Hanna Fisio

terça-feira, 4 de abril de 2017

ENTRE O DESTINO E O AMOR
PARTE 3 - DE VOLTA A QUEDA LIVRE


    Três dias se passaram desde que Evans retornou do coma e começou a reabilitação, visivelmente magro e ainda abatido não só por sua condição física, mas por todo o lado sentimental que provavelmente pesava muito sobre ele. Mesmo com todos os problemas que estava enfrentando resolveu ir fundo na recuperação, e tentar voltar ao que chamava de próximo do normal. No fundo queria ter uma chance de ir atrás do seu amor, não revelava a sua irmã, mãe e nem ao seu melhor amigo, ele sabia que não teria a conivência deles.
      Doutor Herris autorizou que Evans retornasse para Bonnick, mas prescreveu ainda algumas sessões de fisioterapia, acompanhamento psicológico e um medicamento, indicou também que ele fizesse natação, logo estaria em plena forma, a dedicação seria sua melhor arma.
         O rapaz não retornou a Bonnick imediatamente, ainda teve que esperar dois dias até que a sua família resolvesse o problema da mudança, chegar em sua cidade era o que ele mais desejava.
- Não vejo a hora de chegarmos em Bonnick! - Disse ele.
- Eu entrei em contato com a sua empresa, eles disseram que irão esperar o tempo que for necessário. - Falou Adrianny enquanto fechava a ultima mala. - Na verdade eles te deram mais vinte dias para melhor se recuperar antes de conversarem com você.
- Eu ainda estou empregado! Isso é um milagre!
- Isso é reflexo do seu empenho na empresa. Milagre não tem nada a ver com isso!
        A emoção tomou conta de Evans quando entrou em sua cidade, chorou muito, principalmente quando passou em frente do local que habitava a sua ultima lembrança, o Buffer New Dreams. Chegou em frente a sua casa, Além de Fredie, alguns amigos e familiares lhe aguardavam, foi uma recepção calorosa e emocionante, embora tenha se sentido feliz com a surpresa, pediu desculpas a todos por não ficar mais tempo juntos deles, despediu-se vinte minutos depois da chegada e foi para o seu quarto.
        Ainda havia muita coisa de sua vida com Kate, para ele o tempo não havia passado, ver aquelas fotos pregadas com tachinhas no quadro de cortiça e parte de coisas que seriam usados em seu casamento o maltratava, pior mesmo era pensar que ela agora estava noiva com outro, esmurrou a mesa, chorou copiosamente, aquela a quem amava estava sendo beijada por outro, e a ele restara apenas o doloroso caminho que o destino o reservara.
       Segurou uma foto poster de Kate sobre o peito, beijou-a algumas vezes, entre lágrimas e pensamentos acabou adormecendo.
       O dia seguinte foi para ele como um campo vazio, depois que tomou banho, desceu lentamente as escadas, era um dia de Sexta-Feira, sua mãe e irmã o aguardavam na copa, o café da manhã estava servido, variedades de frutas, queijo, leite, mel, torradas e ovos. ele não quis comer nada, permaneceu em silêncio enquanto tomava uma caneca com leite, se limitava a responder perguntas apenas acenando coma  cabeça, a sua mãe o beijou na testa e o abraçou cuidadosamente.
- Meu menino! Você é tão especial! Sei que Deus guarda algo grandioso para você! Ele sabe, conhece as pessoas boas por seus corações!
       Linda Dowson era o tipo de mãe protetora, ninguém poderia mensurar o seu sofrimento enquanto seu filho estava em coma, vê-lo em casa era uma dádiva de Deus, a viuvez não a fez sofrer tanto quanto ver Evans na situação que estava, o seu marido morreu de Câncer, era um fumante inveterado, quando descobriu a doença no pulmão já não havia muito o que fazer, talvez por isso, a espera pelo dia iminente  a preparou para encarar o pior.
      Adrianny acompanhou seu irmão até o hospital, ele foi fazer a fisioterapia e depois conversar com a Doutora Adrelice, a psicóloga indicada pelo Doutor Herris, voltaram para casa, Linda Dowson já havia saído para o seu trabalho voluntário, a mãe do rapaz se dedicava a cuidar de animais doentes e abandonados, ela havia estudado veterinária, mas nunca concluiu a faculdade, ir até o abrigo ajudar a cuidar dessas criaturas ajudava a acalentar o seu coração.
      Evans estava em seu quarto deitado quando a campainha tocou, Adrianny atendeu à porta, do quarto ele pôde ouvir a voz masculina, não identificou quem era, imaginou que fosse Fredie ou algum amigo, quando sua irmã entra em seu quarto anuncia:
- Você tem visitas! Acho melhor descer!
      Sem entender o motivo da expressão séria de Adrianny ele obedeceu rapidamente, antes mesmo de chegar ao fim da escada sentiu um calafrio percorrendo o seu corpo, era o seu ex-sogro e cunhado, apressou-se a descer e o cumprimentou.
- Senhor George! Greg!
- Como vai, rapaz? - Perguntou o pai de kate.
- Bem! - A sua voz tremeu. - Por favor, sentem-se!
- Não precisa! - Disse George. - Não iremos tomar muito o seu tempo. O que viemos conversar será breve.
       Evans se mantém então de pé, Adrianny fica ao seu lado.
- Em que posso ser útil?
- Irei direto ao assunto! - Disse o ex-sogro. - Você acordou do seu coma e eu fico feliz que tenha escapado. A essa altura acredito que já te contaram que Catherine está de casamento marcado com outra pessoa!
- Me falaram algo a respeito! - Respondeu Evans.
- Isso é ótimo! Então eu nem preciso insistir na tese de que você precisa cuidar da sua vida, buscar outra companheira. Catherine está comprometida e casará em menos de um mês.
       Evans sente um calor percorrer seu corpo, estava com raiva, e por mais que respeitasse George, mesmo sabendo que ele nunca foi cem porcento a favor do seu casamento com Kate, resolveu então confrontar.
- Ela sabe sobre mim? Será que ela pôde pensar a respeito da vida dela da forma como deveria ser?
- E como deveria ser, hã? - Indagou George.
- Eu preciso mesmo dizer?
- Não vim aqui filosofar sobre coisa alguma. Vim aqui como um pai que se preocupa com o bem estar de seus filhos. Portanto, não me importo nem um pouco como você acha que poderia ser ou não ser. Quero que respeite a atual situação em que Catherine vive. O rapaz com quem irá se casar é de boa índole, boa familia e ela o ama.
- Quer dizer que Evans não tem boa índole e nem boa familia? - Perguntou Adrianny, enquanto Greg permanecia em silêncio com uma expressão de sorriso sínico.
- Quem é você? - Indagou George. - O que te faz pensar que eu devo responder qualquer coisa a você?
- Sou a irmã dele!
- E daí?
- E daí que eu...
- Faça- me um favor! - DIsse George interpelando Adrianny. - Não se meta nisso! - Virou-se novamente para Evans e continuou. - Você me entendeu? Fique longe da Catherine. Não a procure. Ela nem sabe que você existe e o melhor é que continue desta forma. Não tenho mas nada a dizer, acho que o recado foi bem dado.
       George sai da casa de Evans levando consigo o filho sem nem mesmo se despedir, deixando para trás um rapaz completamente arrasado e derrotado.


CONTINUA...

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