Hanna Fisio

domingo, 31 de maio de 2015

SERENITY

PARTE 8 - O DEPOENTE
Por Jair Nepomuceno

Quando o gato está acuado a tendência é atacar, somos como os felinos, mas usamos a sutileza para disfarçar os propósitos sombrios.

Roland era um mistério que nem os psiquiatras e talvez, nem ele próprio saberia descrever, a ausência daquilo que chamamos equilíbrio, o fez habitar a clausura do quarto andar, e entre tratamentos farmacológicos e outros nem tão convencionais, ele continuava ali, mantido isolado sem o direito do perdão.
O que Vinne presenciou causou um reboliço, Daryl apertou a sirene para avisar aos enfermeiros de plantão que algo estava errado, Roland então foi atendido quase que imediatamente e diagnosticado que aquilo se tratava de um ataque epilético, mas esse diagnóstico não convenceu ao novato psicólogo, embora discordasse preferiu não opinar, o fato é que o enclausurado acabou por ser atendido na enfermaria e novamente medicado antes de retornar ao seu isolamento.
O dia estava acabando, Vinne então resolveu tomar banho e ir dormir cedo, Daryl estava de plantão, e conforme havia prometido na reunião mais cedo, optou por dormir no estacionamento do Hospital, a manhã seguinte seria de indagações e estava também previsto que ele e outros funcionários iriam depor no Distrito Policial de Saint Sofhie.
Já se passava das nove da manha quando Daryl se preparava para ir depor, estava arrumando sua mochila no dormitório, era seu dia de folga, o Diretor aproveitou que o psicólogo estava sozinho naquele aposento e foi conversar com ele em particular.
- E então, como foi o plantão?
- Agora não, Antony. - Disse Daryl ainda de costas enquanto arrumava a sua mochila.
- Eu soube que você vai depor agora.
- É. Tem uma viatura me aguardando lá fora, portanto, não tenho tempo agora para conversar contigo.
- Será breve.
Daryl se vira para o gestor de Serenity, coça a barba rala e diz:
- Cara, na boa, eu estou exausto e ainda tenho que ir a porra do Distrito.
- Justamente sobre isso que vim falar-lhe!
- Falar o que?
- Você fala demais! É um idiota que adora polemizar. Acho melhor que meça as palavras que vai usar lá com a polícia! Não estique, não fale nada que possa comprometer nem a esse e nem aquele. Sua opinião e merda para mim são a mesma coisa. Então limite-se a falar o básico, assim tudo terminará bem!
Daryl sorrir, chega bem perto do Diretor, não pode fita-lo nos olhos de igual por igual, já que Antony era bem mais alto que ele.
- Cara. Eu vou falar aquilo que eu julgar certo. Se o que eu disser prejudicará ou atenuará alguém será a pura consequência. Não irei omitir nada do que penso ou do que sei. To cagando e andando para o que vai acontecer contigo ou com qualquer outro imbecil que você protege!
O Diretor muda a expressão, estava com raiva, aquele baixinho era arrogante.
- Você sabe muito bem como as coisas são. Quer jogar merda no ventilador? Ok. jogue, mas prepara a bunda, porque como dizem, "pode ter que aguentar muita areia".
Daryl nada responde, sai do dormitório em direção ao estacionamento onde uma viatura o aguardava, topou com Vinne no saguão, apenas o olhou e deu um sorriso de "canto e boca", o novato ficou observando-o até que entrasse no carro, estava confuso com tudo que havia acontecido no dia anterior, não entendia o que estava havendo, mas em seu íntimo, acreditava que Daryl pudesse estar envolvido direta ou indiretamente com os casos.
Doze minutos foi tempo em que a viatura levou para chegar até o Distrito, o depoente estava tranquilo, foi conduzido até a sala do investigador que também era delegado interino, um homem severo e que tinha como peculiaridade a sinceridade, isso já o havia colocado em situações complicadas no passado, agora no presente não era tão diferente.
- Sente-se! - Disse o Malcon.
- Vai demorar? - Indagou o psicólogo.
- Por que? Pretende ir a algum lugar?
- Estou cansado, saindo do plantão!
- Daryl fox! Eu estava ansioso em conhecê-lo! - Sorriu o policial.
- É?
- Você é a nona pessoa que pego o depoimento hoje!
- Que bom! - Ironiza o psicólogo.
- É bem cansativo, então, para evitar mais cansaço você só precisa me dizer o real motivo de ter assassinado Poll Austim.
Daryl descruza os braços.
- Como é que é?
- Não se faça de inocente. Confesse que eu vou assegurar uma pena mais branda.
- É realmente tentador a sua proposta, delegado! - Continua fazendo uso da ironia. - Mas infelizmente não vou poder ajuda-lo a diminuir a sua carga de investigação, uma vez que sou inocente e não havia qualquer razão que eu pudesse ter para assassinar aquele interno!
- Muito estranho você dizer isso!
- Estranho por quê?
- Porque das oito pessoas que vieram depor, sete mencionaram você e a sua desavença com a vitima às vésperas do assassinato! Popularidade não é o teu forte, garoto!
- Eu tive uma pequena discussão com Poll, mas não nas vésperas do seu assassinato, esse episódio aconteceu a mais de trinta dias! E digo mais, depois do incidente, eu fui a pessoa que ele mais se aproximou lá em Serenity,ficou apegado comigo.
- Isso não prova porra nenhuma! Você acha que prova? O ser humano é capaz de guardar mágoas. E você pelo que eu soube é um cara difícil de se manter relação. Você foi rotulado aqui pelos outros depoentes como um homem sem carisma, arrogante, prepotente e mal educado!
- Eu não quero aqui ensinar o senhor a trabalhar, mesmo porque, não sou policial, nunca fui e sou completamente leigo em relação a sua profissão. O que eu sei, aprendi em filmes. Mas eu acho que o assassino está querendo tirar o foco de cima dele, eu estou aqui como bode expiatório! Usaram um argumento ridículo dessa discussão e fizeram dela a peça fundamental para me incriminar! 
- Isso que você está fazendo nesse momento me parece forçar um álibi!
- Que motivo eu teria para matar um doente?
- Eu sei lá o que se passa na cabeça de um psicopata! Tu é o psicólogo aqui! Então me diga você, o que faz um demente, chegar ao ponto de cometer uma barbárie desse tipo? Por que você faria algo assim?
- O senhor pode usar esse seu joguete  em outras pessoas, comigo vai perder o seu tempo, Não sou do tipo que se intimida, então não gaste a sua saliva!
- Existe razão para que a investigação fosse direcionada a outra pessoa de la? Porque prepotência já vi que você tem bastante, vamos ver se tem inteligência e caráter!
Daryl estava se irritando, mas controlou a raiva.
- Pergunte ao Diretor o motivo de não ter câmeras de segurança justamente no local em que ocorreu o crime. Depois da reforma, ele nunca mais mandou reinstalar as câmeras. Pergunte ao Kelvim, o enfermeiro, porque ele estava fora do seu dia e horário de trabalho e na madrugada uma ex-paciente, a Sarah, gritou dizendo que ele a estava atacando! Investigue também Brenda, a recepcionista, ela andou dizendo que queria prender todos os malucos de Serenity, que odiava cada um deles! Sally, a enfermeira é outra que merece a sua atenção, ela já se deitou com praticamente todos os homens do Hospital, inclusive com pacientes! Já agrediu um ex-namorado e ele deu queixa dela, alegando que ela tentou mata-lo. Ha outra pessoa também suspeita, seu nome é Thifany, a psiquiatra, de antes de ontem para ontem, ela foi ate Serenity, durante a sua folga, entrou por volta de onze horas da noite e saiu com uma pasta quase duas da manha. Ela já responde a uma tentativa de homicídio, cometido há quatro anos!
- Como você sabe de tudo isso?
- Todos lá sabem! Inclusive o diretor, mas as pessoas que citei são justamente aquelas que ele defende, são protegidas dele! 
O delegado, coça o queixo, pede para que ele aguarde, sai da sala, retorna cerca de dez minutos depois, se senta abruptamente, Daryl chega a tomar um susto, estava de cabeça baixa, não o viu entrar.
- Presta atenção! - Diz Malcon. - Você está proibido de sair desta maldita cidade, está me ouvindo?
- Eu só sairei daqui a nove dias!
- Não! Você só sairá no fim das investigações!
- Mas isso vai me prejudicar!
- To pouco me fudendo! Você está expressamente proibido de sair de Saint Sofhie!
Daryl aperta com força o descansa-braço da cadeira que estava sentado, a raiva foi tanta que a vontade dele era esmurrar a cara daquele policial, se conteve mais uma vez.
- Isso é injustiça! Tenho um emprego que preciso me apresentar no prazo de dez dias!
- Um depoente me revelou que você teria dito que iria deixar uma surpresinha no hospital antes de sair. Vejo que já deixou a tal surpresa!
- Como posso ter deixado se eu ainda não sai?
- Então é verdade?
- Sim!
- E qual seria essa surpresa?
- Não é da sua conta!
Malcon desfere um soco sobre a mesa, aponta o dedo tão próximo que quase toca o nariz do depoente.
- Escute aqui sua aberração! Posso te mandar prender por desacato! Então irei repetir a pergunta e se você me responder novamente da mesma forma, além de ficar preso, vai precisar de um dentista!
Daryl viu que havia exagerado, tentou contornar, mas sem pedir desculpas.
- Eu falei isso no calor da discussão, se não me engano com o "Rolha". Mas na hora eu só queria dizer isso com a intenção de deixar merda na fonte que ele gosta tanto, esfregar merda no travesseiro dele. Algo do tipo!
O Delegado se senta novamente.
- Quantos anos você tem? Isso é ridículo! Parece coisa de adolescente! 
- Eu sei!
- Está dispensado! Lembre-se de ficar a disposição, posso ter que chamá-lo novamente!
Daryl concorda com um aceno e da graças a Deus por está indo embora dali, ele sabia que havia plantado uma pulga atrás da orelha de Malcon, mencionou pessoas, ficou receoso já que havia citado o nome de Antony, mas se sentia preparado para bater de frente com quem quer que fosse.

CONTINUA...


quinta-feira, 28 de maio de 2015

SERENITY

PARTE 7 - O TRIO
Por Jair Nepomuceno

Algumas vezes, a ignorância sobre algo pode trazer o beneficio da segurança e a ausência da loucura...

Daryl e Vinne desceram para o quarto andar, havia ali cerca de trinta leitos destinados a pessoas com doenças infecto-contagiosas, ao fundo, havia cinco salas cuja a utilidade era manter em isolamento total os internos mais perigosos, aqueles com acessos de fúria ou transtorno explosivo intermitente e ainda aqueles que devido ao seu estado mental, se auto-flagelava ou machucava violentamente a outros. Naquele quarto andar, três das cinco salas estavam ocupadas por pessoas com essa característica, quando Vinne chegou na primeira sala ela estava vazia, mas um olhar dentro dela, percebeu que as paredes era forradas por grossas camadas de um material que se parecia muito com almofadas, aquilo obviamente era uma maneira de reduzir o risco do interno se machucar jogando-se contra a mesma, havia também um colchão de espuma densa, a porta de aço possuía um tipo de janela com grandes, no tamanho de oitenta centímetros quadrados. Não existia vaso sanitário, isso indicava que as necessidades fisiológicas não era possível de realizar ali, então, levava-se a crer que os internos saiam da sala para a higiene e depois retornavam, todos os cinco quartos, ou celas, eram no mesmo padrão.
Logo abaixo das grades havia uma abertura e acoplado do lado de fora um tipo de mesinha, por ali, se necessário fosse, os isolados recebiam comida e água.
Vinne se aproximou da segunda cela, lá Daryl lhe apresentou um dos três enclausurados.
- Esse é Martin Goldberg. Quando tinha acesso de fúria atacava os enfermeiros e quem mais tivesse em seu caminho. Deu muito trabalho para ser removido para cá.
Morgan chega mais perto, mas a mão de Daryl o contém, não era seguro, o rapaz careca, com um olhar "esbugalhado" apertou duas barras de ferro da grade e encostou a testa olhando fixamente para Vinne.
- Ele está aqui faz tempo?
- Dois meses e meio! - Respondeu Daryl.
- Mas isso é muito tempo para se isolar alguém!  A família dele não o visita?
- Deixa de ser anjinho! Tu só pode ser um caipira muito inocente. O que pode e o que não pode é o Doutor Antony quem decide. Leis aqui dentro são criadas de acordo com o momento, acredite, Serenity é um lugar impar, não pense que a sua passividade vai te ajudar em alguma coisa aqui dentro, porque não vai.
- Certo. E ele machucou alguém?
- Não fez nada demais, apenas arrancou a metade da orelha de um ex-enfermeiro daqui!
- Como ele fez isso?
- Com uma mordida! E em seguida pulou em cima do outro enfermeiro com o intuito de mordê-lo também! Foi contido depois de levar uma bordoada de cassetete na fuça! Doparam-no e desde esse dia ele está aqui. 
- Mas quem decide o tempo e o tipo de contenção a um paciente é o psiquiatra!
- O Doutor Antony é psiquiatra seu animal! 
- Ok! - Vinne se irrita. - Mas depois que ele veio para cá, devia ter sido avaliado por uma junta médica. O que estou entendendo aqui é que ele veio para cá e não fizeram nenhuma avaliação até hoje!
- Quer avalia-lo psicólogo? - Indagou com ironia Daryl, em seguida aponta para o isolado. - Vá. Converse com ele!
- Cara, só estou dizendo o que deveria ter sido feito. E não pense você que eu não vá questionar o Doutor Antony sobre esse caso, porque eu irei!
- Você é mais idiota que eu pensei! - Daryl sorrir, balança a cabeça negativamente.
- Idiota por quê? - Não obteve resposta, ficou com raiva, grita novamente, mas em um momento de distração é agarrado pelo pescoço por Martin, para a sua sorte a mão forte do esquizofrênico desliza e segura o seu jaleco, Vinne toma um susto e em desespero tenta se soltar, Daryl apenas observa de braços cruzados sem nada fazer, estava ali apenas como um mero espectador.
- Me ajuda porra! - Sem sucesso o pedido de socorro de Morgan, ele percebe que o outro psicólogo estava ignorado completamente seu infortúnio, então conseguiu se livrar sozinho, mas para isso se desfaz do jaleco,  Martin carrega então aquela peça de roupa branca para dentro de sua cela como se fosse um troféu.- Seu filho da puta! Por que não fez nada? Olha isso! Ele pegou o meu jaleco novo!
- Entendeu agora o motivo do isolamento dele? - Vinne segura-o pelo colarinho, mas Daryl se livra da pegada do novato e o empurra contra a porta da cela, Morgan se desequilibra e cai ao chão. - Não seja tão apressadinho em ditar regras aqui em Serenity, seu babaca! Da próxima vez ajudo o maluco a te pegar!
- O que há de errado com você! - Grita Vinne se levantando do chão.
- Você vai penar mais do que eu aqui, moçoila! Quer sobreviver nessa porra de lugar? Preste atenção em tudo e principalmente, preste muita atenção no que eu disser. Se não quiser prestar atenção, foda-se, não vou esquentar a cabeça. Segura a porra dessa bandeira ridícula e a sustente, mas tome cuidado, muito cuidado com a sua bandeira, ele pode te levar para dentro de um buraco! Agora venha, vou te mostrar os outros dois.
Vinne limpa o suor de sua testa, usando as costas da mão, olha para dentro da cela e vê Martin Goldberg  o fitando e sorrindo segurando o seu jaleco próximo do queixo, em seguida estende uma das mãos e chama o novato como se o quisesse junto dele ali dentro da clausura, Vinne franze a testa e um calafrio percorre-lhe a espinha, só tira os olhos do sorridente interno quando Daryl impacientemente grita por seu nome.
- Vem logo porra! O teu jaleco já era!
Morgan se aproxima de de seu "anfitrião" que estava parado de frente a outra cela, nesse outra havia um paciente sorridente, portador de heterocromia, um dos olhos na cor verde e o outro na castanho escuro, possuía cabelos espetados.
- Esse é Dennis Sandler!
- Ei, ei, ei! Quero sair daqui, tu me tira? - O pobre isolado pedia sua soltura enquanto passava a mão de forma carinhosa sobre a mão de Daryl que estava segurando uma das barras.
- Qual o problema dele?
- O problema é as iguarias que ele adora. e também gosta de escrever nomes.
- Não entendi!
- Ele adora comer barata, percevejo, mosca, tudo que tiver antena ou seis patinhas e que seja nojento! Além disso, tem o hábito de escrever nomes de pessoas em seu próprio corpo usando como caneta objetos tais como,  pregos, lâminas, madeiras pontiagudas, coisas do tipo que possam fazê-lo sangrar!
- Esse se auto-flagela!
- Sim. Nunca machucou ninguém além dele mesmo!
- E ainda assim, o Diretor preferiu receitar o isolamento que um tratamento farmacológico e posteriormente um tratamento psíquico mais adequado, quem sabe usando a socialização para tal?
Daryl gargalha.
- Você é um figuraça, cara! Juro! Me lembra sabe quem? Eu mesmo, quando cheguei aqui sempre questionando isso ou aquilo, até que os dias me ensinaram e a experiência se tornou um árduo professor. Serenity é tudo aquilo que não se espera encontrar ou imaginar!
- O que você quer dizer com isso?
- Nada! - Daryl olha ara o rapaz sorridente que lhe acariciava a mão. - Ele não fica isolado aqui como os outros, ele toma banho de sol, vai até o salão de jogos sempre acompanhado de perto por dois funcionários. Depois retorna para cá.
- Certo. E quem é o terceiro?
Daryl faz um gesto com a  cabeça o chamando e vai pra a ultima cela do corredor, lá ele faz a apresentação do outro interno.
- Te apresento Roland Connor!
Vinne se aproxima e vê a figura de um homem de certa forma tranquilo, estava sentado sobre o colchão, cabelo muito curto, olhos negros, devia ter algo entre trinta e trinta e cinco anos de idade.
- Por que ele está aqui?
- Pergunte a mim, novato! - Subitamente o interno fala, Morgan é pego de surpresa.
- Me desculpe! - Vinne tenta amenizar. - Pensei que estivesse sob efeito de medicação!
- Não me diga! - Roland se levanta e vai ate onde os dois psicólogos estão, mas não segura as grades, mantem uma distância da porta.
- Por que você está aqui?
- Eu ia te fazer a mesma pergunta! - O esquizofrênico continua. - Não está disposto a ir além?
- Ele está aqui porque agrediu e quase matou um outro interno. - Daryl quem fala.
- Aquilo foi legítima defesa! 
- Também tentou matar a vadia da Sally!, infelizmente foi impedido.
- Não era ela que eu queria  matar, mas o que não se pode ver!
- Como assim?
- Eu não acho que dois caras podem conversar comigo ao mesmo tempo. Ou um, ou outro.
Daryl sorrir novamente e diz:
- Irei deixar as meninas conversando por três minutos, vou tira água do joelho. - Ele se dirige a um banheiro que ficava do lado oposto do corredor.
- Não procure respostas onde a dor e o medo se perpetuam! - Disse Roland.
- Não entendi!
- Não queira!
- O que houve aqui, Roland?
- Você está sendo observado, garoto!
- Por quem?
- Por alguém que já esteve aqui. O assassino é extensão dele! 
- Quem é o assassino?
- Vá embora enquanto pode. Serenity faz mal!
- Eu não posso ir embora!
Roland da um passo para trás seu olhos reviram, ele se contorce, da uma gargalhada sinistra, vira-se para Vinne e o novato pode perceber que algo em sua aparência havia mudado, Martin cai sobre o colchão e fica imóvel, Morgan fica gelado...


CONTINUA...

segunda-feira, 25 de maio de 2015

SERENITY

PARTE 6 - As paredes de Serenity
Por Jair Nepomuceno

A verdade muitas vezes deixa marcas e não necessariamente no corpo, já ouviu a frase, "As paredes têm ouvidos?"

O segundo andar de Serenity era mal dividido, além do auditório, da sala de reuniões, da outra sala gigante que servia como exposição para os quadros de Matt Trauser e da outra sala também enorme que abrigava coisas como se fosse um depósito improvisado, ainda existia por lá dois quartos que há muito não serviam de dormitório para nenhum interno, nem para os funcionários. Muitas vezes os funcionários acabavam indo dormir nesses aposentos, mas faziam isso sem que a direção tomasse conhecimento, inexplicavelmente esses dois quartos serviam para nada.
Daryl mostrou o terceiro andar ao novato, ali ficavam as máquinas hospitalares, e uma sala de emergência, no fim do imenso corredor, havia uma pequena capela, mas muito aconchegante, com capacidade para cinquenta pessoas, era lá que o Padre Pablo Cassilas celebrava as suas missas. O quarto andar ficava o isolamento, tanto de internos com doenças contagiosas quanto de internos que precisavam do isolamento para proteger aos outros e em alguns casos a si próprio, ali, naquele andar, não havia internos com doenças infecto-contagiosas, mas havia três internos que necessitavam do isolamento, mas Daryl não disse nada ao Vinne a respeito dos três que ali estavam, não achou que fosse o momento, não ainda.
O quinto andar era a sala de recreação, readaptação, e socialização, claro que alguns internos preferiam o imenso jardim de Serenity, mas havia os que gostavam de ficar ali, monitorados por enfermeiros, as famílias podiam compartilhar esses momentos, lá no quinto andar, se podia assistir televisão, desenhar, usar brinquedos para terapia ocupacional, havia outros brinquedos também, tabuleiros e um pequeno teatro de bonecos. no fim do corredor, improvisaram um teatro, era bem confortável, com capacidade para cento e vinte pessoas, o teatro tinha inclusive um bom camarim. No quinto andar também ficava a sala de fisioterapia, muito bem equipada, a fisioterapeuta Yrvem era responsável por essa parte de reabilitação motora, trabalhava junto com um auxiliar, Andy, o albino.
- Esse hospital é muito completo! - Admirou-se Vinne.
- Venha, vou te mostrar algo, vamos voltar ao quarto andar.
- Espere! - O novato segura o braço de Daryl. - Me mostre o sexto andar!
- Não há nada lá! - Disse o estressado psicólogo.
- Mas eu quero ver!
- Ta interditado, eu já te disse! O Elevador não vai até lá, e eu não vou subir escadas por que você é um maldito curioso!
- Eu irei sozinho então!
- Pra quê, criatura de Deus? Lá em Princeton não existe prédios de seis andares, seu caipira?
- Eu quero ver o sexto andar! Posso?
Nesse momento a conversa dos dois é interrompida por Yrvem, a fisioterapeuta que chamava por Daryl, ele se vira para o novato e diz:
- Ok. Vá indo lá, a gostosa ta me chamando, vou te esperar aqui, vê se não demora!
Vinne vai em direção das escadas, antes de subir rumo ao sexto andar, olha para trás e vê Daryl abraçando a linda jovem, de cabelos longos ruivos que lhe sorria abertamente, Morgan então decidido sobe as escadas para matar a sua curiosidade a respeito do sexto andar.
Não parecia que aquelas paredes já haviam sido tomadas por fogo, não havia qualquer resquício de que algum dia, um incêndio pudesse ter quase destruído aquelas estruturas, ele chega enfim ao sexto andar. Estava abandonado, mas muitas tralhas ficaram lá, provavelmente deixadas pela equipe de reforma, Vinne se deparou com vários baldes no corredor, sacos com um tipo de argamassa, e algumas ferramentas peculiares da construção civil, no primeiro quarto viu um tipo de arquivo, parecia abandonado, pastas ao chão, mesas empoeiradas, talvez o diretor tentou usar o sexto andar, mas por alguma razão, desistiu, essa era a impressão que o jovem estava tendo.
Encontrou um armário com algumas pastas, a janela lhe servia de luz, folheou algumas pastas, viu a foto de um garoto, estava um pouco desgastada, a colocou sobre o vidro da janela para vê-la melhor, mas um grito fino, seguido por um choro de criança o fez derrubar a pasta e a foto devido ao susto.
- Tem alguém ai? - Indagou ele, ainda com o coração acelerado devido ao susto. - Daryl é você? - Não houve resposta. - Daryl! Se for você pare de brincadeira!
O jovem saiu devagar da sala e foi até o corredor, lá no fim sob fraca luz, viu a silhueta de uma pessoa, na verdade, parecia de uma criança, Vinne grita:
- Quem está ai!
Uma mão toca-lhe ombro apertando-lhe, o novato da um grito e caiu ao chão, ao vira-se se depara com Daryl sorrindo.
- O que foi moçoila?
Vinne estava pálido, ofegante ainda sentado ao chão, vira-se para o fim do corredor no intuito de mostrar ao Daryl o que poderia ser uma criança, mas a tal silhueta não estava  não estava mais lá.
- O que houve? 
- Nada!
- Você tá mais pálido que um prostituta que tomou porrada!
- Que tipo de comparação é essa? - Indagou Vinne já se levantando do chão.
- Já fez a sua visitinha? Já encontrou o que procurava aqui?
- Eu não estava procurando nada!
- Sei. - Daryl balançou a cabeça em seguida da um leve tapa no rosto de Morgan. - Venha, quero te mostrar uma coisa no quarto andar.
Os dois descem as escadas, o coração de Vinne ainda estava acelerado, o que quer que fosse aquilo, sua mente estava confusa, não sabia em que pensar, mas tinha uma certeza, o sexto andar estava repleto de mistérios, pior que isso, as pessoas dali não estavam dispostas a contar-lhe, sua curiosidade o levou ali, para onde mais ele iria ser levado?


CONTINUA...

sexta-feira, 22 de maio de 2015

SERENITY

PARTE 5 - O PASSADO DE SERENITY
Por Jair Nepomuceno

O que é mais importante, um passado obscuro que vem à tona, ou uma omissão que não deixa machucar? Em Serenity, as duas coisas estão sempre conflitando.


Após o fim da conturbada reunião, Vinne segue o diretor até a sua sala, ele estava confuso, desconcertado, não estava acostumado a um teatro de horrores que acabara de presenciar, aquilo o frustrou um pouco, não imaginava que um dia pudesse trabalhar em um lugar onde pessoas se odiavam, aquilo o estava perturbando, até mais que o assassinato que havia acontecido.
- Entre! - Disse Antony fechando a porta em seguida. - Sente-se por favor!
Morgan se senta tentando relaxar, estava sério, mas esboçou um "meio-sorriso".
- O que você acabou de presenciar não é algo comum por aqui, acredite. - Antony se senta, oferece um cigarro ao jovem que recusa com um aceno de cabeça. - Não se deixe perturbar com o que viu, esse assassinato mexeu com todos aqui, inclusive comigo, mas eu tento manter a aparência de que tudo está sob controle, entende?
- Acho que sim, Doutor!
- Daryl é um demente, quando chegou aqui não era assim. Estou ate pensando em libera-lo antes dos dez dias, se você me der sinal de que já pode assumir o posto, o mando embora. Ele é uma pessoa complicada.
- Eu não o rotularia como uma pessoa complicada, na verdade o acho autentico. Pessoas com personalidade forte são em geral mal compreendidas.
- Você não pode está falando serio Vinne, pelo menos não em relação a Daryl.
- Só estou dizendo o que acho a respeito de pessoas com a personalidade dele.
- Ele pode mudar o que é? Como eu te disse, ele não era assim quando chegou.
- Isso é algo que não tenho como avaliar, eu teria que conversar com ele, mas sinceramente, não acredito que isso seja algo que possa interessa-lo, já que ele está de malas prontas.
O diretor respira fundo, desvia o olhar para outro canto da sala, em seguida volta a fitar os olhos de Vinne.
- Eu estou querendo passar logo por essa tempestade, meu jovem, o Daryl e sua demência não me importa nem um pouco, hoje ele não passa de um peso morto aqui em Serenity.
- Eu entendo, mas de verdade, não acho que ele seja um ''peso morto".
- Pense o que quiser, só quero que você me dê o aval de que está preparado, tudo bem?
-Sim senhor! - Respondeu Vinne se levantando da confortável cadeira vermelha e apertando a mão do diretor.
- As suas malas já estão no seu dormitório, Brenda cuidou disso. Sabe onde fica?
- Sim, acredito que sim.
-Ok. Bem-vindo, boa sorte e bom trabalho!
O novato sai da sala do diretor Antony, se dirige até o saguão principal, encontrou o local mais tranquilo, não havia policiais, apenas um enfermeiro,e duas recepcionistas, uma das duas chorava copiosamente, era Brenda, provavelmente estava em prantos devido ao que Daryl disse sobre ela. Vinne pensou em ir até lá e quem sabe tentar de alguma forma consolá-la, mas desistiu, acabou indo para o jardim, sentou-se em um banco ao lado da fonte e ficou lá pensando em tudo que havia presenciado, em como seria a sua vida dali em diante, perdeu a noção do tempo, talvez houvesse passado uma hora, ou quase isso. 
Olhou para o hospital e vislumbrou os andares, o sol não estava incidindo diretamente, mesmo assim fez careta devido a claridade  e o reflexo dos vidros das janelas, se deparou com  um menino no segundo andar, sim, com certeza estava lá, mas quando se virou para olha-lo novamente não o viu mais, talvez ele estivesse em um dos quartos que Daryl lhe havia dito que não era usado e que lá, poderia descansar as vezes, tomou um susto quando alguém chegou subitamente.
- Você não deveria sentar nesse banco, eu já te disse, Leonard tem ciumes dessa fonte! - Era Serenna.
- Me desculpe! - Respondeu Vinne imediatamente já se colocando em pé, mas ela sorriu e pediu que ele ficasse mais um pouco, nesse momento Daryl apareceu.
- Já se socializando, novato? Acredite, é melhor se socializar com eles que com aquele monte de estrumes que você viu lá no auditório!
Vinne sorriu.
- Para com isso, cara!
- To falando a verdade! - Insistiu Daryl.
- Eu não sabia que aqui havia crianças internadas!
- E não há!
- Não? - Se admirou Vinne. 
- Você deve ter visto algum visitante, algumas crianças vem aqui visitar seus parentes.
- O que tem no segundo andar?
- O auditório, alguns quartos, uma sala de reunião, e outra sala usada para guardar coisas, além da sala que fica os quadros do Matt.
- O primeiro andar ficam os dormitórios dos internos, certo?
- Sim. Divididos em masculinos e femininos.
- O sexto andar fica o que?
Daryl, se senta no banco sob os protestos de Serenna, ele no entanto a ignora, assim como fez Vinne, entrelaça os dedos e diz:
- Cara, há três anos houve um incêndio aqui em Serenity, o fogo começou no sexto andar, chegou a pegar parte do quinto, mas os bombeiros conseguiram controlar as chamas. Nesse evento, morreram quatros pessoas, três carbonizadas e outra intoxicada devido a fumaça. O que morreu intoxicado na verdade foi um herói, se não fosse por ele, a tragédia teria sido muito maior. O quarto dos internos era lá. Tem um busto dele do lado direito na entrada do hospital.
- Nossa, que triste! Não sabia disso!
- Desde então o sexto andar estar interditado, embora já tenham feito reformas lá.
- Em respeito aos que morreram, decidiram interditar aquele andar?
- Mais ou menos.
Vinne estava interessado, curiosidade sempre foi uma peculiaridade sua.
- Como assim, mais ou menos?
- Meu chapa. - Disse Daryl enquanto Serenna se apoiava em seu ombro esquerdo. - Dois trabalhadores morreram durante a reforma, um despencou do sexto andar e caiu ali, próximo a entrada da lavanderia, o outro foi encontrado morto de forma inexplicável, não tinha ferimentos, nem nada do tipo, os legistas deram como natural a causa da morte. Imagina ai, novato. Um cara de vinte e nove anos, forte como um touro, dizem, morrer de causas naturais em um lugar onde um dia antes um outro trabalhador havia morrido devido a uma queda de seis andares.
- O que isso quer dizer?
- Quer dizer que aqui coisas estranhas acontecem.
- Sei. E como você sabe disso tudo?
- Todo mundo sabe, seu idiota. Você iria descobrir isso cedo ou tarde, se não por mim, por outro funcionário, por Michael,por exemplo.
Vinne se vira novamente para os andares, olha para o alto, Daryl toca-lhe o ombro e o chama para segui-lo afirmando que teria que lhe mostrar onde ficava o refeitório e contar-lhe oque havia nos demais andares.
Morgan ficou impressionado com a história contada por seu ''anfitrião'', não sabia o que pensar, por um instante imaginou que Daryl talvez estivesse indo embora devido a fatos ainda desconhecidos por ele, mas que talvez pudesse ter ligação mais com as histórias de Serenity que com o brutal assassinado de Poll, os próximos dias seriam interessantes, pensou ele.

CONTINUA...


terça-feira, 19 de maio de 2015

SERENITY

PARTE 4 - A REUNIÃO
Por Jair Nepomuceno

   Quando a razão se perde, a emoção toma conta, mas por onde ir? As cinzas iremos, muitas vezes sem explicações para a partida...

    Poll Austim era outro esquizofrênico, dias que antecederam o seu assassinato ele piorou, recaídas de insanidade mais frequentes e vê-lo tranquilo havia se tornado algo raro, os enfermeiros lhe aplicavam incontáveis injeções antipsicóticas, no geral resolvia por algum tempo, mas logo voltava a crise, estava obcecado em dizer que gente de outros lugares estava querendo mata-lo, mas era gente dali que ele tinha mais medo.
    Poll teve múltiplas mutilações e morreu devido a elas, um crime hediondo com requintes de crueldade que poderia dar um roteiro para o melhor filme de suspense, no melhor estilo de Alfred Hitchcock, agora, todos os funcionários passaram a suspeitos, todos, menos um, Vinne e mesmo aqueles que não estavam presentes na noite macabra, não foram descartados pela policia, já que poderiam ter algum tipo de envolvimento secundário.
    Doutor Antony já estava no auditório aguardando os funcionários para a reunião, seu semblante mostrava um cansaço incomum, ele sempre manteve altivez e as pessoas esperavam dele a austeridade que lhe era peculiar sem perder a fineza, mas o assassinato mexeu com todos de Serenity, e parece que abalou a estrutura do Diretor, inclusive. Ao seu lado, segurando o livro das atas de reuniões estava Brenda Lacaster, a feliz recepcionista gordinha.
- Agora que todos chegaram deixem-me apresentá-los Morgan Vinne, o novo psicólogo, se é que Daryl já não apresentou. - Disse Antony, continuou. - Ele irá substitui-lo.
Quase todos desejaram-no boas vindas, alguns mais próximos apertaram-lhe a mão.
- Bom. - Disse o Doutor Antony interrompendo os cumprimentos ao novato. - Que ele seja muito bem-vindo, suas notas em Princeton foram notáveis, ele veio para cá muito bem indicado. Esse é o primeiro assunto, o outro todos já devem imaginar o que seja, logicamente que não esperávamos algo tão sinistro acontecer aqui, mas infelizmente aconteceu. Peço a vocês que ajudem a policia no que for preciso, sejam sucintos, ao mesmo tempo disponíveis para o andamento das investigações, colaborem no que der para que possamos continuar com o nosso trabalho.
- Nós teremos que ir a delegacia, Doutor? - Indagou Jhonson Penkins, um rapaz afro-descendente que exercia a função de enfermeiro e também cuidava da parte elétrica do hospital.
- Creio que sim! - Respondeu o diretor. - O corpo de Poll será cremado amanha, tão logo seja liberado elas autoridades. Vamos retomar a normalidade aqui em Serenity, a partir do momento que sairmos dessa reunião, peço isso a vocês.
- Tu só pode ta de brincadeira! - Esbravejou Daryl. - Aqui nesse auditório tem um maldito assassino! Ele está aqui ouvindo tudo, deve ta com sede de sangue. Meu plantão é hoje porque eu havia trocado com Michael, mas nem fodendo eu durmo debaixo do mesmo teto que esse desgraçado!Irei dormir no meu carro, lá no estacionamento. Aqui, tirando o novato, todos são suspeitos, uns mais que outros!
- Você para mim é o maior de todos os suspeitos, seu cara-de-pau! - Gritou Kelvin Obbie, o enfermeiro. - Me lembro muito bem quando você gritou e quase bateu no Poll mês passado por causa de uma porra de um remédio, precisou do Michael intervir, senão você o agrediria.
Daryl não deixou barato.
- Seu escroto! Aquilo foi coisa de momento, nos últimos dias ele conversava comigo e eu me tornei uma das pessoas mais próximas a ele. Agora você já foi  pego perambulando feito um maldito fantasma pelos corredores em horários suspeitos, como aquele dia em que a Sarah gritou afirmando que você a estava atacando!
- Seu debiloide! Ela estava tendo pesadelos! E aquele dia eu estava de plantão!
- O plantão era do Hariko, ele mesmo confirmou!
- Ele havia esquecido. Pergunte ao diretor! Ele falou que havia esquecido e veio trabalhar naquela noite por engano.
- Muito estranho isso! Hariko morria de medo de você. Quem é que sabe em quais condições ele foi obrigado a passar, para confirmar essa tua lorota? Pra mim você é o suspeito mais óbvio daqui, carinha!
- Você é um lixo! - Gritou Sally apontando o dedo indicador para Daryl, enquanto isso tudo acontecia, o Doutor Antony tentava acalmar os ânimos em vão.
- Eu sou lixo? Olha só quem fala!  Tu errou o estabelecimento, achou que aqui fosse um prostíbulo! quero te dizer que aqui é um hospital. Depois do Kelvin, pra mim você é a mais suspeita, você e essa gorducha ali. - Apontou o dedo para para Brenda que se surpreendeu!
- Eu? - Indagou a recepcionista com um olhar de espanto.
- Sim, você mesma, sua sonsa! - Continuou Daryl. - Você me revelou que odiava os malucos daqui, que se pudesse amarrava todos em uma sala e jogava a chave fora. Você me disse isso, quero ver se tem coragem de negar!
Nesse momento a balburdia tomou conta do recinto, todos falavam ao mesmo tempo, trocavam insultos e acusações, precisou que Antony desse um murro sobre a mesa e gritasse mais alto, mandando que todos se calassem.
- Escultem todos! Essa reunião não é para encontrarmos suspeitos, isso é o trabalho da polícia, acho um absurdo a que ponto chegaram, principalmente você Daryl!
- Eu só me defendi de acusações e...
- Cala essa maldita boca! - Interrompe o Diretor a fala do psicólogo. - O que havia para ser dito já foi dito. Amanha será o crematório de Poll, eu acho que todos deveriam ir a cerimônia. Amanha a polícia irá chamar vocês para depor. Agora quero que todos saiam daqui e vão cuidar de seus afazeres. Não quero escutar mais nem um pio a respeito desse assunto. Espero que eu tenha sido claro! E você Vinne, por gentileza, venha a minha sala.
A reunião terminou com um clima ainda mais pesado que antes, as consequências das coisas que foram ditas, com certezas iriam transbordar, agora cada um iria buscar o seu álibi para libertar-se do peso da suspeita.

CONTINUA...


domingo, 17 de maio de 2015

SERENITY

PARTE 3 - APRESENTAÇÕES
Por Jair Nepomuceno

   Conhecer pessoas muitas vezes se torna um fardo, isso depende do momento e do lugar, mas também depende daquilo que possa nos interessar, tai um bom exemplo para a expressão " faca de dois gumes."...

    Deryl não era do tipo popular, e parecia que não fazia lá muita questão disso, de língua afiada e em vários momentos fazendo um mau uso dela, causava irritação na maioria dos outros funcionários, sua permanência ali era garantido por um contrato, e não só por força do contrato ainda tinha o emprego, ele era um bom profissional. Nesse dia a sua missão era apresentar as instalações e funcionários ao novato Morgan Vinne, um psicólogo promissor com sonhos e uma garra para atingir seus ideais, seria esse, o substituto de Deryl, que estava de saída, em dez dias deixaria Serenity e se empregaria em uma clinica de recuperação para viciados em Seatle, mas entre sua despedida e o recomeço em outra lugar, haviam dez dias a serem cumpridos ainda no Hospital Saint Sofhie.
   Vinne era um rapaz inteligente, educado e muito focado em tudo que se propunha a fazer, foi sempre alvo de elogios na época de escola e de faculdade, seus olhos verdes, rosto bonito e cabelos castanhos chamavam atenção das mulheres, mas todos esses atributos não superavam uma de suas maiores virtudes, a humildade, agora estava ali naquele lugar, Serenity já havia começado a lhe proporcionar surpresas e experiência em seu primeiro dia.
- Presta atenção Vinne. - Disse Daryl. - Algumas coisas aqui vão te confundir, existem pessoas sociáveis e outras nem tanto.
- E você se enquadra em qual grupo? - Indagou Morgan.
- Isso é irrelevante, estou de saída, para você, melhor prestar atenção nos outros, são eles seus futuros colegas de trabalho.
- Quantos internos temos aqui?
- Ciquenta e oito internos, sendo quarenta e sete permanentes e onze em busca de tratamento rápido. Desses quarenta e sete permanentes, a maioria foram jogados aqui pela família ou pelo governo. Tem gente aqui que recebe visitas de familiares, outros foram abandonados.
- O que foi assassinado recebia visitas?
- Não. Estava aqui havia dois anos, o governo o sentenciou a um tratamento por no minimo cinco anos.
- Fico aqui me perguntando, o que motivaria um assassinato tão cruel a um doente?
- É meu amigo. Nós que somos psicólogos não temos a resposta para isso, imagina então um leigo?
- Ele era do tipo violento?
- Não. Ele era do tipo que sofria de esquizofrenia e também as vezes de depressão. Havia também momentos de lucidez, ele estava sofrendo muito, com medo de algo, os psiquiatras acharam que se tratava de distúrbio de ansiedade generalizado.
- Pode ser.
- Não, não no caso dele.
- Por que não?
- Cara, vamos mudar de assunto. Me segue vou te apresentar alguns internos que você manterá contato todos os dias.
Os dois psicólogos andaram por um corredor espaçoso, aliás, tão espaçoso quanto a maioria dos corredores do hospital, foram para o jardim e lá Daryl apresentou a primeira interna ao novato.
- Essa é a minha paciente favorita. - Ela estava sentada no banco conversando com as rosas brancas. - Serenna? - Chamou-a Daryl. - Deixe-me apresenta-la um novo amigo. Esse é Vinne.
- Prazer senhora! - Estendeu-lhe a mão Morgan.
- O prazer é todo meu, meu jovem! Como você é bonito!
- Obrigado!
- Tão bonito e educado! OLhe, não fique na fonte, Leonard morre de ciúmes dela, só aceita o "Rolha" tocar nela, porque o "Rolha" cuida muito bem do jardim. 
- Vou em lembrar disso! - falou Vinne.
- Serenna, as rosas amarelas estão tristes! Vá conversar com elas.
- Vou mesmo. - A mulher se vira e começa a dialogar com as rosas enquanto os dois rapazes continuam suas passadas pelo jardim, que naquela hora estava repleto de internos e alguns enfermeiros.
- Quem é Leonard?
- É o amigo imaginário dela. - Respondeu Daryl, - Rolha é na verdade Kevim, o jardineiro. Aliás, existem dois Kelvim aqui, o outro é um enfermeiro, um lixo, ex-pugilista. Olhe, aquele lá. - Apontou o dedo para um sujeito negro, forte e alto que estava levando uma senhora em uma cadeira de rodas para outro ponto do jardim.
- Por que ele é um lixo?
- Porque ele é amargo, um idiota. Nunca sorrir, nem sei como o Doutor Antony o mantém aqui. Odeio esse cara!
- Nós, os psicólogos devemos ter a tolerância e a serenidade como nossas principais armas. 
- OLhe só!  A Madre Tereza de Calcutá está aqui! - Ironia era uma das especialidades de Daryl. - Vá se ferrar novato! To me lixando pros teus conselhos e também to me lixando para o porco do Kevim. por mim ele pode se foder muito!
- Por que esse ódio todo por ele?
- Não é da sua conta!
- Ok, desculpe-me!
- Venha. esse aqui é o mais velho interno de Serenity! - Daryl apresenta mais um, um homem gordo que pintava um quadro, não deu a minima para os dois ao seu lado - Matt Trauser. Esta aqui desde a inauguração de Serenity, ou seja, onze anos!
- Outro esquizofrênico?
- Ele é um caso a parte. Sofre de distúrbio neurológico que compromete sua interação social, verbal e não-verbal.
- Ele é autista?
- Muito bom! - Disse sorrindo Daryl. - Vejo que não faltou a nenhuma aula!
- Aqui se cuida de autistas?
- Ele tem um caso raro de transtornos! 
- O que ele está fazendo?
- Pintando! Pinta quadros como ninguém. Dê a ele uma tela e um pincel e terá paz!
Vinne vira o corpo para visualizar o que Matt estava pintando, se impressionou com o que viu, com a riqueza de detalhes que ele pintava a fonte, não havia acabado, faltava uma parte.
- Ele é muito bom!
- Sim! No segundo andar tem uma sala com muitos quadros que ele pintou, depois te mostro.
- Ei cadê a pipa? - Um interno careca e com um cachecol colorido em volta do pescoço, embora estivesse fazendo calor, chega subitamente, Vinne toma um susto.
- Esse é Ronald Prist. Tem obsessão por pipas! É inofensivo.
- Tenho pipas! Meu pai me deu. A pipa amarela vai alto!
- Ok Ronald, muito bonita a sua pipa! Vá tomar suco com a Sally!
- Sally é outro amigo imaginário?
- Não, antes fosse. É uma enfermeira vadia, da pior qualidade que trabalha aqui! Sua reputação é podre, tão pode quanto ela.
Vinne estava incomodado com os adjetivos que Daryl usava com as pessoas, também a forma amargurada contido em suas falas.
- Existe alguém que você goste aqui em Serenity? - Indagou Morgan.
- Os internos e o outro psicólogo, Michael Sales.
Os dois continuaram juntos, Daryl mostrou-lhe outros internos, contou a história de alguns, falou-lhe das obrigações, prometeu no dia seguinte mostrar as instalações do hospital, já que o "tour'' havia sido interrompido por Michael que trazia um recado do Doutor Antony.
- Amigos, o diretor pediu para todos os funcionários se dirigirem ao auditório em vinte minutos!
- Esse é Michael Sales! - Disse Daryl.
- Muito prazer! - Falou Vinne apertando a mão do mensageiro.
- Você é o novo psicólogo, certo? - Indagou Sales.
- Sim. - Respondeu Vinne. Você é natural de onde?
- Daqui mesmo! - Respondeu Michael. - Sou filho de mexicanos!
- Ta explicado a aparência estrangeira. - Sorriu o novato.
- Todo mundo pensa que sou mexicano!
- Eis aqui o único a quem considero amigo nesse lugar. - Disse Daryl tocando o ombro de Sales.
- Devemos ir logo para o auditório? - Perguntou Vinne.
- Sim, vamos logo né? - Respondeu Michael.
Os três foram então juntos para o auditório, enquanto os enfermeiros se apressavam-se em retirar os internos do jardim e encaminha-los para os seus aposentos.


CONTINUA...

quarta-feira, 13 de maio de 2015

SERENITY

PARTE 2 - E ASSIM COMEÇA
Por Jair Nepomuceno

   Quando  se inicia uma jornada e sobre a qual não há conhecimento, surpresas podem ocorrer, boas ou ruins, contornáveis ou irremediáveis, marcantes ou superficiais, não importa o inicio ou o desfecho, o que realmente importa é como tudo isso poderá te transformar...

   Vinne chegou em um momento complicado, mas agora não poderia recuar, era realmente algo inusitado em sua vida, por um segundo ele pensou " O que eu estou fazendo aqui?" mas o trabalho que havia escolhido lhe empurrava em direção a Serenity, quem sabe ali fosse a "cereja do bolo" para prepara-lo de verdade a seguir seus passos futuros, a ajuda-lo a fortalecer o seu sonho de construir uma clinica perto de seus pais, em Washington.
- Então você é o novo funcionário aqui heim? - Indagou-lhe Malcon o sisudo policial.
- Sim senhor.
- Veio de onde, filho? - Voltou a perguntar o homem da lei.
- Princeton, New Jersey!
- Veio de muito longe! - Antony disse sorrindo.
- Sim. - O jovem continua. - Mas então houve um assassinato aqui?
- Sim, na madrugada. Seu nome era Poll Austin, um interno.
- Meu Deus! - Admirou-se Vinne.
- Isso é incomum por aqui. - Disse o diretor do hospital.
- Posso ter um minuto em particular com ele, Doutor Antony? - Indagou o policial.
- Sim, claro. - Respondeu prontamente o Diretor já saindo da sala acompanhado pelo outro policial que estava com  Malcon.
   Ficaram na sala Vinne e Malcon Reedus, o policial então começa a sua fala.
- Olhe meu jovem, o que aconteceu aqui foi um crime assustador. Uma pessoa teve os olhos e a língua, além das duas orelhas cortadas, arrancadas fora por um objeto cortante, provavelmente uma faca.
- Meu Deus!
- Já vi coisas muito sinistras, mas isso foi algo inédito para mim! O fato de eu ter pedido para falar com você a sós é porque de todos que aqui estão, você é o único que não se enquadra como suspeito, por razões bem óbvias.
- Então o senhor acha que um dos funcionários é o assassino?
- É bem cedo para dizer isso. Olhe a sua volta, meu rapaz. Aqui se lida com pessoas anormais.
Morgan não gostou da maneira em que o policial se referiu aos internados daquele lugar, o jovem era manso por natureza, odiava injustiças, sua forma de pensar e agir o levava sempre a condição de querer ajudar as pessoas, trabalhar ali não mudaria sua personalidade, pelo menos isso era o que ele estava pensando.
- Defina anormais, senhor policial! 
- Quer que eu seja direto? Sutileza nunca foi o meu forte, vou logo te adiantando.
- Sutileza é?
- O que eu quero dizer é que qualquer um que esteve aqui nesse lugar de ontem para hoje, seja funcionário ou maluco, se torna automaticamente um suspeito.
- Maluco é um adjetivo que eu não costumo usar. - Disse Vinne.
- To pouco me fodendo para a forma como você adjetiva esses malucos, isso pouco importa para mim. Então assim sendo, quero só pedir a sua colaboração para que possamos retirar daqui esse assassino psicótico.
Vinne se surpreende com a forma grosseira que Malcon havia usado, pensou em retrucar, mas desistiu da ideia, achou melhor recuar.
- Como seria a minha colaboração?
- Você vai me contar tudo que ver e ouvir que julgar estranho. São nos detalhes que chegamos ao fim de várias coisas, digo isso por conhecimento de causa. Já vivenciei muita coisa, já fiz inúmeras investigações cujo o desfecho foi possível por detalhes que haviam fugido no inicio do trabalho.
- Entendo. Pode contar comigo.
- Obrigado garoto. - Sorriu o policial, em seguida retirou um cartão do bolso do paletó marrom, surrado e fora de moda, entregou-o a Vinne. - Me telefone de achar algo que possa ajudar. Se precisar de mim, faça bom uso desse cartão, terei prazer em ajuda-lo. Preciso ir agora.
- Pode deixar. - O jovem pega o cartão e  guarda em sua carteira, o policial se despede e sai da sala do diretor, Antony entra em seguida sem demora.
- E então? Pronto para trabalhar?
- Acho que sim.
- Esqueça por um momento esse clima pesado, pode deixar a sua bagagem aqui em minha sala. Peço que me acompanhe.
Vinne obedece o Diretor, o segue sem nada falar, durante a caminhada o gestor ia falando com outros funcionários, fazendo pequenas orientações, o hospital era gigantesco, composto por seis andares, um imenso jardim, a recepção ficava em um grande saguão, na entrada um estacionamento generoso, muita sombra tanto no jardim quanto na frente devido a árvores frondosas. 
O acesso aos andares era feito por escadas largas ou por dois elevadores também bem largos, havia um andar inferior que não está contido nos seis já mencionados, esse era subterrâneo e os elevadores não disponibilizava acesso. Havia também duas piscinas, uma larga e outra pequena, um chafariz tendo como ornamento um querubim desnudo que cuspia água e algumas roseiras, umas vermelhas, outras brancas, hortênsias e margaridas completavam a beleza perto da fonte.
Antony chega a um tipo de vestiário, grita o nome de alguém.
- Daryl! Daryl!
- Já estou indo! - Responde um homem que vem ao encontro dos dois enquanto abotoava seu uniforme azul claro.
- Esse é Morgan Vinne! - Os dois se cumprimentam apertando as mãos. - Quero que mostre as instalações a ele.
- Ok. - Disse o jovem de barba e baixinho.
- Mostre tudo a ele, com algumas exceções.
- Eu sei.
- Já já a polícia vai sair e vamos tentar voltar a rotina normal.
- Rotina normal só se for em um hospicio!
- Poupe-me de suas ironias, Deryl, faça apenas o que estou mandando e limite-se a isso.
- Ok chefe! - Disse o barbudo com as mãos espalmadas.
- Preciso ir. Tenho que cuidar das coisas. Do velório e desses policiais. NO fim do dia a gente volta a conversar. Deryl vai te mostrar o hospital, te apresentar as pessoas providenciar seu armário, e tudo o mais, tudo bem?
- Entendido. - Resondeu Vinne.
Antony sai do local deixando Morgan com o novo anfitrião, se podia sentir um clima pesado ali, mas o recém-chegado não fez qualquer comentário, acompanhou Deryl sem exitar.
- Então você é o meu substituto heim?
- Seu substituto?
- Sim. O Doutor Antony não falou?
- Não!
- Então fique sabendo.
- Por que está saindo?
- Por que sim!
- Certo.
- Não fico mais aqui! Estou indo Para Seatle. Irei trabalhar em uma clinica de recuperação lá.
- Que bom!
- Sim. Mas infelizmente, por força do contrato, tenho que ficar nessa pocilga por mais dez dias!
Vinne estranhou a frieza e aquelas palavras deu a entender que aquele homem estava amargurado, mesmo curioso para saber a razão de tanta raiva do hospital, não ousou perguntar, deixou as coisas fluírem naturalmente, confiou em seus instintos, imaginou que Daryl era um falastrão e que isso o faria revelar muitas coisas sobre Serenety.
- Entendo.
- Aqui é o nosso dormitório, quente como o inferno! Se não tiver ventilador, acho melhor providenciar um!
- Eu não trouxe!
- Então vai suar feito um porco! Ou isso, ou durma na varanda do segundo andar, lá tem dois quartos que não são ocupados, mas não deixe que o puxa-saco do Rogger veja, senão ele te entrega pra o Diretor.
- Certo, me lembrarei do conselho.
- De onde você vem, cara?
- Princeton!
- Porra! Longe! Devia ter ficado por lá. Isso aqui é o fim do mundo!
- Tenho um tio que mora aqui, vim a convite dele.
- Azar o teu, irmão. 
- Você trabalha aqui ha quanto tempo?
- Oito meses, mas acredite, parece oitenta anos!
- Serio? Muito trabalho com os internos não é?
- Com os internos você disse? É, pode ser!
- O que faleceu hoje, você o conhecia bem?
- Poll era esquizofrênico em auto grau! Mas tinha lucidez em muitos momentos, mais do que os psiquiatras podiam perceber.  A Morte dele foi cruel, mas ele havia previsto isso, ninguém deu atenção.
- Previsto? Serio? Como?
- Você faz perguntas demais, carinha!
- Me desculpe!
- Você já trabalhou em um lugar como este antes?
- Não. Sou recém-formado, mas já estagiei em um hospital, não deste tamanho, na verdade era uma casa de recuperação.
- E lá haviam loucos normais né?
Vinne não entende o que ele quis dizer.
- O que seriam loucos normais?
- Cedo ou tarde você irá entender. Venha, irei te mostrar  algumas "personalidades" deste lugar, não fale com eles, me siga de perto, depois irei te apresentar os funcionários...

CONTINUA...




sábado, 9 de maio de 2015

SERENITY



PARTE 1 - Chegadas e partidas
Por: Jair Nepomuceno
   
  Era uma adorável manhã em uma Terça-feira de Abril, dia seis para ser mais exato, 
um jovem desce do taxi carregando consigo uma mala e uma mochila às suas costas, chamava-se Morgan Vinne, seu destino o Hospital Psiquiátrico de Saint Sofhie, mais comumente conhecido como Serenity.
  Vinne estava ali para dar inicio a sua jornada profissional, recém-formado na Princeton University e chegando por indicação do tio, um homem bem conceituado na cidade, tudo que ele queria era ganhar experiência para depois aventurar-se em uma carreira sólida, quem sabe montar uma clinica em Washington para viver perto dos pais. 
  O jovem foi recepcionado por uma mulher de meia-idade, gorda de sorriso fácil e demonstrando muita gentileza, do lado de fora do hospital dois carros de polícia e várias pessoas indo e vindo no saguão principal.
  - O senhor deve ser o novo psicólogo, certo? - Perguntou-lhe a bondosa mulher.
  - Sim senhora! - Respondeu o jovem de aparência esbelta distribuída em um metro e oitenta e cinco de altura.
  - O senhor por gentileza aguarde aqui, irei chamar o Doutor Antony.
  A recepcionista afastou-se e foi atrás do Doutor Antony Seiks, o diretor do hospital, enquanto aguardava o rapaz ficou observando aquele pequeno frenesi, enfermeiros e alguns policiais conversavam, com certeza algo havia acontecido ali, e pelo tumulto era algo grave.
  A mulher voltou em menos de dez minutos e com um aceno de mão, o chamou ainda com o sorriso no rosto, ele atendeu prontamente e a acompanhou, não conseguiu segurar a curiosidade.
  - O que houve aqui?
  - Uma coisa horrível! - Respondeu a senhora.
  - Uma coisa horrível de que tipo? - Insistiu Vinne.
  - O Doutor Antony vai lhe dizer. - Ela para em frente a uma porta gira a maçaneta e fez menção para que ele entre, ao entrar se depara com o diretor do hospital claramente nervoso e dois outros homens juntos a ele, um com a farda azul impecável da polícia local e o outro com um pequeno caderninho fazia anotações, rapidamente imaginou que esse poderia ser também alguém da polícia.
  - Entre meu jovem! - Saldou Antony, - Seja muito bem-vindo!
  - Obrigado Doutor!- Respondeu o rapaz ainda meio desconcertado.
  - Venha cá. - Continuou o diretor. - Deixe-me apresenta-lo ao detetive Malcon Reedus.
Vinne e o detetive se cumprimentam, em seguida, o jovem estende a mão também ao outro policial.
  - Ele conhecia a vitima? - Indagou Malcon ao diretor.
  - Não, não. - Respondeu Antony. - Ele chegou hoje de viagem, vai trabalhar conosco.
  - Entendi.
  - Que droga, meu rapaz! - Disse o diretor. - Uma merda você ter chegado justamente hoje. É realmente lamentável.
  - O que houve aqui? - Indagou Morgan.
  - Um assassinato! - Respondeu-lhe sem pestanejar o detetive.

CONTINUA...