ENTRE O DESTINO E O AMOR
PARTE 12 - UM PASSADO PRESENTE
Já se passavam das seis da tarde quando kate chegou ao restaurante onde seu noivo a aguardava, depois de um breve beijo e um abraço tenro, os dois se sentam à mesa, a jovem estava ainda com um semblante triste, Philip era o seu porto seguro, naquele momento mais ainda.
- Eu nem consigo olhar nos olhos deles, amor! - disse Catherine.
- Nem posso imaginar o quanto deve está sendo difícil para você! - Disse o rapaz.
- Sabe o que mais me aborrece nessa história?
- o que?
- O fato de toda mentira me tirar o direito de andar com as minhas próprias pernas. O sentimento que tenho é que não foi o destino que me tirou parte da vida que estava em minha memória, foram eles!
- Você está certa sobre algumas coisas, mas a respeito de outras eu te sinto meio perdida, mas isso é perfeitamente normal dentro do que você passou.
- Você tem razão. Eu estou confusa, triste e sem chão!
- Na minha opinião há uma maneira que talvez possa te ajudar a compreender tudo o que se passa ai dentro de você.
kate da mais um gole na água com gás, seus olhos estavam marejados, ela volta o olhar para Philip e pergunta.
- Como seria isso?
- Encarando de frente o motivo de tudo.
- Não estou entendendo.
- Eu acho que você deveria se encontrar com o Evans Dowson!
A fala do jovem pegou a moça de surpresa, ela arregalou os olhos, aquilo já havia passado muito levemente por sua cabeça, mas o respeito que ela nutria por seu noivo não a fez mencionar essa possibilidade, ficou realmente muito surpresa por partir dele a sugestão de ir até Evans e colocar tudo a pratos limpos.
- Você acha?
- Sim, eu acho.
- Isso não te deixa incomodado?
- Deixa, e muito, mas aqui não estamos tratando do meu desconforto, estamos tentando encontrar um refúgio para a sua dor! Não aguento te ver sofrer, nosso casamento está chegando, não gostaria que levássemos na bagagem assuntos não resolvidos, principalmente se tratando de algo tão relevante para você.
Kate ficou pensativa por alguns instantes, talvez seu noivo estivesse certo, o fardo que carregava era pesado, quem sabe esse encontro pudesse ajuda-la no alívio de tal fardo?
- Eu nem sei onde ele mora, ou mesmo se irá me receber!
- Eu sei onde ele mora, e não vejo razão para que ele não queira conversar com você.
- Será?
Philip sorriu, apoiou os dois braços sobre à mesa e descansou seu queixo nos entre laços de seus dedos.
- Vejo que você está tentando encontrar empecilhos para não ir a esse encontro. Eu entendo, e não precisa ir se não quiser.
- Não é isso, só estou na dúvida.
- Então aconselho a decidir rapidamente, porque pelo que eu soube, a qualquer momento ele estará indo embora para outra cidade.
- Ele vai embora?
- Sim. Talvez você seja a razão dessa decisão dele.
- Eu não quero me sentir motivo para nada que ele possa fazer!
- As coisas não são simples assim, querida!
Ela respira fundo, coça a cabeça e decidida resolve seguir em frente.
- Você irá comigo?
- Eu te levo lá!
- Certo. Quero ir amanha na parte da manhã!
- Passo na floricultura as 09:00!
A noite foi intensa para Catherine Moore, não conseguiu dormir, imersa nos pensamentos e naquilo que faria aconselhada por seu noivo a fez ter insônia, na verdade era um misto de nervosismo com ansiedade, quando se deu conta já estava amanhecendo, tentou dormir pela " milésima vez" em vão.
Sua mãe bateu à porta do seu quarto para acordá-la, a jovem disse que não iria trabalhar pela manhã, preferiu não detalhar, apenas disse que tinha um compromisso com Philip, em seguida tomou um banho demorado.
Quando saiu do quarto, com exceção de Rita, a empregada doméstica, não havia mais ninguém em casa, já se passavam das nove, seu coração disparou quando reconheceu o barulho do carro de seu noivo, ela apanhou a bolsa e foi até ele.
- Bom dia! - Cumprimentou o rapaz dando-lhe um beijo.
- Bom dia!
- Está preparada?
- Como se prepara para algo assim? - Philip sorriu. - Será que ele estará em casa?
- Sim, estará!
- Como você sabe?
- Eu conversei ontem a noite com a irmã dele, ela confirmou que ele estaria, mas não se preocupe, ela não contou nada a ele, também deu um jeito de sair com a mãe para que vocês pudessem conversar mais sossegado.
Kate fez uma expressão de interessada e perguntou:
- Você ficou amiguinho da irmã dele?
- Para com isso! - Sorriu mais uma vez o rapaz. - Ciúmes é algo que não combina com você! Eu precisava ter certeza que ele estaria em casa para não darmos viagem perdida, amor.
- Eu sei disso! Só estou brincando.
O percurso até o bairro Pathfinder foi um silêncio total, cerca de quinze minutos depois chegaram ao destino, Philip quebra a quietude.
- Chegamos!
Kate fica por alguns segundos olhando a casa de fachada azul, buscou na mente alguma lembrança do local, mas nada veio, para ela, era a primeira vez que via aquela casa.
- Nunca, nunca estive aqui! - Disse a moça.
- Amor, você já esteve incontáveis vezes, pense como uma visita a uma amigo. chegamos até aqui, não há razão para não darmos o próximo passo.
Catherine concorda, decidida abre a aporta do carro e desce, antes de se aventurar, olha para trás para esperar Philip, mas ele não havia descido do veículo, estava lá, com as mãos sobre o volante.
- Você não vem?
- Não, querida! Não me cabe dentro dessa conversa!
Ela se assusta.
- Por favor, venha comigo! Você não pode me deixar sozinha agora!
- Entenda, não faz sentido a minha participação! Isso é algo que só diz respeito a vocês dois. Esse passo você terá que dar sozinha. - Ela concorda ainda de cabisbaixo, olha para ele e espera a próxima fala. - Assim que você terminar, me telefone, venho te pegar.
Philip manda uma beijo para a nervosa jovem, em seguida parte com o seu carro, agora ela teria que seguir sem o noivo, corajosamente toca a campainha, precisou apertar três vezes até que Evans atendesse a porta e ao vê-la ali à sua frente fica atônito, ele não esperava de forma alguma aquela visita, por alguns segundos ficou sem palavras até que ela quebra o silêncio.
- Evans Dowson?
- Kate! - Foi tudo que ele conseguiu dizer.
- Poderíamos conversar? - Diz Catherine ainda confusa, nervosa e ao mesmo tempo curiosa, tentava demonstrar uma tranquilidade e um equilíbrio que naquele momento não existia dentro dela, na verdade estava tão ou mais sôfrega que ele.
- Sim, claro! Por favor, entre!
Ela agradece e entra de braços cruzados, não estava com medo, por alguma razão, sentiu-se segura, lembrou-se dele quando o rapaz esteve na floricultura e depois foi açoitado por Greg.
- Olha, eu... eu. - Ela sorrir e gagueja de nervoso. - Desculpe, não sei bem o que dizer, tentei ensaiar algo, mas não foi possível!
- Tudo bem! Eu também não sei nem o que dizer, não esperava que você viesse aqui, portanto não me preparei para esse momento!
- Então estamos empatados não é? - Sorriu a linda moça tentando quebrar o gelo e o nervosismo do momento.
- Você aceita alguma coisa? Uma água ou um suco, talvez?
- Eu aceito uma água!
- Certo, por favor, fique à vontade! Volto em um minuto!
Ela concorda com um acenar de cabeça, quando ele se dirige até a cozinha fica observando a sua volta, vai até a mesinha de centro e ver dois porta-retratos um contendo a foto de Evans, Linda Dowson e a irmã Adrianne, a outra estava sem foto, segurou por instinto o porta-retrato vazio, até ser interrompida por ele.
- Havia uma foto nossa ai!
Ela se assusta.
- Desculpe, não queria mexer em nada!
- Não precisa se desculpar! Por favor, sinta-se em casa!
Kate apanha o copo com água da bandeja de prata e da uma gole, vira-se para ele e pergunta:
- Você ainda tem essa foto?
- Sim! Para dizer a verdade, não fui eu quem tirou-a dai do porta-retrato.
- Entendo. Posso vê-la?
- Claro! Me aguarde um pouquinho, irei busca-la!
Catherine se senta no sofá ainda segurando o copo suado, seu coração estava estranho, não sabia ao certo o que estava sentindo, mas o nervosismo inicial estava passando, isso a confortou um pouco, ansiosa aguardou Evans descer as escadas para enfim, conversarem a respeito de tudo, ou para exorcizar demônios...
CONTINUA...
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