Hanna Fisio

terça-feira, 5 de janeiro de 2016

SERENITY

PARTE 42 - ENTRE A REALIDADE E A INSANIDADE
Por Jair Nepomuceno

Era uma vez...

Vinne deixou o hospital e foi para Serenity, chegou lá cabisbaixo, em silêncio, respondeu as perguntas a respeito de tudo que ocorrera, desde a tortura sofrida por Daryl até a morte de Rogger e o estado de saúde que o psicólogo e o Diretor se encontravam, depois seguiu para o porão, o medo e a curiosidade o levou até ali.
Leonard estava lá, atrás de uma velha máquina de lavar roupa, de longe ele apontou para um armário, Vinne estava assustado, mas foi até o local que o dedo indicador da criança apontava, ele revirou umas caixas e encontrou um álbum, saiu correndo sem olhar para trás, subiu as escadas rapidamente, seu medo era do outro espírito, Leonard já não lhe causava tanto pavor.
Abriu o álbum e viu várias fotos, inclusive da mulher que segurava o pequeno menino no colo, uma mulher que ele conhecia, viu fotos de pessoas que não conhecia e viu uma que o fez chorar, essa, ele fez questão de retirar do álbum, era seu irmão.
Enquanto isso no hospital Forrest O'neil, Antony abria os olhos e voltava os sentidos após a cirurgia, na verdade ele havia sido sedado apenas para descansar, não corria qualquer risco de morte, os médicos provavelmente lhe daria alta no dia seguinte. O Diretor de Serenity vira sua cabeça em direção à porta e tomou um susto ao ver sentado ao seu lado, de pernas cruzadas a figura de Malcon.
- Bom dia, Antony!Sente-se melhor?
- O que você quer aqui? - Irritou-se o psiquiatra.
- Vim lhe fazer uma visita, estou aguardando você acordar ha quase duas horas!
- Agradeço a preocupação, mas não sinto prazer algum de te ver aqui!
- Eu já sei de tudo, Antony!
O psiquiatra demonstra preocupação, será que ele já sabia sobre o caso de Green Lake? Pensou, mas fez o teatro de sempre, e do outro lado, alguém que estava ali para jogar, para envolver Antony como ninguém seria capaz e fazê-lo confessar tudo que queria, Malcon era especialista nisso, fingia ter tudo definido e acabava induzindo o suspeito a confissão.
- De tudo o que?
- Sobre Dorothy e o caso que você teve com ela e também o que ela andou aprontando! Eu já sabia que você era um canalha, mas confesso que me admirei quando vi que havia seu dedo sujo em tudo que estava acontecendo em Serenity!
O Diretor ficou surpreso e nitidamente preocupado, seu suor o acusava, seu olhar também, mesmo com a evidência explícita de seu desconforto com as palavras que Malcon havia acabado de dizer, ele quis retrucar.
- Não sei quem é Dorothy e não sei nada sobre isso que está falando! Você enlouqueceu de vez? Essa sua obsessão em me perseguir já passou dos limites!
- Esse teu teatrinho é que já passou dos limites! Vou te contar uma historinha. - Disse ironicamente Malcon, continuou. - Era uma vez um Psiquiatra muito respeitado, recém- promovido a Diretor de um hospital psiquiátrico, cujo outrora, fora a referência em toda a região. Esse Diretor começou a ter um caso com uma funcionária, o adultério acabou por causar problemas em médio prazo, para começar ela engravidou, e isso o fez afasta-ser da pobre mulher, essa atitude a fez surtar e matar o próprio filho em um incêndio criminoso, e fez isso para não perder o amor de seu "homem proibido", mas as coisas fugiram do controle e outras pessoas acabaram morrendo no mesmo incêndio! O Diretor se calou e um certo Delegado acredita que ele é co-autor dessa atrocidade, o pior, é cúmplice nos assassinatos de Poll Austim e Kelvin Obbie! Gostou da história? Eu posso colocar um pouco mais de drama se você preferir, junto ao drama, posso acrescentar um roteiro que incluiria, formação de quadrilha, obstrução da justiça, crime passional, crime duplamente qualificado, falso testemunho e crime premeditado! Creio eu, que com esse roteiro, você pegaria perpétua sem muito esforço!
Antony começa a chorar e se desespera:
- Não foi assim que aconteceu, eu juro que eu não tenho qualquer participação nesses episódios!
- Não tem?
Antony agora estava caindo na armadilha de Malcon, o desespero daria ao Delegado a conclusão da investigação de bandeja, o plano antigo do " era uma vez" sempre funcionava, mudavam as personagens, um pouco do enredo, mas o final era sempre o mesmo.
- Quando ela engravidou eu deu todo o suporte, mas eu não poderia assumir a criança, muito menos a ela, eu tenho família, não poderia colocar tudo a perder. Eu me afastei, nesse período ela surtou, foi ai que percebi que aquela mulher tinha tendência a ser uma psicótica e daí evoluir para psicopatia, a diferença era que mesmo sendo uma psicopata ela continuava a nutrir um amor doentio por mim!
- E então você a ajudou a arquitetar o crime do incêndio?
- Não! Eu acho que o meu erro foi ter demonstrado a ela que Leonard era o meu calvário! A partir daí ela elaborou tudo sozinha. O levou para o sexto andar e antes que o menino percebesse já estava com o corpo encharcado de querosene, só que ela acabou espalhando o líquido inflamável por várias partes, arrancou um fio elétrico e causou o incêndio!
- Por que você não a deteve? Por que não a entregou à polícia?
- Porque desde então eu vivo sob chantagem!
- Ela te chantageia?
- Sim! Sou obrigado a fingir que estamos juntos, a unica pessoa que pode acalma-la sou eu, já que esse tipo de doença em adultos não tem cura!
- Você a manteve trabalhando no hospital mesmo sabendo que ela era uma maluca?
- Era o único jeito de ficar de olho nela!
- Pelo amor de Deus! Ela é uma bomba relógio! Qual controle você tem sobre essa doida?
- O caso dela é diferente! Ela é lúcida na maior parte do tempo!
- Ela matou duas pessoas arrancando os olhos e a orelha! Por que ela fez isso?
- Por que supostamente Poll e Kelvin possuíam o dom de conversar com o pequeno Leonard!
- Conversar com o espírito?
- Sim! E isso na cabeça dela era uma ameaça, então ela surtou de vez, arrancou os olhos e as orelhas das vítimas achando que poderia desta forma ver e ouvir o filho morto!
- Ou seja, se alguém dissesse lá em Serenity que falava com o pequeno Leonard, ou se a confrontasse ela já colocava em sua lista negra e depois executava.
- Eu a detive duas vezes quando tentou matar Roland Connor e Daryl! Eu juro! Fiz tudo que podia!
- Mas obstruiu a lei! E isso o torna cúmplice, a não ser que ela confesse a chantagem, mesmo assim, você ainda teria que ir ao tribunal se explicar!
Antony chora copiosamente, ele via o seu mundo desabar, pensou na esposa, com certeza ela não perdoaria a traição, pensou nas duas filhas que amava.
- Minha vida acabou!
- Não, posso resolver algumas coisas, a chantagem é um atenuante, e ir ao tribunal não necessariamente você terá que se expor quanto ao adultério, providenciarei uma sessão fechada, mas a juíza vai determinar se haverá júri popular, nesse caso, os cuidados redobrarão!
- Eu te agradeço se puder me ajudar!
- Se o teu crime foi isso que me relatou, se não houve qualquer outra contravenção, irei te ajudar!
Os dois selam o acordo então Malcon chama o outro policial, grava o depoimento de Antony, em seguida se dirige a Serenity.
Assim que chegou lá, não perdeu tempo, foi até o jardim e anunciou:
- Sally Dreyfus você está presa pelas mortes de Poll Autim e Kelvin Obbie, além do incêndio criminoso ha três anos que vitimou não só o seu próprio filho, mas outras quatro pessoas!
A mulher não esboçou qualquer reação, diante da acusação o que ele fez? Riu.
As outras pessoas que ali estavam ficaram estarrecidas, custavam a acreditar que Sally era a assassina, ela saiu do hospital em silêncio, passou por Vinne e nesse momento foi a unica vez enquanto se dirigia à viatura da polícia que falou algo.
- Teu irmão era meu amigo! Fiquei chateada. Depois sorriu novamente e se calou.
Vinne ficou furioso e foi preciso ser detido por um dos policias para não agredi-la.
- Sua vaca maldita! Você vai queimar na fogueira do inferno!
O dia seguinte a prisão e confissão da ré, foi um dia estranho em Serenity, Daryl foi até lá pegar as suas coisas, não podia ainda sair de Saint Sofhie porque ainda teria que prestar depoimento a respeito da mote de Rogger, mas era algo de praxe, Vinne foi falar com ele.
- Como se sente?
- Estranho! - Respondeu Daryl enquanto esvaziava o armário.
- Imagino!
- E você? Vai continuar por aqui?
- Não! Serenity acabou para mim! Irei pra Washington assim que for liberado! E Você?
- Tenho algo ainda a fazer!
- O que?
Daryl toca o ombro de Vinne sorrir, da um abraço no amigo!
- Existem coisas que não param de doer, sabe?
- Do que você está falando?
- Da vida!
- Você virá comigo pra Washington! Tenho uma grana guardada, vamos montar uma pequena clínica de psicologia, lá tocaremos a nossa vida!
- Agradeço muito o convite, até acho que irei aceitar, mas antes tenho algo a resolver, a gente se fala mais tarde!
Daryl pega a sua mochila e sai apressadamente de Serenity sem dar maiores explicações ao amigo, ele se dirige então ao Hospital que Antony estava ainda internado, assim que chegou lá foi ao quarto do psicólogo, ainda deu tempo de ver a esposa e filhas do Gestor de Serenity se despedindo e saindo do quarto, ao passar por elas as cumprimentou e entrou no quarto.
- Bom dia Antony!
- Bom dia Daryl!
- Sente-se melhor?
- Sim!  E você?
- Não me sinto nada bem?
- Por que? Tudo acabou! Sally confessou os crimes e a chantagem que fazia em mim! Podemos voltar a vida normal!
- Ainda não! Porque não acabou!
- Como assim?
- Tenho sofrido todos esses anos pela morte daquela menina em Green Lake! Não posso mais viver com isso! 
- O que você está querendo Dizer?
- Eu vim aqui só pra te avisar que irei contar tudo o que aconteceu naquela noite, vou contar a respeito da minha participação e pagar por isso! Só assim, irei ter paz de espírito!
- Você enlouqueceu? O caso foi encerrado! Não faça isso! Esqueça tudo! Pra que mexer em algo que já está morto e enterrado?
- Porque é o correto! - Gritou Daryl. - Você não é inocente de coisa alguma! Eu não a matei, não cometi aquelas atrocidades com a moça, mas o olhar dela de dor olhando pra mim como um súplica tem me atormentado até hoje! Meu crime foi não ter detido você e Rogger quando tive a oportunidade! Eu devia ter metido uma bala na cabeça de cada um de vocês dois! Mas não o fiz! Depois de quase morrer e ganhar uma nova oportunidade para viver decidi fazer tudo diferente e a primeira coisa que irei fazer agora é te denunciar e me denunciar, adeus Antony!
Daryl sai do Hospital e vai procurar Malcon para cumprir o que havia dito ao Diretor, levou consigo a conversa que acabara de ter gravada no celular para comprovar o crime.
Dois dias se passaram, Vinne se despede das pessoas de Serenity, um novo Gestor assumiu o lugar de Antony, quando estava indo embora, se vira para dar uma ultima olhada no hospital, nesse momento viu Leonard no segundo andar acenando para ele, o menino sorria, estava sem as cicatrizes das queimaduras, seus olhos antes esbranquiçados agora se mostrava em um azul lindo, Leonard enfim estava em paz...

FIM!






DEPOIS DO FIM  - VIDAS APÓS SERENITY!
Por Jair Nepomuceno

VINNE - Mudou-se para Washington e montou uma pequena clinica onde atende com mais outros três psicólogos, a clinica vai bem e já vai fazer o seu terceiro aniversário.

DARYL - Foi condenado a cinco anos de prisão pela participação no caso Greeen Lake, mas Malcon conseguiu usando a  sua influência a redução da pena para dois anos e Daryl cumpriu apenas um ano de reclusão, o outro convertido em serviços comunitários, atualmente ele é sócio de Vinne na clínica.

ANTONY - Foi condenado a cinquenta anos de prisão, conseguiu uma redução da pena em vinte anos, sua esposa pediu divórcio e mudou-se para a Inglaterra juntamente com as filhas, hoje Antony trabalha como psiquiatra dentro do presídio, ele ainda tem  vinte e sete anos a cumprir.

MELISSA - Separou-se do marido e assumiu de vez o romance com Michael, o amante foi condenado a um ano de prisão por ocultação de provas, mas cumpriu em regime semi-aberto, atualmente o casal vive em Seatle,

BRENDA - Suicidou-se quatro meses depois que Antony foi preso, o motivo é um mistério, ele foi encontrada enforcada no porão, em seu bolso uma carta escrita a próprio punho se despedindo e com conteúdo confuso.

MALCON - Tornou-se Delegado do FBI, vive em New York com a familia e já foi condecorado duas vezes por bons serviços prestados, recebeu um honra ao mérito depois de ter elucidado o caso de Serenity e Green Lake.

SERENITY - Continua funcionando a todo vapor, o novo Diretor reformou por completo o sexto andar, o porão foi transformado em uma academia para os funcionários, o hospital voltou a ser uma referência no tratamento psiquiátrico, mas os novos funcionários tem relatado constantemente a presença de uma figura assustadora no sexto andar e também de uma criança que corre pelos corredores sorrindo e deixando um rastro de luz.

FIM




sábado, 2 de janeiro de 2016

SERENITY

PARTE 41 - O ANTIQUÁRIO
Por Jair Nepomuceno

O passado tem respostas para coisas do presente, muitas vezes procuramos respostas em tempo errado, pois o passado é o senhor das consequências futuras.

Vinne foi o salvador não só de Daryl, mas de Antony também, seu heroísmo deu a chance do amigo e do Diretor de Serenity a continuar escrevendo suas histórias, tudo o que estava acontecendo naquele lugar era aterrorizante, a vida dos envolvidos nunca mais seriam as mesmas depois dos episódios recentes.
- Não costumo agradecer as pessoas, sou um grosso e tenho convicção dessa minha falha, mas o que você fez por mim foi algo que eu não teria palavras para demonstrar gratidão, então aceite o meu muito obrigado sincero.
- Não precisa agradecer, amigo.  Disse Vinne. - Eu tenho a mais absoluta certeza que se fosse  contrário, você teria feito o mesmo!
- Isso não muda o tamanho da atitude que você teve!
- O importante é que você está bem!
- Você acredita em Deus, Vinne?
- Sim! Mas confesso que já fui mais fervoroso!
- Então você crê que ele faz uso de ferramentas para causar o bem?
- Ele pode tudo!
- Sim! Com certeza pode e ele provou isso usando você para me salvar e ao Antony!
- Pode ser! - Disse Vinne já tocando-lhe a perna e despedindo-se.- Preciso voltar a Serenity!
Quando o psicólogo já chegava na porta para sair, Daryl volta a fala:
- Eu conversei com a entidade que assombra o hospital através de Roland Connor!
O outro que já estava saindo, parou na porta e indagou:
- O que você disse?
- Existem dois espíritos que assombram os corredores em Serenity, na verdade eu nunca vi nenhum dos dois, mas tive a oportunidade de conversar com um deles através de Roland!
- Quando foi isso e como você sabe que não era encenação de Connor?
- Pelo amor de Deus, Vinne! Eu sou psicólogo, conheço cada um dos internos intimamente, Roland jamais iria me enganar. Isso aconteceu ha dois dias!
- O que conversou com ele?
- Ele disse que estava perseguindo você, e não era o espírito da criança é o outro que demonstrou muita raiva, mágoa e revolta.
- E por que ele me persegue?
- Por causa do seu irmão!
- Como assim?
- Ele disse que Joshua começou a salvar várias pessoas no incêndio e que ele foi ficando para trás, estava bastante queimado e um armário havia caído sobre o seu corpo, ele gritou para Joshua e seu irmão olhou para ele e o ignorou, preferiu salvar a vida de uma mulher que estava em melhores condições. O que aconteceu a seguir foi que o cara morreu carbonizado, agonizando em muita dor.
- Meu Deus! Mas o que isso tem haver comigo?
- Ele desejou enquanto morria se vingar de Joshua, mas o seu irmão acabou morrendo no mesmo incêndio, então ele quer fazer algo em você como forma de atingi-lo!
- Estou perplexo!
- E tem mais!
Vinne estava cabisbaixo, levanta o olhar rapidamente para Daryl.
- Tem mais o que?
- Ele disse que seu irmão foi morto por quem continua a mutilar as pessoas, ou seja, se encontrarem o assassino de Poll e de Kelvin, automaticamente encontram o assassino do teu irmão, porque se trata do mesmo psicopata!
Vinne se aproxima da cama de Daryl, aperta o seu ombro quase para machucar.
- Quem é o assassino?
- Ele não disse!
- Por que não diz logo quem matou?
- Eu sei lá, acho que ele não tem permissão para revelar isso!
- Permissão de quem?
- Sei lá porra! Eu não sou macumbeiro, ou de seitas africanas, ou algo do tipo, como vou saber?
Vinne alivia o aperto no ombro de Daryl, estava com os olhos marejados.
- Me desculpe! Eu perdi o controle!
- Eu o convenci a deixar você em paz, mas te aconselho a evitar o sexto andar e o porão, o sexto porque foi lá que ele morreu e o porão por alguma razão não revelada, mas são os dois lugares que ele costuma assombrar!
- Meu irmão foi morto enquanto salvava vidas!
- Sim! Ele sofreu uma agressão no fim da escada e desmaiou, por isso morreu por asfixia e intoxicado pela fumaça dos produtos!
Vinne enxuga as lágrimas, agradece as informações, em seguida se despede e segue para Serenity.
Enquanto esse diálogo traumático acontecia no hospital, Malcon chegava a um antiquário que se localizava a seis ruas de Serenity, estava indo atrás de respostas que o ajudasse a elucidar o caso.
Assim que chegou ao local percebeu que realmente havia muita coisa antiga, relógios de parede, telefones, rádios, móveis e vários outros objetos, alguns certamente fabricados nos séculos anteriores. Era uma loja relativamente escura, talvez para preservar os objetos protegendo-os da luz intensa, a sineta tocou assim que a porta abriu e o homem de aparência bonachona, sorridente veio atender o policial.
- Bom dia! Em que posso ajuda-lo?
- O senhor se chama Ed Carter?
- Quem quer saber?
O Delegado interino apresenta ao homem a sua carteira de polícia e se identifica:
- Sou Malcon e trabalho diretamente pra homicídios!
- Agora sei quem o senhor é! O senhor não é um delegado que está trabalhando no caso Serenity?
- Também sou Delegado interino!
- Entendi! Sim senhor, sou Ed carter, Ed de Edmund!
- O senhor tem uma bonita loja!
- Obrigado policial! Mas o que posso fazer pelo senhor? Aceita um chá, ou um cappuccino?
- Não, obrigado, na verdade vim aqui para fazer algumas perguntas!
O homem coça a barba grisalha, convida Malcon a se sentar, estava notoriamente desconfiado e desconcertado.
- Quais tipos de perguntaS?
- O senhor já deve imaginar!
- Se é sobre os assassinatos em Serenity, não posso ajuda-lo, eu nem mesmo conhecia as vítimas!
- Eu soube que o senhor andava lá constantemente, por que parou de ir?
- Eu não lembro se andava lá! Eu sofri um acidente de carro, sabe? E perdi parte da memória, então, não sou uma pessoa muito útil para o senhor!
- Deixa eu te falar uma coisa, Carter! - Diz Malcon com um leve sorriso. - Você é um antiquário muito respeitado em Saint Sofhie, e eu pesquisei e vi que tudo que você sabe sobre o seu trabalho você aprendeu antes do tal acidente, na verdade aperfeiçoou o que sabia, fez curso sobre restauração quatro dias antes do acidente e veja só, você não esqueceu essa parte não é mesmo? Mas esqueceu coisas que fazia como visitar Serenity  antes do curso de restauração e também durante o curso! Impressionante não acha?
O Homem ficou nervoso, meio gaguejando tentou se impor.
- O que o senhor entende de problemas neurológicos?
- Neurologia não entendo nada, mas sei quando um safado está tentando me enrolar, e você é esse tipo de safado mentiroso, então, pare de encenar e me responda as perguntas que eu fizer!
- Por favor, não me envolva nisso! - O homem se entrega. - Inventei a amnésia para me afastar de certas pessoas!
- Entendo! E essas certas pessoas incluem quem?
- O senhor tem mandado para invadir minha loja? Por que se não tiver isso é coação! 
- não o estou coagindo, mas se quiser que eu fique no teu encalço eu ficarei, não vai em querer como desafeto, ninguém quer!
- Meu Deus! O senhor é um homem da lei! Está me ameaçando? Que tipo de policial é o senhor?
- Já mandei parar com esse teatro, isso não te ajudar em nada! Vou te fazer a porra da pergunta e você vai responder, senão vou pegar no teu calcanhar!
- Eu imploro para que me deixe fora disso!
- Você nem será mencionado, estou aqui sem que ninguém saiba, somos eu e você!
O antiquário se senta, passa a mão freneticamente na própria cabeça, estava nervoso e com medo.
- O senhor promete que ninguém vai saber que esteve aqui?
- Tem a minha palavra!
- O que quer saber?
- Por que parou de andar em Serenity?
- Porque Antony me ameaçou, e não ficou só na ameaça, aquele lacaio dele, o tal Rogger, tenho certeza que ele cortou os cabos de freio para que eu sofresse o acidente e morresse, tenho essa certeza porque no dia do acidente eu o vi atrás do meu carro, perguntei o que ele fazia, o satanás me disse que estava olhando porque tinha interesse de compra-lo Aquele ali é o demônio! Tenho muito medo dele! Quando eu sobrevivi, eles foram me visitar no hospital, fingi que não os conhecia, que não me recordava de nada. Aproveitei que tive uma pequeno traumatismo na cabeça, levei nove pontos, foi o álibi perfeito para inventar a amnésia!
- Você não precisa mais se preocupar com Rogger, ele morreu ontem a noite!
- Sério? Como?
- Isso é uma longa história, o fato é que ele não é mais ameaça a ninguém!
- Deve ta agora setado no colo do capeta!
- Que seja! Mas me diga, por que Antony te proibiu de ir lá em Serenity?
- Eu era apaixonado por uma enfermeira que  ele teve um affair no passado! Mas descobri que ela era maluca!
- Como assim maluca?
- Ela era desequilibrada, e eu arriado os quatro pneus por ela! Ela tentou matar o ex-marido, isso eu só descobri depois! O melhor é que eu presenciei uma discussão dela com o Antony e  falaram em paternidade, ele me flagrou, depois desse dia, ele me ameaçou!
- Ele teve um filho fora do casamento com essa enfermeira?
- Sim!
- Quem é ela?
- Ela se chamava Dorothy, mas ele a obrigou a mudar de nome! Não sei como se chama hoje. mas sei que continua lá no hospital sob a proteção daquele psicopata!
- Quem é Leonard?
- O filho dela!
Malcon arregala os olhos, agora tudo fazia sentindo, juntou uma peça importante no quebra-cabeça, ele deu um grito como se fosse de vitória.
- É isso! 
- É isso o que? - Indagou Carter.
- Obrigado por sua cooperação, sei agora onde ir e o livro ficou claro para mim!
O policial sai do antiquário rapidamente, faz uma ligação ara o Distrito e manda que fiquem a postos, pois o assassino de Serenity iria mostrar as garras!


CONTINUA...