SERENITY
PARTE 36 - MARCAS DE SANGUE
Por Jair Nepomuceno
O que é o sobrenatural senão algo que não entendemos e que de uma forma ou de outra nos causa medo, receios e admiração? O que é o natural senão algo que pensamos conhecer?
Quando Malcon deixou o escritório de Antony e tomou o caminho do jardim de Serenity, deixou para trás três pessoas apreensivas, um mais apreensivo que os outros dois, no fundo ele sabia que tinha plantado uma sementinha cruel, sabia tanto, que sem que os outros percebessem, ao se despedir esboçou um sorriso no canto de boca.
- Viu só? - Disse Daryl. - Eu avisei que ele não é um policial como os outros!
- Cala a boca! - Falou Rogger. - Ele é um policial, apenas um policial!
- Sendo especial ou não o fato é que aquele maldito está desconfiado, vocês ouviram! Ele mencionou Leonora e disse que vai conversar com você a respeito disso, Rogger! - Foi Antony quem falou.
- Eu posso dar um jeitinho nele rapidinho!
- Você é um lunático! - Disparou Daryl. - Tudo para você tem que ser resolvido matando, batendo, conheço gente do teu tipo, são pessoas idiotas que agem por impulso e na maioria das vezes acaba dando "murros em ponta de faca".
- O melhor a se fazer é a gente adiantar logo esse dinheiro! - Disse o Diretor de Serenity.
- Façam isso! - Disse Rogger.
- Mas eu não vou conseguir todo esse dinheiro até amanha! - Enfatizou Daryl.
- Por que não? - Indagou o segurança.
- Porque não costumo guardar quinze mil dólares debaixo do meu colchão!
- Eu tenho cinquenta disponível, os trinta e cinco restantes vou levar dois dias, porque terei que fazer uma manobra.- Disse Antony.
- Me tragam o dinheiro depois de amanha então!
- Irei providenciar a minha parte! - Falou Daryl, em seguida despediu-se. - Vou voltar ao trabalho.
O Psicólogo sai do escritório deixando os outros dois ainda conversando em portas fechadas, ele sabia que Rogger e Antony não eram confiáveis, mas no momento não havia muito a se fazer diferente disto.
Malcon chegou ao Jardim e começou a andar olhando minunciosamente cada canto buscando pistas, na verdade nem ele mesmo sabia o que procurava, mas o seu instinto lhe dizia que ali era o local onde deveria estar, as respostas com certeza sairiam de dentro dos muros do Hospital.
- Bom dia, Delegado! - Cumprimentou Vinne.
- Bom dia, rapaz!
- E então, como andam as investigações?
- Vinne, a sua ajuda, quero dizer, a falta dela acabou dificultando um pouco o meu trabalho!
- O que eu fiz?
- Não o que você fez, porque você não fez porra nenhuma que eu pedi. Eu esperava uma cooperação mais efetiva de sua parte!
- Mas eu não vi nada que pudesse ser relevante!
- Claro que viu!
- Por que o senhor acha isso?
- Por que a sua presença aqui nesse hospital não é meramente para trabalhar! - Essa afirmação de Malcon pegou o psicólogo de surpresa. - Não pense que eu não fui a fundo na história pessoal de cada um que está e que esteve aqui nessa pocilga!
- O senhor está insinuando que eu tenho algum tipo de ligação com esses assassinatos?
- Eu não insinuo nada, os motivos que o fazem continuar aqui, por enquanto não é relevante para mim, não creio que possa ter ligação com as mortes, só por esse motivo não te investiguei mais minuciosamente.
- O senhor gosta de especular não é?
- Não, não faço especulações! Se eu entendesse que pudesse existir a mais ínfima chance de você está evolvido já teria te encostado na parede!
- Acredito!
- OLha só, o homem que vai prender aquele que comete coisas ruins! - Serenna fala sorrindo.
- E a senhora é a famosa quem? - Perguntou Malcon.
- Seu nome é Serenna. - Respondeu Vinne. - Ela é uma interna!
- Uma maluca?
- Não, ela sofre de esquizofrenia!
- Então!
- Ela não é louca! - Vinne insiste já irritado.
- Ta bom!
- O senhor é um bom homem! - Disse a interna tocando o ombro do policial.
- Obrigado, senhora!
- Você deveria conversar com o isolado! Ele tem muito a te dizer!
- Conversar com quem? - Indagou Malcon.
- Acho que ela se refere a Roland Connor!
- Quem é esse?
- Venha, vou lhe apresentar! - Disse Vinne sem pestanejar.
O policial o segue ate o quarto andar, no caminho não fez perguntas ao psicólogo, preferiu manter a sua atenção a cada detalhe do percusso, como um bom investigador, de vez em quando parava e anotava algo em um tipo de caderneta, enfim, chegaram ao local de destino.
- Que lugar é esse?
- Aqui é onde ficam internos com doenças infecto-contagiosas!
- E tem alguém com esse tipo de doença aqui agora? - Perguntou preocupado o Delegado.
- Não se preocupe, só ha três internos aqui no quarto andar e o motivo deles não é por causa de doenças contagiosas!
- E o que viemos fazer aqui?
Vinne responde ao policial já de frente a cela do interno.
- Viemos por causa dele!
- Espera ai, deixa eu ver se eu entendi. - Disse Malcon. - Você me trouxe aqui para conversar com esse maluco?
- Confia em mim. - Disse o psicólogo. - Será muito bom para as suas investigações!
- Você ficou louco?
- Não, policial, ele não ficou louco! - Roland fala de supetão já encostado nas pequenas grades. - Você é um incrédulo, mas deve acreditar naquilo que julgas, digamos, diferente.
- É mesmo? Eu devo acreditar em você?
- Sua ironia não te ajudará!
- Certo, me diga, por qual razão está preso ai?
- Isso é irrelevante, Delegado!
- Não irei ficar aqui conversando com um psicopata, não levo o menor jeito ara isso, Vinne!
- Que tal então eu te dar uma diretriz? E não farei isso por você, mas para atender a um pedido de Leonard!
Malcon já estava decidido a ir embora, mas ao ouvir o nome da criança ele retorna.
- O que Leonard tem a ver com isso?
- Ele precisa descansar!
- Ele está morto!
- Não faça da sua fé um nada, policial! Você o viu, ele me contou!
- Você conversou com Leonard, o menino morto no incêndio?
- Vá até o sexto andar, há algo lá que é uma peça importante desse quebra-cabeça!
Malcon olha rapidamente para Vinne, volta o olhar para Roland e pergunta:
- O que tem lá?
- Veja com os seus próprios olhos!
- Eu irei com o senhor! - Disse o psicólogo.
Os dois homens partem para o sexto andar, assim que entraram naquele lugar, Malcon sentiu algo estranho, mas decidiu não compartilhar com Vinne, continuou andando pelo andar indicado, em um certo momento perguntou ao psicólogo:
- Que diabos estamos procurando aqui?
- Acho que isto aqui, Delegado! - Vinne aponta a claymore, sim, era a espada que provavelmente pertencia a Mellissa, ela esta lá encostada atrás de um armário surrado, com um pouco de poeira sobre o punho e na lâmina da ponta até um palmo acima, marcas de sangue.
CONTINUA...