Hanna Fisio

quarta-feira, 16 de setembro de 2015

SERENITY

PARTE 34 - ASSUNTOS INACABADOS
Por Jair Nepomuceno

O castelo de areia poderá se dissolver em contato com a maré que avança, assim também são os castelos que existem no intimo de cada um, e esse tipo de castelo não só se dissolve com o mar, mas pode respingar em outros vizinhos...

Doutor Antony chega no hospital para mais um dia de trabalho, não chega sozinho, Rogger para a sua Harley Davidson clássica logo ao lado, os dois caminham juntos, um bom dia rápido para Mellissa e seguem ainda juntos para o escritório do Gestor, notaram a porta aberta, a senhora Ruth, a faxineira estava saindo, ao entrarem na sala, Daryl já os esperava,sentado com as pernas cruzadas de frente para a porta.
- Bom dia senhores! - Cumprimenta o psicólogo.
- O que faz aqui? - Indagou Antony sem antes responder o cumprimento.
- Aproveitei que a faxineira com cara de ornitorrinco estava aqui limpando e entrei, disse a ela que o esperaria aqui mesmo! 
- Defeca logo pela boca, coisa aliás, que já é de seu costume. O que você quer? - Perguntou Rogger.
- Olha só! - Ironizou Daryl. - Eu invadi a tua sala ou a sala do Antony? Quem tem direito de me fazer tal pergunta é ele!
- Responda então a pergunta de Rogger, que também é minha!
- Vai deixar a porta aberta? Por mim tudo bem! - Disse o Psicólogo.
Rogger vai ate a porta e a encosta, em seguida volta e se senta de frente para Daryl enquanto o Diretor se acomodava em sua confortável poltrona do outro lado da mesa.
- O que foi desta vez? - Indagou Antony.
- Malcon foi até a minha casa ontem!
- E daí?
- E dai Diretor, que ele desenterrou a história de Green Lake e sabe porque ele fez isso? Porque encontraram a porra do corpo de Leonora. A polícia de lá, fez uma investigação, e ao que parece descobriu que ela esteve por aqui. Ta satisfeito agora? Esse idiota aqui. - Apontou o dedo para Rogger, continuou. - Fez o favor de matar aquela infeliz e trouxe Malcon para a história de Green Lake!
- Se apontar o dedo para mim novamente eu o quebrarei! - Esbravejou o segurança.
- Espere! - Gritou Antony. - Tenhamos calma! O que ele sabe sobre Green Lake? O caso já está arquivado! Por qual razão ele tocou nesse assunto?
- Cara. - Daryl esfrega as mãos no rosto demonstrando nervosismo. - Malcon é inteligente, ele sabe que Leonora trabalhou aqui em Serenity e que ela era envolvida com assuntos paranormais! No final ele me disse com todas as letras que voltaríamos a conversar a respeito de Green Lake. E eu só digo uma coisa, não quero a porra do Malcon em meu calcanhar!
- Deixa de ser estúpido! - Gritou Rogger. - Ele não pode provar nada contra nós! A unica testemunha que poderia nos ferrar está no mundo dos mortos agora!
- Cortesia sua não é? - Daryl se vira para Antony e diz. - Ele fez merda grande em matar Leonora. Pra que matar se a mulher estava indo pro México, por medo de vocês?
- Vá se foder seu babaca! - Esbravejou Rogger. - O meu estava na reta. Fiz o que deveria ter sido feito. A minha ação livrou o teu traseiro também!
- Quero ver todo esse teu ímpeto, quando Malcon vier cheirar o teu cangote, porque pode esperar, mais cedo ou mais tarde ele chegará a nós, basta ele querer se aprofundar nessa história!
- Eu dou um jeito nele também, assim como fiz com todos que entraram em meu caminho!
Daryl se levanta coloca as duas mãos na cabeça freneticamente, depois esbraveja apontando o dedo para o segurança enquanto Antony ficava inerte.
- Você ouviu o que ele disse? Esse demente vai foder com nós dois, escreve o que eu to dizendo! 
- Já te mandei não apontar a porra do dedo para mim! - Rogger se levanta gritando mais uma vez!
- To morrendo de medo de você, seu mentecapto dos infernos! Se vira com essa aberração, Antony, ele é cria tua!
- Me xingou de que? - Rogger saca de sua arma e aponta para Daryl, que na mesma velocidade faz o mesmo e os dois fazem mira.
- Sua arma tem seis tiros. - Dayl fala, continua.- você pode errar cinco, a minha tem quinze, eu posso errar quatorze! Quer tentar a sorte, garotão?
- Pelo amor de Deus! - Grita Antony, em seguida se posiciona entre os dois homens armados. - Vocês enlouqueceram de vez? Guardem a porra da arma agora!
Bem devagar os dois obedecem, o Diretor continua entre os dois e ver Daryl retornando a fala.
- Malcon não é um policial qualquer. Ele é inteligente! Ele vai chegar até nós! E podem ter certeza de que eu não irei sozinho! Não tenho medo de ameaças nem sua, nem de seus "apóstolos". Estou pronto para o que der e vier! Vocês nunca me viram louco, aconselho a não querer ver!
- Calma! - Fala pausadamente o gestor de Serenity. - Ele não tem provas, só chegará até nós se um da gente confessar a porra do crime, fora isso será no máximo mera especulação por parte dele!
- Não é assim que as coisas funcionam, você sabe disso! Investigador igual Malcon é do tipo que se aprofunda e se ele cascavilhar, ele vai encontrar rastros!
- Certo. E o que devemos fazer então? - Perguntou Antony.
- Manda Esse psicopata para longe, faça isso enquanto Malcon não associou o nome dele ao caso de Green Lake.
- Como é que é? - Rogger se exalta.
- Como assim?
- Porra Antony, da um dinheiro pro cara e despacha essa mala pra America do Sul!
- Nem fodendo vou sair daqui!
- Então encontre uma solução melhor! - Disse Daryl.
- Manda-lo para outro país tem que ser algo bem pensado!
- Pensado? Não há mais o que pensar! Ele vaza para uma pais da América do Sul, ou da Ásia, ou do inferno das pedras! Com isso, a gente joga a culpa pra cima dele, mas ai o cara vai ta em outro lugar, curtindo a porra da vida dele!
- Porra nenhuma! - Gritou Rogger. - Não irei assumir nada para dar boa vida a vocês dois! Façamos o seguinte, tu vaza pra outro continente!
- Eu? - Sorrir Daryl. - A obrigação é tua rapazola! Tudo que estou sugerindo é que você limpe a merda que fez! Não existe razão para eu ou Antony fugir do país. Se tu não tivesse matado Leonora, nada disso estaria acontecendo agora, aceite isso!
- Rogger. - Fala pausadamente o Diretor. - O que Daryl diz, faz sentido! Eu tenho um bom dinheiro guardado. No fim, você quem vai sair no lucro. Vai morar em outro lugar, com dinheiro no bolso!
O Segurança coça o queixo e pergunta:
- De quanto em dinheiro estamos falando?
- Algo em torno de cinquenta! - Respondeu Antony!
- Cinquenta mil? - Rogger gargalha. - Você está comendo merda? Eu jamais assumiria algo assim por essa migalha!
- Isso é tudo que eu tenho!
- Não é o suficiente! - Disse o segurança cruzando os braços!
- Quanto seria o justo para você? - Perguntou Daryl?
- Por que, seu escroto? - Rogger esbraveja. - Você tem dinheiro?
- Me diga quanto! - Mantem a postura o psicólogo.
- Trezentos e eu vazo amanha mesmo!
- Por trezentos até eu iria! - Gargalhou Daryl.
- O fato é que por cinquenta eu não irei!
- Tenho quinze mil! - Afirmou o psicólogo. - E isso é tudo que terá! Sessenta e cinco mil é uma boa grana!
- Cem mil é o meu menor preço!
- Feito! - Disse Antony sem pestanejar. 
- Não era só cinquenta que você tinha? - Ironizou Rogger. - Como vai conseguir  resto?
- Isso não é da sua conta! Amanha eu te entrego os oitenta e cinco mil e o Daryl complementa com os quinze!
- Então estamos combinado? - Indagou Daryl.
- Combinadíssimo! Eu acho que Green Lake foi um divisor de águas para mim! - Rogger fala isso enquanto abria a porta do escritório, mas para a sua surpresa alguém estava nesse exato momento do outro lado da porta chegando até o escritório.
- Um divisor de água, você disse? Não vejo a hora de saber o motivo desse tal divisor. - Malcon quem fala.


CONTINUA...

domingo, 13 de setembro de 2015

SERENITY

PARTE 33 - O LEÃO RUGE
Por Jair Nepomuceno

Quando um gato se sente acuado ele tem o instinto de atacar, esse ataque em forma de defesa pode abrir brechas para novos caminhos, novas saídas ou para a boca do inimigo que late.

O dia amanhece e Serenity abre as suas portas para mais uma jornada e trabalho, ainda de luto pela morte de Kelvin Obbie, um táxi para no estacionamento e dele desce um funcionário nada convencional, ele não parece nada contido, na verdade parecia uma soldado em busca de adversários.
Ja se passava das oito horas quando ele entrou pelo saguão, nem mesmo deu bom dia a Mellissa que estava na recepção, no lugar do cordial cumprimento veio uma pergunta.
- Antony já chegou?
- Bom dia pra você também, Daryl! - Disse ironicamente a recepcionista.
- Não tenho tempo para ser educado, apenas me diga se ele já chegou!
- Não, mas telefonou e já está a caminho, deve está quase chegando!
O psicólogo acena coma  cabeça de forma positiva e se dirige para o vestiário, quando estava lá vestido o seu jaleco ara iniciar seu dia de trabalho, Vinne se aproxima e o cumprimenta.
- Bom dia, meu amigo!
Daryl se vira e para a surpresa do outro psicólogo dispara.
- Presta atenção no que irei te dizer. Se você não me contar agora qual a porra do motivo de você não ter ido embora dessa merda de lugar, então é melhor se afastar de perto de mim!
- O que é isso? O que houve? - Indagou Vinne.
- Cara, o que houve é que já estou farto de seus segredos! Foda-se que é uma coisa pessoal, você sabe tudo ao meu respeito, eu acho que tenho direito de saber dos seus segredos!
- Eu não pedi pra você me contar a respeito de seus segredos! E eu não estou entendendo porque chegou hoje em pé-de-guerra!
- Tenho os meus motivos! Agora me fala, o que você tem a ver com Serenity? Você já conhecia esse hospital, mentiu para mim quando disse que nunca tinha vindo aqui antes!
- Isso é uma pergunta ou uma afirmação?
- Isso é uma coisa lógica! Você está envolto de um mistério que até então eu não me importava, mas depois do que aconteceu comigo ontem, eu começo a desconfiar de todo mundo!
- O que aconteceu com você ontem?
- Porra! Não mude de assunto! Vai me contar ou não?
- Cara, isso não tem nada a ver com você, acredite!
- Foda-se! Ou me fala agora sobre essa merda de segredo, ou tente se virar aqui nesse antro sem a minha ajuda, quero ver quanto tempo vai conseguir sobreviver! E não dirija mais uma palavra a minha pessoa!
- Joshua M. Lewis! - Disse Vinne.
- O que?
- Esse é o motivo de eu permanecer em Serenity!
- Mas esse é o nome do cara que salvou as pessoas no incêndio a pouco mais de três anos!
- Isso mesmo!
- O que tem ele?
- Era meu irmão! Esse "M" abreviado é de Morgan!
Daryl se senta no banco de madeira que ficava logo a frente de seu armário, estava surpreso.
- E o que isso significa? Não entendi ainda!
- Eu vim aqui para buscar respostas, e juro por Deus que não sairei enquanto não encontrá-las!
- Quais respostas?
- A real causa da morte dele!
- Porra cara, ele morreu de asfixia enquanto salvava vidas do incêndio! O laudo confirmou isso! O que você está querendo encontrar além disso?
- Ele tinha duas condecorações do corpo de bombeiros de Michigan! Foi instrutor lá por dois anos! Era um exímio Bombeiro! Morrer de asfixia para alguém como ele é surreal!
- Sim, pode ser improvável! Mas o ser humano comete erros! Ele não poderia  ter cometido um erro naquele dia?
- Porra, Daryl! Ele ensinava as pessoas a se protegerem em incêndios! Sabia tudo sobre sobreviver, e ele já  havia salvo pessoas de incêndios de grandes proporções, inclusive em um depósito químico lá em Michigan! Ele e mais dois bombeiros foram condecorados por bravura e heroísmo na ocasião!
- Certo, e por que ele estava trabalhando aqui em Serenity?
- Depois da morte do meu sobrinho! Ele meio que surtou, largou a carreira, demorou um tempo para se ressocializar, por convite do meu tio veio para cá para tentar exorcizar seus próprios demônios! 
- E como o filho dele morreu?
- Acidente de carro! A ex-mulher sobreviveu, estava embrigada ao volante, foi presa, hoje vive em Detroit casada com outro cara!
- Nossa! Isso foi trágico!
- A família sofreu muito junto com ele, coitado!
- E quanto ao laudo médico a respeito da causa da morte do seu irmão aqui em Saint Sofhie?
- O médico legista que fez o laudo era primo de Antony! E quer saber de outra coisa? O cara que deu o laudo do incêndio como causado após um curto-circuito...
- Era irmão do tal médico legista! - Daryl interrompe Vinne e completa a frase.
- Isso mesmo! Já sabia disso?
- Não até ontem!
- Como assim?
- Isso não importa! Mas me diga,  que pretende fazer?
- O que eu já te disse! Irei té o fim para descobrir toda a verdade envolvendo a morte do meu Irmão!
- Certo! O primeiro passo seria apertar o médico legista!
- Eu pensei nisso, mas ele se mudou para o Brasil! Não faço a menor ideia para qual cidade ele possa ter ido. E o Brasil é um país gigante! Seria como procurar agulha em palheiro!
- De onde conseguiu a informação da mudança dele para o Brasil talvez consiga também saber qual a localização dele lá.
- Não, a pessoa só sabe que ele foi para São Paulo! Hoje ele poderia estar em qualquer outro lugar, quem sabe em outra região ou até mesmo em outro país da América do Sul.
- E se chegar a descobrir a verdade, o que fará? Acha que vale a pena arriscar sua vida por algo que não o trará de volta?
- Eu o amava!
- Sem o médico legista para você apertá-lo, como acha que poderia chegar a essas respostas?
- Poderia chegar através de um certo Doutor Antony Seiks!


CONTINUA...


segunda-feira, 7 de setembro de 2015

SERENITY

PARTE 32 - ENTENDENDO SERENITY
Por Jair Nepomuceno

Quando algumas informações chegam outras podem surgir pela mesma vertente, cabe ao receptor entender e fazer bom uso daquilo que se tem, mas se deve ter cautela com aquilo que se adquire.

Malcon sempre fora um investigador do tipo persistente e como já vimos antes, as vezes o bom senso e a coerência não se fazem uso por ele, muito pelo contrário, por diversas vezes utilizou de métodos pouco ortodoxos, mas com o cuidado de não sair em definitivo da esfera da lei.
Ao perguntar a respeito da suposta criança que havia visto no terraço do hospital o policial fez Daryl mudar o semblante, ele que já havia se surpreendido com as outras colocações do Investigador não conseguiu esconder a sua surpresa a respeito daquela indagação, mesmo porque, Malcon já havia mudado a linha de raciocínio naquele papo informal, começou falando sobre Antony e depois mudou repentinamente o percurso da conversa, talvez fosse uma tática daquele homem, pensou Daryl, quem sabe fosse uma linha só dele de investigação.
- Criança, o senhor disse? - Indagou o psicólogo. - Não há crianças em Serenity!
- Não, não há! - Confirmou o Delegado. - Mas já tivemos uma que morreu lá em um incêndio que na minha opinião foi criminoso.
- Criminoso? Mas o laudo deu como causado por um curto circuito!
- Sim, mas conversei com muitos bombeiros a respeito de como o fogo se propagou e a maneira que ele supostamente havia começado, e não para a minha surpresa, eles afirmaram que para o incêndio tomar aquelas proporções deveria ter sido iniciado com algum tipo de combustível, como gasolina ou querosene, por exemplo.
- Mas isso é só suposição sua!
- Isso é investigação, rapaz, não confunda as coisas!
- Então por que não interroga o responsável pelo laudo?
- Você está querendo ensinar padre a rezar missa? Foi a primeira coisa que fui fazer, mas olhe só, o responsável por aquele laudo faleceu cerca de oito meses atrás!
- Sério?
- Seríssimo! Teve um ataque cardíaco fulminante! E advinha, ele era primo de uma figuraça ilustre aqui de Saint Sofhie!
- De qual figura ilustre?
- Pasme, mas ele era parente do seu Diretor e olhe só que coincidência, Antony já era o Gestor daquele hospital quando ocorreu o incêndio!
- O senhor ta insinuando que o Doutor Antony teve algo a ver com aquele incêndio?
- Não digo do incêndio, mas haveria interesse dele em encobrir a verdade!
- Que tipo de interesse seria?
- Porra cara, você não é nem um pouco inteligente! Pensa por um segundo e tente responder a merda dessa tua pergunta!
- Eu não tenho o dom de investigação, Malcon, como eu poderia supor algo assim?
O Delegado respira fundo, por alguns segundos da as costas a Daryl, se vira novamente para o psicólogo com as mãos na cintura e continua a sua fala.
- Serenity recebe pacientes não só desta região, vem gente de outras jurisdição porque aquele hospital é reconhecido nacionalmente e até internacionalmente por conta dos métodos que se aplica lá para tratar os malucos! Serenity não se mantém somente com a verba liberada pelo estado, se mantém com verbas particulares, muitos pacientes lá é a família quem paga o internato deles e não é barato. A notícia de que lá houve um incêndio criminoso que vitimou algumas pessoas e, entre essas pessoas se fez vítima uma criança, poderia fazer com que aquela porra de hospital perdesse a referência e isso iria refletir diretamente na instituição! Agora para e pensa! Você como gestor não iria tomar medidas, sejam elas quais forem para manter a fachada da instituição imaculada?
Daryl morde o próprio lábio, balança a cabeça negativamente e diz:
- Isso é muito louco! Só em pensar em algo assim me deixa com uma má sensação!
- Coisas estranhas ocorrem lá naquela pocilga, nem sei como aquilo continua aberto! E eu sei que você tem respostas, sei que vir aqui falar contigo seria algo inusitado mas necessário. Se você vai ser sincero nas respostas eu não posso garantir, o que posso dizer é que o fato de eu estar aqui conversando com você não significa que eu deixei de vê-lo como suspeito!
- Que respostas o senhor quer de mim?
- Quem é aquela criança? 
- O senhor me disse que uma criança faleceu no incêndio! Quer que eu afirme que é a mesma?
- Pesquisei a respeito da criança que morreu lá, tudo que descobri era que se tratava de um filho de funcionário! Agora, as pessoas com quem conversei, lá de dentro de Serenity, não souberam ou não quiseram me responder a essa pergunta!
- O senhor acredita em fantasmas?
- Eu acredito naquilo que meus olhos me mostram, rapaz! Eu sei que você sabe o que isso significa!
- Seu nome é Leonard! - Respondeu Daryl pausadamente. - Ele morreu queimado naquele incêndio, era supostamente filho de uma funcionária da época, ou de alguém que ainda trabalha lá, não da pra saber ao certo, porque isso é outro segredinho mantido a sete chaves por todos lá em Serenity.
- Você já o viu?
- Não, mas muita gente afirma que já o viu andando pelos corredores do hospital, que ele tem olhos esbranquiçados, rosto deformado como se tivesse acabado de ser queimado, ha quem diga inclusive, que da pra sentir o cheiro de carne queimada quando ele aparece!
- Morreram quatro pessoas, por que só o espírito de uma aparece?
- Não sei! Não sou espírita, não entendo porra nenhuma desses assuntos, mas já ouvi relatos que um outro fantasma não identificado aparece, não na mesma proporção do pequeno Leonard, é como uma figura negra, um espectro com silhueta confusa!
- Antony já comentou com você a respeito desses, digamos, fantasmas?
- Ele diz que é mentira! Que isso é apenas efeito causado por uso continuo de neurolépticos!
- Que porra é neurolépticos?
- Medicamento, Malcon,  também conhecido por antipsicóticos!
- Entendo.
- Ele diz não crer na existência de fenômenos paranormais! 
- E você?
- Isso é relevante, Delegado?
- Na verdade não tanto.
- Próxima pergunta!
- Mellissa recebeu uma espada na véspera do assassinato do seu desafeto.
- Não sabia!
- O que me diz dela?
- Ela é uma pobre coitada, uma criatura sem brio, sem personalidade, uma inútil do tipo que pena é a unica coisa que um ser humano normal poderia sentir pela simples existência patética dela no mundo.!
O Delegado arregala os olhos, tantos adjetivos usados contra uma pessoa, mas todos pejorativos, ele tentou entender a razão do psicólogo usar tais palavras tão depreciativas a fim de molda, segundo a sua visão, a personalidade de Mellissa.
- Por que acha tudo isso dela?
- Porque o marido dela, aquele covarde safado, bate nela! Já tentaram ajuda-la em relação a isso, mas ela parece que gosta de apanhar! Ela já discutiu e já fez Antony demitir uma pessoa por conta dessa realidade. Então, na minha modesta opinião é uma pessoa patética! Eu não movo um dedo para ajuda-la, por mim ela pode chegar em Serenity usando dentadura ou aleijada, vai receber ajuda de outros, de minha parte só encontrará o desprezo!
- Eu tive o desprazer de conhecer o sujeito!
- Essa espada pode ter sido comprada por ela para dar a ele! Parece que o escroto coleciona armas!
- Eu a interroguei e ela afirmou isso!
- E é verdade!
- Só que a suposta espada pode ter sido usada para matar Kelvin, olhe só, a arma sumiu do armário dela um dia antes do assassinato, até agora não apareceu!
- Ah tah! - Gargalhou Daryl. - O senhor acha mesmo que aquela infeliz teria coragem de matar um brutamontes como Kelvin, mesmo pelas costas? Eu sinceramente acho isso muito surreal! Improvável.
- O marido dela poderia fazê-lo facilmente não poderia?
- Sim, mas ele nem trabalha em Serenity, e outra coisa, o que o motivaria a matar Kelvin?
- Ciúmes, talvez!
- É serio que o senhor imagine essa possibilidade?
- Não posso descartar nada ainda. Aliás, não posso descartar nem a possibilidade do seu amigo Vinne ter alguma coisa a ver com esses assassinatos!
Daryl sorrir mais uma vez.
- O senhor só pode estar de brincadeira! Vinne nem estava aqui quando Poll foi morto, e segundo o senhor mesmo noticiou, os dois assassinatos tem ligações.
- Ele poderia ter vindo sem que ninguém soubesse um dia antes e feito o serviço!
- Sem ninguém tê-lo visto?
- As câmeras de segurança da entrada de Serenity e do Jardim não estão funcionando desde antes da morte de Poll. Qualquer um poderia entrar sem ser notado, feito a porra toda, depois saído sem ser incomodado. Por essa razão, Antony também é suspeito, não só ele e Vinne, mas todos que não estavam no hospital nas duas noites que ocorreram os assassinatos!
- O que motivaria Vinne a cometer esses crimes?
- É isso que quero descobrir, mas vou descobrir! - O Delegado se levanta decidido em ir embora. - Não vou mais tomar o seu tempo, já consegui algumas informações que queria, só posso agradecê-lo!
Daryl se levanta, aperta  a mão de Malcon para se despedir ainda pensando do que ele havia acabado de dizer, "já consegui algumas informações que queria", o que aquilo queria dizer? Perguntou pra si mesmo o agora preocupado psicólogo.
- Volte sempre que quiser!
- Voltarei! - Disse Malcon já saindo pelo portão, mas antes de partir, completa a fala. - E conversaremos um pouco mais a respeito de Green Lake e Leonora!


CONTINUA...


sexta-feira, 4 de setembro de 2015

SERENITY

PARTE 31- CONVERSA INFORMAL, OBJETIVO FORMAL
Por Jair Nepomuceno

As perguntas são como flechas em busca do alvo, da mosca, mas muitas vezes servem como vento contra, que conduz a seta para longe do escopo.

Malcon decidiu passar o dia em averiguações, determinado e curioso o tempo sempre fora o seu inimigo quando situações como a que estava passando exigiam a sua total atenção, pois foi pensando justamente nisso que ele resolveu visitar uma pessoa de extrema importância no caso Serenity, uma pessoa misteriosa e ao mesmo tempo explícita em relação ao que pensava, e principalmente nas atitudes que costumava tomar.
Parou o seu carro em frente à casa da pessoa que buscava, e lá estava ele, sentado na varanda relaxado, sobre a mesinha de madeira rústica um jarro de suco, o rosto ainda magoado por uma agressão sofrida se mostrou surpreso com aquela visita inusitada.
- Delegado Malcon! - Disse Daryl. - Veio me dar voz de prisão?
- Ainda não! - Respondeu o policial.
- Então está perdido?
- Não no sentido geográfico! - Sorriu o homem da lei.
- Certo. Então a que devo a honra da visita?
- Não estou aqui oficialmente, Daryl. Não precisa me receber se não quiser, vim apenas conversar um pouco com você! Não levarei muito tempo.
- Eu não deixarei que o senhor tenha vindo em vão! Por favor sente-se! Aceita uma limonada? Acabei de fazer!
- Não, obrigado!
- Uma cerveja, talvez? Eu não posso beber nada alcoólico, infelizmente,  estou tomando anti-inflamatórios! Mas tenho cerveja gelada, como não está aqui oficialmente, não vejo razão para não aceitar uma cervejinha!
- Estou em expediente de trabalho, não posso aceitar, mas agradeço imensamente!
- Ok.
- Gostei da sua varanda! - Disse Malcon olhando para cima com as mãos na cintura, balançando a cabeça positivamente. - Eu tinha uma parecida com essa, adorava ficar sentado no fim do dia, vendo o tempo passar, mas a minha esposa decidiu acabar com ela para aumentar a sala! Uma pena!
- Eu gosto de ficar aqui, embora que os últimos dias tem sido um tanto complicado!
- É mesmo e por quê?
- O senhor percebeu um homem pintando o meu muro?
- Sim!
- Ele estava todo pichado com a palavra "assassino"! Fizeram o mesmo no meu carro! Arranharam a pintura e escreveram a mesma coisa! Tive que manda-lo a uma funilaria!
- Isso é vandalismo! - Disse Malcon.
- Eu não to nem ai para o que esses idiotas falam! Como diz o ditado, " to cagando e andando". Mas o que me incomoda é o prejuízo financeiro! Ontem quebraram uma de minhas vidraças!
- Por que não fez boletim de ocorrência? Já sei, por que acha que eu tenho algo pessoal contra a sua pessoa!
- Não. Não fiz porque não tenho tempo a perder, também tenho certeza de que a polícia não iria colocar a minha disposição guardas para protegerem a minha propriedade.
- As pessoas são intolerantes!
- São sim. Mas me diga, Delegado, o que posso fazer por você?
- Daryl, estou aqui em busca de algumas respostas, você é o principal suspeito devido as circunstâncias! O Promotor já queria ter pedido a tua preventiva, eu pedi para ele aguardar mais um pouco!
- Eu não vou ficar aqui repetindo que sou inocente, mas se veio aqui para ouvir de mim a confissão desses crimes, perdeu teu tempo!
- Você afirma que não matou Kelvin Obbie! Você ficou triste com a morte dele?
Daryl deu um sorriso, balançou a cabeça e usando de sua sinceridade disse:
- Não sou hipócrita! Não vou dizer que fiquei triste, mas eu não desejava isso nem a ele e nem a ninguém!
- Se tivesse a chance de dizer algo a família dele, o que diria?
- O que eu poderia dizer? Pra mim é só um vá com Deus e vida que segue!
- Alguma desavença entre ele e outra pessoa de Serenity?
- Que eu me recorde, não!
- Qual era a relação entre ele e Antony?
- Sinceramente eu não sei, para falar a verdade ele era um dos que eu mais suspeitava que tivesse matado Poll, vendo agora o que aconteceu me frustou um pouco!
- Ficou com a consciência pesada?
Daryl entrelaça os dedos, apoia os cotovelos sobre a mesa, balança a cabeça e dispara.
- Vou deixar uma coisa aqui bem clara, e isso pode até ser um tiro em meu próprio pé. Mas eu to me lixando para o que houve com Kelvin, ele me agrediu covardemente, eu sempre o detestei, pra mim ele era um lixo, e ainda agora continuo achando isso. Não fiquei feliz com a morte dele, mas não fiquei triste. Kelvin era pra mim como um sujeito que morre atropelado do outro lado do país e eu só tenho conhecimento que um dia esse sujeito existiu porque por acaso eu estava assistindo tv e mostraram o acidente.
- Certo. Gostei de sua sinceridade, e da coragem em dizer isso.
- Cara, eu não sei fazer cena.
- Não mesmo! Mas me diga. O Antony teve ou tem atitude estranha? 
- Ele é estranho!
- Ontem fiquei sabendo da morte de uma pessoa que já inclusive trabalhou com ele naquele hospital!
- Sério? Quem?
- Leonora! Conhece?
Daryl fica surpreso mas tenta demonstrar naturalidade.
- Sim! Mas não tinha qualquer amizade com ela! Como ela morreu?
- Assassinada! Foi degolada! Não encontraram nada com ela, só a bolsa jogada  pouco mais de cem metros de onde o corpo estava. Testemunhas disseram que a viram pegar um táxi na estação.
- Terá sido assalto?
- Não creio, mas isso não tem nada  a ver comigo é outra jurisdição!
- Pensei que iria investigar!
- Não, eu só achei muita coincidência alguns fatos!
- Tipo o que?
- Daryl, Saint Sofhie  sempre foi uma cidade pacata, crimes como este em Serenity abalam toda a comunidade! Sabe qual outro assassinato abalou essa região? Aquele em Green Lake!
Essa palavra fez o psicólogo gelar, Malcon não era um policial qualquer era do tipo que iria a fundo para saber toda a verdade, Green Lake poderia até vir à tona, isso o preocupou, ele tentou desviar.
- O que tem a ver aquele caso de Green Lake com isso? Não vejo qualquer ligação!
- Pois eu não descartaria como acabou de fazer! Sabe por quê?
- Não!
- Porque Leonora era ligada nessa parada de conversar com espíritos! Todo mundo sabia disso. O ritual usado na ocasião me chamou atenção na época, se eu fosse o Delegado do caso, não teria dado o caso como encerrado, não sei porque mas se eu cascavilhasse o processo arquivado de Green Lake era capaz de encontrar rastros que me levariam até Serenity!
Daryl mais uma vez se impressionou com a perspicácia de Malcon, aquele cara não era qualquer um, pensou o psicólogo.
- Por que diabos o senhor acha isso?
- Por que a porra dos assassinatos de agora parecem conter algo ligado ao sobrenatural!
Daryl da uma gargalhada!
- O senhor é do tipo que adora teorias da conspiração não é?
- Engano seu, rapaz. Eu adoro é a verdade! 
- Verdade baseada em um crime arquivado que ocorreu ha quase cinco anos e não houve indícios a respeito de nada. Onde Leonora estava quando a atrocidade aconteceu?
- Segundo a investigação pífia feito na época, ela estava em Orlando visitando uma tia!
- Sei. E ninguém tentou comprovar junto a essa tia se ela realmente esteve lá no período em que a garçonete foi assassinada?
- Claro que foi! E ela confirmou toda a balela!
- Então era verdade!
- Na minha opinião não! Por que a tal tia além de já ter passagem pela polícia é apreciadora de um tipo de ceita africana, coisa muito escrota! Uma pessoa dessa não tem credibilidade alguma!
- Isso não prova nada, você acha que prova alguma coisa?
- Pode ser que não, pode ser que sim. Se lembra de Tommy Lander?
- O maluco que matou o pai enterrando uma chave de fenda em seu ouvido enquanto o miserável dormia? Quem não conhece?
- Ele era uma pessoa normal, depois do acidente que matou a irmã dele, o cara se transformou em um zumbi. Ele sumia e ficava dias sem tomar banho, sem comer sentado sobre o tumulo dela, até o dia que foi encontrado deitado dentro do caixão, ele exumou o corpo e deitou-se junto com o corpo em decomposição!
- Sim, eu li a respeito! Mas não to entendo qual a ligação disso com o que estamos conversando!
- Ele foi levado a Serenity, ficou lá por cinco meses, teve um caso nesse período com uma enfermeira, a Sally, ela ainda trabalha la. - Daryl acenou positivamente com a cabeça. -  ele foi devolvido a sociedade como recuperado, no mesmo dia, de noite ele matou o próprio pai! Ou seja, aquele hospital é maléfico!
- Maléfico?
- Me responda, Daryl, quem é a criança que eu vi lá no hospital? Sei que não é coisa desse mundo, sinto que ela possa ter alguma ligação com tudo!


CONTINUA...