SERENITY
PARTE 13 - NOVAS DÚVIDAS
Por Jair Nepomuceno
Se a vida te der a oportunidade para desbravar novos horizontes, tenha ao menos cuidado de não dilacerar o próprio coração, pois nem toda aventura é benéfica e muitas vezes também não é necessária.
Vinne ouviu o trinco da porta do banheiro girando, nesse momento suou frio e sentiu desde que chegara a Serenity que aquele instante poderia lhe custar muito caro. Doutor Antony entra no banheiro e antes que pudesse puxar a cortina de plástico azul e branca que ocultava o curioso psicólogo dentro da banheira alguém entra gritando no recinto, atitude que acaba livrando Vinne do flagrante.
- Doutor Antony! Doutor Antony! - Era o Padre Pablo Cassilas.
- Estou aqui Padre! - Gritou de volta o Diretor.
Cassilas vai até onde ele está e começa a tagarelar.
- Um absurdo! Gostaria de registrar aqui a minha total insatisfação! Não se renega o que é Santo! Deus na pessoa de Jesus tem o templo como sua casa!
- Eu não estou entendendo nada, Padre! - Disse Antony. - O que houve?
- O que houve? Venha cá que eu te mostro o que houve! - Pablo segura na mão do Diretor e o arrasta para fora de sua sala, atitude aliás, que deu o alívio para VInne, agora ele poderia com cautela, sair dali.
- Padre! - Grita o Diretor tendo ainda fortemente agarrado em seu pulso as mãos fortes de Pablo Cassilas, o sacerdote nascido no México mas naturalizado americano.
- Espere, você verá! - Insistiu o pároco.
- Me diga o que houve! - Gritou com veemência o médico.
- Há mofo por toda a capela. Ninguém limpa, parece que está abandonada há anos! Nem parece a casa de Deus! É assim que vocês tratam por aqui a vivenda do Senhor?
- Pelo amor de Deus, Padre! Pensei que a capela estivesse pegando fogo! Todo esse alarde por causa de uma sujeira que se pode resolver rapidamente?
- Não é só pela sujeira seu Herético! É pela falta de compromisso com o templo de Deus! Se não vão cuidar da forma correta, me fale agora. Eu terei o máximo prazer em contar ao Bispo a respeito do descaso para com a casa do Senhor!
Doutor Antony ficou furioso a vontade que teve foi xingar aquele estrangeiro, mas se conteve, a situação de Serenity e todo o problema que a instituição estava passando já era demais, uma crise religiosa nesse momento só iria piorar ainda mais a situação.
- Peço desculpas, Padre! Prometo que isso não irá mais se repetir! A capela é de suma importância! - Antony chamou Brenda que ia passando apressadamente rumo ao crematório, e a mandou providenciar imediatamente a limpeza da capela.
Enquanto o Diretor adulava o sacerdote, Vinne aproveitava para fugir da sala em que estava, deu um intervalo no alojamento e só depois transitou pelo saguão e, foi justamente quando atravessava o saguão que ouviu Antony lhe chamar.
- Vinne!
O rapaz ficou um tanto nervoso, mas se aproximou do Diretor.
- Pois não, senhor!
- Recebemos uma intimação para que você compareça amanha pela manhã na delegacia.
- Eu?
- Sim. Você!
- Mas por que?
- Isso você terá que perguntar para o Malcon!
- Estranho!
- Quem não deve não teme, rapaz!
- Levando em consideração que eu cheguei em Serenity depois do assassinato do Poll e que também nunca antes havia estado aqui em Saint Sofhie, não preciso temer coisa alguma!
- Certo. - Disse o Diretor. - Então qual a razão de tanto nervosismo?
- Eu não estou nervoso, estou surpreso!
O Diretor sorrir, em seguida coloca as duas mãos no bolso do jaleco branco e pergunta:
- Você esteve em minha sala?
Vinne ficou nervoso, mas tentou atuar.
- Na sua sala? Quando?
- Agora a pouco!
- Não, por quê?
- Por nada. - O Diretor parecia desconfiado. - Só estou perguntando, já que algum curioso entrou lá e revirou as minhas coisas!
- Nossa! - Fingiu estar surpreso. - Isso acontece aqui?
- Não acontecia até você chegar!
- O que?
O Diretor sorrir, toca-lhe o ombro e diz:
- Estou brincando!
- Que bom, tomei um susto! - Vinne esboçou um sorriso meio que sem graça.
- Para onde ia tão apressadamente, garoto?
- Vou dar uma volta pela cidade, procurar uma casa para alugar, não posso, nem quero viver aqui dentro do hospital!
- Conheço uma família que está indo embora para Detroit e está alugando a casa já toda mobiliada.
- Sério?
- Sim! Ela fica a cinco quadras daqui! Tem três quartos, um com suíte. Lugar privilegiado, na Avenida Benjamin Harrison, esquina com o Museu.
- Benjamin Harrison, o vigésimo terceiro Presidente! - Disse Vinne sem pestanejar.
- Sim. Nascido em North Bend, Ohio!
- Faleceu devido à complicações decorrentes de uma forte gripe em Março de mil novecentos e um, em Indianápolis! - Completou Vinne, o que causou uma gargalhada de ambos.
- Gosta de história, meu rapaz?
- Sim. Principalmente da história americana e latina.
- Certo. Então vá até a casa, o numero se não me engano é 701, ela é azul. Se gostar dela me avise que eu te coloco frente a frente com os donos. Eles inclusive já desocuparam a casa, estão morando provisoriamente na casa de parente.
- Ok. eu te agradeço, vou agora mesmo dar uma olhada nela. - Diz Vinne, continua- Bom. Estou indo, mas retorno para o plantão no fim do dia!
- Não vai participar do velório?
- Não. Acho melhor não. Eu não o conhecia. Acredito que essa cerimonia seja para quem esteve próximo a ele.
O Diretor concorda e o jovem psicólogo sai de Serenity ainda atordoado com o que havia acontecido, passa de frente a tal casa, mas não para, segue seu caminho em direção a outro lugar, um local que ele poderia quem sabe, obter novas respostas.
Daryl se levanta, havia visita para ele, o curioso Vinne chega atá a grade sorrir.
- O que faz aqui de novo, cara? - Indagou o preso. - Você está vindo demais aqui, acredite em mim, não é nem um pouco inteligente de sua parte!
Vinne sem perder tempo, como um leão atacando sua presa vai logo indagando.
- Quem é Leonora?
CONTINUA...
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