SERENITY
PARTE 30 - UM INVESTIGADOR DETERMINADO
Por Jair Nepomuceno
A determinação é importante em diversos processos de nossas vidas, mas é um território perigoso que merece cautela, pois ha quem se incomode com aquele que tem como principal característica a determinação, ha quem se descuide do que está explícito.
Malcon decide conversar com o Médico legista, estava intrigado com o sumiço da espada de Mellissa e justamente por conta da morte repentina de Kelvin Obbie, ele usou uma linha de raciocínio a respeito de uma possível ligação entre o objeto colecionável da recepcionista e a arma que matou o enfermeiro, não seria na opinião dele nenhum absurdo se houvesse alguma ligação entre os dois fatos.
- Boa Tarde Doutor Charles! - Cumprimentou Malcon ao chegar até a recepção do Distrito policial onde o médico já o aguardava.
- Boa tarde, Malcon! Vim assim que pude!
- Nem sei como agradecê-lo!
- Tudo bem, mas em que posso ajudá-lo?
- Por favor venha até a minha sala! - Pediu o policial que foi imediatamente atendido, os dois então puderam conversar de forma discreta.
- E então? - Indagou Charles.
- Eu gostaria de saber que tipo de arma que matou Kelvin Obbie!
- Está no laudo, o senhor não leu?
- Sim, claro, eu li, mas lá não há especificação de que tipo de objeto fora usado pelo criminoso!
- Foi um objeto cortante provavelmente bem afiado do tipo que se pode chamar de arma branca, tal como uma faca ou um punhal, por exemplo.
- Certo, mas além de uma faca ou punhal os cortes poderiam ter vindo de uma claymore?
- O que é isso?
- Um tipo de espada!
O médico coça a barba grisalha e diz:
- Depende, eu teria que ver o objeto, ele está ai com você?
- Não, não está, mas a minha dúvida é somente se os cortes no corpo de Kelvin poderiam ser oriundas de uma espada.
- Bom, pelo que eu pude constatar foram cortes profundos nas costas e no pescoço, provavelmente a vítima levou o primeiro golpe nas costas e depois o assassino terminou o serviço. Uma espada poderia sim fazer os ferimentos fatais, mas para se ter certeza teríamos que ter algo para analisar como por exemplo, uma espada como essa que o senhor citou o nome, porque existem espadas com lâminas mais grossas ou maiores.
- Entendo.
- Por que o senhor acredita que essa tal espada foi o objeto utilizado?
- É só um palpite, mas existem indícios que podem me levar por essa vertente.
- Certo, mais alguma coisa?
- No momento não, mas caso eu consiga uma arma parecida com essa que desconfio eu chamo o senhor para analisa-la, pode ser?
- Claro!
- Outra coisa, peço ao senhor que não comente com ninguém a respeito dessa nossa conversa já que é assunto de investigação.
- Nem se preocupe com isso!
- Ok. Então, muito obrigado!
- Não por isso!
O médico legista sai da sala no exato momento em que a secretária de Malcon anuncia a chegada de Melissa e seu marido, o investigador pede para que entrem e junto com eles um outro policial.
- Boa tarde e obrigado por terem vindo! - Disse o Delegado interino.
- É bom que seja importante! - Disse Chris Gordon com cara de poucos amigos. - Eu nem deveria estar aqui! Não entendi o porque me chamou!
- Prazer também. - Falou o policial com ironia estendendo-lhe a mão direita. - Meu nome é Malcon, sou investigador e Delegado interino desse distrito. - O homem irritado nem apertou-lhe a mão deixando o homem da lei com a mão estendida e sem graça.
- Ele é Chris Gordon, meu marido! - Disse Mellissa tentando amenizar a falta de educação de seu cônjuge.
- E então, o que eu to fazendo aqui? Porque eu sei que você ta investigando o assassinato ocorrido lá naquela pocilga que Mellissa trabalha, mas eu não trabalho lá, então seja rápido porque eu tenho o que fazer!
Malcon respira fundo, a vontade era de quebrar o pescoço daquele homem, conseguiu segurar o ímpeto.
- Sente-se! - Disse o investigador.
- Cara, acho que você não me entendeu! - Esbravejou Chris. - Eu não posso perder meu tempo, trabalho a oitenta milhas daqui, tenho que sair no máximo em meia hora!
- O senhor trabalha onde e em que?
- Trabalho em um laboratório químico em Dempsy!
- Dempsy é uma boa cidade, bem próxima daqui!
- Me chamou aqui para falar sobre Dempsy?
- Não! Chamei para falar sobre outra coisa!
- Coisa, que coisa? Tem a ver com Serenity?
- Sim, indiretamente!
- Pois então você pergunte não a mim, mas a essa idiota aqui do meu lado! Ela quem trabalha naquele lixo de lugar, eu nunca coloquei os meus pés dentro daquela espelunca, por mim podiam implodir aquela merda!
- Não te chamei aqui para que você avaliasse Serenity! Pra dizer a verdade, to me lixando para o que você acha daquele hospital!
- Ta se lixando é? Então vá encher o saco de outro, eu vou embora. Serenity é assunto dessa vadia que por causa dela eu to aqui nessa porra de delegacia! Não tenho nada a ver com o trabalho que essa anta faz lá ou em qualquer outro lugar!
Quando o irritado homem se levanta fazendo menção em ir embora, Malcon perde a paciência e da um murro sobre a mesa, atitude essa, que assustou Mellissa e a Chris também!
- Senta a porra da bunda nessa cadeira seu escroto! Só vai sair daqui quando eu disser que pode!
- Eu tenho direitos, eu tenho advogado! - Retrucou o esposo de Mellissa.
- Então talvez você precise dele, porque se tu não calar essa latrina que chama de boca, vou te indiciar por porte ilegal de armas, seu ordinário! ta pensando que eu não sei da sua coleção de armas? Você tem armas lá que necessita de porte, tu nem mesmo tem autorização para colecionar armas de nenhum tipo! Isso aqui em Saint Sofhie é passível de condenação! Posso conseguir facilmente dois anos de reclusão!
Chris se senta lentamente olha nos olhos de Malcon e diz:
- São armas medievais! Não são armas para uso!
- Não interessa! São armas do mesmo jeito!
- O que essa vaca disse ao senhor? - Indagou o desequilibrado homem apontando o dedo indicador para Mellissa, que aliás, até aquele momento assistia a tudo em completo silêncio.
- Ela não me disse nada a respeito de sua coleção! E se tivesse dito? O que iria fazer?
- Ela sabe muito bem que eu gosto de privacidade! Isso não é nenhum crime, ou é?
- A julgar pela forma como você trata a sua esposa, não me admiro que queira "privacidade" - Desta vez usou os dedos para indicar aspas. - Para fazer o que quiser, não é?
- Não estou entendendo!
- Está entendendo sim! Mesmo com essa cara de imbecil que você tem, não acredito que seja tão burro!
Chris engole a seco.
- O que quer de mim?
- Quero que veja algo aqui e responda as minhas perguntas. Mas vou logo dizendo que é melhor ser sincero.
- O que seria?
Malcon pega as fotos do corpo mutilado de Kelvin Obbie, mostra a fotos a Chris e pergunta:
- A espada claymore poderia fazer isso a um corpo? Sei por fonte segura que você é Expert em armas, principalmente em armas medievais, conhece profundamente cada uma delas e o que são capazes de fazer!
O esposo de Mellissa sorrir ironicamente, balança a cabeça e diz:
- O senhor quer um favor e usou de ameaças para que eu viesse até aqui ver fotos de gente morta!
- Não, engano seu! Não quis te ameaçar, queria um favor, porque isso é importante para a investigação sobre os assassinatos em Serenity, não quis fazer uso dos artifícios de agora a pouco. Mas sinceramente falando, se eu te conhecesse antes, teria feito isso e muito mais! Por que gente da sua laia só é valente com quem não pode se defender! Quer fazer quebra de braço comigo, seu covarde de merda?
- E se eu não quiser cooperar?
- Muito simples, levante-se agora e vá embora!
- Ai você me indicia por porte ilegal de armas?
- Pior que isso, rapazola, é me ter como inimigo! Acredite!
Chris baixa cabeça e analisa as fotos por pouco mais de dois minutos, em silencio e, com certeza com muito ódio por dentro, depois levanta a cabeça e olha nos olhos de Malcon e fala com voz suave.
- Uma claymore poderia ter feito isso nas costas dele, mas não no pescoço! Isso quer dizer que o seu menino levado usou duas armas diferentes para matar esse infeliz!
CONTINUA...