SERENITY
PARTE 28 - A BUSCA DE RESPOSTAS
Por Jair Nepomuceno
Será que o medo é insuficiente para frear a determinação? Será que o medo muitas vezes não existe para esse objetivo, não, não o objetivo de colocar objeções para confrontar a determinação, mas para proteger-nos do exagerado ímpeto?
Quando Vinne entrou em Serenity percebeu os olhares em sua direção, não sabia o que falavam, mas ouvia o sussurro e várias pessoas apontavam para ele, nesse instante se lembrou o que Daryl disse a ele, que ali, os internos que eram confiáveis.
O psicólogo segue para o vestiário, resolve tomar um banho antes de começar o trabalho propriamente dito, estava no chuveiro quando ouviu um choro de criança, se arrepiou instantaneamente, ousou abrir o box e olhar para o corredor estreito do vestiário, nada viu, o choro inquietante parou, voltou então para debaixo do chuveiro. Um minuto depois, o choro melancólico retornou, assustado ele grita de dentro do box:
- Quem está ai? - Não houve resposta, ele então insistiu. - Quem está ai? - A quietude toma conta do recinto, o apavorado homem se apressa em se enxugar para sair logo dali, quando havia acabado de vestir rapidamente e desengonçadamente a cueca voltaram as lamúrias na forma de uma voz infantil, olhou para o corredor do vestiário e, desta vez pode ver o dono do som melancólico, era ele, Leonard, com aquele rosto deformado, olhando para VInne, passando uma das mãos também deformadas por algo que parecia fogo sobre as lágrimas, o psicólogo cai sentado.Nesse momento a aparição começa a andar lentamente em sua direção, no rosto queimado um sorriso de dentes negros, olhos totalmente esbranquiçados, o pavor daquela cena deixou Vinne inerte, tudo que ele conseguiu fazer foi tapar os olhos com suas mãos e gritar o mais alto que podia.
Na escuridão dos olhos fechados, ele sente alguém tocando-lhe o braço, na verdade agarrou o seu braço e puxou, ao abrir os olhos viu "Rolha" ao seu lado.
- O que houve Doutor? - Perguntou-lhe o jardineiro, e no silêncio do psicólogo, o homem repete a pergunta. - O que houve, me diga?
VInne se levanta ainda assustado, seu coração batia freneticamente, ele olhou por cima do ombro de Kevim no intuito de ver se o espírito de Leonard ainda estava lá, mas não havia nada la além dele e de Rolha.
- Eu escorreguei! - Disse o Psicólogo.
- Eu estava entrando aqui no vestiário e ouvi seu grito, se machucou?
- Não, acho que não!
- Precisa de alguma coisa?
- Não Rolha, obrigado! - VInne se vira para o prestativo homem e pergunta: - Não faz mal eu te chamar de Rolha?
- Não! - Respondeu o jardineiro sorrindo. - Aqui todos me chamam assim, já estou acostumado!
- Certo.
- Então está tudo bem com o senhor?
- Sim, obrigado!
- Tudo bem então, deixa eu cuidar de limpar logo esse vestiário, o Doutor Antony já me reclamou isso.
VInne volta então a se vestir enquanto Rolha passava um pano no estreito corredor, aproveitou a oportunidade para conversar com o homem.
- Que morte terrível não é?
- Sim! - Respondeu sucintamente.
- Você o conhecia bem?
- Todos por aqui o conhecia!
- E você acha que alguém não gostava dele?
O jardineiro para de limpar o chão, se escora no cabo do rodo e então diz ao psicólogo:
- Não me leve a mal, mas não quero falar sobre isso! Aqui eu só faço o meu, não dou importância alguma pra qualquer coisa que não seja o meu trabalho. Para qualquer outro assunto fora as minhas obrigações, sou cego, surdo e mudo!
- Eu entendo! - Diz Vinne meio desconcertado. - Me desculpe por perguntar!
- Não precisa se desculpar, Doutor! É que eu sou assim mesmo!
O psicólogo termina de se vestir toca-lhe o ombro e sai do vestiário, no saguão acaba topando com Malcon.
- Oi! - Cumprimentou o policial.
- OLá! - Respondeu prontamente o psicólogo, e continuou. - Não esperava vê-lo tão cedo!
- Não estou aqui para vê-lo!
- Ah! Me desculpe!
- Saia da minha frente! - Falou rispidamente o homem da lei, o outro obedece imediatamente e segue para o quinto andar acompanhado por Brenda.
- Boa tarde Malcon! - Antony cumprimenta. - A que devo a honra?
- Antony, preciso trocar umas ideias contigo! - Disse o investigador.
- Sobre o que?
- Sobre te indiciar por negligência, e acredite, estou muito disposto a fazer isso!
CONTINUA...
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