Hanna Fisio

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2016

IOKRAN

PARTE 2 - O INTERROGATÓRIO
Por: Jair Nepomuceno

O dia anterior foi complicado para Stephem, ele mal dormiu, estava com um semblante cansado, levantou-se de sua cama parecendo rebocar consigo uma tonelada, na verdade a responsabilidade por oitocentos e noventa e nove vidas era imensurável, uma tonelada nada representaria a ele se comparado a sua amada tripulação.
O comandante era um homem rígido, mas uma rigidez que por diversas vezes acabava cedendo ao apelo do coração, comandava Nova de forma plena e tinha ao seu favor a lealdade de toda a tripulação, até mesmo daqueles que já haviam sentido o peso de alguma punição imposta por ele, o fato era que a nave por vinte e oito anos foi governada de maneira absoluta e honrosa.
Agora aquele homem de cinquenta  e oito anos distribuídos em um metro e oitenta, com saúde de ferro, possuidor de olhos tão azuis quanto o mar e de coragem inabalável, se via diante do maior desafio de toda a sua vida, defender literalmente Nova e seus comandados da acusação que segundo ele pensava, fora feito de forma sumária e covarde.
Alguém bate à porta de sua cabine, ele não demora a atender, era Elias, dando a  notícia que uma nave da UIV havia acabado de aportar e com ordens para que ele os acompanhasse até a corte em Siwa T, Stephem respirou fundo, tocou o ombro do outro comandante e disse:
- Chegou a hora, Elias, vou ter com nossos algozes!
- Eu informei aos seus condutores que o senhor precisava ainda de um tempo, pois não havia ainda se alimentado!
- Não tenho fome. Irei logo de uma vez!
- Isso é um julgamento?
- Segundo All Norah não. Ele disse que no primeiro momento seria um simples interrogatório, mas que daí, poderia até vir um pré-veredito!
- Está nervoso, senhor?
- Mais do que consigo demonstrar, meu amigo! - Um esboço de sorriso do comandante e em seguida vai para a rampa, sem demora parte para Siwa T.
A chegada a cidade fortaleza de Noa-Quo é sempre um vislumbre, mesmo para aqueles que já foram outras vezes, toda a cidade era nas cores prata e azul, com a primeira cor mais predominante, talvez ali, onde ficava localizado a matriz da UIV fosse o planeta mais seguro quem sabe de todo o universo, uma obra-prima que dava principalmente a Noa-Quo não só segurança perfeita, mas a arquitetura alienígena era realmente bela. Flores desconhecidas por humanos de cores brilhantes, algumas em azul cintilante, pareciam artificiais, a corte era a construção mais bonita e imponente, sua estrutura apresentava as corres prata mesclada com um branco reluzente, cristais de reflexão de luz ornamentava a entrada.
Stephem observava tudo com cuidado, pode perceber centenas de soldados, a maioria fixados em seus passos e nos da sua escolta, notou varias outras estruturas que não conseguiu precisar o que seriam, e alguns pequenos animais exóticos.
Assim que chegou na entrada da corte, All Norah já o aguardava, os dois se cumprimentaram e antes de entrarem para o interrogatório, o alienígena conversou brevemente com ele.
- Presta atenção no que irei te dizer aqui. O seu maior problema lá dentro será confrontar os Undarianos, o senhor Joraw é justo, toda decisão que ele toma é baseada nas informações que ele dispõe dos casos que julga. Não comete erros, ele é um ser iluminado, mas os Undarianos em sua maioria são radicais, e ainda ha os que não gostam de seres humanos. Meu conselho é que você se mantenha firme na defesa de Nova. E outra coisa, só se pronuncie perante uma pergunta direta ou quando ouvir a frase, " A fala é sua",  Sem isso, permaneça em silêncio, entendeu?
- Sim!
- Precisamos entrar, eles estão te aguardando, agora é com você, assim que cruzarmos essa porta, não poderemos mais nos comunicar, exceto quando solicitado por eles, agora pegue seu transmutador de línguas e o nivele para tirk unni, lá dentro eles conversarão na língua antiga.
O promotor acompanhou e permaneceu ao lado do comandante de Nova, lá no tribunal onde o Juiz supremo Joraw ficava mais elevado que o conselho Undariano as coisas tomariam formas, havia oito Undarianos e um assistente que usava um aparelho para gravar e identificar falhas comportamentais de Stephem, era como se fosse um detector de mentiras, a criatura também era responsável por armazenar toda a audiência.
A criatura então se levanta e ordena:
- Todos levantem a mão direita em cumprimento respeitoso ao senhor supremo Joraw!
O pedido é atendido imediatamente, então o Juiz supremo manda todos descansarem, ou seja, baixarem os braços, em seguida começa a  sua fala:
- Stephem Hudson Olson, terráqueo, cinquenta e oito anos referente ao tempo de seu antigo planeta, comandante ha vinte oito anos, também alusiva ao tempo do antigo planeta, da nave-mãe Nova, governa outros oitocentos e noventa e nove humanos. Durante esse tempo citado ocorreram onze mortes e onze nascimentos, ou seja, a tripulação continuou com o mesmo número original, Por que?
- Para manter a orientação primária, meu senhor! - Respondeu Stephem.
- Continuando. - Disse o majestoso alienígena. - A sua nave está sob custódia devido ao furto de iokran, sendo os humanos os únicos suspeitos de tal ato. O que tem a dizer a respeito do artefato?
- Senhor, eu nem sei que artefato é esse! Desconheço completamente suas formas e para qual finalidade é usado!
- O comandante não sabe o que é iokran? - Desta vez foi Kuba zull quem fez a pergunta, esse o Undariano mais radical e de temperamento rígido. - Isso é um ultraje!
Joraw olha discretamente para o assistente, mas esse lhe da uma negativa, então o Juiz volta a sua atenção para o interrogado.
- A fala é sua!
- Eu não sei o que é iokran, isso me torna um criminoso?
- Insolente! - Levanta-se Kuba. - Como ousa ironizar perante essa corte?
- Está mais que claro para mim, que Nova tem alguma ligação com o caso. - Desta vez outro Undariano se pronuncia, era Toriun, o único Undariano da raça Sekmar.
- Se você não sabe o que é iokran, está na hora de saber! - Diz Joraw, continua. - Um fragmento deste artefato tem o poder de destruir uma galáxia inteira! Imagina o que mãos erradas poderiam fazer ao universo com todo esse poder à disposição! A fala é sua!
- Senhor, eu estou assustado! Não fazia ideia do que esse artefato significava! Mas quero deixar claro aqui que ninguém de minha tripulação tem qualquer conhecimento de iokran! O que me deixa mais perplexo é o fato de colocarem os humanos como únicos suspeitos! Por que isso, meu senhor?
- Aqui você não faz perguntas! - Interpelou mais uma vez Kuba. - Você responde!
- Você acha injusto que os seres humanos sejam os únicos suspeitos do crime, não é isso? - Indagou Joraw.
- Sim, senhor, eu acho! Existe quase mil raças alienígenas, isso que eu ouvi dizer, no universo, então eu fico me perguntando a razão dos humanos serem os vilões. Me desculpe senhor, mas a impressão que eu tenho é que querem a todo custo exterminar de vez o resto dos humanos e agora encontraram a desculpa perfeita para fazê-lo!
- Veja como ele se dirige a essa corte! - Reclama outra vez o resmungão Kuba Zull. - Como todo ser humano esse é cheio de ironias e de língua maliciosa, está tentando nos confundir!
Joraw espalma a mão em direção ao Undariano como pedindo para que ele aguardasse, em seguida diz em tom pausado ao comandante de Nova:
- Julga que teu povo é perseguido! No entanto, te falta o conhecimento da razão pela qual a sua raça é a unica que poderia ter feito o roubo. Antes, porém, quero complementar e te deixa a par em relação a sua citação de que existem quase mil raças alienígenas no universo. Na verdade já catalogamos mil e setecentas, e ainda assim, devem existir muito mais, só que estado primitivo, assim como vocês terráqueos o são! A diferença da sua raça para os demais primitivos é que a sua evolução passa também pela evolução da inteligência! Isso os diferenciam dos demais que não são evoluídos. Voltando aqui a questão do Iokran, esse artefato estava muito bem guardado e protegido em Vassanur 12, o planeta-anão que tem base definitiva da UIV. Lá, a defesa faz com que nenhum alienígena possa ser capaz de chegar perto da Iokran, isso se deve porque o DNA de cada ser foi armazenado nos protocolos de defesa. O nosso erro no entanto, foi não ter catalogado para a defesa de Vasassur12 o DNA da raça humana, e isso porque era sabido que vocês jamais teriam tecnologia para andar pelas galaxias, até eu fornecer a vocês os meios. O sistema não reconheceria  a ameça, assim sendo, somente os humanos poderiam entrar e sair sem serem vaporizados! A defesa passiva e ativa que protegia Iokran era perfeita até os humanos virem parar deste lado do cosmo! Entendeu agora a razão de toda essa suspeita sob seu povo?
Stephem baixou a cabeça, sentiu-se envergonhado, mas ainda assim a sua tripulação merecia ser defendida, então ele ergue a cabeça e mantém a defensiva.
- Existe algo que na minha opinião, Juiz supremo, não pode ser ignorado!
- Se for se referir ao fato de que não catalogamos para o protocolo de defesa outras raças alienígenas, devo adverti-lo que entre todas as raças alienígenas que se encontram nesta galaxia, apenas os humanos não foram catalogados para a defesa de Iokran. - O Juiz fita os olhos do interrogado com bastante veemência e continua. - A fala é sua!
- Eu iria me referir ao fato de que três dias antes do extermínio do planeta terra, o mundo ficou sabendo do veredito, a informação acabou vazando por intermédio de outros alienígenas. O que ocorreu em seguida foi uma debandada em massa da terra, centenas de naves espaciais saíram do planeta, e ao que se sabe, nessas naves, vários humanos pegaram carona!
- Estou entendendo o seu raciocínio. - Disse Joraw. - Você quer dizer com isso que poderia ter sido um humano clandestino que foi lá em Vassanur12 e roubou o iokran, com isso, e com as provas que All Norah nos trouxe informando quanto a negativa do artefato ter estado em sua nave, serve de álibi perfeito para o seu povo!
- Isso não prova absolutamente nada! - Esbravejou Kuba. - Iokran poderia ter sido roubada transportada para outro lugar! Dos humanos podemos esperar sempre o pior!
- Nova era  a unica Nave ou lugar repleto de humanos que se encontrava próximo a Vassanur! - Falou  Juiz. - A informação que UIV tem é que vocês estiveram aportados na estação espacial de Trandor no dia em que o roubo foi feito, ou seja, apesar de sabermos que outros humanos estão vagando pela galáxia, na ocasião apenas Nova estava tão próxima do iokran! A fala é sua!
- Não conceda a fala a ele! Não existem contra-argumentos para aquilo que é óbvio! - Esbravejou Kuba - Está mais que claro o que houve em Vassanur12!
Joraw olhou para o exaltado Undariano, não deu muita importância para toda aquela raiva, pelo contrário, voltou o seu olhar a Stephem e repetiu a frase:
- Você tem a fala!
- Eu tenho certeza, meu senhor, que essa corte já deve ter pensado no que irei falar, mas eu gostaria de salientar, se o senhor me permitir!
- Eu lhe dei a fala, conclua!
- Esse roubo poderia ter sido feito por algum humano clandestino e levado para outro lugar! Digo isso, porque quando estivemos em Trandor, não demoramos tempo suficiente para que algum tripulante pudesse se ausentar e retornar para Nova. E nenhuma decolagem houve no dia, as nossas quatro naves inferiores não decolaram!
- O que vocês foram fazer naquela estação?- Perguntou outro Undariano, desta vez Mabrah, talvez o mais contido e o que mais fazia uso da ponderação e da paciência, era metódico em suas análises, Joraw nutria muito apreço a ele.
- Adquirir Mantimentos, senhor!
O Juiz supremo se levanta, ação compartilhada por todos os presentes, em seguida ele faz a pergunta a corte:
- Mais algum dos senhores tem algo a perguntar ao comandante Stephem? Mas peço que seja algo que possa somar ao interrogatório, nada fútil ou que só nos tomará mais tempo! - Ninguém se manifestou, então Joraw continuou. - Convoco o júri para ponderações e o interrogado que aguarde nosso retorno!
Nesse momento as luzes se apagam onde o Juiz, o assistente e os Undarianos estavam, fica completamente escuro, Stephem arrisca uma olhada para All Norah que se mantinha de pé não muito longe, mas esse se manteve inerte, parado como estátua.
Não demorou Até as luzes acenderem e o silêncio absoluto ser quebrado, o Juiz estava sentado e da sua confortável poltrona fez a orientação que mais parecia uma sentença:
- Comandante Stephem H. Olson, essa corte decidiu que o senhor tem um prazo de dois zufs, ou falando na linguagem terráquea, o tempo de quarenta e oito horas para retornar aqui em Siwa T e nos trazer a solução, ou no minimo descobrir o paradeiro do Iokran, o não cumprimento dessa orientação poderá ser entendido como infração gravíssima e Nova sofrerá as consequências, sendo o senhor o responsável pleno por tudo que vier a acontecer aquela nave. Essa corte se encerra e o seu tempo começará a contar a partir do momento em que entrar em Nova.
As luzes se apagam e Stephem fica ali por alguns segundos, atônito, sem saber o que fazer, um dos guardas chega a tocar-lhe com o bastão de energia, mas foi contido por All Norah.
- Vamos comandante. - Disse All. -Irei acompanha-lo até a plataforma!
Assim que chegaram na entrada da pequena nave que levaria Stephem de volta  a Nova, o promotor manda que os dois guardas se retire dali, o intuito era conversar com o amigo de forma privativa.
- Eles irão destruir Nova, não irão? - Indagou com voz tristonha o comandante.
- Existe essa possibilidade, mas algumas complicações podem fazer com que eles adiem essa sentença!
- Não estou entendendo!
- Presta atenção! - Fala em tom muito baixo All Norah. - Ainda hoje, um Sekmar irá a sua nave para conversar com você, receba-o de forma discreta! Ele vai vender um pouco de quolma, a matéria-prima do protetor de atmosfera!
- Não estou entendendo a razão disso! Quem é esse Sekmar?
- O tal Sekma será eu! Tenho como ajuda-lo a salvar seu povo, mas não posso ir lá sem disfarce!
Stephem finalmente entende e até respira mais aliviado, a lealdade de All era a sua unica arma para defender Nova, ele diz um obrigado baixinho e em seguida parte de volta para casa.


CONTINUA...




sexta-feira, 12 de fevereiro de 2016

IOKRAN

PARTE I - INTIMAÇÃO
Por Jair Nepomuceno


   A vida em Nova transcorria sem qualquer problema até o dia em que foram surpreendidos por uma ordem direta da UIV para que não saíssem da órbita do Planeta-anão Dottah, na verdade, o pequeno mundo que Stephem Olson agora via de cima, era o lugar cujo qual, ele pleiteava junto a UIV para ser o lar definitivo dos oitocentos e noventa e nove humanos sob seu comando.
    Quinze dias na contagem terrena se passaram desde o dia em que estacionaram sobre o D33, mas colonizar aquele planeta dependia da autorização não só do Juiz Supremo que ha vinte e oito anos havia condenado a terra e seus habitantes ao extermínio, dependia também da ordem Undariana, um tribunal galático que julgava todo e qualquer episódio, cabia aos Undarianos conceder ou não o direito dos humanos povoarem Dottah. Joraw por sua vez, tinha o voto de minerva, questões como o extermínio de um planeta poderia ser decidido apenas por ele, mas a coerência o fazia sempre ouvir os Undarianos, que curiosamente, não participaram diretamente do julgamento dos humanos, acima de Joraw somente o Auto Imperador, e acima deste, somente Deus.
      - Estávamos tão próximos! - Disse Elias, o Segundo no comando de Nova enquanto olhava pela janela escotilha o planeta Dottah. - Vinte e oito anos perambulando pelo espaço e quando finalmente encontramos um lugar para chamar de lar, a UIV nos dar esse comando!
        - Não ha nada definido! - Falou Stephem, um homem robusto no auge de seus cinquenta e oito anos, e apesar do cabelo completamente branco, ele nutria de uma saúde invejável, assumiu Nova ainda muito jovem, com trinta anos e conservava a mesma disposição.
         - O que pode ter acontecido, Olson?- Indagou Elias, esse, um ano mais novo que seu comandante.
           - Sinceramente eu não sei! - Respira profundamente e continua. - Mas logo iremos descobrir do que se trata, All Noran está vindo para cá!
           - O promotor puxa-saco?
           - É serio que você pensa realmente isso a respeito dele?
           - O senhor está se apegando ao fato que ele o ajudou a escolher os tripulantes, mas era a função dele, não era? Ele não fez nenhum favor em escolher quem está aqui, ele não fez isso por amizade.
          -Não julgue os outros baseados em pensamentos sem a menor procedência, Elias.
         - Peço perdão, senhor! Mas  isso é o que eu vejo naquele alienígena!
Stephem sorrir, cruza os braços e diz ao seu subalterno:
        - Hoje em dia, a realidade é outra, não podemos nem chamar outros de alienígenas, nós é que somos os alienígenas!
           - Mas por culpa deles!
          - Será? Os humanos foram julgados por seus atos! É triste dizer isso, mas nós nunca fomos exemplos para nada!
        - Havia muita gente justa que foram condenados sem nunca terem feito nada de errado!
            - Não fique nutrindo isso dentro de você, o que foi feito, foi feito, todos nós perdemos pessoas que amávamos, mas nos foi dado a chance de provar que eles estão errados, não que isso vá mudar alguma coisa, mas poderemos escrever uma nova história!
            De repente um soldado chega pedindo  permissão aos comandantes o que é concedido imediatamente, ele trazia uma notícia.
              - Senhor, o promotor acabou de aportar, conforme a sua orientação o comandante Logan me mandou avisa-lo!
                 Stephem agradece o homem e em seguida toca o ombro de Elias dizendo:
               - Vamos ver o que houve!
            A figura alta e esbelta entrou na sala do comando sob olhares da tripulação, ele não estava sozinho, quatro soldados o acompanhavam, All Noran era da mesma raça alienígena do Juiz supremo, a pele em um tom esverdeado bem claro, olhos grandes, sem qualquer pelo ou cabelo, na testa proeminente uma joia cravada, uma gema na cor azul, as cores das referidas gemas tinha ligação direta com a posição social, as douradas apenas Juízes e Governadores, um par de douradas com uma menor logo acima da outra somente Juízes classificação um, como era o caso dos Undarianos. Joraw Usava o par dourado e uma branca a esquerda, o Auto Imperador possuía duas brancas e uma gema dourada de três prontas, tinha o dobro do tamanho das outras gemas.
              - Salve, comandante Stephem Olson!  - cumprimentou a estranha figura.
              - Seja bem-vindo a Nova, promotor!
              O Alienígena sorriu e apertou a mão de Olson, depois fez o mesmo com os outros dois comandates e com o imediato, que na verdade era uma mulher, a linda Ellen Chiara.
            - Mas a que devo a honra da sua visita?
            - Você já deve saber que a UIV está em azáfama!
            - Por qual motivo?
            - Devido ao roubo do Iokran!
           - Roubo do que? - Indagou Stephem.
           - Preciso falar contigo em particular! - Disse All Noran.
           - Claro! Me acompanhe por favor! - Apressou-se Olson.
     Os dois foram para a cabine do comandante, lá o alienígena pôde ser mais específico.
          - A UIV está atribuindo o roubo deste artefato aos humanos!
          - Isso é absurdo! Eu nem sei o que é isso! E mesmo que soubesse, onde essa coisa ficava? Você não pode está falando sério que a nossa nave está sob custódia por esse motivo!
          - Pois acredite! E digo mais, a coisa é mais séria do que você imagina!
         - O que você está querendo dizer?
        - Quero dizer que os Undarianos, ou pelo menos alguns deles, estão querendo punir vocês!
         Stephem se desespera.
         - O que é isso, um pelotão de extermínio? Que tipo de julgamento é esse que se condena pessoas sem provas? Se queriam tanto extinguir a raça humana, porque nos trouxeram para cá?
           All Noran tenta acalmar o exaltado comandante.
          - Tenha calma! Nesse momento os guardas que vieram comigo estão fazendo uma busca minuciosa na nave, trouxemos aparelhos que podem detectar o menor resquício de Iokran, se o artefato está, ou mesmo se esteve, seremos capazes de detectar!
             - Isso é um alento! - Se acalma Olson. - Como eu tenho cem porcento de certeza que essa coisa nunca esteve aqui podem ficar muito a vontade.
             - Eu acredito em você! Mas mesmo não estando aqui, não quer dizer que sirva de atenuante!
             - Como assim?
             - Presta atenção! Eu sei quem você é, sei que você e a sua tripulação não tem nada a ver com esse episódio, mas infelizmente minha voz não é tão relevante em sua defesa. Existem indícios que levaram  os Undarianos e o próprio senhor Joraw a apostar que são os humanos os responsáveis pelo roubo.
           - Meu Deus! Que indícios são estes?
          - Você saberá muito em breve!
          - Nos ajude, All! Se for o caso, eu posso assumir tudo, desde que o meu povo não sofra nenhum tipo de punição!
          - Não se trata de você assumir uma culpa, mesmo não sendo sua! As coisas não funcionam desta forma. Eu vou defender vocês, vou até o ultimo recurso, acredite em mim! 
          - Eu acredito! - Stephem toca o ombro do alienígena e olha em seus olhos, nesse momento uma espécie de dispositivo toca no braço de All Noran, ele olha e volta a sua atenção para o comandante.
          - Não encontramos nada! Não ha resquício que Iokran esteve aqui. Isso é bom, vou te chamar para uma audiência amanha, você estará de frente com os Undarianos e também de frente com o senhor Joraw. No momento é a unica coisa que eu posso fazer por você e por Nova. Se prepare, você tem a missão de convencê-los a cerca da inocência do seu povo. Agora se me der licença, preciso retornar para a corte em Siwa T.
           Stephem acompanha o promotor até a zona de embarque, se despede e agora era aguardar o chamado para a sua presença perante os "intocáveis", a corte de Siwa T, localizado no planeta de mesmo nome ficava a pouco mais de cento e oitenta mil quilômetros na contagem terrestre, uma distancia que sua nave de escape percorreria em menos de cinco horas, agora a espera era a unica coisa que Olson e sua tripulação poderiam fazer.


CONTINUA...

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2016

IOKRAN

O ano é 2097 ha vinte e oito anos o planeta terra deixou de existir, isso se deu por causa do conflito de dimensões cósmicas denominado "CP", ou simplesmente conquista e purificação.  A CP ocorreu em um momento que a terra já havia se tornado o principal ponto de apoio alienígena do quadrante nove, as visitas extraterrestres começaram no planeta no inicio de 2029, e se tonaram publica dois anos depois, nesse período era comum visitas de alienígenas e com o tempo acabaram fazendo parte da sociedade.
A convivência com esses seres foi benéfico a humanidade, pelo menos no inicio, as tecnologias que embarcaram na terra revolucionaram a ciência, medicina e todas as áreas de construções e também deu ao homem conhecimento mais profundo da matéria.
Durante esse período o ser humano foi beneficiado com cura de doenças como câncer, e não só a cura, o conhecimento alienígena deu a humanidade a imunidade do corpo contra qualquer vírus ou bactéria nociva, com isso, as principais mortes da espécie passaram a ser a violência, o trânsito e as drogas.
No inicio tudo foi maravilhoso, mas a fome destrutiva do homem foi a causa da ruína, e depois de oito anos de convivência pacífica, os extraterrestres passaram a fazer parte da estatística de violência, eles foram sequestrados, mortos, roubados, discriminados, parecia que o homem os julgava como meros produtos descartáveis, agora não dependiam mais da inteligencia superior, já havia extraído tudo que precisava, o homem agora possuía conhecimento intimo na medicina e grande poder bélico.
O planeta foi julgado em Fevereiro de 2069, nesse júri havia a presença de três das quatro raças que viviam na terra, além do ser humano, e o veredito não foi favorável, o planeta foi condenado a extinção, os julgadores usaram como conclusão definitiva que o ser humano era um potencial inimigo do universo, acreditavam que quando a terra tivesse maior tecnologia, seria um perigo para outros mundos, isso, segundo eles, se daria porque o ser humano era de natureza mesquinha, cruel e sedento por poder, que o homem era uma anomalia maligna, uma raça gananciosa que matava uns aos outros por dinheiro e por cobiça, por maldade e futilidade.
O Juiz supremo do julgamento, no entanto, permitiu que uma nave mãe doada pela UIV ( União Interplanetária Vigente ) fosse o refúgio dos seres humanos, ele entendeu que a purificação era pertinente, no entanto, o homem tinha o direito de recomeçar, a extinção da espécie era uma agressão absoluta a continuidade da vida, uma sevícia a criação do Deus superior. 
Joraw, o juiz supremo deu aos humanos um prazo de vinte dias para que fosse escolhido novecentas pessoas e imediatamente fossem conduzidas para Nova, a nave mãe, quinze dias depois, os escolhidos partem quase que sem rumo para o espaço a bordo de uma das melhores Naves da UIV, dois dias depois, o planeta terra deixe de existir.
Depois desse episódio restava aos novecentos humanos procurar um outro planeta para se alojar e dar continuidade a espécie, nessa tripulação escolhida de forma minuciosa e com a supervisão de dois alienígenas da raça dos Z'sarim, que na verdade pertencia a mesma raça do Juiz supremo Joraw, haviam médicos, cientistas, engenheiros, astrofísicos, teólogos, um sacerdote, além de um seleto grupo composto de cento e cinquenta dos melhores militares de cinco nacionalidades, havia também pessoas de outras áreas.
Nova era uma nave magnífica, seu combustível era gerado pela própria máquina, os saltos cósmicos era possível, a visita a outros mundos em outras galáxias uma realidade, mas os humanos não eram bem-vindos em vários planetas ou estações espaciais, as outras raças nutriam uma desconfiança e não se sentiam bem fazendo qualquer tipo de negociação com Nova, mas sempre havia quem fizesse.
Em 2096, os humanos estacionaram na orbita de um planeta chamado D33, ou Dottah, havia oxigênio, uma atmosfera parecida com o planeta terra, e já estava proximo de conseguirem autorização da UIV para então colonizarem e refazer a vida humana, mas nas vésperas do Julgamento que tinha tudo certo para ser favorável, já que Stephem OLson, o comandante de Nova era muito respeitado, ocorreu um roubo de um artefato poderoso da UIV e os humanos foram considerados os principais suspeitos, estamos em 2097 e a nossa história começa aqui...

CONTINUA