Hanna Fisio

segunda-feira, 14 de dezembro de 2015

SERENITY

PARTE 39 - OS SEGREDOS DA CLAYMORE
Por Jair Nepomuceno

Até onde vai uma lealdade ao amor ou ao desejo? Até onde a razão poderia ser nublada por inconsequências causadas por aquilo que muito se quer? O ferrão da vespa poderá atingir em cadeia e trazer castigos rígidos.

Malcon era o tipo de investigador incansável e devotado a velocidade das ações, no seu caso, as coisas ganhavam velocidade devido ao relacionamento que ele mantinha com pessoas em diversas áreas, era um homem respeitado e influente, por essa razão as portas normalmente se abriam com uma certa facilidade e rapidez. Isso foi posto à prova quando no dia seguinte no inicio da tarde ele recebeu em tempo recorde a perícia que fora feito na espada, assim que viu o resultado ficou surpreso, mas nada o faria retardar seu modo perseverante de realizar suas investigações, e isso talvez tenha feito com que ele fosse o homem da lei mais condecorado de Saint Sofhie, sem perder tempo correu para Serenity.
No hospital psiquiátrico anunciou a prisão preventiva de Michael Sales, foi um espanto geral, o psicólogo ficou surpreso, mas preferiu ficar em silêncio, apenas acompanhou um policial até a viatura sob os olhares de várias pessoas, apenas Antony chegou até Malcon para tentar entender.
- O que está havendo?
- Justamente o que você está vendo! - Disse o investigador.
- Será que uma vez na vida você poderia deixar de ser um cretino e dar atenção as pessoas? - Insistiu o Diretor de Serenity.
- Já ouviu falar em prisão preventiva? - Ironizou o policial.
- Sei o que é uma prisão preventiva, mas por que Sales está indo preso?
- Isso não é da sua conta, pelo menos não ainda! - Malcon da as costas ao Psiquiatra gestor do hospital e em seguida entra na mesma viatura que estava Michael Sales, saindo imediatamente dali.
Assim que chegaram no primeiro distrito, o investigador recebeu de outro policial uma intimação para outra pessoa que trabalhava em Serenity, sem perder tempo ele manda que alguém vá buscar a quem deveria vir ao distrito depor.
Michael Sales estava nervoso, com um olhar assustado, se manteve em silêncio o tempo todo aguardando que o policial iniciasse as explicações a cerca de sua prisão e isso não demorou a acontecer, pois Malcon sentou-se em sua confortável cadeira colocou um chiclete sabor hortelã na boca e disparou:
- De todas as pessoas que trabalham lá em Serenity, você seria a última que eu iria desconfiar ser o assassino, estou realmente surpreso e de certa forma decepcionado! Tenho que "tirar o chapéu" para você, Michael, eu fui enganado até agora!
- Eu não matei ninguém, eu juro! 
- Isso é algo bem difícil de se acreditar já que as suas impressões digitais estavam na espada, que segundo a perícia, foi a arma usada para matar Kelvin Obbie. Havia sangue dele na arma e as suas digitais em toda a espada. Você tentou limpar a lâmina, mas a pericia forense conseguiu identificar através de luminol e os resquícios do sangue que você não conseguiu limpar através da serologia, mas não vou ficar aqui falando a respeito de procedimentos técnicos com você. A unica coisa que eu quero saber é o que te motivou a assassinar aquelas pessoas.
- O senhor está cometendo um erro, eu não sou assassino, eu nunca matei ninguém!
- Seu cretino! as suas digitais foram encontradas na arma, vai negar isso também?
- Eu peguei na arma, mas não para assassinar alguém!
- Jura? - Ironizou o delegado interino. - Você pegou a arma para palitar os dentes?
- Eu não matei! Quando eu cheguei no local do crime Kelvin já estava morto, não havia mais ninguém la, então eu apanhei a espada e a escondi no sexto andar até que as coisas esfriassem, depois eu iria pensar em algo!
Malcon da um soco sobre a mesa.
- Seu maldito! Eu tenho cara de idiota? Quem você acha que iria acreditar nessa tua história tão imbecil? Vou garantir quarenta anos por cada morte, pode apostar! Isso se não pegar perpétua!
- Eu estou falando a verdade! Por favor, acredite em mim! Eu sei que parece loucura, mas foi isso que eu fiz!
Malcon coça o queixo, relaxa sobre a cadeira e diz:
- Vamos supor que você seja um retardado mental e tenha feito essa estupidez que está dizendo. Por qual razão você esconderia uma arma de crime se não havia sido você a comete-lo?
- Eu tinha um motivo para fazer isso!
- Ocultar provas de crime faz de você um bandido! O único motivo que eu poderia ver para que tivesse feito isso era para limpar a sua própria cena do crime.
- Não matei!
- Você está mais que fodido, Michael! Acredite em mim! Não quer cooperar comigo? Tudo bem! Vou garantir a perpétua para você, seu psicopata desgraçado!
- Eu fiz para proteger Mellissa! - Gritou o psicólogo.
- Como é que é?
- Isso que o senhor ouviu!
Malcon se levanta, passa a mão no cabelo, cruza os braços ainda de costas para Sales, se vira vai até perto do assustado homem e pergunta:
- Você está querendo dizer que Mellissa é a serial Killer de Serenity?
- Eu pensei que fosse! Mas não foi ela também!
- Então você colocou o próprio rabo na reta para salvar a pele de um assassino?
- Sim, mas não foi ela! Meu erro foi ter me precipitado!
- Por que você faria isso por ela?
Sales baixa  a cabeça e responde com olhos marejados:
- Porque a amo! Faria qualquer coisa para protegê-la, até bagunçar a minha própria vida!
- Deixa eu ver se eu entendi! - Disse Malcon. - Vocês são amantes?
O psicólogo responde acenando positivamente com a cabeça, o Delegado sorrir e fala baixinho.
- Isso explica muita coisa!
A porta se abre e um policial coloca meio corpo dentro da sala interrompendo o interrogatório.
- Ela está aqui!
- A faça entrar! - Responde Malcon.
Assim que Sales levanta a cabeça ver Mellissa entrar e isso o deixa desconcertado.
- Boa tarde! - Cumprimenta a bonita mulher.
- Sente-se por favor, Mellissa. - Disse o delegado.
- O que está acontecendo? - Indagou a  jovem.
- Você foi intimada a depor porque as suas impressões digitais estavam na arma que matou Kelvin Obbie, mas havia apenas duas digitais sua. Segundo o que Vinne me falou em depoimento outro dia essa espada lhe pertencia, então não seria um absurdo ter alguma impressão digital sua nela, além de que, segundo você mesma, a espada havia sido roubada de seu armário! Confirma tudo isso?
- Sim senhor! - Respondeu a moça.
- Michael Sales confessou que escondeu a arma para protegê-la, isso sugere que a senhora poderia ser cúmplice no assassinato de Kelvin, porque a unica razão que eu imaginaria que o faria ocultar prova de crime seria no caso de proteger a cúmplice.
- Pelo amor de Deus, não! Eu jamais mataria uma mosca!
- Eu disse a ele, Mel! - Falou Sales inesperadamente, mas foi duramente repreendido por Malcon.
- Cala a porra da boca! Só abra essa latrina quando eu disser que pode!
Mellissa chora e implora:
- Por favor senhor Malcon, tenha paciência! Nós não somos assassinos!
- O que vocês são? - Se mantem firme o policial.
- O que ele falou ao senhor?
- Mellissa, eu quero que você me responda o que eu perguntar, te aconselho a cooperar, porque não vai me querer ver nervoso!
A mulher chora copiosamente, naquele momento ela entendeu o que Sales poderia ter dito ao delegado, confessar seu pecado poderia de certa forma atenuar aquela situação.
- Somos amantes!
- Então deixa eu ver se eu entendi. - Diz Malcon, continua. - O Michael chegou até o jardim e viu o corpo de Obbie morto e a espada do lado, imediatamente ele associou a espada a dona dela e imaginou que você, Mellissa, teria matado Kelvin. Pegou então a espada e a escondeu no sexto andar.
- Foi isso mesmo! - Respondeu o psicólogo.
- O senhor não vai contar ao meu marido não é senhor Malcon? - A mulher continua chorando.
- Isso é outra questão. Se precisar de depoimento dele nos autos eu o deixarei a par de tudo, mas caso não necessite, então isso não é da minha conta. To me lixando para o seu adultério, embora eu te ache uma louca, porque o teu marido é um demente, é o tipo de sujeito que se descobrir algo assim, não haverá polícia que o fará recuar.
- Eu sei! - Mellissa limpa as lágrimas com as costas da mão branca como a neve. - Mas isso aconteceu meio que sem querer, eu estava fragilizada então...
- Eu acho que você não me entendeu. - Disse Malcon interrompendo a mulher. - Eu não tenho o minimo interesse em saber como começou o teu romance com Sales, a unica relevância que isso pode ter é que serve de certa forma como atenuante e coloca seu namoradinho como principal suspeito e nesse momento, ele terá que responder a justiça pelo crime de ocultação de provas. De um jeito ou de outro, ele terá que ir a julgamento.
- Como o senhor descobriu a espada lá no sexto andar?  - Indagou Michael.
- Isso e´outra informação irrelevante para você!
- Descobriu isso conversando com o menino no porão? - Perguntou o psicólogo.
- Como é que é?
- O senhor foi até o porão e teve acesso as fotos que o menino costuma mostrar e ele apontou o sexto andar, ai o senhor foi lá junto com o Vinne. Ou o senhor viu alguma arte envolvendo a claymore nos quadros de Matt?
- Talvez Matt tenha pitando algo ou aquele velho antiquário que era apaixonado por uma enfermeira antiga de Serenity tenha falado algo a respeito do sexto andar. -  Desta vez foi Mellissa que começou a falar. -  Se eu fosse o senhor não falava muito com aquele velho, ele é maluco, não diz coisa com coisa. O doutor Antony o proibiu de ir la em Serenity, mas ele era teimoso e ia mesmo assim, só deixou de ir depois que sofreu o acidente que lhe fez perder a memória, agora virou um antiquário sem memória, mas com o dom de saber tudo sobre as relíquias que vende.
Malcon olha por alguns segundos em silêncio para os dois sem nada dizer, foi absorvendo aquelas informações, de repente grita para um policial, ele pede para que ele leve Mellissa de volta a Serenity e que Sales seja encaminhado para uma sela dentro do próprio distrito, em seguida sai correndo sem nada dizer, isso so poderia significar uma coisa, o lobo estava a caça...


CONTINUA...


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