Hanna Fisio

sábado, 29 de agosto de 2015

SERENITY

PARTE 30 - UM INVESTIGADOR DETERMINADO
Por Jair Nepomuceno

A determinação é importante em diversos processos de nossas vidas, mas é um território perigoso que merece cautela, pois ha quem se incomode com aquele que tem como principal característica a determinação, ha quem se descuide do que está explícito.

Malcon decide conversar com o Médico legista, estava intrigado com o sumiço da espada de Mellissa e justamente por conta da morte repentina de Kelvin Obbie, ele usou uma linha de raciocínio a respeito de uma possível ligação entre o objeto colecionável da recepcionista e a arma que matou o enfermeiro, não seria na opinião dele nenhum absurdo se houvesse alguma ligação entre os dois fatos.
- Boa Tarde Doutor Charles! - Cumprimentou Malcon ao chegar até a recepção do Distrito policial onde o médico já o aguardava.
- Boa tarde, Malcon! Vim assim que pude!
- Nem sei como agradecê-lo!
- Tudo bem, mas em que posso ajudá-lo?
- Por favor venha até a minha sala! - Pediu o policial que foi imediatamente atendido, os dois então puderam conversar de forma discreta.
- E então? - Indagou Charles.
- Eu gostaria de saber que tipo de arma que matou Kelvin Obbie!
- Está no laudo, o senhor não leu? 
- Sim, claro, eu li, mas lá não há especificação de que tipo de objeto fora usado pelo criminoso!
- Foi um objeto cortante provavelmente bem afiado do tipo que se pode chamar de arma branca, tal como uma faca ou um punhal, por exemplo.
- Certo, mas além de uma faca ou punhal os cortes poderiam ter vindo de uma claymore?
- O que é isso?
- Um tipo de espada!
O médico coça a barba grisalha e diz:
- Depende, eu teria que ver o objeto, ele está ai com você?
- Não, não está, mas a minha dúvida é somente se os cortes no corpo de Kelvin poderiam ser oriundas de uma espada.
- Bom, pelo que eu pude constatar foram cortes profundos nas costas e no pescoço, provavelmente a vítima levou o primeiro golpe nas costas e depois o assassino terminou o serviço. Uma espada poderia sim fazer os ferimentos fatais, mas para se ter certeza teríamos que ter algo para analisar como por exemplo, uma espada como essa que o senhor citou o nome, porque existem espadas com lâminas mais grossas ou maiores.
- Entendo.
- Por que o senhor acredita que essa tal espada foi o objeto utilizado?
- É só um palpite, mas existem indícios que podem me levar por essa vertente.
- Certo, mais alguma coisa?
- No momento não, mas caso eu consiga uma arma parecida com essa que desconfio eu chamo o senhor para analisa-la, pode ser?
- Claro!
- Outra coisa, peço ao senhor que não comente com ninguém a respeito dessa nossa conversa já que é assunto de investigação.
- Nem se preocupe com isso! 
- Ok. Então, muito obrigado!
- Não por isso!
O médico legista sai da sala no exato momento em que a secretária de Malcon anuncia a chegada de Melissa e seu marido, o investigador pede para que entrem e junto com eles um outro policial.
- Boa tarde e obrigado por terem vindo! - Disse o Delegado interino.
- É bom que seja importante! - Disse Chris Gordon com cara de poucos amigos. - Eu nem deveria estar aqui! Não entendi o porque me chamou!
- Prazer também. - Falou o policial com ironia estendendo-lhe a mão direita. - Meu nome é Malcon, sou investigador e Delegado interino desse distrito. - O homem irritado nem apertou-lhe a mão deixando o homem da lei com a mão estendida e sem graça.
- Ele é Chris Gordon,  meu marido! - Disse Mellissa tentando amenizar a falta de educação de seu cônjuge.
- E então, o que eu to fazendo aqui? Porque eu sei que você ta investigando o assassinato ocorrido lá naquela pocilga que Mellissa trabalha, mas eu não trabalho lá, então seja rápido porque eu tenho o que fazer!
Malcon respira fundo, a vontade era de quebrar o pescoço daquele homem, conseguiu segurar o ímpeto.
- Sente-se! - Disse o investigador.
- Cara, acho que você não me entendeu! - Esbravejou Chris. - Eu não posso perder meu tempo, trabalho a oitenta milhas daqui, tenho que sair no máximo em meia hora!
- O senhor trabalha onde e em que?
- Trabalho em um laboratório químico em Dempsy!
- Dempsy é uma boa cidade, bem próxima daqui!
- Me chamou aqui para falar sobre Dempsy?
- Não! Chamei para falar sobre outra coisa!
- Coisa, que coisa? Tem a ver com Serenity?
- Sim, indiretamente!
- Pois então você pergunte não a mim, mas a essa idiota aqui do meu lado! Ela quem trabalha naquele lixo de lugar, eu nunca coloquei os meus pés dentro daquela espelunca, por mim podiam implodir aquela merda!
- Não te chamei aqui para que você avaliasse Serenity! Pra dizer a verdade, to me lixando para o que você acha daquele hospital!
- Ta se lixando é? Então vá encher o saco de outro, eu vou embora. Serenity é assunto dessa vadia que por causa dela eu to aqui nessa porra de delegacia! Não tenho nada a ver com o trabalho que essa anta faz lá ou em qualquer outro lugar!
Quando o irritado homem se levanta fazendo menção em ir embora, Malcon perde a paciência e da um murro sobre a mesa, atitude essa, que assustou Mellissa e a Chris também!
- Senta a porra da bunda nessa cadeira seu escroto! Só vai sair daqui quando eu disser que pode!
- Eu tenho direitos, eu tenho advogado! - Retrucou o esposo de Mellissa.
- Então talvez você precise dele, porque se tu não calar essa latrina que chama de boca, vou te indiciar por porte ilegal de armas, seu ordinário! ta pensando que eu não sei da sua coleção de armas? Você tem armas lá que necessita de porte, tu nem mesmo tem autorização para colecionar armas de nenhum tipo! Isso aqui em Saint Sofhie é passível de condenação! Posso conseguir facilmente dois anos de reclusão!
Chris se senta lentamente olha nos olhos de Malcon e diz:
- São armas medievais! Não são armas para uso!
- Não interessa! São armas do mesmo jeito!
- O que essa vaca disse ao senhor? - Indagou o desequilibrado homem apontando o dedo indicador para Mellissa, que aliás, até aquele momento assistia a tudo em completo silêncio.
- Ela não me disse nada a respeito de sua coleção! E se tivesse dito? O que iria fazer?
- Ela sabe muito bem que eu gosto de privacidade! Isso não é nenhum crime, ou é?
- A julgar pela forma como você trata a sua esposa, não me admiro que queira "privacidade" - Desta vez usou os dedos para indicar aspas. - Para fazer o que quiser, não é?
- Não estou entendendo!
- Está entendendo sim! Mesmo com essa cara de imbecil que você tem, não acredito que seja tão burro! 
Chris engole a seco.
- O que quer de mim?
- Quero que veja algo aqui e responda as minhas perguntas. Mas vou logo dizendo que é melhor ser sincero.
- O que seria?
Malcon pega as fotos do corpo mutilado de Kelvin Obbie, mostra a fotos a Chris e pergunta:
- A espada claymore poderia fazer isso a um corpo? Sei por fonte segura que você é Expert em armas, principalmente em armas medievais, conhece profundamente cada uma delas e o que são capazes de fazer! 
O esposo de Mellissa sorrir ironicamente, balança a cabeça e diz:
- O senhor quer um favor e usou de ameaças para que eu viesse até aqui ver fotos de gente morta!
- Não, engano seu! Não quis te ameaçar, queria um favor, porque isso é importante para a investigação sobre os assassinatos em Serenity, não quis fazer uso dos artifícios de agora a pouco. Mas sinceramente falando, se eu te conhecesse antes, teria feito isso e muito mais! Por que gente da sua laia só é valente com quem não pode se defender! Quer fazer quebra de braço comigo, seu covarde de merda?
- E se eu não quiser cooperar?
- Muito simples, levante-se agora e vá embora!
- Ai você me indicia por porte ilegal de armas?
- Pior que isso, rapazola, é me ter como inimigo! Acredite!
Chris baixa  cabeça e analisa as fotos por pouco mais de dois minutos, em silencio e, com certeza com muito ódio por dentro, depois levanta a cabeça e olha nos olhos de Malcon e fala com voz suave.
- Uma claymore poderia ter feito isso nas costas dele, mas não no pescoço! Isso quer dizer que o seu menino levado usou duas armas diferentes para matar esse infeliz!


CONTINUA...

sexta-feira, 28 de agosto de 2015

SERENITY

PARTE 29- CONTRA A PAREDE
Por Jair Nepomuceno

A pressão a respeito de algo que nos perturba serve para avaliarmos as saídas, muitas vezes, a saída escolhida  pode se tornar árdua.

   Antony nunca se sentiu ameaçado, na verdade a sua forma arrogante de ser o blindava a respeito de quase tudo, mas os acontecimentos em Serenity fez com que ele mostrasse a parte frágil que o seu ego insistia em esconder.
  Malcon era um investigador determinado, muitas vezes exagerado e isso já o havia colocado sob maus lençóis perante a procuradoria da polícia, mas isso não o fazia mudar, muito pelo contrário, já que a sua determinação e todo o exagero em determinadas situações o levara a ganhar condecorações e agradecimentos por importantes serviços prestados a cidade de Saint Sofhie.
- Você conhece Will Lennon? - Indagou Malcon ao Doutor Antony.
- No momento não me recordo de conhecer ninguém com esse nome, eu deveria?
- Levando em consideração que ele trabalha para White Fenix, a empresa que instalou  circuito de segurança desse hospital já em sua gestão, e ser o próprio Will que da o suporte técnico e manutenção, acredito que você deveria sim.
- Certo, me lembrei do sujeito! - Disse o Gestor. - Mas o que tem ele?
- Ele me disse que depois do assassinato de Poll em que as câmeras de segurança não estavam funcionando justamente no local do crime, ele se prontificou em vir aqui corrigir o problema, disse que falou com você e de sua parte recebeu um impressionante não como resposta.
- De fato ele me telefonou, mas convenhamos, tudo aquilo foi complicado, eu estava sob pressão a respeito da morte de Poll Austim, não vejo isso como crime!
- Pois eu vejo! - Disse sem pestanejar o policial, continuou. - Você teve um assassinato e mesmo sabendo que as câmeras de segurança ajudariam e muito nas investigações simplesmente não se preocupou em conserta-las! Isso soa para mim muito suspeito!
- Você está insinuando que eu tenha alguma ligação com esses assassinatos?
- Eu só te digo uma coisa, Doutor. Se alguém for solto em uma savana em território selvagem na África, ele tem mais chances de sobreviver que no Jardim de Serenity! Andar em seu hospital é uma aventura!
- Ironias nesse momento não são nada aceitáveis, Malcon! Você deveria respeitar!
- Ironia? Não, antes fosse. Sabe qual o animal que mais mata na África?
- Não sei e isso pouco me importa, não moro na África! - Respondeu Antony irritado.
- Mas eu vou te falar pra enriquecer seus conhecimentos gerais. O hipopótamo é o animal que mais vitima os seres humanos, ele é um animal extremamente territorialista, vi isso no National Geographic. Parece que temos aqui no seu hospital um hipopótamo que precisa ser preso antes que mate mais gente, só que esse animal daqui de Serenity tem a vantagem do Diretor dessa espelunca ser no minimo negligente!
- Eu não vou ficar aqui ouvindo seus devaneios, Malcon! - Esbravejou o gestor. - Se essa tua visita for informal, não tenho que te responder nada, quer me indiciar por negligência, faça isso, mas não pense que vou ficar de braços cruzados!
- Por enquanto vou ficar só com a opinião de que você foi negligente, mas não ache que eu me sinto intimidado. Eu te conheço ha vinte e cinco anos, Antony! Fomos amigos de infância e estudamos juntos. Você se mudou pra Boston e permaneceu por lá por quase dez anos, esse tempo pode mudar uma pessoa, não duvido que tenha te mudado. Eu segui a carreira na segurança e você na saúde. Te respeito por tudo que você é, considero bastante o fato de sermos velhos amigos, mas vou só te dar um aviso. Se eu descobrir que você tem alguma ligação, por mais ínfima que seja nesses assassinatos, eu te coloco na cadeia!
- Eu tenho muito o que fazer! - Antony dar as costas para Malcon e entra em seu escritório batendo a porta com força, o policial se vira e percebe Mellissa na recepção, lembrou-se da conversa que havia tido com Vinne, decide então ir até ela.
- Oi!
- Oi! - respondeu a recepcionista que também era enfermeira.
- Mellissa, certo?
- Sim, desde que nasci. - Disse a moça sorrindo.
- Ouvi dizer que você gosta de armas!
- Eu não!
- Então não é verdade que você coleciona armas antigas?
- Não senhor! É meu marido quem coleciona!
- Mas eu soube que você comprou e recebeu aqui mesmo em Serenity uma arma!
- Sim, isso mesmo!
- Era uma espada, certo?
- Sim senhor!
- Posso dar uma olhada nela?
- Sinto muito mas ela não está comigo!
- Entendo! Você a levou para casa?
- Não senhor! Ela sumiu do meu armário!
- Ela sumiu do seu armário?
- Foi! Por que, algum problema? - A moça já demonstrava inquietação.
- Pensa aqui comigo! Uma pessoa foi morta e o assassino usou um objeto cortante! Você recebeu às vésperas do assassinato uma espada e segundo diz, a espada não está com você, essa arma foi roubada! Isso me parece no minimo estranho!
- Pelo amor de Deus! Eu não fiz nada!
- Calma! - Disse o policial sorrindo espalmando as mãos. - Não a estou acusando de nada! Mas vou te pedir que compareça hoje no fim da tarde no Distrito policial e de preferencia que leve uma foto ou algo parecido da tal espada.
- Eu irei!
- Telefone para o seu marido, quero que ele vá também!
- Por que? - Mellissa se mostrou assustada.
- Apenas faça o que eu estou pedindo!
O Investigador sai de Serenity, antes de entrar na viatura policial da uma ultima olhada para o hospital, nesse momento viu o que parecia ser uma criança no terraço do prédio,..

CONTINUA...





sábado, 22 de agosto de 2015

SERENITY

PARTE 28 - A BUSCA DE RESPOSTAS
Por Jair Nepomuceno

Será que o medo é insuficiente para frear a determinação? Será que o medo muitas vezes não existe para esse objetivo, não, não o objetivo de colocar objeções para confrontar a determinação, mas para proteger-nos do exagerado ímpeto?

Quando Vinne entrou em Serenity percebeu os olhares em sua direção, não sabia o que falavam, mas ouvia o sussurro e várias pessoas apontavam para ele, nesse instante se lembrou  o que Daryl disse a ele, que ali, os internos que eram confiáveis.
O psicólogo segue para o vestiário, resolve tomar um banho antes de começar o trabalho propriamente dito, estava no chuveiro quando ouviu um choro de criança, se arrepiou instantaneamente, ousou abrir o box e olhar para o corredor estreito do vestiário, nada viu, o choro inquietante parou, voltou então para debaixo do chuveiro. Um minuto depois, o choro melancólico retornou, assustado ele grita de dentro do box:
- Quem está ai? - Não houve resposta, ele então insistiu. - Quem está ai? - A quietude toma conta do recinto, o apavorado homem se apressa em se enxugar para sair logo dali, quando havia acabado de vestir rapidamente e desengonçadamente a cueca voltaram as lamúrias na forma de uma voz infantil, olhou para o corredor do vestiário e, desta vez pode ver o dono do som melancólico, era ele, Leonard, com aquele rosto deformado, olhando para VInne, passando uma das mãos também deformadas por algo que parecia fogo sobre as lágrimas, o psicólogo cai sentado.Nesse momento a aparição começa a andar lentamente em sua direção, no rosto queimado um sorriso de dentes negros, olhos totalmente esbranquiçados, o pavor daquela cena deixou Vinne inerte, tudo que ele conseguiu fazer foi tapar os olhos com suas mãos e gritar o mais alto que podia.
Na escuridão dos olhos fechados, ele sente alguém tocando-lhe o braço, na verdade agarrou o seu braço e puxou, ao abrir os olhos viu "Rolha" ao seu lado.
- O que houve Doutor? - Perguntou-lhe o jardineiro, e no silêncio do psicólogo, o homem repete a pergunta. - O que houve, me diga?
VInne se levanta ainda assustado, seu coração batia freneticamente, ele olhou por cima do ombro de Kevim no intuito de ver se o espírito de Leonard ainda estava lá, mas não havia nada la além dele e de Rolha.
- Eu escorreguei! - Disse o Psicólogo.
- Eu estava entrando aqui no vestiário e ouvi seu grito, se machucou?
- Não, acho que não!
- Precisa de alguma coisa?
- Não Rolha, obrigado! - VInne se vira para o prestativo homem e pergunta: - Não faz mal eu te chamar de Rolha?
- Não! - Respondeu o jardineiro sorrindo. - Aqui todos me chamam assim, já estou acostumado!  
- Certo.
- Então está tudo bem com o senhor?
- Sim, obrigado!
- Tudo bem então, deixa eu cuidar de limpar logo esse vestiário, o Doutor Antony já me reclamou isso.
VInne volta então a se vestir enquanto Rolha passava um pano no estreito corredor, aproveitou a oportunidade para conversar com o homem.
- Que morte terrível não é?
- Sim! - Respondeu sucintamente.
- Você o conhecia bem?
- Todos por aqui o conhecia!
- E você acha que alguém não gostava dele?
O jardineiro para de limpar o chão, se escora no cabo do rodo e então diz ao psicólogo:
- Não me leve a mal, mas não quero falar sobre isso! Aqui eu só faço o meu, não dou importância alguma pra qualquer coisa que não seja o meu trabalho. Para qualquer outro assunto fora as minhas obrigações, sou cego, surdo e mudo!
- Eu entendo! - Diz Vinne meio desconcertado. - Me desculpe por perguntar!
- Não precisa se desculpar, Doutor! É que eu sou assim mesmo!
O psicólogo termina de se vestir toca-lhe o ombro e sai do vestiário, no saguão acaba topando com Malcon.
- Oi! - Cumprimentou o policial.
- OLá! - Respondeu prontamente o psicólogo, e continuou. - Não esperava vê-lo tão cedo!
- Não estou aqui para vê-lo!
- Ah! Me desculpe!
- Saia da minha frente! - Falou rispidamente o homem da lei, o outro obedece imediatamente e segue para o quinto andar acompanhado por Brenda.
- Boa tarde Malcon! - Antony cumprimenta. - A que devo a honra?
- Antony, preciso trocar umas ideias contigo! - Disse o investigador.
- Sobre o que?
- Sobre te indiciar por negligência, e acredite, estou muito disposto a fazer isso!


CONTINUA...

domingo, 16 de agosto de 2015

SERENITY

PARTE 27 - NOVAS INFORMAÇÕES
Por Jair Nepomuceno

Quando certas pessoas se julgam mais inteligentes que a maioria ou ao seu meio, a queda se torna mais dolorida, precisamente do tamanho de seu ego.

Durante toda a manhã Malcon tomou o depoimento de vários funcionários, e não só os que estavam de plantão, quis conversar também com aqueles que não se encontravam no hospital, o fato da câmera de segurança da entrada de Serenity, do estacionamento e também do jardim não estarem funcionando, acabou por servir para aumentar o número de suspeitos.
O Delegado interino fez uma pausa durante o almoço e as quatorze horas retomou as investigações, o primeiro que chamou a depor foi Vinne, 0 psicólogo chegou bem antes do horário marcado, assim que Malcon chegou ao primeiro distrito o intimou imediatamente até o seu gabinete, a exemplo do que ocorreu antes, o promotor acompanhou o interrogatório.
- Boa tarde, Vinne! - Cumprimentou o policial.
- Boa tarde senhores! - Respondeu de forma cortês o jovem.
- Você acompanhou de perto, foi testemunha do incidente envolvendo Daryl e Kelvin Obbie, correto? - Indagou Malcon.
- O senhor se refere a agressão gratuita sofrida por Daryl no estacionamento? 
- Sim!
- Correto, eu estava no local e presenciei tudo!
- Seu amigo foi agredido e não fez boletim de ocorrência, sabe dizer o motivo?
- Sinceramente Doutor ele não fez por receios, mas não foi por falta de incentivo. Eu o aconselhei a fazer mas ele me disse que o senhor parecia ter algo pessoal contra ele, por essa razão não quis fazer. 
- O que tem a ver uma coisa com outra? - Interpelou Malcon.
- Sei lá, talvez pelo fato de julgar que o senhor não tomaria as necessárias providências devido ao que ele acha em relação a sua suposta perseguição contra a pessoa dele.
- Certo. - O Delegado coça a cabeça, se escora em sua confortável poltrona fazendo o corpo inclinar, continua. - E você onde estava ontem a noite?
- Na casa do meu tio.
- Passou a noite toda lá?
- Saí por volta das vinte e duas horas para comprar um lanche, depois retornei e dormi.
- Comprou o lanche onde?
- Em um trailer.
- Qual trailer? Aqui existem vários!
- Não me lembro bem o nome!
- Alguém pode confirmar isso, que você esteve nesse trailer e depois retornou para a casa do seu tio? 
- Não sei, acho que não!
- O teu tio não estava em casa?
- Estava, mas quando retornei ele já estava dormindo, então não o acordei, não havia necessidade!
- Entendo! Isso quer dizer que você retornou muito tarde não foi?
- Não muito, acho que levei uma hora para ir e voltar!
- Certo. Você teve algum tipo de atrito com a vítima?
- Não senhor! Nenhum!
- Eu recebi o laudo muito rapidamente, conheço os legistas e pedi prioridade, acabei de ver aqui em meu computador o resultado. Quer que eu leia para você?- VInne concordou com um acenar de cabeça e ele então desatou a falar. - Ele teve os olhos, a língua e as orelhas arrancadas, a causa da morte foi devido ao corte na jugular, os legistas atribuem a hemorragia do tipo intermitente. Antes porém, a vítima foi atingida nas costas por algo cortante, não teve chance de defesa, o corte o possibilitou de reagir. O que ocorreu a seguir pode ter sido algo sombrio, já que talvez ele tenha tido os olhos, língua e orelhas arrancados fora quando ainda estava vivo, provavelmente o corte no pescoço tenha sido o golpe de misericórdia!
- Nossa! - Admirou-se o psicólogo.
- Seu amigo é o suspeito numero um, mas não descarto investigar outros que também são suspeitos.
- Dentre esses outros suspeitos, o senhor adicionou Mellissa? - Disse Vinne sem pestanejar, Malcon foi pego de surpresa, olhou admirado para o psicólogo e perguntou-lhe:
- Por que eu deveria inclui-la em uma possível lista de suspeitos?
- Porque ha dois dias mais ou menos,  eu estava na recepção e presenciei uma encomenda que ela recebeu.
- Que encomenda? - Indagou o Delegado.
- Uma claymore!
- Que diabos é isto?
- Uma espada! 
- Continue. - Disse interessado o Investigador.
- Ela disse que o marido colecionava armas antigas, essa espada poderia fazer um corte parecido com o que o senhor relatou ai. Mas não digo isso só por causa da espada, digo porque a poucos dias a peguei conversando no porão com outra pessoa e nessa conversa ela dizia que alguém já estava desconfiando, agora com quem ela conversava eu não sei, nem sei ao que ela se referia sobre o que a tal pessoa desconfiava. Quando eu me aproximei, sem querer toquei uma lata que fez barulho e, por muito pouco ela não me cortou com um machado!
Malcon ficou olhando para VInne por alguns segundos sem nada dizer, ficou admirado por essa nova informação, de repente ela poderia ser bem relevante, ele olhou para o promotor, virou novamente ara o interrogado.
- Onde está essa espada agora?
- Não sei!
- Ela era uma das que estava de plantão ontem, estou vendo aqui no relatório! - O Delegado disse de forma acintosa.
- Se o senhor não a chamou para depor, por favor faça isso!
- O que mais você teria a acrescentar?
Vinne respirou fundo, agora era o momento de tentar ajudar Daryl, ele sabia que  o que iria dizer era perigoso, pensou no caso de Green Lake, mas no momento achou melhor não falar a respeito, então disse outra coisa.
- Michael Sales me ameaçou!
- O outro psicólogo?
- Sim senhor!
- Te ameaçou por qual razão?
- Sinceramente não sei!
- Como?
- Ele me parou e me xingou de fofoqueiro e disse que eu iria pagar caro se continuasse bisbilhotando em Serenity. que da próxima vez que ele viesse falar comigo a respeito disso, que não seria nada bom para mim!
- Eu já tomei o seu depoimento hoje mais cedo, ele não mencionou você, mas acredita que Daryl possa ter algum envolvimento na morte de Kelvin.
- Eu não sei o que pensar! - Disse Vinne.
- Voltarei a falar com você! Pode ir agora.
- O senhor tem em mãos um caso envolvendo um psicopata! - Falou o psicólogo quando já ia saindo da sala. - Quer um conselho?
- Diga.
- Existem esquizofrênicos que podem conceder um depoimento esclarecedor!
- Você acha mesmo que eu irei perder o meu tempo conversando com a porra de uma maluco? Isso é trabalho teu, não meu!
- Foi só uma sugestão!
- Suma daqui, garoto!
VInne sai da sala e deixa os policiais a sós, quando o psicólogo já estava a uma distância segura, a uma distância que não poderia ouvir o que os homens da lei conversavam, eles voltam a conversar entre si.
- Se quiser eu ligo agora mesmo pra Juiza Elizabeth e peço a preventiva de Daryl! - Disse Noah, o jovem promotor de justiça!
- Ainda não! - Respondeu Malcon. - Esse garoto conseguiu plantar uma pulga atrás de minha orelha! 
- Isso pode ter sido apenas desespero, para livrar a cara dele ou de seu amigo! - Disse Noah.
- Pode, mas não podemos trabalhar só com hipóteses!
- E o que você pretende fazer?
- meu amigo promotor, eu pretendo agora mesmo chamar Antony para ele me explicar a razão das câmeras de seguranças em lugares estratégicos não estarem funcionando, e quero averiguar a veracidade dessa informação a respeito da suposta armar de Mellissa!


CONTINUA...



quinta-feira, 13 de agosto de 2015

SERENITY

PARTE 26 - SANGUE DERRAMADO
Por Jair Nepomuceno

Quando uma mente doentia se coloca a serviço do mal, a criatividade parece ser seu fiel companheiro.

Se passavam das sete da manha quando o grito de Hecton Lens, um jovem enfermeiro estagiário, anunciava que algo sinistro havia ocorrido, ele tocou o sino dourado que ficava próximo a porta da lavanderia e que normalmente era usado quando as roupas e lençóis estavam prontos e as duas camareiras iam buscar. Mas desta vez o som da pequena sineta triunfava incansavelmente por outro motivo e tinha como complemento a voz rouca de Hector.
Antony não havia ainda chegado ao hospital, mas todos os funcionários plantonistas correram para o Jardim e lá puderam contemplar o corpo sem vida de Kelvin Obbie, e a exemplo do que aconteceu a Poll Austin, estava dilacerado e com as mesmas marcas de um assassinato doentio, o algoz arrancou-lhe os olhos, as orelhas e a língua, mas desta vez houve uma diferença, dois cortes profundos verticalmente aplicados com algum tipo de arma afiada, um nas costas e outro no pescoço. 
Entre gritos e choros, a figura de Daryl se aproxima sem demonstrar qualquer tipo de emoção, estava até bem tranquilo, Brenda que já estava em Serenity apontou o dedo ao psicólogo o chamando de assassino, houve um principio de tumulto e algumas pessoas esboçaram uma reação de agredi-lo, mas Rogger chegou e deu um tiro para o alto fazendo todos recuarem.
- Meus Deus! - Mellissa disse com as mãos sobre os próprios lábios.
Várias pessoas falavam ao mesmo tempo, alguns gritavam outros choravam, outros pronunciava entre uma frase e outra o nome de Daryl, alguém usou  a expressão "serial killer", um dos seguranças de Serenity tentou afastar as pessoas, enquanto Brenda tentava localizar o Diretor.
Cerca de dez minutos se passaram até que Antony chegou, quase junto com ele, chegaram dois policiais e vinte minutos depois Malcon entrou pelo saguão do hospital.
- Mais um assassinato brutal aqui nessa tua espelunca, Antony! - Disse o investigador e Delegado.
- Nem sei o que dizer, Malcon! - Falou o Diretor.
- Comece me passando o nome de cada puto que estava de plantão. - Virou-se para o outro policial e perguntou-lhe. - Já chamaram o IML? - O Policial fez um aceno positivo.
- Será que foi o mesmo que matou Poll? - Indagou Antony ainda olhando fixamente para o corpo inerte de Kelvin.
- Antony! - Gritou O investigador. - Acorde dessa hibernação! É lógico que foi o mesmo psicopata que cometeu o crime anterior. Agora peça pra alguém me providenciar a merda da escala de plantonistas de ontem!
O gestor de Serenity concordou imediatamente, tocou no ombro de Rogger e eles mesmos foram atrás da escala de plantão, passaram por Daryl que estava escorado na parede, de pernas cruzadas, olharam-no e ele os encarou de volta, mas não trocaram palavras.
- Deixa eu adivinhar! - Malcon foi ate onde o psicólogo estava. - Você estava de plantão ontem a noite!
- Sim, estava!
- Por que será que eu não estou surpreso? - O Delegado usou de sua ironia.
- Se quiser falar comigo a respeito de qualquer coisa, policial, faça isso de forma oficial! Me chame para depor. Não vou te ajudar a especular nada a respeito desse assassinato, ainda mais porque eu sei do teu problema comigo.
- Problema contigo? Não, eu não tenho problema algum com você! Mas parece que  vítima ali picotada ao chão tinha! e Foi bem recente!
- Como eu disse, não vou te contar nada extra-oficialmente!
- Você não vai se safar desta vez, seu imundo! - Malcon aponta o dedo tão próximo que quase toca o nariz de Daryl, continua. - Será o primeiro a depor e fará isso daqui a pouquinho, basta um telefonema meu! - O policial sai de perto do psicólogo e segue para o jardim, nesse momento Vinne chega ao hospital e sem demora foi logo conversar com Daryl.
- Meu Deus! Outro assassinato igual ao do Poll!
- Esse lugar é amaldiçoado!
- Daryl! - Fala baixinho o outro psicólogo segurando no ombro do amigo. - Você teve alguma coisa a ver com isso?
- Seu idiota! É isso que pensa de mim?
- Não penso nada! Mas você sabe que depois da briga entre você e Kelvin Obbie, tu está fadado a ser o principal suspeito!
- Você me acha suspeito? - Vinne fez menção a responder, mas fica em silêncio. - Vá a merda! - Daryl bate o ombro no peito do outro psicólogo e se dirige ao vestiário.
Meia hora depois que Malcon chegou, Serenity foi tomado por policiais e o pessoal do IML foram rápidos em recolher o corpo da vitima e sem demora leva-lo para o médico legista para oficializar a causa mortis.
As dez horas e quarenta minutos, Daryl é intimado a depor no primeiro Distrito policial, ele chega ao local por volta das onze horas e então é interrogado por Malcon, na sala, além do escrivão, haviam dois outros policias e um promotor de justiça.
- Sente-se! - Ordenou o investigador. - O psicólogo obedece imediatamente. - Ontem você estava de plantão em Serenity!
- Sim senhor! Eu e mais oito pessoas!
- Pode relatar o que motivou a briga ha três dias entre você e a vítima?
- Nós discutimos e ele me agrediu! Eu não o agredi, mesmo porque, fiquei desacordado e as marcas da violência dele o senhor pode observar em minha face!
- Estou vendo o Hematoma! Mas você não respondeu a minha pergunta!
- Eu estava indo embora, estava no estacionamento quando ele chegou descontrolado e me xingou de assassino! A unica reação minha foi dizer que não queria conversar com nenhum idiota, acho que usei o termo idiota!
- Entendi! O que não entendi foi o fato de você não ter feito boletim de ocorrência. Por que?
- Por que não julguei necessário!
- Quer dizer que um brutamontes te espanca a troco de nada, quebra a tua fuça e você o que faz? Nada! Julga não haver necessidade de punir o agressor. Muito estranho isso!
- Na minha terra brigas de rua, desde que não haja morte, ninguém leva o caso a policia, a gente resolve de outra forma!
- E você resolveu! 
- Não, não resolvi!
- Confesse que você o matou com requintes de crueldade! Você usou o que, uma faca? Um punhal?
- Eu sou inocente!
- Você é um assassino! Um desgraçado! Covarde! Isso é o que você é! E vou te dizer uma coisa, se tu confessar logo essa porra toda, vamos ganhar tempo, e a confissão poderá render a você uma redução de pena! caso contrário, a perpetua te aguarda!
- Eu teria que ser muito burro para assassinar Kelvin três dias depois que ele havia me espancado! Pensa um pouco! O assassino está aproveitando a ocasião para voltar a matar e está me incriminando!
- Nossa! Isso daria um Best Seller no melhor estilo Agatha Christie!
- Eu não o matei! - Gritou Daryl!. - Existe um maluco desgraçado em Serenity, ele está lá agora rindo de todos nós! A minha briga com Kelvin foi a oportunidade perfeita para ele voltar a agir! Como eu poderia matar o cara sabendo que eu seria o suspeito numero um? Eu teria que ser muito, mas muito burro mesmo!
- Isso que você acabou de dizer pode ser um álibi falso para confundir as investigações! Concorda comigo que esse teu discurso poderia até ter sido planejado antes? De burro você não tem nada!
- Olhe as câmeras!
- Que surpresa! - Ironizou o Delegado. - Por que eu não pensei nisso antes? Ainda bem que você deu a dica! Já pensou em ser investigador? Seu monte de merda! As câmeras da recepção e as duas do jardim não estão funcionando! E quer saber? Você sabia disso! Atraiu a vítima para onde poderia cometer seu crime doente sem que ninguém o visse. 
- Eu sou inocente! - Reafirma Daryl.
- Não posso te prender agora! Mas a preventiva vai chegar até amanha! Enquanto isso não ocorre, você não poderá sair de dentro de casa! E isso não é algo arbitrário, por mim você poderia morrer que seria um favor a sociedade, mas eu tenho que seguir a lei e te avisar que tem gente dizendo que você está correndo risco de morte! Talvez seja só mais um boato, mas a prevenção nesse caso se faz necessário!
- Posso ir agora?
- Vou mandar um dos meus homens te escoltar até a sua casa! E preste atenção! Nossa conversa ainda não terminou! Se a preventiva não sair até amanha, você terá que prestar outro depoimento até para que eu faça a investigação baseado no depoimento das outras pessoas! Pode ir agora! 
Daryl se levanta e sai do Distrito acompanhado por um policial, no caminho para casa pensou em todas as possibilidades, ele estava em situação delicada e a sua condenação parecia iminente, a não ser que o verdadeiro assassino fosse pego antes. Só havia uma pessoa em quem ele poderia confiar e era nele que o psicólogo iria apostar todas as suas fichas!


CONTINUA...



segunda-feira, 10 de agosto de 2015

SERENITY

PARTE 25 - O RETORNO DO FERIDO
Por Jair Nepomuceno

Marcas podem servir de álibi para se praticar o bem ou o mal, marcas profundas ou superficiais tem o poder de dirigir uma mente fraca ao colapso ou uma mente prodigiosa ao precipício.

Depois do dia anterior agitado Vinne se prepara para ir embora, a sua intenção seria buscar Daryl no seu Viper e leva-lo a Serenity, seu semblante cansado demonstrava que o psicólogo não devia ter dormido, ficou nitidamente impressionado mais uma vez com Roland, isso o fez exitar durante toda  a noite em pregar os olhos, preferiu ficar com Brenda na recepção.
Um táxi para na entrada do hospital, já se passavam das oito horas de uma manhã ensolarada, de dentro do veículo a figura de Daryl se apresenta, desce do carro e vai até a recepção, Brenda já havia ido embora, Mellissa estava em seu lugar.
- Bom dia! Eu já ia te buscar! - Disse Vinne apertando a mão do recém-chegado.
- Não se preocupe com isso. - Falou Daryl com um rosto ainda bastante inchado devido ao trauma causado pelos socos recebido sem piedade de Kelvin Obbie.
- Esse teu edema parece que aumentou! - Disse Mellissa.
- Não aumentou não. - Respondeu Daryl, continuou. - Como ficou muito roxo da a impressão de ter realmente aumentado, mas o nosso rosto é muito irrigado e com isso, pancadas podem deixar a cara bem desfigurada!
Nesse momento Kelvin chega para o seu plantão, os dois se olham, mas não houve qualquer palavra por parte de nenhum dos dois, o ex-pugilista nem cumprimentou quem estava próximo, passou direto para o vestiário.
- Não deixe que a presença dele te perturbe! - Disse Vinne.
- De Jeito nenhum! - Falou o outro.
- Esse cara é violento e asqueroso! - Complementou Mellissa!
- Olha só quem chegou! - Rogger se aproxima. - Está com uma cara boa hoje!
- Soque essa tua ironia no traseiro! - Esbravejou Daryl.
- Eu não irei socar nada, já você foi bastante socado! - Sorriu.
- O que há com você Rogger, não sabe respeitar os outros? - Reclamou Vinne.
- Ele é "topetudo", encontrou o dele, é vida que segue!
- Quem é "topetudo"? - Antony chega de repetente, retira os óculos-escuros para melhor enxergar a face inchada de Daryl. - Bom dia, rapaz! A considerar a brutalidade que você sofreu, eu diria que está melhor do que eu pensava e estou falando serio!
- Sem delongas, Diretor, vim aqui pra gente conversar e não é a respeito do meu rosto!
- Tem razão! - Concordou o Gestor. - Venha você e Rogger para o meu escritório!
Vinne se despede do amigo, deixa a chave do carro de Daryl na recepção e vai embora enquanto os três homens seguiam para a reunião à portas fechadas.
Apesar do trauma, Daryl estava muito tranquilo, entrou e sentou-se em uma poltrona, Rogger sentou-se a sua direita, Antony ficou do outro lado de sua mesa.
- E então, me trouxeram aqui para fazer um ritual satânico comigo? - Ironizou o psicólogo, - Ou o Macaco aqui ao meu lado vai fazer "queima de arquivo" como fez com Leonora?
- Do que você está falando, seu lixo? - Gritou Rogger!
- Você se acha muito esperto né? - Daryl instiga o outro. -Eu contei o que você fez aqui pro teu chefe psicopata seu demente filho da puta! Mas vou logo te adiantando que fiz um dossiê e advinha, você é um dos personagens principais, ta orgulhoso? Ou você nem sabe o que é um dossiê seu jumento depravado?
Rogger se levanta e saca uma pistola escondida em um coldre sob a calça, aponta a arma na direção da testa do psicólogo que ainda assim, se manteve tranquilo, o descontrolado homem ameaçou:
- Vou te matar agora seu monte de merda!
- Vá em frente cachorro banguela! - Desafiou Daryl. - Puxe a porra do gatilho e resolva isso!
- Para com isso! vocês ficaram loucos? - Gritou o Diretor. - Baixa a Porra da arma, Rogger.
- Não! Ele vai morrer é agora!
- Quarenta anos, cara! - Esbravejou Antony. - Você aguentaria quarenta anos de prisão? Porque é isso que você vai pegar. E digo mais, o desgraçado do Malcon deve ter chegado, ele me falou que viria aqui as oito e meia, deve já está na recepção ou bisbilhotando por ai. Ele vai ouvir o tiro e será flagrante! Nenhum advogado desse mundo ou de outro vai conseguir te safar! É isso que você quer?
O suor escorria pela face de Rogger, ele fixou o seu olhar no de Daryl, cerca de vinte segundos depois de ouvir a fala de Antony, ele lentamente vai baixando a arma, depois a aloja de volta no coldre.
- Não pense que eu não vá te ferrar! - Disse ele já com a pistola segura.
- Tente! - Mais uma vez o psicólogo desafia.
- Você não tem a mínima noção com quem está lidando, seu desgraçado!
- Muito pelo contrário, eu sei exatamente com que tipo de escória eu estou lidando! Por isso mesmo me precavi contra você e contra seu grande líder aqui presente!
- Acho melhor você pensar bem antes de defecar pela boca! - Desta vez foi Antony quem esbravejou.
- Daryl voltou! - Disse sorrindo o psicólogo. - Eu estou de volta!
- Quer que as coisas fiquem mais duras? Por mim tudo bem! Eu posso jogar teu joguinho! - Disse o Diretor. - Mas será que você aguenta jogar o meu?
- Antony. - Daryl se espreguiçou dobre a confortável poltrona. - Não to querendo fazer porra de jogo algum, mas se tem uma coisa que eu não faço é me acovardar! Então diga logo o porque dessa reunião, porque a presença de Rogger aqui no mesmo ambiente está começando a me enojar!
O Diretor faz um gesto para que o alterado homem se sente, ele obedece imediatamente, vira-se para o psicólogo e diz:
- O que eu quero aqui é que o caso Green Lake seja esquecido em definitivo, não se toca mais nesse assunto!
- Diga isso pro seu amigo ai! - Disse Daryl apontando o dedo em direção a Rogger.
- Eu fiz o que precisava ser feito e para tirar o meu da reta eu faço com qualquer um!
- Mas não precisava ter matado Leonora! - Antony balança  a cabeça negativamente, continua. - Ela já estava indo embora para bem longe, aceitou o dinheiro que a gente deu. 
- A culpa foi dele, desse estrume! - Esbravejou Rogger direcionado, a exemplo de Daryl, o seu dedo indicado para o psicólogo.
- Minha culpa? Eu fui atrás de Leonora e a matei?
- Mas você desenterrou algo que já estava esquecido, fiz isso para me proteger!
- Eu desenterrei pelo mesmo motivo, seu sacana! - Discutiu Daryl. - O Antony iria me deixar apodrecer naquela porra de cadeia, se eu fosse ficar lá, eu tinha que levar vocês junto comigo. A vida é assim, se um puto me derruba no abismo eu seguro as pernas dele pra ele ir rolando comigo pros quintos dos infernos!
- Você continua achando que eu tive algo a ver com a sua prisão preventiva!
- Não me interessa agora! O que eu quero é um pouco de paz, mas to preparado para a guerra se preciso for.
Antony respira fundo, coloca  a mão na cintura e diz:
- Eu recebi ontem um telefonema da clinica que você iria trabalhar, bom, não vai mais! Eles disseram que não tem interesse de sua ida pra la. Portanto, vou deixar você continuar aqui em Serenity, pelo menos até tudo isso terminar!
- Vou aceitar porque nenhum outro lugar vai me dar oportunidade, pelo menos não até eu provar a minha inocência!
- Tudo bem! - Disse o Diretor. - Amanha você retorna. Mas que a gente firme aqui e agora um pacto de que nunca mais Green Lake será mencionado!
- Combinado. - Disse Rogger.
- Concordo, mas vou trabalhar hoje! - Disse Daryl. - Aproveitar que já estou aqui!
- Certo! Já que quer assim!
- Quero. - Confirmou o psicólogo.
- Então está tudo certo. Eu exijo que os dois deem uma trégua, de preferência para sempre!
O telefone da mesa de Antony toca, era Mellissa informando que Malcon o estava aguardando, ele então avisa aos dois e os dispensa, Daryl sai antes de Rogger, a porta bate as suas costas e ele percebe que a reunião não havia acabado ainda, pelo menos não para os dois que permaneceram no escritório, ele balança a cabeça e vai em direção ao vestiário.

CONTINUA...


quinta-feira, 6 de agosto de 2015

SERENITY

PARTE 24 - LOUCOS SOMOS TODOS!
Por Jair Nepomuceno

Não se pode fugir daquilo que está ligado a nós, podemos no entanto aprender e fazer bom uso do que aprendemos, a insanidade não está ligado somente a atitudes...

Roland Connor sempre foi na verdade uma incógnita para os psiquiatras de Serenity, sua mente perturbada guardava não só os distúrbios inerentes a sua esquizofrenia, havia algo mais, aliás, havia muito mais. Vinne já havia percebido isso, sua experiência recente naquele hospital lhe dava a certeza de que nem tudo a psiquiatria poderia explicar, coisas antes inimagináveis estava bem ali, entrando em sua vida.
- Você acha que eu preciso de você? - Indagou o psicólogo.
- Isso é para mim uma certeza absoluta! - Respondeu Roland.
- E por que eu precisaria tanto assim de você?
- Não pode negar o óbvio, rapaz. O que testemunha aqui não é meramente algo voltado ao desconhecido, uma coisa eu posso dizer, você teve a sua chance de sair disso tudo, agora é tarde demais!
- Tarde de mais? Eu posso simplesmente sair daqui  e nunca mais voltar! Não existe esse papo de tarde demais! O que quer que você esteja tentando fazer, não dará certo!
- Eu fazer? Não guri, eu não faço, não queira saber quem pode fazer! Existem coisas que essas paredes não podem prender, onde quer que você vá, não haverá agora muros que tenha o poder de te separar de tudo isso!
- Me separar de que? Será que alguém nessa porra desse lugar poderia me dar uma resposta direta, para variar? Detesto enigmas, frases com duplo sentido! Fale de uma vez o que quer me dizer!
Roland sorrir, o olhar de certa forma dava aquele sorriso um tom macabro.
- Não sou mensageiro! Sou apenas um louco que precisa de clausura para não ferir outros malucos, você se lembra disso?
- isso é um tormento só teu, não participei de nada, não estou aqui para fazer pregação a isso ou aquilo em relação ao problema que você e que outros tem, apenas me diga de forma direta, O que você vê? - Insistiu Vinne.
- Quer mesmo saber? - outra vez aquele sorriso perturbador.
- Não posso perder meu tempo com você, Roland, diga logo de uma vez ou pare de me atormentar com meias palavras!
- Vejo algo aterrorizante bem ao seu lado, agora mesmo! Ele não tem rosto, ele não tem forma definida, apenas a silhueta de um maldito vingador! Ele não quer o teu bem, ele não deseja bem a ninguém de Serenity, nem a mim, nem a Leonard.
Vinne sente um calafrio percorrer-lhe o corpo, estava tão imerso ao que Roland falava que ficou inerte por alguns segundos, mas por instinto volta a si como um pedido intimo de socorro.
- Chega disso, seu mentecapto! Não vai me levar junto com a tua loucura! embarque nessa merda sem mim! - O grito de Vinne chama atenção de outros que estavam no Jardim, Connor apenas sorrir.
- O que houve aqui? - Brenda chega inesperadamente.
- Nada que seja da sua conta, sua baleia imprestável! - Disse Roland sem pestanejar, isso deixa a recepcionista sem ação.
- Que diabos você está fazendo? - Perguntou Vinne enquanto Brenda permanecia boquiaberta sem expressar qualquer reação.
- Estou começando a sentir sede! - Disse Roland, continua. - Essa gorda deve ter muito sangue para compartilhar, não deve?
Não houve tempo para respostas, Rogger e um segurança diurno imobilizam Connor, o primeiro deu uma "gravata" e Andy, o segurança, o imobiliza usando uma camisa de força, Antony chega em seguida e sem demora dar as ordens
- Levem-no de volta a cela e de a ele o psicotrópico de costume!
- Não estou nervoso, Doutor! - Protestou Roland. - Não quero nenhuma droga bagunçando a minha cabeça seu escroto!
- Anda logo seu retardado! - Rogger empurra o interno que a essa altura já estava dominado.
- Doutor Antony! Me ouça! - Insite Roland.
- Se acalme! - O diretor responde enquanto o interno é levado a força de volta a clausura, devidamente guiado por Rogger e por Andy.
- Ele me xingou! - Brenda chora.-  Aquele maldito!
- Está tudo bem agora! - Vinne a abraça enquanto o Diretor de braços cruzados acompanhava aquela cena demonstrando um expressão sisuda - Não se deixe perturbar pelo que ele falou.
Antony chega mais próximo do casal e diz de forma rígida:
- Pare com esse drama, Brenda, não aconteceu nada! Agora volte para a recepção e fique la! - A recepcionista obedece sem dizer uma palavra, em seguida o Doutor se vira para Vinne e continua a sua fala. - E você? Com esse olhar imperioso, deve ta querendo me dizer que Roland não deveria ter sido solto, espera conseguir com isso um reconhecimento meu de que você estava certo, não é isso?
- Pelo contrário! Eu estava errado.


CONTINUA...


domingo, 2 de agosto de 2015

SERENITY

PARTE 23 - ROLAND CONNOR
Por Jair Nepomuceno

O que poderia ser mais misterioso que a mente humana? O que poderia ser mais perigoso que ela? A razão muitas vezes não tem a proporcionalidade daquilo que dentro se esconde.

Vinne foi ate o consultório três, estava se ajeitando na cadeira quando Mellissa abriu a porta de forma lenta e disse ao psicólogo que o Diretor havia mandado um dos internos para uma sessão, mas não era um interno qualquer, era Roland.
O novato se levanta rapidamente de sua cadeira ao ver o rosto risonho de Connor entrando em seu consultório, automaticamente veio a cabeça de Vinne que Antony teria feito aquilo de propósito, com o intuito de confrontá-lo.
- Eu não irei ficar aqui sozinho com Roland! - Protestou o psicólogo.
- Como assim?
- Só fico aqui com ele se um dos enfermeiros também ficar, caso contrário não ficarei. E pode dizer isso ao Diretor!
- Ele está liberado pelos psiquiatras para essa sessão, eu acredito que saibam o que estão fazendo. - disse Mellissa pausadamente
- Pra mim tanto faz o que os psiquiatras decidiram, então façamos o seguinte, coloque um deles aqui para fazer a sessão com esse psicótico!
- Isso é trabalho seu! - Rogger entra de supetão no consultório. - Faça o que o Diretor determinou e  fim de papo!
Vinne não queria ceder e confrontou aquele homem.
- Não fico sozinho com Roland e nem você e nem o Doutor Antony vai me fazer mudar de ideia!
- Por que não quer ficar com ele sozinho? - Desta vez foi o Diretor que entrou no consultório.
- O que isso significa, Doutor? - Vinne cobra explicações, estava notoriamente com medo de que trancassem a porta com ele e Roland sozinhos.
- Significa que eu mandei Roland Connor para uma sessão, Michael está com outro interno, até onde eu sei, Serenity dispõe de dois psicólogos, um está ocupado e o outro tem que atender.
- Pode me demitir se quiser, mas sozinho com esse lunático eu não fico!
Roland continuava sorrindo diante daquele impasse, Mellissa permanecia em silêncio, Antony olha para Rogger, da um sorriso de canto de boca, volta o seu olhar para o assustado psicólogo.
- O que Connor tem que te assusta tanto?
- Para começar, ele deveria está enclausurado e não aqui fora!
- O que ele fez no passado já foi resolvido! - Insistiu o Diretor.
- Eu não irei entrar no mérito com o senhor, mas a minha decisão está tomada! Eu não fico sozinho com ele e ponto final! Se isso for um problema, está facil de resolver, basta me mandar embora que eu saio de Serenity agora mesmo!
Antony sorriu, olhou para os demais ainda com um semblante debochado, volta sua atenção para Vinne e diz:
- Não é para tanto! Eu entendo o seu receio. - O Diretor vira-se ara Rogger e dar a ordem. - Peça para Kelvin vir ate aqui agora!
- Ele não! - Protestou o psicólogo.
- Você está abusando da minha paciência, Vinne! - Gritou Antony. - Quer saber? Pegue a porra das suas tralhas e saia do meu hospital agora!
O Psicólogo ficou surpreso, pagou o preço de sua demissão, no fundo se arrependeu de ter confrontado o Diretor, quis voltar a trás, mas não lhe veio palavras para tentar contornar, a surpresa maior foi quando o interno resolveu participar daquele pequeno embate.
- Espere, senhor Doutor Antony! - Disse Roland. - Eu poderia sugerir algo?
- Sugerir? - Indagou o Diretor.
- Sim! - Insistiu o interno. - Sou eu o estopim dessa contenda, sinceramente não gosto do Michael, não me sinto confortável ao ponto de me abrir para ele. O doidinho do Daryl eu consigo fazer isso, mas ele não está aqui. 
- E?
- E eu quero ter o direito de escolher desta vez quem irá me consultar, os psiquiatras disseram que eu preciso ser ouvido e preciso que respeitem algumas de minhas decisões, o senhor sabe disso, porque estava lá. Eu posso fazer essa sessão com o Vinne lá no Jardim, eu até prefiro isso! Detesto consultórios!
Antony coça o queixo, estava meio indeciso, mas Mellissa acabou intervindo.
-Eu acho uma boa ideia!
- Ok! - Disse prontamente o Diretor. - Desta vez será feito desta forma, mas que fique claro que as minhas ordens devem ser respeitadas, a próxima dessa, Vinne e você está na rua! Entendido?
o Psicólogo concorda com a um acenar de cabeça, ficou surpreso com a atitude de Roland, ainda estava desconfiado, mas gostou do que o interno fez, ainda mais porque não era o momento dele sair de Serenity.
Vinne, Mellissa e Roland seguem para o Jardim, chegando lá, o interno se senta em um banco branco de madeira embaixo de uma macieira enquanto o psicólogo puxa um pequeno banco rústico de madeira velha e arrasta para ficar de frente com o interno, Mellissa então deixa os dois sozinhos.
- De onde vem esse medo todo, meu rapaz? -Indagou Roland.
- Você faz parte do lado ruim de Serenity! - Respondeu o psicólogo.
- Fico extremamente chateado em ouvir isso, mas sinceramente, o pior aqui não sou eu! Nunca olhou para o seu próprio rabo, psicólogo? Você não é nenhum santo! É frio e  calculista!
- De onde você me conhece para tecer esse tipo de comentário com tanta propriedade? Quer "jogar verde para colher maduro", como dizem!
O interno sorriu.
- Não é o meu estilo "jogar verde". Sou direto, aliás, não tenho nada a esconder por aqui, já você...
- Você não sabe nada sobre mim! É só um lunático que pensa que pode fazer tudo! Quem é você?
- Sou apenas um esquizofrênico, não é essa a denominação que me deram? Não é esse o diagnóstico?
- Está se fazendo de vitima, Roland? Não se ache tão esperto! Não sabe o que é ser vítima e também não tem noção do que é terror!
Roland se levanta subitamente, meio que por reflexo, Vinne faz o mesmo, e ainda da um passo atrás, ficou na defensiva, então o interno com um olhar raivoso desata a falar.
- Eu sou o terceiro filho de uma família de cinco irmãos, Um dia o meu pai chegou em casa e não parecia normal, estuprou a minha irmã de 13 anos, a unica filha, depois pegou um machado e matou ela e outros dois irmãos, eu consegui fugir para não ser morto, o meu outro irmão estava na escola, por isso não teve o mesmo fim dos demais. Eu tinha dezesseis anos, fiquei vagando pelas ruas por quase um ano, só retornei quando me contaram que o meu pai havia sido preso. O dia que cheguei em casa, soube que a minha mãe estava cega, porque ele jogou acido em seu rosto, ela nunca mais pode me ver, o pior era que ela adorava cor de seus olhos, eram azuis. Cinco dias depois do meu retorno, ela foi até o banheiro, encheu a banheira de água e entrou dentro, depois pegou o radio que estava ligado a uma tomada e o jogou dentro da banheira, se suicidou eletrocutada. Meu irmão enlouqueceu e hoje vive em um monastério, bem longe, no interior da Escócia, foi assim que ele decidiu exorcizar os seus demônios, eu escolhi outra forma.
Vinne ficou perplexo com aquele relato, isso explicava muita coisa, a curiosidade o fez seguir a diante, então perguntou ao interno:
- Qual outra forma?
- Meu pai acabou transferido para um hospital psiquiátrico em Utah por ordem da justiça, estava cumprindo pena como se fosse um doente mental. Eu então fui ate lá, o peguei e arranquei seus dois olhos, mordi o seu pescoço e bebi do seu sangue! Me senti muito bem! Fui julgado e condenado, passei oito anos cumprindo pena no presidio estadual de Utah, depois fui encaminhado para um hospital psiquiátrico em Minnesota, fiquei lá por dois anos, depois acabei vindo pra cá!
Vinne ouviu atentamente a história de Roland Connor, era fascinante e ao mesmo tempo assustador, fez um gesto para que o interno sentasse novamente, ele fez o mesmo.
- Cono você se sente agora?
- Me sinto no meio de uma vingança e de uma criatura cruel! Mas não posso ficar no meio, tenho que agir!
- Agir como?
- Escuta bem o que irei te dizer pela segunda vez e não direi a terceira! Você precisa de mim!


CONTINUA...