Hanna Fisio

domingo, 12 de junho de 2016

IOKRAN

PARTE 8 - A CAMINHO DE WIU
Por: Jair Nepomuceno

Enquanto a nave de Urzo recebia os cuidados de Nulla Baiza antes da viagem para o quadrante quatro, Stephem Olson cuidava da estratégia para chegar até o suspeito do furto do Iokran, estava preocupado porque se o ladrão do artefato for realmente Clint Thomas o problema se tornaria maior. 
Não demorou muito até o farejador concluir a calibragem da energia e pegar a pouca bagagem que tinha,
em pouco tempo já estavam decolando e partindo para a lua Wiu, onde supostamente o ladrão do artefato estaria vivendo, a ideia seria recuperar o objeto e se possível levar o ladravaz ao tribunal, missão não tão simples, mas se cumprida, inocentaria Nova e de bônus poderiam ainda receber de bandeja o planeta anão Dottah para enfim colonizarem.
Um dia e meio foi o necessário até entrarem no quadrante quatro, e um dia depois já entravam no sistema solar onde se encontrava Worinm o planeta cujo Wiu, o local de destino,  era uma de seus nove satélites e o local onde o Iokran poderia estar.
Pousaram na base lunar sem problemas, a atmosfera artificial garantia a habitação dos diversos seres, era um local diferente de tudo que Olsen conhecia, o ar o sufocou mais uma vez, mas ele já havia se acostumado com isso, o exzânium causava esse mal estar temporário, dirigiram então sem demora para a cidade, um lugar onde os seres iam e vinham de forma apressada, ali havia comércio, hotéis, um grande hospital, as ruas apresentavam um frenesi realmente intenso.
Nulla sentiu que aquela cidade conhecida por Werwiu não era o local onde o Iokran estaria escondido, mas a grande placenta que encobria a lua em oitenta porcento se estendia muito além da cidade, seguindo a orientação do farejador os outros dois o acompanharam para fora dos limites de Werwiu.
- Sente alguma coisa, Nulla? - Indagou Stephem.
- A assinatura energética do Iokran está em toda parte. - Respondeu Baiza, continuou. - Isso pode confundir um farejador, mas não a um experiente. O artefato deve está ali próximo aquelas pequenas montanhas, ou quem sabe, dentro de uma caverna.
- Vamos lá então! - Se entusiasmou Urzo.
Os três alugaram um tipo de prancha flutuante, era o principal transporte de Werwiu, sua praticidade e sua velocidade ajudavam bastante, o condutor só tinha que manter o equilíbrio sobre o transporte, os comandos era relativamente simples, dois pedais um que servia para acelerar e o outro para desacelerar como se fosse um freio convencional, havia ainda uma cruz direcional com setas que o condutor pisava sobre elas para dar o comando de direção.
Nulla tomou a dianteira seguido de perto pelos outros dois, não demoraram e chegaram a uma vilela, havia pouco mais de nove construções inteiras e algumas outras inacabadas ou parcialmente destruídas. Estacionaram as pranchas de frente a um tipo de comércio, o farejador entrou imediatamente e, tão rápido como entrou foi também reconhecido e cumprimentado pelo comerciante de cabeça desproporcional, com olhos grandes e na cor laranja, pertencia a uma raça conhecida como Kairiús.
- Não acredito! Estou tendo a honra de ser visitado por Nulla Baiza, a lenda!
- Ha quanto tempo, heim Boo? - Disse o farejador.
- Ouvi dizer que você tinha morrido em Sanvra, na galáxia Londrária! - Falou sorrindo o comerciante.
- Já me mataram em praticamente todas as galáxias conhecidas, mas como pode ver, estou vivo e como de costume sem muita paciência!
- Sem muita paciência por que, meu amigo?
- Não sou amigo de assassino!
- Ei! Não em chame de assassino, eu já paguei por aquilo, e todo o cosmo sabe que foi legítima defesa! 
- Legítima defesa fazendo tocaia?
- Eu não fiz tocaia, eu o estava esperando! Ele vinha para me matar!
- Seu cretino! Quirio estava desarmado! E você matou a família dele em seguida!
- Ele não precisava de arma para me matar, a telecinesia dele era mais que suficiente! E eu matei a família dele por que juraram vingança!
- Para de defecar pela boca, seu estrume! A família dele nem teve tempo de jurar vingança, porque você os matou antes mesmo deles terem o conhecimento do que você havia feito a Quirio!
- Tudo bem! - Se irritou Boo. - Veio aqui para me condenar? Não devo mais nada quanto a esse delito! Fiquei preso em Tkuza por um ciclo e meio!
- O que seria um ciclo e meio? - Indagou Olsen sussurrando para Urzo que respondeu prontamente.
- Setenta e cinco anos terrenos!
Nulla se aproximou de Boo, apontou o dedo quase tocando o seu nariz.
- Não vim aqui tratar da morte de Quirio, embora todos saibam que você não cumpriu nem a metade da pena, fugiu de Tkuza durante a rebelião que houve lá pouco tempo após a sua chegada, tenho certeza que aquela rebelião teve dedo seu. Você então fugiu para essa galáxia e está vivendo aqui sem que as autoridades saibam de seu paradeiro.
- Se não veio até aqui me torturar a respeito daquele crime, veio por qual razão?
- Vim por causa do Iokran!
- O que é isso?
A pergunta de Boo fez Nulla ter uma reação inesperada, o farejador desferiu um soco violento no rosto do comerciante que caiu sem resistência, tentou levantar-se e voltou a desabar devido a violência do golpe, Baiza foi até ele o ajudou a levantar-se limpando o sobre tudo que usava, os outros dois só observavam embora tenham ficado surpresos com a agressão. 
- O que você está fazendo ai no chão? - Ironizou Nulla. - Vamos, fique de pé! Acho que a palavra Iokran causa esse tipo de desorientação aos outros! E acredite, fica pior a cada vez que se pergunta a respeito. Então vamos ver se esse fenômeno voltará a se repetir. - O farejador respira fundo - Vim aqui por causa do Iokran!
- Não está aqui comigo! - Falou Boo com a voz trêmula enquanto o sangue esverdeado escorria por sua face.
- Meu caro Boo. - Disse Nulla. - Eu sou um farejador e posso sentir o fluido de energia do artefato em todo lugar, inclusive em você! Será que terei que arrebentar todo o seu corpo?
- Tudo bem, tudo bem! O Iokran esteve aqui por dois dias! Eu juro que não está mais aqui, fui obrigado a aceitar! Ou eu colaborava ou morria!
- Quem trouxe o Iokran para você? -Desta vez foi Olsen quem perguntou.
Boo ficou surpreso quando Stephem retirou o capuz, viu que se tratava de um ser familiar.
- Foi um da sua espécie!
- O nome! - Insistiu Olsen.
- Clint.- Respondeu o comerciante e continuou. - Clint Thomas.
- Onde ele está agora?
- Em Worinm!
- Quem mais está com ele?
A pergunta de Olsen não pôde ser respondida porque um feixe de plasma atravessou o peito de Boo, seu sangue espalhou por toda parte, outros feixes do mesmo plasma foram disparados em direção aos três, mas Nulla ergueu seu escudo de energia básica que foi suficiente para proteger a ele e aos outros dois, nesse momento, Urzo e Stephem se jogam para detrás do balcão acompanhado por Baiza.
- Que surpresa! - Gritou uma voz do lado de fora. - Por que será que não estou surpreso de te encontrar por aqui, Nulla? - Era Marva Ziuu, o farejador.




CONTINUA...



 
 
 

domingo, 22 de maio de 2016

IOKRAN

PARTE 7 - OS FAREJADORES
Por: Jair Nepomuceno 

Nulla Baiza não era apenas o melhor entre os farejadores, sua personalidade sempre forte e seus posicionamentos o tornaram famoso nos confins das galáxias, mas acabou levando junto com essa fama, vários desafetos, alguns poderosos, outros nem tanto, mas os inimigos preferiam manter distância dele a um confronto direto e isso ajudava a torna-lo ainda mais uma lenda.
- A nave de vocês possui camuflagem paisagística? - Indagou Baiza.
- Sim! - Respondeu Urzo.
- Nivele em cinco e introduza o campo! - Orientou Nulla, e continuou. - É o único jeito de não ser percebida por um farejador.
- Mas isso vai consumir a célula de energia em pouco tempo! - Disse Urzo.
- Faça logo o que eu disse! Depois que eles se forem eu resolvo essa parte!
Urzo obedece rapidamente e segue as orientações, volta correndo até a casa de Baiza para novas instruções.
- Pelo que eu soube, eles poderão nos encontrar! - Falou Stephem. - A nave está segura mas e nós?
Baiza abre um baú e de dentro retira uma espécie de pote semelhante a esses feito de barro, bem pequeno, dentro dele havia algo parecido com pasta verde.
- Passem um pouco disto no corpo, não precisa exagerar! Usem nos braços e na face.
- O que é isso? - Perguntou Urzo.
- Camuflagem natural contra farejadores! Eu mesmo inventei!
Stephem fica surpreso, ali diante dele havia alguém realmente especial.
- E funciona?
- Está esperando o que para passar isso? Se não funcionasse por que diabos eu iria querer que vocês usassem?
Os dois se apressam, fazem conforme o farejador orientou, em seguida foram escondidos em um tipo de porão, a porta no entanto, ficava bem oculta no chão, não se conseguia perceber que havia ali qualquer passagem.
Uma nave para muito próxima de onde a outra se encontrava, de dentro dela descem três farejadores, na verdade três temidos farejadores, eles estavam bem armados e dispostos a encontrarem Baiza, que a essa altura já os aguardava sentado em sua varanda, eles sE aproximaram sem demora.
- Saudações Nulla Baiza, o mito! - Cumprimentou o farejador mais alto, se tratava de Marva Ziuu, os outros dois só acenaram com uma mão enquanto seguravam uma arma na outra.
- O que querem aqui? - Respondeu rispidamente.
- Você não sabe? 
- Está brincando comigo, Marva? Tudo que eu sei é que três intrusos vieram aqui me encher a paciência, e vieram armados e estão em meu quintal sem me respeitar e só aviso uma vez, é melhor apontarem a arma pra baixo.
- Nossas armas não estão apontadas em sua direção! - Desta vez foi outro farejador quem falou, aquele conhecido por Kinno Zba.
- Obedeçam o nosso anfitrião! - Ordenou Marva Ziuu e imediatamente foi atendido pelos outros dois.
- Diga, o que vieram fazer aqui?
- Você com certeza já deve estar a par a respeito do furto de Iokran. - Afirmou Marva.
- Fiquei sabendo, mas e eu com isso?
- Meu amigo Baiza, é justamente isso que viemos conversar?
- É mesmo? E qual interesse eu poderia ter a respeito disto? Eu não me isolei deste lado da galáxia para ser incomodado, minha opção foi ficar sozinho, portanto, podem acionar sua nave e ir embora daqui.
- Sozinho? bom, será? - Ironizou Kinno.
- Ironia e indiretas são para seres com um mínimo de inteligência, o que não é o seu caso, Kinno Zba! - Disse Nulla e continuou. - Então dentro da sua capacidade que  não é lá grande coisa, sugiro que você seja direto e não venha com frases prontas onde o máximo que você poderia conseguir seria se expor ao ridículo, coisa aliás, que não é nenhuma novidade para você!
Por um momento Kinno fez menção em levantar a arma, mas foi contido por Marva que até sorriu e voltou ao diálogo.
- O mesmo Nulla Baiza dos velhos tempos, a acidez é algo que já faz parte de sua personalidade. -Ziuu anda por trás dos outros dois sorrindo, e continua a fala. - Nós temos aqui um problema! Pegamos o rastro dos suspeitos e olhe só! O rastro veio dar exatamente aqui em Tuktah! Ai me lembrei que o amigo estava morando por aqui. Será que não recebeu nenhuma visita?
- O que aconteceu com a porra da sua percepção musla? - Disse Nulla mais uma vez de forma rude, uma vez que a percepção musla é o dom que os farejadores possuem para rastrear qualquer coisa, nascem com isso. - Se alguém tivesse estado aqui ou se ainda estivesse, você não seria capaz de perceber?
- Mas é justamente isso que não estou entendendo, porque o rastro nos trouxe aqui, mas não consegui perceber a presença de quem procuro, nem mesmo da nave, mas todo nós sabemos que a nave pode ser camuflada contra gente como nós, não é mesmo? Basta fazer o ajuste certo unindo a camuflagem e o campo, mas nem todo mundo sabe fazer, existe muita, mas muita gente que necessitaria da ajuda de um farejador para dar certo, não concorda comigo?
- Certo, mas  nave não conseguiria ocultar a tripulação, só coisas inorgânicas, por tanto, nenhum farejador poderia ajudar alguém neste sentido.
- Sim! Você tem toda razão! A não ser que a UIV já tivesse desenvolvido secretamente algum tipo de camuflagem que permitiria o ocultamento também da tripulação.
- Essa tua lógica é tão idiota quanto você! - Esbravejou Nulla.  - A UIV é a mais interessada em recuperar o Iokran, por que diabos daria aos ladrões essa vantagem?
- Então o que pode ter acontecido?
- Sinceramente eu não estou nem um pouco preocupado com isso, essa missão é problema seu, descubra você mesmo e aproveite e vá embora da minha casa. Ninguém é bem-vindo aqui!
- A nave poderia ter pousado em qualquer lugar desse planeta, Marva. - Desta vez foi Nazzir Suta, o outro farejador quem falou.
Marva olha para Nulla e meio que desconfiado lhe pergunta:
- Estamos indo embora, mas se o amigo não se importasse, poderíamos entrar em sua casa?
- Por que eu deveria deixar?
- Entenda como uma ação de boa fé!
Nulla faz um gesto e convida apenas Marva a entrar, os outros dois tiveram que esperar do lado de fora, a revista durou pouco tempo, não encontrando nada saiu e deu a ordem.
- Não há qualquer sinal que os fugitivos estejam ou estiveram aqui! Vamos embora!
Por precaução Nulla Baiza esperou um bom tempo antes de liberar os dois fugitivos do porão, em seguida sentou-se junto com Stephem e Urzo e começou a conversar.
- O Iokran  não pode ser rastreado pelo poder dos farejadores, isso é um problema! -Disse o anfitrião.
- Quanto tempo ficaremos ocultos a eles? - Indagou Olson.
- Não tenho como precisar!
- O que faremos agora?
Nulla baixa  a cabeça e a balança negativamente, queria mesmo ficar de fora desse problema, mas sentia que já estava envolvido, além de que devia favores a All Norah, deu o leve soco na mesa e disse:
- Que droga! Vocês dois não serão capazes de cumprir essa missão de localizar Iokran, eu irei junto!
Stephem Olson e Urzo Kiq sorriram, eles sabiam bem da importância de ter no grupo alguém com as habilidades de Nulla, agora o próximo passo seria ir atrás do suspeito numero um...

CONTINUA...


 

 
 

 
 

  

sábado, 7 de maio de 2016

IOKRAN

PARTE 6  - NULLA BAIZA
Por Jair Nepomuceno 

   O planeta-anão Tuktah ficava localizado nos limites do quadrante oito, um dia terreno foi o tempo em que Stephem e Urzo levaram para chegar aquele lugar, tanto a atmosfera quanto a geografia lembrava muito o da Terra, haviam densas florestas contendo espécies de árvores nunca visto pelo comandante, algumas de tronco na cor cinza, outras azuladas, pássaros voavam por sobre as copas, animais muito semelhantes as araras e papagaios, mas bem maiores, o dobro do tamanho.
   Urzo apontou o dedo estavam chegando ao local indicado pelo mapa, era ali, em uma cadeia de pequenas montanhas e tendo como vislumbre um lago colossal de águas verdes e brilhantes que Nulla morava, pousaram a nave sobre uma pequena plataforma feito de um material que parecia granito, desceram e ao abrir a porta do transporte, Stephem sentiu mais uma vez a tontura causada pelo ar, em Tuktah não existia oxigênio e sim Exzânium e seus pulmões não estavam ainda familiarizados com aquele tipo de ar.
- Não se preocupe, logo o efeito da atmosfera vai passar. - Disse Urzo. - Você está respirando Exzânium!
Olson baixou a cabeça ao mesmo tempo que concordava acenando-a, curvou-se apoiando os braços sobre os joelhos, ficou assim por quase um minuto.
- O efeito está diminuindo. - Falou ainda com voz branda.
- Você consegue andar ?
- Sim!
 Os dois caminharam até uma passagem entre a rocha, um tipo de trilha, andaram por um breve tempo até se depararem com uma casa isolada e sentado na varanda estava ele, a lenda dos farejadores, Nulla baiza, mas não estava com cara de bom anfitrião, pelo contrário, segurava uma arma em uma mão e na outra uma caneca onde levava a boca.
- Nulla Baiza, saudações! - Cumprimentou Urzo.
- Quem são vocês e o que querem aqui?
- Viemos em paz! - Respondeu Urzo. - Estamos aqui em nome de  All Norah.
Nulla descansa a arma em sua cintura lentamente, os dois ficaram parados aguardando alguma resposta do estranho anfitrião.
- O que All poderia querer de mim, tem algo a ver com o sumiço de Iokran?
- Sim! - Respondeu mais uma vez Urzo enquanto Stephem permanecia em silêncio. - Tem algo a ver com o furto de Iokran.
- Sei. - Nulla se senta em um banco de pedra, continua. - Então isso quem sabe poderia responder o motivo do comandante de Nova está aqui junto com você.
- Ele está aqui para buscar ajuda.
- Ajuda para esconder o artefato?
- Eu não tenho nada a ver com o furto de Iokran.  Se irrita Olson. - Somos inocentes. 
- O Iokran estava sob proteção contra todas as raças potencialmente perigosas, mas parece que não contavam que uma das mais perigosas, embora primitiva, fosse capaz de chegar até esse ponto do universo e fizesse o roubo. As defesas em Vassanur12 são de caráter único e intransponível, o seu DNA não estava, no entanto, catalogado para que surtisse a defesa. É óbvio que um humano roubou iokran.
- Tudo bem.- Diz Stephem. - Mas isso não significa que um humano sob o meu comando fez o tal roubo. Existem milhares de humanos clandestinoS no universo.
- Isso é verdade! - Diz Nulla. - Mas não serve de atenuante, não há álibi no que acaba de me dizer. Tanto não há, que veio até aqui para angariar minha ajuda. Confesso que estou curioso em saber o que All Norah pensou que eu pudesse fazer para ajudar, se é que eu irei fazer isso.
- Estou sendo procurado por farejadores. -Disse Olson. 
- Entendi! Vocês estão aqui no intuito de conseguir ajuda para fugirem da perseguição dos farejadores.
- Isso mesmo!
Nulla esboça um sorriso, se levanta do banco e convida os dois recém-chegados a entrarem em sua casa, assim que entraram puderam contemplar o lugar, uma sala grande com vitrais e cabeças de criaturas selvagens que ornamentavam as paredes como troféus de caça. Tudo era um tanto rústico, havia uma grande mesa de madeira amarelada, quase laranja, e bancos feito do mesmo tipo de material, assim como um tipo de sofá coberto por uma pele listrada que lembrava muito o de zebra, mas na cor cinza claro no lugar do branco.
Nulla Baiza era metódico, ele não iria fazer nada até ter certeza de todas as possíveis variáveis, sua forma de agir o fez especial, nada fugia a sua percepção se ele estivesse disposto a algo, assim era ele, uma criatura misteriosa e criteriosa, mas apesar de não ser uma unanimidade entre vários poderosos da UIV, era sem dúvida respeitado. 
- O que já sabem a respeito do ladrão? - Indagou o farejador.
- Nós temos um suspeito! - Respondeu Urzo.
- Isso é bom! - Diz Nulla, continua. - Como chegaram a esse suspeito?
- Estivemos em ZK6 e encontraram lá um humano! - Disse Baiza.
- Isso mesmo, mas não é ele o suspeito! Falou Stephem.
- Ele deu a vocês de bandeja o nome do suspeito!
- Trata-se de um ex-fuzileiro chamado Clint Thomas! É um sujeito psicótico! Foi da mesma turma de formação que eu participei. Foi condecorado e também condenado por crimes de guerra!
- E qual o paradeiro dele?
- Segundo o que apuramos, ele estaria em Wiu. - Desta vez foi Urzo quem respondeu.
- A lua gigante de Worinm! - Completou o farejador.
- No momento é tudo que sabemos!- Disse Olson.
Nulla Baiza coça o queixo, se vira, fica de costas, parecia analisar alguma coisa, ficou de costas para os dois visitantes que se entre olhavam aguardando em silêncio pacientemente, era como aguardar um veredicto, mas se tratando de uma figura tão imprevisível aquela espera se tornava angustiante. Após alguns minutos, o anfitrião volta o olhar para os dois e disse:
- Essa ameaça atinge a todos nós! Não posso negar um favor a All, apesar de ter decidido a permanecer longe de tudo e de todos!
- Nós agradecemos! - Quando Stephem tentou completar a frase, foi interrompido por Nulla.
- Entretanto, se eu descobrir que você tem alguma coisa ligada a esse furto, seja diretamente ou indiretamente, por mais ínfimo que seja, eu arranco a sua maldita cabeça! 
- Você tem a minha palavra de que não ha qualquer ligação minha ou da minha tripulação nesse caso!
Baiza fecha os olhos, e levanta  a cabeça ainda de olhos fechados, quando enfim abre seus olhos diz sem pestanejar.
- Quatro farejadores estão vindo para cá, chegarão aqui em pouquíssimo tempo, eles pegaram o rastro de vocês!


CONTINUA...

 


 

 

quinta-feira, 21 de abril de 2016

IOKRAN

PARTE 5 - A ESTAÇÃO 
Por: Jair Nepomuceno

Stephem e Urzo chegaram ao quadrante oito de forma rápida, a nave doada por All Norah era realmente notável, seu hiper espaço poderia percorrer um quadrante inteiro em um terço do dia, ir de uma galáxia a outra a partir de um dia, havia galáxias ainda inexploradas, mesmo para a confederação, portanto, algumas poderiam levar meses para se alcançar.
A estação espacial do quadrante oito era imensa, caberia facilmente três estádios de futebol dentro e ainda sobraria espaço, uma joia no infinito, local onde o comércio era intenso e o vai-e-vem de alienígenas uma constante, havia ali um pouco de tudo, de um tio de boate a hotel, a UIV não controlava aquela estação diretamente, a confederação Beta que fazia toda a administração, mas era subordinada a UIV.
Logo na plataforma de desembarque, todos os transeuntes eram submetidos a revista de entrada para detectar armas, passavam por um tipo de barreira de luz azul que escaniava, nem um botão de mental conseguiria passar sem ser detectado, mas a U44, a arma que Stephem e Urzo carregavam consigo era oculta aquela tecnologia por ser feita de um metal alienígena especial, que só os Baleos da constelação Rikka conhecia os segredos daquele metal.
Entraram sem problemas, por enquanto Olson estava anônimo aos alienígenas que o olhavam admirados não por saber quem ele era, mas por ser de uma raça costumeiramente rara, não era todo dia que um humano passeava por aquele quadrante. Com assadas largas foram a procura do outro humano, não seria difícil conseguir a informação a cerca do local onde ele trabalhava, Urzo arrancou a informação rapidamente, o tal humano trabalhava em um tipo de bar, disseram que ele havia se tornado sócio lá a pouquíssimo tempo.
Stephem estava usando um capuz, assim que chegaram no lugar o viram de longe atrás do balcão, servindo outros alienígenas, se aproximaram e Urzo não demorou a chamá-lo para a conversa.
- Humano! - Gritou.
O homem de aparentemente cinquenta anos, calvo, alto e magro de olhos verdes olhou inda surpreso pelo grito, havia muito tempo que ninguém o chamava de humano.
- Pois não, senhor! - Respondeu ainda demonstrando um semblante admirado.
- Ora, ora! - Disse o comandante de nova retirando o capuz que escondia sua face. - Um outro humano, estou surpreso!
- Ei! - Disse o homem apontando o dedo ao outro humano. - Você é o capitão Stephem Olson, comandante da nave Nova!
- Sim, sou eu mesmo!
- Meu Deus! - Sorriu alegremente o surpreso homem e continuou. - Nunca imaginei que um dia veria a sua fuça! O que você faz desse lado do universo?
- Estranho você perguntar isso, pois é justamente o que eu gostaria de saber de você!
- Estou aqui tentando sobreviver!
- Percebi!
- Cara, ainda to surpreso! O comandante mais famoso do planeta terra, bem aqui, na minha frente!
- Como você se chama?
- Me desculpa o mau jeito! - O homem estendeu a mão para Stephem e se apresentou. - Me chamo Hector! Hector Canalles!
- Você é mexicano?
- Não! Eu era americano! Meus pais eram mexicanos!
- Que ótimo! - Olson se senta em um dos bancos de metal, Urzo prefere ficar de pé, atento a tudo a sua volta. - Nós precisamos conversar com você! De preferência em um lugar mais reservado!
- Por que?
- Porque o assunto é extremamente importante!
- Não tenho nenhum assunto importante para conversar! - Hector muda o semblante sorridente por outro sisudo!
- Tem sim! - Insistiu Olson.
- Não, não tenho! E sinceramente, mesmos se eu tivesse, eu não conversaria, não quero falar sobre assunto nenhum!
- Acontece que não está no seu querer! - Stephem se levanta e fita Hector nos olhos.
- Ei cara! Onde você pensa que está? Aqui não é a sua nave e nem o planeta terra! Você não tem autoridade alguma aqui! Se insistir, mando a segurança te chutar o traseiro daqui!
Olson sorrir e olha para Urzo que entra no diálogo de forma decidida.
- Presta muita atenção, seu primitivo! Sou membro conselheiro da UIV, e portanto, essa estação está sob minha ordem, porque essa galáxia está subordinada a hierarquia da confederação. Estamos aqui em visita oficial, isso quer dizer que eu posso acabar com você em um segundo, basta eu denuncia-lo como um maldito clandestino.
- Clandestino, eu?
- Isso é evidente, seu idiota! - Urzo continua seu discurso de ameaça. - O humano que não estiver em Nova, sob o comando de Stephem Olson é um clandestino! Quer tentar chutar os nosso traseiros? Te desafio a tentar!
Nesse momento um alienígena se aproxima, era um dos seguranças da estação, na verdade, o chefe da segurança, uma criatura grande e de voz rouca, pertencente a raça dos qxarris.
- Algum problema aqui? - Indagou a criatura.
Hector olha preocupado para o recém-chegado e rapidamente tenta apaziguar.
- Problema nenhum! - Eles são da UIV, estão aqui em visita oficial!
O semblante do chefe da segurança mudou imediatamente, ele tinha a dimensão do que a UIV representava.
- Perdoe-me a falta de sutileza! Sejam bem-vindos! Existe algo que eu possa fazer para ajudar-los?
- Sim! - Respondeu Urzo, e continuou.- Que você cale a boca e saia da nossa frente!
O alienígena obedece de imediato, vai para fora do local deixando Hector com os visitante sem importuna-los.
- O que vocês irão fazer? Irão me denunciar por clandestinidade? Isso é uma injustiça e uma aberração! Vocês não são Deus! Quando destruíram o planeta Terra, escolheram quem podia e não podia viver! Eu fugi de lá para ter uma chance à vida! Nunca fiz mal a ninguém, nunca infringi nenhuma regra e nem cometi crimes! Durante todo o tempo lá na Terra me comportei de forma exemplar sem me desviar da lei. Vocês não tem o direito de bater o martelo e decidir quem vive e quem morre!
- Calma! - Disse Stephem. - Nós só queremos conversar, apenas isso!
- O que querem saber?
- Viemos falar sobre Iokran! 
- Eu não sei nada sobre isso!
Olson se senta, passa a mão sobre a própria cabeça, a balança de forma negativa e diz:
- Meu camarada, acho melhor você não dificultar as coisas! Pro seu próprio bem é melhor cooperar!
- Mas eu estou falando a verdade! Não sei nada sobre essa tal Iokran, eu juro! Nem sei o que é isso!
- Você sabe de muita coisa! - Insistiu Stephem. - Não existe só você de humano na clandestinidade, está achando que não sabemos disso?
- Ta legal! - Fala Hector. - Dois outros humanos estiveram aqui em ZK6, na verdade estiveram mais de uma vez! Eles me convidaram para participar de um "esquema" que segundo um deles insistia em dizer, iria mudar a minha vida para sempre!
- Quais os nomes deles e o que isso significa? - Indagou Olson.
- Seus nome são Clint e Dylan, eles falavam sobre uma coisa que nos daria muito poder, inclusive poderes para confrontar a UIV!
Stephem balançou a cabeça positivamente, não estava surpreso em saber que Clint poderia ser um dos envolvidos, o outro ele não conhecia.
- Clint Thomas, certo? - Perguntou o comandante de Nova.
- Só o conheço por Clint e que ele foi um militar americano de muitas condecorações, o outro também era militar de uma das divisões que ele fora comandante, mas não sei o nome completo deles, isso é tudo que eu sei!
- Você o conhece, Stephem? - Indagou Urzo.
- Infelizmente sim! E posso afirmar que não poderia ser gente pior! - Olson vira-se ara Hector e continua o interrogatório. - Quando foi a ultima vez que o viu?
- Acho que foi ha nove  ou dez dias na contagem terrena.
- O que mais ele falou a respeito do tal esquema?
Hector aparentava muito nervosismo e desconforto, estava visivelmente inquieto, mas decidiu cooperar.
- Olha, esse cara é perigoso! Eu não quero me envolver nisso! Se ele descobre que tive essa conversa com vocês, ele vem aqui e me mata!
- Vamos pega-lo antes disto. - Disse com altivez o comandante. - Preciso que você me dê os detalhes,
- Ele disse que era algo muito poderoso, que os humanos que estivessem aliados a ele iriam vingar a destruição do nosso planeta e tomar o controle da galáxia!
- Para onde ele foi? - Desta vez foi Urzo quem perguntou.
- Por favor, me deixem fora disto!
- Responda, nós iremos garantir que ninguém, nunca mais virá aqui te importunar, tem a minha palavra! - Falou Stephem, continuou. - Ele é um terrorista perigoso e or causa dele, nós humanos seremos caçados pelos confins das galáxias! Ele roubou o Iokran e agora a UIV me deu um prazo de alguns dias para captura-lo. Acredite, o que ele tem em mãos jamais poderá controlar, ninguém, além dos alienígenas mais evoluídos tem o conhecimento para manipular os poderes do Iokran!
- Ok. - Disse Hector cabisbaixo. - Ele está em Wiu, a maior entre as nove luas do planeta Worinm!
- Onde fica esse planeta? - Perguntou Stephem.
- Eu sei onde fica! - Disse Urzo. - Está localizado nesta galáxia, no quadrante três! Faz parte de um sistema solar muito parecido com o que o seu planeta orbitava, a diferença é que existem quatorze planetas em volta do sol laranja, e Worinm é o quinto planeta, mas curiosamente, não está habitado, somente as suas luas. Das nove luas seis estão habitadas.
- Então não temos tempo a perder! - Olson tranquiliza o outro humano e agradece pelas informações, promete não envolve-lo no caso, o orienta a não falar nada a respeito do que conversaram com ninguém e lhe desejou boa sorte, em seguida sem demora foram para  a plataforma e embarcaram antes que a UIV descobrisse que eles estavam  ali em ZK6, agora antes de qualquer coisa, precisavam ir atrás de Nulla Baiza, o farejador.


CONTINUA...





 





quinta-feira, 10 de março de 2016

IOKRAN

PARTE 4 - RUMO AO DESCONHECIDO
Por Jair Nepomuceno

No dia seguinte muito cedo, Stephem decola para a sua aventura, o nervosismo e a ansiedade lhe bombardeavam a cada segundo, não sabia o que iria encontrar, durante a noite anterior teve receios e ficou muito próximo de desistir de tudo e simplesmente entregar a si e Nova ao destino imposto pela corte intergalática, mas a sua força de vontade e a lealdade a seus princípios falaram mais alto.
Olson fez tudo como orientado por All Norah, assim que pousou na emigração do planeta Siwa T despistou a escolta e partiu para Castrata ao Sul de Noa-Quo, uma viagem que durou pouco mais de sete horas, afinal partiu para o outro lado do planeta e apesar da grande distância as naves utilizadas na galáxia poderiam percorrer em tempo muito curto, cinco vezes mais rápido que o mais moderno avião que existia na terra, e ainda dar saltos espaciais saindo de uma galáxia e entrando em outra em menos de quatro dias.
Não demorou muito para chegar em Castrata, menos ainda para localizar o tal bar transição, todo mundo conhecia o local, a fachada era iluminada, um azul cintilante e um dourado reluzente, na entrada dois grandes alienígenas faziam a segurança, mas não paravam ninguém nem faziam perguntas, qualquer um poderia entrar em transição sem ser incomodado, a razão dos dois brutamontes ficarem de guarda era para resolver qualquer problema de balbúrdia, coisa, aliás, muito comum naquele local e também para avisar que autoridades estavam chegando.
Assim que entrou no bar sentiu um cheiro diferente, lembrava aqueles desinfetantes de baixa qualidade, o oxigênio era substituído por exzânium, um elemento químico abundante em praticamente todos os planetas daquela galáxia e em muitas outras também, a respiração não sofria qualquer alteração, mas no início causava um pouco de mal-estar, problema que deixava de existir entre quatro e sete minutos dependendo de cada um. 
Olson ainda estava sofrendo com os efeitos do Exzânium quando alguém lhe tocou o ombro, era All Norah, disfarçado de mercador, o arrastou até a mesa onde outro alienígena o aguardava, durante esse breve percurso, mesmo sob o efeito incomodante do gás em seus pulmões, Stephem pode vislumbrar o lugar e perceber que ali havia pelo menos quinze raças de alienígenas, algumas de aparência grosseira, outros de figura similar ao homem, todos conversavam e o barulho era realmente grande, o piso em um vermelho cor de sangue, as paredes em azul e haviam fêmeas de raças bizarras dançando dentro de gaiolas suspensas, algumas com corpo humanoide.
- Estou um pouco tonto! - Disse Stephem assim que sentou-se à mesa.
- Não se preocupe com isso! - Falou All Norah. - Seus pulmões e seu organismo logo irão se adaptar, isso é efeito do Exzânium!
- Mas não senti nada disso quando estive na Corte em Noa-Quo!
- Isso porque lá se usa o oxigênio, em todo o complexo! - Continuou Norah. - O senhor Joraw se sente bem respirando o gás de seu antigo planeta!
- Onde se consegue oxigênio? Indagou Stephem?
- De uma máquina que produz a partir dos componentes químicos desse elemento, aprendemos a criá-lo depois que fomos ao planeta Terra. Moléculas não são complexas quando se tem o conhecimento e a tecnologia necessária. - Norah sorriu e fez quentão de mudar e assunto. - Mas não viemos aqui para falar de calcogênios, deixa eu te apresentar aqui o meu parceiro. Esse é Urzo kiq um parente meu. - O outro alienígena estendeu a mão para Stephem que o cumprimentou imediatamente. - Ele será o seu companheiro nesta jornada!
- Estou ansioso! - Disse o comandante de Nova.
- Tenha calma, tudo dará certo! - Falou All pausadamente.
- O que farei agora?
- A primeira coisa a fazer é se dirigir ao quadrante oito e tentar obter informações que possa te dar uma pista mais concreta de quem teria feito isso, para tal, você deverá procurar o humano que trabalha la na estação espacial! Depois disso, seria imprescindível que vocês fossem para o quadrante sete e lá se dirigisse ao planeta-anão conhecido como Tuktah. Irão procurar por Nulla Baiza, o farejador! Ele é meu amigo e temos favores um com outro!
- Por que devo ir atrás desse farejador?
- Porque ele é a sua unica chance de conseguir se esconder dos outros farejadores!
- Nulla é o farejador mais respeitado, um mito! - Disse Urzo. - Abandonou essa função e se isolou em Tuktah! Nenhum outro tezariano se compara a ele em habilidade! Ele se tornou uma lenda!
- Entendeu agora? - Indagou All Norah. - Para se ocultar de um farejador, só tendo orientação de outro farejador, e nesse caso, do melhor dos melhores!
- Certo! E ele vai querer me ajudar?
- Acredito que sim! Ele não negaria um pedido meu! Urzo tem o mapa e a localização exata de onde ele está em Tuktah! Em menos de dois dias vocês estarão lá usando a nave que eu separei para você! A sua ficará aqui em Castrata! Tome. - Disse Norah dando a Stephem uma arma por baixo da mesa. - Essa arma não recarrega, ela tem uma célula de energia que é descartável, é uma U44 criada pelos Baleos da constelação Rikka, um disparo pode atravessar praticamente tudo a uma distância de quinhentos metros. Pode atravessar quatro paredes seguidas, mas normalmente só possui energia para até trinta disparos, portanto, a use com sabedoria! Ela é discreta e leve!
- Eu já abasteci a nossa nave. - Disse Urzo. - Temos provisões para bastante tempo! Armas são facilmente detectadas em estações e e outros planetas, menos a U44, por isso faremos uso dela.
- Agora é com vocês! Desejo boa sorte!
- Como manteremos contato?
- Não podemos nos comunicar por nenhum meio tecnológico, entretanto, Urzo e eu possuímos o dom da telepatia zan, por que somos filhos do mesmo pai! Ma essa telepatia nos esgota, então Urzo só entrará em contato comigo quando for extremamente necessário!
- Vocês são irmãos?
- Nossa cultura e nossa biologia são bem diferentes da sua, Stephem! - Respondeu Norah. - Não somos considerados irmão como seria em seu planeta e na sua raça, mas isso é algo que um dia conversaremos a respeito, tudo bem?
Stephem concorda com um aceno positivo, depois sem demora se despede de Norah e segue o outro alienígena, mas não sem antes pedir ao promotor que cuidasse de Nova e fizesse tudo que estivesse ao seu alcance para proteger a tripulação.
O universo, mas precisamente o quadrante oito daquela galáxia havia se tornado território de caça, não só ao humano que havia roubado o Iokran, mas também ao próprio Stephem Olson, ele havia se tornado caça e caçador, o futuro era incerto e aqui, começa a sua jornada para salvar a raça humana e restaurar o equilíbrio do universo.


CONTINUA...

quinta-feira, 3 de março de 2016

IOKRAN

PARTE 3 - UMA BUSCA ARRISCADA
Por Jair Nepomuceno

   Stephem retornou a sua nave mantendo ainda um semblante preocupado, ele sabia que a boa vontade dos alienígenas para com os humanos era algo inexistente, mas ele não iria se entregar sem luta, a honra que lhe acompanhava de berço não deixaria sua determinação abalar-se, o seu pai, um dos comandantes mais condecorados da terra, lhe ensinou direitinho o caminho da dignidade e lealdade.
    Assim que entrou em Nova, convocou o conselho e fez a sua reunião, contou tudo que ouvira e deu detalhes do que havia acontecido na corte de Siwa T, tentou animar seus comandados, disse que tudo ficaria bem, palavras que ele próprio não acreditava, mas um pandemônio dentro da nave era coisa que não poderia acontecer, principalmente naquele momento delicado.
Quando a reunião acabou, apenas Elias permaneceu junto a Stephem, ele era o homem de confiança do comandante, por essa razão contou mesmos em saber de mitos detalhes o plano que All Norah havia lhe passado na rampa.
- O senhor confia a esse ponto no promotor? -Indagou Elias.
- Pense comigo, agora não é uma questão de confiar ou desconfiar, não temos alternativas! Qualquer ajuda que vier será muito bem-vinda, e se tratando de All, eu confio nele, ainda que houvesse outras alternativas.
- E depois o que será?
- Isso é o que irei descobrir!
- O senhor vai precisar de mim para alguma coisa dentro do tal plano, seja ele qual for?
- Você não se envolverá nisso de forma alguma!
- Mas senhor...
- Eu preciso de você aqui! - Disse Stephem interrompendo a frase do seu subalterno. -Preciso de você no comando de Nova! Não existe outro que eu confie tanto!
- Eu estou muito preocupado!
- Não fique! Eu sei que pode tomar o meu lugar, caso precise!
Uma voz surge no aparelho que ornamentava o centro da mesa da sala de reunião, Olson se apressou em liberar a comunicação:
- Senhor comandante, aqui é o primeiro oficial, Matt! Uma pequena nave pede permissão para pouso, identificou-se como um mercante e afirmou categoricamente que tem hora marcada com o senhor!
- Qual o nome dele, oficial? - Elias quem perguntou.
- Sekma, senhor!
- É ele! - Disse Stephem enquanto bloqueava o aparelho, em seguida libera novamente a comunicação e complementa. - Aqui é o seu comandante! Pode liberar a aterrissagem e entrada em nossa nave, ele é um mercador e veio me oferecer quolma!
All Norah entrou com um disfarce que o deixava completamente irreconhecível, manteve a aparência de um Z'sarim, no entanto, teve o cuidado de retirar a gema da testa, colocar alguns acessórios no rosto e cabeça, alem de aumentar o solado da bota que usava para dar a nítida impressão de ser bem mais alto. Usava um óculos amarelo que escondia os olhos e os mercadores adoravam usa-lo para se proteger da radiação cósmica.
Stephem, All e Elias foram para a sala de reunião, local de muita privacidade, lá, o promotor poderia contar a respeito de seu plano.
- E então, All? -Indagou Olson. -O que você tem para mim?
- O intuito aqui é ganhar tempo para o seu povo!
- Qual o plano? - Perguntou Stephem.
- Você vai sair em uma missão! A missão seria encontrar o verdadeiro culpado! Te darei as ferramentas necessárias para que você possa cumprir o plano. Terás uma nave, um ajudante da minha mais alta confiança, arma e o resto será contigo!
- Mas All! - Diz o comandante, continua.- E quanto as represálias que Nova sofrerá, você pensou nisso? A corte me deu um prazo de quarenta e oito horas!
- Você será dado como desertor! Eu cuidarei disso! Com essa situação, a corte não poderá fazer nada contra Nova, eles terão que marcar uma nova audiência com o teu substituto, para com certeza dar a ele as mesmas diretrizes que impuseram a ti! Isso não é algo que se possa fazer, como diria os terráqueos, da noite par ao dia! Todo esse processo levaria no minimo uns quatro dias e pelo menos mais um dia de prazo. Seu povo ganharia cinco dias!
- Certo, mas e depois? - Desta vez foi Elias quem indagou.
- Depois ficará por conta de Stephem!
- Mas eu não sei nem por onde começar essa busca!
- Coloque a cabeça para funcionar, Olson! - Disse o alienígena. - Você já possui informação relevante, já sabe que o ladrão é com certeza um humano! Além disso, vou te dar agora outra informação que lhe será muito útil! Você deverá se deslocar em primeiro lugar para o quadrante oito, lá, existe a estação espacial Zk6, e nessa estação trabalha um humano de nome Goldberg. Ele já está lá ha nove anos terrenos, então ele sabe de muita coisa, já viu muita coisa durante esse período.
Stephem sorriu, não sabia nada a respeito desse terráqueo e nem da existência da estação ZK6, achou satisfatório a nova informação.
- Já tenho para onde seguir! Mas existe a questão da custódia de Nova, nenhum tripulante pode sair da nave!
- Eu cuidarei disso! irei emitir uma ordem de apresentação sob a alegação de que você pediu audiência por ter novos fatos a respeito do paradeiro de Iokran! Então você será escoltado até Siwa T, quando pousar na emigração, antes de entrar em Noa-Quo, a escolta retornará para Nova, então, você decola e vai para a parte sul de Siwa T, mas precisamente na região de Fandúria, onde fica localizado as montanhas de prata! Assim que chegar nessa região, você vai se dirigir para a cidade de Castrata, é a maior cidade do sul.  Estando em Castrata, você deverá ir para um bar conhecido como transição, é muito grande, lugar onde os mercadores, mercenários e todo tipo de escória vai para tratar de negócios, lícitos e na grande maioria das vezes, ilícito. Eu o estarei esperando lá!
- Certo!- Disse calmamente o comandante de Nova, continuou. - Depois disto, qual será o próximo passo?
- Você mudará de nave, a sua ficará lá por dois motivos, o primeiro para servir de isca, já que a UIV vai te procurar lá e perderá muito tempo fazendo isso, o segundo motivo é que a sua nave não é tão rápida e bem equipada para os saltos espaciais! 
- Como sabe que a UIV vai me procurar lá?
- Porque eu irei te denunciar! Como a corte sabe que possuo inúmeros contatos nesse quadrante, meu álibi de saber exatamente para onde você fugiu cairá como uma luva! Só deixando claro que a partir da sua deserção, você será tratado como criminoso, não só a UIV ficará atrás de você, mercenários e caçadores de recompensas também, mas esses não serão o seu maior problema, o seu maior desafio será escapar dos farejadores, acredite, cedo ou tarde, eles chegarão até você, não importa em qual quadrante esteja, nem em qual galáxia, eles chegarão até você!
Stephem muda o semblante, a preocupação em seu rosto é notório, então o comandante de Nova pede mais informações sobre os tais farejadores.
- Quem são esses caras?
- São da raça D'tezza! Os tezarianos são os melhores do universo em perseguição e rastreamento, verdadeiros guerreiros, mas tem o lado mercenário! Se encontrar com um deles, você já era!
- E como ele fará para escapar desses caras? - Perguntou Elias bastante preocupado.
- Sem ajuda, as chances serão inexistentes!
- Esses D'tezza trabalham para a UIV?
- Não. Eles não são bem aceitos pelos Undarianos, nem pelo próprio senhor Joraw, mas serão convocados para perseguir você, assim que não te encontrarem em Castrata! Hoje eles se resumem em quatro, que trabalham nessa parte da galáxia!
- Então meu tempo pode encurtar mais ainda! Se você diz que não tenho meios de escapar desses farejadores, qual o sentido de me arriscar se o resultado final será a aniquilação minha e do meu povo?
- Porque eu tenho um modo de ajuda-lo a se esconder dos farejadores! Na verdade, o que eu tenho é a unica chance de fazer com que você escape das garras dos Tezarianos! Reze para que essa chance se torne real!
- Fiquei curioso!
- Amanha te contarei os detalhes, por hora isso é tudo que eu vim fazer aqui, espero que você tenha entendido tudo, esse plano não pode haver erros, caso aja, eu e você estaremos mortos!
O promotor se despede dos dois comandantes e retorna para Siwa T, Stephem então convoca outra reunião com os outros dois comandantes e a imediata.
Depois de repassar aos seus comandados tudo que estava sabendo a respeito de Iokran, Olson pediu ajuda para tentar chegar a um nome, e então, Elias lembrou-de algumas pessoas, mas não havia como saber se esses humanos conseguiram escapar do planeta terra antes da extinção.
- Quem que vocês imaginam que poderia ter escapado do extermínio e hoje está aqui nessa galáxia e de algum modo poderia estar envolvido nesse caso?
- Acaba de me ocorreu um nome, digamos, intrigante , senhor! - Disse Elias.
- Quem?
- O senhor se lembra de Clint Thomas?
- Sim, claro! Foi da minha turma de formação de oficiais! 
- Pois é! O senhor se recorda que ele foi reprovado para o cargo de comandante da segunda brigada do exército por atitudes inadequadas?
- Ele foi o oficial mais condecorado da guerra na Turquia, liderou uma tropa de forma brilhante, foi um dos responsáveis diretos pela vitória dos aliados contra o terrorismo!
- Eu me lembro bem dele! - Desta vez foi Ellen Chiara, a imediata quem se pronunciou. - Ele chegou a  ser julgado por crime de guerra, até por estupro das mulheres do país inimigo! Ele era um psicopata heroico!
- Um herói de guerra e um desequilibrado! - Complementou Stephem!
- Ele era muito amigo de um alienígena lá na Carolina do Norte! - Complementou Elias.
- A rivalidade dele comigo começou logo depois que ele foi rebaixado de comandante para oficial subalterno na divisão anti-aérea! - Falou Olson.
- Por que ele criou essa rivalidade com o senhor? - Idagou Hilton Claro um comandante nascido no Brasil.
- Porque eu fui um dos responsáveis que o levou a corte marcial pelos crimes de guerra, ele acabou absorvido da maioria das acusações, mas acabou perdendo prestígio e posteriormente rebaixado de cargo! Ele era uma bomba-relógio ambulante!
- Sim, mas a questão aqui é: Ele poderia estar por trás desse episódio do Iokran?
- Talvez! - Respondeu Stephem.
- O fato dele ter convivido com o alienígena faz dele um potencial suspeito!
- Por enquanto não faz dele nada! Nem sabemos se o alienígena possuía meios de escapar da terra!
- O que o senhor pretende fazer?
- Me aventurar no desconhecido e tentar salvar a todos! Rezem por mim!


CONTINUA...