DE VOLTA OUTRA VEZ
Por Jair Nepomuceno
Parte 8
Andrew compreendeu que aquela a quem chamava carinhosamente de Mel, definitivamente não estava mais com ele em seus planos, uma sensação de perda se apoderou dele, afinal, mesmo improvável, ele esperançava tê-la novamente em seus braços, alimentava pois, esse ideia de forma irracional levando em conta tudo que envolveu a separação e a dificuldade de conseguir ao menos falar com ela após o término.
O dia seguinte após o estranho encontro com aquele esmoler o deixou muito deprimido, não queria aceitar que outro, senão ele, a tocasse, a beijasse e, principalmente a fizesse feliz, o amargo da perda de Mellisa remetia a uma ideia de que o amor não passou de platônico, e imaginar isso o machucava mais ainda.
Estava sendo um tanto difícil digerir aquela nova informação, Andrew preferiu ficar sozinho, não quis atender os insistentes telefonemas de Cristine e nem de outros que nem ao menos importou-se em saber quem era, pegou a sua bike e foi ate o lago dos gansos, sentou-se no pequeno pier e ali ficou com um olhar perdido, a geografia era linda, parecia uma pintura na melhor inspiração do artista. Nem chegou a olhar para trás e falou subitamente:
- Você sabia não é?
- Sim. - Respondeu o outro que já se sentava ao seu lado.
- Então ela me deixou por outro pessoa?
- Não aprendeu nada do que conversamos, Andrew. Ela não o deixou por ninguém, embora você esteja querendo encontrar razões para justificar o fim do relacionamento. Não adianta tentar encontrar razões inexistentes.
- Ela está ou não está com outro?
- Vocês terminaram ha mais de sete meses. O novo relacionamento de Mellissa começou ha dois dias.
- Você acredita nisso?
- Você também acredita.
- Não Posso aceitar isso!
- Escute o que irei te dizer meu rapaz. O namorado dela, aproveitou o momento de fraqueza, os seres humanos são vulneráveis quando o assunto é sentimento. Ele deu a ela a atenção que Mellissa necessitava, e teve a habilidade de falar aquilo que ela queria ouvir. Trata-se de uma pessoa muito sensível e de caráter. Não é de hoje que ele a ia conquistando, mas a situação em si, não lhe era favorável porque sua ex-mulher não abria espaço para ele e para ninguém. Mas até você sabe que Mellisa nunca esqueceu completamente o grande amor da vida dela, aquele que está em um presídio. O novo namorado se parece com ele fisicamente, mas não tem nenhum de seus defeitos. Ela foi vítima de todo um contexto que não cabe aqui entrarmos em detalhe, porque isso envolveria coisas que não são relevantes para o seu conhecimento, já que tudo chegou ao fim.
Andrew olhou nos olhos de Zel.
- Você quer que eu faça o que? que eu aplauda? Que eu me ofereça como padrinho do futuro casamento deles?
- Eu te aconselho a ir procurá-la. Ela vai te perdoar.
- Ele vai me perdoar? - Gritou Andrew. - Ela me abandona, está com outro e eu que tenho que ser perdoado?
- Não era você quem sofria em silêncio. Por favor, meu rapaz. Aceite a responsabilidade, não ha mais nada além disso que te restou nessa história. Abra o seu coração e mostre a grandiosidade que está latente em você. Pois você é isso! Você é coração, quando parte para o uso da razão, se torna essa pessoa vulnerável e inconstante.
Andrew baixa a cabeça, enxuga as lágrimas coma manga da blusa, se volta para Zel.
- Nem que eu quisesse fazer isso não seria possível. Ela nem atende as minhas ligações.
- Ela irá atender. Ela está pronta para esse digamos, confronto. E ela está receptiva a te ouvir.
- Será?
- Sim. Sabe o que ela está fazendo nesse exato momento? Podando o jardim, cuidando das rosas amarelas. Ela adora rosas amarelas. A estufa tem outras duas espécie que você não chegou a conhecer. Acho uma boa hora para apreciar a beleza das rosas. - Zel sorrir.
- Como você sabe dessas coisas?
- Telefone agora.
- Ta bom, vou te provar que você está errado. Ela nem vai atender a ligação. - Disse Andrew retirando o telefone do bolso, em seguida digitou os números, Zel acompanhava tudo tranquilamente, com um esboço de sorriso.
- Alô! - saldou a voz do outro lado. Imediatamente Andrew olhou para o amigo com olhos arregalados e um frio na barriga.
- Alô! - Respondeu.
- É você Andrew?
- Sim. - Disse com voz suave, suas mãos suaram, assim como a testa.
- Tudo bem com você?
- To seguindo. - Disse com voz tremula e pausada, quase gaguejando.
- Eu soube que aconteceu. Você teve que sair de la né? Foi morar em um quitinete.
- Foi. Como estão as rosas?
- As rosas?
- Sim. Você deve tá cuidado delas agora não é?
- Nossa! como adivinhou? Está aqui próximo?
- Não, não! Estou no lago dos gansos. Foi só um palpite. - Ele vira-se Para Zel, mas o amigo o deixou só mais uma vez, ele não se admira mais dessas sumidas do estranho homem.
- Está em um lindo lugar não é?
- Preciso conversar com você. Seria possível?
- Claro. Eu ia te telefonar hoje. Preciso muito falar com você também.
- E Alissia, como está?
- Ótima! É a primeira da classe.
- Que bom saber disso!
- Mas e então? Quando você poderia vir?
- Você prefere em uma lanchonete, ou outro lugar?
- Prefiro que venha aqui na minha casa. Você não é nenhum estranho, Andrew. Alissia vai adorar vê-lo.
- Ok. Chego ai em duas horas. Pode ser?
- Sim. Hoje não irei trabalhar.
- Combinado então.
Andrew desliga o telefone, respira fundo, seu coração acelera, estava a poucas horas de se encontrar com aquela a quem doou o seu amor, isso seria complicado, mas em seu intimo, o jovem sabia que seria o certo a se fazer.
CONTINUA...
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