerces para que possa se levantar mais forte. Não acredito que exista derrota sem luta, pode existir por falta dela, mas em se tratando de acidentes, a única coisa que se perde é chance de não poder ter lutado. Sobreviver ainda é o principal triunfo de um ser humano.
    Evans enxuga as lágrimas que insistem em escorrer por sua face, de costas para o visitante diz.
- Vá embora, e por favor, nunca mais volte aqui!
    Philip sai em silêncio fechando à porta às suas costas,  com pensamentos conclusivos a respeito de Evans, segue seu caminho, decide não ir a empresa aquele dia, prefere aguardar o fim do dia longe do trabalho, horário que se encontraria com Catherine.

CONTINUA...