Hanna Fisio

domingo, 17 de maio de 2015

SERENITY

PARTE 3 - APRESENTAÇÕES
Por Jair Nepomuceno

   Conhecer pessoas muitas vezes se torna um fardo, isso depende do momento e do lugar, mas também depende daquilo que possa nos interessar, tai um bom exemplo para a expressão " faca de dois gumes."...

    Deryl não era do tipo popular, e parecia que não fazia lá muita questão disso, de língua afiada e em vários momentos fazendo um mau uso dela, causava irritação na maioria dos outros funcionários, sua permanência ali era garantido por um contrato, e não só por força do contrato ainda tinha o emprego, ele era um bom profissional. Nesse dia a sua missão era apresentar as instalações e funcionários ao novato Morgan Vinne, um psicólogo promissor com sonhos e uma garra para atingir seus ideais, seria esse, o substituto de Deryl, que estava de saída, em dez dias deixaria Serenity e se empregaria em uma clinica de recuperação para viciados em Seatle, mas entre sua despedida e o recomeço em outra lugar, haviam dez dias a serem cumpridos ainda no Hospital Saint Sofhie.
   Vinne era um rapaz inteligente, educado e muito focado em tudo que se propunha a fazer, foi sempre alvo de elogios na época de escola e de faculdade, seus olhos verdes, rosto bonito e cabelos castanhos chamavam atenção das mulheres, mas todos esses atributos não superavam uma de suas maiores virtudes, a humildade, agora estava ali naquele lugar, Serenity já havia começado a lhe proporcionar surpresas e experiência em seu primeiro dia.
- Presta atenção Vinne. - Disse Daryl. - Algumas coisas aqui vão te confundir, existem pessoas sociáveis e outras nem tanto.
- E você se enquadra em qual grupo? - Indagou Morgan.
- Isso é irrelevante, estou de saída, para você, melhor prestar atenção nos outros, são eles seus futuros colegas de trabalho.
- Quantos internos temos aqui?
- Ciquenta e oito internos, sendo quarenta e sete permanentes e onze em busca de tratamento rápido. Desses quarenta e sete permanentes, a maioria foram jogados aqui pela família ou pelo governo. Tem gente aqui que recebe visitas de familiares, outros foram abandonados.
- O que foi assassinado recebia visitas?
- Não. Estava aqui havia dois anos, o governo o sentenciou a um tratamento por no minimo cinco anos.
- Fico aqui me perguntando, o que motivaria um assassinato tão cruel a um doente?
- É meu amigo. Nós que somos psicólogos não temos a resposta para isso, imagina então um leigo?
- Ele era do tipo violento?
- Não. Ele era do tipo que sofria de esquizofrenia e também as vezes de depressão. Havia também momentos de lucidez, ele estava sofrendo muito, com medo de algo, os psiquiatras acharam que se tratava de distúrbio de ansiedade generalizado.
- Pode ser.
- Não, não no caso dele.
- Por que não?
- Cara, vamos mudar de assunto. Me segue vou te apresentar alguns internos que você manterá contato todos os dias.
Os dois psicólogos andaram por um corredor espaçoso, aliás, tão espaçoso quanto a maioria dos corredores do hospital, foram para o jardim e lá Daryl apresentou a primeira interna ao novato.
- Essa é a minha paciente favorita. - Ela estava sentada no banco conversando com as rosas brancas. - Serenna? - Chamou-a Daryl. - Deixe-me apresenta-la um novo amigo. Esse é Vinne.
- Prazer senhora! - Estendeu-lhe a mão Morgan.
- O prazer é todo meu, meu jovem! Como você é bonito!
- Obrigado!
- Tão bonito e educado! OLhe, não fique na fonte, Leonard morre de ciúmes dela, só aceita o "Rolha" tocar nela, porque o "Rolha" cuida muito bem do jardim. 
- Vou em lembrar disso! - falou Vinne.
- Serenna, as rosas amarelas estão tristes! Vá conversar com elas.
- Vou mesmo. - A mulher se vira e começa a dialogar com as rosas enquanto os dois rapazes continuam suas passadas pelo jardim, que naquela hora estava repleto de internos e alguns enfermeiros.
- Quem é Leonard?
- É o amigo imaginário dela. - Respondeu Daryl, - Rolha é na verdade Kevim, o jardineiro. Aliás, existem dois Kelvim aqui, o outro é um enfermeiro, um lixo, ex-pugilista. Olhe, aquele lá. - Apontou o dedo para um sujeito negro, forte e alto que estava levando uma senhora em uma cadeira de rodas para outro ponto do jardim.
- Por que ele é um lixo?
- Porque ele é amargo, um idiota. Nunca sorrir, nem sei como o Doutor Antony o mantém aqui. Odeio esse cara!
- Nós, os psicólogos devemos ter a tolerância e a serenidade como nossas principais armas. 
- OLhe só!  A Madre Tereza de Calcutá está aqui! - Ironia era uma das especialidades de Daryl. - Vá se ferrar novato! To me lixando pros teus conselhos e também to me lixando para o porco do Kevim. por mim ele pode se foder muito!
- Por que esse ódio todo por ele?
- Não é da sua conta!
- Ok, desculpe-me!
- Venha. esse aqui é o mais velho interno de Serenity! - Daryl apresenta mais um, um homem gordo que pintava um quadro, não deu a minima para os dois ao seu lado - Matt Trauser. Esta aqui desde a inauguração de Serenity, ou seja, onze anos!
- Outro esquizofrênico?
- Ele é um caso a parte. Sofre de distúrbio neurológico que compromete sua interação social, verbal e não-verbal.
- Ele é autista?
- Muito bom! - Disse sorrindo Daryl. - Vejo que não faltou a nenhuma aula!
- Aqui se cuida de autistas?
- Ele tem um caso raro de transtornos! 
- O que ele está fazendo?
- Pintando! Pinta quadros como ninguém. Dê a ele uma tela e um pincel e terá paz!
Vinne vira o corpo para visualizar o que Matt estava pintando, se impressionou com o que viu, com a riqueza de detalhes que ele pintava a fonte, não havia acabado, faltava uma parte.
- Ele é muito bom!
- Sim! No segundo andar tem uma sala com muitos quadros que ele pintou, depois te mostro.
- Ei cadê a pipa? - Um interno careca e com um cachecol colorido em volta do pescoço, embora estivesse fazendo calor, chega subitamente, Vinne toma um susto.
- Esse é Ronald Prist. Tem obsessão por pipas! É inofensivo.
- Tenho pipas! Meu pai me deu. A pipa amarela vai alto!
- Ok Ronald, muito bonita a sua pipa! Vá tomar suco com a Sally!
- Sally é outro amigo imaginário?
- Não, antes fosse. É uma enfermeira vadia, da pior qualidade que trabalha aqui! Sua reputação é podre, tão pode quanto ela.
Vinne estava incomodado com os adjetivos que Daryl usava com as pessoas, também a forma amargurada contido em suas falas.
- Existe alguém que você goste aqui em Serenity? - Indagou Morgan.
- Os internos e o outro psicólogo, Michael Sales.
Os dois continuaram juntos, Daryl mostrou-lhe outros internos, contou a história de alguns, falou-lhe das obrigações, prometeu no dia seguinte mostrar as instalações do hospital, já que o "tour'' havia sido interrompido por Michael que trazia um recado do Doutor Antony.
- Amigos, o diretor pediu para todos os funcionários se dirigirem ao auditório em vinte minutos!
- Esse é Michael Sales! - Disse Daryl.
- Muito prazer! - Falou Vinne apertando a mão do mensageiro.
- Você é o novo psicólogo, certo? - Indagou Sales.
- Sim. - Respondeu Vinne. Você é natural de onde?
- Daqui mesmo! - Respondeu Michael. - Sou filho de mexicanos!
- Ta explicado a aparência estrangeira. - Sorriu o novato.
- Todo mundo pensa que sou mexicano!
- Eis aqui o único a quem considero amigo nesse lugar. - Disse Daryl tocando o ombro de Sales.
- Devemos ir logo para o auditório? - Perguntou Vinne.
- Sim, vamos logo né? - Respondeu Michael.
Os três foram então juntos para o auditório, enquanto os enfermeiros se apressavam-se em retirar os internos do jardim e encaminha-los para os seus aposentos.


CONTINUA...

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