Hanna Fisio

quarta-feira, 8 de abril de 2015

DE VOLTA OUTA VEZ

Por Jair Nepomuceno

PARTE 3

Andrew tomou um susto ao ver o homem escorado la lápide de sua mãe, essas chegadas repentinas daquela figura muito bem trajada em terno cinza-claro, gravata cinza-escuro, cabelos brancos em sua totalidade, e olhos tão azuis quanto o céu, o deixava intrigado.
- O que você é, um fantasma? - Indagou aos gritos o assustado rapaz.
- Você acredita em fantasmas, rapaz? - O outro sorriu.
- É que você aparece do nada, parece um espectro.
- Sei. E levando em consideração o local que estamos nesse momento, falar sobre coisas sobrenaturais é mesmo bem sugestivo, não acha?
- Cara, de uma vez por todas, quem é você? Qual o teu nome? 
- Pode me chamar de Zel.
- Zel? Que tipo de nome é esse?
- O tipo que fará com que você pare de me chamar por pronomes e, ao mesmo tempo, te dê essa segurança de saber que eu tenho um nome, já que me pergunta quem eu sou o tempo todo, quando na verdade, deveria tentar entender quem você é!
- Tu é estranho, Zel!
- Curioso você me chamar de estranho, já que não era eu que estava sobre um parapeito disposto a cometer algo irracional, com a ilusão até inocente de que alguma coisa poderia se resolver depois do fatídico.
As palavras de Zel era como espadas transpassando seu corpo e principalmente o seu orgulho, nada até agora que o estranho havia falado, estava enganado ao seu respeito, aquele homem sabia demais, saber o seu nome agora não respondia quem ele era e como sabia tanto.
- Cara, olhe. Nem vou poder te dar atenção, porque estou ocupado agora.
- Está Limpando o túmulo de sua mãe, Katherine. Uma pessoa muito devota a sua fé, religiosidade intensa, vivia também em caridade, uma grande mulher.
Andrew olhou rapidamente para Zel, se levantou ainda surpreso pelas palavras daquele estranho.
- Você conheceu a minha mãe?
- Sim, claro. Ela era assídua na pratica de ajudar aos outros, essa caridade que ela fazia com empenho e de coração acabou sendo perpetuada por você. Eu costumo dizer que a caridade é o complemento da fé, e isso incide na verdadeira aproximação a Deus! O que falta em você é fé como complemento.
- Você acha, senhor sabe-tudo?
- Acredito que aquilo que você faz seja de coração, mas não está ai nesse contexto a fé que engloba uma serie de coisas. E além disso, as atitudes são carvão para essa fornalha. Já parou para analisar seus atos até hoje, atitudes boas, ruins, obsoletas, fúteis? Os erros as vezes são importantes, pois se aprendem com eles, não com os acertos.
- Presta atenção Zel! - Mais uma vez ele se mostra irritado. - Deixa eu te contar um resumo do que andou acontecendo comigo e veja se eu tenho tempo para poesias. Eu era um grande executivo de uma empresa no ramo naval, eu amava o que eu fazia. Ganhava bem, estava feliz profissionalmente, até que um dia, houve lá um rombo, muita grana saiu de forma suja, ai aprontaram para mim. Jogaram provas e eu acabei sendo considerado culpado, eu, o único que era inocente. Perdi o meu emprego por justa causa. Mellissa, se separou de mim, menos de um mês depois, foi um nocaute, pois eu amava, o pior, foi que quando ele foi abandonada, eu estendi a mão e a tirei da merda que estava. Assumi inclusive a criação de Judith, a sua filhinha fruto de um amor bandido. A ingratidão dela, matou um pouco do que eu era. Todos os meus ''amigos'' se afastaram de mim, fui atropelado quando eu atravessava a rua, quase morri. E hoje pela manhã, recebi uma ordem de despejo. Não tenho para onde ir. Entendeu agora um pouco da minha ''magnífica'' vida?
- Você tem passado por problemas sérios é verdade todos oriundo por culpa sua, de ninguém mais.
- Como é que é? Você é louco?
- Você perdeu o seu emprego porque mesmo sabendo que os seus ''parceiros'' se tratava de gente de má-índole se manteve sempre ao lado deles. Mellissa se separou de você devido a sua pressão sobre ela, devido a tudo que você costumava jogar na cara dela. Estúpido e incompreensível, e não entendia o sacrifício e a honra que ela dispunha para manter o relacionamento. Você foi atropelado ao sair de um bar, completamente embriagado, entrou na frente daquele carro de forma estabanada, e o seu despejo até você estava aguardando, está desempregado há sete meses e não procurou outro emprego. Agora me mostre, onde existe ai nessa tua história de dor e sofrimento, outros culpados que não você mesmo.
Andrew se ajoelhou e chorou, seu ódio por tudo estava latente, queria encontrar culpados para diminuir a sua própria incompetência como profissional, como homem de família, como um homem de bem. Levantou-se a voltou a  apontar o dedo para o seu acusador.
- O que você quer? Sou uma pessoa ruim. Uma escória! Por que está perdendo o teu tempo vindo falar comigo? Você é o quê? Um demônio? Ou um feiticeiro desvairado?
- Você não é uma pessoa ruim. você está perdido. O ser humano tem muito disso, rapaz. Grandes pessoas passaram por grandes problemas, mas conseguiram se reerguer através da fé em si. Eu não estaria aqui conversando com você se não conhecesse o teu coração. Pessoas como você tem a fantasia de achar que tudo é imediatismo. Não é assim que a vida gira. Ninguém nesse mundo é mais importante que ninguém, não até que tomem para si a responsabilidade de servir, de amar, perpetuar as coisas boas, até pode se tornar melhor, podem ser algo grandioso devido as sua atitudes. Mas acredite, o amor, a fé e as atitudes, fazem do ser humano a criatura mais fascinante e mais importante no reino de tudo que existe, aos olhos do criador.
- O criador não reconhece as coisas que eu fiz? Como posso continuar a ajudar as pessoas que eu ajudava sem recursos? Não tenho dinheiro, não tenho nem casa.
- Não se abstenha de praticar o bem. Deus e suas obras, estão diretamente ligadas a fé. Tudo gira em torno da crença. Se você ousasse ter acesso as escrituras, saberia que que esse é a principal linha até o criador. Já ouviu falar sobre  ''o tempo de Deus''? Não se apegue ao imediatismo, não é assim que funciona. Quanto ao dinheiro, a casa, e outras coisas, tente se apegar no que você realmente é. Não nesse espectro que se transformou. As coisas acontecem, Andrew. Emprego, casa, carro,boas roupas, viagens. Essas coisas acontecem, mas para isso, você tem que se encontrar.
- Estou confuso Zel. - Andrew encosta a sua testa sobre o epitáfio da sua mãe, ao erguer, novamente não encontrou o conforto de Zel, ela não estava mais lá...


CONTINUA...

Nenhum comentário:

Postar um comentário