Hanna Fisio

quarta-feira, 13 de maio de 2015

SERENITY

PARTE 2 - E ASSIM COMEÇA
Por Jair Nepomuceno

   Quando  se inicia uma jornada e sobre a qual não há conhecimento, surpresas podem ocorrer, boas ou ruins, contornáveis ou irremediáveis, marcantes ou superficiais, não importa o inicio ou o desfecho, o que realmente importa é como tudo isso poderá te transformar...

   Vinne chegou em um momento complicado, mas agora não poderia recuar, era realmente algo inusitado em sua vida, por um segundo ele pensou " O que eu estou fazendo aqui?" mas o trabalho que havia escolhido lhe empurrava em direção a Serenity, quem sabe ali fosse a "cereja do bolo" para prepara-lo de verdade a seguir seus passos futuros, a ajuda-lo a fortalecer o seu sonho de construir uma clinica perto de seus pais, em Washington.
- Então você é o novo funcionário aqui heim? - Indagou-lhe Malcon o sisudo policial.
- Sim senhor.
- Veio de onde, filho? - Voltou a perguntar o homem da lei.
- Princeton, New Jersey!
- Veio de muito longe! - Antony disse sorrindo.
- Sim. - O jovem continua. - Mas então houve um assassinato aqui?
- Sim, na madrugada. Seu nome era Poll Austin, um interno.
- Meu Deus! - Admirou-se Vinne.
- Isso é incomum por aqui. - Disse o diretor do hospital.
- Posso ter um minuto em particular com ele, Doutor Antony? - Indagou o policial.
- Sim, claro. - Respondeu prontamente o Diretor já saindo da sala acompanhado pelo outro policial que estava com  Malcon.
   Ficaram na sala Vinne e Malcon Reedus, o policial então começa a sua fala.
- Olhe meu jovem, o que aconteceu aqui foi um crime assustador. Uma pessoa teve os olhos e a língua, além das duas orelhas cortadas, arrancadas fora por um objeto cortante, provavelmente uma faca.
- Meu Deus!
- Já vi coisas muito sinistras, mas isso foi algo inédito para mim! O fato de eu ter pedido para falar com você a sós é porque de todos que aqui estão, você é o único que não se enquadra como suspeito, por razões bem óbvias.
- Então o senhor acha que um dos funcionários é o assassino?
- É bem cedo para dizer isso. Olhe a sua volta, meu rapaz. Aqui se lida com pessoas anormais.
Morgan não gostou da maneira em que o policial se referiu aos internados daquele lugar, o jovem era manso por natureza, odiava injustiças, sua forma de pensar e agir o levava sempre a condição de querer ajudar as pessoas, trabalhar ali não mudaria sua personalidade, pelo menos isso era o que ele estava pensando.
- Defina anormais, senhor policial! 
- Quer que eu seja direto? Sutileza nunca foi o meu forte, vou logo te adiantando.
- Sutileza é?
- O que eu quero dizer é que qualquer um que esteve aqui nesse lugar de ontem para hoje, seja funcionário ou maluco, se torna automaticamente um suspeito.
- Maluco é um adjetivo que eu não costumo usar. - Disse Vinne.
- To pouco me fodendo para a forma como você adjetiva esses malucos, isso pouco importa para mim. Então assim sendo, quero só pedir a sua colaboração para que possamos retirar daqui esse assassino psicótico.
Vinne se surpreende com a forma grosseira que Malcon havia usado, pensou em retrucar, mas desistiu da ideia, achou melhor recuar.
- Como seria a minha colaboração?
- Você vai me contar tudo que ver e ouvir que julgar estranho. São nos detalhes que chegamos ao fim de várias coisas, digo isso por conhecimento de causa. Já vivenciei muita coisa, já fiz inúmeras investigações cujo o desfecho foi possível por detalhes que haviam fugido no inicio do trabalho.
- Entendo. Pode contar comigo.
- Obrigado garoto. - Sorriu o policial, em seguida retirou um cartão do bolso do paletó marrom, surrado e fora de moda, entregou-o a Vinne. - Me telefone de achar algo que possa ajudar. Se precisar de mim, faça bom uso desse cartão, terei prazer em ajuda-lo. Preciso ir agora.
- Pode deixar. - O jovem pega o cartão e  guarda em sua carteira, o policial se despede e sai da sala do diretor, Antony entra em seguida sem demora.
- E então? Pronto para trabalhar?
- Acho que sim.
- Esqueça por um momento esse clima pesado, pode deixar a sua bagagem aqui em minha sala. Peço que me acompanhe.
Vinne obedece o Diretor, o segue sem nada falar, durante a caminhada o gestor ia falando com outros funcionários, fazendo pequenas orientações, o hospital era gigantesco, composto por seis andares, um imenso jardim, a recepção ficava em um grande saguão, na entrada um estacionamento generoso, muita sombra tanto no jardim quanto na frente devido a árvores frondosas. 
O acesso aos andares era feito por escadas largas ou por dois elevadores também bem largos, havia um andar inferior que não está contido nos seis já mencionados, esse era subterrâneo e os elevadores não disponibilizava acesso. Havia também duas piscinas, uma larga e outra pequena, um chafariz tendo como ornamento um querubim desnudo que cuspia água e algumas roseiras, umas vermelhas, outras brancas, hortênsias e margaridas completavam a beleza perto da fonte.
Antony chega a um tipo de vestiário, grita o nome de alguém.
- Daryl! Daryl!
- Já estou indo! - Responde um homem que vem ao encontro dos dois enquanto abotoava seu uniforme azul claro.
- Esse é Morgan Vinne! - Os dois se cumprimentam apertando as mãos. - Quero que mostre as instalações a ele.
- Ok. - Disse o jovem de barba e baixinho.
- Mostre tudo a ele, com algumas exceções.
- Eu sei.
- Já já a polícia vai sair e vamos tentar voltar a rotina normal.
- Rotina normal só se for em um hospicio!
- Poupe-me de suas ironias, Deryl, faça apenas o que estou mandando e limite-se a isso.
- Ok chefe! - Disse o barbudo com as mãos espalmadas.
- Preciso ir. Tenho que cuidar das coisas. Do velório e desses policiais. NO fim do dia a gente volta a conversar. Deryl vai te mostrar o hospital, te apresentar as pessoas providenciar seu armário, e tudo o mais, tudo bem?
- Entendido. - Resondeu Vinne.
Antony sai do local deixando Morgan com o novo anfitrião, se podia sentir um clima pesado ali, mas o recém-chegado não fez qualquer comentário, acompanhou Deryl sem exitar.
- Então você é o meu substituto heim?
- Seu substituto?
- Sim. O Doutor Antony não falou?
- Não!
- Então fique sabendo.
- Por que está saindo?
- Por que sim!
- Certo.
- Não fico mais aqui! Estou indo Para Seatle. Irei trabalhar em uma clinica de recuperação lá.
- Que bom!
- Sim. Mas infelizmente, por força do contrato, tenho que ficar nessa pocilga por mais dez dias!
Vinne estranhou a frieza e aquelas palavras deu a entender que aquele homem estava amargurado, mesmo curioso para saber a razão de tanta raiva do hospital, não ousou perguntar, deixou as coisas fluírem naturalmente, confiou em seus instintos, imaginou que Daryl era um falastrão e que isso o faria revelar muitas coisas sobre Serenety.
- Entendo.
- Aqui é o nosso dormitório, quente como o inferno! Se não tiver ventilador, acho melhor providenciar um!
- Eu não trouxe!
- Então vai suar feito um porco! Ou isso, ou durma na varanda do segundo andar, lá tem dois quartos que não são ocupados, mas não deixe que o puxa-saco do Rogger veja, senão ele te entrega pra o Diretor.
- Certo, me lembrarei do conselho.
- De onde você vem, cara?
- Princeton!
- Porra! Longe! Devia ter ficado por lá. Isso aqui é o fim do mundo!
- Tenho um tio que mora aqui, vim a convite dele.
- Azar o teu, irmão. 
- Você trabalha aqui ha quanto tempo?
- Oito meses, mas acredite, parece oitenta anos!
- Serio? Muito trabalho com os internos não é?
- Com os internos você disse? É, pode ser!
- O que faleceu hoje, você o conhecia bem?
- Poll era esquizofrênico em auto grau! Mas tinha lucidez em muitos momentos, mais do que os psiquiatras podiam perceber.  A Morte dele foi cruel, mas ele havia previsto isso, ninguém deu atenção.
- Previsto? Serio? Como?
- Você faz perguntas demais, carinha!
- Me desculpe!
- Você já trabalhou em um lugar como este antes?
- Não. Sou recém-formado, mas já estagiei em um hospital, não deste tamanho, na verdade era uma casa de recuperação.
- E lá haviam loucos normais né?
Vinne não entende o que ele quis dizer.
- O que seriam loucos normais?
- Cedo ou tarde você irá entender. Venha, irei te mostrar  algumas "personalidades" deste lugar, não fale com eles, me siga de perto, depois irei te apresentar os funcionários...

CONTINUA...




Nenhum comentário:

Postar um comentário