Hanna Fisio

domingo, 7 de maio de 2017

ENTRE O DESTINO E O AMOR
PARTE 9 - CARTAS SOBRE À MESA

    Quando uma pessoa é regida pela lei da ética, dificilmente deixa passar detalhes que não correspondem aquilo que considera como correto, e esse conceito de que a moral, a verdade e o respeito devem prevalecer na  vida, era justamente o que regia Philip W. Menson.
   Sophia Menson foi uma mãe que cultuava como poucos o uso da decência e da verdade, era um exemplo perfeito, o apego de Philip a ela e toda a admiração que ele nutria o   fez crescer sempre tentando ser o mais íntegro possível, no fundo não queira ferir a memória da mãe, que faleceu em um trágico acidente de carro quando ele tinha dezesseis anos, foi duro seguir a sua vida sem a presença física dela, decidiu perpetuar seus ensinamentos até para manter sempre acesa a memória da pessoa que mais amou.
   Robert Menson era o pai que apesar de uma ausência causada quase sempre pelo excessivo trabalho, também influenciou Philip a se tornar quem era, não com o mesmo afinco de Sophia, nem com o mesmo carinho e dedicação, longe disso, as coisas da família era secundário para ele, deixando nas mãos da esposa as tarefas de orientar, educar e acompanhar a jornada não só escolar, mas também social dos filhos  Philip e Pietra. Quando Sophia faleceu, Robert se viu obrigado a dar continuidade ao que a esposa havia feito até ali, sabia da dor que Philip e Pietra estavam sentindo, foram dias ruins, mas a sua aproximação aos filhos deu a eles a força para seguir em frente.
    Philip se tornou Diretor da W. Menson e assumiu o comando da fábrica em Bonnick, já Pietra permaneceu ao lado do pai em Pittsburgh, não quis seguir os passos do irmão, preferiu a faculdade de medicina e a clinica como o nome da mãe, onde atuará já teria data para ser concretizada, mas ainda restam dois anos para que Pietra se forme Médica, até lá, vai se dedicando exclusivamente aos estudos. 
    No dia seguinte após o encontro com Adrianny, Philip resolveu colocar tudo a pratos limpos, pediu que o seu primo Michael Jason que trabalhava na fábrica não se ausentasse porque queria conversar com ele, em seguida pediu a Greg que fosse buscar a senhora Moore e encontrasse com ele no aras da família, não entrou em detalhes o cunhado obedeceu rapidamente.
    Antes de Philip chegar George, Greg e Elizabeth já estavam conversando no Aras, ficaram intrigados com essa reunião, mas imaginaram que se tratasse de alguma surpresa que o noivo queria fazer para Kate, por essa razão preferiu se encontrar sem a presença dela.
    Já se havia se passado um pouco das dez horas quando Philip chegou, estacionou o seu carro e elegantemente se dirigiu até o escritório do local onde o sogro, a sogra e o cunhado o aguardavam.
- Bom dia a todos! - Cumprimentou.
- Aconteceu alguma coisa, filho? - Indagou George.
- Peço desculpas por me fazerem esperar, mas precisei averiguar umas coisas antes.
- Tudo bem! - Disse Elizabeth. - Mas está acontecendo alguma coisa?
- Sim! - Respondeu rapidamente o rapaz. - Vim até aqui por duas questões.
    George estava sentado e se levantou, o silêncio é quebrado com a sua pergunta.
- Questões? Quais seriam?
- Eu gostaria de saber porque mentiram para mim em relação a Evans Dowson!
    A pergunta pegou os três de surpresa, George tentou entender aonde o rapaz queria chegar.
- Mentimos? Do que você está falando? Nós falamos sobre Evans Dowson sim!
- Vocês me falaram meias verdades! Disseram que ele e kate haviam terminado o noivado antes do tal acidente! sabiam que ele havia voltado do coma e estava aqui na cidade! Por que não me contaram toda a verdade?
    Desta vez Elizabeth tomou a fala, quis minimizar aquilo que Philip aparentemente julgava importante.
- Evans sofreu o acidente e ficou em coma, da forma que você está falando até parece que a gente teve culpa! O passado de Kate não é relevante para você agora, a vida dela depois de conhecer você é o que importa, ou não é?
- Por favor, senhora Moore, não mude o contexto das coisas! A coisa não é tão simples assim! O passado de kate é relevante para mim, se eu sentir que isso me afeta, e nesse momento está me afetando muito porque vocês mentiram para mim! A primeira questão é saber por que não me contaram que ele entrou em coma ainda noivo com ela, e que os dois sofreram o acidente quando saiam do Buffer, foram lá para acertar os últimos detalhes da festa!
- Quem te falou isso? - George indagou.
- Quem me falou não vem ao caso!
- Então alguém te diz que eles não haviam rompido o relacionamento e você acredita, pior ainda, vem aqui tomar satisfações conosco.
- Pelo amor de Deus, senhor George! - Esbraveja Philip. - Não me tome como um idiota! Antes de vir aqui eu fui até o Buffer New Dreams e tudo foi confirmado. Evans e Catherine foram lá para acertar os últimos detalhes, escolheram o bolo, a cor dourado e branco para a ornamentação e o tipo de comida que seria servido aos quatrocentos e cinquenta convidados! 
    Os fatos que Philip trazia fez com que Elizabeth ficasse envergonhada, ela tentou contornar.
- Você está certo! Eles não haviam terminado. Peço desculpas por não termos falado nada a você sobre isso, mas sinceramente, nem os médicos que estavam cuidando de Evans nutriam esperanças que ele retornasse do coma, e se retornasse talvez tivesse sequelas irreparáveis, como aconteceu com Kate.
- Isso não justifica! Me desculpe, mas isso nao justifica!
- Por que é tão importante para você? - Desta vez foi Greg quem indagou. - Cara, você está feliz ao lado dela, e ela muito feliz ao teu lado, porque remoer essa questão?
- Talvez você não dê valor ao conceito da verdade, ou das coisas que são certas a se fazer. - Respondeu Philip ao Greg. - Mas a questão envolve confiança, se eu estava entrando na vida da sua irmã, o minimo que eu esperava era que todas as coisas fossem colocadas às claras, mas vejo aqui que existe coisa muito pior!
- Pelo amor de Deus! Isso é exagero seu, rapaz! - Esbravejou George.
- Eu entendo que isso possa ser para vocês algo insignificante, tudo bem, eu não sou filho de vocês, a Kate é importante. Eu penso que ela seja muito importante, ou não é?
- Do que você está falando? - Elizabeth se irrita. - É claro que ela é importantíssima para nós, eu a amo muito!
- É mesmo? - Ironizou Philip. - Então preciso levantar a segunda questão.
- Que segunda questão? - Perguntou Elizabeth.
- Por que vocês ocultaram a verdade sobre Evans para a kate? A senhora compactuou com isso?
- Onde você está querendo chegar? - Gritou George.
- Na minha opinião, vocês agiram covardemente com a Catherine! Estou decepcionado! mais ainda porque como a senhora Elizabeth disse aqui, a filha de vocês é importantíssima. Não me parece que seja.
- Você está passando dos limites, rapaz! - George se irrita mais uma vez.
- Quem passou dos limites foram vocês em relação a kate. Deviam se envergonhar por não ter dado a ela a chance de saber sobre Evans Dowson! Quando ocultaram o noivo dela, vocês tiraram dela o direito da escolha que pudesse ser ou não o melhor par a sua vida!
- Ele estava em coma! - Gritou George. - Talvez nunca retornasse! Acha mesmo que eu iria fazer essa judiação com Kate? Se ela decidisse conhecer Evans, talvez estivesse até hoje lá no hospital, cuidando de um moribundo que poderia nunca acordar do coma. Acha que não pensamos no melhor para ela? Você é louco!
- Vocês não tinham o direito de tomar a decisão por ela, é isso que estou tentando dizer.  Se ela decidisse ficar ao lado dele, certo ou não, a decisão teria sido dela, não de vocês. O que fizeram foi golpe baixo!
- Ela acordou com memória de treze anos! - Disse Greg. - Uma menina de treze anos sabe o que é melhor para a sua vida?
- Você acabou de falar uma estupidez, Greg. - Philip mantém a opinião. - Todos nós sabemos que ela não tem mentalidade de adolescente, e eu sei disso, porque quando a conheci ela praticamente havia acabado de voltar do coma, sei lá, seis meses depois. Ela nunca teve mentalidade de adolescente, e ainda que tivesse, Evans fazia parte da vida dela, portanto, ela tinha o direito de saber sobre ele, sim!
- Escute por favor! - Elizabeth chora. - Eu até entendo essa sua opinião, entendo muito. Mas você tem que concordar que não podíamos falar para ela sobre Evans quando ela retornou do acidente. Eu concordei porque achei melhor esperar um pouco, para ver como ela reagiria ao tratamento. Sei que você quer o melhor, mas eu como mãe tenho que pensar também no bem estar da minha filha!
- Tudo bem, senhora Moore. Mas já se passaram pouco mais de três anos e ela continua na sombra do conhecimento, vocês tiraram dela o passado, independente das decisões que kate tomasse, o que conta aqui é o correto a se fazer. Confesso que me decepciona muito saber da sua conivência, até porque, a mãe é a pessoa com mais sensibilidade em relação aos filhos! A senhora não se sensibilizou com a kate, sinto muito te dizer isso.
- Você pensa que é quem? - Gritou George. - Acha que pode nos ensinar como cuidar da nossa filha?
- Senhor George, não tente se vitimizar, o senhor está completamente errado, aliás, todos vocês!
- O Evans é um lunático! Sempre foi! Não seria o cara ideal para ficar com a minha irmã!
- Greg, por favor, não vomite asneiras! Você com certeza não concordaria com o possível casamento de Kate com o Evans, provou isso espancando o rapaz recém saído de um coma de forma covarde e ultrajante! 
    Todos ficaram sem palavras, George tentou ainda contra argumentar.
- Você tem a sua opinião, o que passou passou! Se acha que erramos, respeito a porra da sua opinião, mas agora temos que pensar no melhor para Catherine.
- Isso mesmo! - Ironizou Philip. - Exatamente, concordo com o senhor e é por concordar com o senhor, que eu darei a vocês o prazo de até amanhã de manhã para contar a kate sobre o Evans e o seu passado. Se não contarem, eu contarei!
    Philip sai do escritório deixando os três atônitos,  e antes de entrar em seu carro ainda pode ouvir o grito de Greg.
- Você quer que ela saiba do Vagabundo do Evans! Quer que ela vá atrás dele para virar um corno?
    O rapaz se vira novamente, desta vez com raiva, olha nos olhos de Greg com George e Lizabeth como testemunhas.
- Escute aqui seu cretino! Eu sei da sua fama de intimidador aqui na cidade, adora fazer seus teatros e acuar as pessoas. Pois bem, aqui está um homem que jamais se intimidaria por causa de um imbecil metido a valentão! Nunca mais ouse falar coisa do tipo para mim e não estou falando como seu patrão, não estou aqui como patrão, estou como homem! - Antes de abandonar o lugar, Philip se vira para os pais de Catherine e reafirma. - Espero muito não ser eu a contar para ela sobre o passado oculto... Bem, o recado está dado.
    Philip se vira novamente e entra em seu carro, a poeira sob os pneus anunciava que a arrancada havia sido recheada de raiva e decepção, agora um novo capítulo dessa fantástica história seria contado...



CONTINUA...








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