Hanna Fisio

terça-feira, 20 de outubro de 2015

SERENITY

PARTE 36 - MARCAS DE SANGUE
Por Jair Nepomuceno

O que é o sobrenatural senão algo que não entendemos e que de uma forma ou de outra nos causa medo, receios e admiração? O que é o natural senão algo que pensamos conhecer?

Quando Malcon deixou o escritório de Antony e tomou o caminho do jardim de Serenity, deixou para trás três pessoas apreensivas, um mais apreensivo que os outros dois, no fundo ele sabia que tinha plantado uma sementinha cruel, sabia tanto, que sem que os outros percebessem, ao se despedir esboçou um sorriso no canto de boca.
- Viu só? - Disse Daryl. - Eu avisei que ele não é um policial como os outros!
- Cala a boca! - Falou Rogger. - Ele é um policial, apenas um policial!
- Sendo especial ou não o fato é que aquele maldito está desconfiado, vocês ouviram! Ele mencionou Leonora e disse que vai conversar com você a respeito disso, Rogger! - Foi Antony quem falou.
- Eu posso dar um jeitinho nele rapidinho!
- Você é um lunático! - Disparou Daryl. - Tudo para você tem que ser resolvido matando, batendo, conheço gente do teu tipo, são pessoas idiotas que agem por impulso e na maioria das vezes acaba dando "murros em ponta de faca".
- O melhor a se fazer é a gente adiantar logo esse dinheiro! - Disse o Diretor de Serenity.
- Façam isso! - Disse Rogger.
- Mas eu não vou conseguir todo esse dinheiro até amanha! - Enfatizou Daryl.
- Por que não? - Indagou o segurança.
- Porque não costumo guardar quinze mil dólares debaixo do meu colchão!
- Eu tenho cinquenta disponível, os trinta e cinco restantes vou levar dois dias, porque terei que fazer uma manobra.- Disse Antony.
- Me tragam o dinheiro depois de amanha então!
- Irei providenciar a minha parte! - Falou Daryl, em seguida despediu-se. - Vou voltar ao trabalho.
O Psicólogo sai do escritório deixando os outros dois ainda conversando em portas fechadas, ele sabia que Rogger e Antony não eram confiáveis, mas no momento não havia muito a se fazer diferente disto.
Malcon chegou ao Jardim e começou a andar olhando minunciosamente cada canto buscando pistas, na verdade nem ele mesmo sabia o que procurava, mas o seu instinto lhe dizia que ali era o local onde deveria estar, as respostas com certeza sairiam de dentro dos muros do Hospital. 
- Bom dia, Delegado! - Cumprimentou Vinne.
- Bom dia, rapaz!
- E então, como andam as investigações?
- Vinne, a sua ajuda, quero dizer, a falta dela acabou dificultando um pouco o meu trabalho!
- O que eu fiz?
- Não o que você fez, porque você não fez porra nenhuma que eu pedi. Eu esperava uma cooperação mais efetiva de sua parte!
- Mas eu não vi nada que pudesse ser relevante!
- Claro que viu!
- Por que o senhor acha isso?
- Por que a sua presença aqui nesse hospital não é meramente para trabalhar! - Essa afirmação de Malcon pegou o psicólogo de surpresa. - Não pense que eu não fui a fundo na história pessoal de cada um que está e que esteve aqui nessa pocilga!
- O senhor está insinuando que eu tenho algum tipo de ligação com esses assassinatos?
- Eu não insinuo nada, os motivos que o fazem continuar aqui, por enquanto não é relevante para mim, não creio que possa ter ligação com as mortes, só por esse motivo não te investiguei mais minuciosamente.
- O senhor gosta de especular não é?
- Não, não faço especulações! Se eu entendesse que pudesse existir a mais ínfima chance de você está evolvido já teria te encostado na parede!
- Acredito!
- OLha só, o homem que vai prender aquele que comete coisas ruins! - Serenna fala sorrindo.
- E a senhora é a famosa quem? - Perguntou Malcon.
- Seu nome é Serenna. - Respondeu Vinne. - Ela é uma interna!
- Uma maluca?
- Não, ela sofre de esquizofrenia!
- Então!
- Ela não é louca! - Vinne insiste já irritado.
- Ta bom!
- O senhor é um bom homem! - Disse a interna tocando o ombro do policial.
- Obrigado, senhora! 
- Você deveria conversar com o isolado! Ele tem muito a te dizer!
- Conversar com quem? - Indagou Malcon.
- Acho que ela se refere a Roland Connor!
- Quem é esse?
- Venha, vou lhe apresentar! - Disse Vinne sem pestanejar.
O policial o segue ate o quarto andar, no caminho não fez perguntas ao psicólogo, preferiu manter a sua atenção a cada detalhe do percusso, como um bom investigador, de vez em quando parava e anotava algo em um tipo de caderneta, enfim, chegaram ao local de destino.
- Que lugar é esse?
- Aqui é onde ficam internos com doenças infecto-contagiosas! 
- E tem alguém com esse tipo de doença aqui agora? - Perguntou preocupado o Delegado.
- Não se preocupe, só ha três internos aqui no quarto andar e o motivo deles não é por causa de doenças contagiosas!
- E o que viemos fazer aqui?
Vinne responde ao policial já de frente a cela do interno.
- Viemos por causa dele!
- Espera ai, deixa eu ver se eu entendi. - Disse Malcon. - Você me trouxe aqui para conversar com esse maluco?
- Confia em mim. - Disse o psicólogo. - Será muito bom para as suas investigações!
- Você ficou louco?
- Não, policial, ele não ficou louco! - Roland fala de supetão já encostado nas pequenas grades. - Você é um incrédulo, mas deve acreditar naquilo que julgas, digamos, diferente.
- É mesmo? Eu devo acreditar em você?
- Sua ironia não te ajudará!
- Certo, me diga, por qual razão está preso ai?
- Isso é irrelevante, Delegado!
- Não irei ficar aqui conversando com um psicopata, não levo o menor jeito ara isso, Vinne!
- Que tal então eu te dar uma diretriz? E não farei isso por você, mas para atender a um pedido de Leonard!
Malcon já estava decidido a ir embora, mas ao ouvir o nome da criança ele retorna.
- O que Leonard tem a ver com isso?
- Ele precisa descansar!
- Ele está morto!
- Não faça da sua fé um nada, policial! Você o viu, ele me contou!
- Você conversou com Leonard, o menino morto no incêndio?
- Vá até o sexto andar, há algo lá que é uma peça importante desse quebra-cabeça!
Malcon olha rapidamente para Vinne, volta o olhar para Roland e pergunta:
- O que tem lá?
- Veja com os seus próprios olhos! 
- Eu irei com o senhor! - Disse o psicólogo.
Os dois homens partem para o sexto andar, assim que entraram naquele lugar, Malcon sentiu algo estranho, mas decidiu não compartilhar com Vinne, continuou andando pelo andar indicado, em um certo momento perguntou ao psicólogo:
- Que diabos estamos procurando aqui?
- Acho que isto aqui, Delegado! - Vinne aponta a claymore, sim, era a espada que provavelmente pertencia a Mellissa, ela esta lá encostada atrás de um armário surrado, com um pouco de poeira sobre o punho e na lâmina da ponta até um palmo acima, marcas de sangue.


CONTINUA...




terça-feira, 13 de outubro de 2015

SERENITY

PARTE 35 - INDÍCIOS
Por Jair Nepomuceno

Algumas vezes os atalhos acabam nos levando para lugares inesperados onde o destino inicial seria um outro lugar, assim é a vida e seus mistérios.

Malcon não estava surpreso com o que ouvira, na verdade ele já vinha com, podemos dizer "uma pulga atrás da orelha" em relação a possibilidade de alguma ligação entre os casos Green Lake e os assassinatos em Serenity. Antony passou a ser para ele um objeto de investigação, isso implicaria de um aprofundamento também em seus supostos aliados.
- E então Rogger. - Disse o policial. - Me conte porque Green Lake marcou tanto a sua vida em duas oportunidades, estou curioso para saber, já que adoro aquele lugar! também quero ter um marco envolvendo aquele fabuloso local!
- Er... Eu, lá é ... bom. Não sei!
A gagueira do segurança só serviu para alimentar ainda mais a vontade do investigador.
- O gato mordeu a sua língua, rapaz? - Insistiu Malcon sorrindo.
- Ele deve está se referindo a dois episódios, o primeiro quando caiu literalmente do cavalo e quase ficou paralítico e o segundo por ter conhecido a sua noiva lá. - Disse Antony.
- Não sabia que você era ventríloquo, Rogger! - Ironizou o policial.
- Ventríloquo? - Indagou o segurança.
- Sim. Por que eu pergunto as coisas para você e quem responde é o Doutor Antony!
- Não gostei da sua ironia, Malcon. Com quem pensa que está brincando? - Esbravejou o Gestor de Serenity.
- Pareço alguém que abandona o escritório para vir a um lugar escroto como esse com intuito de brincar? 
- Só estou estranhando esse seu comportamento! - Disse Antony.
- É mesmo? - O policial se aproxima do psiquiatra e o fita nos olhos a um palmo de distância. - Eu acho muito mais estranho o fato de eu ter conversado com Daryl a respeito de Green Lake e citado no referido assunto este hospital e minhas suspeitas. Ai eu chego aqui, nessa pocilga e vejo ele, você e o nosso mestre da segurança Rogger, falando justamente sobre Green Lake!
- É crime falar de Green Lake? - Indagou Daryl. - Que eu me lembre o senhor nem ao menos me pediu sigilo quanto a nossa conversa.
- Você disse crime? - O policial enfatiza. - Não acho nem um pouco coerente usar esse substantivo na atual conjuntura, no entanto, estou interessado no que você tem a acrescentar a esse seu pensamento. Então vamos lá, Daryl, me ilumine e a todos aqui presentes a respeito do crime que você acredita ser atribuído ao simples fato de falar sobre Green Lake.
- O que você está querendo provar com isso? - Perguntou Antony.
- Cala a porra da boca! - Esbravejou Malcon apontando o dedo para o Diretor de Serenity, continuou. - Limite-se a responder o que for referente a você! Não pense que o fato de eu está aqui nessa espelunca é suficiente para me intimidar, porque nem de longe o é!
- Você vem aqui em meu trabalho sem ser convidado, chega em pé de guerra, me manda calar a boca, tenta coagir os meus funcionários e acha que eu vou ficar inerte?
- Antony, coação é o que eu estou tentando extinguir desse lugar. Pare de falar merda! 
- Afinal de contas, o que você deseja? - Indagou o psiquiatra.
- Eu estava passando aqui em frente e de repente me deu uma vontade louca de entrar e dar uma olhada por ai, a razão de eu ter chegado sem avisar foi para pedir a sua autorização para dar uma checada em seu hospital.
- Minha autorização?
- Claro, afinal estou aqui extraoficialmente. Você não é obrigado a me permitir andar aqui dentro!
- Sei.
- Então, eu gostaria de saber se eu posso ou não perambular por ai!
- Se eu disser que não? E se eu pedir para que você retorne com um mandado, caso contrário, não será bem-vindo aqui, o que você diria?
- Eu não diria nada, apenas me perguntaria a razão de uma pessoa que se diz tão idônea e que não tem nada a temer, querer impedir que eu faça o meu trabalho, mais ainda, eu iria achar que você quer a qualquer custo esconder algo da justiça!
- Esse seu joguete é ridículo, Malcon! Não te conheço mais! Quem é você?
- Curioso você mencionar isso, já que as pessoas estão sujeitas a mudanças de comportamento e olhe só que coisa, eu não sou suspeito e nem estou sendo investigado por nada!
- Até onde eu sei, eu também não estou! - Disse Antony.
- Quem disse que você não está sendo investigado?
- Não me faça rir! Eu tenho álibi seu cretino! Você mesmo já afirmou que os dois crimes aqui tem ligação, que se trata de um serial killer, portanto, quando Poll foi assassinado eu estava participando de um evento de psiquiatria, e tenho várias testemunhas que me viram lá, inclusive o prefeito!
- Isso realmente se tornou muito relevante e até foi um álibi perfeito, mas deixou de ser tão relevante a partir do momento que eu descobri que as câmeras de segurança da entrada do hospital não estavam funcionando, antes mesmo da morte de Poll!
- O que isso implica?
- Não é óbvio?
- Não, não é!
- Não se sabe ao certo o horário que Austin foi morto, tudo que os peritos disseram foi que o assassinato ocorreu entre uma e quatro da manhã, e eu procurei saber que horas terminou o tal evento de psiquiatria e ele não passou das duas duas, portanto, não seria absurdo afirmar que nesse período de tempo você não tenha voltado ao hospital!
O Diretor sorrir ironicamente.
- Você gosta de teorias da conspiração? Isso foi a coisa mais estúpida que eu já ouvi! O álibi continua intacto, porque eu estava acompanhado com a minha esposa e fomos juntos para casa, dormimos juntos na mesma cama e ela pode testemunhar isso!
- Dormiram juntos na mesma cama! - Malcon ironiza. - Até que horas? Porque em depoimento, ela disse que chegou em casa exausta naquela noite e dormiu quase que imediatamente!
- Você veio aqui para me acusar? Eu tenho mais o que fazer! Se não se importa, gostaria que você fosse embora, preciso voltar ao trabalho!
Os outros dois permaneceram em silêncio durante esse embate entre o gestor e o policial, Malcon então retoma a fala.
- Tenho a sua autorização para andar por ai?
- Não sei se estou disposto a autorizar!
- Se eu fosse você eu tomaria uma dose de disposição agora mesmo para me autorizar, porque caso contrário, eu posso realmente atender a sua orientação e  pedir um mandado, mas para isso, eu nem precisaria sair do seu estacionamento, por telefone eu conseguiria o documento com a Juíza que julgará o caso, e só para deixar bem claro, ela é minha prima. Então peço que use o bom senso e não me faça usar desse expediente, porque se eu precisar, vou fazer desse hospital um acampamento do primeiro distrito, você não iria me querer no café da manhã todos os dias, posso garantir isso!
- Fique a vontade policial! - Disse Antony visivelmente raivoso. - Faça a sua investigação, não tenho nada a esconder, se precisar de alguma coisa, avise as recepcionistas! Agora me deixe trabalhar!
- Obrigado pela cooperação, Doutor! - Ironiza mais uma vez o policial, e sai da sala, mas antes de seguir pelos corredores de Serenity, ainda de costas ele manda um recado ao segurança. - E você Rogger, me aguarde, não pense que me esqueci de você! Vamos voltar a falar de Green Lake e de uma certa Leonora!


CONTINUA...