Hanna Fisio

domingo, 19 de julho de 2015

SERENITY

PARTE 21 - AMEAÇAS
Por Jair Nepomuceno

A vida é cheia de surpresas, amigos outrora, podem se tornarem desafetos, antigos inimigos podem por sua vez, se transformarem em aliados, a unica dúvida que fica é a razão.

Depois da agressão sofrida, o psicólogo enfim chega em sua casa, estava no banco do carona, Vinne que dirigia o seu Dodge Viper, o vermelho que tingia a sua roupa era o resquício da violência a que havia sido submetido. O veículo para, antes de descerem Vinne revela o que havia descoberto.
- Era Rogger a pessoa que conversava com o Doutor Antony!
- Do que você está falando? - Indagou Daryl.
- Você não se lembra? Eu havia te dito que o Diretor conversava com outra pessoa a respeito de Leonora e que a outra pessoa se mostrava perigosa.
- Sim, me lembrei!
- Reconheci pela voz!
- Ele é um psicótico, frio, não tem qualquer remorso! Escute o que eu vou te dizer, você não pode deixar que percebam que você sabe o que houve em Green Lake, principalmente o Rogger. Caso ele desconfie, você correrá perigo de morte.
- Entendi.
- Tem certeza que vai permanecer em Serenity?
- Não posso recuar.
- Ok. Outra coisa, volte a Serenity com o meu carro, amanha, se puder, venha e me pegue aqui em casa.
- Você precisa descansar!
- Prefiro ir até Serenity, não quero aquele lixo do Antony pisando aqui em minha casa.
- E quanto a Kelvin Obbie?
- Aquele desgraçado não perde por esperar! O que é dele, está muto bem guardado!
Vinne muda o semblante, estava preocupado com que seu amigo poderia fazer, a vingança poderia ser trágica em todos os sentidos, tentou ainda convencê-lo a procurar meios legais.
- O que você pretende fazer, Daryl? Eu ainda acho que um boletim de ocorrência e um processo por agressão seria o melhor caminho.
- Não se preocupe com isso! - Disse o outro sem pestanejar. - Essa bronca é minha, o que quer que eu vá fazer não tem nada a ver com você ou com outros. Procure ficar alheio a essa situação, senão pode sobrar para você também!
- Sobrar pra mim?
- Sim! Você não sabe com quem está lhe dando, eu sei. Lá em Serenity, todos os funcionários, eu disse todos, com raríssimas exceções, tem lealdade com o Antony e, quem sabe, "rabo preso".
- Tudo bem, vou me manter distante desse episódio, mas você sabe que pode contar comigo.
- Amanha eu vou dar o ultimo plantão em Serenity, será o ultimo, e irei bem preparado.
- Amanha seu rosto estará ainda mais inchado. Tem certeza disso?
Daryl pondera, fica alguns segundos pensando e resolve recuar.
- Tem razão. Diga aquele estrume falante que depois de amanha eu irei trabalhar. E que poderemos ter a reunião que ele me convocou.
- Vou dizer! - Falou Vinne, em seguida, se despede do outro psicólogo. - Ficarei com o seu carro até depois de amanha.
vinte minutos depois, o novato estaciona o carro próximo a entrada do hospital, mal desliga o carro e é surpreendido por Sally Donavan, a enfermeira.
- Oi, garoto!
- Hã... Oi Sally!
- Como está o teu amigo?
- Do jeito que você viu quando saiu daqui!
- Que grosseiro! - A enfermeira sorrir de forma irônica.
- Me desculpe Sally! - Vinne tenta amenizar. - Eu não falei por mal.
- Vou te dar um conselho, novato! Fique longe do Daryl, aquele cara não presta! Ninguém aqui gosta dele, todos estão achando muito bom ele ir embora. O que Kelvin fez foi merecido, na verdade eu achei foi pouco.
- Na boa, Sally, não vou ficar aqui discutindo com você a respeito disso. Não to nem ai para que os outros pensam a respeito dele ou de qualquer outro. Venho de um lugar que levamos a sério a máxima de que todos são inocentes até que prove o contrário. E não estou me referindo especificamente ao caso do Poll, me refiro a tudo na vida.
Sally sorrir mais uma vez, e vai acompanhando a passos curtos e lentos o novato até o saguão.
- Temos aqui um bom samaritano!
- Bom samaritano? Não minha querida, só tento ser coerente. Um pouquinho de coerência não faz mal a ninguém, muito pelo contrário!
- Você tem razão! - Se rende a enfermeira, continua. - Mas vamos combinar que coerência não é bem algo que o Daryl conheça bem, pelo menos não faz uso dela.
- Certo, mas você queria me dizer algo? - Vinne estava notoriamente incomodado com aquela mulher.
- Não, nada em especial, na verdade eu que ria só conversar com você um pouco para te conhecer melhor, afinal você vai ficar aqui conosco nê?
- Entendo.
- Você está gostando de Serenity?
- Não tive tempo ainda para avaliar, tanta coisa aconteceu não foi?
- Sim! E você viu algo estranho aqui?
Nesse momento Vinne se lembrou dos conselhos de Daryl, desta forma preferiu não falar nada sobre as "aparições", não julgou coerente.
- Estranho como?
- Estranho! - Insistiu a enfermeira. - Coisa que você nunca presenciou!
- Continuo não entendendo, Sally! Estamos em um hospital psiquiátrico, com certeza coisas estranhas são até normais. Existem vários internos aqui.
- Você nunca viu por exemplo um menino correndo pelos corredores?
- Um menino? Temos um menino aqui?
- Muitas pessoas já afirmaram terem visto uma criança correndo por esse hospital, Poll Austin por exemplo, dizia que conversava com esse espírito!
- Você acredita nisso? - Sorriu Vinne.
- Já vi que é um cético!
- Não sou cético, só sou crescido demais para acreditar em histórias de fantasmas!
- Idade não tem nada a ver com isso, garoto! - Sally fechou o semblante, tocou o ombro e lhe desejou uma boa-vinda, em seguida seguiu o seu caminho.
Vinne se aproximou da recepção, ia pedir para guardar as chaves do carro de Daryl, mas teve que esperar a sua vez, Melissa estava recebendo uma encomenda, era um tipo de espada longa, muito bonita e trabalhada.
- Que espada linda! - Comentou Brenda enquanto a outra recepcionista assinava os papeis para o entregador.
- É uma claymore! - Disse Melissa. - Um espada longa que impedia que o guerreiro usasse escudo, porque tinha que segura-la com as duas mãos. Geralmente essa espada escocesa era feito da altura do guerreiros que iria empunha-la, muito utilizada entre os séculos quinze e dezesseis. Essa aqui é bem pequena, tem um metro e trinta. Comprei de um colecionador lá de Virgínia. 
- Nossa! você sabe tudo! - Sorriu Brenda. - Não sabia que gostava de armas medievais!
- Não é para mim, é para o meu marido! Ele que coleciona, eu acabei aprendendo um pouco sobre armas antigas! Ele vai enlouquecer quando ver esta!
- Essa gigante escocesa é na verdade uma variante da montante! - Disse Vinne de supetão.
- Você também coleciona armas? - Indagou Mellisa.
- Não. Meu avô que colecionava. Aprendi muito com ele, principalmente sobre espadas!
- O que me diz desta? - Sorriu Mellisa enquanto agradecia e se despedia do entregador.
- A calymore é um nome que vem do gaélico e quer dizer "espadão". Foi uma arma muito utilizada na guerra da escócia pela independência e também ficou famosa por ter sido utilizada pelo primeiro rei da Irlanda, Brian Boru, que expulsou os vinkings! O cabo dela, como pode notar era em forma de triângulo, geralmente as espadas possuíam cabo em forma de cruz. Essa é realmente um belo exemplar!
Melissa e Brenda ficaram impressionadas pela "aula" de Vinne, o rapaz entregou a chave do carro de Daryl a Melissa e foi para o alojamento, hoje tria que entrevistar dois internos.
Quando estava diante do seu armário uma pessoa se aproximou, era Michael Sales.
- Ei! - Disse Michael.
- Oi amigo!
- Amigo porra nenhuma! - Falou o outro para a surpresa de Vinne.
- Aconteceu alguma coisa?
- Aconteceu! Você é uma lástima!
- O que é isso, Sales? - Ainda surpreso Vinne tenta entender. - O que foi que aconteceu?
- Só vou te dar esse aviso, não darei outro! Fique longe de problemas, a curiosidade matou o gato! Você é muito curioso!
- Não estou entendendo!
- Entenda isso! O que quer que tenha ouvido aqui, esqueça! Sei que você fica andando feito um rato pelas sombras como uma maldita fofoqueira! Não me faça perder a cabeça, eu garanto que você não vai gostar do que eu irei me transformar! - Michael bate a ponta do dedo indicador sobre o peito de Vinne com força, três vezes e continua. - Não quero ter que vir aqui falar com você sobre isso novamente, pois não serei tão indulgente!
Sales da uma ultima olhada para Vinne e vai embora, o segundo fica ali sem ação, tentando entender a razão da ameaça.


CONTINUA...


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