SERENITY
PARTE 41 - O ANTIQUÁRIO
Por Jair Nepomuceno
O passado tem respostas para coisas do presente, muitas vezes procuramos respostas em tempo errado, pois o passado é o senhor das consequências futuras.
Vinne foi o salvador não só de Daryl, mas de Antony também, seu heroísmo deu a chance do amigo e do Diretor de Serenity a continuar escrevendo suas histórias, tudo o que estava acontecendo naquele lugar era aterrorizante, a vida dos envolvidos nunca mais seriam as mesmas depois dos episódios recentes.
- Não costumo agradecer as pessoas, sou um grosso e tenho convicção dessa minha falha, mas o que você fez por mim foi algo que eu não teria palavras para demonstrar gratidão, então aceite o meu muito obrigado sincero.
- Não precisa agradecer, amigo. Disse Vinne. - Eu tenho a mais absoluta certeza que se fosse contrário, você teria feito o mesmo!
- Isso não muda o tamanho da atitude que você teve!
- O importante é que você está bem!
- Você acredita em Deus, Vinne?
- Sim! Mas confesso que já fui mais fervoroso!
- Então você crê que ele faz uso de ferramentas para causar o bem?
- Ele pode tudo!
- Sim! Com certeza pode e ele provou isso usando você para me salvar e ao Antony!
- Pode ser! - Disse Vinne já tocando-lhe a perna e despedindo-se.- Preciso voltar a Serenity!
Quando o psicólogo já chegava na porta para sair, Daryl volta a fala:
- Eu conversei com a entidade que assombra o hospital através de Roland Connor!
O outro que já estava saindo, parou na porta e indagou:
- O que você disse?
- Existem dois espíritos que assombram os corredores em Serenity, na verdade eu nunca vi nenhum dos dois, mas tive a oportunidade de conversar com um deles através de Roland!
- Quando foi isso e como você sabe que não era encenação de Connor?
- Pelo amor de Deus, Vinne! Eu sou psicólogo, conheço cada um dos internos intimamente, Roland jamais iria me enganar. Isso aconteceu ha dois dias!
- O que conversou com ele?
- Ele disse que estava perseguindo você, e não era o espírito da criança é o outro que demonstrou muita raiva, mágoa e revolta.
- E por que ele me persegue?
- Por causa do seu irmão!
- Como assim?
- Ele disse que Joshua começou a salvar várias pessoas no incêndio e que ele foi ficando para trás, estava bastante queimado e um armário havia caído sobre o seu corpo, ele gritou para Joshua e seu irmão olhou para ele e o ignorou, preferiu salvar a vida de uma mulher que estava em melhores condições. O que aconteceu a seguir foi que o cara morreu carbonizado, agonizando em muita dor.
- Meu Deus! Mas o que isso tem haver comigo?
- Ele desejou enquanto morria se vingar de Joshua, mas o seu irmão acabou morrendo no mesmo incêndio, então ele quer fazer algo em você como forma de atingi-lo!
- Estou perplexo!
- E tem mais!
Vinne estava cabisbaixo, levanta o olhar rapidamente para Daryl.
- Tem mais o que?
- Ele disse que seu irmão foi morto por quem continua a mutilar as pessoas, ou seja, se encontrarem o assassino de Poll e de Kelvin, automaticamente encontram o assassino do teu irmão, porque se trata do mesmo psicopata!
Vinne se aproxima da cama de Daryl, aperta o seu ombro quase para machucar.
- Quem é o assassino?
- Ele não disse!
- Por que não diz logo quem matou?
- Eu sei lá, acho que ele não tem permissão para revelar isso!
- Permissão de quem?
- Sei lá porra! Eu não sou macumbeiro, ou de seitas africanas, ou algo do tipo, como vou saber?
Vinne alivia o aperto no ombro de Daryl, estava com os olhos marejados.
- Me desculpe! Eu perdi o controle!
- Eu o convenci a deixar você em paz, mas te aconselho a evitar o sexto andar e o porão, o sexto porque foi lá que ele morreu e o porão por alguma razão não revelada, mas são os dois lugares que ele costuma assombrar!
- Meu irmão foi morto enquanto salvava vidas!
- Sim! Ele sofreu uma agressão no fim da escada e desmaiou, por isso morreu por asfixia e intoxicado pela fumaça dos produtos!
Vinne enxuga as lágrimas, agradece as informações, em seguida se despede e segue para Serenity.
Enquanto esse diálogo traumático acontecia no hospital, Malcon chegava a um antiquário que se localizava a seis ruas de Serenity, estava indo atrás de respostas que o ajudasse a elucidar o caso.
Assim que chegou ao local percebeu que realmente havia muita coisa antiga, relógios de parede, telefones, rádios, móveis e vários outros objetos, alguns certamente fabricados nos séculos anteriores. Era uma loja relativamente escura, talvez para preservar os objetos protegendo-os da luz intensa, a sineta tocou assim que a porta abriu e o homem de aparência bonachona, sorridente veio atender o policial.
- Bom dia! Em que posso ajuda-lo?
- O senhor se chama Ed Carter?
- Quem quer saber?
O Delegado interino apresenta ao homem a sua carteira de polícia e se identifica:
- Sou Malcon e trabalho diretamente pra homicídios!
- Agora sei quem o senhor é! O senhor não é um delegado que está trabalhando no caso Serenity?
- Também sou Delegado interino!
- Entendi! Sim senhor, sou Ed carter, Ed de Edmund!
- O senhor tem uma bonita loja!
- Obrigado policial! Mas o que posso fazer pelo senhor? Aceita um chá, ou um cappuccino?
- Não, obrigado, na verdade vim aqui para fazer algumas perguntas!
O homem coça a barba grisalha, convida Malcon a se sentar, estava notoriamente desconfiado e desconcertado.
- Quais tipos de perguntaS?
- O senhor já deve imaginar!
- Se é sobre os assassinatos em Serenity, não posso ajuda-lo, eu nem mesmo conhecia as vítimas!
- Eu soube que o senhor andava lá constantemente, por que parou de ir?
- Eu não lembro se andava lá! Eu sofri um acidente de carro, sabe? E perdi parte da memória, então, não sou uma pessoa muito útil para o senhor!
- Deixa eu te falar uma coisa, Carter! - Diz Malcon com um leve sorriso. - Você é um antiquário muito respeitado em Saint Sofhie, e eu pesquisei e vi que tudo que você sabe sobre o seu trabalho você aprendeu antes do tal acidente, na verdade aperfeiçoou o que sabia, fez curso sobre restauração quatro dias antes do acidente e veja só, você não esqueceu essa parte não é mesmo? Mas esqueceu coisas que fazia como visitar Serenity antes do curso de restauração e também durante o curso! Impressionante não acha?
O Homem ficou nervoso, meio gaguejando tentou se impor.
- O que o senhor entende de problemas neurológicos?
- Neurologia não entendo nada, mas sei quando um safado está tentando me enrolar, e você é esse tipo de safado mentiroso, então, pare de encenar e me responda as perguntas que eu fizer!
- Por favor, não me envolva nisso! - O homem se entrega. - Inventei a amnésia para me afastar de certas pessoas!
- Entendo! E essas certas pessoas incluem quem?
- O senhor tem mandado para invadir minha loja? Por que se não tiver isso é coação!
- não o estou coagindo, mas se quiser que eu fique no teu encalço eu ficarei, não vai em querer como desafeto, ninguém quer!
- Meu Deus! O senhor é um homem da lei! Está me ameaçando? Que tipo de policial é o senhor?
- Já mandei parar com esse teatro, isso não te ajudar em nada! Vou te fazer a porra da pergunta e você vai responder, senão vou pegar no teu calcanhar!
- Eu imploro para que me deixe fora disso!
- Você nem será mencionado, estou aqui sem que ninguém saiba, somos eu e você!
O antiquário se senta, passa a mão freneticamente na própria cabeça, estava nervoso e com medo.
- O senhor promete que ninguém vai saber que esteve aqui?
- Tem a minha palavra!
- O que quer saber?
- Por que parou de andar em Serenity?
- Porque Antony me ameaçou, e não ficou só na ameaça, aquele lacaio dele, o tal Rogger, tenho certeza que ele cortou os cabos de freio para que eu sofresse o acidente e morresse, tenho essa certeza porque no dia do acidente eu o vi atrás do meu carro, perguntei o que ele fazia, o satanás me disse que estava olhando porque tinha interesse de compra-lo Aquele ali é o demônio! Tenho muito medo dele! Quando eu sobrevivi, eles foram me visitar no hospital, fingi que não os conhecia, que não me recordava de nada. Aproveitei que tive uma pequeno traumatismo na cabeça, levei nove pontos, foi o álibi perfeito para inventar a amnésia!
- Você não precisa mais se preocupar com Rogger, ele morreu ontem a noite!
- Sério? Como?
- Isso é uma longa história, o fato é que ele não é mais ameaça a ninguém!
- Deve ta agora setado no colo do capeta!
- Que seja! Mas me diga, por que Antony te proibiu de ir lá em Serenity?
- Eu era apaixonado por uma enfermeira que ele teve um affair no passado! Mas descobri que ela era maluca!
- Como assim maluca?
- Ela era desequilibrada, e eu arriado os quatro pneus por ela! Ela tentou matar o ex-marido, isso eu só descobri depois! O melhor é que eu presenciei uma discussão dela com o Antony e falaram em paternidade, ele me flagrou, depois desse dia, ele me ameaçou!
- Ele teve um filho fora do casamento com essa enfermeira?
- Sim!
- Quem é ela?
- Ela se chamava Dorothy, mas ele a obrigou a mudar de nome! Não sei como se chama hoje. mas sei que continua lá no hospital sob a proteção daquele psicopata!
- Quem é Leonard?
- O filho dela!
Malcon arregala os olhos, agora tudo fazia sentindo, juntou uma peça importante no quebra-cabeça, ele deu um grito como se fosse de vitória.
- É isso!
- É isso o que? - Indagou Carter.
- Obrigado por sua cooperação, sei agora onde ir e o livro ficou claro para mim!
O policial sai do antiquário rapidamente, faz uma ligação ara o Distrito e manda que fiquem a postos, pois o assassino de Serenity iria mostrar as garras!
CONTINUA...
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