Hanna Fisio

sexta-feira, 4 de setembro de 2015

SERENITY

PARTE 31- CONVERSA INFORMAL, OBJETIVO FORMAL
Por Jair Nepomuceno

As perguntas são como flechas em busca do alvo, da mosca, mas muitas vezes servem como vento contra, que conduz a seta para longe do escopo.

Malcon decidiu passar o dia em averiguações, determinado e curioso o tempo sempre fora o seu inimigo quando situações como a que estava passando exigiam a sua total atenção, pois foi pensando justamente nisso que ele resolveu visitar uma pessoa de extrema importância no caso Serenity, uma pessoa misteriosa e ao mesmo tempo explícita em relação ao que pensava, e principalmente nas atitudes que costumava tomar.
Parou o seu carro em frente à casa da pessoa que buscava, e lá estava ele, sentado na varanda relaxado, sobre a mesinha de madeira rústica um jarro de suco, o rosto ainda magoado por uma agressão sofrida se mostrou surpreso com aquela visita inusitada.
- Delegado Malcon! - Disse Daryl. - Veio me dar voz de prisão?
- Ainda não! - Respondeu o policial.
- Então está perdido?
- Não no sentido geográfico! - Sorriu o homem da lei.
- Certo. Então a que devo a honra da visita?
- Não estou aqui oficialmente, Daryl. Não precisa me receber se não quiser, vim apenas conversar um pouco com você! Não levarei muito tempo.
- Eu não deixarei que o senhor tenha vindo em vão! Por favor sente-se! Aceita uma limonada? Acabei de fazer!
- Não, obrigado!
- Uma cerveja, talvez? Eu não posso beber nada alcoólico, infelizmente,  estou tomando anti-inflamatórios! Mas tenho cerveja gelada, como não está aqui oficialmente, não vejo razão para não aceitar uma cervejinha!
- Estou em expediente de trabalho, não posso aceitar, mas agradeço imensamente!
- Ok.
- Gostei da sua varanda! - Disse Malcon olhando para cima com as mãos na cintura, balançando a cabeça positivamente. - Eu tinha uma parecida com essa, adorava ficar sentado no fim do dia, vendo o tempo passar, mas a minha esposa decidiu acabar com ela para aumentar a sala! Uma pena!
- Eu gosto de ficar aqui, embora que os últimos dias tem sido um tanto complicado!
- É mesmo e por quê?
- O senhor percebeu um homem pintando o meu muro?
- Sim!
- Ele estava todo pichado com a palavra "assassino"! Fizeram o mesmo no meu carro! Arranharam a pintura e escreveram a mesma coisa! Tive que manda-lo a uma funilaria!
- Isso é vandalismo! - Disse Malcon.
- Eu não to nem ai para o que esses idiotas falam! Como diz o ditado, " to cagando e andando". Mas o que me incomoda é o prejuízo financeiro! Ontem quebraram uma de minhas vidraças!
- Por que não fez boletim de ocorrência? Já sei, por que acha que eu tenho algo pessoal contra a sua pessoa!
- Não. Não fiz porque não tenho tempo a perder, também tenho certeza de que a polícia não iria colocar a minha disposição guardas para protegerem a minha propriedade.
- As pessoas são intolerantes!
- São sim. Mas me diga, Delegado, o que posso fazer por você?
- Daryl, estou aqui em busca de algumas respostas, você é o principal suspeito devido as circunstâncias! O Promotor já queria ter pedido a tua preventiva, eu pedi para ele aguardar mais um pouco!
- Eu não vou ficar aqui repetindo que sou inocente, mas se veio aqui para ouvir de mim a confissão desses crimes, perdeu teu tempo!
- Você afirma que não matou Kelvin Obbie! Você ficou triste com a morte dele?
Daryl deu um sorriso, balançou a cabeça e usando de sua sinceridade disse:
- Não sou hipócrita! Não vou dizer que fiquei triste, mas eu não desejava isso nem a ele e nem a ninguém!
- Se tivesse a chance de dizer algo a família dele, o que diria?
- O que eu poderia dizer? Pra mim é só um vá com Deus e vida que segue!
- Alguma desavença entre ele e outra pessoa de Serenity?
- Que eu me recorde, não!
- Qual era a relação entre ele e Antony?
- Sinceramente eu não sei, para falar a verdade ele era um dos que eu mais suspeitava que tivesse matado Poll, vendo agora o que aconteceu me frustou um pouco!
- Ficou com a consciência pesada?
Daryl entrelaça os dedos, apoia os cotovelos sobre a mesa, balança a cabeça e dispara.
- Vou deixar uma coisa aqui bem clara, e isso pode até ser um tiro em meu próprio pé. Mas eu to me lixando para o que houve com Kelvin, ele me agrediu covardemente, eu sempre o detestei, pra mim ele era um lixo, e ainda agora continuo achando isso. Não fiquei feliz com a morte dele, mas não fiquei triste. Kelvin era pra mim como um sujeito que morre atropelado do outro lado do país e eu só tenho conhecimento que um dia esse sujeito existiu porque por acaso eu estava assistindo tv e mostraram o acidente.
- Certo. Gostei de sua sinceridade, e da coragem em dizer isso.
- Cara, eu não sei fazer cena.
- Não mesmo! Mas me diga. O Antony teve ou tem atitude estranha? 
- Ele é estranho!
- Ontem fiquei sabendo da morte de uma pessoa que já inclusive trabalhou com ele naquele hospital!
- Sério? Quem?
- Leonora! Conhece?
Daryl fica surpreso mas tenta demonstrar naturalidade.
- Sim! Mas não tinha qualquer amizade com ela! Como ela morreu?
- Assassinada! Foi degolada! Não encontraram nada com ela, só a bolsa jogada  pouco mais de cem metros de onde o corpo estava. Testemunhas disseram que a viram pegar um táxi na estação.
- Terá sido assalto?
- Não creio, mas isso não tem nada  a ver comigo é outra jurisdição!
- Pensei que iria investigar!
- Não, eu só achei muita coincidência alguns fatos!
- Tipo o que?
- Daryl, Saint Sofhie  sempre foi uma cidade pacata, crimes como este em Serenity abalam toda a comunidade! Sabe qual outro assassinato abalou essa região? Aquele em Green Lake!
Essa palavra fez o psicólogo gelar, Malcon não era um policial qualquer era do tipo que iria a fundo para saber toda a verdade, Green Lake poderia até vir à tona, isso o preocupou, ele tentou desviar.
- O que tem a ver aquele caso de Green Lake com isso? Não vejo qualquer ligação!
- Pois eu não descartaria como acabou de fazer! Sabe por quê?
- Não!
- Porque Leonora era ligada nessa parada de conversar com espíritos! Todo mundo sabia disso. O ritual usado na ocasião me chamou atenção na época, se eu fosse o Delegado do caso, não teria dado o caso como encerrado, não sei porque mas se eu cascavilhasse o processo arquivado de Green Lake era capaz de encontrar rastros que me levariam até Serenity!
Daryl mais uma vez se impressionou com a perspicácia de Malcon, aquele cara não era qualquer um, pensou o psicólogo.
- Por que diabos o senhor acha isso?
- Por que a porra dos assassinatos de agora parecem conter algo ligado ao sobrenatural!
Daryl da uma gargalhada!
- O senhor é do tipo que adora teorias da conspiração não é?
- Engano seu, rapaz. Eu adoro é a verdade! 
- Verdade baseada em um crime arquivado que ocorreu ha quase cinco anos e não houve indícios a respeito de nada. Onde Leonora estava quando a atrocidade aconteceu?
- Segundo a investigação pífia feito na época, ela estava em Orlando visitando uma tia!
- Sei. E ninguém tentou comprovar junto a essa tia se ela realmente esteve lá no período em que a garçonete foi assassinada?
- Claro que foi! E ela confirmou toda a balela!
- Então era verdade!
- Na minha opinião não! Por que a tal tia além de já ter passagem pela polícia é apreciadora de um tipo de ceita africana, coisa muito escrota! Uma pessoa dessa não tem credibilidade alguma!
- Isso não prova nada, você acha que prova alguma coisa?
- Pode ser que não, pode ser que sim. Se lembra de Tommy Lander?
- O maluco que matou o pai enterrando uma chave de fenda em seu ouvido enquanto o miserável dormia? Quem não conhece?
- Ele era uma pessoa normal, depois do acidente que matou a irmã dele, o cara se transformou em um zumbi. Ele sumia e ficava dias sem tomar banho, sem comer sentado sobre o tumulo dela, até o dia que foi encontrado deitado dentro do caixão, ele exumou o corpo e deitou-se junto com o corpo em decomposição!
- Sim, eu li a respeito! Mas não to entendo qual a ligação disso com o que estamos conversando!
- Ele foi levado a Serenity, ficou lá por cinco meses, teve um caso nesse período com uma enfermeira, a Sally, ela ainda trabalha la. - Daryl acenou positivamente com a cabeça. -  ele foi devolvido a sociedade como recuperado, no mesmo dia, de noite ele matou o próprio pai! Ou seja, aquele hospital é maléfico!
- Maléfico?
- Me responda, Daryl, quem é a criança que eu vi lá no hospital? Sei que não é coisa desse mundo, sinto que ela possa ter alguma ligação com tudo!


CONTINUA...








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