Hanna Fisio

domingo, 12 de junho de 2016

IOKRAN

PARTE 8 - A CAMINHO DE WIU
Por: Jair Nepomuceno

Enquanto a nave de Urzo recebia os cuidados de Nulla Baiza antes da viagem para o quadrante quatro, Stephem Olson cuidava da estratégia para chegar até o suspeito do furto do Iokran, estava preocupado porque se o ladrão do artefato for realmente Clint Thomas o problema se tornaria maior. 
Não demorou muito até o farejador concluir a calibragem da energia e pegar a pouca bagagem que tinha,
em pouco tempo já estavam decolando e partindo para a lua Wiu, onde supostamente o ladrão do artefato estaria vivendo, a ideia seria recuperar o objeto e se possível levar o ladravaz ao tribunal, missão não tão simples, mas se cumprida, inocentaria Nova e de bônus poderiam ainda receber de bandeja o planeta anão Dottah para enfim colonizarem.
Um dia e meio foi o necessário até entrarem no quadrante quatro, e um dia depois já entravam no sistema solar onde se encontrava Worinm o planeta cujo Wiu, o local de destino,  era uma de seus nove satélites e o local onde o Iokran poderia estar.
Pousaram na base lunar sem problemas, a atmosfera artificial garantia a habitação dos diversos seres, era um local diferente de tudo que Olsen conhecia, o ar o sufocou mais uma vez, mas ele já havia se acostumado com isso, o exzânium causava esse mal estar temporário, dirigiram então sem demora para a cidade, um lugar onde os seres iam e vinham de forma apressada, ali havia comércio, hotéis, um grande hospital, as ruas apresentavam um frenesi realmente intenso.
Nulla sentiu que aquela cidade conhecida por Werwiu não era o local onde o Iokran estaria escondido, mas a grande placenta que encobria a lua em oitenta porcento se estendia muito além da cidade, seguindo a orientação do farejador os outros dois o acompanharam para fora dos limites de Werwiu.
- Sente alguma coisa, Nulla? - Indagou Stephem.
- A assinatura energética do Iokran está em toda parte. - Respondeu Baiza, continuou. - Isso pode confundir um farejador, mas não a um experiente. O artefato deve está ali próximo aquelas pequenas montanhas, ou quem sabe, dentro de uma caverna.
- Vamos lá então! - Se entusiasmou Urzo.
Os três alugaram um tipo de prancha flutuante, era o principal transporte de Werwiu, sua praticidade e sua velocidade ajudavam bastante, o condutor só tinha que manter o equilíbrio sobre o transporte, os comandos era relativamente simples, dois pedais um que servia para acelerar e o outro para desacelerar como se fosse um freio convencional, havia ainda uma cruz direcional com setas que o condutor pisava sobre elas para dar o comando de direção.
Nulla tomou a dianteira seguido de perto pelos outros dois, não demoraram e chegaram a uma vilela, havia pouco mais de nove construções inteiras e algumas outras inacabadas ou parcialmente destruídas. Estacionaram as pranchas de frente a um tipo de comércio, o farejador entrou imediatamente e, tão rápido como entrou foi também reconhecido e cumprimentado pelo comerciante de cabeça desproporcional, com olhos grandes e na cor laranja, pertencia a uma raça conhecida como Kairiús.
- Não acredito! Estou tendo a honra de ser visitado por Nulla Baiza, a lenda!
- Ha quanto tempo, heim Boo? - Disse o farejador.
- Ouvi dizer que você tinha morrido em Sanvra, na galáxia Londrária! - Falou sorrindo o comerciante.
- Já me mataram em praticamente todas as galáxias conhecidas, mas como pode ver, estou vivo e como de costume sem muita paciência!
- Sem muita paciência por que, meu amigo?
- Não sou amigo de assassino!
- Ei! Não em chame de assassino, eu já paguei por aquilo, e todo o cosmo sabe que foi legítima defesa! 
- Legítima defesa fazendo tocaia?
- Eu não fiz tocaia, eu o estava esperando! Ele vinha para me matar!
- Seu cretino! Quirio estava desarmado! E você matou a família dele em seguida!
- Ele não precisava de arma para me matar, a telecinesia dele era mais que suficiente! E eu matei a família dele por que juraram vingança!
- Para de defecar pela boca, seu estrume! A família dele nem teve tempo de jurar vingança, porque você os matou antes mesmo deles terem o conhecimento do que você havia feito a Quirio!
- Tudo bem! - Se irritou Boo. - Veio aqui para me condenar? Não devo mais nada quanto a esse delito! Fiquei preso em Tkuza por um ciclo e meio!
- O que seria um ciclo e meio? - Indagou Olsen sussurrando para Urzo que respondeu prontamente.
- Setenta e cinco anos terrenos!
Nulla se aproximou de Boo, apontou o dedo quase tocando o seu nariz.
- Não vim aqui tratar da morte de Quirio, embora todos saibam que você não cumpriu nem a metade da pena, fugiu de Tkuza durante a rebelião que houve lá pouco tempo após a sua chegada, tenho certeza que aquela rebelião teve dedo seu. Você então fugiu para essa galáxia e está vivendo aqui sem que as autoridades saibam de seu paradeiro.
- Se não veio até aqui me torturar a respeito daquele crime, veio por qual razão?
- Vim por causa do Iokran!
- O que é isso?
A pergunta de Boo fez Nulla ter uma reação inesperada, o farejador desferiu um soco violento no rosto do comerciante que caiu sem resistência, tentou levantar-se e voltou a desabar devido a violência do golpe, Baiza foi até ele o ajudou a levantar-se limpando o sobre tudo que usava, os outros dois só observavam embora tenham ficado surpresos com a agressão. 
- O que você está fazendo ai no chão? - Ironizou Nulla. - Vamos, fique de pé! Acho que a palavra Iokran causa esse tipo de desorientação aos outros! E acredite, fica pior a cada vez que se pergunta a respeito. Então vamos ver se esse fenômeno voltará a se repetir. - O farejador respira fundo - Vim aqui por causa do Iokran!
- Não está aqui comigo! - Falou Boo com a voz trêmula enquanto o sangue esverdeado escorria por sua face.
- Meu caro Boo. - Disse Nulla. - Eu sou um farejador e posso sentir o fluido de energia do artefato em todo lugar, inclusive em você! Será que terei que arrebentar todo o seu corpo?
- Tudo bem, tudo bem! O Iokran esteve aqui por dois dias! Eu juro que não está mais aqui, fui obrigado a aceitar! Ou eu colaborava ou morria!
- Quem trouxe o Iokran para você? -Desta vez foi Olsen quem perguntou.
Boo ficou surpreso quando Stephem retirou o capuz, viu que se tratava de um ser familiar.
- Foi um da sua espécie!
- O nome! - Insistiu Olsen.
- Clint.- Respondeu o comerciante e continuou. - Clint Thomas.
- Onde ele está agora?
- Em Worinm!
- Quem mais está com ele?
A pergunta de Olsen não pôde ser respondida porque um feixe de plasma atravessou o peito de Boo, seu sangue espalhou por toda parte, outros feixes do mesmo plasma foram disparados em direção aos três, mas Nulla ergueu seu escudo de energia básica que foi suficiente para proteger a ele e aos outros dois, nesse momento, Urzo e Stephem se jogam para detrás do balcão acompanhado por Baiza.
- Que surpresa! - Gritou uma voz do lado de fora. - Por que será que não estou surpreso de te encontrar por aqui, Nulla? - Era Marva Ziuu, o farejador.




CONTINUA...



 
 
 

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