SERENITY
PARTE 11 - FANTASMAS DO PASSADO
Por Jair Nepomuceno
Como feridas mal cicatrizadas um passado tortuoso pode abrir novamente, e junto com ele causar novas feridas...
Vinne estava agora determinado a seguir em frente, novas revelações iriam surgir, de um jeito ou de outro as coisas viriam à tona e como um urso faminto, estava de boca aberta esperando o salmão saltar poe entre as suas mandíbulas. Encorajado depois de ouvir ou que ouviu do amigo enjaulado, nada nem ninguém o faria mudar os seus planos, investigar agora seria fundamental para encontrar as respostas que o fez ir trabalhar em Serenity.
Enquanto Vinne voltava para o Hospital, Daryl conversava com o Doutor Antony, conversa que poderia abri as tais feridas.
- O que você quer de mim, Daryl?
- Você sabe muito bem. Soube me colocar aqui, acho muito bom que também tenha a habilidade de me tirar desse buraco!
O Diretor faz cara de surpresa.
- Quem te disse que eu tive alguma coisa a ver com a sua prisão?
- Faça seu teatro para as suas negas, comigo não cola. Te conheço muito bem e sei o quão baixo você estaria disposto a ir para realizar seus propósitos!
- Seu imbecil! - Se irrita o Diretor. - Eu já te falei, não tive nada a ver com isso. Você é tão estúpido que eu te enviei um advogado e o que fez? O escorraçou daqui!
- Você enviou uma desgraça ambulante para me defender! Aquela lástima não conseguiria defender nem o leite dos próprios filhos! Da pena de olhar para ele!
- Olha só! Muito exigente para um lixo que está atrás das grades e é o principal suspeito de um assassinato!
Daryl que até aquele momento estava sentado na beirada da cama, se levanta rapidamente e vai até as grades, as segura com força, em seu pensamento desejou que as barras frias de aço fossem por um segundo o pescoço de Antony.
- Você vai me tirar daqui! Vou te dar até amanha para conseguir um "habeas corpus" senão vou te colocar em maus lençóis. Vou abrir o bico e vou cantar pro delegado.
O Diretor sorrir.
- Seu idiota! Eu nem estava no hospital na noite que Poll foi assassinado. Tenho provas irrefutáveis quanto a minha inocência! Eu fui a um evento de psiquiatria junto com minha esposa no Z'delle. O evento terminou por volta das três horas da madrugada e eu fiquei até o fim. várias pessoas me viram lá, inclusive o prefeito de Saint Sofhie!
Daryl encosta a testa na grade e diz:
- E quem disse que eu estou em referindo ao assassinato de Poll Austim? - Antony arregala os olhos e o presidiário continua a fala.- Estou me referindo ao caso de Green Lake!
O Diretor perde a linha, segura Daryl pelo colarinho da camisa azul que vestia.
- Seu desgraçado, nunca ouse falar sobre aquilo, nunca!
O detento consegue se desvencilhar o colarinho da mão rígida de Antony, não obstante segue a sua fala:
- Você achou mesmo que poderia foder comigo e que não teria troco à altura? Se achou isso é mais idiota que eu pensei!
- Você vai tocar em uma ferida perigosa. Agora me responda seu lixo! - O Diretor estava com muita raiva. - Também irá contar a eles sobre a sua participação naquele episódio?
- Minha participação foi ínfima! Você me enganou e me colocou por tabela. Você me usou! Minha participação é praticamente zero!
Desta vez Antony que sorrir, mesmo ainda demonstrando muita ira.
- Zero? Garanto que farei de tudo para aumentar esse percentual! Juro que o farei. Se você me denunciar vou te colocar como meu parceiro naquele episódio, o cara que fez tudo.
- Qual Juiz acreditaria nisso sem provas?
- Qualquer Juiz que tivesse como delator um réu confesso!
- Presta muita atenção no que vou te dizer! - Daryl respira fundo. - Você acha mesmo que se eu for condenado pelo assassinato do Poll eu me importaria de pegar mais dez, quinze anos de cadeia? Se acha isso não me conhece nem um pouco. Porque eu posso até pegar um gancho maior pelo acúmulo do caso de Green Lake, mas juro por Deus que te levo junto comigo!
- Você não tem culhões para fazer isso!
- Não? Espia só! - Daryl bate com um caneco de alumínio nas grades e começa a gritar chamando o guarda. - Guarda! Guarda! Preciso falar com o Delegado Malcon agora mesmo! - Antony se desespera, consegue tomar o caneco da mão do psicólogo.
- Pare com isso! Vamos conversar!
Daryl olha nos olhos de Antony.
- Agora você quer conversar né?
- O que está havendo aqui? - O Guarda chega ofegante.
- Nada policial! - Intervém o Diretor. - Ele só ficou nervoso com algumas verdades que eu disse a ele. Está tudo sob controle!
O policial balança a cabeça positivamente e sai do local deixando os dois sozinhos novamente.
- Você tem até amanha para me tirar daqui! - Insiste Daryl.
- Essas coisas não se resolvem da noite para o dia! - Antony fala enquanto ajusta a gravata. - Não é assim que funciona!
- Sem essa! Você é uma pessoa muito influente aqui nessa porra de cidade!
- Mas nem tanto seu cretino!
- Pense na sua esposa e filhas, e na sociedade hipócrita de Saint Sofhie! O que eu sei, posso te colocar atrás das grades! O caso Green Lake poderá ser reaberto caso uma testemunha seja réu confesso.
- Preciso de no minimo três dias!
- Você tem dois!
- Três! Ou vai ter que chamar o Delegado agora e defecar pela boca como você tem feito todos os dias da sua miserável vida! - Se impôs o Diretor.
- Tudo bem! - Diz Daryl já mais calmo. - Te dou três dias e nem um minuto a mais! E outra coisa, não pense em fazer besteira, tenho a foto do acontecido junto com um dossiê que está com uma pessoa de minha inteira confiança. Eu sabendo de sua índole, me precavi. Sabe como é né? A gente nunca sabe o dia de amanha!
O Diretor já estava decidido a sair do local, mas retorna depois de ouvir as palavras irônicas de Daryl, chega bem próximo dele e diz:
- Só vou te falar uma coisinha. Desta vez vou me submeter a sua chantagem, mas a próxima vez que você mencionar o caso de Green Lake eu te mato! O pacto foi nunca mais tocarmos no assunto! Os três concordaram com o pacto! Você está quebrando esse acordo de confiança!
- Não enxergo da mesma forma, já que você está tentando me foder a vida! Estou usando Green Lake como defesa!
- Eu já disse que não tive nada a ver com essa tua prisão!
- Cara, na boa, eu acho um tanto difícil de acreditar nisso! Você pode até está falando a verdade, mas pelo sim, pelo não, prefiro me defender!
- Isso só prova que você matou Poll Austin! - Disse Antony sem pestanejar.
- Você sabe que não fui eu! Está falando merda! O assassino ainda está lá em Serenity e você o está protegendo. Só não sei o motivo dessa proteção e nem quem é o desgraçado, mas com toda certeza tem seu dedo sujo nessa história também!
- Deve ser por isso que eu esteja aqui fora e você enjaulado, seu psicótico filho da puta!
- O nosso papo acabou, Diretor!
- Ai que você se engana, seu excremento, a nossa conversinha ainda nem começou!
- Isso é uma ameaça?
- Sou um homem conceituado nessa maldita cidade! Não será um bosta como você que irá manchar minha honra!
- Sua honra? - Daryl da uma gargalhada irônica. - Que honra? Será que se algum dia os seus comandados, fans, família, sociedade, o caralho a quatro descobrirem o que você aprontou há quatro anos em Green Lake ainda o admirariam? Duvido muito!
- Desgraçado! Você não perde por esperar. Quando eu contar ao outro sobre essa conversa, ele vai querer arrancar as suas tripas como fez com aquele cordeiro!
- E porque ele faria isso? Não o mencionei. Só falei ao teu respeito! Aliás, nem mencionei ele e nem a "Lobinha faminta".E outra coisinha não menos importante. Eu não tenho um pingo de medo dele, nem de você e nem de qualquer filho da puta!
O Diretor ensaia um sorriso irônico, mas conteve no meio, somente balançou a cabeça negativamente.
- Até outra hora!
- Três dias, Antony! Não se esqueça!
O Diretor sai da delegacia extremamente irritado, algo que julgava morto e enterrado, algo que estava perdido em um passado comprometedor, estava voltando a assombrá-lo, e ter alguém como Daryl em seu encalço era algo que o deixava ainda mais nervoso, pois o psicólogo era uma verdadeira incógnita. Parou do lado da porta de seu carro, um Mercedes vermelho metálico, com teto conversível, apanhou o seu telefone celular e telefonou para alguém.
- Alô! Sou eu, Antony! Presta muita atenção! mande Leonora fica onde está! - A voz do outro lado lhe faz uma indagação e ele continua a conversa. - Sim! As coisas mudaram um pouco! Nosso passarinho precisa ter o bico arrancado!...
CONTINUA...
Nenhum comentário:
Postar um comentário