ENTRE O DESTINO E O AMOR
PARTE 2 - VASO QUEBRADO
Juntar os cacos é tarefa difícil, juntar os cacos é tarefa árdua em diversas ocasiões, quando se quebra aquilo que se cuida, soma também um sentimento de impotência, e era justamente como Evans se sentia ao despertar de um coma, que o fez perder não somente três anos e quatro meses da vida, mas coisas quase tão valiosas quanto.
- Ela noivou quase dois anos depois do acidente. - Continuou a falar Adrianny. - Ela passou por coisas ruins, irmão.
Evans chorava copiosamente, aquilo era um pesadelo, fechou os olhos em vários momentos na esperança infantil que quando abrisse, tudo não passasse de um sonho.
- Escute amigo. - Desta vez Fredie quem falou. - Nesse momento o mais importante é o seu retorno, é nisso que devemos focar. Você precisa ficar totalmente recuperado e voltar a vida normal.
- Ela não se lembra de mim?
- Não só de você. - Respondeu Adrianny. - Ela não se lembra de nada que aconteceu em sua vida depois dos 13 anos, e antes que você pergunte, infelizmente é irreversível. Os pais dela tentaram de tudo, foram inclusive para a Europa na esperança de um tratamento que prometia ser de vanguarda para esse caso, mas tudo que conseguiram ter, foi a certeza de que o caso dela não há reversão, eu sinto muito!
- Ela nunca me visitou? O senhor e a Senhora Moore nunca veio me ver?
- O senhor George veio junto com aquele insuportável do Greg, a senhora Elizabeth foi te ver somente na noite e no dia seguinte após o acidente quando você ainda estava no Hospital Einstein lá em nossa cidade. Desde que veio para Pittsburgh somente essa vez que recebeu visita da parte de lá. - Relatou Adrianny.
- Não estou entendendo!
- Ele disse que a filha dele iria tocar a vida e que a cidade iria esquecer do acidente. Proibiu de falarem sobre o caso, ela teve aulas particulares desde então, tudo isso para evitar comentários. Segundo ele disse, o médico britânico que cuidou dela em Londres orientou a não tocarem no assunto, já que isso só a iria deixar confusa, já que ela não se lembra de nada.
- Então ela nunca soube nada ao meu respeito?
Adrianny balança a cabeça de forma negativa, enquanto Fredie lhe tocava o ombro.
- Eu sempre achei o pai da Kate um escroto! - Disse o amigo que tentava lhe conformar.- E aquele irmão dela não é diferente. É o tipo de sujeito asqueroso em alto grau! Um babaca!
Adrianny repreende o amigo.
- Fredie, isso não vai ajudar em nada! Evite esses comentários, por favor!
- Eu só falei a verdade!
- Alguém precisa avisar a nossa mãe que eu acordei! - Nesse momento, embora ainda limpasse as lágrimas que insistiam em escorrer por sua face branca, Evans parecia que estava assimilando bem aquele prato indigesto da realidade que agora teria que conviver.
- Eu farei isso, não se preocupe. - Disse Adrianny.
- Quanto tempo ainda ficarei aqui?
- Precisamos realizar alguns procedimentos, mas pela forma que você voltou do coma, as perspectivas são as melhores possíveis. - Respondeu o Doutor Herris.
- E essas perspectivas giram em torno de quanto tempo?
- Entre dois e três dias!
- Muita gente ficará feliz com o seu retorno, meu parceiro! - Eu não vejo a hora de retornar para Bonnick.
- Você se mudou para cá? Fez isso por minha causa?
- Eu não me mudei para cá. Eu estava vindo duas semanas por mês para dar uma força a sua irmã.
- E o seu estúdio?
- Caleno toma conta na minha ausência.
- Caleno, aquelo louco?
Fredie sorriu e disse:
- Ele parou com as drogas, ano retrasado teve uma overdose e ficou internado, quando viu que iria pro buraco resolveu assumir a caretice. Está limpo desde então.
- E Michelly?
- Ela entende. Pelo menos estamos brigando menos agora.
Entre risos e abraços, o médico anuncia que os visitantes precisam sair, visita agora só no dia seguinte, depois das despedidas e quando a porta do quarto se fecha, Evans retorna ao sofrimento solitário, tentava entender porque o destino estava brincando com ele daquela forma, sempre foi uma pessoa reta e o seu amor por Catherine era real, aliás, não deixou de ser, a angústia por não saber o que seria dali em diante dilacerava o seu coração.
O dia seguinte foi de mais emoção, Linda Dowson a sua mãe foi visita-lo, queria ter ido no mesmo dia, mudou-se para Pittsburgh para tomar conta do filho, mas o seu coração permanecia em Bonnick, sentia saudade de sua casa, do seu jardim, das amigas, do clima e da vista para as pequenas montanhas que não se cansava de contemplar, quando ficava sentada na varanda tomando o seu chá, geralmente com as amigas, em especial com Brigitte sua prima.
A notícia do retorno de Evans não demoraria a chegar em sua cidade, e naquele dia no fim da tarde, o telefone toca na casa dos Moore, A senhora Elizabeth não demora em atender, no momento, o esposo e os filhos estavam presentes na sala, era um dia de Sábado, e a dona da casa quase deixa o aparelho cair de suas mãos. o marido percebe o semblante de surpresa e pergunta:
- O que houve?
A Mulher ainda demonstrado um misto de surpresa e apreensão diz com a voz branda:
- Notícias de Pittsburgh!
No primeiro momento George imaginou que era algo a respeito de Evans e o natural foi pensar que ele havia falecido, mas a resposta da esposa o fez gelar.
- O rapaz acordou do coma!
Todos se olham, os segundos silenciosos foram quebrados por kate.
- Que rapaz? Quem acordou do coma, mamãe?
- Um amigo meu que você não conhece! - Respondeu rapidamente o pai. - Alguém que eu imaginava que já estava morto! E talvez fosse o melhor que estivesse...
CONTINUA...
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