SERENITY
PARTE 24 - LOUCOS SOMOS TODOS!
Por Jair Nepomuceno
Não se pode fugir daquilo que está ligado a nós, podemos no entanto aprender e fazer bom uso do que aprendemos, a insanidade não está ligado somente a atitudes...
Roland Connor sempre foi na verdade uma incógnita para os psiquiatras de Serenity, sua mente perturbada guardava não só os distúrbios inerentes a sua esquizofrenia, havia algo mais, aliás, havia muito mais. Vinne já havia percebido isso, sua experiência recente naquele hospital lhe dava a certeza de que nem tudo a psiquiatria poderia explicar, coisas antes inimagináveis estava bem ali, entrando em sua vida.
- Você acha que eu preciso de você? - Indagou o psicólogo.
- Isso é para mim uma certeza absoluta! - Respondeu Roland.
- E por que eu precisaria tanto assim de você?
- Não pode negar o óbvio, rapaz. O que testemunha aqui não é meramente algo voltado ao desconhecido, uma coisa eu posso dizer, você teve a sua chance de sair disso tudo, agora é tarde demais!
- Tarde de mais? Eu posso simplesmente sair daqui e nunca mais voltar! Não existe esse papo de tarde demais! O que quer que você esteja tentando fazer, não dará certo!
- Eu fazer? Não guri, eu não faço, não queira saber quem pode fazer! Existem coisas que essas paredes não podem prender, onde quer que você vá, não haverá agora muros que tenha o poder de te separar de tudo isso!
- Me separar de que? Será que alguém nessa porra desse lugar poderia me dar uma resposta direta, para variar? Detesto enigmas, frases com duplo sentido! Fale de uma vez o que quer me dizer!
Roland sorrir, o olhar de certa forma dava aquele sorriso um tom macabro.
- Não sou mensageiro! Sou apenas um louco que precisa de clausura para não ferir outros malucos, você se lembra disso?
- isso é um tormento só teu, não participei de nada, não estou aqui para fazer pregação a isso ou aquilo em relação ao problema que você e que outros tem, apenas me diga de forma direta, O que você vê? - Insistiu Vinne.
- Quer mesmo saber? - outra vez aquele sorriso perturbador.
- Não posso perder meu tempo com você, Roland, diga logo de uma vez ou pare de me atormentar com meias palavras!
- Vejo algo aterrorizante bem ao seu lado, agora mesmo! Ele não tem rosto, ele não tem forma definida, apenas a silhueta de um maldito vingador! Ele não quer o teu bem, ele não deseja bem a ninguém de Serenity, nem a mim, nem a Leonard.
Vinne sente um calafrio percorrer-lhe o corpo, estava tão imerso ao que Roland falava que ficou inerte por alguns segundos, mas por instinto volta a si como um pedido intimo de socorro.
- Chega disso, seu mentecapto! Não vai me levar junto com a tua loucura! embarque nessa merda sem mim! - O grito de Vinne chama atenção de outros que estavam no Jardim, Connor apenas sorrir.
- O que houve aqui? - Brenda chega inesperadamente.
- Nada que seja da sua conta, sua baleia imprestável! - Disse Roland sem pestanejar, isso deixa a recepcionista sem ação.
- Que diabos você está fazendo? - Perguntou Vinne enquanto Brenda permanecia boquiaberta sem expressar qualquer reação.
- Estou começando a sentir sede! - Disse Roland, continua. - Essa gorda deve ter muito sangue para compartilhar, não deve?
Não houve tempo para respostas, Rogger e um segurança diurno imobilizam Connor, o primeiro deu uma "gravata" e Andy, o segurança, o imobiliza usando uma camisa de força, Antony chega em seguida e sem demora dar as ordens
- Levem-no de volta a cela e de a ele o psicotrópico de costume!
- Não estou nervoso, Doutor! - Protestou Roland. - Não quero nenhuma droga bagunçando a minha cabeça seu escroto!
- Anda logo seu retardado! - Rogger empurra o interno que a essa altura já estava dominado.
- Doutor Antony! Me ouça! - Insite Roland.
- Se acalme! - O diretor responde enquanto o interno é levado a força de volta a clausura, devidamente guiado por Rogger e por Andy.
- Ele me xingou! - Brenda chora.- Aquele maldito!
- Está tudo bem agora! - Vinne a abraça enquanto o Diretor de braços cruzados acompanhava aquela cena demonstrando um expressão sisuda - Não se deixe perturbar pelo que ele falou.
Antony chega mais próximo do casal e diz de forma rígida:
- Pare com esse drama, Brenda, não aconteceu nada! Agora volte para a recepção e fique la! - A recepcionista obedece sem dizer uma palavra, em seguida o Doutor se vira para Vinne e continua a sua fala. - E você? Com esse olhar imperioso, deve ta querendo me dizer que Roland não deveria ter sido solto, espera conseguir com isso um reconhecimento meu de que você estava certo, não é isso?
- Pelo contrário! Eu estava errado.
CONTINUA...
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