Por Jair Nepomuceno
PARTE 2
Andrew acordou pela manha devido a alguém batendo incansavelmente à sua porta, entre gritos que ecoavam pela vizinhança e os irritantes murros na estrutura de madeira, ele, porém, ignorou o chamamento, se deteve sobre a cama e a unica reação que teve foi cobrir os olhos com um lençol dobrado.
Finalmente a pessoa desiste e vai embora, mas nãos em antes empurrar um envelope por baixo da porta, o rapaz ainda deitado em sua cama, ouve o som do motor do carro rachando e sumir certamente ao descer a rua. Ele então cria coragem, se levanta e vai ate a cozinha, coloca água para ferver, ao voltar para o quarto percebe o envelope no chão, ao abri-lo ler a notificação que ele teria quinze dias para sair dali, não chegou a surpreendê-lo, a hipoteca estava atrasada havia sete meses, os juros impossíveis de serem pagos.
Já se passavam das dez da manha, quando ele montou em sua bike e se dirigiu pra o Parque Araras, seu destino era a mesma ponte do dia anterior, mas desta vez não estava indo lá com o intuito de dar cabo à sua própria vida, esperançava reencontrar aquele homem, mas no fundo, nem mesmo sabia o porquê.
Encostou a sua bike no parapeito e apoiou s cotovelos no concreto, ficou ali por quase meia hora até que o seu celular tocasse, era Cristine, a sua melhor e mais leal amiga.
- Alô! - Saldou o rapaz.
- Andrew! - Disse a voz rouca do outro lado.
- Sim Cris!
- Onde você está?
- No Parque. Vim aqui Pra desopilar.
- Entendo. Passei agora a pouco na sua casa. O seu vizinho me disse que o viu sair.
- Não tenho mais casa, Cris. - Disse em voz melancólica.
- O que houve?
- Recebi a ordem de despejo. Tenho quinze dias para sair de lá.
- Que chato! O que você vai fazer?
- Farei um bazar, vou vender tudo que puder e alugar um quitinete.
- Se quiser, ode passar um tempo na minha casa.
- Para com isso! Eu agradeço, mas não seria legal. O que George iria pensar?
- George te conhece, E outra coisa, a casa é minha. Enquanto não casarmos, eu não posso dizer que também seja dele.
- Não Cris! O cara é seu noivo. Eu no lugar dele ficaria chateado.
- Chateado Por quê?
- Pensa um pouco.
- Você iria me atacar? Somos amigos, cara.
- Cris, de uma vez por todas. Não! Eu agradeço de coração, mas prefiro fazer do meu jeito.
- O convite está feito, se mudar de ideia sabe onde eu moro.
- Você tem visto a Mellisa? - A voz do outro lado muda.
- Andrew, pelo amor de Deus! Esqueça a Mellissa! Já era. Parte pra outra.
- Ontem um cara conversou comigo, falou sobre ela.
- Que cara?
- Não sei. Não disse o nome.
- O que ele falou para você?
- Que ela não me abandonou, e outras coisas mais. Estou achando que ela mandou esse cara vir falar comigo.
- Não creio. Não é o estilo de Mellissa!
- Então qual explicação?
- Vou dar uma sondada com cuidado, conversar com ela.
- Você faria isso?
- Claro. Preciso desligar agora.
Os dois se despedem e ele fica ali mais uma hora, depois resolve retornar pra casa, mas antes vai ao cemitério deixar flores e limpar a lápide de sua mãe, isso era algo que ele fazia duas vezes por mês, tinha a sua genitora como a pessoa mais importante de sua vida, foi duro pra ele perdê-la, mais duro ainda não poder estar presente nos momentos finais, um câncer a levou, e a partida dela, desestruturou o rapaz de forma avassaladora. A senhora Katharine sempre foi o orto seguro dele, era a pessoa que o controlava, que dava a ele o alivio das palavras certas nas horas certas, sem ser incoerente, isso nesse momento de sua vida estava lhe fazendo muita, mas muita falta.
O telefone toca novamente, era Cristine.
- Andrew!
- Oi Cris!
- Cara. Eu conversei com ela. A mulher está deprimida com toda a situação. Me disse que iria esperar a ''poeira baixar'' para te procurar. Perguntei a ela se alguém, algum amigo, lhe teria dito que falaria com você. Na hora ela negou e ainda disse que essa situação é um exemplo de que ninguém pode tomar a frente senão vocês dois. Que não permitiria que outra pessoa fosse conversar com você a respeito dela. Me perguntou oque estava acontecendo, eu desconversei e disse que era só curiosidade minha.
- Ela está mentindo! É uma dissimulada!
- Andrew! Por favor! Você está sendo infantil. Mellissa Nunca foi dissimulada, e você sabe muito bem disso.
- Cris, não vou discutir com você. Estou aqui diante de Dona Katherine. Nos falamos outra hora.
Cristine sabia o que ele queria dizer, sabia o que ele estava fazendo naquele momento, respeitou de imediato e se despediu dizendo que se precisasse de qualquer coisa, que a procurasse, ele então desligou o telefone e voltou a sua atenção ara o que estava fazendo quando foi novamente surpreendido.
- Vejo que não quis tomar banho de rio hoje! - Era ele, o estranho voltou. ...
CONTINUA...
Nenhum comentário:
Postar um comentário