Por Jair Nepomuceno
PARTE 5
O ultimo diálogo que Andrew teve com Zel mexeu muito com ele, saber que Mellissa sofria com o relacionamento de certa forma o fez sentir-se infeliz, ficou com peso na consciência, mas ao mesmo tempo deu a ele aquele sentimento que ela o enganou a respeito de tudo. Houve em seu íntimo o misto de arrependimento e de frustração, não conseguia perdoar sua ex-companheira por completo, mas o peso na consciência conflitava com o pouco de raiva que ainda nutria, ele não aceitava o fim, mas essas novas informações lhe jogava a uma enxurrada de indefinições sobre suas próprias certezas, estava ainda mais confuso com tudo aquilo.
Aquele dia, convidou Cristine e George para jantar no Instrauss Restô, um lugar aconchegante e de bom menu, local este, que ele se habituou em ir, principalmente com Mellisa, estava explodindo por dentro e desabafar agora poderia aliviar um pouco tudo aquilo que o estava maltratando.
Chegaram ao restaurante por volta das vinte horas, depois de escolherem seus pratos, começaram a dialogar.
- Descobri que Mellissa nunca me amou de verdade. Toda aquela felicidade que ela demonstrava era falso, usava uma máscara todo o tempo.
- Como você chegou a essa conclusão? - Perguntou Cristine.
- Você se lembra quando eu te falei do cara que me apareceu do nada falando coisas sobre mim e sobre Mellissa?
- Sim.
- Foi ele quem alertou-me a respeito disso.
- Meu Deus! - Cristine se mostra irritada. - Não acredito que você esteja dando ouvidos a uma pessoa que nunca havia visto antes, um completo estranho.
- Cara, não sei explicar, mas eu acredito nele.
- Você acredita naquilo que quer acreditar. - Continuou a amiga. - E em se tratando de Mellissa, você faz de tudo para nutrir esse sentimento de raiva atribuindo a ela coisas ruins que justifique o fim do relacionamento. Pelo amor de Deus, Andrew! Você é um cara inteligente. Acorde.
- Você não entende. Ele sabe coisas ao meu respeito que eu fico admirado. Ele fala com propriedade. Como alguém que eu nuca conversei antes poderia saber tanto sobre mim?
- Eu vi um documentário feito pela polícia. - Desta vez é George quem fala. - Que alguns pilantras conseguem pegar no lixo todas as informações de que precisa para ter vantagem sobre a vítima. Eles pegam informações detalhadas.
- Não nesse caso George. - Fala Andrew balançando a cabeça negativamente. - O que ele sabe ao meu respeito não é possível de se encontrar em lixo. São coisas íntimas. Coisas sobre a minha personalidade. Coisas que ele só saberia se realmente fosse um amigo muito próximo, como Cristine, por exemplo.
- Ele pode ter dado a você a sugestão para você falar sobre si. - Insite George.
- Não entendi.
- Cara. As vezes o pilantra pode ter habilidade de sem que você perceba, te induzir a falar coisas sobre você mesmo. Depois as usa como se o conhecesse, quando na verdade a própria vítima que forneceu a ele os dados de sua vida pessoal, e isso inclui detalhes da personalidade.
- Não o Zel. Ele as vezes é irritante, porque nossos encontros parecem monólogos. Só ele fala.
- Nossos encontros? - Esbravejou Cristine. - Você tem se encontrado com esse estranho e conversado sobre sua vida particular? Estou realmente surpresa e estupefata!
- Eu sei que parece estranho, mas eu acredito nele. E digo mais. Por alguma razão, eu desejo que ele venha conversar comigo, porque mesmo me falando as verdades que doem, eu me sinto bem em ouvi-lo.
- Ok. - Cristine entrelaça os dedos demonstrando inquietação. - Quero que você me apresente esse cara. Tem como chama-lo agora?
Andrew sorrir.
- Não tenho como chamá-lo. É sempre ele que vem até mim. Não sei onde ele mora, não tenho contato telefônico ou qualquer outro tipo.
- Como assim, ele vem até mim?
- É isso mesmo. Ele quem decide quando vir. Vem quando quer.
Cristine olha ara George com um olhar espantada, na hora pensou que o amigo estaria precisando de tratamento psiquiátrico, seu noivo compartilhou do mesmo pensamento.
- Me fale mais a respeito desses ''aparecimentos''.
- Eu conheço esse teu olhar. - Andrew aponta o dedo indicador em direção a Cristine.- Você acha que eu estou louco?
- Eu não disse isso.
- A forma como se expressou agora ficou claro para mim.
- Andrew. pensa aqui comigo. - Diz Cristine pausadamente ainda com as mãos juntas e o cotovelo apoiado sobre a mesa. - O cara aparece de repente, não é isso? Sabe coisas sobre você que só você poderia saber. Vai e volta sem que saiba quem realmente ele é.
- O que isso quer dizer? - Indagou Andrew.
- Meu amigo, você tem passado por problemas sérios. É uma carga muito pesada, muito mesmo. E isso pode perfeitamente ter afetado a sua forma de pensar, de agir. Essas coisas podem acontecer depois de certos traumas.
- Você adotou agora a psicologia? Não sabia que era psicóloga. - O jovem se irrita.
- Você não quer aceitar a separação e ha também os problemas financeiros, profissionais. Não preciso ser psicóloga para entender que essas coisas podem acontecer com nós seres humanos.
- Então você acha que ele é fruto da minha imaginação?
- Não to afirmando, mas quem sabe?
- Vou te contar uma coisa. Eu cheguei a pensar isso também, mas hoje a tarde, ele estava conversando comigo no Parque Araras e um homem que fazia caminhada passou e nos cumprimentou e conversou com ele. O homem era minha imaginação também?
- Eu prefiro pensar também na possibilidade de que o outro homem pode fazer parte do esquema. - Disse George.
- Que esquema, amor? - Indagou Cristine.
- De extorsão.
- Pô cara, tu viajou agora geral. - Andrew sorrir. - O que é isso? Me extorquir a troco de que? Estou fodido. O que ele ganharia com isso?
- Andrew tem razão amor. - Cristine concorda.
- Eu não sei. Só acho que não devemos descartar possibilidades enquanto não chegamos a uma conclusiva.
- Vamos fazer o seguinte. - Disse Cristine. - Quando você estiver com esse cara. Você me telefona, e ele nem precisa saber. Eu vou imediatamente ao seu encontro. Podemos fazer assim?
- Isso pode ser perigoso, amor. - Disse George. - Acho melhor não ir sozinha.
- É. não vá. Chame o corpo de bombeiros,a polícia, o exército. - Ironiza Andrew. - Pelo amor de Deus George o que há com você hoje? Cheio de teorias malucas!
Cristine e até o próprio George sorriem, mas a amiga insiste na ideia.
- E então? Vai fazer o que te pedi?
- Tudo bem. Se isso te tranquiliza, quando Zel voltar a me procurar, se ele voltar, eu prometo que te telefono na mesma hora. Agora não quero falar sobre nada, vamos jantar, estou com fome. Esse papo sobre Mellissa e Zel já deu pra mim.
Cristine e George concordam, brindam com vinho branco e continuam o jantar, enquanto isso, do lado de fora do restaurante, alguém os observa na na penumbra e, não era Zel...
CONTINUA...
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