Hanna Fisio

quinta-feira, 6 de abril de 2017

ENTRE O DESTINO E O AMOR
PARTE 4 - ROSA E ESPINHO

    Dois dias pós a indigesta visita que Evans teve, cresceu dentro dele um turbilhão de sentimentos e indecisões, não havia nele um concesso interno sobre o que fazer, como agir e principalmente como lidar com a realidade perversa que o tinha acometido, talvez a sua irmã tivesse razão em aconselhar que ele esquecesse de Kate e fosse seguir a sua vida. Seguir um caminho diferente do programado não era tarefa fácil, nada para ele estava sendo fácil, a dor que sentia no coração não era física, antes fosse, desejava todos os dias que aquilo não passasse de um pesadelo, mas ao abrir os olhos o seu sofrimento anunciava que tudo era amargamente real.
    Fredie chegou em sua casa antes das dez da manhã, um amigo fiel a quem Evans podia confiar sem duvidar, a amizade dos dois começou muito cedo, confidenciavam suas coisas desde os 12 anos, estudaram juntos, Evans escolheu a faculdade de administração de empresas e Fredie Dale optou por se dedicar a música. Montou um pequeno estúdio, chegou a participar de duas bandas, uma de rock de garagem e outra voltada para o Folk, acabou desistindo de ter banda, tocava guitarra e piano, acabou se dedicando ao seu estúdio.
- Fala ai parceiro! - Cumprimentou Fredie. - Acho que estamos atrasados para a sua consulta com a psicóloga.
- Não irei hoje!
- Por quê?
- Cara. - Balançou a cabeça negativamente e com uma expressão tristonha. - Me diz como é o noivo da Kate.
- Como é que é?
- Me diz como ele é! Não fisicamente, quero dizer, como ele é em relação a pessoa.
- Não faz isso com você, mesmo meu brother!
- Se você não me disser, irei perguntar para outras pessoas.
- O que de fato você está querendo saber?
- Você o conhece?
- Pessoalmente não, mas já ouvi muitas coisas a respeito dele. Se lembra do Billy boca-de-lata?
- Sim.
- Ele trabalha na fabrica do cara. Me disse que como patrão é uma excelente pessoa.
- Ele tem uma fábrica?
- Sim. Uma fábrica de equipamento de prevenção e segurança para a construção civil. Fabrica capacete, luvas, máscara e o caralho a quatro! 
- Sei. Mas onde fica essa fábrica?
- Se lembra do antigo campo de golfe na estrada leste? Eles compraram aquele terreno e construíram a fábrica. É uma empresa de médio porte, emprega umas cinquenta pessoas. A matriz fica em Treton, essa é uma das duas filiais, ou unidades, se preferir.
- Qual o nome dele?
- Philip W. Menson. O pai dele é o presidente do grupo, fica na matriz e ele é diretor nessa daqui de Bonnick.
- Ele é rico!
- Sim. - Fredie baixa  a cabeça e respira fundo, em seguida continua. - Cara, eu não sei se isso vai te consolar, já que você tem grande amor pela Kate, mas o fato é que o sujeito é um cara decente, todos os funcionários gostam dele. O cara é conhecido por sua generosidade e a forma simples de tocar a vida. Dizem que é um gestor justo e generoso sem deixar de ser rígido nas decisões e tal. Além do Billy trabalham lá outras pessoas conhecidas da gente, direta e indiretamente.
    Evans se levanta da cama, escora as duas mãos na parede e diz:
- Isso tudo parece um aviso que eu devo seguir o conselho do pai da Kate.
- Ei cara, a Anny me contou o que aquele filho da puta te fez! Eu até acho que você deveria mesmo partir para outra, não porque ele veio aqui e meio que te ameaçou, mas acho que a família dela não te merece. Quer dizer, a senhora Moore até que parece ser boa gente, mas aquele Greg  e o Senhor George são dois merdas de gato!
- Ela trabalha na fábrica?
- Não. Ela trabalha na floricultura da família com a Dona Elizabeth.
    Evans concorda com a cabeça, muda o teor da conversa, faz perguntas a respeito de coisas sobre a cidade, procurou saber o que havia mudado e se amigos ainda moravam em Bonnick, esse papo se estendeu até a hora do almoço, ele e o amigo tiveram a companhia da senhora Linda e de Adrianny. 
    Assim que Fredie foi embora  e as outras duas voltaram para os seus afazeres, Evans decidiu ir até onde Kate estava, tomou um taxi e se dirigiu para a floricultura, assim que chegou em frente à porta viu pelo vidro Catherine ajeitando algumas prateleiras com ursos-de pelúcia, seu corpo gelou, não sabia o que iria dizer, não tinha a mínima ideia de como as coisas iriam se desenrolar quando estivesse cara-a-cara com o seu amor, respirou fundo, tomou coragem e entrou. 
   Foi andando devagar pela floricultura até ser abordado por ela.
- Boa tarde! Posso ajuda-lo em alguma coisa?
   Era ela, estava linda! Seus olhos verdes e o rabo de cavalo ostentando seus cabelos loiros desciam até o meio das costas, um sorriso tão bonito quanto ele lembrava, era ela.
- Eu... - Se engasgou um pouco. - Er... Boa tarde! eu estou interessado em um buquê!
- Você tem preferência por algum tipo específico de flores?
   Ele se lembrou que Kate adorava begonia azul, não perdeu tempo em dizer a sua preferência, ao mesmo tempo sentia algo muito estranho, era de se esperar que sim, já que a pessoa que ele amava, e que até onde se lembrava foi a sua noiva estava alí, bem à sua frente, com um sorriso bonito que harmonizava com o rosto branco de pele lisa.
- Pensei em begonia azul!
- Que coincidência! São as minhas favoritas!
    Quando Elizabeth retornou à floricultura e viu Evans conversando com Kate ela teve um choque, mas por ser uma pessoa equilibrada conseguiu voltar a si quase que imediatamente, se preocupou e muito sobre o que o rapaz estaria conversando com a sua filha, apressou-se em interromper o diálogo.
- Olá! Quem é o seu amigo, kate?
- Acabei de conhecer! Ele está interessado em comprar um buquê de begonias para a mãe dele! - Respondeu a menina ainda sorrindo, continuou. - Essa é a minha mãe, a proprietária da floricultura!
- Prazer em conhece-la, senhora!
    Elizabeth se esforçou para agir com naturalidade, mas naquele momento se sentiu aliviada por ter entendido, que ele não havia falado nada a respeito do acidente ou do casamento que o fatídico interrompeu.
- Filha. - Disse a senhora Moore. - Preciso que você telefone agora para o fornecedor das margaridas, temos algumas entregas a fazer e é urgente. Eu continuo o atendimento aqui com o rapaz.
    Kate concorda com a cabeça e sem nada desconfiar e deixa a mãe e o ex-noivo a sós, em seguida se dirige ao balcão para fazer o que a mãe havia lhe pedido.
- Meu Deus! O que você acha que está fazendo?
- Senhora Elizabeth, eu precisava vê-la!
- Eu entendo! Mas não é momento para isso! Por favor, vá embora!
- Eu a amo!
    Elizabeth sente as lágrimas banhar os seus olhos, olha disfarçadamente em direção a filha, retorna o olhar ainda emocionada para Evans.
- Escute. Eu nem imagino o que você deve está sofrendo, mas preciso que você saia daqui agora. Por favor! Eu irei conversar com você, eu prometo.
- Eu só queira vê-la!
- Eu sei. Eu juro que te entendo, mas agoira não é o momento propício.
- Tudo bem, não irei criar nem uma situação aqui com a senhora.
    Evans se despede e sai, andou cerca de trinta metros quando foi surpreendido por Greg que estava companhado com dois amigo, um inclusive era Jason, primo do atual noivo de Kate.
- O que você está fazendo aqui, seu merda? - Esbravejou o ex-cunhado. - O meu pai não foi claro contigo?
- Eu só vim vê-la, não falei nada demais!
- Escuta aqui seu porco filho de uma cadela! Você está proibido por mim de chegar duzentos metros próximo a minha irmã! Não quero te ver nunca mais desse lado da cidade!
- Quem você pensa que é para me determinar onde eu posso ou não andar?
    Greg sorrir e desfere um soco violento na face do rapaz já fragilizado fisicamente, seu corpo estremeceu e ele desabou, no chão ainda teve que ouvir insultos e sentir toda a ira de Greg que desferiu dois chutes, um atingiu o abdômen e o outro as costas, o grito de dor de Evans anunciava a dor que sentia, o espancamento só não continuou porque Elizabeth interveio.
- Pare com isso agora, Greg! Você perdeu o juízo?
- Mãe, ele...
- cala a boca e saia daqui agora!
    Para a sorte de Evans, o agressor obedeceu a mãe e em passos largos saiu do local, Kate que assistiu tudo de longe tentou correr até onde o rapaz estava caído, mas foi contida por Sally, a outra pessoa que trabalhava na floricultura, Elizabeth estava mais uma vez chocada, pediu para dois rapazes que iam passando para ajudar Evans a se levantar, ela chorou, o seu relacionamento com o ex-genro sempre foi muito bom, havia de fato uma relação de respeito entre eles.
    Evans se levanta com dificuldade, não olha para os lados, cabisbaixo vai embora ainda cambaleante sem dar atenção a Elizabeth, que aquela altura pedia para que ele esperasse um táxi que ela estava tentando chamar usando o seu telefone celular. Evans desaparece na esquina, Evans mergulha nos espinhos dolorosos do que havia se transformado a sua vida...


CONTINUA...






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