ENTRE O DESTINO E O AMOR
PARTE 7 - EM BUSCA DA CAUSA
Quando o coração despedaça o normal é tentar encontrar a razão, buscar o erro do percurso, identificar a raiz do problema, e isso era exatamente o que Evans estava tentando fazer, mas nem ele sabia se isto seria realmente o certo a cumprir, mas o seu coração chorava e a dor não era simplesmente as circunstância do momento.
O homem abriu a porta e no silêncio do visitante, teve ele, a atitude de dialogar.
- Quem é você e o que quer aqui?
- Sou assistente social! - Mentiu Evans.
- Onde está Josefine?
- Eu fui designado pela tribunal para vir entrevistar você!
- Sei. - Disse o homem barrigudo desconfiado. - E porque a Josefine não veio? Não é ela que me acompanha desde a condicional?
- Só sei que fui designado pelo tribunal, Josefine não tem só você para acompanhar.
- Faz um bom tempo que não recebo visita de ninguém do programa de assistência social!
- Agora está recebendo! - Evans ajeitou os óculos sem grau que usava, além disso ainda havia uma barba postiça. - Podemos conversar?
O homem abriu a porta de vez, mesmo que a contragosto, permitiu que o visitante entrasse e o seguisse até os fundos da casa desarrumada.
- Não preste atenção na bagunça, ando indisposto ultimamente!
- Não se preocupe com isso! - respondeu Evans enquanto observava uma casa mal cheirosa, pilha de pratos por lavar sobre a mesa da sala, muita sujeira acumulada, o próprio Tony não cheirava bem.
- Podemos conversar aqui nos fundos nessa varanda. - Falou o homem. - É mais fresco!
Na varanda havia uma mesa surrada de madeira, três bancos também do mesmo material, o quintal não era muito diferente do resto da casa, vários entulhos espalhados pelo jardim, parecia até que se tratava de um ferro velho, havia um pouco de muita coisa, todas sucateadas.
- O senhor está morando sozinho?
- Que tipo de pergunta é essa, moço? - O homem se irrita. - Quanto tempo que estou nessa situação e você vem me perguntar isso?
- Eu não tive acesso aos relatórios de Josefine!
Tony sorriu, pegou uma garrafa de vodca que estava pela metade que se encontrava debaixo da mesa, deu uma golada e após fazer cara feia, virou-se para Evans e disse.
- Você não teve acesso aos relatórios de Josefine porque não é assistente social! Percebi logo na primeira frase. Sou meio idiota, mas nem tanto. Então, a menos que queira que eu te chute o teu traseiro daqui é melhor me dizer logo quem você é de fato.
Evans foi pego de surpresa, não queria que Simon soubesse quem ele era, afinal estava ali com um objetivo, não queria sair de lá com as mãos abanando, foi rápido em inventar uma desculpa que o tirasse do foco.
- Ok. Você está certo! Não sou assistente social, sou um jornalista que escreve para uma revista de tema policial. Já entrevistei várias pessoas. Já era para eu ter vindo falar com você ha muito tempo, mas devido as viagens não houve oportunidade.
- Logo vi que era um abutre. Pensei que eu tivesse me livrado de gente de sua laia, porque foi duro ter que encarar vocês ha três anos. Odeio gente como você, rapaz!
- Não vim aqui para te julgar nem fazer sensacionalismo!
- Não é sensacionalismo? Então me diga o que é!
- Eu posso mudar o nome real se isso ameniza a situação!
Tony Simon não havia digerido a fala do visitante, mas ficou curioso.
- Mudar o meu nome? - Sorriu e deu outro gole na vodca. - To achando que você nem jornalista é, cara! Mas vamos ver onde esse jogo vai dar. O que você quer realmente saber?
Evans mais uma vez foi surpreendido, tentou manter a postura.
- O que me interessa de verdade é saber das circunstancias que te levaram a causar o acidente daquela noite!
- Por quê?
- Porque eu vi que muita gente sofreu com aquilo. Uma pessoa morreu, e me sinto na obrigação de uma promessa feita a um amigo, que um dia viria aqui para falar com você a respeito do evento.
- Você é parente da moça que morreu?
- Sou amigo da família dela!
- A família dela foi embora de Bonnick, assim que o juiz me condenou! Por que remoer isso agora?
- Porque só agora tive coragem de vir aqui!
- Não sei se quero falar com você a respeito do que aconteceu! Eu paguei pelo meu erro, não tive direito de me arrepender de algo, até isso foi tirado de mim! Mas eu não culpo ninguém por meu sofrimento, acredito que tudo que acontece em nossas vidas se resume a escolhas e atitudes!
- Você havia bebido naquela noite! A punição foi então na sua opinião justa?
- Você acha que foi?
- Não. Não acho! - Tony ficou boquiaberto, mas logo deu outro gole na vodca e em silêncio esperou para escutar o completo do que o rapaz começara a dizer. - Sabe porque eu não acho? Porque você não matou uma pessoa, o crime não se resume a isso. Você destruiu a vida de outras duas, uma dessas talvez a morte fosse até melhor. Você sabe do pós acidente, o que aconteceu na vida dessas pessoas que sobreviveram? Tem noção do tamanho do estrago que a sua irresponsabilidade causou?
Tony se levanta rapidamente de forma ameaçadora, Evans esperou a agressão em seguida, mas para a sua surpresa, o anfitrião arremessou a garrafa contra o muro, depois bateu na mesa de madeira com os dois punhos fechados, o impacto foi tão forte que por um momento parecia que a mesa se partiria em duas. Simon baixou a cabeça por algusn segundos, quando levantou e ficou ereto, Evans pôde notar seus olhos marejados.
- Você tem razão em tudo, garoto! Aquela noite foi a pior da minha vida, fui abandonado por minha esposa, ela sumiu no mundo levando consigo a coisa que eu mais amava, a minha filha! De lá para cá nunca mais soube notícias das duas, não sei se estão vivas ou mortas! Tive que responder pelo acidente, tudo aconteceu tão inesperadamente que não houve tempo para buscar noticias dela. Quando cheguei em casa, ela não estava mais. Eu sabia que era o fim, bebi muito aquele dia. Ai recebi uma ligação dizendo que Judith estava na estação juntamente com Mariah, eu fiquei cego, peguei o caminhão e fui o mais rápido que podia, quando cheguei na curva perdi o controle e avancei a outra faixa, o carro com sua amiga vinha na minha direção, tentei desviar, mas a velocidade e o álcool não me deram o reflexo suficiente. - Tony deixa algumas lágrimas escorrerem por sua face. - Naquele dia eu morri por dentro, o velho Tony Simon não existe desde então, o que restou dele foi essa figura patética e fracassada que você está vendo agora! Sou tão fracassado que nem suicídio eu consegui cometer, por três vezes tentei e por três vezes falhei! Duas por desistência, pura covardia que segurou o meu dedo no gatilho da minha Tauros, a terceira vez por não tomar remédio suficiente para que uma overdose me matasse. - O homem fez uma pausa, depois continuou. - Você me perguntou se eu tinha a noção do que a minha irresponsabilidade havia causado! Sim, eu tenho, tive que conviver com essa culpa por três anos! Até hoje não consegui exorcizar meus demônios! Eu só queria voltar aquele dia, fazer tudo diferente, poder abraçar e beijar a minha pequena Mariah, mas a minha maior vontade seria pedir perdão para a família da sua amiga, para a família da menina que sobreviveu e perdeu a memória e para o rapaz que até hoje está em coma, e talvez nunca retorne. Sim, eu faria isso de coração, sem esperar o perdão por parte deles, eu entenderia o desprezo que eles me dessem, porque até o desprezo deles é melhor que sobreviver da forma que tenho vivido.
Evans se levanta, retira os óculos e a barba postiça, em seguida toca o ombro de Tony, uma lágrima escorre pelo seu rosto.
- Eu te perdoo!
Simon olha nos olhos de Evans e o reconhece, a unica coisa que conseguiu dizer antes de cair em choro profundo foi:
- Oh meu Deus!
Evans o abraça, aquilo era a redenção para aquele homem torturado por um passado e sem perspectiva para o futuro, pelo menos não até aquele momento.
- Eu estou vivo e bem! Vim aqui para confrontar você e acabei descobrindo que só hoje, consegui retornar do coma completamente! Você é um bom sujeito, Tony! Desejo que você possa descobri um meio de reencontrar a sua filhinha.
Evans se levanta deixando Tony chorando cabisbaixo, mas aquele choro era de alívio, enquanto chorava copiosamente Simon murmurava baixinho. - Obrigado, Deus! Obrigado! - O visitante vai embora, mas sem antes deixar sobre a mesa trezentos dólares e um bilhete com o numero de seu telefone, no bilhete havia escrito também " Obrigado por me dar um choque de humanismo, no fim, a busca da causa acabou sendo uma busca interna, Deus te abençoe".
Equanto Evans e Tony Simon exorcizavam seus demônios internos, uma pessoa aguardava ansiosamente do lado de fora do hotel Gold Place, a saída de Philip Menson, ele estava ali se despedindo de dois fornecedores, quando se dirigiu até o seu veículo acompanhando por um segurança do Hotel, a pessoa se aproximou.
- Philip! - Disse.
- Pois não! - Respondeu prontamente o rapaz enquanto abria a porta do carro.
- Você teria um minuto?
Ele imaginou que fosse algum funcionário, com educação falou.
- Sinto muito! Estou um pouco apressado! Por favor, marque um horário com a minha secretária, basta telefonar.
- Meu nome é Adrianny Dowson, sou irmã de Evans Dowson, o ex-noivo de Catherine!
CONTINUA...
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