Hanna Fisio

sábado, 11 de abril de 2015

DE VOLTA OUTRA VEZ

Por Jair Nepomuceno

PARTE 6

O dia seguinte ao jantar se seguiu sem nenhum contratempo, até que Andrew recebe a notícia de que teria que pagar uma ação trabalhista ainda do tempo em que havia sido sócio com um amigo em uma empresa no ramo de rações para bovinos e caprinos, mais um problema para resolver sozinho, já que o seu amigo já havia falecido após um acidente de moto, mais um problema para somar-se aos outros que já o atormentavam.
Ele telefonou Para Cristine assim que foi notificado pelo advogado, de imediato a amiga se dispôs em ir onde ele estava, o convenceu a ir a igreja, ela disse que era onde sua mãe costumava leva-la todas as vezes que algum problema à afligia. Chegaram então a igreja matriz, de certo modo, o jovem sentiu uma paz que hà muito não sentia, a amiga permaneceu com ele por meia hora, depois se despediu, Andrew resolveu ficar ali mais um tempo, tentando convencer a Deus do imediatismo de seus problemas, Cristine foi embora pedindo que ele a telefonasse caso precisasse de algo, ela era assim, extremamente prestativa, uma mulher de boa índole e com atitudes quase sempre bem humanitárias.
Andrew estava de cabeça baixa, mergulhado em oração, quando o outro chegou ao seu lado.
- Quem bom vê-lo aqui, meu rapaz! 
Desta fez o jovem problemático se assustou.
- Que susto, Zel!
- Me desculpe, você estava concentrado e eu te atrapalhei, mas pode continuar.
No mesmo instante, Andrew se lembrou da promessa que havia feito a Cristine, meio que atabalhoado se levantou e disse ao estranho homem:
- Cara. Não saia daqui. Eu já ia me levantar para ir ao banheiro. Eu vou e volto. Pode me esperar? Preciso conversar com você,
Zel concordou com um aceno de cabeça sorrindo e o jovem saiu às pressas em busca do toalete, mas não para fazer necessidade fisiológica, o intuito era telefonar para Cristine para que ela fosse conhecer Zel como havia prometido, mas do que isso, seria a o momento perfeito para provar que não estava louco, que o entranho amigo existia.
Entrou enfim no banheiro, estava nervoso, suas mãos suavam, mas quando tentou telefonar para a amiga, percebeu que não havia sinal, ficou frustrado.
- Não acredito! Porra. Isso não tá acontecendo! Funciona, droga, funciona! - Tentou por cinco minutos sem sucesso, até que desistiu e retornou para onde Zel estava.
- E então, sente-se melhor? - Indagou o estranho amigo.
- Sim. - Respondeu imediatamente Andrew.
- Isso aqui é um templo apenas para quem se dispõe de fé, se a pessoa não tiver fé, o máximo que essa estrutura poderá ser é um exemplo de arquitetura neoclássica. Para tirar fotos é ideal, mas não para adorar ao criador. O que você é aqui dentro, Andrew? Um turista ou um fiel?
- Já não tenho tanta certeza como antes?
- Então você nunca teve certeza. Quando se tem fé, não se perde, pode até se revoltar com o criador por entender de forma errônea, é claro,  que ele é o culpado por todos os imprevistos, mas até na hora de julga-lo é preciso ter fé que ele realmente exista.
- Faz sentido. - Disse Andrew balançando a cabeça.
- A fé não se baseia naquilo que necessariamente podemos ver. Na verdade a fé só existe quando algo ainda é abstrato. Essa é a verdadeira fé. e através dela algumas coisas se solidificam.
-Mudando de assunto. Ontem eu estive em um restaurante com um casal de amigos. Precisava me distrair. Conversamos sobe muitas coisas. Inclusive sobre Mellisa.
- E ela estava lá.
- Lá onde?
- Onde você jantava com os seus amigos.
Andrew arregala os olhos.
- Eu não a vi!
- Nem poderia. Ela não entrou. Observou você por algum tempo, pela vidraça. Chegou a hesitar se entrava ou não, mas sentiu que o coração ainda não estava preparado para o reencontro.
- Ela te disse isso? Que esteve lá.
- Não. Eu a vi.
- Você estava lá?
- Claro. Por isso a vi.
- Você está me seguindo?
- Por que eu deveria segui-lo? Você é uma pessoa que conflita a sua humildade com a presunção. Você em determinados momentos oscila de forma negativa em atitudes e pensamentos, por essa razão acaba se equivocando e nesses momentos, pensa que as coisas giram em torno de ti.
- Você está enganado. Eu não sou assim.
- Quer que eu dê algum exemplo para ilustrar bem o que eu estou querendo dizer?
- Que exemplo?
- No seu departamento havia um jovem de descendência nipônica. Era um rapaz promissor, inteligente e criativo. Certo dia, ele te levou um projeto de um barco para um cliente Suíço, você já tinha feito o projeto, havia trabalhado duro. Mas o Projeto do garoto de olhos puxados se sobressaía ao teu. O que fizestes? O fez mudar o projeto de forma grosseira contra a vontade do rapaz. E depois corrigiu vários defeitos. O projeto dele acabou sendo aceito, mas o cliente só aceitou depois de suas ressalvas e do seu teatro para demonstrar que entendia de projetos navais. Isso foi podre, você premeditou o insucesso do garoto. E dois meses depois ele foi demitido.
Andrew ficou abismado, como ele sabia disso? Tentou justificar.
- Não o demiti. O projeto dele havia defeitos, não quis prejudica-lo.
- Não. Você não quis, mas teve parcela de culpa que resultou na demissão do rapaz. E sim, você sabia que o projeto, mesmo com pequenos defeitos era superior ao seu. 
- Cara quem você pensa que é? Quem é você? Como sabe dessas coisas? O que você é?
- Estamos aqui empenhados em algo mais importante que responder a essas perguntas. 
- Você nunca me diz nada. Sabia que já me disseram que você poderia ser um estelionatário?
- Presta atenção no que vou te dizer. É importante.
- Cara, não sei porque ainda te escuto. Mas diga lá. O que é?
- Amanha um estranho lhe dará algo, receba, mas o presente virá junto com o fel. Será um tanto inusitado. O que ele terá a oferecer é de suma importância para você e a continuidade de sua evolução como ser humano.
- Cara, não entendi nada. Quem é esse cara? O que ele vai me dar? Onde será isso?
- Tenha paciência, Andrew. Entenda que as coisas acontecem no tempo certo, dentro de um plano.
O rapaz se senta violentamente, estava confuso.
- Eu sinceramente não sei mais o que pensar sobre isso.
- Calma. As coisas ficarão nítidas para você. Creia em si. Lembre-se do presente e do fel, do estranho e do inusitado. 
- Tudo bem.
Zel se despede e quando estava saindo da igreja, para, olha para trás, depois de um sorriso, diz a Andrew.
- Pode usar o seu aparelho celular agora.
O jovem rapaz olha rapidamente para o aparelho e ver o sinal restabelecido, no lugar do assombro que isso poderia causar, ele apenas sorriu, balançando a cabeça de forma negativa, quando voltou o seu olhar para a saída do templo, Zel já havia partido. Andrew em seu pensamento, disse pra si. - O grande barato é não querer entender o fantástico. Vá com Deus Zel! 

CONTINUA...

Nenhum comentário:

Postar um comentário