Hanna Fisio

domingo, 22 de maio de 2016

IOKRAN

PARTE 7 - OS FAREJADORES
Por: Jair Nepomuceno 

Nulla Baiza não era apenas o melhor entre os farejadores, sua personalidade sempre forte e seus posicionamentos o tornaram famoso nos confins das galáxias, mas acabou levando junto com essa fama, vários desafetos, alguns poderosos, outros nem tanto, mas os inimigos preferiam manter distância dele a um confronto direto e isso ajudava a torna-lo ainda mais uma lenda.
- A nave de vocês possui camuflagem paisagística? - Indagou Baiza.
- Sim! - Respondeu Urzo.
- Nivele em cinco e introduza o campo! - Orientou Nulla, e continuou. - É o único jeito de não ser percebida por um farejador.
- Mas isso vai consumir a célula de energia em pouco tempo! - Disse Urzo.
- Faça logo o que eu disse! Depois que eles se forem eu resolvo essa parte!
Urzo obedece rapidamente e segue as orientações, volta correndo até a casa de Baiza para novas instruções.
- Pelo que eu soube, eles poderão nos encontrar! - Falou Stephem. - A nave está segura mas e nós?
Baiza abre um baú e de dentro retira uma espécie de pote semelhante a esses feito de barro, bem pequeno, dentro dele havia algo parecido com pasta verde.
- Passem um pouco disto no corpo, não precisa exagerar! Usem nos braços e na face.
- O que é isso? - Perguntou Urzo.
- Camuflagem natural contra farejadores! Eu mesmo inventei!
Stephem fica surpreso, ali diante dele havia alguém realmente especial.
- E funciona?
- Está esperando o que para passar isso? Se não funcionasse por que diabos eu iria querer que vocês usassem?
Os dois se apressam, fazem conforme o farejador orientou, em seguida foram escondidos em um tipo de porão, a porta no entanto, ficava bem oculta no chão, não se conseguia perceber que havia ali qualquer passagem.
Uma nave para muito próxima de onde a outra se encontrava, de dentro dela descem três farejadores, na verdade três temidos farejadores, eles estavam bem armados e dispostos a encontrarem Baiza, que a essa altura já os aguardava sentado em sua varanda, eles sE aproximaram sem demora.
- Saudações Nulla Baiza, o mito! - Cumprimentou o farejador mais alto, se tratava de Marva Ziuu, os outros dois só acenaram com uma mão enquanto seguravam uma arma na outra.
- O que querem aqui? - Respondeu rispidamente.
- Você não sabe? 
- Está brincando comigo, Marva? Tudo que eu sei é que três intrusos vieram aqui me encher a paciência, e vieram armados e estão em meu quintal sem me respeitar e só aviso uma vez, é melhor apontarem a arma pra baixo.
- Nossas armas não estão apontadas em sua direção! - Desta vez foi outro farejador quem falou, aquele conhecido por Kinno Zba.
- Obedeçam o nosso anfitrião! - Ordenou Marva Ziuu e imediatamente foi atendido pelos outros dois.
- Diga, o que vieram fazer aqui?
- Você com certeza já deve estar a par a respeito do furto de Iokran. - Afirmou Marva.
- Fiquei sabendo, mas e eu com isso?
- Meu amigo Baiza, é justamente isso que viemos conversar?
- É mesmo? E qual interesse eu poderia ter a respeito disto? Eu não me isolei deste lado da galáxia para ser incomodado, minha opção foi ficar sozinho, portanto, podem acionar sua nave e ir embora daqui.
- Sozinho? bom, será? - Ironizou Kinno.
- Ironia e indiretas são para seres com um mínimo de inteligência, o que não é o seu caso, Kinno Zba! - Disse Nulla e continuou. - Então dentro da sua capacidade que  não é lá grande coisa, sugiro que você seja direto e não venha com frases prontas onde o máximo que você poderia conseguir seria se expor ao ridículo, coisa aliás, que não é nenhuma novidade para você!
Por um momento Kinno fez menção em levantar a arma, mas foi contido por Marva que até sorriu e voltou ao diálogo.
- O mesmo Nulla Baiza dos velhos tempos, a acidez é algo que já faz parte de sua personalidade. -Ziuu anda por trás dos outros dois sorrindo, e continua a fala. - Nós temos aqui um problema! Pegamos o rastro dos suspeitos e olhe só! O rastro veio dar exatamente aqui em Tuktah! Ai me lembrei que o amigo estava morando por aqui. Será que não recebeu nenhuma visita?
- O que aconteceu com a porra da sua percepção musla? - Disse Nulla mais uma vez de forma rude, uma vez que a percepção musla é o dom que os farejadores possuem para rastrear qualquer coisa, nascem com isso. - Se alguém tivesse estado aqui ou se ainda estivesse, você não seria capaz de perceber?
- Mas é justamente isso que não estou entendendo, porque o rastro nos trouxe aqui, mas não consegui perceber a presença de quem procuro, nem mesmo da nave, mas todo nós sabemos que a nave pode ser camuflada contra gente como nós, não é mesmo? Basta fazer o ajuste certo unindo a camuflagem e o campo, mas nem todo mundo sabe fazer, existe muita, mas muita gente que necessitaria da ajuda de um farejador para dar certo, não concorda comigo?
- Certo, mas  nave não conseguiria ocultar a tripulação, só coisas inorgânicas, por tanto, nenhum farejador poderia ajudar alguém neste sentido.
- Sim! Você tem toda razão! A não ser que a UIV já tivesse desenvolvido secretamente algum tipo de camuflagem que permitiria o ocultamento também da tripulação.
- Essa tua lógica é tão idiota quanto você! - Esbravejou Nulla.  - A UIV é a mais interessada em recuperar o Iokran, por que diabos daria aos ladrões essa vantagem?
- Então o que pode ter acontecido?
- Sinceramente eu não estou nem um pouco preocupado com isso, essa missão é problema seu, descubra você mesmo e aproveite e vá embora da minha casa. Ninguém é bem-vindo aqui!
- A nave poderia ter pousado em qualquer lugar desse planeta, Marva. - Desta vez foi Nazzir Suta, o outro farejador quem falou.
Marva olha para Nulla e meio que desconfiado lhe pergunta:
- Estamos indo embora, mas se o amigo não se importasse, poderíamos entrar em sua casa?
- Por que eu deveria deixar?
- Entenda como uma ação de boa fé!
Nulla faz um gesto e convida apenas Marva a entrar, os outros dois tiveram que esperar do lado de fora, a revista durou pouco tempo, não encontrando nada saiu e deu a ordem.
- Não há qualquer sinal que os fugitivos estejam ou estiveram aqui! Vamos embora!
Por precaução Nulla Baiza esperou um bom tempo antes de liberar os dois fugitivos do porão, em seguida sentou-se junto com Stephem e Urzo e começou a conversar.
- O Iokran  não pode ser rastreado pelo poder dos farejadores, isso é um problema! -Disse o anfitrião.
- Quanto tempo ficaremos ocultos a eles? - Indagou Olson.
- Não tenho como precisar!
- O que faremos agora?
Nulla baixa  a cabeça e a balança negativamente, queria mesmo ficar de fora desse problema, mas sentia que já estava envolvido, além de que devia favores a All Norah, deu o leve soco na mesa e disse:
- Que droga! Vocês dois não serão capazes de cumprir essa missão de localizar Iokran, eu irei junto!
Stephem Olson e Urzo Kiq sorriram, eles sabiam bem da importância de ter no grupo alguém com as habilidades de Nulla, agora o próximo passo seria ir atrás do suspeito numero um...

CONTINUA...


 

 
 

 
 

  

sábado, 7 de maio de 2016

IOKRAN

PARTE 6  - NULLA BAIZA
Por Jair Nepomuceno 

   O planeta-anão Tuktah ficava localizado nos limites do quadrante oito, um dia terreno foi o tempo em que Stephem e Urzo levaram para chegar aquele lugar, tanto a atmosfera quanto a geografia lembrava muito o da Terra, haviam densas florestas contendo espécies de árvores nunca visto pelo comandante, algumas de tronco na cor cinza, outras azuladas, pássaros voavam por sobre as copas, animais muito semelhantes as araras e papagaios, mas bem maiores, o dobro do tamanho.
   Urzo apontou o dedo estavam chegando ao local indicado pelo mapa, era ali, em uma cadeia de pequenas montanhas e tendo como vislumbre um lago colossal de águas verdes e brilhantes que Nulla morava, pousaram a nave sobre uma pequena plataforma feito de um material que parecia granito, desceram e ao abrir a porta do transporte, Stephem sentiu mais uma vez a tontura causada pelo ar, em Tuktah não existia oxigênio e sim Exzânium e seus pulmões não estavam ainda familiarizados com aquele tipo de ar.
- Não se preocupe, logo o efeito da atmosfera vai passar. - Disse Urzo. - Você está respirando Exzânium!
Olson baixou a cabeça ao mesmo tempo que concordava acenando-a, curvou-se apoiando os braços sobre os joelhos, ficou assim por quase um minuto.
- O efeito está diminuindo. - Falou ainda com voz branda.
- Você consegue andar ?
- Sim!
 Os dois caminharam até uma passagem entre a rocha, um tipo de trilha, andaram por um breve tempo até se depararem com uma casa isolada e sentado na varanda estava ele, a lenda dos farejadores, Nulla baiza, mas não estava com cara de bom anfitrião, pelo contrário, segurava uma arma em uma mão e na outra uma caneca onde levava a boca.
- Nulla Baiza, saudações! - Cumprimentou Urzo.
- Quem são vocês e o que querem aqui?
- Viemos em paz! - Respondeu Urzo. - Estamos aqui em nome de  All Norah.
Nulla descansa a arma em sua cintura lentamente, os dois ficaram parados aguardando alguma resposta do estranho anfitrião.
- O que All poderia querer de mim, tem algo a ver com o sumiço de Iokran?
- Sim! - Respondeu mais uma vez Urzo enquanto Stephem permanecia em silêncio. - Tem algo a ver com o furto de Iokran.
- Sei. - Nulla se senta em um banco de pedra, continua. - Então isso quem sabe poderia responder o motivo do comandante de Nova está aqui junto com você.
- Ele está aqui para buscar ajuda.
- Ajuda para esconder o artefato?
- Eu não tenho nada a ver com o furto de Iokran.  Se irrita Olson. - Somos inocentes. 
- O Iokran estava sob proteção contra todas as raças potencialmente perigosas, mas parece que não contavam que uma das mais perigosas, embora primitiva, fosse capaz de chegar até esse ponto do universo e fizesse o roubo. As defesas em Vassanur12 são de caráter único e intransponível, o seu DNA não estava, no entanto, catalogado para que surtisse a defesa. É óbvio que um humano roubou iokran.
- Tudo bem.- Diz Stephem. - Mas isso não significa que um humano sob o meu comando fez o tal roubo. Existem milhares de humanos clandestinoS no universo.
- Isso é verdade! - Diz Nulla. - Mas não serve de atenuante, não há álibi no que acaba de me dizer. Tanto não há, que veio até aqui para angariar minha ajuda. Confesso que estou curioso em saber o que All Norah pensou que eu pudesse fazer para ajudar, se é que eu irei fazer isso.
- Estou sendo procurado por farejadores. -Disse Olson. 
- Entendi! Vocês estão aqui no intuito de conseguir ajuda para fugirem da perseguição dos farejadores.
- Isso mesmo!
Nulla esboça um sorriso, se levanta do banco e convida os dois recém-chegados a entrarem em sua casa, assim que entraram puderam contemplar o lugar, uma sala grande com vitrais e cabeças de criaturas selvagens que ornamentavam as paredes como troféus de caça. Tudo era um tanto rústico, havia uma grande mesa de madeira amarelada, quase laranja, e bancos feito do mesmo tipo de material, assim como um tipo de sofá coberto por uma pele listrada que lembrava muito o de zebra, mas na cor cinza claro no lugar do branco.
Nulla Baiza era metódico, ele não iria fazer nada até ter certeza de todas as possíveis variáveis, sua forma de agir o fez especial, nada fugia a sua percepção se ele estivesse disposto a algo, assim era ele, uma criatura misteriosa e criteriosa, mas apesar de não ser uma unanimidade entre vários poderosos da UIV, era sem dúvida respeitado. 
- O que já sabem a respeito do ladrão? - Indagou o farejador.
- Nós temos um suspeito! - Respondeu Urzo.
- Isso é bom! - Diz Nulla, continua. - Como chegaram a esse suspeito?
- Estivemos em ZK6 e encontraram lá um humano! - Disse Baiza.
- Isso mesmo, mas não é ele o suspeito! Falou Stephem.
- Ele deu a vocês de bandeja o nome do suspeito!
- Trata-se de um ex-fuzileiro chamado Clint Thomas! É um sujeito psicótico! Foi da mesma turma de formação que eu participei. Foi condecorado e também condenado por crimes de guerra!
- E qual o paradeiro dele?
- Segundo o que apuramos, ele estaria em Wiu. - Desta vez foi Urzo quem respondeu.
- A lua gigante de Worinm! - Completou o farejador.
- No momento é tudo que sabemos!- Disse Olson.
Nulla Baiza coça o queixo, se vira, fica de costas, parecia analisar alguma coisa, ficou de costas para os dois visitantes que se entre olhavam aguardando em silêncio pacientemente, era como aguardar um veredicto, mas se tratando de uma figura tão imprevisível aquela espera se tornava angustiante. Após alguns minutos, o anfitrião volta o olhar para os dois e disse:
- Essa ameaça atinge a todos nós! Não posso negar um favor a All, apesar de ter decidido a permanecer longe de tudo e de todos!
- Nós agradecemos! - Quando Stephem tentou completar a frase, foi interrompido por Nulla.
- Entretanto, se eu descobrir que você tem alguma coisa ligada a esse furto, seja diretamente ou indiretamente, por mais ínfimo que seja, eu arranco a sua maldita cabeça! 
- Você tem a minha palavra de que não ha qualquer ligação minha ou da minha tripulação nesse caso!
Baiza fecha os olhos, e levanta  a cabeça ainda de olhos fechados, quando enfim abre seus olhos diz sem pestanejar.
- Quatro farejadores estão vindo para cá, chegarão aqui em pouquíssimo tempo, eles pegaram o rastro de vocês!


CONTINUA...