DE VOLTA OUTRA VEZ
Por Jair Nepomuceno
Parte 7
Andrew acordou cedo, foi ao Parque Araras não para encontrar-se com Zel, afinal, os encontros como ele bem sabia eram imprevisíveis então decidiu não dar vazão a sua ansiedade por tal encontro, se dispôs em viver cada momento e aguardar o próximo passo que a vida lhe apresentaria. O jovem estava ali para se exercitar, correu por quase uma hora, ja se passavam das sete horas quando voltou para casa.
Por volta das dez teve um breve encontro com Cristine, ela se dirigia para uma reunião e ele para o banco, queria resolver umas pendências em sua conta bancária, no percurso a pé eles conversaram.
- Sabia que Mellisa estava lá no mesmo restaurante que a gente?
- Ela estava? - Indagou a amiga. - Onde? nós não a vimos. Você a viu?
- Não.
- E como sabe que ela estava lá? - Cris balança a cabeça negativamente.
- Porque Zel me falou.
- Zel te falou?
- Sim.
-Quando?
- Ontem na igreja.
- Porra Andrew! - Esbravejou a jovem. - Tu tinha prometido que iria me telefonar.
- Eu tentei, eu juro! Mas o celular estava sem sinal. - Ele não quis dizer o detalhe em que o sinal havia voltado assim que Zel lhe informou, dizer isso, iria alimentar ainda mais os pensamentos da amiga que o seu conselheiro estranho não existia, cris nunca foi tão crédula quanto a essa personagem que insistia em visitar seu amigo.
- Ele chegou assim que eu saí?
- Uns dez minutos depois, eu acho.
- Tu devia ter pedido o celular para alguém. Não tinha ninguém la que pudesse te emprestar?
- Tinha o padre. Ele estava ocupado escrevendo umas coisas em uma escrivaninha em um corredor próximo ao banheiro.
- Por que não pediu a ele o celular, ou se havia um telefone fixo no local?
- O que eu iria dizer a ele? Seria Padre, me empresta um telefone urgente pra eu ligar a uma amiga que acha que eu estou tendo alucinações, ela acha que sou louco. Deixa eu ligar para ela vir ate aqui e ver com os seus próprios olhos o fantasma que está conversando comigo?
- Por favor Andrew, sarcasmo nunca foi seu forte.
- Eu acho um tanto complicado tudo isso.
- Eu tive uma ideia. - A garota sorrir, continua. - Você vai convidá-lo para ir a sua casa jantar. você me avisa com antecedência. Ai eu e o George iremos antes e esperaremos vocês dois lá. O que achou?
- Achei que essa tua obsessão em querer saber se Zel existe ou não está começando a ficar ridículo.
- Você devia era me agradecer. Estou tentando te ajudar seu mal-agradecido!
- Desculpe. Vou tentar fazer isso.
- Estou atrasada para a reunião. Qualquer coisa me ligue.
Os dois se despedem, Andrew segue seu caminho, fez uma breve pausa no percurso, parou diante de uma vitrine, lá, estava exposto tacos de golfe e todos os acessórios para a pratica do esporte, ele era fanático por esse tio de jogo, estava ali compenetrado olhando os detalhes dos objetos e os preços quando alguém lhe toca o ombro, ele se vira rapidamente e se depara com um mendigo mau-cheiroso, cabelos duros, dentes cariados, usava um sobre tudo rasgado e um boné surrado.
- O que você quer? - Perguntou Andrew ainda assustado.
- O senhor teria uns trocados para me dar. Tenho fome!
O jovem rapaz mete a mão nos bolsos e entrega a ele várias moedas, tantas que daria para ele fazer um lanche.
- Valeu! - Disse o mendigo. - Tome. - Deu a Andrew uma correntinha quebrada, provavelmente do tipo banhada a ouro.
- O que é isso?
- Um presente por ter me dado dinheiro.
- Não, não precisa. Fique com ele e tente vender, sei lá. De repente você consegue mais alguns trocados.
- Não quer o meu presente, moço?
- Não é isso é que não dei dinheiro a você a troco de algo, se eu aceitar o seu presente, então não terei realmente ajudado você, entendeu? Agradeço imensamente, mas não precisa. Fique com ele.
O mendigo sorriu mostrando aquela arcada dentária sofrível, em seguida disse ao jovem.
- Você é um bom homem, Andrew!
O rapaz toma um susto, o estranho sabia o seu nome.
- Como sabe o meu nome?
- Sua corrente esta quebrada como essa que eu tentei te presentear, Mellisa está definitivamente doando a corrente inteira a outro que a faz sentir-se segura.
- Quem é você?
- Siga em frente, outra corrente firme e de ouro maciço o espera no fim do arco-iris!
Nesse momento passam vários estudantes entre os dois, em duas filas indianas, ele grita em vão chamando o estranho, mas quando o grupo de estudantes enfim passam com o professor atrás, ele percebe que o mendigo não estava mais lá, ao olhar para o chão encontra a correntinha quebrada que o estranho o havia presenteado, ele se baixa e pega a corrente, olha para todos os lados, seus olhos lacrimejam, ele se lembrou de Zel e associou aquele bizarro encontro ao que o outro estranho amigo lhe dissera no dia anterior. Melissa agora estava mais distante e inatingível...
CONTINUA...
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