SERENITY
PARTE 27 - NOVAS INFORMAÇÕES
Por Jair Nepomuceno
Quando certas pessoas se julgam mais inteligentes que a maioria ou ao seu meio, a queda se torna mais dolorida, precisamente do tamanho de seu ego.
Durante toda a manhã Malcon tomou o depoimento de vários funcionários, e não só os que estavam de plantão, quis conversar também com aqueles que não se encontravam no hospital, o fato da câmera de segurança da entrada de Serenity, do estacionamento e também do jardim não estarem funcionando, acabou por servir para aumentar o número de suspeitos.
O Delegado interino fez uma pausa durante o almoço e as quatorze horas retomou as investigações, o primeiro que chamou a depor foi Vinne, 0 psicólogo chegou bem antes do horário marcado, assim que Malcon chegou ao primeiro distrito o intimou imediatamente até o seu gabinete, a exemplo do que ocorreu antes, o promotor acompanhou o interrogatório.
- Boa tarde, Vinne! - Cumprimentou o policial.
- Boa tarde senhores! - Respondeu de forma cortês o jovem.
- Você acompanhou de perto, foi testemunha do incidente envolvendo Daryl e Kelvin Obbie, correto? - Indagou Malcon.
- O senhor se refere a agressão gratuita sofrida por Daryl no estacionamento?
- Sim!
- Correto, eu estava no local e presenciei tudo!
- Seu amigo foi agredido e não fez boletim de ocorrência, sabe dizer o motivo?
- Sinceramente Doutor ele não fez por receios, mas não foi por falta de incentivo. Eu o aconselhei a fazer mas ele me disse que o senhor parecia ter algo pessoal contra ele, por essa razão não quis fazer.
- O que tem a ver uma coisa com outra? - Interpelou Malcon.
- Sei lá, talvez pelo fato de julgar que o senhor não tomaria as necessárias providências devido ao que ele acha em relação a sua suposta perseguição contra a pessoa dele.
- Certo. - O Delegado coça a cabeça, se escora em sua confortável poltrona fazendo o corpo inclinar, continua. - E você onde estava ontem a noite?
- Na casa do meu tio.
- Passou a noite toda lá?
- Saí por volta das vinte e duas horas para comprar um lanche, depois retornei e dormi.
- Comprou o lanche onde?
- Em um trailer.
- Qual trailer? Aqui existem vários!
- Não me lembro bem o nome!
- Alguém pode confirmar isso, que você esteve nesse trailer e depois retornou para a casa do seu tio?
- Não sei, acho que não!
- O teu tio não estava em casa?
- Estava, mas quando retornei ele já estava dormindo, então não o acordei, não havia necessidade!
- Entendo! Isso quer dizer que você retornou muito tarde não foi?
- Não muito, acho que levei uma hora para ir e voltar!
- Certo. Você teve algum tipo de atrito com a vítima?
- Não senhor! Nenhum!
- Eu recebi o laudo muito rapidamente, conheço os legistas e pedi prioridade, acabei de ver aqui em meu computador o resultado. Quer que eu leia para você?- VInne concordou com um acenar de cabeça e ele então desatou a falar. - Ele teve os olhos, a língua e as orelhas arrancadas, a causa da morte foi devido ao corte na jugular, os legistas atribuem a hemorragia do tipo intermitente. Antes porém, a vítima foi atingida nas costas por algo cortante, não teve chance de defesa, o corte o possibilitou de reagir. O que ocorreu a seguir pode ter sido algo sombrio, já que talvez ele tenha tido os olhos, língua e orelhas arrancados fora quando ainda estava vivo, provavelmente o corte no pescoço tenha sido o golpe de misericórdia!
- Nossa! - Admirou-se o psicólogo.
- Seu amigo é o suspeito numero um, mas não descarto investigar outros que também são suspeitos.
- Dentre esses outros suspeitos, o senhor adicionou Mellissa? - Disse Vinne sem pestanejar, Malcon foi pego de surpresa, olhou admirado para o psicólogo e perguntou-lhe:
- Por que eu deveria inclui-la em uma possível lista de suspeitos?
- Porque ha dois dias mais ou menos, eu estava na recepção e presenciei uma encomenda que ela recebeu.
- Que encomenda? - Indagou o Delegado.
- Uma claymore!
- Que diabos é isto?
- Uma espada!
- Continue. - Disse interessado o Investigador.
- Ela disse que o marido colecionava armas antigas, essa espada poderia fazer um corte parecido com o que o senhor relatou ai. Mas não digo isso só por causa da espada, digo porque a poucos dias a peguei conversando no porão com outra pessoa e nessa conversa ela dizia que alguém já estava desconfiando, agora com quem ela conversava eu não sei, nem sei ao que ela se referia sobre o que a tal pessoa desconfiava. Quando eu me aproximei, sem querer toquei uma lata que fez barulho e, por muito pouco ela não me cortou com um machado!
Malcon ficou olhando para VInne por alguns segundos sem nada dizer, ficou admirado por essa nova informação, de repente ela poderia ser bem relevante, ele olhou para o promotor, virou novamente ara o interrogado.
- Onde está essa espada agora?
- Não sei!
- Ela era uma das que estava de plantão ontem, estou vendo aqui no relatório! - O Delegado disse de forma acintosa.
- Se o senhor não a chamou para depor, por favor faça isso!
- O que mais você teria a acrescentar?
Vinne respirou fundo, agora era o momento de tentar ajudar Daryl, ele sabia que o que iria dizer era perigoso, pensou no caso de Green Lake, mas no momento achou melhor não falar a respeito, então disse outra coisa.
- Michael Sales me ameaçou!
- O outro psicólogo?
- Sim senhor!
- Te ameaçou por qual razão?
- Sinceramente não sei!
- Como?
- Ele me parou e me xingou de fofoqueiro e disse que eu iria pagar caro se continuasse bisbilhotando em Serenity. que da próxima vez que ele viesse falar comigo a respeito disso, que não seria nada bom para mim!
- Eu já tomei o seu depoimento hoje mais cedo, ele não mencionou você, mas acredita que Daryl possa ter algum envolvimento na morte de Kelvin.
- Eu não sei o que pensar! - Disse Vinne.
- Voltarei a falar com você! Pode ir agora.
- O senhor tem em mãos um caso envolvendo um psicopata! - Falou o psicólogo quando já ia saindo da sala. - Quer um conselho?
- Diga.
- Existem esquizofrênicos que podem conceder um depoimento esclarecedor!
- Você acha mesmo que eu irei perder o meu tempo conversando com a porra de uma maluco? Isso é trabalho teu, não meu!
- Foi só uma sugestão!
- Suma daqui, garoto!
VInne sai da sala e deixa os policiais a sós, quando o psicólogo já estava a uma distância segura, a uma distância que não poderia ouvir o que os homens da lei conversavam, eles voltam a conversar entre si.
- Se quiser eu ligo agora mesmo pra Juiza Elizabeth e peço a preventiva de Daryl! - Disse Noah, o jovem promotor de justiça!
- Ainda não! - Respondeu Malcon. - Esse garoto conseguiu plantar uma pulga atrás de minha orelha!
- Isso pode ter sido apenas desespero, para livrar a cara dele ou de seu amigo! - Disse Noah.
- Pode, mas não podemos trabalhar só com hipóteses!
- E o que você pretende fazer?
- meu amigo promotor, eu pretendo agora mesmo chamar Antony para ele me explicar a razão das câmeras de seguranças em lugares estratégicos não estarem funcionando, e quero averiguar a veracidade dessa informação a respeito da suposta armar de Mellissa!
CONTINUA...
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