DE VOLTA OUTRA VEZ
Por Jair Nepomuceno
PARTE 1
Ele estava ali, de pé sobre o parapeito da ponte sobre o rio dos anjos, rio este, que além da forte correnteza as inúmeras pedras lhe ornamentavam desde o leito até boca da próxima queda, uma pintura da natureza feita mais para apreciar que tentar vencer as suas águas escuras. Ele esta ali, a uma distância de 3 metros de altura entre seus pés e as águas gélidas do rio dos anjos, o que o levou até lá? O desejo de deixar tudo para trás, a forma que encontrou para descontinuar não só a própria vida, mas em seu pensamento, também descontinuar tudo de ruim que o assolava.
Foi justamente entre a coragem definitiva para pular e a hesitação, que alguém subitamente o indagou.
- Dia difícil não é?
- Fique onde está! - Gritou o rapaz suicida ainda surpreso com a presença daquele homem.
- Ou você pula?
- É isso ai. - Respondeu o assustado rapaz apontando o dedo indicador ao estranho.
- Mas você não veio aqui para fazer isto? Então a minha presença aqui é indiferente, a sua decisão já foi tomada.
- O que você quer?
- A questão não é o que eu quero, Andrew Philipe, mas o que você quer.
- Quem é você? Como sabe o meu nome?
- Sou alguém que ver em você uma pessoa atormentada e que está ai ha meia hora e não tem realmente certeza a respeito de nada.
- Eu sei muito bem o que eu quero.
- Então vá em frente!
- Quem é você? Veio aqui pra tentar me impedir de pular?
- Não posso impedi-lo. Apenas você pode fazê-lo.
- Vá embora! Não preciso de você. Não te conheço. Me deixe em paz!
- Paz? será que não é justamente isso que te falta? E quer saber? Você está ai até agora, porque existe uma esperança, e essa só pode se tornar realidade se você permanecer vivo. Essa dúvida sobre o que será após a sua morte te faz hesitar e te dar medo em prosseguir. Você é um covarde Andrew, sempre se acovardou perante os problemas e se fazer de vítima era a sua saída, mas as pessoas não acreditam mais em você e na forma patética em que se faz de frágil e injustiçado. Por isso não pulou, Andrew, por isso não creio que irá pular.
- Quem é você?
- Quem você procura? - Interpelou o estranho. - Mellissa não se renderá a nada, talvez ao sentimento de culpa pelo seu suicídio. Deixar esse fardo a ela, te faz ainda mais covarde como jamais fora.
- Ela terminou comigo! - Gritou Andrew. - E fez isso quando eu mais precisei dela. Esqueceu tudo que eu fiz por ela.
- Ela não esqueceu. Apenas seguiu em frente. Em breve chegará o dia que ficarão cara a cara para discutir a relação, mas isso, será doloroso, meu rapaz. Não se acovarde, Andrew, seja forte em prol de você próprio, pois a ferida que habita tua mente, não fará de ti um egoísta, mas um doente em busca da cura. Olhe para essas águas e tente enxergar nela a solução para alguma coisa.
Andrew olha atentamente para o rio escuro, se distrai e busca a compreensão, volta a sua atenção ao estranho, mas se surpreende em ver que o homem não estava mais lá. Desceu da ponte cuidadosamente, colocou as mãos na cintura e ficou olhando para a estrada, tentando ao mesmo tempo entender o que havia acontecido. Resolveu finalmente voltar para casa, montou em sua bike e o caminho até seu lar foi regrado a muitas lágrimas e incertezas...
Foi justamente entre a coragem definitiva para pular e a hesitação, que alguém subitamente o indagou.
- Dia difícil não é?
- Fique onde está! - Gritou o rapaz suicida ainda surpreso com a presença daquele homem.
- Ou você pula?
- É isso ai. - Respondeu o assustado rapaz apontando o dedo indicador ao estranho.
- Mas você não veio aqui para fazer isto? Então a minha presença aqui é indiferente, a sua decisão já foi tomada.
- O que você quer?
- A questão não é o que eu quero, Andrew Philipe, mas o que você quer.
- Quem é você? Como sabe o meu nome?
- Sou alguém que ver em você uma pessoa atormentada e que está ai ha meia hora e não tem realmente certeza a respeito de nada.
- Eu sei muito bem o que eu quero.
- Então vá em frente!
- Quem é você? Veio aqui pra tentar me impedir de pular?
- Não posso impedi-lo. Apenas você pode fazê-lo.
- Vá embora! Não preciso de você. Não te conheço. Me deixe em paz!
- Paz? será que não é justamente isso que te falta? E quer saber? Você está ai até agora, porque existe uma esperança, e essa só pode se tornar realidade se você permanecer vivo. Essa dúvida sobre o que será após a sua morte te faz hesitar e te dar medo em prosseguir. Você é um covarde Andrew, sempre se acovardou perante os problemas e se fazer de vítima era a sua saída, mas as pessoas não acreditam mais em você e na forma patética em que se faz de frágil e injustiçado. Por isso não pulou, Andrew, por isso não creio que irá pular.
- Quem é você?
- Quem você procura? - Interpelou o estranho. - Mellissa não se renderá a nada, talvez ao sentimento de culpa pelo seu suicídio. Deixar esse fardo a ela, te faz ainda mais covarde como jamais fora.
- Ela terminou comigo! - Gritou Andrew. - E fez isso quando eu mais precisei dela. Esqueceu tudo que eu fiz por ela.
- Ela não esqueceu. Apenas seguiu em frente. Em breve chegará o dia que ficarão cara a cara para discutir a relação, mas isso, será doloroso, meu rapaz. Não se acovarde, Andrew, seja forte em prol de você próprio, pois a ferida que habita tua mente, não fará de ti um egoísta, mas um doente em busca da cura. Olhe para essas águas e tente enxergar nela a solução para alguma coisa.
Andrew olha atentamente para o rio escuro, se distrai e busca a compreensão, volta a sua atenção ao estranho, mas se surpreende em ver que o homem não estava mais lá. Desceu da ponte cuidadosamente, colocou as mãos na cintura e ficou olhando para a estrada, tentando ao mesmo tempo entender o que havia acontecido. Resolveu finalmente voltar para casa, montou em sua bike e o caminho até seu lar foi regrado a muitas lágrimas e incertezas...
CONTINUA...
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