ENTRE O DESTINO E O AMOR
PARTE 10 - VERDADE FORÇADA
Depois de toda pressão que Philip fez na família de Kate, tanto os pais quanto o irmão decidiram conversar com a moça naquele mesmo dia, não quiseram passar uma noite inteira em tormenta psicológica, se havia algo que não poderiam escapar, então melhor que encarasse o problema de frente.
Catherine chegou em casa por volta das sete da noite, seus pais e o seu irmão a aguardavam, ela sorriu.
- Família reunida. - Brincou. - Fazia tempo heim?
Elizabeth engoliu a seco, chegou até ela e a abraçou, a filha percebeu que havia acontecido algo, a mãe beija-lhe a testa.
- Estávamos esperando por você, meu anjo!
- Aconteceu alguma coisa? - Indagou assustada a jovem de olhos verdes brilhantes.
- Não se preocupe, queremos apenas conversar com você! - Respondeu a mãe.
- Vocês estão me assustando!
- Calma! - Disse George. - Sem muito drama. Beth já disse que não é nada demais.
- Se não é nada demais, qual o motivo desse mistério?
- Que mistério, menina? - Esbravejou Greg. - Se você se acalmar e esperar um segundo a gente começa a falar!
Elizabeth olha com reprovação para o filho, em seguida vira-se para a filha e começa a falar.
- Queremos revelar algo para você que na verdade, já deveríamos ter feito ha muito tempo.
- Revelar o que mãe?
- Sente-se querida. - A menina sentou-se no confortável sofá de mãos dadas a Elizabeth. - Queremos falar sobre o acidente que você sofreu há pouco mais de três anos.
- O que há para contar? - Perguntou a jovem. - Eu sofri um acidente de carro junto com o meu pai e perdi a memória.
- Essa não é a história real. - Disse George. - Mas antes de qualquer coisa, quero que saiba que fizemos o que fizemos para proteger você!
- O que vocês fizeram?
- O acidente aconteceu, filha. - Disse Elizabeth já com lágrimas nos olhos. - Mas não do jeito que você sabe!
Catherine se levanta abruptamente do sofá largando as mãos de sua mãe.
- O que vocês fizeram? - Repetiu a pergunta.
Os minutos seguintes foram de explicações, revelações e entre uma fala e outra um pedido de desculpas, de compreensão e até de vitimismo, alegações sobre o motivo, meias verdades a respeito de uma suposta indicação médica para que fizessem da forma como fizeram, ela escutou tudo sem nada dizer, as lágrimas que escorriam pelo seu rosto branco revelava toda a sua decepção e tristeza, até que por fim ela tomou a fala.
- Vocês fazem ideia da covardia que impuseram sobre mim e sobre o rapaz que foi meu noivo?
- Filha, nós fizemos isso levando em consideração tudo á sua volta.
- Não mãe! - Gritou a jovem. - Vocês fizeram o que fizeram baseado apenas no que seria mais confortável para vocês! Eu não pude escolher, vocês me tiraram esse direito!
- Decidir o que? - Gritou Greg. - O cara estava em coma profundo e a família desiludida pelos médicos. Você está sendo mal agradecida! O que fizemos foi pensando em seu bem estar.
- Mesmo que a intenção fosse essa, a covardia dessa atitude é gigantesca! Vocês simplesmente jogaram o rapaz na vala, mentiram para mim, quem pensam que são para decidiram o que é melhor ou pior para mim?
- Você acordou com mentalidade de treze anos! - Disse George.
- Mas eu não tenho treze anos, nem quando acordei! - Me deixem em paz!
Kate abre a porta e sai, Greg tentou segura-la, mas Elizabeth o impediu e viu sua filha sumir na esquina tendo como luminosidade apenas uma lâmpada pálida do poste que se localizava ente duas ruas, a reação de Catherine fez a mãe cair em prantos e o pai empurrar Greg e sair correndo atrás dela, mas retornou em minutos, não conseguiu encontrá-la.
Sete minutos depois de sua saída ela telefona para o noivo, estava sentada em um banco de praça quando ele chegou, Philip já imaginava o que havia ocorrido, a pegou ainda em prantos e a levou para à sua casa.
- Amor, Eles mentiram para mim! - Desabafa a jovem em choro profundo, o noivo pega um copo com água açucarada e leva até ela, pede que tenha calma.
Philip a abraçou e deu a ela um tempo para que se recuperasse, o seu telefone tocou insistentemente, viu que era a sogra que telefonava, decidiu em não atender naquele momento, esperou até que Kate estivesse melhor e pronta para conversar.
- O que aconteceu, meu anjo?
Kate estava ainda chorando, mas bem melhor comparando a forma como ele a encontrou.
- Eu sofri um acidente de carro e perdi a memória!
- Sim, eu sei.
- Mas a história não foi contada de verdade. Eu já fui noiva e sofri o tal acidente quando saía do buffer que seria comemorado a festa do casamento, o rapaz que casaria comigo entrou em coma e acordou ha alguns dias!
- Sinto muito que isso tenha ocorrido.
Kate olha em seus olhos e pergunta:
- Você também sabia da verdade?
Philip respirou fundo.
- Descobri ontem.
- Você iria me contar?
- Com certeza.
- Quando?
- Amanhã.
- Por que amanhã?
- Porque foi o prazo que eu dei à sua família.
- Então foi você que os convenceu a me contar toda a verdade? Eu devia ter imaginado!
- Não deve ter sido uma tarefa muito fácil para eles.
- Eu nunca mais quero voltar para casa! - Voltou a chorar.
- Escute, querida. - Ele a beijou novamente na testa. - Não acho que você deva tomar uma atitude tão drástica. Eles são seus pais. Erraram feio, isso é verdade, mas eu aprendi que muita gente erra ao tentar fazer o melhor. Não estou aqui defendendo a atitude deles, muito pelo contrário, não há o que defender, mas é um erro que você tem a obrigação de pesar e comparar com todo o resto.
- Como assim?
- Eles vacilaram com você, foi um erro grotesco, mas tente se lembrar de todas as outras vezes, e não devem ter sido poucas, que eles te fizeram feliz e te deram tudo que poderiam dar.
Kate chora e abaixa a cabeça encostando sobre o peito do noivo, ela estava realmente muito sentida, Philip naquele momento era o oásis no deserto em que se encontrava, suas palavras sempre tão equilibradas a confortava, ela levantou o olhar e beijou-lhe rapidamente.
- O que eu faço, amor?
- Tente se recompor, vamos sair agora para jantarmos, depois eu te levarei para casa.
- Eu não sei se posso encara-los.
- Você não precisa conversar com ninguém hoje, não é o momento certo para fazer isso. Acredito que eles respeitarão a sua privacidade.
- O que mais me irritou foi a forma como se colocaram como vítima, como se o que fizeram tornou a vida deles mais sofrida que a minha condição atual de ter descoberto toda a mentira. A impressão que eu tive era que tentaram me fazer de vilã e eles de bonzinhos.
- Eu te entendo perfeitamente, mas você sabe que não tem como fugir de uma segunda conversa a respeito disso com eles.
- Eu posso usar o banheiro?
- Claro, querida! E preciso te dizer que irei telefonar para a sua mãe e avisar que você está comigo e irá para casa mais tarde. Ela está desesperada, já me telefonou dezesseis vezes, não é correto deixa-la nesse desespero. - Kate concorda com um acenar de cabeça e ele então telefona para a aflita Beth.
Durante o jantar a menina fala sobre o ex-noivo que nem conhecia, tudo isso parecia um tanto louco, inusitado para ela.
- Você acha que o rapaz sofreu muito com tudo isso?
- Com certeza sim. - Respondeu Philip.
- Se para mim está sendo difícil, imagina para esse rapaz.
- O nome dele é Evans Dowson!
- Você o conhece?
- Não, mas conheci a sua irmã.
- Foi ela quem te revelou toda a farsa?
- Foi sim, mas eu gostaria que isso ficasse entre nós.
- Tudo bem, mas por quê?
- Vamos deixar para falarmos sobre isso outro dia, meu anjo, pode ser?
Kate concorda, os dois conversam ainda sobre o assunto por algum tempo, depois o rapaz muda o assunto para o do casamento que estava próximo, ficaram no Bahamas por duas horas, após o jantar foram direto para a casa da jovem, ao parar o veículo, apenas Beth estava na porta da frente esperando.
Catherine beija seu noivo e passa sem falar nada com a mãe, essa por sua vez grita para que Philip espere um pouco, e desce as escadas da varanda apressadamente até chegar na janela do carro do rapaz.
- Obrigado por traze-la de volta!
- Não há de que, senhora Moore.
- Eu só queria que soubesse que eu estou sofrendo muito, muito mesmo com tudo isso. Não sou inocente de nada, mas fui omissa por me deixar levar pro uma pressão dentro de casa. Sei que não posso culpar outra pessoa para tentar safar minha consciência, porque eu aceitei me omitir. Tudo que eu quero nesse momento é ter o respeito de minha filha de volta. De agora em diante estarei ao lado dela, apoiarei a decisão que ela tomar.
- Isso significa muito para Kate, mas acho que a senhora deve provar isso com atitudes, eu sei que o fará.
- Sim, eu prometo que sim. E sei o quão idôneo você é, imagino o que deve estar pensando ao meu respeito, e não tiro a sua razão.
- Eu acredito no seu coração e no amor que a senhora nutre por Kate, eu sinto muito ter participado dessa história da forma como foi, e sinto mais ainda ter dito tudo o que eu disse, mas não posso pedir desculpas a senhora pelo que falei, isso soaria falso, e eu não sei ser assim. O máximo que posso dizer a senhora agora é que realmente sinto muito.
- Eu te entendo.
- Aconselho que vocês a deixe sozinha com os seus pensamentos hoje, foi muito intenso o que aconteceu. Se é que posso sugerir algo.
- Faremos isso. Boa noite!
- Boa noite, senhora Moore!
O dia seguinte amanhece, Kate acorda mais tarde, quando desceu para o café de manhã, apenas Diaz, a empregada doméstica estava em casa, ela decidiu não ir a floricultura, se deu um dia de folga, decidiu caminhar pelo parque, desejava passar um tempo sozinha.
Na casa de Evans a rotina era a mesma, Adriany estava de saída para o trabalho, mas ao abrir a porta da frente coincidiu com uma pessoa que tocava a campainha, ela ficou surpresa a ver quem era, a pessoa pediu para falar com o seu irmão, a moça se apressa em avisa-lo.
- Evans? - Diz enquanto batia á porta de seu quarto, ele já havia acordado.
- Pode entrar!
- Você tem visita!
- Visita? Essa hora da manhã?
- Sim!
- Quem é?
- Venha ver com seus próprios olhos, eu já estou atrasada para o trabalho!
Quando Evans desceu a escada e se deparou com aquela figura bem trajada, Adriany saiu para o trabalho, desejou bom dia a visita e partiu.
- Bom dia, Evans! Meu nome é Philip Menson, sou o noivo de Catherine Moore!
CONTINUA...
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