SERENITY
PARTE 12 - A BUSCA
Por Jair Nepomuceno
Algumas respostas podem nos conceber mais dúvidas, a certeza esperando o óbvio é frustrante quando o óbvio esperado não existe, o que resta então é o vazio...
Vinne entrou em Serenity ainda pensativo, mas não menos determinado, por essa razão tentou desenterrar fatos marcantes, coisas que lhe desse uma diretriz, que pudesse apontar um rumo, ele estava disposto a ajudar Daryl, mas não só isso, algo mais ocupava a sua atenção.
Viu Brenda sozinha na recepção, foi até ela.
- Oi Brenda! - Saudou o novato.
- Oi! - Respondeu a recepcionista.
- Coisa louca né?
- E como!
- Essa prisão de Daryl é muito estranha!
- Estranha por quê? - Brenda se irrita. - Ele é um maldito! Aposto que foi ele quem matou Poll!
- Por que acha isso? Não vai me dizer que foi por causa da discussão que ele teve há um mês atrás!
- Você não conhece aquele traste! Ele é ruim! Com certeza foi ele quem matou Poll!
- Você tem certeza? - Vinne balança a cabeça negativamente, continua. - De onde eu venho se valoriza muito a frase " Todo mundo é inocente até que se prove o contrário"!
- Você veio aqui defender Daryl? - Disse a recepcionista ainda mais irritada.
- Não, claro que não! - Respondeu o psicólogo, ele estava tentando ser político, não queria irrita-la, tinha um plano e talvez fosse precisar de Brenda e mais funcionários do hospital para chegar a seus propósitos, aos reais propósitos de sua ida para Serenity.
- Ainda bem!
Vinne muda o foco antes de retornar a ele.
- Faz muito tempo que trabalha aqui, Brenda?
- Dois anos e meio!
- Certo! O diretor está passando por um momento muito complicado aqui em Serenity não é? A pessoa tem que ser fria e ter muito controle, porque senão o sujeito enlouquece!
- É sim! - O sorriso de Brenda retorna.
- E ele deve trabalhar aqui ha muito tempo não é?
- Praticamente desde quado fundou, assim dizem!
- Ele veio de onde?
- De Minnessota!
Vinne coça o queixo depois se escora usando os cotovelos sobre o balcão, continua a seguir seu diálogo com a gordinha simpática.
- Ouvi dizer que houve um incêndio aqui há três anos!
Brenda parou de sorrir.
- Sim, mas isso é algo que não gostamos de comentar! É triste!
- Imagino que sim, mas por favor me responda, só por curiosidade, aquele busto lá fora foi do cara que tentou salvar as pessoas, não é?
- Tentou não, ele salvou e morreu fazendo isso! Pobre Larry!
- Esse era o nome dele?
- Sim! Larry Chamberlain. Era um doce! Uma pessoa amiga, gentil e corajoso!
- Que pena! Ele morreu por intoxicação devido a fumaça?
- Ele morreu por causa disso. Despencou da escadaria do quinto andar, havia uma grande hematoma em sua cabeça, provavelmente oriundo da queda.
Vinne se espanta!
- Então ele não morreu por vítima de intoxicação?
- Sim. O que a gente sabe é que ele desmaiou e caiu da escada. O legista apontou como causa da morte a inalação de fumaça tóxica. Foi encontrado em seu pulmão grande quantidade de monóxido de carbono e cianeto. A queda não o matou, a inalação da fumaça que fez isso.
- Entendi. - Vinne se preparava para fazer outra pergunta quando foi interrompido por Rogger.
- Brenda, o crematório de Poll já vai começar, o Diretor quer que todos os que o conheciam estejam lá nesse momento! Ingrid irá te substituir aqui na recepção, ela já está descendo!
- Já estou indo! - Brenda vai calçando seu sapato apressadamente. - Onde está o Doutor Antony?
- Na delegacia. Mandou que começassem sem ele. - Rogger vai falando e andando junto com Brenda.
Vinne encontra naquele momento a oportunidade de bisbilhotar o escritório de Antony, então rapidamente vai até lá, sabia que o Diretor não chegaria ali tão rápido.
Assim que entrou no escritório, foi direto para as pastas que se encontravam em um arquivo, abriu várias, encontrou uma que o interessou, retirou alguns papeis de dentro, dobrou e colocou em seu bolso. Abriu em seguida as gavetas da mesa de Antony, viu ali objetos diversos, finalmente encontrou uma coisa que julgou importante, a agenda do diretor, folheou-a por alguns segundos, achou uma foto, nessa imagem viu uma pessoa que se pareceu com Daryl, virou a foto para a luz da janela para ver melhor, mas nesse momento ouviu passos fortes e a maçaneta da porta girar.
Doutor Antony entra em sua sala junto com outra pessoa, nesse momento, Vinne se escondeu na banheira do banheiro do escritório, ficou deitado dentro dela com as cortinas puxadas. Antony havia mandado construir aquele banheiro com requinte, como passava muito tempo ali, decidiu levar alguns objetos pessoais e roupas para seu escritório.
- E agora, o que iremos fazer? - O homem perguntou ao Diretor, nesse momento Vinne estava imóvel dentro da banheira rezando para que ele não fosse até lá, mas dava para escutar tudo o que falavam.
- Leonora não pode aparecer!
- Leonora não é problema! - Disse o outro, Vinne tetou identificar aquela voz, ela não era estranha, mas não associou a ninguém de primeira, mas a curiosidade o fez prestar atenção em cada palavra que diziam. - Nesse momento ela deve está quase na fronteira.
- Nossa, que alívio! - Disse Antony.
- E o nosso amigo?
- Ele está onde devia, o problema é que não é bom sob pressão! Isso está me preocupando!
- Deixa comigo! Se você conseguir o que ele quer, eu darei o corretivo nele depois!
- Não sei se isso seria coerente!
- Porra nenhuma, Antony! O meu está na reta! Passo até por cima de você se for preciso!
- Perder o controle agora só vai piorar as coisas!
O homem da passadas pelo escritório, ele pisava firme, o barulho do taco era notório, parecia que iria se partir.
- A gente precisa confiar desconfiando desses putos, de todos eles, Antony. O novato por exemplo, andou fazendo perguntas ao seu respeito e a respeito de Larry!
- Que tipo de perguntas?
- Eu não sei ao certo! Ouvi a gorda comentando isso com aquele idiota do Michael!
- Depois falo com ele!
- E a sua problemática? Ela estava meio louca hoje sabia?
- Porra! Não acredito!
- Eu te disse! Ela vai acabar fodendo você!
- Vou falar com ela!
- Já não basta o que ela fez? Cara, vamos dar logo um fim nessa maluca!
- Não mexa com ela! Eu já te falei isso um trilhão de vezes seu filho da puta!
- Ok, ok. Não está mais aqui quem falou!
- Escute. Pegue esse envelope e leve até o prefeito! Faça isso agora! Tenho que ir lá para o crematório e fazer de conta que me preocupo com aquele monte de bosta que morreu!
O outro gargalha e sai da sala, Vinne por sua vez continua deitado, imóvel na banheira fria, antes de ouvir o Diretor sair do seu escritório, pode testemunhar uma ligação rápida que ele fez no momento que percebia que a sua gaveta estava aberta.
- Alô! Sou eu! Onde você está? - A outra pessoa parece ter respondido a indagação de Antony. - Tome a porra do remédio e fique ai onde está! Finja que está triste e abalada! Presta atenção! Eu amo você! Faça isso agora, tome o remédio agora! ... Não! ele não pode te fazer mal, ele está morto! Há muto tempo que se foi! Já te disse isso! Tome a porra do remédio agora! Em dez minutos encontro com você!
O Diretor desliga o telefone celular e fica olhando a sua gaveta. " Alguém mexeu aqui!", pensou ele, vai ate o arquivo, olha algumas pastas, vira o rosto para a porta do banheiro e vai até lá, gira maçaneta e abre o umbral, pobre Vinne...
CONTINUA...
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