Hanna Fisio

quarta-feira, 5 de julho de 2017

ENTRE O DESTINO E O AMOR
PARTE 11 - RIVAL NO AMOR


    Philip sempre foi uma pessoa ligada a certos valores, herdou muito da falecida mãe, talvez por isso, buscava aquilo que julgava correto, sua vida tem sido assim, no fundo imaginava que a melhor forma de honrar a sua memória seria perpetuar o que ela o havia ensinado. Buscava ali na casa do ex-noivo de kate algo próximo do que julgava correto fazer.
- Então você o noivo de Catherine?
- Sim!
    Evans estava notoriamente desconcertado com aquela visita, na verdade ambos estavam, nada o havia preparado para aquele momento.
- Posso saber o motivo da visita?
    Philip esboçou um sorriso.
- Eu ensaiei várias vezes o que seria dito, mas agora que estou aqui me foge qualquer pensamento para iniciar essa conversa!
- Imagino que exista uma razão para que tenha vindo aqui.
- Sim, eu precisava muito vir falar com você.
- Bem, você está aqui!
- Eu nem sei por onde começar!
- Não precisa estar aqui! 
- Preciso sim!
- Aconteceu algo?
- Olha, eu nem imagino como tudo deve está sendo difícil para você, sinto muito por tudo.
- Sente muito?
- Eu acho que nem sempre as coisas saem como planejamos, não é mesmo? Esse diálogo, por exemplo, poderia nunca ter acontecido, mas o destino gosta de brincar com a vida.
- Se você não se importa, eu tenho um compromisso daqui a pouco, não estou querendo ser rude, mas sinceramente não vejo motivo para continuarmos com essa conversa.
    Philip respira fundo.
- Eu só queria que soubesse o quanto é embaraçoso para mim, e estou aqui para te dizer que se precisar de alguma coisa, eu irei te ajudar.
- Por quê?
- Porque me sinto envolvido nessa história!
- Você não devia se sentir assim, nada do que aconteceu tem a ver com você! Pelo que eu soube, a kate te conheceu pouco mais de um ano após o acidente, então não vejo o mínimo motivo para que se sinta envolvido nessa história!
- A família dela mentiu para ela em relação ao acidente, mentiu sobre você, mentiram para mim também. Sim, eu estou envolvido indiretamente.
- Sei. - Disse Evans em tom irônico.
- Você pode não acreditar, mas eu sinto muito por você! Estou aqui para oferecer ajuda, dizer que pode contar comigo.
- Entendi! Você é o ser humano perfeito não é? Vem até aqui tentando manter um esteriótipo de pessoa boa, de um ser humano raro!
    Philip balança a cabeça negativamente.
- Por favor, Evans, peço que não vá por essa vertente! Não faço cena, não interpreto personagem. Ninguém sabe que eu vim aqui, e  nem precisa saber. Estou aqui por questão de princípios, fui educado desta forma, creio muito na condição que leva o ser humano a tocar a sua vida sem culpa, mas para isso, ele precisa ser um homem de atitudes. Não culpo você de pensar isso ao meu respeito, não me conhece, mas ao menos tente usar a razão, a resposta estará ai dentro de você.
    Evans aumenta o tom da voz.
- Então porque diabos vem até aqui? Não percebe o quanto isso é complicado para mim? Não existe razão para esse diálogo. Você está com a pessoa que eu amo, e não amo pouco! Não quero ser injusto com você, já ouvi muitas coisas boas ao seu respeito, eu não quis acreditar, sabe porque? Porque eu queria encontrar defeitos para te odiar, mas acho que estou espiritualizado demais para regredir como ser humano. O destino está sendo tão cruel comigo, que nem odiar alguém me permite fazer. Esse sou eu, uma pessoa que ainda está tentando digerir tudo que aconteceu, me sinto fora do tempo, desde que acordei me faço uma pergunta incansavelmente que tem sido meu carma. Por que eu não morri? Por que estou jogado no campo de um sofrimento que não parece ter fim? O que eu fiz de tão errado para merecer tão grande castigo? Sim, essa tem sido minha rotina, mas acredite, você não está contido dentro desse meu mundo.
    Philip respirou fundo mais uma vez, decidiu em tentar dialogar, no fundo sentiu pena daquele rapaz tão fragilizado e tão açoitado pela vida.
- O destino é algo incompreensível, não pede licença para entrar e nem se desculpa depois do estrago que costuma fazer, de uma coisa eu sei, não existem culpados em momentos como esse que você tem vivido. Eu não vim até aqui para abrir ainda mais a sua ferida, por mais que você não consiga compreender, eu me sinto envolvido indiretamente nesse história.
    Evans vira de costas para o visitante e diz.
- Eu acredito em você! Me parece uma pessoa com boas intenções, sei que fará de Catherine uma mulher feliz, ela merece isso, tem um coração lindo. por mais que me doa dizer, desejo que sejam felizes, dito isso, não creio que aja mais nada a ser dito.
    Philip entendeu que era hora de partir, antes porém retirou um cartão do bolso e colocou sobre a mesa de centro.
- Estou deixando aqui o meu cartão, se precisar de qualquer coisa, por favor não exite em me contatar.
    antes que o visitante vire a maçaneta da porta da sala, ainda de costas Evans lhe faz uma indagação:
- Você acredita que uma pessoa possa fracassar sem ter tido a chance de ter tentado? É normal alguém se sentir um derrotado sem sentir a queda de uma batalha?
- Eu acho que isso depende de cada um, mesmo para uma pessoa frágil por natureza não haverá uma derrota permanente, as atitudes são os alicerces para que possa se levantar mais forte. Não acredito que exista derrota sem luta, pode existir por falta dela, mas em se tratando de acidentes, a única coisa que se perde é chance de não poder ter lutado. Sobreviver ainda é o principal triunfo de um ser humano.
    Evans enxuga as lágrimas que insistem em escorrer por sua face, de costas para o visitante diz.
- Vá embora, e por favor, nunca mais volte aqui!
    Philip sai em silêncio fechando à porta às suas costas,  com pensamentos conclusivos a respeito de Evans, segue seu caminho, decide não ir a empresa aquele dia, prefere aguardar o fim do dia longe do trabalho, horário que se encontraria com Catherine.

CONTINUA...






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