SERENITY
PARTE 15 - DE VOLTA AO JARDIM
Por Jair Nepomuceno
Quando não se tem respostas de forma convencional, algumas vezes se faz necessário buscar novas alternativas, a vida é cheia de surpresa, de vez em quando é bom se deixar envolver por ela.
Ao entrar no saguão do hospital, o novato psicólogo é recebido pelo diretor, tentou disfarçar sua tensão, até sorriu para Antony já esperando a sua abordagem.
- Me disseram que você foi ao Distrito!
- Sim senhor!
- Por que? Eu não te disse que era só amanha que você deveria ir até lá?
- Sim eu sabia disso, mas fiquei ansioso e curioso, por essa razão resolvi ir logo hoje.
- Certo. - O Diretor parecia desconfiado. - E sobre o que Malcon queria falar com você?
- Sobre o assassinato!
- O que ele perguntou a você?
- Se eu havia visto algo aqui em Serenity que eu julgasse relevante.
- E você viu?
Vinne sabia que aquele era o momento de recuar, ele sabia que a melhor estratégia era tentar passar a Antony que não sabia de nada e demonstrar total ignorância a respeito de qualquer coisa sobre Serenity era com certeza o melhor a se fazer, pelo menos por enquanto.
- Não. Eu disse a ele que a unica coisa estranha aqui que eu vi aqui depois que cheguei, foi a surpresa da prisão de Daryl.
O diretor sorriu.
- Você acha que Daryl é inocente?
- Não sei, mas aparentemente da a impressão que sim.
- Vou tira-lo de lá! Até amanha conseguirei, um Juiz amigo meu está cuidando de tudo.
Vinne se surpreende.
- Sério?
- Sim.
- Então o senhor não acredita que ele tenha matado Poll!
- Até que me provem o contrário, não acredito não!
- Entendo. - Vinne toca-lhe o braço e continua. - Se o senhor precisar de algo não deixe de me chamar, vou ao jardim, preciso ver como os internos estão. Se me da licença, preciso ir.
- É claro! - Respondeu Antony sem pestanejar.
O novato atravessa o saguão cumprimenta com um acenar de cabeça algumas pessoas que andavam de um lado para o outro, sorriu para Melissa que ainda estava no lugar de Brenda, sem seguida apressou-se rumo ao jardim.
O dia estava lindo, poucas nuvens e um clima de vinte e cinco graus, procurou Serenna e a encontrou como sempre, sentada no banco de madeira pintado de verde próximo a fonte, foi até onde ela estava, sentou-se ao seu lado, sorriu e tocou-lhe o rosto.
- Oi!
- Oi moço bonito! - Respondeu a interna.
- Tudo bem com você?
- Comigo sim! - Sorriu a mulher.
- Serenna. - Disse calmamente o psicólogo. - Tem uma criança lá no sexto andar não tem?
- Leonard!
- O nome dele é Leonard?
- Sim!
- Quem é ele?
- Um anjinho que às vezes fica brabo!
Vinne se interessa mais ainda, segura a mão esquerda da esquizofrênica.
- Por que ele fica brabo?
- Por muitas coisas!
- Coisas de que tipo? - Insistiu o Psicólogo.
- Ele não quer você perambulando pelo sexto andar!
- Serenna, quem é ele?
- Eu já te disse!
- Ele está aqui faz tempo?
- Ele está zangado hoje. Existe uma pessoa que ele não pode deter como queria!
- O que essa pessoa anda fazendo para que ele esteja tão brabo?
- Ele não quer que eu diga nada a você!
- Por que?
- Por que não! Vá embora daqui!
- Serenna eu...
- Vá embora! - Grita a mulher de forma raivosa, o psicólogo assustou-se, o alarde da interna chamou a atenção de alguns enfermeiros que estavam no Jardim, Vinne decidiu se afastar para não chamar atenção.
Levantou-se e pensou em ganhar tempo, virou-se e viu que Matt Trauser estava terminando de pintar o quadro que ele havia visto outro dia quando Daryl o apresentou, para a surpresa de Vinne assim que olha o quadro, vê a Fonte em detalhes impressionantes, cada rachadura, cada musgo, cada lodo exatamente como a fonte era, mas não foi isso que o surpreendeu e sim a figura de um garoto com os braços cruzados e rosto demonstrando raiva do lado direito do chafariz.
Vinne se aproximou da pintura e olhou de perto o desenho da criança, percebeu que ele tinha parte do rostinho queimado, nesse momento sentiu um calafrio percorrer-lhe o corpo, aquele era sem dúvida o menino que havia visto no sexto andar.
- Leonad! - A voz rouca de Matt Trauser anunciava o nome da personagem com rosto colérico. - Ele quer a bruxa!
Vinne se afasta assustado, vai andando de costas até topar em Serenna.
- Leonard se queimou!
O novato se vira rapidamente para a mulher, estava visivelmente assustado, mas ainda teve força para perguntar:
- Ele se queimou no incêndio?
- Ela o queimou! Ela é ruim!
- Ela? Ela quem? - Indagou Vinne.
- Pergunte ao homem que está no isolamento!
- Roland Connor?
- Leonard está olhando para você!
- Onde ele está?
Serenna aponta para o segundo andar e quando Vinne se vira, lá estava ele, o menino de rosto queimado, olhos mortos, sem brilho, o psicólogo mais uma vez sente um calafrio, a esquizofrênica toca-lhe o ombro, ele se distrai por dois segundos e quando volta o olhar para o menino, Leonard não estava mais na varanda.
- Ele foi uma das vitimas que morreu no incêndio! - Disse convicto o novato em voz alta para si. - Mas por que não foi salvo? Por que uma criança foi deixada para trás enquanto os adultos iam sendo retirados do fogo? Isso não faz sentido!
- Ele não morreu diretamente pelo fogo, ele foi assassinado como Poll! - Disse Serenna.
CONTINUA...
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