DE VOLTA OUTRA VEZ
Por Jair Nepomuceno
Parte 9
Andrew fez várias ligações telefônicas, em uma delas conseguiu localizar Telvis, um antigo amigo que hoje se devota a Cruz Vermelha, conversaram por quase uma hora, também entrou em contato com outro conhecido, esse, por sua vez, era voluntário da organização humanitária Médicos sem Fronteiras. Passou horas conversando com pessoas, assim como ele, que procuravam ajudar os necessitados, isso o fez bem, tanto que acabou se atrasando para o encontro com Mellisa, ao chegar na casa de sua ex-mulher a encontrou da forma que Zel lhe dissera, muito receptiva.
- Oi. - Saldou a Bonita jovem, dona de um sorriso cativante e olhos negros da mesma cor de seus longos cabelos, o abraçou calorosamente. - Pensei que não viesse mais!
- Me desculpe, tive que fazer algo antes.
- Andrew! - gritou Alissia correndo ao seu encontro, ele a abraçou, beijou-lhe a testa branca.
- Oi meu amor! - Disse o rapaz carinhosamente enquanto a colocava no colo.
- Você veio pra ficar aqui? - Indagou a criança.
- Não querida! Vim só fazer uma visita para vocês. - Colocou a mão no bolso e pegou um pequeno presente, deu a menina. - Tome. É para você! Espero que goste.
A menina desceu de seus braços e rasgou o papel vermelho que envolvia o objeto, era um par de brincos de ouro em forma de fadinha, seus olhos brilharam!
- Põe em mim mamãe, põe em mim mamãe! - Pulava em frenesi.
- Como se diz? - Perguntou Mellisa segurando o par de brincos em sua mão.
- Obrigado Andrew! - Ela o abraçou e o fez se abaixar, então beijou-lhe o rosto.
- Você merece! Sua mãe me contou que é a melhor da classe.
- Sou sim.
- Alissia. - Disse a Jovem bonita com veemência. - Depois eu coloco os brincos em você. Agora preciso conversar com Andrew. Vá fazer o seu dever de casa.
A criança concordou, antes de sair agradeceu mais uma vez, deu-lhe outro beijo e subiu as escadas correndo em direção ao seu quarto.
- Ela está linda! - Disse o rapaz.
- Obrigado. - Respondeu a mãe.
- E você, como está?
- Estou bem. Venha, vamos para a copa. Quer beber alguma coisa?
- Não, obrigado. Talvez água.
Mellisa pega uma jarra com água e gelo, senta-se de frente para Andrew, os dois se olham e um sorriso estrangulado se anuncia, era notório o desconforto, mas a necessidade de estarem ali, frente a frente, impulsionava-os a continuar, tentaram quebrar o gelo com um sorriso mais aberto, até que ela arrisca a primeira fala.
- Fiquei sabendo sobre o despejo. Sinto muito, Andrew.
- Eu já esperava.
- Para onde foi?
- Para um quitinete. Lá tenho tudo de que preciso.
- Entendo.
- Eu fiz um bazar, vendi quase tudo. Acho que vendi algumas coisas que lhe pertenciam junto com as minhas tranqueiras, então acho que devo dar algum dinheiro para você.
- Não me deve nada. Não havia nada lá que eu quisesse ter trazido, portanto, abandonei por vontade própria. O mais importante lá, era você. O resto não passam de objetos.
- Mel. - Ele baixa a cabeça e aperta o copo com água entre as mãos. - Posso chamá-la de Mel?
- Claro.
- Na verdade não vim aqui para falar sobre o bazar. Estou aqui para te pedir perdão!
- Perdão por quê?
- Por tê-la feito sofrer em silêncio. Juro que nunca quis machucá-la.
- Do que você está falando?
- De tudo, Mel. Mas agora, você encontrará a felicidade que havia perdido enquanto esteve ao lado daquele marginal e também quando esteve ao meu lado. Sei que está namorando com outra pessoa.
Mellisa engoliu a seco, será que ele a estava seguindo? Pensou nessa possibilidade já que não havia contado a ninguém, nem a Cristine.
- Olhe Andrew, sinceramente...
- Não vim aqui para tratar desse assunto Mel, você é livre para namorar com quem quiser. - Andrew a interrompeu, depois continuou. - Vim aqui pedir o seu perdão, preciso saber que você não guarda nenhuma mágoa. Eu fui cego, egoísta, mas fui assim inconscientemente, não o fiz seguro do que eu estava realmente fazendo.
- Oh Andrew! Por favor não faz isso comigo! Não precisa pedir perdão. Você se doou para o bem de Alissia e de mim. Nós somos falhos, todo nós. Você não me obrigou a nada. O que aconteceu, aconteceu, e eu também fui conivente. O fim se deu porque relacionamentos acabam, a vida é assim.
- Você se sentia torturada toda noite quando tinha que ir para cama e me encontrar lá. Por que Mel, Por que não me disse nada?
- Como você chegou a essas conclusões? - Os olhos da linda jovem lacrimejaram.
- Você certamente não acreditaria se eu lhe contasse, mas isso não importa agora.
- Importa para mim! Olhe. Sou eternamente grata a você.
- Um amigo me falou uma frase e eu vou repetir a você. '' Tu era escrava da gratidão.'' Nunca houve amor de homem-mulher. Eu sem querer, a sufoquei. A sua conivência só existiu por causa da gratidão.
Mellisa o abraça aos prantos, suas lágrimas molham a camisa azul de Andrew, ele a afasta e beija-lhe a testa, passa as mãos embaixo de seus olhos no intuito de enxugar-lhe as lágrimas, ela ainda em choro fala-lhe em voz penosa.
- Me perdoe, Andrew! Imagino o quão mal está se sentindo agora.
- Não há nada para se perdoar, Mel. Não de sua parte. Eu sou a personagem errada nesta triste história.
- Quero te dizer uma coisa, e talvez não mude nada, mas é com muita sinceridade. Você foi a pessoa mais gentil, humana e solidária que eu tive a honra de conhecer. Não importa o que você acha que me aconteceu, porque nada, absolutamente nada, vai mudar o que sinto por você. Eu te amo, Andrew! Eu queria muito poder amá-lo não só da forma como eu te amo, eu queria poder te amar da forma que você merece!
O jovem baixa a cabeça, seus olhos ficaram marejados, com coragem elevou o seu olhar para os olhos negros de Mellisa e se entregou.
- Eu nunca em toda a minha vida amei alguém como te amei. Não existiu um só dia, que eu não contasse os minutos para acabar o expediente para que a felicidade de reencontrá-la me dominasse, pois o amor nos proporciona esses momentos, e nos remete muitas vezes a atitudes no melhor estilo adolescente. Sei o que fiz, e fico feliz que eu tenha o teu perdão. Esses dias foram terríveis, porque a tua ausência era a ausência da minha alma, porque a minha alma se reluzia pelo combustível do teu amor. Obrigado. Com você me tornei uma pessoa mais feliz, e mesmo sem a tua cumplicidade, eu cresci como ser humano. Era isso que eu tinha a te dizer.
Mellisa chora copiosamente, o beija outra vez, desta vez em seus lábios, passa as mãos carinhosamente em seu rosto.
- Eu que te agradeço, Andrew!
- Preciso ir.
- Volta a nos visitar no fim de semana?
- Não. Não haverá outro encontro.
Melissa se assusta.
- Por que?
- Porque amanha estarei embarcando para a Noruega, sou voluntário da Cruz Vermelha.
- Aqui também tem sede da Crus Vermelha!
- Eu sei.
- Não faça isso!
- Adeus Mellisa! Te desejo muita felicidade, de coração.
O rapaz se despede outra vez, ela tenta beijar-lhe os lábios como uma ultima despedida, mas ele evita discretamente o encontro de seus lábios com o dela, em seguida segue para a rua, Mellisa o ver pela ultima vez dobrando a esquina,..
CONTINUA...
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